Cidades

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Aluno atropelado hoje vive graças à solidariedade

Aluno atropelado hoje vive graças à solidariedade

Redação

22/03/2010 - 08h25
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Foi em maio de 2005 que a vida de Antônia Aurineide Maciel, a dona Neide, mudou completamente. Ela é mãe de Kelvin Henrique Maciel Domingues, que hoje tem 18 anos. Quando tinha 13, ele foi atropelado por um caminhão, em frente ao posto de saúde do bairro Aero Rancho. Uma brincadeira de criança – o menino saiu da Escola Estadual Padre Mário Brandini, onde estudava, para apanhar a mochila que havia sido pega por um colega – originou a tragédia deixando-o em estado vegetativo. Hoje, Kelvin vive deitado em uma cama, emprestada à família pela Santa Casa de Campo Grande, e precisa da ajuda integral da mãe e da irmã, que moram com ele em uma pequena casa no Conjunto Aero Rancho, em Campo Grande. Por dedicar todo tempo ao filho, dona Neide não pode mais trabalhar e vive da solidariedade das pessoas. Na semana passada o caso de Kelvin voltou à tona, devido à decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) que condenou o Estado a pagar indenização de cerca de R$ 200 mil à família, além de pensão vitalícia no valor de um salário mínimo por mês. A alegação é de que a escola seria responsável pela integridade do estudante, que deveria estar na aula quando sofreu o acidente. O governo do Estado recorreu da decisão e teve o pedido negado pelo TJMS. Agora, ainda há possibilidade de recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Há cinco anos lutando pela indenização, Aurineide acredita que o dinheiro será uma forma de minimizar o sofrimento e a agonia por que tem de passar todo mês, sem saber se terá para oferecer ao filho o que é necessário. “Tudo é muito difícil, tudo é muito caro”, conta dona Neide. O semblante da mãe só muda quando ela lembra de uma decisão que classifica como “injustiça”. Recentemente, o TJ/MS condenou o Estado a pagar pensão mensal no valor de 60 salários mínimos, equivalente a R$ 30,6 mil, a um advogado baleado por um policial militar em 2000, quando ficou tetraplégico. O valor de apenas um mês da pensão do advogado, cuja decisão do tribunal foi publicada este mês, equivale a três anos do valor fixado para Kelvin. “E por que isso? Só porque a gente é pobre e não tem influência?”, reclama a mãe do jovem. Solidariedade O quarto onde Kelvin vive foi construído com material e dinheiro doados. Atualmente a mãe recebe pouco mais de R$ 500 por mês do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e, com esse dinheiro, precisa cuidar das despesas da casa. O valor, evidentemente, não é suficiente para que todas as necessidades de Kelvin e despesas da casa sejam satisfeitas. O jovem tem de receber alimentação especial, precisa de fraldas descartáveis e roupas de cama, que devem ser trocadas constantemente. Kelvin está com dificuldades de movimentar os braços, mãos e pernas porque não tem feito tantas sessões de fisioterapia quanto necessita. O tratamento, assim como as sessões de fonoaudiologia, acontecem somente quando algum profissional se prontifica a ajudar. Só com a solidariedade de profissionais da saúde, amigos e outros desconhecidos é que dona Neide consegue superar as dificuldades diárias.

DADOS

MS atinge cinco anos sem registrar policiais mortos em serviço

De 2015 a 2025, apenas dois profissionais de segurança morreram trabalhando no Estado, o que coloca Mato Grosso do Sul com o menor índice entre as unidades federativas

24/01/2026 18h00

Delegacia Geral da Polícia Civil

Delegacia Geral da Polícia Civil FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Em 2025, Mato Grosso do Sul foi um dos poucos estados que não registraram mortes de policiais ou profissionais de segurança em serviço, fato que não é novidade, já que há cinco anos o Estado não apresenta ocorrência do tipo.

Segundo o Painel de Indicadores Estatísticos do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Mato Grosso do Sul se juntou a outras cinco unidades federativas que não tiveram policiais mortos em confronto no ano passado, são eles: Acre, Paraná, Roraima, Santa Catarina e Sergipe.

Porém, o Estado se destaca também por outro, este mais longevo, que é que foram registradas somente duas mortes em serviço nos últimos 10 anos, colocando-o como a unidade federativa com a menor quantidade de ocorrências do tipo no período analisado.

