Artigos e Opinião

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Celina Ichikawa e Giovanni Gemente: "Primeiros passos para conquistar a educação financeira"

Celina Midori Ichikawa é acadêmica de Administração da UFMS de Três Lagoas (MS)
Giovanni Beccari Gemente é Administrador e docente de Administração da UFMS de Três Lagoas

Redação

05/01/2016 - 00h00
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Numa sociedade em que, a cada dia, as pessoas se tornam mais consumistas e “possuidoras de bens”, é pertinente refletir um pouco mais sobre a principal base que as sustenta (ou que, pelo menos, deveria sustentá-las): o dinheiro ($$).  Atire a primeira pedra quem nunca falou ou ouviu alguém falar: “Meu dinheiro não dá pra nada!” ou “Trabalho, trabalho e trabalho e não me sobra nada!”. Nesse cenário, falar sobre esse tema em uma época de tal conjuntura econômica é essencial nos dias de hoje.

Não conseguimos mais nos imaginar vivendo sem dinheiro, uma vez que, para quase tudo, ou 99% dos casos, precisamos pôr a mão na carteira, desembolsá-lo e ver que aquele dinheiro, ganho com tanto suor, foi embora com certa facilidade. A educação financeira instrui com informações básicas o cidadão, para que este possa gerir da melhor maneira possível o próprio dinheiro, tendo maior consciên­cia de suas escolhas, de modo a garantir um futuro promissor.

Primeiramente, acreditamos que, se todos fossem conscientes com seus objetivos de vida, consumindo de forma inteligente, ou seja, comprando aquilo que realmente necessitam e que vão usar, existiriam menos pessoas endividadas, “comprando o que não precisam, com o dinheiro que não têm, pra mostrar pra quem não gosta”. É um ditado forte, mas que funciona perfeitamente no mundo do “marketing pessoal” em que vivemos hoje.

Muitas pessoas não sabem fazer o dinheiro render: não têm noção de onde o seu salário vai parar; trabalham, não para poupar ou pensar em realizar sonhos, apenas trabalham, pura e simplesmente, para pagar a conta do cartão de crédito do mês seguinte. E o pior: existem pessoas que pagam só o mínimo do cartão e não sabem ou calculam que os juros são exponenciais, dobrando o valor da dívida em questão de meses. Compram uma porção de produtos, dividindo em 10, 20 ou 50 vezes “sem juros” e acreditam ainda que têm o poder de comprar tudo. Ledo engano! As instituições financeiras são feitas para agir neste momento em que falta o dinheiro e, depois, cobram juros estratosféricos, que são ilegais do ponto de vista jurídico. Procure um advogado e verá.

A primeira lição que devemos aprender é: defina suas rendas e seus gastos. Pegue um caderno, ou faça sua própria planilha de controle (Excel, por exemplo), e insira todas as suas receitas e despesas; depois, faça um menos o outro e pronto. Mas tente imaginar se todos fazem isso... Achamos que não. É importante que o resultado dessa conta seja positivo, pois isso significa que você está fazendo um bom uso do seu salário e que sobrará um pouco para poupar e pensar no futuro.

Caso a conta seja negativa, ligue seu sinal de alerta: você está gastando mais do que ganha. Por isso, é importante detalhar tudo o que se gasta: o aluguel, o combustível, os impostos, as contas de energia, água, inclusive aquele cafezinho, e até as possíveis previsões para perdas ou quebra de produtos importantes, como são os eletrodomésticos, por menor que seja o valor. Pode parecer um absurdo à primeira vista e alguém falar que é desnecessário detalhar as mínimas coisas, mas, na hora em que faltar dinheiro no fim do mês, ficará mais fácil de visualizar essa “quebra de caixa”.

Antigamente (nos tempos dos nossos avós), as despesas eram pagas pelo trabalho do pai. Estávamos acostumados e condicionados com o “homem” saindo de casa para trabalhar e colocar a comida na mesa, e não a mulher. Mas as mulheres conquistaram seu espaço no mercado de trabalho, contribuindo na composição da renda familiar; e, por sua vez, os filhos também começaram a trabalhar e ajudar nas despesas.

Desse modo, pode-se perceber que as despesas familiares devem ser rateadas – não dizemos que necessariamente tudo tenha que ser dividido na ponta do lápis –, para que assim todos possam aprender a dar valor à comida, à roupa, ao calçado, à luz, ao telefone e assim por diante. Infelizmente, só aprendemos a dar valor quando erramos. Pense no ditado popular: “A parte do corpo humano que mais dói é o bolso”.

Outra importante lição que devemos aprender é sobre planejamento. Talvez esteja no DNA do brasileiro deixar tudo para a última hora e dar aquele “jeitinho”, mas, quando se trata de finanças, fazer um planejamento é fundamental. Quem planeja tem poder e noção de suas necessidades. Nesse planejamento, inclui-se também aquele sacrifício de economizar um pouco todo mês para comprar aquele celular à vista, sem precisar entrar numa dívida, que, às vezes, acaba virando uma bola de neve no longo prazo.

