Artigos e Opinião

ARTIGO

Cezar Benevides: "Governadores do futuro"

Professor aposentado pela UFMS

Redação

08/10/2015 - 00h00
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Sempre falamos de História como passado. Agora, vamos falar de História como futuro. Estive no encerramento do “Fórum Governadores Brasil Central”, no Hotel Deville, em Campo Grande, 02/10/2015, tendo sido muito bem recebido pela vice-governadora Professora Rose. Li, com satisfação, o artigo “A Força do Brasil Central” (Correio do Estado, 02/10/2015), do ilustre governador do Estado de Goiás, Marconi Perillo. É um bom exemplo a região lançar uma agenda conjunta para o desenvolvimento, nestes tempos de crise econômica, considerando que o governo da União está visivelmente desestruturado e já não consegue articular de modo estável e aceitável os distintos interesses regionais. 

Acredito que a louvável iniciativa pode ir mais longe, com o referido fórum atraindo outras forças econômicas e políticas, suprindo a deficiência provocada pela falta de poder decisório em Brasília, em particular do Executivo. Sugiro, assim, um fórum mais abrangente, no qual o foco não seria a competitividade, mas a integração nacional, incluindo os demais governadores do País. A ideia de protagonismo poderia ser compartilhada por todos os estados do Centro-Oeste. Entendo que, para a multiplicação da riqueza regional, não basta isolá-la. É preciso que o Brasil Central esteja aberto para receber pessoas e empresas de todo o País e alhures, com o propósito de colocar seus produtos na cadeia global. 

Observei, depois de minha aposentadoria como professor de História da UFMS, em 2014, que a Região Sul, por exemplo, está recebendo cerca de quarenta bilhões de reais em projetos de ampliação e construção de novas indústrias. A terça parte do referido valor vem do setor de papel e celulose. A Klabin está investindo cerca de oito bilhões no Estado do Paraná, na pequena cidade de Ortigueira. Sendo assim, as capitais da Região Sul estão concentrando boa parte dos projetos, mas as indústrias começam a avançar rumo ao interior. O caso de Três Lagoas/MS é emblemático.

Quando estudei, com a professora Nanci Leonzo, a antiga fazenda The Miranda Estancia Company Limited, depois nacionalizada, verificamos que, em 1939, durante o Estado Novo, a participação da região central no PIB era de apenas 2%. Atualmente, o IDH, média ponderada entre dados econômicos e sociais, sinaliza resultado muito mais expressivo. No passado, realizei várias viagens à Europa, antes e depois da queda do Muro de Berlim. Já se percebia que os países ricos temiam ser “invadidos” por refugiados e logo começaram a pensar na construção de outros muros. Se, em vez de novas fronteiras e redesenhos de territórios, tivessem agido seriamente no processo de integração, talvez a situação atual que a Europa está vivendo fosse menos trágica e não demandasse tantos recursos. 

Devemos pensar o Brasil como um continente. Nesse sentido, a leitura do livro “História do Futuro: O Horizonte do Brasil no Século XXI”, da jornalista Miriam Leitão, é muito interessante e me fez refletir sobre outro livro, do professor da Universidade Harvard Robert L. Heilbroner, que eu havia lido, denominado “O Futuro Como História”. Estamos vivendo um momento em que necessitamos de união nacional e de uma política de integração. Aproveito para chamar atenção do interessante artigo, publicado na Folha de São Paulo, 31/01/2010, por outro professor da Universidade Harvard, Roberto Mangabeira Unger, intitulado “O Futuro da Nação”. Durante o fórum, foi apresentado um vídeo do ilustre professor, com duração de cinco minutos. O Brasil precisa urgentemente de um projeto nacional claro, e isto o fórum “Governadores do Brasil Central” está começando a fazer. Sugiro que os organizadores enriqueçam a iniciativa e ampliem o consórcio Brasil Central incluindo as demais regiões do País. Parabéns.

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A tríade da vida aplica-se à Educação

06/07/2024 09h00

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A expressão “triúno”, três em um, foi criada por Paul MacLean, neurocientista da década de 1970, referindo-se ao cérebro trino na evolução do sistema nervoso central humano: agir, sentir e pensar são verbos interdependentes. A finalidade do autor foi dividir o cérebro didaticamente para compreender melhor seu funcionamento. Assim, agir de acordo com o sentir e o pensar na prática do bem constitui-se em sublime comportamento ético.

Semelhantemente ao princípio “triúno” de MacLean, também encontra-se na realidade tal conceito para que, de forma didática, o mundo seja melhor compreendido. Portanto, três são as partes do átomo: elétron, próton e nêutron, como três também são as dimensões geométricas do espaço: comprimento, largura e altura. Além disso, observa-se que a sobrevivência humana depende de três fatores principais: casa, roupa e alimentão, e, de forma “triúna”, concebe-se ainda a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Contemple-se a natureza da matéria e verificar-se-á que os seus estados físicos são sólido, líquido e gasoso; identicamente à divisão do tempo: passado, presente e futuro. E a trina de Paul MacLean também se faz presente na educação, pois a aprendizagem humana acontece na relação escola, professor e aluno; e, ainda, pode-se dividir a música em três elementos básicos: melodia, ritmo e harmonia.

