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GUIA LOPES

Afrouxar isolamento em Guia Lopes é irresponsabilidade, dizem especialistas

Município aumentou mais 21 casos do novo coronavírus nas últimas 24 horas
25/05/2020 15:01 - Ricardo Campos Jr


 

Os números falam por si e especialistas em epidemiologia corroboram: afrouxar o isolamento social em Guia Lopes da Laguna no atual nível de contágio da Covid-19 é uma irresponsabilidade. Boletim epidemiológico desta segunda-feira (25) aumentou mais 21 pacientes contaminados na lista do pequeno município com pouco mais de nove mil habitantes, totalizando 183  positivos.

A cidade está 62 casos atrás de Campo Grande, que até agora sustenta o primeiro lugar no ranking sul-mato-grossense com 245 infectados.

Como a Capital tem mais de 80 vezes a população de Guia Lopes, órgãos de vigilância calculam a incidência para equilibrar os dados e ver onde a doença está avançando com mais velocidade. Nesse caso, o município interiorano dispara no topo com 1.849 casos para cada cem mil habitantes.

O Correio do Estado acessou os microdados da Secretaria Estadual de Saúde para saber onde estão os munícipes infectados daquela localidade, mas a Prefeitura local não tem alimentado os dados do sistema corretamente.

Isso quer dizer que não é possível saber quantos positivos para o novo coronavírus estão ocupando leitos, clínicos ou de Terapia Intensiva (UTI).

Sabe-se, a nível global, que há 36 pessoas hospitalizadas em todo o Estado até o momento. Dessas, 23 recebem atendimentos clínicos, com quadros de menos graves (nove pelo Sistema Único de Saúde e 14 na rede privada).

Outros 13 pacientes são considerados críticos, dos quais onze estão em leitos públicos e dois em leitos particulares.

Há ainda cinco sul-mato-grossenses internados em outros estados. Em leitos clínicos são dois em São Paulo e um em Maceió. Em UTI existem um no Mato Grosso e outro na capital paulista.

O QUE FAZER?

Tão logo os primeiros casos apareceram em Guia Lopes da Laguna, o prefeito Jair Scarpini (PSDB) decretou uma espécie de lock down. Ninguém entrava ou saía da cidade. A população só podia ir ao mercado ou farmácia e mesmo assim duas vezes na semana.

Contudo, as medidas foram afrouxadas. Ao Correio do Estado, ele disse que todos os casos na cidade estão relacionados aos funcionários de um frigorífico da região e que não haveria motivo para restrições severas.

Júlio Croda, epidemiologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), discorda. Para ele, só poderia ser ventilada uma redução nessa quarentena a partir do sétimo dia com queda de casos novos, o que não é o caso.

Everton Falcão de Oliveira, enfermeiro doutor em epidemiologia, concorda. “É motivo inclusive para tornar as medidas ainda mais duras a exemplo de Paris, onde as pessoas tinham que preencher uma solicitação declarando por que pretendiam sair de casa e só podiam deixar os lares com autorização dos órgãos de vigilância”, disse.

Se nenhuma medida for tomada, é possível que pacientes de Guia Lopes precisem cada vez mais de assistência e como a cidade não tem leitos de UTI, comece a lotar a rede em cidades onde a situação está sob certo controle, como Campo Grande.

O Correio do Estado entrou em contato novamente com Scarpini para saber se, após o novo boletim epidemiológico, haveria alguma mudança no isolamento, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

 

Felpuda


É quase certo que a aposentadoria deverá ocorrer de maneira mais rápida do que se pensava em determinado órgão. O que deveria ser a tal ordem natural dos fatos acabou sendo atropelada por acontecimentos considerados danosos para a imagem da instituição. Os dias estão passando, o cerco apertando e já é praticamente unanimidade de que a cadeira terá de ter substituto. Mas, pelo que se ouve, a escolha não deverá ser com flores e bombons de grife.