Cidades

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A grande herança

A grande herança

Redação

08/04/2010 - 20h25
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Faz alguns dias, neste jornal, em página inteira com uma bela ilustração com a foice e o martelo, emblema do partido comunista, li o longo artigo de um professor universitário de Campo Grande. Ele tecia elogios ao "Manifesto comunista" de Marx e Engels, de 1848. Esse livrinho, sempre reeditado, ainda hoje nos surpreende pela objetividade, racionalidade e clareza de exposição. (Essa clareza, os estudiosos da obra atribuem a Engels, redator do livro. Marx era difícil).

O "Manifesto" foi um marco na história política do mundo. Pela longevidade, como livro político, só perde para "O Príncipe" de Machiavel, de 1532, mas se iguala em valor histórico, ambos nos propondo os caminhos para a conquista do poder. A diferença é que Machiavel era mais realista, chegando ao cinismo em suas proposições, decorrente de sua longa experiência política e governamental. Marx, ao contrário, tinha limitada experiência na práxis política, nunca tendo exercido uma função executiva, mas era um pensador idealista e de lúcida percepção do momento histórico em que vivia. Por essa lucidez Marx nos deixou duas coordenadas que nos guiariam para sempre. A primeira é a importância do fator econômico na explicação da história do homem. A segunda foi a sua muito crua denúncia das injustiças sociais que, de certo modo, até hoje persistem.

Deixo claro que, por todos os motivos, me parecem louváveis as denúncias do "Manifesto", assim como vejo como idealista o movimento comunista que lutou pela aplicação do marxismo. Mas, admitindo a verdade da denúncia e o idealismo do movimento, vejo também com clareza os efeitos desastrosos da aplicação daquela doutrina. Já escrevi uma vez e não me acanha repetir que a doutrina comunista de Marx foi e ainda é uma solução errada para um problema verdadeiro que ainda existe – as injustiças sociais. Essa discussão pediria um palco mais amplo que uma crônica de jornal. Mas, como estou certo de que para assunto tão debatido não há mais nada a dizer, vou ser resumidamente repetitivo.

Marx, por uma intuição tipo bergsoniana que se sobrepõe ao raciocínio e à pesquisa, detectou a causa das injustiças sociais no direito de propriedade. Suprimi-lo era o caminho mais sábio e mais curto. Esse caminho, entretanto, era mais curto do que sábio, pois "ter" é o desejo mais profundo da natureza humana e o egoísmo que o motiva é também o móvel do instinto de sobrevivência; garantia da preservação da espécie. Marx não estudou psicologia e, infelizmente, não leu Freud que publicou seu primeiro livro no ano de sua morte. Se lesse talvez levasse em conta a natureza estrutural do egoísmo humano e do seu desejo de ter. Uma criança que ainda não fala é capaz de defender o "seu" brinquedo com agressivas manifestações de gestos e choro. Sem falar ela está dizendo "é meu". Depois falará na "sua" roupa, "sua" casa, "seu" dinheiro, sempre egoisticamente como manda a santa madre natureza. Em função desse egoísmo estrutural, Freud chamou a criança de um perverso polimorfo, contrariando a doutrina oficial de que o homem nasce bom e a sociedade o perverte. Doutrina que Marx também tinha para si, supondo que ao negar o direito de propriedade o egoísmo e a maldade seriam sanados.

A história nos mostrou o contrário, pois a doutrina de Marx, ele mesmo previu, só seria implantada por uma revolução que, historicamente, sempre foi cruel, sangrenta e a sua manutenção sempre só foi possível com a opressão e supressão das liberdades individuais. Assim foi na infeliz Rússia, na muito culta Alemanha e ainda é na pobre Cuba que, com frieza que assombra o mundo, está assistindo o suicídio de seus dissidentes . O egoísmo humano manifesto pelo desejo de ter não pode ser extinto por decreto. Ele deve ser controlado pela educação, pela convivência humana que nos ensina a dividir e, evidentemente, pela ação dos governos, através das leis. Essa é a grande lição da democracia: preservar o nosso prazer de ter, desde que ele seja fruto do trabalho e talentos próprios e não venha contrariar o direito dos outros. Além de que aos mal dotados ou mal servidos devem ser garantida a igualdade de oportunidades que hoje se tenta fazer pela educação.

A ideologia marxista foi testada por mais de meio século em mais da metade do mundo. Ruiu por si mesma a partir da queda do muro de Berlim e exaustivamente os seus absurdos e desacertos foram mostrados. Se o objetivo era o combate às injustiças sociais, uma forma simples de avaliação seria a comparação do padrão de vida dos operários do mundo comunista, por exemplo, com o padrão norte- americano, país que sempre viveu a "selvageria" do capitalismo. Em função dessa amostragem a discussão dessa doutrina tornou-se obsoleta e desprezível. Mas existem os cegos que não querem ver, os morto-vivos de Cuba, os Chaves desta infeliz América Latina e, entre nós, os membros da guerrilha lulista. Estes já estão longe de Marx, pois se abraçaram a Machiavel centrados na cínica convicção de que a conquista do poder está acima da ética e sentimentos de cidadania – os fins justificam os meios – esse é o lema. Os meios são o dinheiro mensaleiro e corruptor tirado dos cofres públicos e estatais, sem nenhum escrúpulo, através de ONGs fajutas, fundos de pensão e superfaturamento de obras.