De 2015 a 2025, o Brasil registrou 2.753 policiais mortos em serviço, com o Rio de Janeiro liderando a estatística, com 692, seguido por São Paulo (490) e Pará (325). Somente no ano passado, foram 180 profissionais que vieram a óbito, o que assegura uma média de uma morte a cada dois dias.

Por instituição, os policiais militares foram os maiores alvos, com 2.127 mortos nos últimos 10 anos. Em seguida, aparecem policiais civis, com 338, e policial penal, com 120. Por sexo, os profissionais masculinos são responsáveis por 96,95% das ocorrências, enquanto as profissionais femininas apresentaram 3,27%.

Em julho do ano passado, a Comissão de Segurança Pública (CSP) do Senado Federal aprovou o Projeto de Lei que determinou que famílias e herdeiros de policiais mortos em serviço sejam indenizadas em R$ 100 mil.

Caso o profissional não morra em serviço, mas se tornou incapacitado permanentemente para exercer a atividade própria da carreira, ele será indenizado em R$ 50 mil. Os valores serão pagos pelos governos federais, estaduais e municipais, conforme consta no relatório.

Mais números

No painel também é possível visualizar os dados de suícidio de profissionais de segurança. Neste quesito, entre 2015 e 2025, Mato Grosso do Sul registrou 14 casos de um total de 1,3 mil no Brasil inteiro.

Destes 14, quatro foram em 2025, mesmo número do que o apresentado no ano anterior, média elevada em comparação com os outros períodos. Por incorporação, metade dos casos são de policiais civis, enquanto cinco ocorrências foram de policiais militares e os outros dois de policiais penais.

Em 2024, a professora Marina Rezende Bazon, do Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da Universidade de São Paulo (USP), falou sobre o aumento do número de suicídios de policiais no País.

“Os policiais estão em constante contato com vários fatores de estresse, como mazelas e contradições sociais, extrema violência, sobrecarga e condições precárias de trabalho, que criam um cenário difícil para esse profissional”, disse ao jornal da USP.

Além disso, a especialista também destacou a sobrecarga de trabalho, o que é outro fator de estresse.

“Os modelos de trabalho, com várias horas de atuação e com horários de folga reduzidos, além de salários, em sua maioria, baixos, obrigam os policiais a fazer horas extras ou bicos. Esse problema afeta principalmente os policiais de menor patente”, afirmou.

Outro lado

Ainda de acordo com o painel do Ministério, outro dado que chama atenção são as mortes por intervenção policial: os casos caíram de 86 para 59 no ano passado, uma redução de 31,40%. Nos últimos 10 anos, foram 730 ocorrências, com o recorde em 2020, quando foram catalogadas 134 casos.

No Brasil, já são 59 mil mortes por intervenção policial de 2015 a 2025, com uma média de 6,3 mil por ano de 2020 até agora. Rio de Janeiro, com 12.348, e São Paulo, com 8.162, lideram a lista do período.

Saiba

Vale destacar que todos os dados sul-mato-grossenses enviados ao Painel de Indicadores Estatísticos do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) são de responsabilidade da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS).

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CIN

'Novo RG' completa 2 anos de lançamento com 23% de adesão em MS

Carteira Nacional de Identificação (CIN) é uma versão nova do Registro Geral (RG) e entrou em operação no Estado em janeiro de 2024

24/01/2026 16h30

Modelo ilustrativo da nova carteira de identidade, lançada em MS em janeiro de 2024

Modelo ilustrativo da nova carteira de identidade, lançada em MS em janeiro de 2024 Foto: Reprodução

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A Carteira Nacional de Identificação (CIN), que é um novo modelo do Registro Geral (RG), completou dois anos de operação em Mato Grosso do Sul, mas menos de um quarto da população tem a nova versão no bolso, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

Lançado em 11 de janeiro de 2024 no Estado, o novo RG adota o Cadastro de Pessoa Física (CPF) como número único de identificação, conta com um um código Machine Readable Zone (MRZ) e apresenta a versão digital no site do Governo Federal, tudo isso com o objetivo reduzir as ocorrências de fraudes e facilitar o acesso do cidadão a serviços públicos em todo território nacional.

