Artigos e Opinião

EDITORIAL

Celular fora da sala, aprendizado em foco

A promessa de engajamento ilimitado deu lugar à constatação de que o excesso de estímulos fragmenta a atenção e compromete o processo de aprendizagem

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A proibição do uso de celulares nas escolas é como o vinho: envelhece bem a cada dia. A medida, que, no início, enfrentou resistência de alunos, pais e até de parte da comunidade escolar, hoje, começa a mostrar resultados concretos e difíceis de ignorar.

Os dados falam mais alto do que qualquer discurso entusiasmado ou pessimista sobre tecnologia na educação.

Nesta edição, por exemplo, mostramos que, no primeiro ano sem celular em sala de aula, as escolas públicas registraram uma queda pela metade no índice de reprovação. Não se trata de coincidência, tampouco de um fenômeno isolado.

A principal causa apontada é direta e lógica: aumento da atenção dos estudantes e, como consequência, melhora significativa na proficiência. Menos distração, mais foco; menos notificações, mais aprendizado.

É curioso – e revelador – perceber como a percepção sobre os aparelhos mudou em tão pouco tempo.

Quem diria que dispositivos de informática permanentemente conectados, que até menos de uma década atrás eram apresentados como a grande salvação da educação, hoje se revelam, em muitos contextos, mais como obstáculos do que aliados?

A promessa de engajamento ilimitado deu lugar à constatação de que o excesso de estímulos fragmenta a atenção e compromete o processo de aprendizagem.

Isso não significa demonizar a tecnologia ou defender um retorno nostálgico ao quadro-negro e ao giz como únicos instrumentos possíveis. O uso do telefone celular pode – e deve – ocorrer. Mas na condição correta: como coadjuvante.

Em sala de aula, a prioridade precisa ser o conteúdo mediado pelo professor, que continua sendo o eixo central do processo educativo. Quando o celular ocupa o papel principal, o conhecimento vira figurante.

Há também um debate mais amplo, que ultrapassa os muros da escola. Engajamento constante não é sinônimo de atenção, muitas vezes, é exatamente o contrário. A hiperconexão contínua tem se mostrado um fator de desgaste, ansiedade e piora na qualidade de vida.

Aos poucos, a sociedade começa a perceber isso. O sucesso da restrição nas escolas é um sintoma dessa tomada de consciência coletiva.

Talvez o próximo passo seja ampliar essa reflexão para outros espaços igualmente sensíveis. O trânsito é um deles. Usar celular ao volante não é apenas uma infração, é um comportamento que pode custar vidas.

Assim como na sala de aula, dividir a atenção entre o que realmente importa e uma tela luminosa gera consequências graves.

A experiência nas escolas deixa uma lição clara: estabelecer limites não é retrocesso, é maturidade. E, neste caso, maturidade que educa, protege e salva.

EDITORIAL

Fundersul e o dever de investir bem

Se o Estado tiver uma boa safra neste ano, é plausível imaginar que a arrecadação do Fundersul volte ao auge em curto prazo, depois da queda de receita em 2024

18/02/2026 07h15

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A volta do faturamento bilionário do Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário de Mato Grosso do Sul (Fundersul) é, sem dúvida, uma boa notícia para Mato Grosso do Sul.

Trata-se de um indicador relevante tanto para o governo do Estado quanto para o agronegócio, setor que banca o fundo e que depende diretamente da qualidade da infraestrutura rodoviária para escoar sua produção.

Depois de um 2024 marcado por frustração de receitas, o fundo recupera musculatura e volta a superar a marca de R$ 1 bilhão.

Ainda não alcança, é verdade, o patamar registrado em 2023, quando houve sobra de recursos e até rendimentos financeiros expressivos. Mas o simples fato de retomar o nível bilionário já demonstra uma reação importante.

Se o Estado tiver uma boa safra neste ano, é plausível imaginar que o Fundersul volte ao auge de arrecadação em curto prazo.

A queda verificada anteriormente não foi um fenômeno isolado da contabilidade pública. Ela refletiu a quebradeira enfrentada pelo agro em 2024, pressionado por custos elevados, crédito mais caro e oscilações de mercado.

Quando o campo sofre, a arrecadação do fundo também sente. Até o ano passado, os efeitos dessa retração estavam visíveis nos números.

Mas mais importante do que celebrar cifras é cobrar eficiência. Não basta que entre muito dinheiro. É fundamental que a gestão do fundo faça a diferença concreta para MS.