Não basta, entretanto, que a conta no fim do mês seja positiva; também não bastam planilhas de controle e planejamento, se você não fizer o dinheiro render. Como fazer então para que o dinheiro atraia dinheiro? Poupe e invista! Mas não na poupança. É muito antigo isso e não tem rendimento nenhum, se considerada a atual inflação no Brasil, que este ano deve chegar à casa de dois dígitos. Um absurdo! Mas, definitivamente, não deixe o dinheiro debaixo do colchão: você certamente vai gastá-lo.

De início, pense em falar com seu gerente do banco e invista num fundo de renda fixa: é seguro, líquido e rende juros maiores que a poupança. Mas aqui vale ressaltar a dinâmica do risco versus retorno: quanto menor o risco, menor o retorno. Os retornos da caderneta de poupança mal conseguem acompanhar a inflação, e a falta de informação faz com que o cidadão trabalhador continue na mesma situação. Existem investimentos mais rentáveis, porém, mais arriscados, como são os fundos de investimento e as ações de empresas.

Desse modo, mais importante do que saber quanto você ganha ou gasta mensalmente, o fundamental é que compre produtos e serviços de que realmente precise e que, de fato, os use hoje e num futuro próximo. Opções de lojas não faltam, especialmente aquelas que vendem pela internet e cujos produtos são mais baratos. Mas, para diminuir os riscos, como o de não se entregar o produto, por exemplo, apenas compre de empresas renomadas.

Portanto, ser educado financeiramente exige um empenho da educação pessoal com relação aos seus objetivos, exigindo consciência e disciplina. O fundamental é que assim sejamos, para que escolhas sejam feitas de forma conscienciosa.

ARTIGOS

Caminhos da vida

15/06/2024 07h30

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Nesse momento os mais diversos caminhos estão disponíveis a quem desejar descobrir certos segredos da natureza, encontrará caminho aberto e disponível. A alegria certamente se manifestará em sua grandeza e beleza. E a natureza se tornará mais fecunda e mais forte em suas manifestações.

Humildemente em suas manifestações e rica em lições mostrará ao ser humano o quanto é nobre qualquer gesto feito com amor. E a natureza é exemplo claro disso. Mostra toda a sua generosidade produzindo flores de todos os tamanhos, cores, perfumes e coloridos na mais nobre qualidade. Cada qual em seu lugar, sem interferir, sem abusar, sem brigar por um lugar ao sol.

Esse é o milagre permanente que essa natureza oferece para poetas, para literatos, para espiritualistas, para monges. Enfim para todos aqueles e aquelas que se sentirem apaixonados por essa irmã natureza. 

Não precisa ir longe. Em qualquer montanha, em qualquer planície, ou qualquer recanto desse mundo de Deus, é possível dar de encontro com algo que revele as maravilhas dessa natureza, criatura de Deus.

Seja qual for a maneira de olhar essa natureza, seja como for a interpretação dos sinais e das manifestações de uma flor, de uma singela semente, seja de um exuberante tronco, ou de uma frágil plantinha. Tudo fala, tudo revela algum valor. Tudo oferece seu modo de ser em auxílio  à humanidade.

O Mestre dos mestres, sempre atento às manifestações de suas obras em favor do bem do universo, vem nos revelar o quanto é nobre no servir, o quanto é forte ao sustentar sua alegria e o quanto é dedicado em proteger a todos aqueles e aquelas que perambulam pelos caminhos da vida.

Revela, com todo o carinho de um pai, o quanto Deus ama aquilo que faz parte de sua pessoa. Revela o ser humano como aquele que semeia a boa semente. E, após ter semeado, fica descansando. Deus cuida. Não precisa preocupar. A semente desabrocha. A chuva rega a terra. A semente se desenvolve e cresce.

Quando os frutos amadurecerem, o agricultor fará a colheita. Essas maravilhas se encontram escondidas no interior de qualquer árvore ou arbusto a produzir. Essas maravilhas são presentes de Deus. Estão à disposição de todos.

Essas maravilhas são tão ricas que chegam a despertar exclamações que enaltecem com elogios como esses: Que beleza! Que encanto! De fato, o encanto só poderá ser expressão de que ama e defende a mãe natureza com suas maravilhas.

Quando à figura de Deus, também deverá ser admirada, ou respeitada, pelas maravilhas semeadas pelos campos do universo. Não apenas para serem contempladas. Mas, principalmente aproveitadas no sustento de uma vida mais saudável e mais nobre. Sempre merece atenção, respeito e empenho no zelo dessas grandezas.

Mesmo que tudo isso se manifeste gratuitamente, é bom olhar com os olhos da fé o quanto o Criador ama suas criaturas. Enquanto elas dormem, ele trabalha. Enquanto elas descansam, ele vigia. E prepara novas sementes.