Até o momento, 44 milhões de pessoas já emitiram o novo documento em todo o País, sendo aproximadamente 639 mil sul-mato-grossenses, o que corresponde a apenas 23,18% da população total do Estado - 2.757.013 habitantes, segundo o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em comparação com as outras unidades federativas, Mato Grosso do Sul ocupa a 17ª colocação na proporção de emissões e população total. O Piauí lidera com 51,71% (1,74 milhão de 3,37 milhões de habitantes) e o Pará é o último com apenas 2% (173,4 mil de 8,66 milhões de pessoas).

Um dos principais motivos para que as pessoas não procurem com exatidão emitir o novo documento é o tempo de vida do antigo RG, que continua válido até 2032, ou seja, por mais seis anos. Com o CIN em mãos, o documento pode ter validade de cinco anos (para crianças de 0 a 12 anos) ou até indeterminado (como no caso para pessoas com mais de 60 anos).

Outros diferenciais do novo documento é que ele terá uma série de informações adicionais importantes, como tipo sanguíneo, informações sobre doenças, número da carteira de trabalho, Programa de Integração Social (PIS) e Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep).

Em janeiro de 2026, Mato Grosso do Sul já emitiu 27.980 CINs e está rumo ao recorde mensal, que neste momento pertence ao mês de outubro de 2024, quando foram emitidos 32.807 documentos. Vale destacar que os dados presentes no portal do Ministério foram atualizados nesta sexta-feira (23).

Unidades e vagas

No ano passado, Mato Grosso do Sul aumentou a quantidade de postos de identificação. Anteriormente, em 2024, eram 89 postos espalhados pelo Estado, em 2025, foram inauguradas 4 unidades, totalizando 93 postos em funcionamento.

Dois foram em Campo Grande, um no Shopping Norte Sul, e outro no Hiper Center Itanhangá. Além desses, os outros dois foram no interior do Estado, um em Corumbá e outro em Santa Rita do Rio Pardo.

Para finalizar o ano, é previsto abertura de novos postos em Três Lagoas e também em Dourados, com ampliação dos guichês de atendimento, em busca de fortalecer a rede no interior.

Parte da expansão que ocorre, é por meio de agências integradas ao Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS), com modelo que otimiza estrutura física, reduz deslocamentos e amplia a oferta de serviços em pontos estratégicos.

Com isso, a rede teve aumento de 300 novos agendamentos diários em relação a 2024. Atualmente, no Estado todo são mais de  2.500 vagas diárias para realizar o cadastro da CIN.

Como solicitar a CIN

O serviço está disponível de segunda a sexta-feira das 07h às 19h, com 200 vagas diárias. E também aos sábados, a depender da unidade, com cerca de 130 vagas distribuídas das 07h às 17h.

O agendamento deve ser previamente pelo site: https://servicos.sejusp.ms.gov.br/, com as seguintes informações e seleções ao acessar:

  • Selecionar o município em que deseja solicitar o serviço;
  • Selecionar o serviço de 1ª emissão;
  • Certificar que seu nome, nome da mãe e data de nascimento esteja conforme a Certidão apresentada;
  • Estar com o CPF como REGULAR na Receita Federal do Brasil;
  • Escolher data e horário de atendimento, conforme disponibilidade.

Todos os Postos de Identificação de MS destinam vagas para atendimento ao público prioritário e os serviços em vermelho no site são Tributáveis.

Planejamento 2026

Para este ano, o Instituto de Identificação planeja manter o plano de extensão, para ampliar a cobertura do serviço, incluindo:

  • Novas unidades;
  • Fortalecimento de mutirões em áreas rurais e indígenas;
  • Criação de estações de atendimento em presídio;
  • E projeto piloto de identificação neonatal.

José de Anchiêta Souza Silva, coordenador-geral de Perícias da Polícia Científica de Mato Grosso do Sul ressaltou o impacto social da política de identificação civil.

“A identidade é a porta de entrada para o exercício da cidadania. Quando o Estado amplia esse acesso, garante que as pessoas possam estudar, trabalhar e acessar políticas públicas com dignidade e segurança”, afirmou.

Com a modernização contínua e tecnológica, além da interiorização do atendimento, Mato Grosso do Sul consolida a CIN como instrumento essencial de cidadania e gestão pública.

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