O voto, como manifestação de vontade, perdeu sua significação política, tornando-se uma mercadoria com preços definidos. Os partidos e políticos passaram a ser comprados em abertas concorrências. Aqui mesmo entre nós, nesse pobre Mato Grosso do Sul, estamos vendo políticos virando as costas ao seu eleitorado tradicional pelo dinheiro fartamente oferecido. Esse dinheiro sujo derrotará Dilma Roussef e a insensibilidade moral ficará como símbolo e grande herança maldita do governo Lula.

Abílio Leite de Barros, [email protected]

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Veículos batem de frente e três pessoas da mesma família morrem na BR-267

Motorista de um Virtus tentou fazer uma ultrapassagem, quando colidiu de frente com um Corolla; todas as vítimas estavam no veículo atingido

16/12/2025 18h36

Veículos bateram de frente e três pessoas da mesma família morreram

Veículos bateram de frente e três pessoas da mesma família morreram Foto: Divulgação / PRF

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Três pessoas morreram em um acidente envolvendo dois carros de passeio, na manhã desta terça-feira (16), na BR-267, em Nova Alvorada do Sul. O acidente aconteceu durante uma tentativa de ultrapassagem.

De acordo com informações da PRF, um veículo Toyota Corolla, com placas de São Miguel de Guaporé (RO), seguia no sentido Nova Alvorada do Sul a Distrito de Casa Verde, enquanto um Virtus, com placas de Três Lagoas, seguida no sentido contrário.

Na altura do km 177, os veículos bateram de frente. Segundo testemunhas, o Virtus teria tentado fazer uma ultrapassagem e acabou colidindo com o Corolla.

Com o impacto da batida, duas passageiras no Corolla, de 55 e 73 anos, morreram na hora. Um outro passageiro, de 74 anos, chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu posteriormente no hospital. O motorista, de 53 anos, não teve ferimentos graves.

Conforme informações, as vítimas eram a esposa, pai e mãe do motorista.

No Virtus estavam o condutor e um passageiro, de 42 e 37 anos, respectivamente. Ambos tiveram lesões consideradas leves e foram encaminhados ao hospital em Nova Andradina, mas não correm risco de morte.

Ainda segundo a PRF, foi realizado o teste do bafômetro nos motoristas, com resultado negativo para alcoolemia em ambos.

Informações preliminares são de que a família que estava no Corolla saiu de Rondônia para visitar familiares no interior de São Paulo.

Durante os trabalhos de resgate e perícia, parte da pista ficou interditada. As causas do acidente serão investigadas pela Polícia Civil.

Outro acidente com duas mortes

Na madrugada desta terça-feira (16), outro acidente deixou duas pessoas mortas e três feridas, na BR-158, em Três Lagoas.

Conforme reportagem do Correio do Estado, Fernanda Taina Costa da Silva, de 28 anos, conduzia um Fiat Palio, e Fernando Marconi Ramos, de 27 anos, trabalhava como moto-entregador. Ambos colidiram em ua região conhecida como anel viário Samir Tomé.

No Palio conduzido, além da motorista estavam três crianças, de 9 anos, 5 anos e nove meses, que tiveram de ser levadas ao Hospital Regional, mas o estado de saúde de todas era considerado estável. As três estavam no banco traseiro e as duas maiores estavam conscientes e orientadas.

Imagens divulgadas pelo site 24hnewsms mostram que a motocicleta atingiu a parte frontal do veículo e o piloto acabou sendo jogado sobre o para-brisa, do lado da condutora.

Embora não haja testemunhas, os policiais que atenderam à ocorrência constataram sinais de frenagem da moto, que a moto seguia pelo anel viário no sentido ao shopping Três Lagoas, quando foi atingida frontalmente pelo carro, que teria invadido a pista contrária por motivos ainda ignorados. 

 

Cabe recurso

Jogo do bicho: deputado Neno Razuk é condenado a 15 anos de prisão

Condenação foi proferida  pela 4ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul

16/12/2025 17h45

Deputado estadual Neno Razuk (PL)

Deputado estadual Neno Razuk (PL) Foto: Wagner Guimarães / Alems

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O deputado estadual Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno Razuk (PL), foi condenado a 15 anos e 7 meses de prisão, apontado como o "cabeça" de um grupo criminoso para tomar o controle do jogo do bicho em Campo Grande. A condenação foi proferida  pela 4ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) nesta segunda-feira (15) e sentencia outras 11 pessoas. 

Conforme os autos do processo que corre em segredo de Justiça, os réus tentaram anular a condenação sob pedindo a nulidade das investigações. Em resposta ao Correio do Estado, André Borges, advogado de defesa do deputado, disse que irá recorrer da sentença. "Defesa certamente recorrerá; processo está longe de encerrar; Neno confia na decisão final da justiça", declarou. 

