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		<title>Correio do Estado - Artigos e Opinião</title>
		
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				<title><![CDATA[É tempo de ser mulher no trabalho]]></title>
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				<description><![CDATA[Trabalho no mundo empresarial há muitos anos. Comecei num tempo em que ainda não existiam muitas das regras de convívio social-corporativo. À época, fumava-se dentro do escritório, chefes gritavam com subordinados e piadas e insinuações sexuais eram frequentes.

Graças a Deus, o mundo mudou. E um dos fatores para essa transformação foi a chegada das mulheres aos postos de comando, o que requereu decência e deferência no trato com subordinados.

Entretanto, as profissionais ainda não são 50% dos conselheiros e diretores das empresas. Já avançamos muito, mas ainda há um caminho a seguir, pois a estrutura corporativa ainda é pensada e feita para homens e as exigências para os cargos continuam muito masculinas.

Por todas essas questões, gostaria de falar aqui sobre ser mulher no trabalho. Um exemplo: os homens, quando ficam frustrados, ficam agressivos, nervosos e intratáveis. Penso que a testosterona faz isso com eles. Nas mesmas situações, as mulheres choram.

É da nossa natureza, mas o sentimento é o mesmo para os dois. A pergunta é: por que todas nós já fomos chorar escondidas no banheiro e os homens não têm nenhuma dificuldade em expressar a sua decepção em público, dentro do escritório?

A resposta é que a mulher que chora na sua estação de trabalho é vista como júnior, sem estrutura e sem controle emocional. Por isso, tememos ser vistas chorando.

Há alguns anos, chorar em público na empresa era selar para sempre sua carreira lá. Já está na hora de normalizar a expressão da frustração de uma maneira muito melhor do que a agressividade. Choramos, enxugamos as lágrimas e tocamos para a frente.

Os homens também devem ser ensinados a lidar com uma mulher chorando. A maioria se sente muito desconfortável e infeliz ao presenciar essa situação e, com isso, está menos propensa a promover uma mulher, justamente para não ter que lidar com os sentimentos de frustração com ela. E há situações no trabalho que nos levam a muita frustração, todos sabemos. 

Entender como funciona a mente de alguém diferente de você ou, pelo menos, respeitar a diferença é o primeiro passo para termos equipes mais diversas e criativas. E já está na hora de sermos nós mesmas, ou seja, sermos mulheres no trabalho.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 17 Oct 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[A PEC do fim da escala 6x1 é inconstitucional]]></title>
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				<description><![CDATA[A afirmação é contundente, sobretudo após a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 pelo plenário do Senado, na madrugada de 15 de outubro de 2026. A redação aprovada, contudo, suscita uma questão jurídica relevante: a redução da jornada semanal para 42 horas, combinada com a garantia de dois repousos semanais remunerados, é compatível com o limite constitucional de oito horas diárias de trabalho?

A interpretação dos dispositivos da proposta que tratam da transição para o novo regime exige uma análise conjunta das regras constitucionais sobre a duração do trabalho.

O texto prevê que, dois meses após a promulgação pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado, a carga horária semanal será reduzida de 44 horas semanais para 42 horas semanais, regime que deverá vigorar pelo período de um ano.

Também estabelece a concessão de dois repousos semanais remunerados, o que, na prática, pressupõe a distribuição do trabalho em, no máximo, cinco dias por semana.

O problema está na ausência de uma alteração correspondente do limite constitucional da jornada diária, que permanece fixado em oito horas pelo artigo 7º, inciso XIII, da Constituição Federal.

A questão pode ser demonstrada por uma operação aritmética simples. Se as 42 horas semanais forem distribuídas igualmente por cinco dias de trabalho, a jornada diária será de 8,4 horas, ou seja, oito horas e 24 minutos. Esse resultado ultrapassa o limite constitucional de oito horas diárias.

Não se trata de ignorar a possibilidade de regimes de compensação de horários ou de negociação coletiva, expressamente admitidos pela Constituição.

O próprio inciso XIII do artigo 7º prevê a compensação de horários e a redução da jornada mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. Também existem hipóteses legalmente admitidas de prorrogação da jornada, com o correspondente pagamento de horas extras.

Essas possibilidades, entretanto, não afastam a necessidade de compatibilidade entre a regra geral estabelecida pela emenda constitucional e os limites previstos no texto constitucional.

A existência de mecanismos de compensação não resolve, por si só, uma eventual incompatibilidade na forma como a proposta organiza a jornada semanal e os dias de repouso.

A redação aprovada, portanto, poderá dar origem a controvérsias relevantes na aplicação do novo regime. Será necessário esclarecer como as 42 horas semanais deverão ser distribuídas, de que maneira serão assegurados os dois repousos remunerados e em quais condições poderá haver prorrogação ou compensação da jornada diária.

A redução da jornada de trabalho e a ampliação do descanso semanal são objetivos legítimos de política social. Sua implementação, porém, exige coerência normativa e respeito aos parâmetros constitucionais que disciplinam a duração do trabalho.

Se a regra transitória da PEC 221/2019 impuser, como consequência necessária, uma jornada diária superior a oito horas, sem que estejam presentes as condições constitucionais e legais que autorizam essa distribuição, haverá fundamento para questionar sua compatibilidade com o artigo 7º, inciso XIII, da Constituição Federal.

É justamente nesse ponto que reside o problema jurídico da proposta: a redução da carga horária semanal não pode ser interpretada isoladamente, sem considerar o limite diário e os mecanismos legalmente admitidos para organizar o tempo de trabalho. A solução deverá resultar de uma interpretação sistemática da

Constituição e do texto aprovado, de modo a evitar que uma mudança destinada a ampliar o descanso dos trabalhadores produza insegurança jurídica na aplicação das regras que a instituem.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 17 Oct 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Buracos nas ruas: solução à vista? ]]></title>
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				<description><![CDATA[A abertura, na segunda-feira, da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de Campo Grande para investigar a operação tapa-buraco é uma oportunidade para esclarecer responsabilidades e cobrar soluções.

Não é admissível que uma cidade com a capacidade econômica da Capital conviva com ruas tomadas por buracos, que comprometem a segurança, elevam os custos de manutenção dos veículos e prejudicam a mobilidade.

A situação é ainda mais grave porque, há poucos meses, o proprietário da empresa responsável pela manutenção das vias foi preso sob suspeita de corrupção, assim como o ex-titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos.

O caso exige explicações sobre os contratos, a fiscalização dos serviços e o destino dos recursos públicos destinados à conservação viária.

Cabe aos vereadores investigar possíveis irregularidades e identificar responsabilidades, respeitando o devido processo legal. O dinheiro público precisa ser aplicado com eficiência, e os contratos firmados pela administração devem produzir resultados compatíveis com os valores pagos.

Seria um erro, porém, limitar o trabalho da comissão à identificação de culpados. A apuração é indispensável, mas a população não pode continuar esperando por ruas em condições adequadas.

Mesmo que os agentes públicos e os empresários venham a ser responsabilizados, isso não tapa os buracos nem resolve os problemas acumulados nos bairros.

Também preocupa a passividade com que parte da sociedade parece aceitar a precariedade do serviço. Ruas deterioradas não são um inconveniente inevitável. Trata-se de uma falha na prestação de um serviço público essencial, que afeta milhares de pessoas e exige fiscalização permanente.

Não basta anunciar operações tapa-buraco ou realizar intervenções pontuais que perdem eficácia com as primeiras chuvas. A manutenção viária precisa seguir critérios técnicos, priorizar as regiões mais prejudicadas e apresentar resultados que possam ser medidos e fiscalizados.

Espera-se que a CPI não termine apenas com um relatório de responsabilidades, mas ajude a mudar essa realidade. A Prefeitura de Campo Grande precisa apresentar um plano estruturado de recuperação das vias, com prioridades definidas, cronograma, recursos previstos e mecanismos de acompanhamento.

Investigar irregularidades é uma obrigação. Evitar que se repitam e garantir um serviço de qualidade também. O sucesso da CPI não deve ser medido apenas pelo número de culpados identificados, mas pela capacidade de transformar as suas conclusões em providências concretas. Campo Grande precisa de respostas e, sobretudo, de ruas em condições dignas de uma capital.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 17 Oct 2026 07:10:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Maioridade penal: a pergunta errada]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/maioridade-penal-a-pergunta-errada/474860/</link>
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				<description><![CDATA[A redução da maioridade penal voltou ao centro da política neste ano. Em junho, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou, por 44 a 18 votos, a proposta que baixa de 18 anos para 16 anos a idade a partir da qual alguém responde como adulto. Em agosto, foi instalada a comissão especial que analisa o texto. Para valer, a mudança ainda precisa de três quintos dos votos, em dois turnos, na Câmara e no Senado.

A indignação que move esse debate é legítima. Ninguém aceita ver uma família destruída e ouvir que o autor “não vai pagar por nada”. Só que essa frase não corresponde à lei.

No Brasil, o adolescente responde por seus atos a partir dos 12 anos. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), prevê medidas que vão da advertência à internação, que é a perda da liberdade em unidade para jovens, por até três anos, com liberação obrigatória aos 21 anos. O que a Constituição impede é que ele seja julgado como adulto e mandado ao presídio comum.

A comparação com outros países costuma ser feita pela metade. Alemanha e Espanha começam a responsabilizar adolescentes aos 14 anos (mais tarde que o Brasil) e sempre numa justiça juvenil especializada. Na Alemanha, o juiz pode aplicar a lei juvenil para jovens de até 20 anos, conforme a maturidade.

A Argentina baixou a idade de 16 anos para 14 anos em fevereiro, mas criou um sistema separado para essa faixa etária, com a prisão como último recurso. Nenhum desses modelos coloca um garoto de 16 anos na cela de um adulto.

Esse é o centro da minha preocupação. Das cerca de 960 mil pessoas que cumprem pena no Brasil, mais de 720 mil estão atrás das grades, em unidades superlotadas onde as facções recrutam com facilidade, oferecendo proteção em troca de lealdade.

O jovem que entra por um roubo pode sair como soldado do crime organizado, com a vida inteira pela frente.

Isso não quer dizer que o sistema atual funcione bem. Muitas unidades de internação estão lotadas, sem escola de verdade e sem acompanhamento depois da saída.

Há casos de crueldade extrema em que três anos parecem pouco, e esse ponto merece debate sério, inclusive sobre prazos maiores para crimes gravíssimos.

O caminho, porém, passa por fazer o ECA funcionar: internação que eduque, oficina que prepare para o trabalho, família por perto.

A pergunta que deveria nos ocupar é outra: o que fazer para que um menino de 16 anos não chegue aos 25 anos com uma ficha criminal extensa? A resposta está mais perto da escola e da família do que do presídio.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 16 Oct 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Fé e política: a quem pertence nossa consciência?]]></title>
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				<description><![CDATA[A relação entre fé e política é uma das questões mais delicadas da vida em sociedade. Precisamos escolher entre viver a fé e assumir nossas responsabilidades como cidadãos? O Evangelho oferece uma importante reflexão sobre essa questão.

Em Mateus (22:15-21), Jesus é questionado sobre o pagamento de impostos a César. Diante da armadilha, responde: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.

Jesus não propõe uma separação absoluta entre fé e sociedade, mas nos convida a reconhecer nossas responsabilidades como cidadãos sem transformar nenhum poder humano em senhor absoluto de nossa consciência. 

A política influencia diretamente a saúde, a educação, o trabalho, a segurança e a dignidade das pessoas. Por isso, não pode ser indiferente à fé cristã.

Quando orientada pelo bem comum, torna-se uma forma de serviço à sociedade. Entretanto, a fé não deve ser instrumentalizada pela política, nem a política utilizada para manipular a fé. Nenhum partido, líder ou ideologia pode reivindicar para si o monopólio dos valores cristãos. 

O texto de Isaías (45:1-6), aprofunda essa reflexão. Deus chama Ciro, rei da Pérsia, de seu ungido. Por meio dele, o povo de Israel seria libertado do exílio na Babilônia e poderia retornar à sua terra. A conquista da Babilônia pelos persas, no ano 539 a.C., abriu caminho para esse retorno. 

O surpreendente é que Ciro não pertencia ao povo de Israel e não conhecia o Senhor como o Deus da aliança. Mesmo assim, tornou-se instrumento de libertação.

Essa passagem revela que a ação de Deus pode acontecer por caminhos inesperados, inclusive por meio de pessoas que não compartilham a nossa fé. 

Não podemos confundir a vontade de Deus com os interesses de um grupo político, nem considerar a identidade religiosa de alguém uma garantia de compromisso com o Evangelho. Isso não significa aprovar indistintamente as ações de qualquer governante, mas discernir os frutos de suas decisões, especialmente os seus efeitos sobre a justiça, a liberdade e a dignidade humana. 

O cristão tem o direito e o dever de participar da vida política, analisar propostas e avaliar governos à luz de critérios éticos. Também precisa reconhecer que pessoas de boa-fé podem pensar diferentemente. Quando a divergência se transforma em ódio e desumanização do adversário, a convivência democrática e a fraternidade ficam ameaçadas. 

A fé não pode servir para legitimar interesses particulares ou silenciar questionamentos. Seu compromisso social se manifesta no acolhimento dos pobres, na defesa dos direitos humanos, no combate à fome, na promoção da paz e na denúncia das injustiças. 

Se fomos criados à imagem e semelhança de Deus, toda pessoa possui uma dignidade que independe de sua religião, condição social ou posição política. Fidelidade a Deus não significa fidelidade automática a um partido ou líder, mas coerência entre o Evangelho e nossas ações. 

Dar a César o que é de César é assumir nossas responsabilidades como cidadãos. Dar a Deus o que é de Deus é reconhecer que nenhum poder está acima da dignidade humana, da justiça e do amor. 

A fé não precisa transformar o altar em palanque. Precisa contribuir para que a sociedade seja um lugar em que os direitos sejam respeitados e ninguém seja esquecido. 
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 16 Oct 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Chuva, prevenção e planejamento ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/chuva-prevencao-e-planejamento/474858/</link>
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				<description><![CDATA[O volume de chuva registrado neste mês em Campo Grande e em outras regiões de Mato Grosso do Sul chama a atenção pela intensidade e pelos transtornos que pode provocar. Os rios cheios são a demonstração mais evidente da quantidade de água que tem caído sobre o Estado. Em um período no qual normalmente a preocupação ainda estaria concentrada na estiagem e nas queimadas, o cenário exige atenção redobrada do poder público e da população.

A possibilidade de um fim de ano mais chuvoso já estava no radar dos meteorologistas, em razão da formação do El Niño, fenômeno climático associado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial e que pode alterar os padrões de chuva em diferentes regiões do País. 

Os episódios registrados nas últimas semanas são um sinal de que é preciso acompanhar de perto a evolução das condições meteorológicas, sem perder de vista que a intensidade e a distribuição das precipitações podem variar.

Diante desse quadro, a prioridade deve ser a prevenção. Nos próximos dias, com a possibilidade de novas chuvas volumosas, cabe às autoridades reforçar o monitoramento de rios, áreas de risco, encostas e regiões sujeitas a alagamentos. 

Também é fundamental manter a população informada, orientar moradores sobre como agir em situações de emergência e preparar estruturas de acolhimento para quem eventualmente precise deixar a sua casa.

É justamente para isso que existem as defesas civis estaduais e municipais. Seu trabalho não deve se limitar a responder às ocorrências depois que os danos já ocorreram.

A capacidade de antecipar riscos, organizar equipes e mobilizar recursos antes de uma situação crítica pode fazer toda a diferença. A população, por sua vez, precisa respeitar os alertas e evitar comportamentos que aumentem a exposição a perigos, como atravessar áreas alagadas ou permanecer em locais ameaçados pela elevação dos rios.

A prevenção pode parecer pequena diante da força da natureza, mas os seus resultados são concretos. Alertas emitidos a tempo e equipes preparadas reduzem prejuízos. Mais importante ainda, podem evitar mortes. Prevenir costuma custar menos do que reconstruir depois de uma enchente.

A chuva também oferece oportunidade para planejar a infraestrutura. É quando drenagem, pontes, galerias pluviais e vias urbanas são postas à prova que suas limitações aparecem. Os pontos de alagamento devem ser avaliados para orientar obras, manutenção e investimentos.

A chuva torrencial nos coloca em alerta, mas também fornece informações valiosas para decisões futuras. Com prevenção e planejamento, é possível reduzir danos e preparar as cidades para eventos extremos a fim de proteger vidas.
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				<pubDate>Fri, 16 Oct 2026 07:10:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Paulo Bonavides: entre o golpe de Estado institucional e a guerra civil]]></title>
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				<description><![CDATA[No dia 30 de outubro o jurista Paulo Bonavides completaria 101 anos. No dia 25 de outubro, seu país terá de tomar uma decisão nada difícil, pois a alternativa posta é uma escolha entre a continuidade da democracia liberal parlamentar ou o fascismo.

Neste sentido, importa recordar algumas linhas de força da obra de Paulo Bonavides, um ânimo espiritual que deixou um legado para o Direito Constitucional, à ciência política e à teoria do Estado.

É curioso notar que, diante de um cenário de crise e falência das instituições da democracia liberal, encontra-se um debate que cai na esfera da defesa ou não das pessoas que ocupam funções, sendo notável o alvoroço acerca do noticiário envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e um banqueiro corrupto.

Também é curioso como para se manifestar a respeito do problema alguns comentadores digitais mobilizam uma grande quantidade de autores e autoras estrangeiros, sem dúvida muito importantes e interessantes, contudo, não aparece nenhuma linha da reflexão do professor Paulo Bonavides. Por aqui, justifica-se o objetivo destas linhas, ou seja, vejamos o alerta de Paulo Bonavides.

De saída, importa considerar uma das grandes hipóteses de Bonavides, a saber, de que no Brasil há uma crise constituinte. Em linhas gerais, a justificativa para esta afirmação se faz pela leitura atenta de uma parte do pensamento constitucional e da teoria política que não apostava no consenso e na democracia parlamentar.

Paulo Bonavides era um leitor cauteloso de juristas conservadores e, não obstante, que nutriam simpatia pelo fascismo, como, por exemplo, Carl Schmitt, na Alemanha, bem como Francisco Campos, no Brasil.

A leitura destes autores não se faz por reconhecimento laudatório, mas, isto sim, para evitar o erro de parte da filosofia política e do constitucionalismo liberal, uma vez que estes últimos negligenciaram atenção a esta linhagem de pensamento, isto é dizer, o objetivo é um diálogo crítico com estes pensadores.

Neste sentido, Paulo Bonavides, ao se defrontar com esta linhagem intelectual, também vai levar a sério a presença do conflito na política e no pensamento constitucional.

De tal modo, o primeiro movimento da hipótese de leitura da crise constituinte, ao considerar a presença do conflito, diz respeito ao destaque de que a história constitucional do Brasil, em realidade, conta-se em uma sucessão de golpes de Estado.

Assim, um argumento crítico a Bonavides afirma que há certa desconsideração pela luta popular por direitos no Brasil, o que parece um equívoco, uma vez que Bonavides considera que os golpes de Estado visam justamente barrar o momento constituinte revolucionário, isto é, são reações contrarrevolucionárias à soberania popular.

Neste horizonte de perspectiva, em que pese a máscara de neutralidade de alguns juristas conservadores, o ponto central e acertado de Paulo Bonavides é reconhecer que o conservadorismo é força política contrária à soberania popular e ao reconhecimento de direitos.

Por aqui, é possível ao professor nordestino afirmar que o projeto constitucional brasileiro está inacabado, em que pese alguns séculos de esforços e sacrifícios, sendo, talvez, adequado dizer que se trata de um projeto bloqueado incontáveis vezes, haja vista a longa sombra da casa grande projetada pela classe dominante e escravocrata do Brasil, insensível e indiferente ao agravamento das desigualdades sociais e regionais, o que pode ser bem ilustrado pela imagem decadente (presente nas redes de internet) do balcão do Copacabana Palace quando da manifestação popular ocorrida no Rio de Janeiro, no dia 12 de outubro, bom afirmar, dia dedicado ao feriado da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida.

 A partir deste diagnóstico de conjuntura interna, Paulo Bonavides faz uma leitura aprimorada dos impactos da globalização neoliberal no Brasil.

Em sua compreensão, há uma espécie de fé na globalização do capital que constitui um aperfeiçoamento em sua forma de ser, isto é dizer, há uma espécie de mutação, o que permite uma ampliação de sua violência em perspectiva neocolonial que, em silêncio, porque não dizer, nas sombras – agora digitais –, articula e desfere golpes de Estado institucionais.

Por aqui, nota-se alguma atenção à questão da teologia política, pois esta última vem de longe e é parte importante das reflexões de Schmitt e Campos, como bem conhece Bonavides.

O golpe silencioso, sem tanques nas ruas, constrói-se por dentro da sala de máquinas institucional, sem fechamento por decreto de veículos de mídia (que estão sob controle não só de oligarquias tradicionais, mas também dos oligarcas do Vale do Silício), sem cerrar as portas da Casas do Congresso, mas, isto sim, com inoculação de desinformação que serve para alcançar cargos e coagir, anestesiar a sociedade, significa dizer “sufocar a consciência do País”.

Portanto, o golpe de Estado institucional, conforme Paulo Bonavides, não remove apenas governos, mas regimes, não pretende reconhecer direitos, mas, isto sim, privilégios, com afirmação unilateral de valores pretensamente superiores.

Dessa forma, o golpe de Estado institucional se faz no silêncio, na clandestinidade, o golpista, com a máscara da neutralidade, muitas vezes não declara em público suas intenções, que fluem em favorecimentos com medidas provisórias, destinação sem controle público de verba parlamentar, opressão tributária, arrocho de salários, reformas administrativas contra os servidores e os serviços públicos, desmoralização da classe média e submissão passiva ao imperialismo.

De tal modo, o golpe de Estado institucional, dirá Paulo Bonavides, é a modalidade de golpe dos “chamados ditadores constitucionais”, sendo, também, “o golpe que Hitler aplicou na Alemanha contra a Constituição de Weimar”.

Esta hipótese foi levantada no início dos anos 2000 e, ao que parece, tem algo a nos dizer, pois, ao fim, Paulo Bonavides afirma que há uma marcha sem retorno para o status de colônia, isto é, o projeto neoliberal-fascista é o retorno à colônia, o que sem dúvida vai ocasionar um agravamento das desigualdades sociais e regionais, “cujo quadro é sobressaltante enquanto prelúdio de uma tragédia de sangue e guerra civil, de consequências imprevisíveis”.

Assim alertou Paulo Bonavides.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 15 Oct 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Aprender é um exercício permanente]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/aprender-e-um-exercicio-permanente/474762/</link>
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				<description><![CDATA[Hoje, Dia do Professor, o Correio do Estado reafirma a importância da educação e da busca constante pelo conhecimento. A relação deste veículo de comunicação com o ensino está em sua origem: José Barbosa Rodrigues e Henedina Hugo Rodrigues, casal de professores, fazem parte dessa história.

Em tempos de inteligência artificial, é importante não esquecer a inteligência natural, aquela que se desenvolve quando somos desafiados a pensar, compreender e resolver problemas.

Mas, sobretudo na Educação Básica, não se pode confundir aprender com encontrar o caminho mais fácil, é preciso percorrer o caminho, adquirir fundamentos e construir o próprio conhecimento.

Aprender a ler, fazer contas, formular perguntas, tentar, errar, tentar novamente e, enfim, conseguir são etapas essenciais desse processo.

A dificuldade não é necessariamente um obstáculo a eliminar, muitas vezes, é justamente o esforço para superá-la que exercita a inteligência. A tecnologia pode ajudar, mas não substitui a experiência de aprender nem dispensa o estudante de pensar.

Na era do audiovisual, dedicar tempo à leitura pode parecer um gesto revolucionário. É uma forma de preservar a capacidade de interpretar informações, reconhecer argumentos e compreender as regras do conhecimento.

Ler exige atenção e disciplina, essenciais para distinguir fatos de opiniões e informação confiável de conteúdos enganosos.

Por isso, o poder público não deve medir a modernização da educação pela quantidade de equipamentos e ferramentas digitais nas escolas. Modernizar é, antes de tudo, assegurar que os alunos aprendam.

Um bom estudante não é somente aquele que conclui etapas, mas aquele que sai da escola sabendo ler, escrever, calcular e compreender. Educar é mais do que treinar para avaliações ou repetir procedimentos: é formar pessoas capazes de pensar, decidir e participar da sociedade.

Essa responsabilidade exige professores valorizados, condições adequadas de trabalho e políticas públicas comprometidas com a aprendizagem efetiva. A tecnologia tem seu lugar, desde que sirva ao propósito principal, e não se transforme em vitrine de modernidade sem resultados concretos.

A educação, porém, não termina com o diploma nem se encerra quando deixamos a sala de aula. Aprender deve acompanhar toda a vida. Continuar estudando, buscar novas habilidades e se manter bem informado por meio de fontes confiáveis são formas de exercer essa responsabilidade.

Neste Dia do Professor, fica o reconhecimento a quem ensina e o convite a todos: nunca abandonar a curiosidade, o esforço e a disposição de aprender. Ensinar e aprender são compromissos de todos, em qualquer idade e lugar.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 15 Oct 2026 07:10:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[A aposentadoria não é apenas uma despesa: é dinheiro que movimenta o Brasil]]></title>
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				<description><![CDATA[O debate sobre uma possível mudança na política de valorização do salário mínimo e seus reflexos nas aposentadorias voltou ao centro das discussões econômicas. Em um país que precisa equilibrar as contas públicas, é legítimo discutir despesas, receitas e sustentabilidade fiscal.

Há, porém, um aspecto frequentemente esquecido nessa equação: o dinheiro pago aos aposentados não desaparece da economia. Ao contrário, retorna à sociedade por meio do consumo, da geração de renda e da manutenção de atividades produtivas.

Recentemente, propostas discutidas no cenário eleitoral reacenderam a possibilidade de mudanças na política de valorização do salário mínimo e nas regras de reajuste dos benefícios previdenciários.

O tema merece atenção independentemente de quem venha a governar o País. Mais do que uma disputa partidária, trata-se de compreender o papel econômico e social da Previdência.

Quando um aposentado recebe seu benefício, dificilmente esse dinheiro permanece parado em uma conta bancária.

Ele compra alimentos no supermercado, medicamentos na farmácia, paga a conta de energia, utiliza serviços e, muitas vezes, ajuda a sustentar filhos e netos. O supermercado, por sua vez, remunera funcionários, paga fornecedores e recolhe tributos.

A farmácia precisa repor seus estoques e manter suas operações. Os trabalhadores desses estabelecimentos também consomem, movimentando outros setores. Assim funciona a economia: a renda de uma pessoa se transforma na receita de outra.

Esse fenômeno, conhecido como efeito multiplicador, ajuda a explicar por que as transferências de renda podem produzir resultados que ultrapassam seus beneficiários diretos.

Quando os recursos chegam às famílias, parte deles retorna ao mercado na forma de consumo, contribuindo para sustentar empresas, empregos e arrecadação.

A ideia não é nova. Desde a crise de 1929, diferentes países passaram a atribuir maior importância à atuação do Estado na proteção social e na sustentação da atividade econômica.

Nos Estados Unidos, o governo de Franklin Roosevelt lançou o New Deal e instituiu, em 1935, o sistema federal de seguridade social, que estabeleceu mecanismos de proteção à velhice e ao desemprego.

Na Europa, especialmente após a Segunda Guerra Mundial, a ampliação dos sistemas de proteção social integrou um processo mais amplo de reconstrução econômica e institucional.

Essas experiências ocorreram em contextos distintos e não significam que todo aumento de despesa pública produza crescimento.

Demonstram, contudo, que a proteção social pode desempenhar uma função econômica relevante, sobretudo ao oferecer maior segurança de renda às famílias e sustentar o consumo em períodos de dificuldade.

O Brasil também oferece exemplos recentes. Durante a pandemia de Covid-19, o auxílio emergencial foi fundamental para preservar a renda de milhões de brasileiros em um momento de paralisação de atividades econômicas.

Estudo publicado pelo Fundo Monetário Internacional, em 2022, estimou efeitos positivos das transferências emergenciais brasileiras de 2020 sobre o emprego formal e a atividade econômica, com multiplicadores do Produto Interno Bruto (PIB) estimados entre 0,5 e 1,5.

Os recursos transferidos às famílias, portanto, não representaram apenas proteção contra a pobreza, também contribuíram para sustentar o consumo e a atividade produtiva em um período de forte retração econômica.

