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OBRAS

Após revitalização e pandemia, Rua 14 de Julho passa por segunda retomada

Após obras e pandemia diminuírem o fluxo de pessoas, comerciantes almejam recuperação em dezembro
01/12/2020 10:00 - Rodrigo Almeida


Completando quase um ano de vida, a nova fase da Rua 14 de Julho divide opiniões entre os diversos segmentos. Os próprios comerciantes, o grupo dos que seriam mais beneficiados, têm dificuldade de concordar sobre a modernização da via.  

A diminuição de espaços de estacionamento público e de fluxo de pedestres na região, primeiro por causa da obra e depois pela pandemia, colocou os lojistas na difícil situação de tentar uma segunda retomada em pouco menos de um ano.  

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Placas com anúncios de “aluga-se”, algo que não era tão comum na principal via de comércio da cidade, podem ser observadas atualmente. Márcio Okama, empresário na rua, explica que estes locais começaram a receber novos estabelecimentos comerciais. “As duas lojas da esquina que estão desocupadas já vão ser ocupadas. Uma falta a documentação ficar pronta e a outra está em reforma”, relata. “Então você pode ver que o comércio está mais otimista. A gente espera o fim de ano com a volta das pessoas nas ruas, para melhorar a situação”, complementa Okama.  

O empresário integra o grupo de comerciantes que acredita nas melhorias da modernização da rua inaugurada há um ano.  

“O maior problema foi a demora da obra somado à pandemia, que dificultou o comércio. Reabriu tudo e três meses depois veio a pandemia, aí dificultou a vida de muita gente”, explica.  

Marco Antônio Pinheiro, que é comerciante há, pelo menos, 30 anos na região, também vê o primeiro ano com bom olhos. “A pandemia complicou um pouco o fluxo, mas a arquitetura é bonita. As pessoas podem sentar, é mais interessante passar o tempo na rua”, explica o empresário.

Decepção

Diferente deles, Karina Santana está há 16 anos trabalhando em uma galeria na Rua 14 de Julho e só tem reclamações a fazer sobre a obra. A retirada dos estacionamentos públicos afastou a clientela do salão de beleza que ela administra. “Essa semana veio uma cliente fazer um procedimento de 1 hora e meia, que custa 40 reais. Como não tem vaga pública, ela pôs o carro em um estacionamento privado. Depois me enviou uma mensagem dizendo que cobraram 18 reais dela. Já é uma cliente que eu sei que não vai voltar”, lamenta.  

De acordo com Karina, desde a primeira retomada, ela perdeu clientes. Primeiro, com as obras, depois, com a pandemia. “Acontece muito de a cliente marcar e, 20 minutos depois da hora combinada, ela me mandar mensagem dizendo que não achou lugar para estacionar e que é para desmarcar”, narra. Outros comerciantes também disseram que o fluxo de pessoas esperado e prometido antes da modernização não se cumpriu até agora. A pandemia segue sendo um fator que atrapalhou todo mundo.  

Do outro lado do balcão, os pedestres são os mais otimistas com a reforma. Rayane Lima e Cristiane Lima só tiveram elogios para fazer. “Por mim, seria assim na cidade inteira”, afirma Rayane.  

Em passeio com a mãe pela área revitalizada que completa um ano, a mulher diz que não passa com muita frequência, mas sente que a cidade precisa de lugares mais parecidos como aquele.  

Cristiane Lima, a mãe, transita pela 14 de Julho todo o dia do ponto ao trabalho e no retorno para casa. “Pra mim, foi ótimo. Calçada grande, bem iluminada, com árvores. Tudo muito bom”, elogia.  

Outra pedestre extremamente satisfeita é Maria Ester dos Reis. Moradora da Moreninha, a aposentada diz que vai pouco à rua, “no meu bairro tem de tudo, então vim aqui só para aproveitar umas promoções”. Sobre a rua, ela diz que melhorou muito. “Está muito bom. Agora os carros não se jogam na nossa frente, tem lugar para atravessar [a rua]. Tá bem mais seguro”, conta.  

Novas obras

O prefeito Marcos Trad (PSD) divulgou novas obras, como a que transformou a Rua 14 de Julho. O objetivo principal é que a região se torne um grande centro de convivência, com tráfego intenso de pessoas e comodidade para o pedestre.  

Nesse pacote, outras vias da região central também passarão por intervenção similar à Rua 14 de Julho, com implementação de mobiliário urbano, expansão das calçadas e modernização do quadrilátero compreendido entre as avenidas Mato Grosso, Calógeras e Fernando Corrêa da Costa e a Rua Padre João Crippa, em obras que devem custar R$70 milhões.  

A única exceção é a Rua Rui Barbosa, que será revitalizada em licitação distinta para ser otimizada como um dos principais corredores de ônibus da cidade. Só o corredor deve custar cerca de R$ 40 milhões.  

A previsão era de que a licitação estivesse pronta até este mês, mas o titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Rudi Fiorese, afirmou ao Correio do Estado que a pandemia atrasou os projetos e o mais provável é dar prosseguimento em 2021.  

Corredor  

Os corredores gastronômicos da Avenida Bom Pastor e da Rua José Antônio devem seguir o mesmo modelo. No caso da José Antônio, pode-se notar pinturas no asfalto, que simulam a obra que será feita na via. Esse termo é chamado de urbanismo tático, que, segundo o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Planurb), é um artifício usado para prever se a população de determinada localidade aprova ou se acostuma com um equipamento urbano novo.

O órgão da prefeitura também diz que, dessa forma, pode consultar moradores, comerciantes e frequentadores da região se a obra atende às expectativas e se eles se adequariam às mudanças.  

Segundo a nota da Prefeitura de Campo Grande, o quadrilátero será feito de maneira mais rápida, porque não haverá necessidade de a revitalização ter embutimento de rede, serão obras menos complexas e impactantes.

Em relação ao corredor da Bom Pastor, estão previstos a requalificação da via, a padronização de calçadas, o paisagismo, a criação de áreas de convívio, o mobiliário urbano e a iluminação pública – no bairro Vilas Boas, entre a Av. Zahran e a Rua Domingos Jorge Velho. Além disso, uma praça será feita na Rua do Marco. As obras estão previstas para começar no fim do primeiro semestre de 2021 e devem custar R$ 23.880.000.