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CORREIO DO ESTADO

Editorial desta segunda-feira: "Fôlego às finanças"

Editorial desta segunda-feira: "Fôlego às finanças"

Redação

14/12/2015 - 00h00
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Há, portanto, muito a festejar com o saldo positivo  do mês de novembro, que garante fôlego aos sul-mato-grossenses já prejudicados por diversos efeitos da crise. 

Perto de fechar o ano, o Governo de Mato Grosso do Sul pode festejar o fato de ter fechado as contas de novembro - em pleno período de dificuldades financeiras em todo País - com superavit de 
R$ 48,593 milhões. No ano passado, neste mesmo período, o saldo ficou negativo, em R$ 35,6 milhões. Pelo discurso do governador Reinaldo Azambuja, no mês passado, pensava-se que as finanças do Estado estavam em situação complicadíssima, mas, felizmente, o quadro parece ter sido revertido. 

Dados revelados hoje em reportagem do Correio do Estado mostram balanço econômico bem mais confortável do que era anunciado. O temor de que salários e décimo terceiro atrasassem não se concretizou. Tudo está sendo pago em dia. E há expectativa de que as finanças do Governo fiquem em situação bem mais favorável durante 2016, principalmente no mês de janeiro, quando começam a entrar nos cofres os pagamentos relativos ao IPVA, além dos demais tributos majorados. Os sul-mato-grossenses foram surpreendidos neste fim de ano com o “pacote de tarifaços”, sob a justificativa de melhorar a arrecadação para minimizar os impactos da crise econômica que afeta todo o País. 

A receita de novembro, que contabilizou o superavit, não contempla essa alta de tributos. Foram aprovados reajustes do Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCD), do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) dos chamados produtos supérfluos e do Imposto sobre a Propriedade de Veículo Automotor (IPVA), este último que chega até a 50%.   O saldo bancário do Governo também terá o incremento das parcelas relativas aos depósitos judiciais, que alcançam total de R$ 1,4 bilhão.

Agora, certamente, o Governo do Estado terá mais condições de garantir às famílias sul-mato-grossenses o retorno de tais dispêndios. Cabe lembrar que a mesma crise apresentada como justificativa dos gestores para elevar impostos também reflete diretamente e diariamente no bolso de cada cidadão. 

Além dos reajustes mencionados acima, o contribuinte precisar arcar com Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) mais caro, além dos aumentos da energia, água, alimentos. E, para piorar, ainda temem o risco de desemprego, já que somente neste ano foram fechados 5,3 mil postos de trabalho somente em Campo Grande. 
A prefeitura também registrou superávit em outubro. Mesmo assim, os salários dos servidores continuam sendo pagos com atraso, o décimo terceiro será dividido. 

Se a situação financeira das gestões não está tão complicada quanto o relatado, há de se aguardar o retorno em investimentos. O Governo do Estado, por exemplo, terá condições plenas de ajudar os moradores das cidades castigadas pelas chuvas, pois conta com R$ 217,864 milhões no caixa do Fundersul, verba que deve ser utilizada para recuperação de pontes e estradas. 

Há, portanto, muito a festejar com o saldo positivo do mês de novembro, que garante fôlego aos sul-mato-grossenses já prejudicados por diversos efeitos da crise. 

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Como identificar relações amorosas abusivas

08/06/2024 08h30

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O Dia dos Namorados está chegando e se tornou muito comum trocar presentes e fazer declarações amorosas. Se por um lado essa prática apresenta expressões de afetividade, carinho e dedicação, por outro, pode ocultar traços de algo muito frequente na nossa cultura: as relações abusivas.

Viver um relacionamento abusivo é um processo mais complexo do que se pode supor à primeira vista. Raramente um relacionamento já se inicia evidenciando as características abusivas. Normalmente, trata-se de um processo que vai se aprofundando ao longo do tempo de convivência a partir de um domínio psicoemocional de uma das partes sobre a outra. 

Esse é um assunto sério e que merece absoluta atenção e cuidado de todos os segmentos sociais. De acordo com dados do relatório publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), somente em 2023 foram registrados 1.463 casos de feminicídio no Brasil, cerca de um caso a cada seis horas. Esse é o maior número registrado desde que a lei contra feminicídio foi criada, em 2015.

A pesquisa apontou que 18 estados apresentaram uma taxa de feminicídio acima da média nacional, de 1,4 mortes para cada 100 mil mulheres. Entre eles, o estado de Mato Grosso apresentou a maior taxa no ano passado, com 2,5 mulheres mortas por 100 mil. Entre 2015 e 2023, um total de 10,65 mil mulheres foram vítimas de feminicídio.

Afinal, por que esse é um problema que atinge muito mais as mulheres do que os homens no Brasil? A resposta é um tanto quanto óbvia, somos um País de bases extremamente patriarcais e machistas, o que significa dizer que, simbolicamente, as mulheres tendem a ocupar um lugar de inferioridade no tecido social e, por isso, são mais vulneráveis a todo tipo de violência. É pelo mesmo motivo que se torna, frequentemente, mais difícil para elas saírem ou evitarem situações de violência.

O psiquiatra austríaco Viktor Frankl fala de dois comportamentos humanos que favorecem a perpetuação de situações de violência: o conformismo e o totalitarismo. O primeiro (conformismo) é caracterizado pela aceitação sem oposição do que fazem conosco por não sabermos o que fazer. Já no segundo (totalitarismo), há uma imposição da vontade de um dos parceiros, desconsidera-se completamente a outra pessoa e suas as diferenças, não há empatia.