É evidente que a Previdência tem características próprias. As aposentadorias são benefícios de longa duração, inseridos em um sistema que precisa ser financeiramente sustentável ao longo das gerações.

Ainda assim, o princípio econômico permanece relevante: famílias com renda limitada tendem a destinar parcela significativa de seus recursos à satisfação de necessidades essenciais.

Essa realidade é particularmente importante nos pequenos municípios brasileiros, onde os pagamentos previdenciários constituem uma fonte regular de renda para milhares de famílias e ajudam a manter o comércio local.

Em muitas dessas cidades, aposentadorias e pensões movimentam supermercados, farmácias, prestadores de serviços e pequenos negócios. Uma redução no poder de compra dos beneficiários pode, assim, produzir efeitos que ultrapassam o orçamento doméstico e alcançam toda a comunidade.

A Constituição Federal de 1988 reconheceu a importância dessa proteção ao estabelecer, no artigo 201, § 2º, que nenhum benefício substitutivo do rendimento do trabalho pode ser inferior ao salário mínimo. O texto constitucional também prevê mecanismos de reajustamento dos benefícios para preservar seu valor real.

Isso não significa que todas as aposentadorias tenham direito ao mesmo porcentual de aumento concedido ao salário mínimo. Os benefícios superiores ao piso seguem regras próprias de reajuste.

A Constituição, entretanto, estabelece um patamar mínimo de proteção econômica para quem depende da Previdência, reconhecendo a importância de preservar o poder de compra desses recursos.

Por isso, a discussão sobre eventual desvinculação dos benefícios previdenciários em relação ao salário mínimo ou sobre mudanças na política de valorização não deveria se limitar a uma análise contábil.

É necessário considerar os efeitos sobre a renda das famílias, o consumo, a arrecadação tributária e a atividade econômica.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 14 Oct 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Planejamento financeiro no campo]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/planejamento-financeiro-no-campo/474672/</link>
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				<description><![CDATA[A projeção de que a rentabilidade da safra de soja seja superior à do ciclo passado é uma notícia positiva para Mato Grosso do Sul. Como mostra o Correio do Estado nesta edição, a perspectiva de melhores resultados no campo abre espaço para que mais recursos circulem na economia local, dinamizando o comércio, a prestação de serviços e diversos outros setores produtivos que gravitam em torno do agronegócio.

A perspectiva favorável, contudo, não deve ser motivo apenas para comemorar os números previstos. O momento precisa estimular uma reflexão profunda sobre como parcela dos produtores rurais administra seus negócios.

Se a próxima safra promete margens superiores, a conjuntura é oportuna para que o setor avance em um gargalo crítico: o planejamento financeiro rigoroso e a proteção contra riscos estruturais.

A recente onda de frustrações de safra, cujos reflexos persistem no expressivo volume de recuperações judiciais em andamento, escancara a vulnerabilidade do produtor diante de períodos adversos.

É evidente que a atividade agrícola permanece sujeita a fatores externos que fogem ao controle do empresário, como as oscilações do clima, a volatilidade de preços das commodities e os custos de produção.

O problema central não reside em reconhecer tais vulnerabilidades, mas em não se estruturar adequadamente para as enfrentar.

Chama atenção a baixa adesão a mecanismos de proteção financeira, como o seguro rural e ferramentas de securitização. Em uma atividade em que um único ciclo produtivo pode comprometer a saúde financeira de todo o ano, depender de condições de tempo e mercado favoráveis é uma escolha arriscada.

A formação de fundos de reserva e a contratação de proteções adequadas precisam integrar definitivamente a rotina da gestão no campo.

Paralelamente, a forma como o capital e o patrimônio são administrados exige atenção. Embora muitos produtores estejam constituídos juridicamente, a gestão financeira ainda preserva traços estritamente familiares, com recursos imobilizados em terras, maquinários e benfeitorias.

No ambiente corporativo, a liquidez é premissa indispensável para atravessar instabilidades e honrar compromissos de curto prazo.

Patrimônio elevado não afasta o risco de insolvência quando falta capital de giro para pagar fornecedores e financiamentos.

O agronegócio brasileiro atingiu alto padrão de excelência tecnológica e produtividade, o desafio atual é garantir que essa eficiência do portão para dentro seja acompanhada por uma gestão financeira madura e preventiva.

Uma safra rentável deve ser a oportunidade ideal para fortalecer o caixa, adquirir proteções e reduzir vulnerabilidades.

Afinal, a sustentabilidade do setor não depende apenas da capacidade de colher bem nas épocas de bonança, mas de garantir musculatura suficiente para atravessar os ciclos de crise. No campo, produzir com excelência é essencial, saber gerir o resultado é indispensável.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 14 Oct 2026 07:10:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Quem cuida de quem cuida?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/quem-cuida-de-quem-cuida/474596/</link>
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				<description><![CDATA[Olhar para uma tomada cheia de adaptadores e cabos ligados ao mesmo tempo ajuda a entender o que acontece com a gente no dia a dia.

Quando o cansaço bate forte, a gente costuma achar que a nossa força simplesmente acabou ou que não estamos dando conta. Mas quase nunca paramos para olhar o principal: quantas tarefas, cobranças e pessoas dependem dessa mesma fonte sem que ela tenha um tempo para respirar e se abastecer?

Essa conta pesa ainda mais para quem vive no papel de cuidar. Mães, pais, professores, profissionais da saúde e todas as pessoas que seguram a barra emocional de quem está ao redor acabam virando essa tomada central. O mundo espera que elas estejam sempre prontas, firmes e dispostas a resolver tudo.

O problema é que cuidar não pode ser um caminho de mão única. Quem cuida quase sempre guarda para si um recado silencioso: o de que o seu próprio cansaço, a sua dor e os seus limites podem esperar. O resultado disso é um esgotamento que ninguém vê, uma dor que não ganha espaço e o hábito de engolir o que se sente.

Nenhuma estrutura aguenta o tranco sem queimar quando é exigida além da conta. Por isso, olhar para quem cuida e oferecer suporte não é uma gentileza opcional, é o básico para que essa pessoa continue bem e de pé.

Essa missão não pode ficar nas costas de uma pessoa só. A família, o ambiente de trabalho e os amigos precisam enxergar o cuidador além da figura forte que resolve tudo. Ele também precisa de escuta, de momentos de pausa, de ajuda prática e de colo.

Antes de cobrar presença e entrega o tempo todo, precisamos abrir espaço para o descanso. Desconectar algumas tomadas, dizer não para o excesso e colocar limites não é egoísmo. É o único jeito de não deixar a nossa própria luz apagar.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 13 Oct 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[Voto feminino é uma história que vai além da eleição presidencial]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/voto-feminino-e-uma-historia-que-vai-alem-da-eleicao-presidencial/474595/</link>
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				<description><![CDATA[O debate sobre o voto feminino reúne questões de cidadania, autonomia e participação nas decisões públicas. No Brasil, esse direito foi reconhecido pelo Código Eleitoral de 1932 e incorporado à Constituição de 1934, após um processo de mobilização em que participaram mulheres como Bertha Lutz, bióloga, educadora, diplomata e política brasileira. Conhecer essa trajetória permite compreender que a presença feminina na política tem uma história de organização e reivindicação.

Hoje, as mulheres constituem a maioria do eleitorado brasileiro. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), são aproximadamente 83,9 milhões de eleitoras em 2026, equivalentes a 52,84% do total.

Essa maioria numérica, porém, reúne experiências, condições econômicas e posições políticas diversas. Não é um contingente homogêneo.

Também há diferenças na definição do voto. Em pesquisa do Datafolha divulgada em setembro, a pergunta espontânea sobre a eleição presidencial encontrou indecisão entre 32% das mulheres e 19% dos homens.

Paralelamente, as redes sociais deram visibilidade ao fenômeno das tradwives, influenciadoras que apresentam modelos de vida centrados na dedicação doméstica e em papéis tradicionais de gênero.

Pesquisas sobre essas criadoras de conteúdo examinam a tensão entre a promoção da dependência feminina e o trabalho comercial desenvolvido por elas próprias nas plataformas digitais. A escolha pessoal de se dedicar ao lar e a defesa de restrições à autonomia das mulheres são questões distintas.

A discussão sobre participação política, entretanto, abrange mais do que a disputa presidencial, pois as eleições em 2026 também abrangem os governos estaduais, o Senado, a Câmara dos Deputados e as assembleias estaduais e a Câmara Legislativa do Distrito Federal. Cada uma dessas instituições exerce atribuições próprias.

Na esfera federal, o Legislativo participa da elaboração das leis e da fiscalização do Executivo. A Câmara dos Deputados, por exemplo, atua no acompanhamento de despesas, na análise de contas e na fiscalização financeira e orçamentária. Essas funções ajudam a explicar por que a composição do parlamento tem consequências para a administração pública, independentemente de quem ocupa a Presidência.

A história do voto feminino e o funcionamento das instituições oferecem, assim, duas dimensões complementares para compreender as eleições: quem participa das escolhas públicas e quais poderes serão exercidos pelos representantes eleitos. Há um campo de discussão sobre cidadania e representação que vai além da polarização presidencial.

Madeleine Albright, política e secretária de Estado dos EUA entre 1997 e 2001, dizia que “há um lugar especial no inferno para mulheres que não ajudam outras mulheres”. A frase incomoda e talvez seja justamente esse o seu valor: colocar sob exame a distância entre defender a igualdade e abrir espaço para que outras participem das decisões.

Ser maioria entre quem vota e ter acesso aos espaços de poder são coisas diferentes. Essa distância merece atenção para além da disputa presidencial. Que obstáculos ainda limitam a participação feminina? Como a solidariedade entre mulheres convive com nossas diferenças políticas? E o que significa representação em uma sociedade na qual as experiências das mulheres são tão diversas?

Uma sociedade mais justa e equitativa passa também pela qualidade dessas respostas. O voto feminino tem uma história de conquistas, mas igualdade na participação pública continua sendo uma questão do presente.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 13 Oct 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Quando a ganância ameaça um paraíso ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/quando-a-ganancia-ameaca-um-paraiso/474593/</link>
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				<description><![CDATA[Mato Grosso do Sul construiu sua imagem nacional e internacional sob a promessa de um desenvolvimento sustentável, que harmoniza a força de seu polo industrial com a preservação de seus biomas.

Contudo, denúncias recentes em Aquidauana, mais precisamente contra a empresa Simasul, colocam essa narrativa à prova e acendem um grave alerta: até que ponto o crescimento econômico está sendo colocado acima da saúde pública, do bioma e do cumprimento das leis?

A representação protocolada contra a Simasul Siderurgia aponta irregularidades graves: a operação simultânea de dois altos-fornos sem a devida licença, produção de ferro-gusa acima dos limites autorizados e a ausência de monitoramento de emissões atmosféricas por mais de dois anos.

Para quem vive no entorno da fábrica, o problema não é só pó preto sobre as casas, ruído constante e receio quanto aos impactos da fuligem na saúde.

Diante disso, desenha-se um dilema inaceitável. Se o atropelo das normas ambientais visa acelerar a produção e maximizar lucros, estamos diante da ganância corporativa.

Se a permanência dessas falhas decorre da lentidão ou da conivência dos órgãos de controle em estancar os desvios, o diagnóstico é de incompetência institucional.

A resposta exige rigor em toda a cadeia de responsabilidades. A cobrança primária recai sobre o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), que não pode somente limitar sua atuação à concessão de licença prévia, vistorias burocráticas e laudos intermináveis – aí é onde a fiscalização precisa ser ágil e punitiva, em se confirmando as irregularidades.

No campo da engenharia, cabe ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul (Crea-MS) fiscalizar a conduta dos responsáveis técnicos e garantir o cumprimento estrito das Anotações de Responsabilidade Técnica (ART).

Neste espaço, não estamos aqui para condenar A ou B, mas simplesmente alertar o órgão (Imasul) e sua diretoria a fazer uma varredura no processo de concessão da licença e buscar o motivo de uma empresa desse porte trabalhar com tanta desenvoltura.

O fechar de olhos das instituições é o mesmo que ser conivente com o problema, e aí cabe recorrer ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul e exigir soluções.

A responsabilidade se estende também ao mercado comprador, em que existe uma sigla em voga que é o ESG – Environmental, Social and Governance (em português: Ambiental, Social e Governança).

As indústrias e as fundições que compram os materiais produzidos sob suspeita de irregularidade ambiental precisam assumir seu papel na governança e na rastreabilidade e, confirmando-se essa situação, suspender a compra dos produtos dessa empresa imediatamente.

Ao Imasul, cabe cassar a licença provisória que está virando fixa e lacrar os fornos e ao Crea-MS, suspender a carteira profissional dos profissionais envolvidos.
]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 13 Oct 2026 07:10:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Segunda época]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/segunda-epoca/474543/</link>
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				<description><![CDATA[Precisamente no século passado, quando ainda no colégio, eu era craque em desenho geométrico, embora “perna de pau” em matemática. Vivia um ano escolar de satisfação, pois a grade escolar considerava como média final de uma única matéria a soma das duas notas daquele saber acadêmico.

Até então eram essas as regras pedagógicas que foram alteradas no fim do ano e que para minha surpresa após os exames, passaria com elogio em desenho e seria reprovado com louvor em matemática. De nada adiantou o “jus sperneandi”, meu protesto, pois a decisão desfavorável transformaria a minha garantia em um infortúnio.

A parte mais difícil era revelar aos olhos do meu pai a ocorrência, a decepção, o súbito e justificar a frustração do resultado daquele fracasso retumbante e ouvir sobre o fato pesaroso, primeiro aquela preleção e a seguir a repreensão provável.

Pois bem, o que ouvi? – A segunda época foi feita para o aluno (palavras da salvação). Sabe o que significava? 

Significava uma segunda chance e ali já estaria posto tanto o rol das obrigações e das perspectivas negativas: o fim das férias, ter de estudar, fazer o dever de casa que não tinha feito, a possibilidade de mudar de escola e companheiros pelo fato de ficar atrasado, o valor das mensalidades dobradas que pesariam no orçamento, ouvir durante um ano a mesma “inana”, e o pior, a desconfiança sobre as expectativas que tinham sido colocadas sobre meus ombros, como a oportunidade de mostrar a habilidade de aceitar e driblar as vicissitudes da vida juvenil. 

Tudo se acertou, e felizmente compreendi que na vida não existe certeza, pois a incerteza nos ronda e não podemos adivinhar o futuro, embora devamos ter a capacidade de adaptação ao desafio e gerenciar a rotina diária.

Metaforicamente trazendo essa lembrança para o contexto das eleições e o resultado atual, posso dizer que o segundo turno nas eleições nada mais é que uma segunda época. 

Uma chance para corrigir as falhas de planejamento separando-as dos fatores externos, avaliar friamente que se sucedeu, o que foi errado, fazer autocritica sem apegar-se ao resultado negativo, e considerar que a reprovação não é um ponto final e sim uma oportunidade de rebater o fracasso a partir de uma nova perspectiva e atitude desenhando a estratégia a ser assumida.

Mudar a abordagem, tentar com ferramentas mais afiadas, evitar inteligentemente a persistência na teimosia cega é o combustível que move os realizadores diante dos obstáculos, pois o triunfo não pertence a quem não cai, mas a quem domina a arte de se levantar mais forte depois do tombo.

Analistas políticos afirmam que parcelas da população canalizaram falsamente suas frustrações socioeconômicas contra o sistema político estabelecido, e que supostamente falhou em entregar estabilidade e o crescimento sustentável, uma narrativa desleal, incluindo mentiras sobre a precarização dos serviços públicos e de salários irreais.

Com discursos xenofóbicos, negacionistas e fascistas sempre relacionados na tríade, ordem, pátria e segurança os movimentos da direita ganham força sub-repticiamente. E assim alimentam o medo sobre o descontentamento dos bens materiais e os valores tradicionais consolidando sua principal força de contestação e poder.

Para enfrentar e passar no segundo turno, e conquistar indecisos, os progressistas devem se travestir das mesmas ideias propostas pelos seus adversários políticos, como concentrar sua comunicação digital em um número reduzido de temas e produzir conteúdo adaptado para esses formatos dinâmicos, saindo das bolhas tradicionais de mídia escrita acadêmica e serem repetidos e diretos para a fixação das narrativas.

Importante é substituir termos técnicos por uma linguagem simples e universal pautando as decisões governamentais que afetam diretamente a renda e o bem-estar familiar e ter em mente que o radicalismo costuma afastar o cidadão moderado. A prática mostra que se deve evitar o confronto de crenças pessoais, mantendo o foco estrito no papel social do Estado e combatendo boatos de viés anticlerical e saber que o radicalismo costuma afastar o cidadão moderado, todavia sempre alertando sobre as conquistas reais com propostas concretas e as relacionadas ao futuro do emprego, bem-estar e os direitos sociais. 

A direita tem demonstrado vantagem estratégica no uso das redes sociais e na comunicação digital direta ao capturar os anseios das novas gerações de eleitores, e pautar costumes em defesa da família tradicional e dos valores religiosos para os mais velhos. 

Considerar tais objetivos será um ponto de partida para uma virada no segundo turno eleitoral, valendo-se do aprendizado para quem entendeu o significado da segunda época.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 12 Oct 2026 08:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Proibição sob pressão dos vizinhos]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/proibicao-sob-pressao-dos-vizinhos/474542/</link>
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				<description><![CDATA[A abertura dos mercados da Argentina e do Paraguai a alternativas ao cigarro convencional impõe ao Brasil um desafio que já não pode ser tratado apenas sob a ótica da proibição. Como mostramos nesta edição, os países vizinhos passaram a permitir produtos como cigarros eletrônicos, dispositivos de tabaco aquecido e bolsas de nicotina. Embora alguns contenham nicotina, essas alternativas buscam eliminar ou reduzir a combustão, responsável pela produção de diversas substâncias tóxicas presentes na fumaça do cigarro tradicional.

A decisão dos vizinhos representa um xeque-mate para a política brasileira? Talvez ainda não, mas torna mais difícil sustentar uma estratégia que convive com a oferta clandestina e a ausência de um mercado legal regulado. Se mantiver as restrições, o Brasil corre o risco de ampliar o espaço para o contrabando e a comercialização de produtos sem controle adequado de procedência, composição e qualidade, afinal, a proibição não impede que mercadorias atravessem as fronteiras.

Quando existe demanda por produtos proibidos, o comércio ilegal encontra meios de atender os consumidores. Isso não significa que a liberação acabará com o contrabando, mas evidencia que proibir não elimina o consumo nem garante, por si só, a proteção da população.

A regulamentação precisa, portanto, entrar no debate sem preconceitos ou conclusões antecipadas. Os defensores dessas alternativas argumentam que a ausência de combustão pode reduzir a exposição a determinadas substâncias tóxicas. A indústria, naturalmente, tem interesse comercial na expansão desse mercado e suas alegações precisam ser avaliadas com rigor científico e independência.

Também é necessário reconhecer que esses produtos não são inofensivos. A nicotina causa dependência, e os riscos variam conforme a tecnologia, a composição e a forma de consumo. Reduzir a exposição a algumas substâncias não significa comprovar segurança, tampouco justifica recomendar esses produtos a quem não fuma. Proteger crianças, adolescentes e não fumantes deve continuar sendo prioridade.

Ainda assim, tratar todas as formas de consumo de nicotina como se fossem idênticas não contribui para uma política pública eficiente. Uma eventual regulamentação poderia estabelecer padrões de fabricação, rastreabilidade, tributação, restrições à publicidade, controle de acesso e fiscalização. Poderia também gerar arrecadação e oferecer instrumentos para combater o comércio clandestino.

O Brasil precisa superar os vieses que contaminam essa discussão. Nem as promessas comerciais da indústria devem ser aceitas sem questionamento nem a proibição pode ser considerada eficaz apenas por existir. As decisões precisam se apoiar em evidências científicas independentes.

A pergunta que se impõe é objetiva: vale a pena proibir produtos cuja procura persiste e cuja oferta já encontra espaço nos países vizinhos? A resposta exige avaliar riscos, custos e benefícios, sem confundir regulamentação com incentivo ao consumo. O compromisso do poder público deve ser com a saúde da população, e isso exige políticas capazes de enfrentar a realidade, em vez de simplesmente ignorá-la.
]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 12 Oct 2026 08:00:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Tsunami conservador]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/tsunami-conservador/474478/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/tsunami-conservador/474478/</guid>
				<description><![CDATA[O primeiro turno selou mais do que um resultado eleitoral, consagrou uma transfiguração profunda na geografia política do Brasil. O avanço avassalador de candidaturas de direita e centro-direita no Congresso e nos governos estaduais reconfigurou os eixos de poder da República.

Trata-se de um verdadeiro tsunami conservador, movido por uma indignação social articulada. Contudo, para compreender a real magnitude dessa onda, é preciso olhar para a Praça dos Três Poderes: o Supremo Tribunal Federal (STF) se tornou o principal catalisador desse processo por um clássico efeito bumerangue.

Ao longo dos últimos anos, a corte assumiu um protagonismo atípico na vida pública nacional. Sob o pretexto de resguardar a ordem constitucional, o STF frequentemente ultrapassou as fronteiras da autocontenção.

A judicialização ostensiva – marcada por condenações severas, restrições de fala, bloqueios de redes e intervenções na reta final – encontrou contraste direto na anulação dos processos da Lava Jato, que devolveram Lula ao jogo.

Onde a toga alegou técnica processual, o eleitor leu perseguição e blindagem seletiva. Ao trocar a neutralidade de árbitro pela tutela política, o ativismo judicial converteu sanção em “efeito mártir” e transformou a rejeição ao STF no combustível eleitoral mais potente do País.

As urnas refletiram esse embate com precisão matemática. Flávio Bolsonaro liderou a corrida presidencial com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula, mandando a decisão para 25 de outubro.

Enquanto o herdeiro somou cinco milhões de votos a mais do que o pai em 2022, o incumbente perdeu 3,4 milhões e registrou o pior desempenho petista na etapa inicial desde 1998.

Nos estados, a onda foi igualmente avassaladora: das 20 disputas resolvidas de primeira, 13 consagraram nomes de direita, com vitórias expressivas de Tarcísio de Freitas em São Paulo, Sergio Moro no Paraná e Cleitinho Azevedo em Minas Gerais, isolando o PT em sua cidadela nordestina.

A reação popular utilizou o sufrágio como o instrumento mais legítimo de freios e contrapesos.

O Senado, arena constitucional para o controle do Judiciário, entregou a resposta com máxima nitidez institucional: o PL elegeu 19 senadores e atingirá 28 cadeiras em 2027 – o triplo da bancada do PT.

Com aliados do PP, Republicanos, União e Novo, o bloco conservador aproxima-se de 60% do plenário.

Vitórias no Distrito Federal, com Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, e em Santa Catarina, somadas à eleição de críticos contundentes como Deltan Dallagnol e Marcel van Hattem, estruturam a maioria necessária para impor sabatinas rigorosas, limitar decisões monocráticas e pautar eventuais impeachments.

Na Câmara, o PL atingiu o recorde de 121 deputados federais, puxado por votações históricas de Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato.

A história demonstra que decisões judiciais não substituem a soberania popular nem pacificam controvérsias pela coerção. Ao tentar governar o conflito político, o STF acabou acelerando o levante que pretendia conter.

O tsunami eleitoral deixa um recado indiscutível para a República: quando a toga invade o terreno da política, a democracia reage e as urnas se encarregam de reestabelecer a vontade popular.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 10 Oct 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Reforma tributária imporá a Mato Grosso do Sul uma nova estratégia de desenvolvimento]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/reforma-tributaria-impora-a-mato-grosso-do-sul-uma-nova-estrategia-de/474477/</link>
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				<description><![CDATA[Durante décadas, Mato Grosso do Sul, assim como outros estados brasileiros, utilizou os incentivos fiscais como instrumento central para a atração de investimentos. Reduzir tributos se tornou o caminho mais acelerado para atrair indústrias, centros de distribuição e novos empreendimentos.

Esse modelo ajudou a impulsionar setores importantes da economia sul-mato-grossense, gerando empregos, interiorizando oportunidades e, ainda que de forma aparentemente contraditória, ampliando, por vezes, a arrecadação. No entanto, esse arranjo está com os dias contados.

Uma transformação profunda na estratégia de atração de investimentos será necessária caso o Estado queira manter a exitosa trajetória de crescimento econômico das últimas décadas.

Com a reforma tributária em curso, a lógica da competição entre os estados será alterada.

A transição para um sistema baseado na tributação no destino, e não na origem, bem como, a vedação de novos incentivos e benefícios fiscais, reduz significativamente o espaço para concessões fiscais como ferramenta central de desenvolvimento regional.

Isto é, MS, assim como outros estados que souberam utilizar bem esse instrumento, precisará reinventar sua estratégia de crescimento. É importante ressaltar que isso não significa uma perda inevitável, mas sim uma transição de modelo.

Nesse contexto, o novo cenário exige que MS substitua vantagens “artificiais” por vantagens estruturais. Em vez de competir oferecendo menos impostos, precisará competir oferecendo mais eficiência, um ambiente de negócios sólido, capital humano qualificado, logística moderna e capacidade de inovação.

Essa mudança, se bem conduzida, pode inclusive fortalecer o estado a longo prazo.

Mato Grosso do Sul possui ativos valiosos, localização estratégica no centro da América do Sul, forte base agroindustrial, fronteira internacional, potencial energético, segurança relativa e vocação para integrar cadeias produtivas do agronegócio, da indústria e da bioeconomia.

O desafio, agora, será transformar essas qualidades em políticas consistentes e continuadas.

Portanto, a Reforma Tributária não precisa ser encarada como um freio ao desenvolvimento do Estado, mas como o catalisador de um novo ciclo de desafios.

Talvez, a chave para o sucesso dessa transição dependerá da capacidade do setor público e privado de atuarem em sintonia, convertendo planejamento estratégico e fomento a inovação em entregas concretas.

A construção e fortalecimento desse ambiente moderno inovativo garantirá não apenas a atração de novos investimentos, mas um crescimento robusto e sustentável para as próximas gerações.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 10 Oct 2026 07:25:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[MS: 49 anos e um futuro promissor]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/ms-49-anos-e-um-futuro-promissor/474464/</link>
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				<description><![CDATA[Mato Grosso do Sul completa 49 anos de criação com motivos para olhar para o futuro com otimismo. Desde a virada do milênio, o Estado passou por transformações profundas, que ganharam força na última década, especialmente com o avanço da industrialização e a diversificação de sua economia.

O aniversário é uma oportunidade não apenas de reconhecer o caminho percorrido, mas também de refletir sobre os desafios e as oportunidades que se apresentam para os próximos anos.

A transformação econômica é inegável. Os indicadores macroeconômicos traduzem o crescimento da produção, a atração de investimentos e a ampliação da atividade industrial. Mas o desenvolvimento não se resume a números, gráficos e estatísticas.

Ele também pode ser percebido na realidade das cidades, nas mudanças da paisagem urbana, na expansão de atividades produtivas e nas oportunidades que surgem em diferentes regiões sul-mato-grossenses.

O Estado que chega aos 49 anos é muito diferente daquele que atravessou as últimas décadas do século passado. A força do agronegócio continua sendo um dos pilares de sua economia, mas a industrialização passou a ocupar espaço cada vez maior.

Os investimentos em cadeias produtivas, especialmente na celulose, ampliam a perspectiva de crescimento e ajudam a consolidar Mato Grosso do Sul como destino de grandes empreendimentos.

O mais importante, contudo, é que as perspectivas para os próximos anos permanecem positivas. Há bilhões de reais em investimentos contratados, com potencial para movimentar a economia, gerar empregos, ampliar a arrecadação e estimular novos negócios.

Esse cenário oferece uma base concreta para o planejamento do futuro, mas também exige responsabilidade e capacidade de transformar crescimento econômico em benefícios duradouros para a população.

É justamente nesse ponto que Mato Grosso do Sul precisa avançar. Se o desenvolvimento econômico já está em curso, o próximo passo deve ser fortalecer o desenvolvimento humano.

Isso significa ampliar a qualidade da educação, qualificar trabalhadores, melhorar os serviços de saúde, investir em ciência e tecnologia e criar condições para que a população participe das oportunidades abertas pela expansão produtiva.

O crescimento, afinal, não pode ser medido apenas pelo volume de recursos investidos ou pelo tamanho das empresas que se instalam no Estado.

É necessário observar em que medida essa riqueza contribui para melhorar a vida das pessoas, reduzir desigualdades e ampliar as possibilidades de realização profissional e pessoal. Quanto mais preparado estiver o capital humano, maior será a capacidade de Mato Grosso do Sul de sustentar o seu desenvolvimento.

