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TRANSPORTE COLETIVO

Apesar de reclamações, corredores serão mantidos

Estações de embarque no meio da Rua Brilhante serão replicadas em outras vias, como Avenida Bandeirantes e Rua Bahia; diretor da Agetran diz que projeto não será modificado
14/07/2020 08:30 - Da Redação, Eduardo Miranda


A implantação dos corredores de transporte em Campo Grande, projetados em 2012 com vias modeladas especialmente para atender ônibus do modelo BRT (que trafega em vias especiais), vem gerando reclamação de motoristas e comerciantes, justamente por gerar problemas que o projeto veio para melhorar: a mobilidade urbana.  

No que depender da prefeitura, as reclamações vão continuar. É que os pontos de ônibus no meio das vias, como já é visível na Rua Brilhante, motivo das reclamações e característica marcante do projeto, não serão alterados pela prefeitura. 

O motivo? A prefeitura tem de garantir os R$ 110 milhões em recursos federais para bancar a obra e que estão condicionados ao projeto.  

O diretor-presidente da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), Janine Lima Bruno, afirmou que priorizar os ônibus em detrimento dos carros é uma tendência mundial.  

“As cidades estão sendo descentralizadas, então, as pessoas passam a viver dentro de regiões. A tendência de priorizar o carro está ultrapassada”, afirma Janine.

Quando o projeto foi concebido, Campo Grande tinha dezenas de ônibus articulados em circulação e planejava-se a implantação dos BRTs (Ônibus de Trânsito Rápido, na tradução livre), como os que existem em Curitiba (PR) e no Rio de Janeiro (RJ). 

De lá para cá, o Consórcio Guaicurus retirou a maioria dos ônibus articulados de circulação, alegando queda no movimento, e não tem planos de colocá-los de volta. 

RECLAMAÇÕES

Enquanto o Corredor Sudoeste, que está em obras e abrange as ruas Guia Lopes, Brilhante, e as avenidas Bandeirantes, Marechal Deodoro e Gunter Hans, não fica pronto, os motoristas e empresários não gostam nada do que veem.  

Antônio Sérgio, um comerciante da região, diz não saber por onde começar. Segundo ele, primeiro, os estabelecimentos comerciais sofriam com o recapeamento da via pelo Exército, em 2018. Agora, não pode nem colocar os carros que vende na via porque o estacionamento público será retirado.  

“Se eu não fosse dono do terreno, eu já teria fechado o negócio”, lamenta. Antônio diz que os prejuízos são enormes em relação ao funcionamento da garagem da qual é proprietário. Daqui para frente ele nem tem planos. 

“Vou avaliar. Se não der certo, talvez eu monte um estacionamento privado ou feche”, sentencia.  

Outro local afetado pelas mudanças é a Clínica da Alma, que funciona no lado oposto ao negócio de Antônio. Felipe Santana, um trabalhador local, diz que o maior problema foi não poder usar o estacionamento da via. 

“As pessoas não reclamaram muito porque não tem muito culto, mas acho que deve mudar quando as coisas voltarem ao normal”, especula.