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Fé e razão no século 21

Senso comum afirma que tem pouca razão aqueles que tem muita fé numa divindade pessoal, ou seja, crente é um bicho que não pensa bem

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Você é daqueles que tem fé na razão ou está entre aqueles que acham que tem razão por não ter fé?

O senso comum – que pode ser observado desde os setores mais populares até os ambientes considerados culturalmente mais sofisticados e intelectualizados da sociedade – afirma que tem pouca razão aqueles que tem muita fé numa divindade pessoal, ou seja, crente é um bicho que não pensa bem.

O mesmo senso comum também afirma que as pessoas de razão iluminada são aquelas que não precisam de fé, pelo menos não a mesma fé que caracteriza os crentes.

Entretanto, será que as coisas são assim mesmo? Seria a fé a inimiga da razão? De que tipo de fé estamos falando? A razão seria uma realidade neutra? A confiança na razão não seria um tipo de fé? Que relação existe entre fé e razão? É possível viver sem fé?

Norman Geisler e Frank Turek, dois acadêmicos crentes, escreveram um livro, cujo título nos provoca à reflexão sobre a tão debatida relação entre fé e razão.

Trata-se da obra “Não Tenho Fé Suficiente para Ser Ateu”. Richard Dawkins, famoso cientista e militante do ateísmo, escreveu um livro chamado “Deus, um Delírio”, advogando a ideia de que deliram aqueles que creem num Deus pessoal que criou todo o universo e que demanda responsabilidade de suas criaturas.

Alister McGrath, professor da Universidade de Oxford (mesma universidade em que trabalha Dawkins), com Joanna McGrath, escreveram a obra “O Delírio de Dawkins: uma Resposta ao Fundamentalismo Ateísta de Richard Dawkins”.

O falecido teólogo, escritor e capelão da rainha da Inglaterra, John Stott, tratou sobre o lugar da mente entre os que creem em sua obra “Crer É Também Pensar”, e o professor emérito da Universidade de Oxford John Lennox escreveu “A Ciência Pode Explicar Tudo?” para mostrar as possibilidades e os limites da ciência.

A lista, com nomes de crentes (inimigos da razão) e mentes iluminadas (que não precisam de fé), poderia continuar, mas os nomes e as obras supracitadas são suficientes para mostrar, mesmo que inicialmente, o quão distantes da realidade estão aqueles que acham que a fé é inimiga da razão e que é possível viver sem fé, além do fato de que falta luz em muitas mentes iluminadas, e que muitos crentes pensam muito bem, embora haja exceções.

Em algum nível, fé e razão sempre se relacionaram ao longo da história. Algumas questões que devem ser levantadas são: qual é o objeto de sua fé: Deus (o Criador) ou o homem (ou algum elemento da criação)? A razão é suficiente para fornecer todas as respostas feitas pelo homem ou existem questões que estão além de sua esfera de atuação?

Desconfie, com sabedoria, do senso comum (principalmente aqueles que são proclamados com ares de superioridade cultural), pois nem sempre o senso comum reflete o bom senso. Obviamente, não pense que esse desconfiar se trata de um exercício simples e meramente racional, essa é uma tarefa necessária e possível.

Para isso, é preciso o bom uso da razão, a partir de uma fé que, em sua essência, não é nem racional e nem irracional, mas suprarracional (vai além da razão). Como identificar esse tipo de fé? Embora não tenhamos espaço para tratar de tudo aqui, é possível indicar um caminho seguro.

No livro dos crentes, um homem chamado Tomé indagou a Jesus perto de sua morte com as seguintes palavras: “Senhor, não sabemos para onde vais, como saber o caminho?” E o Mestre deu a seguinte resposta: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim”.

A citação acima prova o que? Alguém pertinentemente poderia perguntar. Parafraseando C. S. Lewis, outro acadêmico crente de Oxford: ou Jesus era um mentiroso (ele mentia conscientemente sobre quem ele era), ou ele era um lunático (ele estava enganado sobre quem ele era), ou ele era exatamente quem ele dizia ser: o (único) caminho, a (única) verdade e a (única) vida.

Ele não nos deu a opção de ser considerado um grande mestre da moral ou uma boa pessoa (lembre-se: não se crucificam boas pessoas, mas se crucificam ameaças e gente perigosa, correto?). Perceba que no argumento acima fé e razão estão presentes.

No fim das contas, todos nós cremos: ou no Deus que nos criou à sua imagem e semelhança, ou em nós mesmos (que criamos deuses a nossa própria imagem e semelhança e tratamos coisas criadas, como a razão, como entes divinos).

Em quem você crê? Que tipo de gente é você?

EDITORIAL

Malha Oeste: prioridade absoluta

A revitalização da Malha Oeste deveria ser o projeto número um para Mato Grosso do Sul. Não como promessa reiterada, mas como prioridade efetiva

16/02/2026 07h15

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A reportagem publicada nesta edição do Correio do Estado lança luz sobre um tema que, há anos, figura no discurso político e empresarial como promessa: o destravamento da Malha Oeste. Mais do que recuperar trilhos abandonados, trata-se de reacender uma engrenagem estratégica capaz de redefinir a economia de Mato Grosso do Sul.

O impacto vai além da ferrovia. A reativação da Malha Oeste pode impulsionar novos investimentos logísticos, inclusive a construção de outras ferrovias pela iniciativa privada, especialmente nas regiões leste e nordeste do Estado, área que passou a ser conhecida nacionalmente como o Vale da Celulose.

Ao oferecer uma espinha dorsal ferroviária eficiente, o Estado cria as condições para que novos ramais se tornem viáveis e rentáveis.