A tarefa não cabe exclusivamente ao poder público ou à iniciativa privada. Depende também do empenho de cada sul-mato-grossense, seja no trabalho, nos estudos, na pesquisa ou na produção de conhecimento.

Aos 49 anos, Mato Grosso do Sul tem uma trajetória de conquistas a reconhecer e oportunidades a aproveitar.

O otimismo se justifica pelas perspectivas que se abrem, mas precisa caminhar unido ao compromisso de construir uma sociedade mais desenvolvida e preparada.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 10 Oct 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A nova revisão previdenciária no STJ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-nova-revisao-previdenciaria-no-stj/474383/</link>
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				<description><![CDATA[Uma recente decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reacendeu a atenção dos aposentados para o cálculo dos benefícios previdenciários.

Ao julgar o REsp 2.193.427/RS, a Segunda Turma do STJ afastou, no caso concreto, a aplicação do chamado divisor mínimo e reconheceu o direito à revisão da renda mensal inicial, com o pagamento das diferenças decorrentes do novo cálculo.

A decisão é relevante. Mas talvez seja ainda mais importante explicar aquilo que ela não representa. Não estamos diante de uma nova versão da chamada revisão da vida toda nem de uma tese aplicável indistintamente aos aposentados que possuem contribuições anteriores a julho de 1994.

A distinção é fundamental para evitar que uma decisão judicial importante produza, pela forma como é divulgada, uma expectativa maior do que o próprio julgamento autoriza.

O entendimento pode beneficiar determinados segurados, especialmente aqueles que se aposentaram no período posterior à reforma da Previdência, mas depende de circunstâncias específicas.

O caso analisado pelo STJ envolvia segurado com mais de 15 anos de contribuição anteriores a julho de 1994 e cujo benefício foi concedido após a entrada em vigor da Emenda Constitucional (EC) nº 103/2019.

A reforma da Previdência estabeleceu, em seu artigo 26, uma nova sistemática de cálculo. Como regra, passou-se a considerar a média aritmética simples dos salários de contribuição existentes desde julho de 1994.

A própria emenda, entretanto, admitiu o descarte de contribuições que reduzissem o valor do benefício, desde que preservado o tempo mínimo de contribuição exigido.

É justamente nesse ponto que surgiu a controvérsia.

O chamado divisor mínimo funciona como mecanismo para impedir que um número reduzido de contribuições posteriores a julho de 1994, especialmente quando realizadas sobre valores elevados, produza uma média artificialmente mais vantajosa.

No caso analisado, porém, o STJ considerou as particularidades do período entre a entrada em vigor da EC nº 103, em 13 de novembro de 2019, e a alteração legislativa promovida pela Lei nº 14.331/2022.

Na interpretação adotada pela Segunda Turma, nesse intervalo não havia base legal para impor o divisor mínimo na forma aplicada ao segurado.

Com seu afastamento, tornou-se possível aplicar a regra de descarte prevista na própria reforma, o que resultou, no caso concreto, em aumento da renda mensal inicial.

É aqui que começa a principal distinção.

A chamada revisão da vida toda partia de uma discussão diferente: permitir que contribuições realizadas antes de julho de 1994 também integrassem o período básico de cálculo do benefício. O objetivo era incluir na média os salários anteriores ao Plano Real.

A decisão agora proferida pelo STJ não faz isso.

As contribuições anteriores a julho de 1994 não passam a integrar a média por força desse julgamento, elas assumem importância, em determinadas situações, para demonstrar que o segurado já possuía tempo contributivo suficiente e, assim, poderia descartar contribuições posteriores sem comprometer o requisito necessário à aposentadoria.

São, portanto, discussões juridicamente distintas. Na revisão da vida toda, pretendia-se ampliar o período básico de cálculo para alcançar contribuições anteriores a julho de 1994.

Na controvérsia apreciada pelo STJ, discute-se a aplicação do divisor mínimo e a possibilidade de descarte de contribuições dentro da sistemática introduzida pela reforma da Previdência.

Confundir as duas teses significa criar expectativa justamente entre pessoas que, em muitos casos, não estão abrangidas pelo novo entendimento.

Quem se aposentou antes da reforma precisa ter atenção especial. A decisão não cria, para esses segurados, uma nova possibilidade de revisão baseada no julgamento. A controvérsia nasce da sistemática instituída pela EC nº 103/2019.

O aposentado que teve o benefício concedido antes de 13 de novembro de 2019 não pode simplesmente utilizar essa decisão para pedir a retirada de contribuições ou o afastamento do divisor mínimo.

Isso é particularmente importante porque muitos dos segurados que possuem contribuições anteriores a julho de 1994 também se aposentaram antes da reforma. Para eles, a existência de contribuições antigas, por si só, não produz o direito reconhecido nesse julgamento.

E mesmo entre os aposentados depois da reforma não existe uma revisão automática.

O período especialmente relevante está entre 13 de novembro de 2019, data de entrada em vigor da EC nº 103, e 5 de maio de 2022, quando passou a vigorar a Lei nº 14.331/2022, que disciplinou expressamente o divisor mínimo de 108 contribuições para essa situação.

Não basta, portanto, localizar no CNIS uma ou duas contribuições anteriores a julho de 1994 e concluir que existe direito à revisão. No processo analisado pelo STJ, o segurado possuía mais de 15 anos de contribuição anteriores a esse marco.

Essa circunstância era essencial para que determinadas contribuições posteriores pudessem ser descartadas sem comprometer o requisito necessário à aposentadoria.

A análise precisa ser individual.

É necessário verificar a data em que o segurado completou os requisitos, a data de concessão do benefício, a legislação aplicada, o histórico contributivo antes e depois de julho de 1994, a eventual aplicação do divisor mínimo e, principalmente, se o descarte efetivamente produz aumento da renda mensal.

Uma revisão previdenciária não nasce de uma manchete, nasce de um cálculo.

O Direito Previdenciário talvez seja um dos campos em que uma única data pode alterar completamente uma conclusão jurídica. Neste caso, três marcos temporais são essenciais: julho de 1994, 13 de novembro de 2019 e 5 de maio de 2022.

O primeiro delimita o período utilizado para a formação da média; o segundo inaugura a sistemática de cálculo trazida pela reforma da Previdência; e o terceiro marca a alteração legislativa que voltou a disciplinar expressamente o divisor mínimo.

Depois de toda a controvérsia em torno da revisão da vida toda, há também uma lição de comunicação previdenciária. Decisões judiciais importantes precisam chegar aos segurados, mas devem chegar acompanhadas de seus limites.

Esta não é a volta da revisão da vida toda. É outra discussão, envolvendo outro grupo de segurados e outro período legislativo. Compreender essa diferença é o primeiro passo para transformar uma decisão judicial relevante em informação previdenciária responsável.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 09 Oct 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Hora de tirar a logística do papel]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/hora-de-tirar-a-logistica-do-papel/474382/</link>
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				<description><![CDATA[Passadas as eleições, é hora de largar os panfletos e focar o que realmente impacta o cotidiano de Mato Grosso do Sul. O pleito ficou para trás, os palanques se desfizeram e, agora, a cobrança sobre os parlamentares e os governantes eleitos precisa ganhar um endereço claro: a infraestrutura.

O Estado não pode mais tolerar anos e décadas de adiamentos, chegou o momento de discutir o que sustenta o nosso desenvolvimento e exigir que os projetos estratégicos de logística saiam de vez das promessas e entrem na fase de conclusão.

Mato Grosso do Sul vive um momento crucial de expansão econômica, movido pelo agronegócio pujante, o avanço da industrialização e o crescimento das exportações. No entanto, nenhum estado evolui de patamar se continuar preso a gargalos logísticos históricos.

Para crescer de maneira sustentável e competitiva, precisamos de saídas eficientes, rápidas e baratas para a nossa produção, é isso que a população espera de quem assumiu o compromisso de nos representar.

O exemplo mais emblemático dessa urgência é a Rota Bioceânica. Trata-se de um projeto revolucionário, que transformará Mato Grosso do Sul no grande hub logístico da América do Sul, encurtando distâncias com o mercado asiático e abrindo novos horizontes comerciais.

As bases estão encaminhadas e os acordos, firmados, mas o ritmo atual exige mais celeridade. Não podemos permitir que burocracias ou falta de articulação política desacelerem um empreendimento vital para o futuro do nosso estado.

Na mesma linha de prioridade está a arrastada situação da Malha Oeste. A ferrovia, que já foi sinônimo de progresso, hoje permanece travada em um impasse que arrasta prejuízos regionais. O setor produtivo e a população precisam de um encaminhamento definitivo para o trecho.

O que não dá mais para aceitar é a inércia: a logística sul-mato-grossense precisa de respostas concretas, ainda que a decisão final seja um “não” para a relicitação nos moldes atuais, permitindo que outros caminhos e alternativas sejam traçados sem perda de tempo.

A liderança política recém-eleita precisa compreender que o tempo da infraestrutura não aceita o compasso da morosidade institucional. Cada mês de atraso nas obras de escoamento se traduz em custo-frete mais alto para quem produz e em perda de atratividade para novos investimentos.

A bancada federal e os gestores estaduais têm em mãos a oportunidade – e o dever – de formar uma frente unida em Brasília, transformando os pleitos da nossa malha viária e ferroviária em pauta prioritária na ordem do dia nacional.

Avançar em logística significa gerar empregos, baratear o escoamento, atrair indústrias e fazer o dinheiro circular na economia local, afetando diretamente a vida de cada cidadão. O voto depositado nas urnas carrega a expectativa de resultados práticos.

Passado o período eleitoral, o compromisso dos nossos líderes deve ser com o desenvolvimento real de Mato Grosso do Sul, tirando os gargalos do caminho e garantindo o futuro que nosso estado merece.
]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 09 Oct 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[É preciso devolver tempo à leitura]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/e-preciso-devolver-tempo-a-leitura/474302/</link>
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				<description><![CDATA[Nunca tivemos tanto acesso a textos e informações. Ainda assim, os resultados de proficiência em leitura vêm piorando consistentemente.

Os dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) são um alerta. Entre 35 países da organização com resultados comparáveis, a média de leitura no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) caiu 25 pontos entre 2018 e 2025: de 486 para 461 pontos.

No Brasil, o desempenho ficou praticamente estável em relação a 2022 e próximo do patamar observado desde 2015. Mas estabilidade está longe de ser motivo para conforto: em 2025, os estudantes brasileiros alcançaram 408 pontos, 53 abaixo da média da OCDE.

Nossa mente tende a buscar explicações simples. O problema seriam as telas? A pandemia? A escola? A família? A inteligência artificial? Provavelmente há vários fenômenos sobrepostos. Identificar causas plausíveis é importante, mas isso, por si só, não resolve o problema.

Há uma pergunta mais incômoda: quanto tempo estamos reservando para que crianças e jovens leiam? E nós mesmos, adultos?

Não tempo para estudar para uma prova, ler o livro obrigatório do bimestre ou produzir um resumo. Tempo para curtir uma boa história, descobrir um autor, escolher o que ler. Formar um leitor exige prática. E prática exige tempo.

A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, de 2024, ajuda a dimensionar a questão. Dos entrevistados, 53% não haviam lido sequer parte de um livro nos três meses anteriores. Entre os leitores que gostariam de ter lido mais, 46% citaram a falta de tempo.

Esses dados não permitem concluir que a falta de tempo explique, isoladamente, a baixa leitura no Brasil. Mostram, porém, que tempo não é uma questão abstrata.

Devemos discutir também a relação da escola com os livros. Frequentemente, lê-se para responder, resumir ou ser avaliado. Tudo isso tem importância pedagógica. Mas, se toda leitura termina em uma tarefa, o livro corre o risco de virar apenas obrigação.

Nos colégios do Grupo Positivo, reservamos 20 minutos diários para leitura por prazer no Ensino Fundamental. O estudante tem tempo, estímulo e liberdade para escolher: pode começar por quadrinhos, descobrir um autor, interessar-se por um romance ou abandonar um livro que não o conquistou.

Não partimos da premissa de que 20 minutos produzirão, isoladamente, melhora nos indicadores acadêmicos. Esse efeito precisa ser medido. A ideia é simples: é inviável criar o hábito de fazer algo para o qual nunca reservamos tempo.

Esse trabalho também passa pela família. Pais e mães não precisam transformar a casa em sala de aula. Podem tornar a leitura visível. Ver os adultos lendo e ouvir conversas sobre livros mostra à criança que ler faz parte da vida. A responsabilidade não é apenas das famílias; escolas e bibliotecas continuam fundamentais.

Ler um texto longo também exige atenção: acompanhar um argumento, recuperar algo lido páginas atrás e continuar mesmo quando compreender exige esforço. Ler um livro é também aprender a não trocar de assunto a cada poucos segundos.

A inteligência artificial reforça essa necessidade. Quanto mais fácil se torna produzir respostas, mais importante é avaliá-las criticamente, comparar fontes e distinguir uma resposta convincente de uma informação confiável.

Vinte minutos não resolverão a queda da proficiência leitora. Não é essa a proposta. Antes de exigir que uma criança ou jovem leia melhor, precisamos garantir condições para que ela se torne leitora: livros ao alcance das mãos, estímulo para ler, alguma liberdade de escolha, adultos que tornem a leitura visível e tempo para abri-los.
]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 08 Oct 2026 08:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Como a história de um homem comum transformou a moda no Brasil ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/como-a-historia-de-um-homem-comum-transformou-a-moda-no-brasil/474303/</link>
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				<description><![CDATA[Progredir em uma profissão exige foco, empenho e conhecimento. No entanto, não é preciso ser famoso para conquistar reconhecimento. Quando exercido com propósito e dedicação, o trabalho vai além da geração de renda e torna-se uma ferramenta essencial para transformar realidades.

A trajetória do alfaiate Vittorio Ficara ilustra essa determinação. Italiano nascido no Egito, ele atravessou o Atlântico e chegou ao Brasil, estabelecendo-se no Rio de Janeiro. É a história de um homem comum que revela como essa profissão pode contribuir para a construção de uma vida digna e para a definição de um lugar na sociedade. É uma história de vida, marcada por guerra, imigração, reconstrução e amor.

Sua caminhada teve como força principal a persistência, aliada à capacidade de enfrentar e superar situações das mais adversas, com uma habilidade laboral e inventiva extraordinária, movida por seu espírito otimista e resiliente, que o levou a enfrentar situações adversas e transformou dificuldades em possibilidade de recomeço.

Alfaiate exclusivamente masculino, Vittorio chegou ao Brasil sem referências, construiu sua trajetória até ingressar na então renomada Casa Canadá de Luxe, um estabelecimento de moda feminina, que ele ainda não conhecia.

Seu preparo técnico, aprendido e praticado no Egito, foi decisivo para esta conquista e lhe permitiu não só ingressar no estabelecimento, onde atuou na modelagem feminina, como também compartilhou seu conhecimento com a equipe, formando novos profissionais.

Com certeza, seu perfeccionismo e sua dedicação contribuíram para o desenvolvimento técnico e profissional da costura.

A trajetória de Vittorio não é apenas uma narrativa. Vai além de uma história pessoal. Ela preserva um legado, marcado por passagens históricas, sociais e emocionais do século 20, que transformam a sua caminhada em testemunho e memória a serem transmitidos.

Mas, principalmente, a sua experiência mostra a importância da profissão no Brasil e deixa uma mensagem para quem enfrenta períodos de incertezas: é preciso continuar em frente, mesmo diante das dificuldades.

Como ele dizia: “Um dos segredos para sobreviver é ter a habilidade de continuar e não de se sentir um náufrago. Sempre há uma saída”.
]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 08 Oct 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Saúde precisa entrar na pauta eleitoral]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/saude-precisa-entrar-na-pauta-eleitoral/474301/</link>
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				<description><![CDATA[A saúde precisa voltar a ocupar o centro da agenda dos políticos. Nesta eleição, muito pouco se falou sobre um dos principais motivos de insatisfação da população de baixa e média renda: a dificuldade para conseguir atendimento de qualidade na saúde pública.

Essas camadas da população são as que mais dependem do sistema público. Quando precisam de atendimento, não têm a alternativa de recorrer ao serviço privado. Dependem de uma estrutura que, muitas vezes, não consegue responder à demanda.

Talvez por falta de representação política, essa parcela da sociedade não esteja sabendo ou conseguindo canalizar suas insatisfações. O problema é sentido diariamente, mas nem sempre se transforma em uma reivindicação organizada ou em um debate capaz de produzir respostas.

Ela, porém, canaliza sua insatisfação na urna. Se a saúde está ruim, o eleitor pode votar pela mudança. Muitas vezes, não vota necessariamente em quem apresenta uma proposta concreta para melhorar a saúde. Vota simplesmente para mudar, como forma de manifestar seu descontentamento.

Nesta semana, o Correio do Estado publicou mais uma reportagem sobre a Santa Casa de Campo Grande e as dificuldades enfrentadas pela população para conseguir atendimento. O hospital é referência para milhares de pessoas e enfrenta problemas que não podem ser ignorados. Mas a questão não termina ali.

O problema se espalha pela saúde básica. Falhas na atenção primária, demora e falta de estrutura pressionam os hospitais e tornam ainda mais difícil o atendimento. É preciso corrigir isso.

E não existe solução simples. A melhoria da saúde pública depende de políticas públicas, planejamento, gestão eficiente e definição clara de prioridades. Não basta anunciar investimentos. É preciso saber onde estão os gargalos e cobrar resultados.

Por isso, chega o momento de a população cobrar dos políticos. A eleição ainda não acabou. Há um segundo turno presidencial pela frente, e os candidatos que disputam a Presidência precisam responder a uma pergunta que interessa diretamente a milhões de brasileiros: quais são suas propostas para a saúde pública?

Não basta falar em mudanças de forma genérica. É preciso explicar como pretendem ampliar o atendimento, reduzir filas, melhorar a atenção básica, fortalecer os hospitais e garantir que o cidadão tenha acesso ao serviço quando precisar.

A saúde não pode ser lembrada apenas em uma eleição ou quando uma crise ganha repercussão. Ela precisa estar permanentemente na agenda pública. Afinal, para quem depende do SUS, saúde não é uma promessa de campanha. É uma necessidade diária.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 08 Oct 2026 07:10:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Supremo Tribunal Federal e a democracia]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/supremo-tribunal-federal-e-a-democracia/474204/</link>
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				<description><![CDATA[As cenas do julgamento no plenário da Suprema Corte ocasionaram reações, da perplexidade à fúria, entre os operadores do Direito. Nunca uma sessão de julgamento havia causado indignação similar à atual, na mídia escrita e falada.

O pessimismo tomou conta dos advogados, bem como, em geral, das conversas em cafés e restaurantes. Em ano de eleições, a temática logo alcançou as campanhas políticas.

Não posso concordar com o sentimento coletivo de frustração com o STF que venha a nos paralisar. É preciso entender o Estado de Direito como algo dinâmico e saber avaliar que a Constituição da República necessita de melhorias. Faz quase 40 anos da promulgação.

Mostra-se inútil subjetivar as questões e inflamar proposições fora do processo democrático. Temos, sim, de examinar no plano dos fatos o que está errado, para depois aprimorar o Direito. O STF passou a ser – o que se apresenta muito positivo para a evolução do País – um problema de interesse do povo.

Saiu das lamúrias da elite intelectual para ocupar os diálogos da sociedade, inquieta frente ao que assistiu.

Na verdade, não é simples diagnosticar o que se deu com o STF e com a respectiva composição. Mas, a crise do presidencialismo e a fisiologia estabelecida entre governo federal e Senado contribuíram, sobremaneira, para a obsolescência dos critérios quanto a quem pode integrar a Corte (art. 101, da CF/1988).

De qualquer modo, sem nos encantarmos com os populismos que se oferecem à salvação nacional, cuidemos de pressionar o Poder Legislativo para remodelar o que não funciona na Suprema Corte. Cabe à parte importante dos brasileiros debater e se perguntar onde se errou na Constituição de 1988.

Nesse ponto, encontram-se na ordem do dia: melhorar critérios de escolha; alterar a forma de indicação, hoje exclusiva do presidente da República; impor prazo para o exercício da função; e, alguns sugerem, aumentar a idade mínima para ocupar o cargo de ministro da Corte.

Também importa debater a competência jurisdicional, a redução do foro em razão da função, a limitação das decisões monocráticas e a posição do regimento interno do STF no sistema jurídico-Constitucional.

Diante da balburdia de interpretações, exibida em idas e vindas ao sabor do momento político, resta-nos clamar por Constituição e leis. Sim, a crise contemporânea nos tornou mais positivistas, melhor cada qual confessar.

Todos sentimos o amargor do neoconstitucionalismo à brasileira, tão ao gosto de alguns magistrados-estrela.

Enfim, o destino nos impõe o olhar para o futuro.

Quem sabe se possa criar comissão de notáveis com o fim de propor novas previsões no texto Constitucional quanto à Alta Corte.

Os presidentes da República, do Senado e da Câmara têm poderes para instituir tais comissões, ainda que tenham somente caráter consultivo. Afinal, devem ser respeitadas as normas tocantes à iniciativa e à aprovação de emenda constitucional (art. 60, da CF/1988).
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 07 Oct 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Do sistema de controle ao sistema de integridade]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/do-sistema-de-controle-ao-sistema-de-integridade/474202/</link>
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				<description><![CDATA[Acompanhei as discussões do 22º Encontro Nacional de Controle Interno, realizado nos dias 16 e 17 de setembro pelo Conaci, organização que congrega órgãos de controle interno de todo o Brasil. O encontro evidenciou uma transformação na forma de compreender o controle interno.

Auditoria, fiscalização, correição e responsabilização continuam indispensáveis. Mas já não bastam para representar toda a contribuição que hoje se espera dos órgãos de controle interno.

Se fosse preciso sintetizar o movimento revelado pelo encontro, diria que estamos ampliando uma lógica de sistema de controle em direção a uma lógica de sistema de integridade. Não porque controlar tenha se tornado menos importante, mas porque integridade amplia o olhar para as condições que favorecem boas decisões e comportamentos íntegros.

A confiança é uma dessas condições. Na abertura do encontro, Michel Alcoforado colocou-a no centro da discussão. Quando a desconfiança se torna a premissa, a resposta tende a ser mais controle e burocracia.

Ocorre que controles baseados predominantemente na suspeita podem reduzir engajamento e cooperação, enfraquecer a cultura de integridade e alimentar novas razões para desconfiar.

Romper esse ciclo não significa controlar menos. Bons controles reduzem arbitrariedades, aumentam a previsibilidade e ajudam a construir confiança institucional. Mas controle, por si só, não produz integridade.

Uma atuação mais madura precisa considerar também as condições que influenciam decisões e comportamentos.

Essa evolução aparece no Modelo de Maturidade das Unidades Centrais de Controle Interno (Mucci), apresentado no encontro: quanto maior a maturidade, menos a atuação se limita a reagir aos problemas e mais procura evitá-los, compreender as suas causas e atuar sobre as estruturas e os sistemas para gerar valor.

Essa evolução sugere uma ampliação do papel dos órgãos de controle interno.

Sua maturidade não pode ser percebida apenas pela capacidade de encontrar irregularidades, mas também pela contribuição para criar condições que favoreçam comportamentos íntegros, melhorem decisões, estimulem aprendizagem e cooperação, inspirem confiança e ampliem a capacidade da organização de gerar valor para a sociedade.

Essa perspectiva exige olhar não apenas para o desvio, mas também para o contexto em que decisões e comportamentos acontecem. Normas e controles continuam necessários, mas riscos, incentivos, cultura, confiança e capacidade de aprendizagem também importam.

Duas expressões do encontro sintetizam essa transformação: a integridade como a “alma de todas as macrofunções” e a ideia de “gerar confiança para gerar valor”.

Integridade não substitui o controle. O controle é parte de um sistema mais amplo orientado à integridade. Controle é indispensável. Mas integridade é maior do que controle.

Talvez esteja aí uma boa medida de maturidade: não apenas quantos problemas o controle interno consegue encontrar, mas quanto contribui para que a organização consiga evitá-los e, quando ocorrerem, aprender com eles e reduzir a possibilidade de que se repitam.

A pergunta “está tudo conforme?” continuará indispensável. Mas precisa caminhar ao lado de outra: o que estamos fazendo para aumentar a capacidade da organização de fazer o certo antes que seja necessário corrigir o erro?
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 07 Oct 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A sociedade falou nas urnas]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-sociedade-falou-nas-urnas/474201/</link>
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				<description><![CDATA[Em mais uma eleição, parte da sociedade foi pega de surpresa com os resultados das urnas. O resultado surpreendeu, inclusive, setores da direita, que esperavam uma votação expressiva, mas não imaginavam a dimensão do desempenho verificado.

É importante destacar que a eleição atual, sobretudo a disputa pela Presidência da República, que acaba pautando as demais, foi uma das que menos debateu projetos nas últimas décadas.

Em 2018, também prevaleceram a polarização, as acusações e as disputas em torno de nomes, muito mais do que propostas para o País.

O eleitor foi chamado a escolher em um ambiente no qual pouco se falou sobre o que cada candidato pretende fazer caso chegue ao poder. Faltaram discussões mais profundas sobre economia, saúde, educação, segurança, infraestrutura e emprego.

É verdade que reportagens, pesquisas e análises ajudaram a calibrar uma realidade que não era exatamente a esperada por muitos. Pesquisas são retratos de determinados momentos e podem errar.

Reportagens procuram interpretar fatos e tendências, mas não substituem a decisão do eleitor. O eleitor se expressa nas urnas, e não necessariamente nas ruas todos os dias. É ali que revela a sua escolha.

Cabe aos políticos compreender esse princípio e, mais do que tentar explicar o resultado depois que ele acontece, procurar ouvir a sociedade antes de tomar decisões.

Por isso, acreditamos que precisam ir mais às ruas, estar mais presentes nas redes sociais e conversar mais com os eleitores. Não apenas em períodos eleitorais. É preciso entender o que as pessoas estão vivendo, as suas angústias.

Há um sinal importante nesta eleição: o que caminha para definir a disputa é a base da pirâmide social. E essa base não está bem. Se estivesse, provavelmente não haveria uma disposição tão significativa por mudanças.

O voto por mudança não surge do nada. É consequência da percepção de que alguma coisa precisa ser diferente.

É justamente aí que está a questão que parece não ter sido debatida o suficiente até agora: o que precisa ser feito? Não basta identificar que existe insatisfação. É necessário compreender as suas causas.

A população quer emprego? Quer renda maior? Quer serviços públicos melhores? Está preocupada com o custo de vida, segurança, saúde ou educação? Provavelmente quer um pouco de tudo isso.

O próximo passo deveria ser ouvir essas demandas e transformá-las em propostas. O segundo turno deveria ser uma oportunidade para os candidatos explicarem como pretendem melhorar a vida de quem está na base da pirâmide.

A surpresa das urnas pode ser uma oportunidade. Em vez de justificar o seu resultado, é hora de olhar para ele como um recado. A sociedade falou. Agora cabe aos políticos ouvir.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 07 Oct 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[O Brasil entre dois caminhos]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-brasil-entre-dois-caminhos/474115/</link>
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				<description><![CDATA[Como é de conhecimento geral, voto e democracia caminham lado a lado. A relação é intrínseca, um não existe sem o outro. No Brasil, segundo garante a Constituição Federal de 1988, todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente.

O voto constitui, portanto, uma das mais importantes manifestações da cidadania e a forma pela qual o povo participa da construção dos destinos do País.

No domingo, dia 4 de outubro, o Brasil foi novamente às urnas. Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos e Luiz Inácio Lula da Silva, 45,16%. Nenhum alcançou a maioria absoluta e, no dia 25, o eleitor brasileiro será novamente chamado a escolher o presidente da República.

Dois candidatos, dois projetos e visões distintas sobre os caminhos que o Brasil deverá percorrer nos próximos quatro anos. A pequena diferença nas urnas revela um País politicamente dividido e aumenta a responsabilidade do eleitor neste segundo turno.

Mas outro número merece especial atenção. O Brasil tinha 158,7 milhões de eleitores aptos a votar. Mais de 33 milhões não compareceram às urnas, uma abstenção de 21,08%, a maior desde 1998.

Em outras palavras, mais de um em cada cinco eleitores deixou de participar da escolha. É um número que preocupa e convida à reflexão.

Em 2018, escrevi neste mesmo jornal o artigo “A festa fúnebre da democracia brasileira”. Naquela oportunidade, chamava a atenção para o distanciamento de parcela considerável da população da vida política e para o descrédito provocado por sucessivos escândalos, denúncias e decepções.