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Insegurança e espiritualidade

14/06/2024 07h30

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O Nosso Cérebro é uma máquina de detectar padrões. Nosso senso de orientação depende disso. Isso pode ser percebido na hora que acordamos em uma cama ou local diferente do habitual: a primeira reação pode ser a de pânico, de onde estou? Imediatamente, começamos a reconstituir a memória do dia anterior, para descobrir onde estamos na hora de acordar.

Uma comédia famosa: “Se Beber, não Case”, é exatamente sobre isso, com amigos que acordam de uma bebedeira na despedida de solteiro de um deles; um está sem o dente, outro com uma tatuagem desconhecida e tem um tigre na sala. Eles investigam o que aconteceu e onde está o noivo, de preferência, antes do casamento.

Como uma máquina que detecta padrões, nossa rotina, nosso dia a dia, servem como orientação e apaziguamento de uma sensação que está no fundo de nossas experiências, que é a Insegurança. Somos e devemos ser inseguros porque nosso Cérebro é programado pela natureza para preservar a vida e passar adiante nossos genes. Insegurança é o que permite um escaneamento do ambiente para evitar ser atacado. E achar comida. Se der para arrumar um namoro, melhor ainda.

Um autor muito importante, John Bowlby, descreveu padrões de vínculo que já se manifestam na vida dos bebês. Para não estender o tema, digamos que os vínculos seguem dois padrões: crianças com vínculos Inseguros e Seguros. Eu diria vínculos (mal traduzidos para o Português como Apegos em décadas passadas) Inseguros e Menos Inseguros. Porque a Insegurança nos constitui e está em nosso DNA. Mas o Cérebro que cresce em ambiente mais enriquecido, afetivo e com regras definidas tende a ter uma relação mais segura com o mundo exterior. Isso não depende só do ambiente, mas da base genética também. O fato é que, quanto maior a sensação de insegurança, maior a dificuldade em se lidar com a vida, que é sempre mutável.


Lisa Miller, psicóloga e neurocientista de Yale, grita em todas as direções que a perda do senso de espiritualidade, ou mesmo onde falar de espiritualidade, no ambiente acadêmico ou leigo, imediatamente levanta a ideia que você é um carola ou fundamentalista, como um aiatolá disfarçado de cientista. Ela vai mais longe a fala que o banimento da ideia da espiritualidade no debate público vem aumentando nas pessoas a sensação de isolamento e de falta de sentido.

Eu anoto, nos meus prontuários, que eu espero que só eu leia, alguns casos em que o paciente sofre de uma Patologia de Sentido, em que a sensação de falta de caminho, de descolamento do mundo e de falta de algo que dê sentido, está muito vinculado a uma evolução pior da sua doença, seja um quadro ansioso, seja uma depressão, seja a perda de um ente querido. A sensação de desconexão está na base do que se chama hoje de “Doenças do Desespero”, como Depressão, Dependência Química e mesmo Suicídio.

Somos bombardeados pela necessidade permanente de Aquisição, e essa pode ser a maior doença do Capitalismo, que é a Ânsia de Aquisição. Em artigo anterior, sobre José Datrino, o Profeta Gentileza, mencionei a história desse homem, de origem muito simples, que ouviu um chamado espiritual nos anos sessenta e dedicou a sua vida a pregar a necessidade de amor e de gentileza nas ruas, nas praças. Numa entrevista, ele mencionou que ninguém mais amava ninguém, só queriam tirar vantagem e usar uns aos outros. Ganhou muito escárnio e algumas internações psiquiátricas, quando alguém achou que suas “vozes espirituais” era uma Psicose.

O que ele descreveu, entretanto, é uma doença coletiva, de tentar ter mais, ganhar mais. Essa doença foi piorada pelas redes sociais, em que o que vale é a foto, não a vivência. E, nas fotos, se eu postar um prato bacana, um carrão ou uma viagem exótica, então isso significa que minha vida é válida, e que eu estou na frente na corrida da aquisição.

Lisa Miller tem razão, ao meu ver, quando associa essa epidemia coletiva de medo, insegurança e mesmo de desespero à perda dessa sensação coletiva de pertencer e ser protegido por um grupo e um sistema de valores que nos proteja do egoísmo e isolamento digital em que vivemos.

Carl Jung, psiquiatra suíço e fundador da Psicologia Analítica, descreveu o Inconsciente Coletivo, uma camada do Inconsciente à qual todos pertencemos. Essa sensação de fazer parte da comunidade coletiva que dá uma sensação de pertencer. E uma sensação de regularidade do mundo. E de vínculo seguro. Estamos todos conectados nele, e não sabemos.

Nossa crise de significado está afetando as pessoas e suas transições na vida. Muitas vezes, com consequências desastrosas. Precisamos tirar a espiritualidade do Index de assuntos proibidos. Para ajudar o planeta e as pessoas que nele habitam.
 

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