Assim, uma relação abusiva é necessariamente totalitária, já que uma das partes desconsidera deliberadamente a outra e a subjuga às suas vontades. É importante frisar que uma relação abusiva não começa declaradamente abusiva, ela vai construindo um domínio sobre o outro.

Inicialmente, há uma tendência ao encantamento, movimentos sedutores com elogios, agrados e dedicação quase exclusiva à pessoa. Posteriormente, vai-se havendo um controle em todas as instâncias da vida do outro: rede de relacionamento, vestimenta, lugares aonde vai, atividades de lazer, etc. Por fim, surgem as críticas, o menosprezo e os xingamentos, proibições no ir e vir, exclusão da convivência com amigos e familiares e agressões que podem escalar de humilhações psicológicas para físicas.

Há na vítima um sentimento em níveis variados de insegurança e inferioridade, além da baixa estima e da percepção distorcida da relação consigo, da relação e da realidade. O agressor costuma se manter em um patamar de alguém que “não faz por mal” ou “que exerce um cuidado além da conta” ou “que mudará”. 

Mesmo tendo a percepção do que está acontecendo, são muitos os fatores que podem dificultar para que a vítima saia de um relacionamento abusivo, tais como a dependência financeira, a dependência emocional, a pressão familiar, a pressão religiosa, o medo do que pode acontecer se denunciar e a falta de apoio social para sua emancipação.

Trata-se de uma problemática cultural no Brasil que deve implicar a todos nós, uma vez que estamos educando os nossos filhos e filhas a partir de como nos relacionamos em sociedade e da maneira como desenvolvemos e exercemos a nossa cidadania.

Políticas públicas de apoio a vítimas de abuso têm crescido no Brasil, contribuindo para a conscientização social e a introdução de novas perspectivas em nossa cultura. Graças a essas ações, cada vez mais pessoas têm buscado ajuda por meio dos serviços de saúde mental públicos e privados para construir novas relações e romper com o ciclo da violência.

Ainda assim, é preciso mais. Mais conscientização, mais políticas de educação e promoção social, mais iniciativas que nos aproximem pela via do afeto, da convivência com as diferenças, em que a perspectiva totalitária de um indivíduo ser subjugado pelo outro não faça mais sentido.

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Caminho da vida

08/06/2024 08h00

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Sabemos por meio das lições diárias que a vida nos oferece que, apesar das limitações intelectuais, nos encontramos sempre a caminho. Nada é definitivo. Tudo é passageiro. Tudo é vulnerável. Tudo em seus limites. E nós, míseros humanos, nos sentimos insaciáveis. Isso significa busca permanente de maneiras de viver.

Buscamos sempre caminhos possíveis. Buscamos sempre verdades que preencham o vazio da alma. Buscamos algo que consiga saciar a sede do eterno. Buscamos algo além do comum que consiga saciar a fome de amar e de ser amado, confiar e encontrar confiança, acreditar e ser acreditado.

Por esses assim chamados caminhos, ter a surpresa agradável de encontrar Deus e saborear sua grandeza de alma, sua generosidade no coração e sua misericórdia em suas mãos. Esse Deus de poucas palavras e de muito amor. Esse Deus de nada exigir e tudo doar na gratuidade. Esse Deus que não perturba, mas tudo renova.

Essa seria a imagem que todos e todas deveriam contemplar em seu interior. E deveria comunicar a tanta gente perdida nesse mundo por lhe faltar alguém que console na tristeza e lhe devolva a serenidade nos momentos amargos.

O Mestre dos mestres tantas vezes, em sua caminhada missionária, alertou a todos quantos quisessem segui-lo que não tivessem medo. O caminho, por vezes, se tornaria íngreme, o caminhar seria cansativo e desgastante. Era preciso coragem e confiança naquele que se encontrava no mesmo caminho.

A felicidade se encontra justamente nesse caminhar. Mas, apesar desse alerta, muitos desistiram e o abandonaram. Outros negaram reconhecê-lo e seguiram por outros caminhos. Outros o traíram e o condenaram. Outros juraram contra ele, o condenando à morte e morte de cruz.

A fidelidade de Deus viu-se transgredida e destruída. Mas ele não pensa em vingança, pensa em perdão e misericórdia, porque os humanos não entendem o amor divino. E isso poderia causar dificuldades, sem contar que Deus pode se aproximar da humanidade. Mas ele continua acreditar em uma convivência fiel.

O evangelista Marcos, em seus ensinamentos, mostra muito claramente as dificuldades que o Mestre estava encontrando para atender a tantos necessitados. Eram tantos que não sobrava espaço para o descanso e a alimentação. Revela o tanto que se dedicava e o tanto de desgaste por atender.

Mostra o tanto que seus seguidores deveriam aprender em esforço por acolher, atender e servir. Assim, hoje essas necessidades continuam e desafiam a generosidade dos também seguidores do Mestre dos mestres.

Mas o mundo de hoje tem maneiras diferentes de olhar as necessidades dos irmãos e das irmãs. Alegam que não sobra tempo para a caridade, não sobra tempo para a oração, não sobra tempo para a generosidade, não sobra tempo para a misericórdia. Não sobra tempo para Deus.

Entendemos que Deus terá que se contentar com as sobras de tempo. Terá que se contentar com as sobras de amor. Terá que se contar apenas com as sobras de bens a serviço da vida e da dignidade desses seres marginalizados e condenados a sobreviver com humanos e divinos.

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