Oito anos se passaram. Mudaram personagens e circunstâncias, mas a elevada abstenção demonstra que permanece o afastamento de milhões de brasileiros do processo político. É compreensível a decepção.

O que não podemos permitir é que a indignação com a política se transforme em indiferença com a democracia. Quando o cidadão deixa de escolher, outros escolhem por ele.

Vivemos também um período de intensa polarização. Divergir faz parte da democracia. Transformar quem pensa diferente em inimigo, não. Famílias, amizades e relações pessoais não podem ser destruídas porque existem opiniões políticas distintas.

Democracia exige liberdade para escolher e maturidade para respeitar a escolha do outro. Nas próximas semanas assistiremos a uma disputa intensa. Mais importante do que acusações e ataques pessoais será apresentar propostas concretas para os problemas que afetam a vida das pessoas.

O Brasil precisa mudar. Não podemos continuar adiando decisões importantes nem tratando problemas históricos como se o tempo fosse capaz de resolvê-los sozinho.

Segurança pública, saúde, educação, equilíbrio das contas públicas, geração de empregos, redução das desigualdades, eficiência do Estado e desenvolvimento econômico exigem coragem para enfrentar pautas sensíveis, planejamento e, sobretudo, responsabilidade com as próximas gerações.


Não existem soluções fáceis para problemas complexos. Por isso, o segundo turno não deve ser apenas uma disputa entre nomes ou paixões políticas, deve ser uma oportunidade para discutir o Brasil que queremos construir.



Aos candidatos cabe apresentar seus caminhos, ao eleitor, pesquisar, comparar propostas, conhecer trajetórias e distinguir informação de propaganda, verdade de mentira e convicção de fanatismo.


Que aqueles que se abstiveram no primeiro turno reflitam sobre a importância de sua participação e que todos exerçam livremente, no dia 25, o direito de escolher, segundo sua consciência. No fim haverá um vencedor e um vencido. É da democracia.

O que não pode haver é um Brasil vencido pela intolerância, pelo radicalismo, pela indiferença ou pela incapacidade de mudar. Governos passam, adversários se alternam no poder e eleições terminam. O Brasil permanece acima de todos. E é a ele que devemos nossa maior lealdade.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 06 Oct 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Mercado reage e dá seu recado]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/mercado-reage-e-da-seu-recado/474114/</link>
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				<description><![CDATA[O resultado das eleições começou a produzir efeitos antes mesmo de o próximo governo assumir. Após a apuração, o mercado financeiro reagiu positivamente à vantagem de Flávio Bolsonaro na disputa.

O dólar caiu e a Bolsa disparou, em um movimento que revela a percepção dos investidores diante da possibilidade de mudança no cenário político e econômico do País.

É importante, contudo, separar expectativa de realidade. O mercado financeiro reage a perspectivas, e não a fatos consumados.

Uma eleição não produz, por si só, mudanças imediatas na economia, mas os movimentos registrados depois do primeiro turno servem como um sinal importante sobre o que investidores e agentes econômicos esperam dos próximos meses.

Entre essas expectativas está a possibilidade de redução dos juros, como o leitor poderá conferir com mais detalhes em reportagem publicada nesta edição.

Se essa redução efetivamente ocorrer, os efeitos podem ser positivos para uma parcela significativa da população, independentemente de qualquer política governamental específica adotada posteriormente.

Juros menores significam, antes de tudo, crédito mais barato. Para quem se endividou e hoje enfrenta dificuldades para honrar compromissos, um cenário de taxas menores pode abrir uma oportunidade para renegociar dívidas em condições mais favoráveis.

Não é uma solução automática para o problema do endividamento, mas pode representar uma diferença importante no orçamento de famílias e empresas.

Para quem pretende contratar um financiamento de longo prazo, a queda dos juros também é uma notícia positiva. Comprar uma casa, investir em um negócio ou adquirir equipamentos pode se tornar mais acessível quando o custo do dinheiro diminui.

Quando o crédito volta a circular com maior facilidade, toda a economia tende a se beneficiar: empresas passam a ter mais condições de investir, consumidores podem ampliar o consumo e novos negócios podem ser estimulados.

É um ciclo que, quando acompanhado de responsabilidade e confiança, pode contribuir para a geração de empregos e renda.

É preciso, entretanto, não exagerar o significado desse primeiro movimento. A reação positiva do mercado representa apenas uma mudança no cenário macroeconômico, ainda baseada em expectativas.

As demais mudanças dependerão das escolhas políticas e econômicas que serão feitas daqui para a frente. É preciso esperar.

O mercado, de alguma maneira, já deu seu recado. A reação da Bolsa e do dólar demonstra como os agentes econômicos estão interpretando o resultado eleitoral. A população também deu o seu sinal nas urnas, ao colocar os candidatos diante de uma nova configuração política.

Cabe agora aos dois candidatos que avançaram ao segundo turno observar esses sinais. Mais do que comemorar resultados ou explorar derrotas, é preciso compreender o que eles representam. A economia responde a expectativas, mas também responde a decisões concretas.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 06 Oct 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Quando a busca por saúde coloca a vida em risco]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/quando-a-busca-por-saude-coloca-a-vida-em-risco/474036/</link>
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				<description><![CDATA[Minha avó sempre dizia que não existem soluções simples para problemas difíceis, e levei anos para entender o quanto ela tinha razão. Hoje, como endocrinologista, vejo essa verdade se repetir todos os dias.

No consultório, acompanho principalmente pacientes com obesidade e mulheres na menopausa. Quanto mais estudo essas condições, mais percebo que ambas envolvem uma fisiologia profundamente complexa.

Na obesidade, ocorre uma desregulação dos hormônios responsáveis pelo controle da fome e da saciedade. Já na menopausa, há uma queda significativa na produção dos hormônios femininos. Em comum, as duas deixam as pessoas mais vulneráveis a promessas de soluções rápidas.

Nas redes sociais, porém, essa complexidade vira mercadoria e é reduzida a fórmulas simplistas. Surgem o “chá seca-barriga” para emagrecer e a “fórmula mágica” para aliviar o cansaço e os fogachos da menopausa.

Afinal, quem não gostaria de uma solução rápida?

O problema é que o rótulo “100% natural” muitas vezes mascara riscos graves e cria a ilusão de um tratamento inofensivo. Natural, porém, não é sinônimo de seguro. A cocaína é derivada de uma planta e nem por isso seu uso é recomendado.

O grande risco por trás dessas promessas reside na adulteração criminosa de chás e suplementos com potentes fármacos sintéticos.

E isso não é especulação: laudos da Polícia Científica de Santa Catarina já identificaram substâncias como anfetaminas, antidepressivos, ansiolíticos e até alucinógenos em pílulas emagrecedoras e outros produtos vendidos livremente na internet como “naturais”.

Nos Estados Unidos, o cenário se repete, com dezenas de suplementos para perda de peso recolhidos por conterem substâncias farmacológicas não declaradas no rótulo.

A exposição contínua a essas substâncias pode sobrecarregar órgãos vitais e o sistema cardiovascular, provocando reações adversas graves. Os usuários relatam desde sede excessiva e dores de cabeça até tonturas intensas e episódios de perda de consciência, que podem levar à internação em unidades de terapia intensiva.

Parte desse perigo decorre também da combinação de diferentes compostos farmacológicos, em dosagens desconhecidas e sem controle sanitário. Nessas condições, transformam-se em verdadeiras bombas-relógio para o organismo, capazes de causar complicações graves e até a morte.

Os dados mostram que não se trata de casos isolados. Entre 2020 e 2025, 63% dos processos de investigação instaurados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) envolveram suplementos alimentares irregulares, muitos deles associados a promessas de resultados estéticos milagrosos.

A agência mantém, inclusive, uma extensa lista de emagrecedores proibidos que, infelizmente, continuam circulando de forma clandestina.

Mas os danos não se limitam à saúde física. Quando a primeira “solução milagrosa” fracassa, surge a frustração.

O resultado não corresponde à promessa, e a culpa aparece: por que tanta gente conseguiu e eu não? Esse sentimento de fracasso aprofunda a vulnerabilidade e alimenta um ciclo perigoso. A pessoa continua buscando soluções rápidas, gastando dinheiro, perdendo tempo e colocando a saúde em risco.


O fato é que o verdadeiro tratamento da obesidade não cabe em uma cápsula comprada às escondidas na internet. Ele exige uma equipe multidisciplinar, mudanças progressivas no estilo de vida e, quando necessário, o uso de medicamentos prescritos com critério e monitoramento.


Vale, então, uma pergunta honesta: a busca é realmente por saúde ou por um padrão estético a ser atingido a qualquer custo? Enquanto não enfrentarmos essa pergunta com honestidade, continuaremos reféns de promessas fáceis e dispostos a arriscar a própria saúde por qualquer solução que prometa bem-estar imediato.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 05 Oct 2026 07:25:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[MS escolheu continuar avançando]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/ms-escolheu-continuar-avancando/474035/</link>
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				<description><![CDATA[A população de Mato Grosso do Sul mostrou nas urnas que aprovou o projeto conduzido pelo governador Eduardo Riedel (PP). A votação expressiva que garantiu a reeleição no primeiro turno, de maneira muito mais tranquila do que há quatro anos, representa mais do que a escolha de um nome para comandar o Estado.

É também um reconhecimento ao modelo de gestão adotado nos últimos anos e uma sinalização de que a população deseja que esse caminho tenha continuidade.

Riedel recebeu das urnas uma demonstração de confiança. Em uma eleição marcada por diferentes projetos políticos, o eleitorado optou pela continuidade. O resultado não deixa dúvida de que a maioria aprovou o trabalho realizado e entende que o Estado está no caminho correto.

Somados os dois primeiros mandatos de Reinaldo Azambuja (PL), eleito senador ontem, serão 16 anos de administração conduzida pelo mesmo grupo político. É tempo suficiente para avaliar resultados. E, até aqui, os indicadores mostram avanços importantes para Mato Grosso do Sul.

Nesse período, o Estado recebeu mais de R$ 100 bilhões em investimentos. A indústria de celulose, a bioenergia e outras atividades produtivas ajudaram a transformar a economia sul-mato-grossense, atraindo capital, ampliando a produção e criando novas oportunidades de emprego e renda.

Investimentos dessa dimensão movimentam a construção civil, o comércio, os serviços, a logística e uma extensa cadeia de fornecedores, além de ampliar a arrecadação e a capacidade de investimento público.

Mato Grosso do Sul ainda precisa melhorar sua infraestrutura, ampliar a qualidade dos serviços públicos, reduzir desigualdades regionais e preparar suas cidades para o crescimento. O desenvolvimento precisa transformar os ganhos econômicos em melhoria concreta da qualidade de vida.

Mas é preciso reconhecer o que foi feito. A população reconheceu nas urnas os avanços registrados pelo Estado e decidiu dar continuidade ao projeto. Essa escolha traz uma responsabilidade ainda maior para o governo reeleito: entregar mais e fazer melhor.

O resultado eleitoral deve ser interpretado como uma oportunidade para aprofundar aquilo que deu certo e corrigir o que ainda precisa ser melhorado. A confiança recebida precisa ser transformada em trabalho, planejamento e responsabilidade fiscal.

Mato Grosso do Sul tem condições excepcionais para continuar crescendo. Que os próximos anos sejam marcados por mais investimentos, mais empregos, melhor infraestrutura e serviços públicos eficientes. A população reconheceu os avanços. Daqui, esperamos que Mato Grosso do Sul continue avançando.
]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 05 Oct 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Gremlins tocaiados]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/gremlins-tocaiados/473928/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/gremlins-tocaiados/473928/</guid>
				<description><![CDATA[Já faz 42 anos (1984), nós os mais velhos, vimos um filme com mistura de ficção, comédia e terror cujo enredo contava a história de um pai que dá para seu filho uma criatura de ficção (mogwais), engraçada, muito dócil, peluda, olhos grandes (tipo pelúcia) e gentil, mas que se devia observar e obedecer às regras, de como mantê-los longe da água, nunca dar-lhes comida após a meia-noite, ou submetê-los a luz forte, sob o risco de se multiplicarem em novas criaturas a partir da liberação de bolhas formadas nas costas, transformando-os em monstros perigosos e agressivos (os Gremlins), cujo objetivo era causar caos, destruição e confusão total agindo motivados por um prazer sádico e malicioso de arruinar tudo ao redor e atormentar os humanos.

Tinham um comportamento estranho ao perder a inocência, mentir, pregando peças ou em atitudes bizarras, como quebrar objetos, bagunçar o ambiente, divertirem-se agressiva e maliciosamente e cuja eliminação ou morte se daria caso expostos a luz forte como ao Sol, uma vez que adoravam ficar nas trevas, escondidos aguardando os momentos para as suas ações deletérias.

O filme me veio a memória com o panorama que vivenciamos a cada quatriênio com eleições presidências, campanhas eleitorais antecipadas, convenções partidárias, entrevistas de candidatos e toda a movimentação das propagandas um momento democrático que hoje se sujeita as fake news, as deepweb e darkweb (partes da internet não indexadas por buscadores), as inteligências artificiais (IAs) preditivas e generativas.

Cada qual calculando e apresentando tendências ou as que criam textos, imagens e sons a partir de ações, tudo capaz ao seu jeito, de induzir, mentir, transformar a mente humana, cooptar, fazer crer, incentivar um eleitor despreparado, ignorante politicamente.

Assim estamos à mercê de toda criatura de má-fé, aquela que age com desonestidade, malícia ou fraude para prejudicar os outros, mentindo sobre fatos, prometendo o que não é capaz de cumprir, ou criando problemas para tumultuar o processo eleitoral, inclusive organizando debates inconsistentes e maliciosos.

Esse é um período do “salve-se quem puder”, em que apesar do controle da legislação eleitoral, por vezes, permitem-se dribles, apitam pênaltis inexistentes e escanteios escandalosos, a demora na cobrança das faltas e dos laterais, barreiras mal posicionadas e, por vezes, gols de mão, tudo patrocinado por interesses escusos, de corporações, grupos, influenciadores, ancoras, blogueiros, a quem metaforicamente os denomino de Gremlins Tocaiados, tal qual como se apresentam aqueles que povoavam o filme da época.

Não vejo diferença entre os “Gremlins” cinematográficos e os Gremlins atuais, exceção feita ao objetivo de entretenimento dos primeiros contra o comportamento dirigido daqueles outros que se caracterizam como infratores ao buscarem tumultuar o processo eleitoral, identificados pelas transgressões de ordem eleitoral praticadas, como candidatos, agentes públicos, incluindo os eleitores camuflados, bem como todos aqueles que se utilizam de artifícios na web ao promover ataques nocivos individuais ou em massa a partir da robotização do processo de divulgação da quebra de preceitos legais, conceituados como crimes eleitorais.

Tais crimes eleitorais que resultam da oposição a regularidade das eleições pelo voto direto, secreto, com igualdade para todos devem ser coibidos de forma a garantir a lisura e legitimidade do voto, resguardando a honra daqueles atingidos com ofensas, mentiras, desvarios, propositalmente divulgados de modo a perturbar a ordem natural do processo eleitoral, como a desconfiança nas urnas e no resultado das eleições.

Onde estão eles? Tocaiados em todos os lugares, por vezes de difícil identificação exatamente pelos disfarces que se utilizam para fazerem das suas, mas facilmente detectados pelos indícios, rastros, evidencias, testemunhos, e demonstrações de suas passagens encobertas e da permanência em locais dissimulada (escondendo as intenções) ou secretamente, ocupando funções diversas de destaque ou não, de modo geral, na administração pública e hoje, camuflados no STF, com o vazamento de investigações sigilosas, acusações sem fundamento, alegações levianas, suposições descabidas e ilações, tudo em nome do combate a corrupção mas de caráter iminentemente eleitoral, na intenção de promover balburdias e narrativas de vieses políticos.

Portanto evitemos apagar o fogo com água e abramos as cortinas da verdade para entrada da luz do sol e evitar que fiquem tocaiados e se armando nas trevas.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 03 Oct 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA["Que Cristianismo é esse?"]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/que-cristianismo-e-esse/473927/</link>
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				<description><![CDATA[Amigos, amigas, apesar da condição de alguém inconcluso, jamais deixei de me identificar como um cristão convicto que procura seguir os princípios do Evangelho de Cristo e que, apesar das contingências da vida, ousa apresentar o que pensa sobre parte substantiva do cristianismo atual.

A começar pelo Brasil, como entender que, em sendo um país gigante, com o maior potencial em recursos naturais do mundo e um dos mais cristãos do planeta, haveria de ser tão desigual, com milhões de brasileiros longe da vida digna, tão sonhada por Jesus, o nosso Salvador?

Neste país, o “cristianismo” cresce e num avanço inimaginável. Pasmem, esta nação já conta com nada menos do que 152 mil templos, entre evangélicos e católicos, além de milhares de capelas e locais de culto, já chegando a mais de um templo novo por hora.

No entanto, a impressão que se tem é que, quanto mais este “cristianismo” cresce, tem-se menos justiça social.

E para ficar no mais leve, a causa eficiente, para tanto, não estaria no fato de lideranças cristãs estarem, em sua grande maioria, presas e atadas aos ricos e seus partidos? E pior: condenando os humanistas, que fazem o contrário, ou seja, lutam pela dignidade humana, conforme a vontade do Mestre?

Indaga-se, pois, onde foi parar a Boa Nova, em nosso país, onde a imensa maioria de religiosos sequer toca no “vim para que todos tenham vida” – ponto culminante do cristianismo?

E por que fogem tanto de passagens bíblicas, tipo “agulha e camelo” – preciosidades proclamadas por tão poucos que ainda ousam dar a vida pelo anúncio? 

Também, como explicar que países como a China, o Japão, entre outros, tenham alcançado o nível de estados do bem-estar social, o que os leva a harmonizar-se com o Evangelho de Cristo, mesmo não sendo cristãos?

E o que dizer da grande potência econômica, considerada cristã, os EUA, exportadora de pastores, que contam com 40 milhões de pessoas vivendo na miséria absoluta (maioria não imigrantes)?

Longe de qualquer exagero, mas consoante o espírito dos novos tempos, “cristianismo” sem Cristo pode ser tudo: fundamentalismo, servilismo aos ricos, mapa da fome, anti-vacina, misoginia, cinismo, supremacia, falsidade, alienação, pânico moral, hipocrisia, controle social, golpismo, tortura, assalto ao INSS, orgias, adultério, fascismo religioso, menos cristianismo, em seu estado autêntico e real.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 03 Oct 2026 07:25:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[Diante da urna, todos somos iguais]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/diante-da-urna-todos-somos-iguais/473926/</link>
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				<description><![CDATA[O sistema democrático não é perfeito. Mas é justamente em sua imperfeição que ele revela uma de suas maiores virtudes: entre os sistemas que conhecemos, é o que melhor assegura a liberdade dos cidadãos.

A democracia não elimina conflitos, diferenças ou contradições. Ao contrário, reconhece que elas fazem parte da sociedade e cria mecanismos para que possam ser expressas, confrontadas e, dentro das regras estabelecidas, transformadas em escolhas coletivas.

A sociedade, afinal, é formada por hierarquias. Há diferenças determinadas pelo patrimônio, pelo dinheiro, pela formação cultural, pela posição profissional e por tantos outros fatores que influenciam a maneira como cada indivíduo vive e se relaciona.

Essas diferenças existem e não desaparecem diante da democracia. Mas há um momento em que, diante da urna, elas deixam de determinar o peso da decisão de cada cidadão.

É ali que o voto de todos passa a ter o mesmo valor. O voto de uma pessoa desfavorecida vale tanto quanto o voto de alguém abastado. O voto de quem tem pouca instrução tem o mesmo peso do voto de quem acumulou diplomas e títulos.

O empresário, o trabalhador, o servidor público, o estudante, o aposentado e aquele que enfrenta diariamente as maiores dificuldades econômicas têm, na urna, exatamente a mesma capacidade de participar da escolha dos rumos do País.

Essa talvez seja a maior virtude do sistema democrático. Ele não promete uma sociedade sem desigualdades, nem cidadãos sem defeitos. Ao contrário, é o sistema que melhor espelha aquilo que somos, com nossas virtudes e nossas imperfeições.

A democracia dá voz às diferentes visões existentes na sociedade e permite que a maioria escolha, respeitando as regras e os direitos de todos, os caminhos que pretende seguir.

Por isso, votar não deve ser entendido como um ato meramente burocrático ou como o cumprimento de uma obrigação. Votar é fazer uma escolha sobre o futuro. Todos nós, em algum momento da vida, precisamos tomar decisões que produziram consequências duradouras.

Escolhemos uma profissão, constituímos uma família, mudamos de cidade, iniciamos um negócio, assumimos responsabilidades. Algumas escolhas deram certo; outras, nem tanto. Mas todas tiveram consequências.

A escolha diante da urna merece o mesmo grau de consciência. O voto não é apenas a manifestação de uma preferência momentânea. É uma decisão que ajuda a definir quem ocupará posições de poder e quais propostas e prioridades terão a oportunidade de orientar a vida coletiva nos próximos anos.

Por isso, esperamos que o domingo seja marcado pela consciência sobre a responsabilidade que cada eleitor carrega.

Que as escolhas sejam feitas com racionalidade, informação e respeito às diferenças. Que paixões e convicções possam existir, como é natural em uma sociedade livre, mas sem que retirem de cada cidadão a capacidade de refletir sobre as consequências de sua decisão.

Sejamos, portanto, conscientes, racionais e humanos. É assim que somos, com nossas virtudes e defeitos. E é assim que uma democracia não apenas funciona, mas cumpre sua finalidade essencial: permitir que cidadãos livres decidam, em igualdade, o futuro que desejam construir.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 03 Oct 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[A bonita arte de envelhecer]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-bonita-arte-de-envelhecer/473846/</link>
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				<description><![CDATA[No dia 1º de outubro, celebramos o Dia Internacional da Pessoa Idosa. Mais do que uma data comemorativa, é um convite para uma pergunta que interessa a todos: como queremos envelhecer?

Estamos vivendo mais. Mas longevidade não deve significar apenas acrescentar anos à vida. O verdadeiro desafio é acrescentar vida aos anos, preservando saúde, autonomia, lucidez, vínculos e vontade de participar do mundo.

Como geriatra, tenho insistido em uma mensagem simples: envelhecer bem não começa aos 60 ou 70 anos. Começa muito antes. A pessoa idosa que seremos amanhã está sendo construída, pouco a pouco, pelas escolhas que fazemos hoje.

Não há segredo extraordinário. Os pilares são conhecidos: comida de verdade, movimento regular, sono de qualidade, mente ativa, bons relacionamentos e propósito de vida. Pequenos cuidados, repetidos ao longo dos anos, podem fazer uma grande diferença.

E talvez a palavra mais importante seja autonomia. Envelhecer bem não significa necessariamente viver sem doenças. Significa, sempre que possível, preservar a independência, a capacidade de fazer escolhas e a liberdade de conduzir a própria vida. É por isso que a geriatria olha para a pessoa por inteiro, e não apenas para suas doenças.

Esse olhar também precisa existir dentro de casa e na sociedade. Respeitar a pessoa idosa é ouvi-la, valorizar sua experiência e permitir que continue decidindo sobre sua vida. O passar dos anos não diminui a dignidade, a importância nem o direito de escolher.

Também precisamos abandonar a ideia de que envelhecimento é sinônimo de perda. Há pessoas com 70, 80 ou 90 anos estudando, trabalhando, viajando, ensinando, convivendo e fazendo novos planos. Cada pessoa envelhece de uma maneira, e não existe idade para deixar de ter projetos.

Naturalmente, não controlamos tudo. Genética, doenças e condições sociais também influenciam o envelhecimento. Mas podemos cuidar daquilo que está ao nosso alcance. E prevenção é justamente isso: não esperar perder a saúde para começar a valorizá-la.

Por isso, o Dia da Pessoa Idosa é, na verdade, uma data para todas as gerações. Se tivermos o privilégio de viver muitos anos, todos caminhamos para essa fase da vida. Cuidar do futuro começa no presente.

Envelhecer é parte da vida. Envelhecer com saúde, autonomia, vínculos e propósito é uma construção diária. A pessoa idosa que seremos amanhã começa a ser cuidada hoje.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 02 Oct 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Quando a ausência importa: abstenção eleitoral em MS e no Brasil]]></title>
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				<description><![CDATA[O voto é obrigatório no Brasil. Apesar disso, a abstenção eleitoral vem crescendo em Mato Grosso do Sul de modo muito lento e gradual, mas constante. De 2006 para cá, ela cresceu em média 1% a cada eleição.

Parece pouco, mas já alcançou 22,1% em 2022, acumulando alta de 4,7% em 20 anos. Novamente, parece pouco, mas não é: o eleitorado de Mato Grosso do Sul cresceu 27% no mesmo período ou, em valores absolutos, mais de 400 mil pessoas.

Os 22% de abstenção das eleições de 2022 significaram 440 mil eleitores a menos nas urnas. Ou seja, é como se o crescimento do eleitorado, acumulado em duas décadas, tivesse sido anulado pela abstenção.

Contudo, Mato Grosso do Sul não destoa do cenário nacional, pois a abstenção no Brasil como um todo foi de aproximadamente 21% em 2022. Logo, a tendência observada em MS está alinhada à tendência nacional, mas o cenário desagregado em cada estado varia muito, não havendo tendência única entre eles.

Quais fatores contribuem para as pessoas não participarem das eleições? A primeira é a idade. Em 2022, quase 60% dos eleitores acima de 70 anos não foram às urnas.

As razões para isso são relativamente claras: voto facultativo acima dos 70 anos e maiores dificuldades de locomoção. O segundo grupo de idade com maior abstenção são jovens de 18 anos a 24 anos (22% em 2022).

Embora o voto seja facultativo para a faixa etária de 16 anos a 17 anos, a abstenção entre tais jovens foi de apenas 16%. Por ser facultativo, nem todo jovem de 16-17 anos se alista eleitoralmente. Logo, aquela abstenção se refere apenas aos jovens que se cadastram para votar, e não aos jovens daquela idade como um todo.

Com relação à escolaridade, a tendência é muito clara também: quanto mais anos de estudos, menor abstenção eleitoral. Em 2022, analfabetos (52%) e pessoas que apenas leem e escrevem (31%) lideraram a abstenção. Aqueles que têm ensino médio completo ou ensino superior, ainda que incompleto, mal ultrapassam 15% de abstenção.

Outro fator menos visível é o perfil da competição eleitoral. Ela pode ser analisada a partir de duas dimensões: oferta eleitoral e intensidade da disputa. Se houver poucos candidatos e/ou os perfis desses candidatos forem muito parecidos, o eleitor poderá julgar que seu voto não fará diferença.

Aqui, o exemplo clássico é o efeito desmobilizador de escândalos generalizados ou reiterados de corrupção: se todo político é corrupto, então são todos iguais. Se todos são iguais, meu voto não fará diferença.

Mas, a intensidade da disputa eleitoral pode ter efeito visível independente, até certo ponto, da própria oferta eleitoral. Basta observar o seguinte: a abstenção eleitoral é levemente crescente no Brasil como um todo desde 2010 em diante, mas houve duas ocasiões em que tal tendência se reverteu parcialmente.

Ambas em segundo turno. O primeiro caso foram as eleições de 2014, acaloradamente disputadas entre Dilma (PT) e Aécio (PSDB).

Nessas eleições, a abstenção em primeiro turno foi maior que a registrada no primeiro turno anterior (2010). Contudo, a abstenção no segundo turno de 2014 foi menor que a do segundo turno de 2010. O mesmo ocorreu em 2022, quando comparado a 2018.

As eleições de 2022 ainda registram outro fato inédito, pelo menos nas eleições de 2002 para cá: a abstenção em segundo turno foi menor que a do primeiro turno em pelo menos 15 estados do País. Acumuladamente, a abstenção do Brasil como um todo também recuou levemente no segundo turno.

Para as eleições deste ano, o mesmo padrão é esperado: a rejeição a Lula (PT) ou a Flávio Bolsonaro (PL) fará muitas pessoas não irem às urnas no primeiro turno. Mas, se houver segundo turno, essa mesma rejeição poderá fazer mais eleitores saírem de casa para votarem “contra” o candidato que mais rejeitam.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 02 Oct 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Eficiência para salvar a Santa Casa ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/eficiencia-para-salvar-a-santa-casa/473843/</link>
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				<description><![CDATA[Nesta edição, mostramos que um dos primeiros passos para sanear a gestão da Santa Casa de Campo Grande é reduzir a folha de pagamento do hospital. A medida faz sentido: uma folha elevada nem sempre significa maior produtividade. Esse foi um grande gargalo da instituição.