A trilogia também contribui para direcionar o comportamento humano na sua peregrinação pelos caminhos da vida. A ética é uma postura diante do outro e de si mesmo. É pela conduta individual que se manifesta a personalidade, a forma de ser de cada um. E também aqui, na atitude humana, os conceitos “triúnos” de MacLean aparecem: poder, dever e querer.

Seja o imperativo: “Assistir a todas as aulas em sintonia plena com a voz do professor”. Se os três verbos forem conjugados na primeira pessoa do presente do indicativo: eu posso, eu devo, eu quero, estaremos diante de um princípio ético, uma sublime virtude humana. Se, no entanto, a atenção do aluno estiver em outro campo que não a aula (conversas paralelas, celular...), foge aos princípios éticos e se instala a indiferença do aluno diante do professor.

Atente-se, ainda, que, pelo conhecimento, pelas mãos e pela palavra, os humanos elaboram arte, criam ciência e produzem tecnologia. Desenvolvem inteligências para organizarem uma nova sociedade. Evoluem para fazer surgir um mundo novo onde se poderá viver melhor. Rubem Alves (1933-2014), psicanalista e educador, lembrava que a escuta precede a fala. É da natureza humana escutar para aprender e depois falar sobre o que aprendeu. Aprende-se pela palavra da mãe, do pai, do professor...

O professor só deseja que o aluno escute a sua palavra. A aprendizagem acontece depois de uma longa e silenciosa escuta. Quando a escuta for serena, a fala será bonita, porque se vai falar daquilo que se sabe. Com segurança.

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Caminhos da vida

06/07/2024 08h00

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Cada ser humano tem origem e destino próprios. Mesmo que queira imitar alguém, jamais conseguirá na perfeição. A natureza é fantástica nesse sentido. A marca sempre será pessoal.

Assim essa humanidade caminhará e far-se-á original em seus sonhos e em seus projetos. E a curiosidade baterá à porta de cada ser, querendo descobrir os segredos da individualidade de cada ser. E não será difícil. Não na totalidade, mas em partes poderá, nem que seja por aproximação biológica tão somente. O mistério, contudo, continuará a existir.

Olhando a realidade tão fecunda em genialidades e em poderes, será maravilhoso encontrar um ambiente favorável ao silêncio e ao recolhimento. Entrar nessa sacralidade e contemplar tantas belezas e grandezas, para comungar do infinito desafiante da sensibilidade e da sabedoria ungindo a tudo e a todos com algo divinal e terno. Não precisa ter medo. Precisa ousadia e humildade.

Então, uma nova realidade se apresentará, desafiando a capacidade humana. É a realidade do mundo sobrenatural. São as cores de uma consciência simples, mas repleta de sentimentos e de vontade em construir um mundo mais simples e mais comprometido com a felicidade.

Percorrendo as páginas da Bíblia Sagrada, organizei um tanto melhor os conhecimentos e dirigi a atenção para algo um tanto difícil de entender. Trata-se de entender o comportamento humano diante da manifestação divina. Os seres humanos, pensando com conhecimentos humanos e querendo que tudo se voltasse para o divino. Ao mesmo tempo, querendo ser o melhor e mais perfeito dos seres.

Sabemos que todas essas ideias poderão contribuir maravilhosamente na construção de um mundo mais humano e mais fraterno. Imediatamente somos chamados a contribuir, dispondo dos conhecimentos e dos dons de que somos premiados e conduzindo essas forças a serviço da verdade e do bem para todos.

Cada qual veja quais os pensamentos que alimenta, e verá com honestidade qual obra assumiria. Analise o julgamento que emite diante da realidade social, cultural, política e até religiosa. Analise com honestidade, e verá o tanto que poderá mudar, ou melhorar, em seu ambiente e em sua vida.

Já é hora de olhar essa humanidade que compõe o universo, mas que ainda não se convence da necessidade urgente de que alguém, ou alguma ação, se levante do túmulo do medo e da covardia e conclame todos os povos a unirem as vozes em um clamor único, o clamor pela paz.

Caso contrário, a nova sociedade que está surgindo condenará e sepultará no túmulo da vergonha e da covardia a todos quantos pouco ou nada fizeram por uma comunidade mais solidária e mais humana.
O próprio Mestre e Senhor foi posto em análise de seus conhecimentos.

O povo que o acompanhava, admirava-se de sua sabedoria. Apesar de conhecê-lo como filho de carpinteiro, um simples trabalhador, causava estranheza o tanto de conhecimentos e tanta sabedoria. No entanto, atraía multidões.

Resta saber: nosso modo de viver atrai o povo para Deus ou para o comodismo e para a maldade?

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