O investimento precisa se traduzir em rodovias melhores, em manutenção permanente, em obras estruturantes que mudem a realidade logística e também em intervenções urbanas capazes de transformar a face das cidades.

Estrada boa significa competitividade para o produtor, mas também segurança e qualidade de vida para quem vive nos municípios.

Criado em 1999, o Fundersul nasceu sob forte resistência de parte de quem o financiava. À época, havia desconfiança quanto à sua eficácia e ao peso da contribuição.

Passadas mais de duas décadas, o fundo resistiu ao tempo e se consolidou como instrumento estratégico de investimento. Hoje, é celebrado não apenas pelo governo, mas por grande parte da população que reconhece nas obras viárias um dos pilares do desenvolvimento estadual.

Em um cenário em que aumentar impostos é politicamente difícil e economicamente arriscado, ter um fundo robusto, vinculado à atividade produtiva, ajuda o Estado a manter investimentos e aliviar sua situação financeira.

O desafio, agora, é garantir que cada real arrecadado retorne em forma de progresso. O número é importante. A gestão é decisiva.

ARTIGO

Logística no agronegócio: como superar os desafios do pico da safra

Grande parte dessa operação nasce em regiões distantes dos centros urbanos e dos portos, o que torna a infraestrutura um dos principais desafios para o escoamento

17/02/2026 08h45

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A cada nova safra, o agronegócio brasileiro reafirma sua relevância no cenário global. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a estimativa é uma safra de 345,6 milhões de toneladas em 2025, a maior já observada no Brasil, sendo 18,1% superior a de 2024. Esses números evidenciam a força do setor e, ao mesmo tempo, a urgência de uma logística capaz de acompanhar o crescimento. À medida que os números avançam e a produtividade se consolida como um diferencial competitivo, fica claro que a eficiência na operação deixou de ser apenas uma parcela da preocupação para se tornar parte essencial e estratégica, especialmente nas épocas em que o volume é concentrado e a pressão sobre toda a cadeia aumenta.

Grande parte dessa operação nasce em regiões distantes dos centros urbanos e dos portos, o que torna a infraestrutura um dos principais desafios para o escoamento. Estradas rurais pouco preparadas, acessos fragilizados e gargalos históricos ao longo dos corredores logísticos impactam diretamente custos, prazos e previsibilidade. Mesmo com avanços graduais na malha nacional, a infraestrutura física ainda evolui de forma mais lenta que a demanda, o que reforça a importância de soluções digitais sólidas, baseadas em dados, inteligência e integração, e capazes de compensar as questões de limitações estruturais.

Outro ponto crítico é a escassez de caminhões e motoristas durante o pico da safra. A concentração de demanda pressiona valores de frete e reduz a capacidade de resposta do setor, intensificando um desafio que se repete ano após ano, especialmente em um país onde cerca de 68,8% do fluxo de soja ainda depende do transporte rodoviário, segundo dados do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (Esalq-Log). Esse nível de concentração torna o sistema mais sensível a qualquer oscilação, e é justamente nesse contexto que as plataformas digitais ganham protagonismo ao conectar embarcadores e transportadores com maior rapidez e assertividade, melhorando a alocação de recursos e reduzindo o impacto da sazonalidade.

Quando combinamos previsibilidade, transparência e dados em tempo real, deixamos de reagir ao gargalo para antecipá-lo.

“O movimento já faz parte da transformação mais profunda que o setor logístico vive. A digitalização de ponta a ponta elimina burocracia, amplia visibilidade e melhora a colaboração entre todos os agentes da cadeia. A otimização de soluções com recursos como automação e uso de inteligência artificial trazem velocidade e precisão às operações críticas, enquanto o rastreamento de cargas pode estabelecer um novo padrão de transparência e segurança. Visibilidade, que antes era diferencial, tornou-se requisito básico para operar em grande escala.

A alta temporada do agronegócio, portanto, não deve ser vista apenas como um período de tensão operacional, mas como oportunidade para elevar o patamar logístico do setor. Quando unimos tecnologia, integração, inteligência e presença operacional, transformamos desafios históricos em vantagem competitiva, conectando o campo à estrada por meio de uma logística que responde ao agora e evolui para um futuro sustentado por líderes estratégicos, cadeias mais integradas e uma convivência madura entre o digital e o físico.

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