O ponto central, porém, é definir onde essa redução deve ocorrer. Não é razoável que o ajuste recaia sobre técnicos de enfermagem, enfermeiros e médicos da linha de frente. O mesmo vale para limpeza e manutenção, fundamentais ao funcionamento do hospital.

Cortar justamente desses setores seria produzir uma economia aparente, com potencial para comprometer a qualidade do atendimento. Um hospital não funciona sem ter quem cuide dos doentes, higienize ambientes, conserte equipamentos e mantenha a estrutura em condições de uso. São atividades indispensáveis.

A revisão da folha precisa mirar, portanto, estruturas administrativas pouco produtivas ou dispensáveis. Consultorias e determinados serviços de assessoria, por exemplo, precisam demonstrar resultado e necessidade. Em uma instituição com dificuldades financeiras, toda despesa deve ser justificada.

O mesmo rigor deve ser aplicado aos contratos de prestação de serviços. É necessário fazer um pente-fino em valores que estejam acima da média de mercado, verificar a qualidade do que é entregue e de eventuais conflitos de interesse. Cada real gasto pela Santa Casa é um recurso que poderia ser destinado ao atendimento de pacientes.

Essa necessidade de controle não é apenas contábil. No mês passado, integrantes da diretoria do hospital foram presos sob a suspeita de envolvimento em corrupção. As investigações devem seguir seu curso, com direito de defesa e devido processo legal, mas o episódio reforça a necessidade de fiscalização.

A Santa Casa precisa de moralidade e eficiência. Precisa também de coragem para enfrentar estruturas que consomem recursos sem entregar resultados. Em saúde, não há espaço para privilégios.

Sanear a Santa Casa não significa simplesmente gastar menos. Significa gastar melhor. Reduzir custos onde eles são necessários pode enfraquecer o hospital; eliminar desperdícios, contratos desvantajosos e estruturas pouco produtivas pode fortalecê-lo.

A direção precisa de respaldo para esse enfrentamento, mas deve prestar contas. A sociedade tem o direito de saber onde são aplicados os recursos do hospital.

Eficiência não pode ser medida apenas pela economia na folha, mas pela capacidade de transformar recursos em atendimento e resultados.

E moralidade significa garantir que o dinheiro destinado à saúde cumpra sua finalidade. A Santa Casa precisa fazer as duas coisas, sem sacrificar quem trabalha na ponta e sem tolerar quem busca dinheiro fácil em cima da saúde dos outros.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 02 Oct 2026 07:10:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[As duas realidades]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/as-duas-realidades/473756/</link>
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				<description><![CDATA[Como bem aponta Márcio Garcia, professor titular do Departamento de Economia da PUC-Rio, o Brasil parece flertar com a imprudência na medida em que combina o descontrole fiscal com uma necessária política de juros altos para conter a inflação, sinalizando uma explosão da dívida pública.

Explicitamente, o caminho escolhido para um pretenso ajuste foi o da receita, e não o das despesas, que são nosso grande problema fiscal, de acordo com Marcos Mendes, economista do Insper, que acrescenta: “não dá para esperar muito vindo de um governo que acha que gastar mais vale a pena”.

Desde o início do atual governo temos visto forte trabalho para aumentar a arrecadação.

O Ministério da Fazenda, na prática, se transformou no Ministério da Arrecadação, empenhado em cobrar mais impostos para cobrir aumento de gastos sociais, alguns legítimos, mas muitos eleitoreiros e políticos.

Sob o pretexto de justiça tributária, o governo tem extraído mais e mais recursos de quem poupa e de quem produz, para custear o seu projeto político, com a conivência de um Congresso que negocia a liberação de emendas parlamentares e um Judiciário que defende um orçamento generoso e a blindagem contra o impeachment dos membros da mais alta corte.

Insistimos nos atalhos, nas soluções políticas mais fáceis e mais convenientes, desprezando o que deu certo ou não em outros países, e o impacto das nossas escolhas na produtividade e competitividade, talvez inebriados pelo tamanho e riquezas do País.

Haja vista o avanço da proposta para reduzir a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais, sem redução de salários, o que impacta diretamente a já sofrida produtividade do trabalho no País. Parece que Brasília vive em outra realidade. O mundo não perdoa quem fica deitado em berço esplêndido.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 01 Oct 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Reforma tributária: é preciso parar de subestimar o período de transição]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/reforma-tributaria-e-preciso-parar-de-subestimar-o-periodo-de/473754/</link>
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				<description><![CDATA[É fato que a reforma tributária promete descomplicar o sistema fiscal brasileiro. A simplificação normativa, porém, não significa uma transição célere.

Para as empresas, os próximos anos serão marcados pela convivência entre regras antigas, novos tributos, obrigações acessórias e decisões administrativas ainda em construção.

É justamente nessa sobreposição legislativa que nasce uma série de riscos significativos, mas que ainda parecem pouco evidentes para o mundo corporativo. A transição começou em agosto, em fase experimental, e se prolongará até 2033.

Um dos pontos menos discutidos, porém, mais importantes, é como o processo de simplificação deve vir acompanhado de uma carga tributária mais elevada para determinados setores.

A expectativa é de que a maior parte desse impacto seja compensada a longo prazo pela redução de custos operacionais, com processos mais uniformes, menor complexidade e maior previsibilidade. Ocorre, contudo, que essa economia não será imediata.

Aliás, pelo contrário. Durante os anos de transição, as empresas precisarão investir em sistemas, revisão de contratos, treinamento, consultorias e reestruturação de processos.

O cenário cria uma espécie de dupla pressão financeira. De um lado, a empresa terá de absorver os efeitos da majoração da carga tributária.

De outro, precisará manter investimentos para garantir que seus sistemas estejam preparados para diferentes regras, layouts fiscais, documentos eletrônicos e metodologias de apuração.

Além de questões operacionais, existe também a expectativa de um sistema mais amplo de apropriação e utilização de créditos tributários.

Isso pode representar um dos principais benefícios econômicos da nova estrutura, especialmente para empresas que hoje enfrentam limitações para recuperar integralmente a carga tributária incidente ao longo da cadeia.

Porém, o aproveitamento adequado dos créditos dependerá, em grande medida, da capacidade de adaptação de processos, sistemas, contratos e controles ao novo modelo.

Será necessário identificar corretamente as operações que geram créditos, assegurar a documentação necessária, estruturar os fluxos de informações e estabelecer mecanismos capazes de acompanhar a apuração e a utilização desses valores.

Ou seja, a reforma poderá criar oportunidades significativas de eficiência tributária, mas elas dependerão de preparação.

Empresas que não estiverem organizadas para operar segundo a nova lógica poderão enfrentar uma situação particularmente desfavorável: suportar os efeitos econômicos de uma eventual elevação da carga tributária ou de custos decorrentes da transição, sem conseguir aproveitar, na mesma medida, os mecanismos de creditamento e demais benefícios estruturais que o novo sistema pretende proporcionar.

Outro risco relevante está no tratamento dos créditos tributários acumulados. A extinção gradual de tributos não elimina automaticamente direitos já constituídos. Isso significa que empresas precisarão acompanhar prazos, condições de homologação, compensação e eventual ressarcimento.

Um crédito reconhecido administrativamente anos depois ou decorrente de uma decisão judicial transitada em julgado durante a transição poderá produzir efeitos em um ambiente tributário completamente diferente daquele em que surgiu.

A gestão dessas contingências exigirá atenção jurídica contínua, não somente uma revisão contábil.

Por isso, a preparação empresarial não pode estar restrita à adequação de softwares fiscais. Será necessário revisar contratos de longo prazo, mapear processos judiciais, reavaliar contingências, documentar créditos e estabelecer critérios para identificar qual legislação rege cada operação.

A transição exigirá uma governança tributária capaz de conectar as áreas: jurídica, financeira, contábil, comercial e tecnológica.

A reforma tributária deve representar um avanço estrutural no fim das contas, mas seus benefícios não serão percebidos de maneira imediata. O período de transição concentrará custos, dúvidas interpretativas e potenciais conflitos que ainda recebem menos atenção do que deveriam.

Para as empresas, a questão estratégica passa por entender como passarão juridicamente pelos anos em que o passado ainda produzirá efeitos e o novo sistema ainda vai ser construído.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 01 Oct 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A motocicleta que substitui o ônibus]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-motocicleta-que-substitui-o-onibus/473753/</link>
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				<description><![CDATA[O transporte público de Campo Grande está sob intervenção e, sob a máxima de que “pior do que está, não fica”, a tendência é de que a prestação do serviço melhore até o fim do ano. É preciso, contudo, olhar para além da qualidade dos ônibus, dos horários e das condições oferecidas aos passageiros.

Existe uma mudança no modo como os campo-grandenses se deslocam que merece a atenção.

Não há um estudo específico para estabelecer uma correlação, mas basta sair de Campo Grande e transitar por outras cidades do Centro-Oeste, do Sul ou do Sudeste que são de porte semelhante para perceber uma diferença evidente: o volume de motocicletas circulando na Capital é muito alto.

E as motos não são utilizadas apenas por motoboys e motoentregadores. Para uma parcela significativa da população, elas se tornaram o principal meio de deslocamento para o trabalho, algo que, em cidades de porte semelhante, costuma ser absorvido em maior medida pelo transporte coletivo.

Há uma razão bastante simples para isso. A motocicleta oferece liberdade de deslocamento, não depende de horários, permite escapar dos congestionamentos e, na maioria das vezes, leva o usuário mais rapidamente ao destino. Para quem precisa trabalhar e cumprir horários, são vantagens difíceis de ignorar.

O problema é o preço dessa liberdade. O volume de passageiros transportados pelo sistema de transporte coletivo de Campo Grande vem caindo nos últimos anos, mês após mês.

O movimento é um indício de que o campo-grandense está deixando o ônibus e escolhendo a motocicleta. Não se pode afirmar, sem um estudo específico, que uma coisa seja consequência direta da outra. Mas os números e a realidade das ruas sugerem uma mudança que não deveria passar despercebida.

A motocicleta pode ser mais rápida e conveniente. Também é muito mais vulnerável no trânsito. A dimensão desse risco pode ser observada nesta semana. Quatro pessoas morreram no trânsito de Campo Grande e, em todos os casos, as vítimas estavam em motocicletas.

Uma parcela significativa dos moradores parece aceitar essa espécie de roleta-russa para conseguir se deslocar pela cidade. Não se trata de condenar quem escolhe a motocicleta. Muitas vezes, é uma decisão econômica e prática.

A questão é entender por que tantas pessoas estão fazendo essa escolha e quais consequências ela produz para a cidade.

Temos, nesta edição, uma reportagem que analisa justamente esse fenômeno. O transporte coletivo perde passageiros, as motocicletas ganham espaço e os acidentes envolvendo os seus condutores continuam produzindo mortes.

O que ainda não sabemos é se as autoridades estão olhando para esse movimento com a atenção que ele merece.

Melhorar o transporte coletivo é fundamental. Mas talvez já não seja o suficiente. É preciso entender por que o cidadão está abandonando o transporte coletivo, quais condições poderiam fazê-lo voltar e como reduzir o número de pessoas que precisam colocar a vida em risco para chegar ao trabalho.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 01 Oct 2026 07:10:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Canetas emagrecedoras, perda de peso e a derrota da Educação Física]]></title>
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				<description><![CDATA[Muito além de moldar corpos por meio de uma acelerada perda de peso, os medicamentos que imitam a ação do hormônio GLP-1, ou as tão conhecidas canetas emagrecedoras, também estão moldando novos comportamentos na saúde pública.

Desenvolvidas para tratar doenças metabólicas ao atuarem neste hormônio que regula a glicose e a saciedade, as canetas entraram de vez também no universo da estética.

O que temos experenciado é uma grande transformação cultural, em que o atalho químico rouba a atenção e a prática de atividade física, que a ciência há tanto tempo nos evidencia a relevância, tem sido cada vez mais deixada de lado por pessoas das mais diferentes faixas etárias.

O novo comportamento se consolida como tendência e nos traz a necessidade de uma reflexão mais profunda.

A busca e manutenção da saúde em seu aspecto mais amplo cede lugar para a perda de peso, que passa a ser o ponto focal. Nesse contexto, a promessa de um corpo mais magro que exigia meses de disciplina, encontra o sucesso no atalho viabilizado por algumas aplicações semanais do medicamento.

Nessa reflexão, é primordial ressaltar desde o início que ela não suscita um enfrentamento, um combate à medicina. O avanço da indústria farmacêutica viabiliza recursos adicionais e cada vez mais assertivos para tratamentos complexos, como é o caso da obesidade severa e distúrbios metabólicos.

A questão, assim, se coloca não sobre o fármaco, mas a quem recorre ao atalho químico em vez de buscar não só a mudança do corpo, mas de hábitos saudáveis para a vida.

Para quem atua na Educação Física, este é um sinal de alerta, uma possível falha na tentativa de tornar as pessoas apaixonadas pelo movimento do corpo.

É verdade que grande parte do público que busca as canetas o faz motivado pela rapidez do resultado estético, mas também porque a Educação Física convencional e a prática de atividade física por ela proporcionada deixou de ser percebida como uma ação legítima de saúde e bem-estar.

Não podemos negar que a academia, infelizmente, ainda não é vista pelo público geral como um local unânime.

Para muitos, ela é tida como pouco acolhedora, um ambiente massificado, com séries repetitivas, pouca escuta individual e um foco excessivo num ideal estético em vez da longevidade funcional e da qualidade de vida.

Os exercícios físicos ministrados nas academias têm sido “vendidos” como o meio para queimar calorias e se alcançar o ideal estético. Quando há essa conotação, a comparação com o resultado possível por meio do medicamento que virou objeto de desejo de tantas pessoas é inevitável.


A concorrência é fortíssima. Por isso, é urgente e necessário que a Educação Física se reinvente, resgate o seu papel relevante de fomentadora da saúde e volte a mostrar para a população toda a sua potência e todo o seu benefício.


Como fazer essa tarefa? É preciso ressignificar a atividade física, hoje muito vista como um meio com finalidade estética e trazê-lo novamente como um recurso essencial para quem deseja uma vida longa e de qualidade.

Mais do que perda de peso, a prática de atividade física, principalmente conduzida por profissionais capacitados e interessados, promove benefícios que a picada da caneta não consegue promover: massa muscular, densidade óssea, melhor coordenação motora e autonomia física, itens diretamente relacionados à longevidade, saúde e bem-estar.

Não se trata de lutar contra. A medicina e a indústria farmacêutica evoluem e isso representa uma grande notícia. As canetas emagrecedoras vieram para ficar e até que a ciência não revele efeitos colaterais de longo prazo, seguirão como desejo de muitas pessoas.

Contudo, cabe aos profissionais da Educação Física reverem suas formas de atuação e passarem a oferecer uma nova experiência de movimento, que ajude as pessoas a encontrar prazer ao fazê-lo.

Ao alcançar esse ponto, a prática de atividade física deixa de ser um meio estético e passa a ser considerada pelo praticante uma ação essencial e presente para uma vida saudável, algo que nenhum remédio poderá substituir.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 30 Sep 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Adolescência mais violenta nas escolas ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/adolescencia-mais-violenta-nas-escolas/473656/</link>
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				<description><![CDATA[Nesta edição, mostramos mais um caso de violência nas escolas. Brigas entre estudantes não são novidade. A adolescência, por característica, sempre foi marcada por conflitos, disputas e episódios de agressividade. Não se trata, portanto, de afirmar que a violência escolar nasceu agora.

Não há como negar, contudo, que o problema parece ter se agravado. Ou, ao menos, que hoje conseguimos enxergá-lo com uma clareza que não existia no passado.

Os celulares, presentes nas mãos de praticamente todos os adolescentes, registram as agressões e fazem com que imagens de brigas, ameaças e violência circulem rapidamente. Aquilo que antes ficava restrito aos muros da escola agora pode ser visto por milhares de pessoas.

Mas não são apenas as imagens que mudaram. As brigas parecem estar mais intensas e mais sangrentas. Em uma escola de Campo Grande, um estudante esfaqueou o outro.

E, conforme mostramos na reportagem desta edição, são mais de 500 episódios dessa natureza registrados anualmente. É um número que não pode ser tratado como parte inevitável da adolescência.

Nesta semana, já havíamos mostrado outro aspecto preocupante dessa realidade: a violência que ocorre nas redes sociais. A agressão que começa no ambiente escolar pode continuar no celular, assim como conflitos virtuais podem chegar à escola. Os dois mundos, na prática, não estão mais separados.

Já defendemos aqui que é necessário haver maior controle nas redes sociais para impedir que estas sejam utilizadas como espaço para violência, ameaças e práticas criminosas.

Da mesma forma, as escolas precisam ter mecanismos mais rigorosos para prevenir agressões, identificar conflitos e agir antes que eles terminem em violência física.

Mas há um terceiro ambiente que não pode ser esquecido: a família. O rigor que se espera das plataformas e das escolas precisa começar, na medida do possível, dentro de casa.

Pais e responsáveis precisam acompanhar a vida dos filhos, saber com quem eles convivem, o que fazem na internet, quais conflitos enfrentam e quais comportamentos estão apresentando. Infelizmente, essa responsabilidade tem se perdido em muitas famílias.

Sabemos que uma parcela significativa de crianças e adolescentes vive em famílias desestruturadas ou sem a presença adequada de seus responsáveis.

Não se trata de ignorar essa realidade nem de atribuir toda a culpa aos pais. Trata-se de reconhecer que, quando a família deixa de cumprir seu papel de orientação, proteção e estabelecimento de limites, outras instituições acabam sendo obrigadas a preencher esse espaço.

E nenhuma delas conseguirá fazer isso sozinha. A escola educa, mas não substitui a família. A polícia reprime o crime, mas não pode ensinar limites dentro de cada casa. As redes sociais podem ser reguladas, mas não conseguem acompanhar cada conversa que um adolescente mantém.

Por isso, precisamos agir de maneira mais comunitária. Família, escola, Estado e sociedade precisam reconhecer que a violência entre adolescentes não é um problema isolado de quem aparece nas imagens de uma briga. É uma questão que diz respeito a todos.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 30 Sep 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Como idosos podem usar a criação artística para ressignificar o envelhecimento?]]></title>
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				<description><![CDATA[No Brasil, segundo a lei, completar 60 anos significa entrar na faixa etária dos idosos. Diversas vezes, isso acarreta a sensação de entrar em um mundo de incapacidade e de dependência, que pode levar um indivíduo a ter dificuldades com sua saúde mental, especialmente se for uma pessoa focada quase inteiramente no trabalho.

A chegada aos 60 anos e a aposentadoria, para muitos, podem soar como um “fim da linha” social.

Mas chegar a essa idade não significa perder a capacidade de decidir, de trabalhar ou de ter uma vida ativa.

Uma das formas bem significativas para enfrentar essa situação é o desenvolvimento de algum tipo de arte, transformando o possível peso social em um período de autodescoberta, para continuar a ter uma vida cotidiana movimentada.

A prática artística propicia e resgata uma nova identidade ao transformar o idoso em criador, bem como pode combater o isolamento social, ao se dedicar a algum tipo de atividade, como pintar, esculpir, tocar um instrumento ou escrever.

Da mesma forma, frequentar oficinas de arte, equipes de teatro ou outras atividades em grupo permitem desenvolver um senso de pertencimento.

A sensação de criar algo novo propicia uma sensação de realização, fundamental para o bem-estar emocional. Torna-se uma forma de reinvenção e de valorização pessoal e a maneira de se reconectar consigo mesmo.

A arte possibilita uma forma de comunicação que conecta o idoso a novas perspectivas de vida, amplia a possibilidade de ressignificação do fator idade versus capacidade e rompe, assim, estereótipos que limitam sua autonomia e sua independência.

A arte desenvolve a autoestima e a autoconfiança perdidas, porque os idosos encontram novas formas de existir e fugir dos rótulos predeterminados que a sociedade lhe impôs.

Cabe aqui citar o filósofo francês Michel Foucault, conhecido por questionar sistemas de exclusão criados pelo Ocidente no início da época Moderna: “Meu papel é mostrar às pessoas que elas são muito mais livres do que pensam ser, que elas têm por verdadeiros, por evidentes, alguns temas que foram fabricados num momento particular da história, e que essa suposta evidência possa ser criticada e destruída”.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 29 Sep 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[A Justiça também precisa dar o exemplo]]></title>
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				<description><![CDATA[Há poucos dias, li o artigo do presidente do Sistema Fiern (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte), Roberto Serquiz, intitulado “O Judiciário e a crise de autoridade: é hora de reformar”.

O texto me levou a uma reflexão que considero importante compartilhar, especialmente porque segurança jurídica e confiança nas instituições são temas que fazem parte da realidade de quem empreende, investe e gera empregos no Brasil.

Serquiz resgata uma época em que “a liturgia do cargo impunha aos juízes falar apenas nos autos” e em que os magistrados eram vistos como referências de autoridade e respeito.

Falar nos autos significava que o juiz se manifestava no âmbito do processo, com base nos fatos, nos argumentos apresentados pelas partes e nos fundamentos jurídicos que sustentavam sua decisão.

Hoje, manifestações de magistrados também chegam à sociedade por meio de palestras, entrevistas, redes sociais e canais de televisão.

Essa mudança na forma como as instituições se apresentam à sociedade também nos convida a olhar para trás e lembrar de uma época em que a própria escola ensinava aos estudantes noções sobre a organização do Estado e das instituições.

A disciplina de Organização Social e Política Brasileira (OSPB), presente na educação brasileira durante décadas, tratava de temas como a estrutura dos Poderes, a organização política e o funcionamento do País.

O contexto histórico era outro, mas permanece atual a importância de formar cidadãos que compreendam o papel, os limites e as responsabilidades de cada instituição. Afinal, a confiança nas instituições também passa pela capacidade de a sociedade entender como elas funcionam e qual é o papel de cada uma.

Para quem está na indústria, isso não é uma discussão distante. Segurança jurídica é um dos fundamentos de qualquer decisão de investimento.

Uma empresa que decide ampliar uma fábrica, contratar trabalhadores ou instalar uma nova unidade precisa ter previsibilidade sobre as regras, sobre a aplicação da lei e sobre as decisões que podem afetar seu negócio.

Quando essa previsibilidade diminui, o ambiente para investir também se torna mais difícil e os efeitos não ficam restritos às empresas. Chegam ao emprego, à renda, à arrecadação e à capacidade de um estado e de um país avançarem.

É por isso que considero pertinente o debate levantado pelo presidente da Fiern. A independência do Poder Judiciário é fundamental para a democracia.

Ao mesmo tempo, como ocorre com qualquer instituição, seu funcionamento precisa estar permanentemente aberto ao aperfeiçoamento, à transparência e ao controle da sociedade.

Investigações precisam seguir seu curso e o devido processo legal precisa ser respeitado. Ao mesmo tempo, nenhuma instituição está acima do debate sobre seu funcionamento, seus mecanismos de controle e a confiança que transmite à sociedade.

Nesse sentido, concordo com a necessidade de discutir mudanças que preservem a independência do Judiciário, mas também ampliem a transparência e a prestação de contas.

O Brasil precisa ter instituições fortes, com mecanismos capazes de corrigir excessos, aprimorar procedimentos e responder às expectativas da sociedade.

Como escreveu Serquiz, “é hora de reformar e aperfeiçoar o sistema judiciário brasileiro, para que a Justiça preserve sua independência, recupere a confiança da sociedade e volte a ser, para todos, sinônimo de equilíbrio, segurança e respeito à lei”.

É uma reflexão que merece ser considerada. Para quem investe e gera empregos, a confiança nas instituições é um elemento concreto na tomada de decisão. Segurança jurídica dá previsibilidade para os negócios e cria melhores condições para novos investimentos, geração de empregos e crescimento.

O Brasil precisa aperfeiçoar suas instituições. Esse debate deve ser feito com responsabilidade, equilíbrio e respeito à democracia, mas não pode mais ser adiado.

O nível de insegurança e desconfiança que temos hoje é incompatível com um país que pretende crescer, atrair investimentos e oferecer segurança para quem produz e trabalha.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 29 Sep 2026 07:25:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[Lei sem fiscalização não protege crianças]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/lei-sem-fiscalizacao-nao-protege-criancas/473560/</link>
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				<description><![CDATA[O caso Lívia, adolescente de 13 anos de Naviraí, que tirou a própria vida durante uma transmissão simultânea em diferentes plataformas de redes sociais, do Discord ao Instagram, expõe uma questão que vai muito além da tragédia individual.

Mostra como o Estado brasileiro ainda falha na aplicação da legislação criada justamente para proteger crianças e adolescentes no ambiente digital.

De que adianta termos uma legislação moderna se não somos capazes de colocá-la em prática? O Brasil pode criar normas avançadas, estabelecer responsabilidades para as plataformas e determinar mecanismos de proteção.

Mas, sem fiscalização, estrutura e capacidade de aplicação, a lei corre o risco de existir apenas no papel.

Fiscalizar o ambiente digital não é simples. As plataformas são gigantescas, as interações ocorrem em tempo real e conteúdos circulam entre diferentes serviços em poucos segundos.

Por isso, o Estado precisa ter estrutura compatível com o tamanho do problema. E é justamente essa estrutura que parece não existir na dimensão necessária.

O resultado é um ambiente em que, apesar da legislação, crianças e adolescentes continuam expostos a situações que deveriam ser identificadas e interrompidas. Não há proteção de dados e fiscalização suficientes sobre o que ocorre nas redes sociais.

O mundo virtual não pode ser tratado como uma terra onde tudo pode, simplesmente, porque as relações acontecem atrás de uma tela.

Não é assim que deve ser.

O ECA Digital representa um avanço importante ao estabelecer regras específicas para a proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual, mas a existência da legislação é apenas o primeiro passo.

É preciso que os órgãos públicos tenham condições técnicas, financeiras e humanas para fiscalizar seu cumprimento e exigir das plataformas as medidas determinadas pela lei.

Também é importante lembrar um princípio básico: crianças não são adultos em miniatura. Elas não têm plena capacidade civil e precisam de responsáveis para protegê-las e orientá-las. Isso não diminui seus direitos; ao contrário, reforça a obrigação da família, da sociedade e do Estado de assegurar sua proteção.

No ambiente digital, essa responsabilidade é ainda mais complexa. Uma criança pode estar dentro de casa e, ao mesmo tempo, exposta a pessoas, conteúdos e situações que seus responsáveis desconhecem. A distância física não significa segurança.

Por isso, não basta atribuir às famílias toda a responsabilidade pelo que acontece nas redes. Pais e responsáveis têm papel fundamental, mas o Estado e as plataformas também precisam cumprir suas obrigações.

Não se pode exigir das famílias uma capacidade de fiscalização que empresas de tecnologia e órgãos públicos, com mais recursos e ferramentas, deveriam ter.

E precisamos avançar também como sociedade, pressionando pelo estabelecimento de limites claros no ambiente digital. Liberdade não significa ausência de regras. Crianças precisam de proteção, inclusive – e talvez principalmente – quando estão diante de uma tela.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 29 Sep 2026 07:10:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA["Onde você mora?": a ilusão da meritocracia brasileira]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/onde-voce-mora-a-ilusao-da-meritocracia-brasileira/473486/</link>
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				<description><![CDATA[Em março deste ano, soubemos do depoimento da juíza Vanessa Cavalieri, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), à comissão do Senado que analisa questões de violência e crime organizado.

Lá, a juíza narrou a iniciativa tomada por uma desembargadora no caso de uma menina acolhida em abrigo social, que buscava uma vaga de emprego. 

Diante do desespero da menina, que não recebia respostas ao currículo que enviava insistentemente, a desembargadora alterou o registro no sistema de emprego, colocando como endereço residencial o dela, num bairro nobre da cidade. Nos dias que se seguiram, a menina recebeu 32 propostas de emprego.

O caso é bem ilustrativo. A oportunidade de trabalho tem tudo a ver com o CEP. Assim como o desempenho escolar, o reconhecimento social e a possibilidade de uma vida digna.

Na superfície, naquilo que deixamos visível, todos têm as mesmas condições de obter êxito, “vencer na vida”. Basta estudar e trabalhar com afinco. Ao final, se algo der errado, a culpa é sua. Ponto final.

Combinamos que todos podem chegar ao pódio, mas estabelecemos, perversamente, que o ponto de partida não é o mesmo para todos. Pele, gênero, classe de origem, escola, redes de contato e também o endereço são decisivos.

