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QUARESMA

Arcebispo diz que pandemia é período de guerra e convoca fiéis para confiarem na ciência

"Se é de esquerda, de direita, comunista, socialista, capitalista, todos continuam sendo meus irmãos", disse Dom Dimas em relação à Campanha da Fraternidade
17/02/2021 12:34 - Gabrielle Tavares


Arcebispo Metropolitano de Campo Grande, Dom Dimas Lara Barbosa comparou o período de pandemia do coronavírus a tempos de guerra e disse que o negacionismo é muito perigoso quando se trata de saúde pública. A declaração foi feita em coletiva de imprensa feita nesta manhã (17) para lançar a Campanha da Fraternidade deste ano.

“A palavra que temos que dar hoje é a palavra da ciência e não da política. Eles estão decidindo entre eles, estão discutindo para ver quem tem a melhor vacina, mas deixa eles discutirem entre eles", afirmou o arcebispo.

Ele disse ainda que acredita nos institutos brasileiros que realizam pesquisas de combate ao coronavírus, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Butantan. 

"Estou em um grupo com diversos cientistas e eles estavam discutindo que tem vacina que demora dez anos para ser feita, mas imagina se demorassem dez anos para criar uma vacina contra a Covid-19. É uma situação de emergência e, nesses casos, medidas de emergência precisam ser tomadas”, defendeu.

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A respeito da Campanha da Fraternidade, Dom Dimas explicou que a Arquidiocese de Campo Grande vai promover durante o período da quaresma encontros ecumênicos junto a igrejas interessas em participar, onde será tratado o tema da CF deste ano, "“Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor”.

Entre as ações está também a semana de oração, e  atividades para difundir entre os cristãos a encíclica do Papa Francisco, "Fratelli Tutti", que fala sobre uma fraternidade universal, aberta a todos, sem fronteiras entre idiomas, cultura ou religião.

Este ano, a tradicional missa celebrada no Auditório da Escola Dom Bosco não acontecerá. Cada paróquia de Campo Grande deverá iniciar a Campanha em missas locais, para evitar grande aglomeração de pessoas.

Polêmica

Dom Dimas se pronunciou mais uma vez a respeito da polêmica causadas nas redes sociais ao texto-base da Campanha ao citar que um dos grupos sociais que mais sofre as consequências do preconceito é a comunidade LGBTQI+.

O arcebispo publicou um vídeo na terça-feira (16) onde defende o tema e usou a coletiva de imprensa para reforçar a mensagem. "O grupo LGBT, e também outras pessoas, sofrem violências graves, são espancados, torturados, só pelo fato de serem homossexuais. Isso é crime e não podemos concordar com isso”.

"Essa discussão se é de esquerda, de direita, comunista, socialista, capitalista, todos continuam sendo meus irmãos e irmãs, por eles eu vou lutar no sentido de defender a sua dignidade", argumentou.

Ele deixou claro que não concorda com as mesmas ideologias que o grupo e se mostrou contrária a posicionamentos, por exemplo, de inserir educação de gênero nas escolas.

“Qualquer discurso de ódio precisa ser descaracterizado, mas sempre assegurando também o direito da igreja de preservar o direito da família tradicional", disse.

A Campanha da Fraternidade, que começa hoje, é realizada todos os anos, mas a cada cinco é feita de forma ecumênica e, por isso, busca o diálogo com outras denominações cristãs. Nesses anos, o tema é escolhido por membros do Conic, e não apenas pelo colegiado da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que abrange somente a Igreja Católica.

No texto-base da campanha, a presidência da CNBB afirma que, para a doutrina católica, as questões de gênero seriam uma dimensão da sexualidade entre o corpo, a mente, o espírito e a alma.

“O gênero é, portanto, maleável, sujeito a influências internas e externas à pessoa humana, mas deve obedecer à ordem natural já predisposta pelo corpo”.

Além do parágrafo que cita a violência contra o grupo LGBTQI+, Dom Dimas afirmou que a Igreja Católica recebeu críticas por celebrar a Campanha de forma ecumênica, "acham que outras igrejas precisam ser combatidas". A Campanha será celebrada entre as seguintes entidades:

  • Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil;
  • Igreja Presbiteriana Unida do Brasil;
  • Igreja Católica Apostólica Romana;
  • Igreja Episcopal Anglicana do Brasil;
  • Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia;
  • Aliança de Batistas do Brasil;
  • Igreja Betesda;
  • Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização Educação Popular.

Dom Dimas relatou também foram desaprovados por "tratarem demais sobre causas sociais".

"Tem uns que não gostam de pautas sociais, porque dizem que é uma pauta de esquerda. Como se a preocupação com os pobres, com a justiça social, fosse exclusividade da esquerda, isso é uma bobagem. Essa preocupação com os vulneráveis é profundamente cristã".

Durante a Campanha da Fraternidade é arrecadado o Fundo Nacional de Solidariedade (FNS), recurso destinado a instituições de projetos sociais do País.

Em nota, o presidente da CNBB garantiu que o dinheiro não será aplicado em ações que vão de encontro ao pensamento da Igreja, já que houve muita especulação sobre uma possibilidade de distribuição para causas que não estariam ligadas à doutrina católica.

“Os recursos só serão aplicados em situações que não agridam os princípios defendidos pela Igreja Católica”, reforça a nota do presidente.

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