Não é exagero afirmar que a reconstrução da Malha Oeste está à frente, em potencial estruturante, até mesmo da Rota Bioceânica rodoviária – até porque a ferrovia se integra ao conceito bioceânico. Enquanto estradas são fundamentais, a ferrovia oferece ganhos permanentes de escala e custo. E é exatamente nisso que reside sua força transformadora.

Uma malha ferroviária em pleno funcionamento reduz custos de produtos que não são produzidos aqui, barateando insumos e bens que abastecem o mercado local.

Ao mesmo tempo, torna mais competitivos os produtos sul-mato-grossenses, ao diminuir o valor do frete até os grandes centros consumidores e portos de exportação. É um ganho estrutural, que não depende de incentivos temporários ou renúncias fiscais, mas de eficiência logística.

O exemplo dos combustíveis é emblemático. Com a Malha Oeste revitalizada, o transporte por trem poderia ser retomado. Isso significaria menos caminhões nas rodovias, menos desgaste da malha viária e, sobretudo, redução de custos.

Combustível é motor da economia. Quando seu preço diminui, quase todas as cadeias produtivas se tornam mais competitivas. Do agronegócio ao comércio, da indústria aos serviços, todos sentem o efeito.

Hoje, muito se fala no potencial de escoamento da celulose produzida no Estado rumo ao Porto de Santos. Sem dúvida, isso amplia a competitividade de um dos setores mais dinâmicos da economia local. Mas limitar a ferrovia a esse papel seria apequenar seu alcance.

Pelos trilhos podem seguir também grãos, minério de ferro, produtos frigoríficos e uma gama diversa de mercadorias. Cada tonelada transportada com menor custo amplia a vantagem competitiva de Mato Grosso do Sul.

A revitalização da Malha Oeste deveria ser o projeto número um do Estado. Não como promessa reiterada, mas como prioridade efetiva. Sair do papel, avançar nas obras, garantir modelagem adequada e segurança jurídica. Porque logística não é detalhe: é base. E uma base sólida pode sustentar décadas de crescimento consistente.

ARTIGOS

Por que a razão humana segue sendo o principal ativo competitivo?

Embora exista temor de substituição massiva de trabalhadores, a automação ainda não corroeu significativamente a demanda por trabalho cognitivo em toda a economia

14/02/2026 07h45

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Dados do Banco Mundial mostram que pela primeira vez na história mais pessoas têm mais de 60 anos do que menos de 15 em diversas partes do mundo, incluindo o Brasil. Essa mudança demográfica altera profundamente a composição da força de trabalho, elevando o valor de habilidades que só humanos possuem.

Paralelamente, a inteligência artificial (IA) deixou de ser um conceito distante. Desde o lançamento do ChatGPT, há mais de dois anos, ferramentas de IA têm transformado como empresas criam produtos, interagem com clientes e tomam decisões estratégicas.

Um estudo de pesquisadores da Yale University e do The Brookings Institution concluiu que, embora exista temor de substituição massiva de trabalhadores, a automação ainda não corroeu significativamente a demanda por trabalho cognitivo em toda a economia.

Então, como conectar essas duas grandes forças, longevidade da população e adoção acelerada de IA, ao futuro do trabalho?

A IA é extraordinária em automatizar tarefas repetitivas e gerar eficiência em escala. Porém, seu valor é amplificado quando aplicada em parceria com pessoas que pensam criticamente, traduzem problemas complexos em soluções e constroem conexões humanas autênticas, algo que algoritmos, por mais avançados, ainda não replicam.

Segundo o Deloitte Global Human Capital Trends, as organizações de maior desempenho estão investindo em capacidade de adaptação humana, pensamento crítico e habilidades sociais justamente para integrar equipes híbridas de humanos e IA.

Isso significa que o diferencial competitivo não é quem tem mais tecnologia, mas quem consegue extrair significado dela aplicando discernimento, experiência e visão estratégica.

O envelhecimento populacional não é um problema, é uma oportunidade estratégica. Trabalhadores mais experientes trazem melhor capacidade de julgamento, visão sistêmica, gestão de complexidade e inteligência relacional. Essas habilidades são críticas em um mundo no qual a IA já está assumindo tarefas operacionais.

Além disso, pessoas mais velhas, com bagagem profissional consolidada, são menos propensas a ser substituídas por ferramentas automatizadas porque trabalham em níveis de abstração mais altos, envolvendo nuances de contexto que a tecnologia ainda não domina.

O mercado já está sinalizando quais papéis serão mais valorizados: especialistas que criam diretrizes éticas e de uso responsável de IA, líderes que alinham tecnologia a propósito organizacional, facilitadores que traduzem dados em decisões humanas, designers que desenham experiências colaborativas entre humanos e máquinas e curadores de conhecimento que mantêm a inteligência atualizada e contextualizada.

Esses perfis, identificados em estudos de tendências de futuro do trabalho, não trocam pensamento por automação, eles elevam a automação à inteligência estratégica.

A equação humana + IA é a que cria valor sustentável. A principal tendência para os próximos anos não é a IA substituindo pessoas, nem um retorno ao trabalho exclusivamente humano. É a colaboração entre ambos, a IA acelera a execução, e os humanos comandam significado.

Empresas que perceberem essa dupla lógica, tecnológica e humana, estarão não apenas mais competitivas, mas mais resilientes frente às mudanças demográficas e de mercado.

Em um mundo que muda rápido, a pergunta que líderes e profissionais devem fazer não é “O que a inteligência artificial vai fazer por mim?”, mas “Como eu uso a inteligência artificial para expandir aquilo que só eu posso oferecer: pensamento crítico, criatividade e julgamento ético?”

Essa é a pergunta que determina quem prosperará no futuro do trabalho.

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