A disputa desigual produz um resultado que bem conhecemos. Quem se deu bem arvora-se um vencedor cheio de méritos. Quem ficou para trás há de suportar a inadequação e a culpa.

A ideia básica da meritocracia é de que desempenho e aptidão são decisivos para a obtenção de vantagens.

Em tese, repudia-se o paternalismo, o fisiologismo, os privilégios hereditários e os políticos. Mas estamos fartos de saber que essa repulsa é apenas aparente, uma máscara que não consegue ocultar a realidade.

Os pontos de partida não são iguais, e os obstáculos à mobilidade social são inúmeros para a maioria. Diga-o quem nasceu em famílias desestruturadas, vive em áreas de risco, não têm rede escolar adequada e, não raro, cresce com carências físicas, intelectuais e afetivas.

O abismo entre os seres humanos é grande desde o nascimento, e se perpetua, especialmente em países de grande desigualdade. A mobilidade está bloqueada para milhões.

E o caso da menina que recebeu ajuda da desembargadora? Não sabemos dela. Esperamos que esteja bem, trabalhando e estudando, e que assim permaneça por longos anos.

A experiência, porém, nos autoriza suspeitar que, ao descobrirem seu verdadeiro CEP, tenha recebido apenas um “desculpe, não vai dar, houve um erro de cadastro”.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 28 Sep 2026 07:25:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A força do varejo brasileiro]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-forca-do-varejo-brasileiro/473485/</link>
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				<description><![CDATA[Quando analisamos os setores que movem o Brasil, um desponta com sua força: o varejo brasileiro. Dos R$ 6,7 trilhões em valores correntes que formaram o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no 1º semestre deste ano, temos 9,4% produzidos pelo varejo, ou seja, cerca de R$ 630 bilhões.

O PIB do varejo brasileiro, por exemplo, é 44% maior do que o PIB da agropecuária e equivale a 83% da indústria de transformação.

Mas, apesar desses números grandiosos, nos últimos anos, tem registrado dificuldades para manter seu crescimento, haja vista que o comércio varejista ampliado, em julho de 2024, cresceu, nominalmente, cerca de 3,5% ao ano; já em julho de 2025, em torno de 1,8%; e agora, em julho deste ano, módico 1,2%.

Segundo o IDV, que publica mensalmente o Índice Antecedentes de Vendas (IAV), que mede o comportamento das vendas de seus associados, as maiores empresas de varejo do País, nos últimos 20 meses, as vendas totais ajustadas pelo IPCA (vendas reais) apresentaram desempenho negativo.

Em julho, foi -2,8% frente ao mesmo mês do ano passado. E as projeções para os próximos meses se mantêm negativas.

Desnecessário mencionar o que a maioria dos artigos sobre o varejo já abordou como principais causas deste momento difícil: juros elevadíssimos, endividamento e inadimplência tanto das pessoas físicas quanto das empresas, além de bilhões retidos nos sites de apostas que deveriam estar no varejo e serviços, entre outras causas.

E, mais recentemente, a Medida Provisória (MP) 1.357, de 12 de maio de 2026, que zerou o Imposto de Importação nas compras internacionais pelas plataformas eletrônicas (cross border) até U$ 50,00 (taxa das blusinhas) e foi transformada na Lei 15.502, de 10 de setembro de 2026, que manteve zero por cento de Imposto de Importação, confirmando a retirada dos 20% deste tributo existente até abril deste ano.

Com zero por cento de Imposto de Importação no cross border para compras de até U$ 50,00, o volume de pacotes/remessas que passou a entrar no Brasil disparou.

A saber: em outubro de 2024, registrou-se 13,5 milhões de pacotes/mês; no ano de 2025, uma média próxima a 14 milhões; e já em maio, com a edição da MP 1.357, o volume saltou para 20 milhões ao mês, atingindo, na média de junho e julho, 28 milhões de pacotes. E agora é lei.

São bilhões de reais que estão saindo do mercado interno, sendo transferidos para os países exportadores favorecidos com a Lei 15.502/2026, e as consequências estão sendo sentidas.

O comércio varejista tinha, em dezembro/2025, o volume de 7.171.382 empregos formais e caiu para 7.119.607 empregos em julho deste ano. São 51.775 empregos eliminados nos principais setores atingidos pela MP, em especial o setor de artigos do vestuário e acessórios, com redução de 31.069 empregos.

Na sua maior parte, efeito causado pelo zero no Imposto de Importação no cross border.

Certamente, há um impacto grande no varejo e no trabalho informal, que são afetados ainda mais por essa concorrência predatória que a Lei 15.502/26 criou. Sem equidade concorrencial e isonomia tributária, a tendência é de agravamento da crise no varejo.

Não se quer exportar empregos, não se quer exportar empresas para os países fronteiriços.

Para evitar isto, há um sinal de esperança na nova Lei 15.502/2026, que prevê, pelo Ministério da Fazenda, a primeira avaliação dos impactos econômicos desta nova lei no prazo de três meses, ou seja, já em 10 de dezembro, logicamente após as eleições.

Enquanto isto, até que dezembro chegue, resta ao varejo a resiliência para enfrentar um mercado adverso e sobreviver até lá.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 28 Sep 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[As leis da vida real valem na internet]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/as-leis-da-vida-real-valem-na-internet/473477/</link>
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				<description><![CDATA[Neste ano, o Brasil descobriu um lado macabro e descontrolado da adolescência que ocorre dentro de redes sociais desreguladas. Uma adolescente de Mato Grosso do Sul, de Naviraí, morreu por suicídio durante um desafio em um grupo de adolescentes na rede social Discord.

O caso, que será detalhado nesta edição, é lamentável por diversos aspectos e precisa servir de alerta para toda a sociedade.

O primeiro deles diz respeito às plataformas. Redes sociais precisam ter mecanismos mais eficientes para controlar quem entra e quem sai de seus ambientes, verificar a idade dos usuários e impedir a prática de violência e de crimes dentro de suas comunidades.

Não se trata de impedir a liberdade de expressão ou a interação entre pessoas, mas de reconhecer que liberdade não significa ausência de limites.

O crime e a violência são inerentes à condição humana. É justamente por isso que a vida em sociedade é organizada por leis que limitam a liberdade individual. Ninguém é livre para roubar, matar, sequestrar ou cometer qualquer outro crime. Se o fizer, deverá responder por seus atos.

As leis da vida real precisam valer também para o mundo virtual. Esse é o ponto central. A internet não pode ser transformada em um território sem regras, no qual criminosos e pessoas dispostas a praticar violência encontrem um espaço protegido pelo anonimato e pela dificuldade de fiscalização.

Crianças e adolescentes, principalmente, não podem ficar desprotegidos diante de ambientes virtuais nos quais desconhecidos podem estabelecer contato, criar grupos e estimular comportamentos perigosos.

As empresas de tecnologia têm responsabilidade sobre aquilo que acontece em suas plataformas e precisam desenvolver ferramentas capazes de identificar e interromper situações de risco.

Mas há também uma responsabilidade que não pode ser transferida às empresas ou ao Estado: a das famílias.

A nova versão da velha “babá eletrônica” é muito mais perigosa. O celular não apenas entretém a criança. Ele conversa com ela, apresenta desconhecidos, permite a entrada em grupos e oferece acesso praticamente ilimitado a conteúdos que os pais, muitas vezes, sequer conhecem.

É preciso que pais e responsáveis saibam quais aplicativos os filhos utilizam, com quem conversam e de quais grupos participam. Não significa transformar a relação familiar em vigilância permanente, mas acompanhar aquilo que faz parte da vida dos filhos.

Entregar um celular conectado ao mundo inteiro a uma criança e não acompanhar o que acontece naquela tela é um risco que não pode ser ignorado.

A tragédia de Naviraí deve servir de alerta. As plataformas precisam assumir suas responsabilidades, o Estado deve fiscalizar e fazer cumprir as leis, e as famílias precisam reassumir o seu papel de proteção e acompanhamento.

No mundo real, ninguém aceitaria deixar uma criança sozinha em um ambiente desconhecido, sem saber com quem ela está ou o que pode acontecer. O mundo virtual não pode ser tratado de maneira diferente apenas porque cabe dentro de uma tela.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 28 Sep 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O Brasil que o mundo quer ver]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-brasil-que-o-mundo-quer-ver/473395/</link>
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				<description><![CDATA[Neste 27 de setembro, ao celebrarmos o Dia Mundial do Turismo, instituído pela ONU Turismo com o objetivo de conscientizar o planeta sobre o valor social, cultural e econômico da nossa atividade, o Brasil tem motivos de sobra para comemorar e olhar o futuro com ambição e confiança.

O turismo nacional vive uma fase de consolidação histórica, deixando o papel de mera promessa e se firmando como um dos motores mais eficientes de desenvolvimento sustentável, geração de emprego e distribuição de renda do nosso país.

Recordes recentes provam que o mundo voltou a olhar para o Brasil com fascínio. Entre janeiro e agosto deste ano, registramos a entrada de 6,4 milhões de turistas internacionais – alcançando o patamar recorde do mesmo período de 2025.

Parte desses visitantes gastaram R$ 33,6 bilhões nos primeiros sete meses deste ano no País.

Trata-se de um crescimento expressivo em relação aos R$ 25 bilhões registrados no mesmo período do ano passado, comprovando que os estrangeiros não apenas estão vindo mais ao País, mas também deixando significativamente mais recursos na nossa economia.

Recursos que irrigam desde grandes centros até as pequenas comunidades.

Internamente, a força do nosso mercado é igualmente expressiva. Atingimos a maior movimentação de passageiros domésticos da história, com 68,3 milhões de pessoas voando pelo País de janeiro a agosto.

E toda essa movimentação se traduz em dignidade social: geramos 93 mil novos empregos formais no setor em um ano. Hoje, o turismo conta com 2,44 milhões de trabalhadores, representando 5% da força laboral do País.

O cenário reflete uma estratégia clara de reforço da promoção do Brasil – calcada no compromisso com a sustentabilidade, a diversidade e a inclusão – e de fortalecimento da infraestrutura turística.

Como pilar central dessa estratégia, consolidamos o Fundo Geral de Turismo (Fungetur) como a nossa principal política pública de fomento.

Por meio dele, impulsionamos o setor em uma escala sem precedentes: viabilizamos cerca de 6.570 contratos de financiamento com condições especiais, somando R$ 2,94 bilhões aplicados diretamente na modernização, estruturação e no fomento de todo o trade turístico nacional.

Apoiando essa grande frente de crédito e investimentos, celebramos, desde 2023, quase 2.100 contratos para obras no segmento com estados e municípios, destinando R$ 2,7 bilhões e concluindo mais de 1.500 projetos, entre reformas de orlas, a construção de centros de eventos e outras melhorias urbanas estruturantes.

Mais do que atrair visitantes, posicionamos o País na vanguarda do turismo global. Hoje, o Brasil preside o Conselho Executivo da ONU Turismo e abriga a primeira representação da organização nas Américas, liderando debates decisivos sobre os rumos do setor no cenário internacional.

E o mundo demonstra total disposição para articular avanços conosco: firmamos cooperações bilaterais estratégicas com México, Índia e China, além de termos concretizado o acordo de liberalização aérea na América do Sul, integrando céus e impulsionando o turismo regional.


Em um planeta que busca experiências autênticas e sustentabilidade, o Brasil é imbatível. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, atrativos como a rica biodiversidade do Pantanal, os rios as e grutas de Bonito traduzem essa vocação.


E liderar o setor significa transformar vocação em oportunidade: cada turista representa renda direta no comércio, na pousada e na gastronomia local.

Nesse contexto, o Ministério do Turismo atua atento a todas as vertentes do setor: desde empreendimentos como o grandioso Polo Turístico Cabo Branco, na Paraíba, até o fortalecimento do afroturismo e do turismo em terras indígenas, garantindo que a atividade se converta em melhorias concretas na vida da população.

Olhamos com igual empenho para o turismo fronteiriço, organizando estudos com a Unesco que vão proporcionar o aproveitamento do imenso potencial das nossas regiões de divisa com o exterior.

O Brasil é uma experiência viva que transforma quem nos conhece. Ao comemorarmos este Dia Mundial do Turismo, assumimos com orgulho o protagonismo global que nos cabe.

De braços abertos para o mundo, impulsionados pela energia do nosso povo, reafirmamos o compromisso de construir um setor forte, inclusivo e sustentável. O Brasil deixou de esperar pelo amanhã: o nosso momento de encantar o planeta é agora!
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 26 Sep 2026 07:50:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Bets e o dinheiro das famílias]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/bets-e-o-dinheiro-das-familias/473394/</link>
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				<description><![CDATA[A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de proibir as bets no Brasil, anunciada nesta sexta-feira, a nove dias do primeiro turno das eleições, reúne duas questões que precisam ser analisadas separadamente. A primeira é o mérito da medida. A segunda é o momento escolhido para adotá-la.

Sobre o primeiro ponto, é preciso reconhecer que as apostas eletrônicas se transformaram em um problema para muitas famílias brasileiras.

Estudo da Universidade de São Paulo (USP) estimou que as bets retiraram entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões do consumo e da atividade econômica em 2025, valor equivalente a até 1,1% do PIB.

Não se trata, portanto, apenas de uma questão de entretenimento ou de liberdade individual. Quando parte expressiva da renda das famílias é direcionada às apostas, esse dinheiro deixa de circular em outras atividades.

A reportagem publicada nesta edição mostra, inclusive, que a proibição poderá devolver uma cifra significativa à economia local.

É muito dinheiro movimentado. São bilhões de reais. O problema é que esse enorme fluxo financeiro está associado a uma atividade que gera relativamente poucos empregos formais. Levantamento citado nesta semana aponta 1.144 postos registrados até dezembro de 2024.

É difícil não questionar se esse dinheiro não estaria melhor aplicado nas famílias, no comércio e na economia de verdade.

Quando um trabalhador deixa de gastar sua renda em apostas e utiliza esse recurso para comprar alimentos, pagar uma conta, quitar uma dívida ou adquirir um produto, o dinheiro continua circulando por setores que empregam, produzem e prestam serviços.

Mas há um segundo ponto que não pode ser ignorado: o momento da decisão. A proibição ocorre justamente na reta final de uma eleição da qual Lula participa como candidato à reeleição.

A medida vinha sendo discutida pelo governo, mas o endurecimento ocorreu nos últimos dias, e reportagens registraram avaliações dentro do próprio campo político sobre seu possível impacto eleitoral.

É legítimo, portanto, perguntar: se as bets são tão nocivas, por que não foram proibidas antes? O Brasil passou anos discutindo a regulamentação dessas plataformas e criou um mercado legalizado antes de chegar à conclusão de que ele deveria acabar.

É preciso, porém, sair da torcida eleitoral e olhar para o problema concreto. Se as bets retiram recursos das famílias, contribuem para o endividamento e movimentam bilhões com geração limitada de empregos, há motivos econômicos e sociais para discutir sua permanência.

A proibição, entretanto, não encerra o problema. Será necessário impedir que o mercado legal simplesmente seja substituído por plataformas clandestinas, fiscalizar as operações financeiras e acompanhar os efeitos sobre famílias, comércio, arrecadação e empregos.

As bets já vão tarde. Se realmente se concluiu que esse modelo produz mais prejuízos do que benefícios, essa conclusão deveria ter sido tomada muito antes – certamente antes de uma eleição. O dinheiro das famílias não pode ser tratado como aposta política nem econômica.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 26 Sep 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Urna eletrônica: iniciativa inovadora que deu certo]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/urna-eletronica-iniciativa-inovadora-que-deu-certo/473320/</link>
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				<description><![CDATA[Conquanto a discussão sobre a legitimidade do voto eletrônico já esteja superada, não é despiciendo fazer algumas reflexões ou rápidos comentários a esse respeito, sobretudo em face do grande pleito eleitoral que se aproxima, quando serão escolhidos presidente da República, governadores dos estados e do Distrito Federal, senadores da República, deputados federais, estaduais e distritais.

O voto eletrônico atualmente é a ferramenta disponível ao eleitor para exercer o seu direito político de participar da vida pública, ao menos formalmente! Esse procedimento foi inaugurado no nosso país, em 1996, ou seja, há 30 anos.

Relata a história que essa prática era um desejo manifestado no Código Eleitoral de 1932, que, em seu art. 57, previa o “uso das máquinas de votar, regulado oportunamente pelo Tribunal Superior”.

Entretanto, somente em 1995 é que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou uma comissão técnica, integrada por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), para implantar o voto eletrônico.

A urna eletrônica ou “máquina de votar”, como foi rotulada no início, na realidade é um microcomputador, composto de tela, teclado e CPU, numa só máquina, com autonomia de energia e segurança própria.

Vale lembrar o importante destaque que a ministra Cármen Lúcia, em defesa do processo eleitoral em todas as suas etapas, quando presidente do TSE, fez na ocasião da abertura do código-fonte, ao afirmar: “Nós temos 40 possibilidades de fiscalização e de auditoria dos sistemas eleitorais antes, durante e após as eleições. Isso tudo porque a democracia tem como princípio fundamental a confiança. E esta Justiça Eleitoral tem se mostrado, permanentemente, uma das instituições de maior confiança da cidadania brasileira”.

Ainda para reforçar a confiança na urna eletrônica e tranquilizar o eleitor, é oportuno destacar as avaliações feitas pelo juiz Olivar Coneglian, auxiliar da vice-presidência e corregedoria do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), quando afirma que: “Em 30 anos ninguém conseguiu violar a urna ou provar que ela teve qualquer problema. Ao contrário disso, nós tivemos a ajuda do Exército em duas eleições.

Eles colocaram em todos os estados uma equipe de engenheiros para analisar o sistema e nenhum problema foi verificado com a urna. Se foi escolhido o candidato A, B ou C, isso não é da urna, é uma opção do cidadão, que votou naquela pessoa e é o responsável por escolher o A ou B”.

Ao contrário de algumas afirmações, ainda que isoladas, é possível auditar o processo eleitoral sob diferentes aspectos, antes, durante e após as eleições, por meio dos seguintes procedimentos: verificação do resumo digital (hash); verificação de assinatura digital; reimpressão do boletim de urna; comparação entre o boletim impresso e o boletim recebido pelo sistema de totalização; comparação dos relatórios e das atas das seções eleitorais com os arquivos digitais da urna; auditoria do código-fonte lacrado e armazenado no cofre do TSE; recontagem dos votos por meio do Registro Digital do Voto (RDV); comparação da recontagem do RDV com o boletim de urna (formato PDF).

Também merece destaque a rapidez da apuração das urnas em Mato Grosso do Sul, proporcionada pelo uso da urna eletrônica e pelos sistemas de transmissão e totalização dos resultados. Nas eleições municipais de 2024, segundo o TRE-MS, 100% das urnas do primeiro turno estavam apuradas às 19h.

No segundo turno, realizado em Campo Grande, a apuração foi concluída às 17h, cerca de uma hora após o horário previsto para o encerramento da votação. Essa agilidade permite que a população conheça os resultados em poucas horas.

Não por acaso, portanto, o nosso sistema eleitoral é reconhecido internacionalmente como uma referência em tecnologia.

Apenas como testemunho histórico em defesa da urna eletrônica, relembro que atuei como funcionário da Justiça Eleitoral e, posteriormente, por vários anos, fui promotor de Justiça eleitoral, com atuação em diversas comarcas do Estado, quando o voto era impresso.

Não obstante a fiscalização da Justiça Eleitoral, com a colaboração dos partidos políticos, não era difícil se deparar com fraudes. Atualmente, como destacado acima, ao longo dos 30 anos da urna eletrônica, o número de fraudes comprovadas nessa modalidade de votação é zero! Logo, não tem como contestar o sistema de votação atual. E que permaneça assim!
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 25 Sep 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Gaeco expõe o crime dentro da polícia]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/gaeco-expoe-o-crime-dentro-da-policia/473318/</link>
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				<description><![CDATA[A Operação Infiltrados, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) ontem, expõe uma situação que causa indignação, mas também reforça a importância dos mecanismos de controle das instituições públicas.

Conforme o leitor poderá conferir com mais detalhes nesta edição, as investigações apontam para a existência de uma organização criminosa formada por agentes de segurança que desviavam drogas apreendidas, especialmente cocaína, para repassá-las a traficantes.

A operação alcançou Campo Grande, Dourados e Terenos e teve entre seus alvos policiais civis, militares e penais, além de um delegado.

É lamentável que uma estrutura criada para combater o crime possa ser utilizada, segundo as investigações, justamente para alimentar o mercado ilegal de entorpecentes.

Mais grave ainda é constatar que agentes encarregados de apreender drogas teriam desviado parte delas, por meio da omissão nos registros ou da retirada de entorpecentes de depósitos, para devolvê-las às mãos do tráfico.

Por outro lado, há uma constatação reconfortante: crimes dessa natureza não precisam permanecer escondidos para sempre. O trabalho de investigação que levou à Operação Infiltrados mostra que também existem mecanismos capazes de identificar desvios dentro das forças de segurança.

As apurações começaram a partir de elementos encontrados em outras operações do Gaeco, Traquetos e Blindspot, demonstrando a importância de uma investigação persistente e integrada.

Um agente público que desvia droga apreendida e a entrega a traficantes, se confirmadas as acusações, não está apenas descumprindo seus deveres funcionais.

Está participando da cadeia criminosa que deveria combater. Ao recolocar cocaína apreendida no mercado ilegal, contribui para que o transporte, a distribuição e a venda da droga continuem ocorrendo. A função pública, nesse caso, teria sido utilizada para favorecer justamente a atividade criminosa.

Uma boa polícia também se faz combatendo as frutas podres. É preciso identificar, investigar e afastar aqueles que utilizam o cargo público em benefício próprio ou de organizações criminosas.

Somente assim os milhares de profissionais que cumprem corretamente suas funções podem exercer seu trabalho sem que a imagem da instituição seja contaminada pela conduta de uma minoria.

As melhores instituições são aquelas que não temem a fiscalização e mantêm corregedorias fortes, independentes e capazes de agir quando há suspeitas contra seus integrantes.

O controle interno, aliado à atuação de órgãos como o Ministério Público, não enfraquece as forças de segurança. Ao contrário, ajuda a fortalecê-las, preservando a confiança da sociedade nos profissionais que diariamente enfrentam o crime.

A Operação Infiltrados ainda terá seus desdobramentos e cabe à Justiça analisar as provas e assegurar o devido processo legal a todos os investigados. Mas a atuação do Gaeco merece reconhecimento por levar a investigação até onde as suspeitas apontaram, inclusive dentro de instituições destinadas ao combate à criminalidade.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 25 Sep 2026 07:10:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Compliance no debate eleitoral em MS]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/compliance-no-debate-eleitoral-em-ms/473227/</link>
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				<description><![CDATA[Compliance não é sinônimo de anticorrupção, muito menos de investigação, repressão e ameaça de punição. Quando esses elementos passam a ocupar o centro do sistema, aproximamo-nos do chamado “compliance policialesco”.

Investigar e responsabilizar continuam necessários. O problema surge quando esses instrumentos passam a definir o próprio sentido de um sistema de integridade.

E aqui cabe uma distinção. Embora compliance seja a palavra difundida, integridade vai além da conformidade com normas.

Um sistema de integridade não busca apenas assegurar essa conformidade, mas criar condições para que pessoas e organizações ajam de forma ética e responsável. É nesse sentido mais amplo que utilizo compliance neste artigo.

O tema apareceu no debate eleitoral estadual. De um lado, surgiu a proposta de reforçar a capacidade investigativa da Controladoria-Geral do Estado de Mato Grosso do Sul (CGE-MS) e criar uma estrutura específica de combate à corrupção, com profissionais oriundos do Gaeco, da Polícia Federal e da Receita Federal. De outro, a defesa de que compliance não deve ser um grupo dedicado a “caçar o malfeito”, mas um instrumento de construção de cultura.

A divergência permite uma pergunta anterior: o que se espera, afinal, de um sistema de integridade?

A resposta começa pela prevenção, função central de um sistema de integridade.

A CGE-MS já dispõe de estrutura e servidores qualificados para investigar irregularidades. Por isso, a questão não é apenas saber quem investiga melhor, mas quais capacidades ainda precisam ser desenvolvidas para prevenir melhor.

Há modelos mais abrangentes de integridade, inspirados em referências como as da OCDE, que organizam o sistema em elementos centrais, essenciais e complementares. Cultura e liderança ocupam o centro.

Capacitação, comunicação e mecanismos de proteção dão sustentação. Identificação, resposta e responsabilização aparecem como complemento.

Essa arquitetura ajuda a compreender por que estruturas formais, embora indispensáveis, não são suficientes.

Há mais de duas décadas, Ann Tenbrunsel, Kristin Smith-Crowe e Elizabeth Umphress mostraram que a infraestrutura ética de uma organização reúne sistemas formais, informais e o clima organizacional.

O comportamento não é determinado apenas pelo que está escrito nos códigos, políticas e manuais. Importa também o cotidiano: como líderes se relacionam com suas equipes, como reagem a problemas, quais comportamentos são valorizados, quem pode falar e se as decisões são percebidas como justas.

É aqui que a ideia de controle começa a ficar pequena.

Quando passamos a atuar sobre riscos, cultura, comportamento, liderança e ambiente, entramos em um campo mais amplo: o da integridade.

Imagine um servidor que percebe uma fragilidade em determinado contrato. Ele pode conhecer a regra, saber qual canal de denúncia utilizar e compreender sua responsabilidade. Ainda assim, pode escolher o silêncio.

A diferença estará no ambiente em que trabalha. Há segurança psicológica para falar? É possível discordar da liderança? Quem aponta problemas é protegido ou visto como inconveniente? A organização aprende com os erros?

Essas perguntas também pertencem à prevenção.


Por isso, combater corrupção seriamente exige ir além de uma visão burocrática e reativa do compliance.


Liderança, comunicação, participação, segurança psicológica, motivação, gestão de pessoas e ciências comportamentais deixam de ocupar posição periférica.

Não porque compliance deva cuidar de tudo, mas porque comportamento ético é comportamento humano.

Já sabemos criar normas, códigos, canais, comitês e procedimentos. O desafio é transformar essas estruturas formais em cultura vivida no cotidiano.

Conhecimento jurídico e técnico continua indispensável, mas construir cultura exige compreender riscos, governança, comportamento humano, comunicação e liderança. Exige diagnosticar ambientes, escutar, mobilizar pessoas, conectar áreas e transformar conhecimento em prática.

Antes de perguntar o que precisa ser criado, talvez seja mais útil perguntar o que já existe, o que precisa ser fortalecido e quais competências ainda estão ausentes.

Criar capacidade institucional não é sinônimo de criar estrutura.

Instituições também avançam quando reconhecem o conhecimento que têm, desenvolvem seus servidores e conectam competências hoje dispersas.

Talvez essa seja uma contribuição importante do debate eleitoral sobre compliance: ampliar a discussão para além da investigação.

Corrupção precisa ser investigada. Irregularidades, apuradas. Responsabilidades, atribuídas. Mas um sistema de integridade não pode considerar sucesso apenas aquilo que consegue descobrir depois.

Sua maior capacidade está em criar as condições para que o problema tenha menos chance de acontecer.

Prevenir é chegar antes.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 24 Sep 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A conta do mercado ilegal de nicotina]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-conta-do-mercado-ilegal-de-nicotina/473224/</link>
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				<description><![CDATA[A proibição dos cigarros eletrônicos no Brasil não impediu que esses produtos chegassem aos consumidores. Ao contrário, a circulação ilegal se consolidou e produz, além dos efeitos sobre a saúde, outra consequência: a perda de arrecadação tributária.

Pesquisa inédita da Escola de Segurança Multidimensional (Esem) da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Instituto Ipsos, à qual o Correio do Estado teve acesso com exclusividade, mostra que Mato Grosso do Sul deixa de arrecadar R$ 244,4 milhões por ano em impostos.

O número merece reflexão da sociedade e sobretudo dos parlamentares, responsáveis por discutir as regras que disciplinam esse mercado. Não se trata de ignorar os riscos do tabaco ou de apresentar o cigarro eletrônico como inofensivo, o tabaco faz mal, inclusive quando consumido por dispositivos eletrônicos.

A questão já é outra: qual é a consequência prática de manter proibido um produto cuja utilização já ocorre de forma disseminada?

 

A incoerência está nesse ponto: o cigarro convencional é permitido no Brasil, embora faça mal, já os dispositivos eletrônicos são proibidos.