Condenações 

  • Carlito Gonçalves Miranda 10 anos, 9 meses e 24 dias de reclusão, em regime fechado; Não tem o direito de recorrer em liberar e segue sendo procurado;
  • Diogo Francisco 3 anos e 6 meses de reclusão, em regime aberto; terá o direito de recorrer em liberdade;   
  • Edilson Rodrigues Ferreira 3 anos e 6 meses de reclusão, em regime aberto; terá o direito de recorrer em liberdade; 
  • Gilberto Luis dos Santos 16 anos, 4 meses e 29 dias de reclusão, em regime fechado; permanecerá preso;
  • José Eduardo Abduladah 4 anos e 1 mês de reclusão, em regime fechado; permanecerá em prisão domiciliar;
  • Júlio Cezar Ferreira dos Santos 3 anos e 6 meses de reclusão, em regime aberto; terá o direito de recorrer em liberdade;
  • Manoel José Ribeiro 13 anos, 7 meses e 1 dia de reclusão, em regime fechado; permanecerá preso;
  • Mateus Aquino Júnior 11 anos e 7 meses de reclusão, em regime fechado; não terá o direito de recorrer em liberdade e segue sendo procurado;
  • Roberto Razuk Filho 15 anos, 7 meses e 15 dias de reclusão, em regime fechado; terá o direito de recorrer em liberdade;
  • Taygor Ivan Moretto Pelissari 4 anos, 11 meses e 15 dias de reclisão, em regime fechado; não terá o direito de recorrer em liberdade e segue sendo procurado; 
  • Valnir Queiroz Martinelli 3 anos e 6 meses de reclusão, em regime aberto; terá o direito de recorrer em liberdade;
  • Wilson Souza Goulart 4 anos, 2 meses e 22 dias de reclusão, no semiaberto; terá o direito de recorrer em liberdade; 

Buscas

Em novembro deste ano, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), apreendeu mais de R$ 300 mil durante a operação deflagrada contra alvos ligados à família Razuk. A ação, realizada em conjunto com o Batalhão de Choque da Polícia Militar, também resultou na prisão de três familiares do deputado estadual Neno Razuk. 

Foram detidos o pai do parlamentar, Roberto Razuk, e os irmãos Rafael Razuk e Jorge Razuk. Segundo informações, além do montante em dinheiro, equipes recolheram armas, munições e máquinas supostamente usadas para registrar apostas do jogo do bicho.

Os materiais foram apreendidos durante o cumprimento dos 20 mandados de prisão preventiva e 27 de busca e apreensão executados  em Campo Grande, Dourados, Corumbá, Maracaju e Ponta Porã, além de endereços no Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul.

Em Dourados, viaturas foram vistas logo cedo em bairros como Jardim Água Boa e Vila Planalto. A residência de Roberto Razuk foi um dos principais pontos de ação, onde agentes recolheram malotes.

Outro alvo da operação é Sérgio Donizete Balthazar, empresário e aliado político, proprietário da Criativa Technology Ltda., que no início deste ano ingressou no Tribunal de Justiça com mandado de segurança para tentar suspender a licitação da Lotesul, estimada em mais de R$ 50 milhões.

Também aparecem entre os alvos o escritório de Rhiad Abdulahad e Marco Aurélio Horta, conhecido como "Marquinho", chefe de gabinete de Neno Razuk e funcionário da família há cerca de 20 anos.

A família Razuk, já foi alvo de apurações relacionadas ao jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. A ação é tratada pelo Ministério Público como uma nova fase dessas investigações.

FASES

Em outubro de 2023, antes das fases da Successione, a Polícia Civil fez uma apreensão de 700 máquinas da contravenção, semelhantes a máquinas de cartão utilizadas diariamente em qualquer comércio, sendo facilmente confundidas.

As prisões foram desencadeadas a partir da deflagração das fases da Operação Successione, que começou no dia 5 de dezembro de 2023. Na ocasião, foram cumpridos 10 mandados de prisão e 13 mandados de busca e apreensão. Foi nesta fase que os ex-assessores parlamentares de Neno Razuk foram pegos.

Duas semanas depois, no dia 20 de dezembro, foi deflagrada a segunda fase da operação, com o cumprimento de 12 mandados de prisão e 4 de busca e apreensão. Ela foi realizada após investigações do Gaeco apontarem que a organização criminosa continuou na prática do jogo do bicho, além de concluírem que policiais militares também atuavam nesta atividade.

No dia 3 de janeiro do ano passado, chegou a vez da terceira fase da operação, com mais dois envolvidos presos pela contravenção na Capital.

A disputa pelo controle do jogo ilegal em Campo Grande se intensificou após a prisão de Jamil Name e Jamilzinho, durante a Operação Omertá, em 2019, que eram apontados pelas autoridades como os donos do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. 

Quatro anos depois, Jamil Name Filho foi condenado a 23 anos de reclusão, após um julgamento de três dias.

O termo italiano "Successione"  que dá nome a operação, é uma referência a disputa pela sucessão do jogo bicho em Campo Grande após a operação Omertá. A decisão desta terça-feira cabe recurso. 

**Colaborou Felipe Machado

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