Ambos provocam danos à saúde, mas um tem mercado legal e o outro é empurrado para a clandestinidade. A proibição não eliminou o consumo, apenas retirou parte dessa atividade do mercado formal.

 

O ideal seria que ninguém fumasse, mas é difícil controlar decisões individuais. A própria experiência com drogas ilícitas demonstra isso.

O ideal é que ninguém consuma drogas, mas elas permanecem proibidas e, ainda assim, são amplamente consumidas, alimentando um grande mercado ilegal. A proibição não significa o desaparecimento do comportamento que pretende impedir.

Por isso, as autoridades podem colocar na balança os prós e os contras de uma eventual regulamentação dos dispositivos eletrônicos. O debate precisa considerar arrecadação, fiscalização, proteção dos consumidores, acesso de menores e impactos sobre o sistema de saúde.

Há uma realidade que não pode ser ignorada: o consumo ilegal existe e é propagado. O dano à saúde dos cidadãos já está sendo causado, independentemente da situação jurídica do produto, e o prejuízo à saúde pública também está na conta.

O sistema de saúde é financiado por impostos, e parte desses recursos poderia vir da tributação de uma atividade.

Isso não significa que arrecadar impostos deva ser o argumento determinante, saúde deve continuar sendo prioridade, mas também não parece razoável ignorar os resultados da política pública atual.

Se a proibição não impede o consumo, a comercialização clandestina prospera e o Estado deixa de arrecadar centenas de milhões de reais, é legítimo discutir se o modelo vigente precisa ser reavaliado.

A pesquisa acrescenta um dado relevante a uma discussão que não pode ser tratada apenas como questão de polícia ou de saúde, pois é também tema de política pública, fiscalização, economia e responsabilidade sobre os recursos que financiam serviços essenciais.

Cabe aos parlamentares avaliar os prós e os contras de cada caminho. Fica, portanto, a reflexão.

 

 
]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 24 Sep 2026 07:10:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O voto para deputado federal e a governabilidade no Brasil]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-voto-para-deputado-federal-e-a-governabilidade-no-brasil/473158/</link>
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				<description><![CDATA[Nas eleições gerais, a atenção do eleitorado costuma se voltar prioritariamente para a disputa do Poder Executivo, em especial para a Presidência da República. Promessas de campanha para Saúde, Segurança, Economia e Educação ganham espaço em debates e conversas do dia a dia.

No entanto, há um elo indispensável para que tais promessas saiam do papel e se transformem em realidade: a composição da Câmara dos Deputados. O voto consciente para deputado federal é a engrenagem que viabiliza ou trava o projeto de país escolhido nas urnas.

No sistema presidencialista brasileiro, o chefe do Executivo não governa de forma isolada. Reformas estruturais, alterações orçamentárias e a criação de novas políticas públicas dependem da aprovação do Congresso Nacional.

Quando o eleitor vota em um candidato a presidente e não atenta para a escolha dos parlamentares, corre o risco de gerar um desalinhamento político que resulta em paralisia legislativa, concessões que desfiguram as propostas originais e gastos exorbitantes em emendas parlamentares para a negociação de apoio.

A convergência de ideais e diretrizes entre o Executivo e o Legislativo é o caminho para que a vontade popular manifestada na urna seja convertida em ações concretas.

Para exercer esse direito de forma estratégica, o eleitor deve compreender como funciona o sistema eleitoral para a Câmara dos Deputados.

Diferentemente do sistema majoritário adotado para a Presidência, no qual vence quem obtém a maioria dos votos, a escolha dos deputados segue o sistema proporcional. Nesses pleitos, o voto fortalece primeiramente o partido político ou a federação.

O pilar desse cálculo é o quociente eleitoral, obtido dividindo-se o total de votos válidos pelo número de cadeiras disponíveis para o estado.

Em seguida, calcula-se o quociente partidário, que indica quantas vagas cabem a cada partido. Isso significa que o voto concedido a um determinado candidato ajuda a eleger outros integrantes da mesma sigla, partido ou federação.

A própria estrutura do número do candidato na urna eletrônica reflete esse funcionamento, visto que a identificação para o cargo de deputado federal é composta por quatro dígitos, nos quais os dois primeiros representam o partido político ou a federação partidária e os dois últimos identificam o candidato específico no pleito.

Se o eleitor opta por digitar apenas os dois primeiros algarismos e confirmar, registra o chamado “voto de legenda”, destinado diretamente ao partido político. Quando digita os quatro números, vota no candidato e simultaneamente na legenda à qual ele pertence.

Conhecer o sistema proporcional e compreender o papel da Câmara dos Deputados é, portanto, parte essencial do exercício consciente do voto.

Se a eleição presidencial define quem ocupará a chefia do Poder Executivo, a eleição para o Legislativo define, em grande medida, o ambiente político e institucional no qual esse governo terá de atuar.

Governabilidade, em uma democracia, não nasce apenas da escolha de quem governa, mas também da capacidade de construir consensos, respeitar a independência dos Poderes, fiscalizar a atividade legislativa e transformar a vontade popular em decisões institucionais.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 23 Sep 2026 07:25:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[A anatomia invisível dos acidentes aéreos]]></title>
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				<description><![CDATA[Sempre que a comoção pública é despertada por uma tragédia na aviação, como a recente ocorrência envolvendo o helicóptero Bell 430 em que viajava o cantor Rick, a reação social imediata costuma ser a mesma: a busca apressada por um culpado.

É da natureza humana desejar respostas simples para eventos traumáticos. No entanto, a verdadeira segurança de voo caminha na direção oposta.

Na aviação moderna, orientada pelas diretrizes internacionais e pela doutrina do Sipaer (Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), não investigamos para punir. Investigamos para prevenir.

Existe uma separação fundamental entre o inquérito policial, que busca a responsabilidade civil e penal, e o relatório técnico do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), cujo único compromisso é identificar fatores contribuintes para evitar que outras vidas sejam perdidas.

O primeiro mito que precisamos desarmar perante a opinião pública é o da “causa única”. Um acidente aeronáutico nunca é fruto de uma falha isolada, mecânica ou humana.

Na segurança operacional, nos apoiamos no célebre modelo do “queijo suíço”, proposto pelo psicólogo James Reason: a tragédia só se concretiza quando as diversas camadas de defesa do sistema, o treinamento, o planejamento, a manutenção, a meteorologia e a tomada de decisão, falham simultaneamente, alinhando suas vulnerabilidades.

Esse alinhamento de fatores frequentemente se manifesta em um paradoxo operacional: mesmo a bordo de aeronaves modernas, bimotoras e plenamente homologadas para operar sob regras de voo por instrumentos (IFR), a condução do voo muitas vezes se mantém sob regras de voo visuais (VFR).

Ao insistir em operar a baixa altura, abaixo do teto de nuvens para não perder o contato com o solo e realizar a separação visual de obstáculos, cria-se uma armadilha crítica.

Em áreas de relevo acidentado, sob o impacto de fortes tempestades, chuva intensa e ventos severos, a perda das referências visuais externas torna-se quase inevitável.

É nesse cenário extremo que o piloto sucumbe à desorientação espacial em questão de segundos. Privado da linha do horizonte, o cérebro humano perde a capacidade biológica de discernir a real atitude da aeronave em relação ao terreno.

Esse quadro é frequentemente agravado pela complacência, a falsa sensação de segurança alimentada por voos anteriores em condições marginais que “deram certo”, estreitando margens vitais que deveriam ser intransponíveis.

Garantir a segurança não significa apenas confiar na tecnologia de bordo, mas cultivar uma cultura justa: o reconhecimento de que limites operacionais não são negociáveis e de que abortar uma aproximação, realizar uma órbita ou desviar a rota diante do mau tempo continua sendo a maior demonstração de perícia que um aviador pode oferecer.

Quando o relatório final de uma ocorrência for concluído, ele não encerrará um julgamento penal. Seu papel mais nobre será fechar as brechas do sistema para que o passado não volte a se repetir nos céus.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 23 Sep 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Malha Oeste é estratégica para MS]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/malha-oeste-e-estrategica-para-ms/473155/</link>
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				<description><![CDATA[A Ferrovia Malha Oeste está diretamente ligada ao desenvolvimento econômico de Mato Grosso do Sul.

Alguns historiadores afirmam, inclusive, que ela foi uma das responsáveis por impulsionar o desenvolvimento da região sul do antigo Mato Grosso, território que mais tarde viria a formar Mato Grosso do Sul.

A estrada de ferro, que nasceu como Noroeste do Brasil e começou a ser concluída a partir da segunda década do século passado, está intimamente ligada ao crescimento das cidades por onde passa.

Três Lagoas, Campo Grande e Aquidauana tiveram suas trajetórias influenciadas pela ferrovia, assim como Ponta Porã, ligada à Capital por um ramal. Corumbá também conseguiu preservar sua importância econômica com a chegada dos trilhos, depois de ter se desenvolvido principalmente por meio da navegação.

Feita essa análise histórica, é difícil compreender a realidade atual. Uma ferrovia tão importante para a formação econômica do Estado está praticamente parada e sucateada.

A contradição é ainda maior porque existe demanda para seu funcionamento. Mato Grosso do Sul ampliou a produção agropecuária e industrial e recebe investimentos de grande porte, o que significa carga suficiente para justificar uma ferrovia eficiente.

Talvez parte da explicação esteja justamente no fato de a concessionária não demonstrar interesse em reativá-la.

É uma situação que precisa ser enfrentada pelo poder público, porque deixar uma estrutura estratégica abandonada significa desperdiçar uma oportunidade de reduzir custos logísticos, ampliar a competitividade da produção e diminuir a dependência do transporte rodoviário.

A Malha Oeste tem potencial para ser muito rentável. O problema não parece estar na falta de carga, mas na incapacidade de transformar essa demanda em uma operação ferroviária adequada.

Para isso, será necessária a participação do poder público, criando as condições para que os investimentos sejam realizados e a ferrovia volte a cumprir sua função.

A experiência brasileira mostra que o setor privado é eficiente na operação de grandes concessões, mas, até o momento, não tem demonstrado a mesma disposição para assumir sozinho obras estruturantes de elevado custo e retorno de longo prazo.

Cabe, portanto, ao poder público liderar a articulação necessária para recuperar a Malha Oeste.

Mais do que recuperar uma ferrovia, trata-se de recuperar um instrumento que ajudou a construir Mato Grosso do Sul e que ainda pode contribuir para seu futuro.

Se há produção, demanda e potencial de rentabilidade, não há razão para que os trilhos permaneçam parados. O Estado precisa transformar essa oportunidade em infraestrutura, desenvolvimento e competitividade.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 23 Sep 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[A crise do STF entra na urna]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-crise-do-stf-entra-na-urna/473100/</link>
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				<description><![CDATA[O Supremo Tribunal Federal (STF) não disputa eleições, mas a crise que se instalou em seu interior já entrou na campanha. A sessão extraordinária de 15 de setembro mostrou ministros divididos, acusações recíprocas e divergências sobre como examinar as suspeitas surgidas no caso do Banco Master.

O plenário terminou sem decidir se Alexandre de Moraes será investigado. A poucos dias do primeiro turno, a imagem de uma Corte incapaz de resolver seu próprio impasse passa a acompanhar o eleitor.

O tribunal discutia um relatório da Polícia Federal com mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, supostamente dirigidas a Moraes. O ministro nega irregularidades e contesta a validade do documento. A Procuradoria-Geral da República pediu sua anulação.

Também há questionamentos à atuação de André Mendonça na investigação. Suspeitas exigem apuração; não constituem prova de culpa. Essa distinção, essencial para a Justiça, tende a desaparecer no calor da campanha.

Antes de chegar ao mérito, os ministros se dividiram sobre o procedimento. Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia defenderam a análise separada dos casos de Moraes e Mendonça. Gilmar Mendes, Moraes e Cristiano Zanin apoiaram o julgamento conjunto. O placar provisório ficou em quatro a três.

Flávio Dino pediu vista, interrompendo a votação. Dias Toffoli declarou-se suspeito, e Kassio Nunes Marques, impedido.

A discussão sobre Mendonça está prevista para 23 de setembro; a questão submetida à vista permanece sem decisão final.

O plenário expôs, assim, dois conflitos: o das suspeitas e o das regras para examiná-las. Houve críticas à condução dos processos e acusações diretas entre colegas. Cármen Lúcia pediu desculpas à população pela intranquilidade produzida pela crise.

Sua manifestação reconhece um dano que não depende do desfecho das investigações: quem procura no Supremo uma referência de serenidade viu um tribunal em confronto público.

O primeiro impacto eleitoral é sobre a confiança nas instituições. Pesquisa Datafolha realizada entre 8 e 10 de setembro mostrou que 71% consideram o STF essencial para a democracia, enquanto 76% atribuem poderes excessivos a seus ministros e 77% acreditam que a população confia menos na Corte hoje do que no passado.

O eleitor parece formular uma exigência: preservar o Supremo como instituição e cobrar limites, transparência e responsabilidade de seus integrantes.

A repercussão direta sobre o voto presidencial, até agora, é restrita. No mesmo levantamento, 85% disseram que as revelações envolvendo Moraes não mudaram nem deverão mudar sua escolha; 7% passaram a ter dúvidas e 4% afirmaram ter trocado de candidato.

Quanto às suspeitas relativas a Mendonça, 86% não alteraram a preferência, 7% ficaram em dúvida e 2% disseram ter mudado o voto. A pesquisa ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios. Foi concluída antes da sessão do plenário e, portanto, não mede a reação ao que ocorreu no dia 15.

Seria precipitado concluir que a crise não terá efeito eleitoral. A dúvida declarada por uma parcela dos entrevistados indica um espaço de disputa em uma eleição apertada. E o voto raramente muda por um único episódio.

Novos fatos podem reforçar percepções anteriores sobre favorecimento, abuso de poder e desigualdade perante a lei. A crise funciona como amplificador de sentimentos já existentes.

Pesquisa Quaest divulgada no dia 14 de setembro mostrou Flávio Bolsonaro com 42% e Lula com 40% numa simulação de segundo turno, empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos. No primeiro turno, Lula aparecia com 36% e Flávio com 31%.

O levantamento não permite atribuir esses números ao caso do Master. Permite afirmar que a turbulência no STF ocorre quando a disputa presidencial está sensível a pequenos deslocamentos.

A oposição tentará vincular o desgaste da Corte ao governo de Lula e apresentar-se como defensora de uma limpeza institucional. O governismo argumentará que as relações investigadas atravessam diferentes campos políticos e que parte da oposição pretende usar a crise para enfraquecer o Supremo.

O plenário forneceu imagens e falas para ambas as narrativas. A batalha eleitoral simplificará fatos que o processo judicial ainda precisa esclarecer.

O efeito mais visível poderá aparecer na disputa pelo Senado. Este ano, serão renovadas 54 das 81 cadeiras da Casa. Pelo artigo 52 da Constituição, compete aos senadores processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade.

Candidatos poderão defender investigações, mudanças nas regras da Corte ou o afastamento de ministros. O voto para senador, muitas vezes menos acompanhado que o presidencial, ganhará o peso de uma escolha sobre a fiscalização do Judiciário.

Há também um risco para a aceitação dos resultados eleitorais. O STF e o Tribunal Superior Eleitoral participam da solução dos conflitos que cercam uma eleição. Se a confiança nos julgadores diminuir, decisões tomadas durante ou depois da votação poderão ser apresentadas como interferência política.

Nas redes sociais, documentos autênticos, interpretações apressadas e falsidades circularão lado a lado. A polarização tentará impor ao eleitor uma escolha entre a impunidade e o ataque ao Supremo, quando é possível defender a instituição e exigir apuração rigorosa da conduta de seus membros.

A resposta necessária começa pelo devido processo: acesso às informações juridicamente disponíveis, exame das provas, respeito à defesa e atenção aos conflitos de interesses.

A sessão de 15 de setembro mostrou a dificuldade de alcançar esse caminho, mas também sua urgência. O STF não preservará a própria autoridade deixando dúvidas sem resposta.

A crise talvez não mude imediatamente o voto da maioria. Já alterou, porém, o ambiente da eleição e valorizou a disputa pelo Senado. O Supremo não estará impresso na urna eletrônica. Sua credibilidade, depois do que se viu no plenário, acompanhará o eleitor até a cabine de votação.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 22 Sep 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Os táxis, as regras e a mudança tardia]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/os-taxis-as-regras-e-a-mudanca-tardia/473099/</link>
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				<description><![CDATA[O serviço de táxi é uma das formas mais tradicionais de transporte individual nas cidades. Durante décadas, foi praticamente sinônimo de deslocamento rápido e personalizado para quem não tinha carro ou precisava chegar a algum destino sem depender do transporte coletivo.

A tradição, porém, não é suficiente para garantir a sobrevivência de um serviço quando o comportamento do consumidor muda.

É nesse contexto que devem ser observadas as novas regras anunciadas pela Prefeitura de Campo Grande para a atividade dos taxistas. As medidas ampliam as possibilidades de operação e procuram adequar a regulamentação a uma realidade que já mudou há algum tempo.

Entre as novidades estão a autorização para caminhonetes integrarem a frota, especialmente para atender passageiros da zona rural e transportar volumes maiores, a regulamentação do táxi executivo, com veículos de padrão superior, e a possibilidade de o permissionário continuar trabalhando em determinadas situações quando seu veículo estiver temporariamente indisponível.

Há ainda outras mudanças, como a possibilidade de circulação dos táxis nos corredores destinados ao transporte coletivo, além da prorrogação do prazo para substituição de veículos que atingiriam a idade máxima permitida neste ano.

São alterações que, em conjunto, procuram dar maior flexibilidade ao serviço e criar condições para que os profissionais enfrentem as dificuldades econômicas e a concorrência que se intensificou nos últimos anos.

O ponto central, contudo, não está apenas nas regras para caminhonetes, veículos executivos ou substituição de carros. Está na necessidade de reconhecer que o mercado de transporte individual mudou profundamente com a chegada dos aplicativos.

O táxi, que durante muito tempo ocupou posição praticamente consolidada nesse segmento, passou a disputar passageiros com empresas que colocaram preço, conveniência, localização em tempo real e facilidade de pagamento na palma da mão.

Essa transformação impôs uma lição à categoria. O consumidor passou a comparar preços, tempo de espera, conforto e qualidade do atendimento.

O que antes parecia um mercado com pouca margem para escolha tornou-se altamente competitivo. A concorrência mostrou, inclusive, que havia espaço para uma parcela muito maior da população utilizar regularmente o transporte individual quando o preço das viagens se tornou mais acessível.

Não se trata de afirmar que todo táxi era caro ou que todos os profissionais praticavam preços inadequados, mas é inegável que a chegada dos aplicativos alterou a percepção do consumidor sobre quanto está disposto a pagar por uma corrida. O mercado respondeu à mudança, e os taxistas precisam continuar respondendo a ela.

Por isso, a modernização da legislação deve ser acompanhada por uma modernização ainda mais importante: a do próprio serviço. Não basta permitir novos tipos de veículos ou flexibilizar regras.

É preciso que os taxistas estejam presentes nas plataformas digitais, sejam capazes de receber chamadas por aplicativos e ofereçam ao passageiro a mesma praticidade que ele encontrou nos novos concorrentes.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 22 Sep 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O Judiciário brasileiro para além de suas crises]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-judiciario-brasileiro-para-alem-de-suas-crises/473043/</link>
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				<description><![CDATA[A afirmação do ministro Flávio Dino de que vivemos “o momento mais corrupto da história do Poder Judiciário” é grave e merece reflexão.

Pronunciada por um integrante do Supremo Tribunal Federal (STF) durante uma sessão marcada por discussões intensas e acusações relacionadas a fatos igualmente graves, a declaração naturalmente alcançou grande repercussão.

Não cabe minimizar suspeitas de corrupção, muito menos defender qualquer espécie de proteção corporativa. Se existem indícios de ilícitos praticados por magistrados, servidores, advogados ou quaisquer outros agentes do sistema de Justiça, tais indícios demandam investigação independente, transparente e rigorosa.

Comprovadas as irregularidades, seus responsáveis devem ser punidos nos termos da lei, independentemente do cargo que ocupem.

As instituições não se fortalecem pela ocultação de seus problemas, mas pela capacidade de enfrentá-los. Também por isso, a crítica formulada pelo ministro Flávio Dino não pode ser simplesmente ignorada.

É preciso, entretanto, fazer uma distinção indispensável. O Poder Judiciário brasileiro não se resume aos episódios atualmente discutidos em Brasília, tampouco às condutas atribuídas a algumas pessoas.

Ele é formado por milhares de magistradas e magistrados, além de servidoras e servidores, que trabalham diariamente em todas as regiões do País.

São profissionais que realizam inúmeras audiências, proferem milhares de atos processuais e enfrentam o maior acervo processual do mundo. Na imensa maioria dos casos, desempenham esse trabalho com honestidade, dedicação, independência e profundo senso de responsabilidade.

Esse cotidiano raramente ocupa as manchetes. A atividade regular e silenciosa de quem cumpre corretamente o seu dever não costuma produzir notícia.

Casos de desvio, ao contrário, despertam atenção imediata, o que não necessariamente nos incomoda, porque todo ato de corrupção praticado no sistema de Justiça é especialmente grave. Quem tem a missão de aplicar a lei deve estar submetido a elevados padrões éticos.

O perigo surge quando fatos individualizados, ainda que graves, passam a alimentar uma suspeita indiscriminada sobre toda uma instituição. A generalização não contribui para o aperfeiçoamento do Judiciário.

Além de ser injusta com milhares de profissionais honestos, ela pode enfraquecer a confiança da sociedade justamente na instituição à qual os cidadãos recorrem quando seus direitos são violados.

A confiança pública não se preserva por meio do silêncio ou da complacência. Preserva-se com investigação responsável, devido processo legal, transparência e responsabilização individual.

É necessário identificar com clareza os fatos e seus possíveis autores, evitando que acusações genéricas lancem uma sombra sobre todos aqueles que integram o sistema de Justiça.

Reconhecer a existência de problemas não significa condenar toda a instituição. Da mesma forma, defender o Judiciário não significa proteger eventuais desvios.

A verdadeira defesa institucional consiste precisamente em separar as condutas individuais da atuação da imensa maioria, enfrentar os erros com coragem e preservar aquilo que continua funcionando com seriedade.

O Judiciário brasileiro certamente tem falhas e enfrenta uma crise de confiança que não pode ser desprezada. Mas continua sendo composto, em sua grande maioria, por pessoas honestas e trabalhadoras, comprometidas com a Constituição da República e com a realização da Justiça. Essa realidade também precisa ser dita.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 21 Sep 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Porque carreira não é sorte; é estratégia]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/porque-carreira-nao-e-sorte-e-estrategia/473041/</link>
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				<description><![CDATA[Há alguns anos, quando fui a primeira mulher a assumir a gestão da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), muita gente perguntou como eu tinha chegado lá. A resposta que dou hoje é diferente da que eu mesma teria dado no começo da minha trajetória.

Eu não venho de uma família de advogados. Estudei em escola pública e trabalhei para pagar minha faculdade. Não tinha uma rede pronta me esperando. Por muito tempo, acreditei que bastava trabalhar duro.

Foi só quando percebi que trabalho duro sem direção não constrói caminho, mas apenas cansaço, que as coisas começaram a mudar. O que mudou minha trajetória não foi um golpe de sorte. Foi estratégia.

Compartilho isso porque sei que não sou a única a se perguntar, em algum momento: quero uma carreira de sucesso, mas não sei por onde começar. Quero viver da advocacia, mas ainda estou longe de fechar um bom contrato.

Quero passar num concurso, mas não sei como organizar meus estudos. Se essa é a sua pergunta, este texto é para você.

O ponto de partida é você. Carreira é uma sucessão de escolhas.

Costumamos achar que tudo vai se decidir num grande evento: o concurso, o cliente importante, a oportunidade única.

Mas quando esse momento chega, esquecemos que, na verdade, a carreira já estava sendo construída há muito tempo: no estágio escolhido, no evento em que se fez presente, no trabalho bem-feito quando ninguém estava olhando.

E tudo isso acontece hoje em meio a uma disrupção tecnológica que já atravessa a advocacia e muitas outras áreas. Dominar tecnologia, entender inteligência artificial (IA) e estar disposto a se requalificar deixaram de ser diferencial. Isso é base.

Por isso, defendo que toda carreira deveria ser tratada como se fosse uma empresa: com objetivos claros, planejamento, metas, acompanhamento de resultado e correção de rota.

Mas como planejar? O processo, na minha experiência, não precisa ser complicado. Primeiro, um diagnóstico honesto do ponto de partida – pergunte a si mesmo: quem sou eu hoje? Qual é o meu objetivo? O que estou fazendo me levará até ele? Depois, metas claras que devem ser executadas com compromisso e rotina.

Em seguida, pergunte-se: quantas horas vou dedicar a melhorar as competências (conhecimento, habilidade e atitude) que preciso desenvolver?

Por fim, execute e monitore. Funcionou? Continue. Não funcionou? Ajuste. Seu plano é um guia, não uma camisa de força.

Carreira não é o que acontece com você. Carreira é o que você constrói. Estratégia não é adivinhar o futuro. É dar o próximo passo com consciência. E, se existe um bom momento para começar a traçar o seu caminho, esse momento é agora.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 21 Sep 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O cidadão merece atendimento digno]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-cidadao-merece-atendimento-digno/473039/</link>
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				<description><![CDATA[Nesta edição, mostramos mais um pente-fino realizado pela Controladoria-Geral da União (CGU) em Mato Grosso do Sul. Desta vez, o foco está no Brasil Sorridente, programa que tem como objetivo melhorar o atendimento odontológico da Rede Pública por meio da oferta gratuita de serviços à população.

Em Campo Grande, porém, os auditores encontraram uma série de inconsistências que comprometem justamente aquilo que o programa deveria assegurar: o atendimento adequado e o acesso mais amplo à saúde bucal. A CGU realiza auditorias para avaliar a gestão, os controles e os resultados das políticas públicas.

O primeiro problema está nas condições oferecidas ao cidadão. Foram identificadas deficiências na infraestrutura dos locais de atendimento, além da falta de manutenção de equipamentos básicos. Não se trata de uma questão meramente administrativa.

Quando a estrutura não recebe os cuidados necessários, quem está na ponta é o cidadão, que depende exclusivamente do serviço público para ter acesso ao tratamento.

Há ainda um segundo problema, relacionado à falta de profissionais. Segundo o levantamento, uma das razões está no grande número de atestados médicos emitidos.

A consequência é previsível: com menos servidores disponíveis, a capacidade de atendimento diminui e a demanda que deveria ser absorvida pela Rede Pública acaba se acumulando.

Mas o quadro não termina aí. A CGU também identificou baixa produtividade no programa. Ou seja, não basta existir uma estrutura formalmente destinada ao atendimento odontológico.

É necessário que ela funcione adequadamente, tenha profissionais disponíveis, equipamentos em condições de uso e produza resultados compatíveis com os recursos empregados.

Esse ponto merece a atenção especial porque o Brasil Sorridente é uma política financiada pelo governo federal. Recursos públicos são destinados para que os municípios ofereçam serviços à população.

Portanto, é razoável esperar que a aplicação desse dinheiro resulte em atendimento eficiente e em uma oferta de serviços compatível com as necessidades dos cidadãos.

O trabalho dos órgãos de controle tem justamente essa finalidade: identificar falhas, apontar problemas e permitir que a Administração pública corrija aquilo que não está funcionando como deveria.

A fiscalização não deve ser vista apenas como uma forma de apontar erros, mas como instrumento para melhorar a qualidade do serviço público e fazer com que o dinheiro destinado às políticas públicas cumpra sua finalidade.

O que se espera, portanto, é que o município faça os ajustes necessários. As deficiências apontadas pela CGU precisam ser enfrentadas com medidas concretas, desde a manutenção adequada da estrutura e dos equipamentos até a organização dos recursos humanos e a melhoria da produtividade.

O cidadão não pode ser tratado como variável secundária na execução de uma política pública. Se há recursos para oferecer atendimento odontológico gratuito é preciso que esse atendimento seja digno, regular e acessível.
]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 21 Sep 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O algoritmo recompensa a exposição; a infância paga a conta?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-algoritmo-recompensa-a-exposicao-a-infancia-paga-a-conta/472900/</link>
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				<description><![CDATA[Quando um vídeo de uma criança alcança milhões de visualizações, é comum imaginarmos que isso aconteceu porque “as pessoas gostaram do conteúdo”.

Mas a realidade das redes sociais é mais complexa: o que vemos em nossas telas não é uma seleção neutra de publicações, e sim o resultado de sistemas desenvolvidos para identificar aquilo que prende nossa atenção por mais tempo.

Em outras palavras, existe uma lógica por trás do que viraliza – e compreendê-la é essencial para entendermos por que tantas imagens da infância ganham enorme repercussão na internet.

Cada plataforma utiliza sistemas diferentes, mas o objetivo costuma ser semelhante: manter as pessoas conectadas pelo maior tempo possível.

Para isso, os algoritmos observam sinais como quanto tempo uma pessoa assiste a um vídeo, quantas vezes ele é compartilhado, quantos comentários gera, se desperta reações intensas e se faz alguém permanecer mais tempo na plataforma.

Quanto maior o envolvimento, maior a probabilidade de aquele conteúdo ser recomendado para outras pessoas.

O algoritmo não faz julgamentos éticos. Ele não diferencia uma lembrança de família de um momento constrangedor. Ele apenas identifica aquilo que gera atenção.

Emoção é combustível para o alcance: diversos estudos sobre comportamento digital mostram que conteúdos capazes de despertar emoções fortes – surpresa, humor, indignação, comoção, encantamento – tendem a circular mais rapidamente. Tudo aquilo que nos faz parar de rolar a tela aumenta as chances de interação.

É por isso que vídeos de crianças costumam alcançar números expressivos: a espontaneidade da infância desperta identificação, afeto e curiosidade. O problema surge quando a busca por esse alcance começa a influenciar o que escolhemos registrar e publicar.

Quando a lógica da plataforma entra na rotina da família: nem sempre percebemos, mas os algoritmos também moldam comportamentos.

Quando uma publicação recebe milhares de curtidas, comentários e compartilhamentos, é natural sentir vontade de repetir aquilo que funcionou – esse mecanismo faz parte da forma como as redes sociais foram desenhadas.

Pouco a pouco, sem perceber, algumas famílias deixam de registrar apenas momentos importantes e passam a pensar em quais cenas têm maior potencial de engajamento. A infância deixa de ser apenas vivida: ela passa a ser, também, produzida para uma audiência.

Nem sempre isso acontece de forma consciente, mas vale a pena reconhecer que essa influência existe.

O risco de transformar a criança em conteúdo: toda criança tem direito a viver momentos de alegria, tristeza, frustração, descoberta e aprendizado – experiências que fazem parte do desenvolvimento.

Quando cada emoção passa a ser registrada pensando em uma possível publicação, existe o risco de invertermos a lógica: em vez de a tecnologia servir à infância, a infância começa a servir ao funcionamento das plataformas.

A criança deixa de ser apenas filha, neta ou estudante – ela pode passar a ocupar, ainda que sem intenção, o papel de personagem de um conteúdo.

Seria confortável responsabilizar apenas a tecnologia, mas ela, sozinha, não decide o que será publicado. O algoritmo recomenda, as plataformas distribuem – quem escolhe apertar o botão “publicar” continua sendo um adulto.

Por isso, o debate sobre a infância digital não é contra a tecnologia. É sobre fortalecer o olhar crítico diante dela.

Em um ambiente em que visualizações se transformam em reconhecimento, influência e, muitas vezes, retorno financeiro, é compreensível que o alcance se torne uma preocupação para quem produz conteúdo.

Mas existe uma pergunta que deveria vir antes de qualquer métrica: esta publicação respeita a criança que aparece nela?

Se a resposta não for claramente positiva, talvez o melhor indicador não seja o número de visualizações – talvez seja o silêncio de uma memória preservada apenas para quem realmente participou daquele momento.

Acredito que a tecnologia pode despertar curiosidade, criatividade, aprendizagem e conexão. Ela faz parte da infância contemporânea e pode ser uma poderosa aliada do desenvolvimento quando utilizada com intenção e responsabilidade.


Mas nenhuma inovação deve custar aquilo que a infância tem de mais valioso: o direito de crescer com dignidade, privacidade e liberdade para construir a própria história.


Os algoritmos continuarão evoluindo. As plataformas mudarão. Novas redes sociais surgirão. O desafio permanecerá o mesmo: garantir que, por trás de cada tela, nunca deixemos de enxergar a criança.
Porque as visualizações passam. A infância, não.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 18 Sep 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Bolsa Família e o jogo eleitoral]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/bolsa-familia-e-o-jogo-eleitoral/472897/</link>
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				<description><![CDATA[O Bolsa Família voltou ao centro das discussões nacionais com o reajuste de 15,04% decretado pelo governo federal. A medida, apresentada como reposição inflacionária com base no INPC acumulado, terá impacto direto nas contas públicas e no cotidiano das famílias beneficiárias.

Em Mato Grosso do Sul, o acréscimo representa R$ 20 milhões a mais por mês no orçamento federal destinado ao programa, o que significa, em média, R$ 100 adicionais para cada família atendida.

No plano macroeconômico, trata-se de um gasto extra de R$ 22 bilhões para a União; no microeconômico, mais dinheiro circulando no comércio local e reforçando o consumo das famílias de baixa renda.

O momento da decisão, contudo, não pode ser ignorado. O reajuste foi anunciado a poucos dias das eleições, em um cenário no qual a maioria dos beneficiários se identifica com o atual governo.

É legítimo reconhecer que a medida tem caráter eleitoreiro, ainda que se apoie em fundamentos técnicos como a reposição inflacionária.

O dilema se impõe aos adversários: criticar o aumento pode ser interpretado como ataque direto às famílias mais vulneráveis, o que, paradoxalmente, reforçaria a posição do presidente incumbente.

Essa estratégia, ainda que questionável, coloca opositores em uma encruzilhada política, pois qualquer contestação pode ser explorada como insensibilidade social.

Esse jogo político, que mistura políticas sociais com estratégias eleitorais, precisa ser condenado. Programas de transferência de renda são instrumentos fundamentais de combate à pobreza e à desigualdade, mas não podem ser usados como moeda de troca em disputas eleitorais.

O Bolsa Família, ao longo de sua trajetória, consolidou-se como política pública de Estado, e não de governo. É justamente por isso que sua gestão deve ser blindada contra manipulações de ocasião.

A credibilidade do programa depende de sua capacidade de se manter como instrumento de proteção social, e não como ferramenta de marketing político.

É preciso lembrar que a confiança da população em políticas sociais está diretamente ligada à percepção de que elas são universais, contínuas e livres de interesses eleitorais imediatos. 

A reflexão que se impõe é sobre o futuro do programa. Mais do que reajustes periódicos, é necessário pensar em mecanismos de “porta de saída”, capazes de oferecer às famílias beneficiárias oportunidades reais de autonomia econômica.

O Bolsa Família cumpre papel essencial ao garantir renda mínima, mas não pode se tornar uma dependência permanente. O desafio é transformar o benefício em trampolim para inclusão produtiva, educação e geração de emprego.

Só assim o programa deixará de ser refém de agendas eleitorais e se consolidará como política de emancipação social.

O país precisa avançar para que o Bolsa Família seja lembrado não apenas como um alívio imediato, mas como um caminho para a construção de uma sociedade mais justa e independente. A política pública deve ser vista como investimento em cidadania e dignidade, e não como ferramenta de conveniência política.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 18 Sep 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[A aposentadoria não pode valer menos que o mínimo]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-aposentadoria-nao-pode-valer-menos-que-o-minimo/472842/</link>
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				<description><![CDATA[O debate eleitoral deste ano trouxe novamente à mesa uma discussão que, de tempos em tempos, reaparece no Brasil: a possibilidade de desvincular os benefícios previdenciários da política de valorização do salário mínimo.

O argumento econômico é conhecido. Como milhões de benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) estão vinculados ao piso nacional, todo aumento real do salário mínimo produz impacto relevante nas despesas da Previdência.

Diante do envelhecimento da população e do persistente desafio fiscal brasileiro, surgem propostas para que aposentadorias e pensões sejam reajustadas apenas pela inflação, sem acompanhar eventuais ganhos reais concedidos ao salário mínimo.

É legítimo discutir a sustentabilidade fiscal da Previdência. Também é necessário debater fontes de financiamento, combater fraudes, rever distorções e buscar maior eficiência no gasto público.

O que não se pode admitir, entretanto, é que essa discussão abra caminho para algo muito mais grave: permitir que um benefício previdenciário destinado a substituir a renda do trabalhador seja inferior ao salário mínimo.

Nesse ponto, existe uma fronteira que não deveria ser ultrapassada. A Constituição Federal é expressa ao estabelecer, no artigo 201, § 2º, que nenhum benefício que substitua o salário de contribuição ou o rendimento do trabalho terá valor mensal inferior ao salário mínimo.

A norma constitucional não surgiu por acaso. Ela traduz uma escolha social e jurídica sobre o papel da Previdência. Quando se fala em aposentadoria mínima, não se está tratando apenas de números em uma planilha orçamentária.

Estamos falando de pessoas que dependem desse benefício para comprar alimentos, adquirir medicamentos, pagar aluguel, energia elétrica e outras despesas essenciais. Para milhões de brasileiros, a aposentadoria não representa uma renda complementar. É a principal, quando não a única, fonte de renda da família.

É preciso, portanto, separar duas discussões que muitas vezes aparecem misturadas. Uma coisa é debater se os benefícios previdenciários devem acompanhar o mesmo ganho real concedido ao salário mínimo. Outra, completamente diferente, é admitir que o piso previdenciário fique abaixo dele.

A primeira questão envolve escolhas econômicas, fiscais e políticas. Pode e deve ser debatida pela sociedade. A segunda encontra uma barreira constitucional. Mais do que isso, envolve um princípio elementar de proteção social e de dignidade humana.

O envelhecimento da população impõe desafios concretos ao sistema previdenciário. O Brasil terá, nas próximas décadas, uma proporção cada vez maior de idosos, enquanto a relação entre trabalhadores ativos e beneficiários tende a se alterar. Ignorar essa transformação seria irresponsável.

Mas igualmente irresponsável seria imaginar que o equilíbrio das contas públicas pode ser alcançado simplesmente reduzindo a proteção de quem já encerrou sua vida laboral.

O debate fiscal precisa olhar para o conjunto do problema.


É necessário discutir arrecadação, informalidade, mercado de trabalho, combate a fraudes, eficiência administrativa, despesas e fontes permanentes de financiamento. Concentrar o ajuste sobre os benefícios mais baixos significa escolher justamente aqueles que têm menor capacidade de absorver perdas.


Reformas previdenciárias podem alterar idade mínima, tempo de contribuição, critérios de cálculo, fontes de custeio e diversas outras regras. O sistema pode e deve ser aperfeiçoado sempre que as circunstâncias econômicas e demográficas exigirem. Há, porém, um limite que deveria permanecer intocado.

Quem trabalhou durante décadas e contribuiu para a Previdência não pode chegar à velhice recebendo do sistema menos do que o Estado brasileiro reconhece como o mínimo necessário para a subsistência do trabalhador.

O salário mínimo pode ser objeto de diferentes políticas de valorização. A Previdência pode ser submetida a revisões e reformas.

O equilíbrio fiscal precisa ser perseguido. Mas nenhum desses objetivos deveria servir de justificativa para reduzir abaixo do mínimo constitucionalmente assegurado a proteção de quem depende da aposentadoria para viver.

A discussão sobre o futuro da Previdência é inevitável. O que não pode ser inevitável é a ideia de que, para fechar as contas do Estado, a solução seja fazer a aposentadoria valer menos que o mínimo.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Eficiência pública também é fiscalizar]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/eficiencia-publica-tambem-e-fiscalizar/472840/</link>
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				<description><![CDATA[Nos últimos anos, muito se tem falado em eficiência na administração pública. O tema se tornou recorrente em congressos, conferências e eventos voltados à gestão. Em muitos desses espaços, falar em eficiência tornou-se praticamente sinônimo de falar em boa gestão.

E, de fato, uma administração pública eficiente é indispensável. O recurso arrecadado da sociedade precisa ser bem aplicado e produzir resultados concretos.

Esse é um jargão que já conhecemos. O que nem sempre recebe a mesma atenção, porém, é a relação entre eficiência, controle e integridade. Não basta executar o orçamento, inaugurar obras, comprar equipamentos ou anunciar investimentos.

É necessário verificar se os recursos foram aplicados corretamente, se os preços são compatíveis com o mercado, se os produtos foram efetivamente entregues e se as despesas produziram o resultado esperado.

Por isso, mecanismos de controle são fundamentais para a eficiência da administração. Nesta edição, o Correio do Estado mostra detalhes da auditoria realizada pela Controladoria-Geral da União (CGU) sobre a aplicação de emendas parlamentares em Mato Grosso do Sul.

O trabalho, realizado por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), encontrou, entre outras irregularidades, superfaturamento na compra de materiais destinados à Educação.

Os achados da fiscalização mostram por que o controle não pode ser tratado como uma etapa burocrática ou como um obstáculo à gestão.

Quando uma auditoria identifica preços acima dos valores de mercado, pagamentos por produtos não entregues ou equipamentos que permanecem sem utilização, ela não está apenas apontando uma irregularidade. Está revelando que o dinheiro público não produziu o resultado que poderia e deveria produzir.

É justamente por isso que fiscalização também é eficiência. Saber o quanto foi gasto é importante, mas saber se o gasto foi adequado e se trouxe benefício à população é ainda mais importante.

Uma administração pode executar integralmente determinado orçamento e, ainda assim, ser ineficiente se comprar mais caro do que deveria, se adquirir produtos desnecessários ou se deixar equipamentos sem uso.

O controle também contribui para corrigir procedimentos e evitar que erros se repitam. Quanto maior a transparência sobre licitações, contratos, fornecedores e resultados, maior a possibilidade de acompanhamento pelos órgãos fiscalizadores e pela sociedade.

Não se trata, portanto, de escolher entre gestão e fiscalização. Uma boa gestão precisa das duas.

O discurso sobre eficiência pública só estará completo quando vier acompanhado de integridade, transparência e controle. O dinheiro público não pertence ao governante, ao gestor ou ao órgão que o administra. É dinheiro da sociedade.

Por isso, cada despesa precisa ser planejada, justificada, fiscalizada e, sobretudo, ser capaz de entregar o resultado esperado.

Mais do que impedir desperdícios, fiscalizar é garantir que os recursos disponíveis sejam utilizados da melhor maneira possível.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A grande crise brasileira]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-grande-crise-brasileira/472787/</link>
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				<description><![CDATA[Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, lutando por um país melhor, mais justo, livre e igualitário.

Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-Nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master, o embate público entre ministros do Supremo Tribunal Federal, a dúvida lançada sobre a isenção do próprio procurador-geral da República e o conturbado afastamento do comando da Polícia Federal expuseram, aos olhos de todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral.

Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos três Poderes da República.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia.

É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do Supremo Tribunal Federal por crimes de responsabilidade.

Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da Mesa Diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito.

O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um Poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

As ações que tomarmos a seguir definirão os rumos do País pelas próximas décadas. Rogo que o Supremo tenha condições de conduzir um julgamento aberto, público e transparente.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o procurador-geral da República, diante das dúvidas lançadas sobre sua isenção, não participe do julgamento; que o Supremo retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só Poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil.


Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil.


A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 16 Sep 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O preço da falta de competitividade]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-preco-da-falta-de-competitividade/472784/</link>
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				<description><![CDATA[Nesta edição, o Correio do Estado aborda os impactos do fim da chamada “taxa das blusinhas”, cobrança sobre compras internacionais de até US$ 50 feitas por pessoas físicas.

Criada no início da atual gestão federal, a tributação foi extinta agora, reabrindo uma discussão que vai muito além do preço de uma camiseta ou de um pequeno utensílio comprado pela internet.

O apelido surgiu com a popularização das compras internacionais de produtos de baixo custo. Roupas, acessórios, pequenos utensílios e outros itens passaram a chegar diretamente às casas dos consumidores por meio de aplicativos, em sua maioria chineses.

O restabelecimento da cobrança, há pouco mais de dois anos, freou parte dessas compras. Muitas lojas, porém, compram justamente da China os produtos que vendem no mercado nacional, acrescentando custos, impostos, logística e margem de lucro ao preço final.

Agora, com o fim da taxa, os lojistas voltam a manifestar preocupação. O argumento merece ser considerado, pois o comércio gera empregos.

Mas há outro lado. Para famílias de baixa renda, que não têm condições de viajar para fazer compras no exterior, os aplicativos internacionais representavam uma alternativa de consumo. Para esse consumidor, a taxa significava aumento no custo de vida.

Por isso, a discussão não deveria ser reduzida à escolha entre proteger o comércio nacional e oferecer produtos baratos ao consumidor. O problema é mais profundo.

Se uma mercadoria produzida na Ásia, transportada por milhares de quilômetros e entregue na casa do brasileiro chega mais barata que um produto vendido por uma empresa daqui, há uma questão de competitividade que não se resolve apenas com imposto de importação.

Com ou sem “taxa das blusinhas”, o Brasil deveria buscar uma combinação mais saudável: maior massa salarial e renda, de um lado, e mais competitividade da indústria, de outro.

O consumidor precisa ter dinheiro para comprar, mas também precisa encontrar produtos nacionais capazes de disputar preço, qualidade e variedade.

A macroeconomia pode parecer distante da vida cotidiana, mas seus efeitos chegam ao comércio, às empresas, ao emprego e ao orçamento das famílias.

Quando o ambiente econômico é favorável, empresas investem, contratam e ampliam a oferta; quando se deteriora, o consumo e os investimentos tendem a perder força. Uma economia mais forte amplia oportunidades; uma economia fragilizada torna cada compra mais pesada.

As “blusinhas”, portanto, expõem uma dificuldade maior. O País precisa superar a lógica de remediar a falta de competitividade apenas com barreiras à concorrência externa e enfrentar as causas que tornam a produção nacional mais cara.

Não deveria ser necessário escolher entre empregos no comércio e acesso das famílias de menor renda a produtos baratos. O desafio é criar condições para que o País produza mais, seja competitivo e aumente a renda da população.
]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 16 Sep 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A reforma tributária e o custo invisível]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-reforma-tributaria-e-o-custo-invisivel/472722/</link>
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				<description><![CDATA[A reforma tributária em implementação no Brasil representa uma das mais profundas mudanças no sistema fiscal das últimas décadas.

A simplificação prometida – com a substituição de ICMS, ISS, PIS e Cofins pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), instituídos pela Lei Complementar nº 214/2025 – pode gerar ganhos de eficiência para a economia.

Para o terceiro setor, contudo, especialmente para instituições filantrópicas que atuam em saúde e educação, o novo modelo exige atenção imediata.

O alerta não está na perda das imunidades constitucionais, que permanecem asseguradas. O risco está na lógica de funcionamento do novo sistema tributário sobre o consumo.

O modelo de IBS e CBS foi estruturado com base na não cumulatividade plena e na geração de créditos financeiros ao longo da cadeia produtiva. Em tese, esse mecanismo evita a tributação em cascata. Na prática, porém, cria dificuldades para organizações que não conseguem aproveitar plenamente esses créditos.

Embora muitas instituições filantrópicas permaneçam isentas, seus fornecedores não estão na mesma situação – e parte deste custo tende a ser incorporada ao preço final de insumos e serviços essenciais.

Um estudo técnico da LCA Consultoria Econômica aponta que a reforma tributária poderá elevar a carga indireta das instituições filantrópicas em diferentes áreas de atuação. O impacto estimado é de 4,2% na Educação, 11,2% na Assistência Social e 1,8% na Saúde.

O impacto pode ser particularmente sensível à Saúde. Segundo a Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB), essas instituições respondem por cerca de 61% das internações de alta complexidade do SUS.

O País possui aproximadamente 1,8 mil hospitais filantrópicos, que oferecem 184 mil leitos, dos quais mais de 129 mil atendem ao sistema público. Em cerca de 900 municípios, esses hospitais são os únicos prestadores hospitalares existentes.

Esse sistema, porém, já opera sob forte pressão financeira. A própria CMB estima que a defasagem média da tabela SUS chega a cerca de 60% em relação ao custo real dos procedimentos. O setor também acumula aproximadamente R$ 15 bilhões em dívidas.

Estudos citados por entidades hospitalares indicam que a mudança no modelo tributário pode elevar os custos das instituições filantrópicas de saúde em até 27%, caso não haja mecanismos adequados de compensação.

Se isso ocorrer, o impacto não será apenas institucional. Ele poderá afetar diretamente a capacidade de atendimento do sistema público.

Outro equívoco é tratar a reforma tributária apenas como um tema contábil. Na realidade, trata-se de uma transformação estrutural na forma como os custos são gerados e distribuídos ao longo da cadeia econômica. 

Por isso, a resposta do terceiro setor não pode ser passiva. Instituições filantrópicas precisam revisar contratos com fornecedores, mapear riscos ao longo da cadeia de suprimentos, integrar áreas estratégicas e atualizar seus sistemas de controle.

Também será essencial incorporar simulações de impacto tributário ao planejamento financeiro de médio prazo.

A reforma tributária não é apenas uma mudança na legislação fiscal. Ela representa uma transformação na forma de gerir operações. Para organizações que sustentam parte significativa da saúde e da educação no País, a antecipação, o planejamento e a governança serão decisivos para preservar sua sustentabilidade.

Sem preparação adequada, uma reforma concebida para simplificar o sistema pode acabar agravando a fragilidade financeira de instituições que prestam serviços indispensáveis a milhões de brasileiros.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 15 Sep 2026 07:25:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O Supremo precisa de limites]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-supremo-precisa-de-limites/472721/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-supremo-precisa-de-limites/472721/</guid>
				<description><![CDATA[O Brasil precisa enfrentar urgentemente uma reforma no modelo de composição do Supremo Tribunal Federal (STF). A experiência brasileira vem demonstrando que não é salutar para a nossa democracia um sistema em que ministros do STF permaneçam no cargo por décadas.

A vitaliciedade, limitada apenas pela aposentadoria compulsória, permite que um mesmo ministro exerça enorme influência sobre a vida política, econômica e social do País durante sucessivos governos e diferentes gerações.

Por isso, defendo que os ministros do STF tenham mandato de 10 anos, sem recondução.

Tempo suficiente para que exerçam plenamente suas funções, contribuam para a formação da jurisprudência constitucional e preservem a independência necessária ao cargo, mas sem transformar uma nomeação presidencial em uma influência institucional que pode atravessar décadas.

Mandatos determinados não diminuem a independência judicial. Ao contrário, podem contribuir para a renovação da Corte, para o equilíbrio entre os Poderes e para a própria legitimidade do STF perante a sociedade.

Os acontecimentos recentes envolvendo o escândalo do caso Banco Master reforçam a necessidade dessa discussão.

Aliás, cabe lembrar que o Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Mato Grosso do Sul (OAB-MS) à unanimidade e diante da gravidade dos fatos tornados públicos sobre o caso, defende o afastamento cautelar do ministro Alexandre de Moraes e a suspeição do Procurador-Geral da República Paulo Gonet.

Aliás, é preciso reconhecer uma realidade: se situação semelhante envolvesse um desembargador ou juiz de qualquer tribunal brasileiro, já teria ocorrido o imediato afastamento cautelar.

O corregedor nacional de Justiça, diante de fatos dessa magnitude, determinaria de ofício o afastamento e a adoção das medidas necessárias para preservar a investigação, a instituição e a confiança pública no Poder Judiciário. Mas, como se trata de um ministro do STF, infelizmente o tratamento é diferente. 

Não é razoável que o sistema de justiça seja rigoroso na fiscalização dos magistrados brasileiros, como de fato tem que ser, e ao mesmo tempo seja praticamente desprovido de mecanismos equivalentes quando os questionamentos alcançam integrantes de sua mais alta Corte. Ministros do STF não estão acima da lei.

Democracias sólidas não dependem apenas da qualidade de seus homens e mulheres. Dependem, sobretudo, da qualidade de suas instituições e dos mecanismos capazes de limitar o poder e especialmente de manter a credibilidade que a população deve depositar no Poder Judiciário.

Nenhuma autoridade da República deve exercer poder sem controles efetivos e sem limites, como claramente está ocorrendo no STF.

Estabelecer mandato de 10 anos para ministros do STF não resolverá todos os problemas do Judiciário brasileiro. Mas seria um passo importante para assegurar renovação, equilíbrio institucional e maior confiança da sociedade na Corte.

O STF é indispensável à democracia, desde que existam limites ao poder exercido por seus ministros.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 15 Sep 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[O resultado que se espera do transporte]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-resultado-que-se-espera-do-transporte/472719/</link>
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				<description><![CDATA[Nesta edição, mostramos como anda o processo de intervenção no Consórcio Guaicurus, concessionário responsável pelo transporte coletivo de Campo Grande.

A medida adotada pelo Município ocorre depois de anos de problemas no sistema, de reclamações dos usuários e de dificuldades relacionadas à operação do serviço.

Agora, o interventor nomeado pela prefeitura e o consórcio trocam acusações, em uma disputa que tem a gestão dos recursos como um dos principais pontos de divergência. O leitor encontrará, nas páginas desta edição, mais detalhes sobre os argumentos apresentados pelas duas partes.

É importante, porém, que a discussão não se limite à disputa administrativa. O que interessa à população é saber se a intervenção será capaz de produzir resultados concretos.

Afinal, o transporte coletivo é um serviço essencial e qualquer conflito entre o poder público e a empresa concessionária precisa ser analisado a partir de seus efeitos sobre quem utiliza os ônibus diariamente.

O ponto central, a esta altura, é saber se o Consórcio Guaicurus, adquirido por uma empresa de Goiás, está disposto a melhorar efetivamente o serviço. A mudança de controle empresarial pode representar uma oportunidade, mas não será suficiente se não vier acompanhada de mudanças na operação.

Os motivos que levaram à intervenção continuam presentes e estão relacionados justamente ao funcionamento do sistema, às condições dos veículos, ao cumprimento das linhas e à qualidade do atendimento oferecido aos passageiros.

Não se pode perder de vista que os usuários não estão interessados na disputa entre o interventor e o consórcio. Tampouco cabe a eles arbitrar quem tem razão em cada acusação.

O que esperam é algo muito mais simples: ônibus em boas condições, horários cumpridos, linhas que atendam às necessidades da população, mais conforto, segurança e eficiência. É isso que deve estar no centro das decisões tomadas a partir de agora.

É inegável, por outro lado, que a intervenção trouxe algum destensionamento à discussão. Depois de um período marcado por conflitos e acusações entre o poder concedente e a concessionária, a presença de um interventor pode criar condições para que os problemas sejam examinados com mais objetividade.

Se esse ambiente permitir que prefeitura e a empresa deixem de lado a disputa e passem a buscar soluções, haverá um ganho importante para a cidade.

Mas Campo Grande não pode se contentar apenas com a redução das tensões. Enquanto se discute a gestão do sistema, outras cidades avançam em direção a um transporte coletivo mais moderno, com ônibus elétricos, veículos mais confortáveis, novas tecnologias e linhas mais eficientes.

Aqui, ainda estamos discutindo questões que deveriam estar superadas em um sistema de transporte público de uma capital.

Não se trata de exigir que Campo Grande faça, de uma hora para outra, tudo aquilo que outras cidades já conseguiram realizar. Trata-se, antes, de reconhecer que a população tem direito a um serviço melhor e que a intervenção precisa ser aproveitada como uma oportunidade para corrigir problemas antigos.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 15 Sep 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Acolhimento: uma capacidade institucional]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/acolhimento-uma-capacidade-institucional/472665/</link>
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				<description><![CDATA[Acolhimento é uma palavra que ganhou força no enfrentamento à violência contra a mulher. E precisa mesmo ganhar. Quando alguém vive sob ameaça, agressão ou medo, encontrar um Estado capaz de perceber, escutar, proteger e agir pode mudar a história de gerações presentes e futuras.

Mas há uma pergunta que amplia essa discussão: e quando essa mulher trabalha para o próprio Estado? Ela pode ser professora, policial, médica, assistente social, servidora administrativa. Pode passar o dia cuidando de pessoas, tomando decisões ou prestando um serviço público enquanto enfrenta, em casa, uma realidade que ninguém conhece.

A porta do trabalho não divide a vida em duas. O medo entra. A angústia entra. O cansaço entra. E podem entrar também a dificuldade de concentração, o isolamento, as ausências e a perda de confiança. A violência aconteceu fora da organização, mas seus efeitos chegaram até ela.

Há ainda uma terceira possibilidade, menos visível: o sofrimento pode nascer do lado de dentro.

Humilhações repetidas, assédio, constrangimentos, ameaças, isolamento e relações abusivas também adoecem. A violência psicológica nem sempre deixa marcas no corpo, mas pode deixar marcas profundas nas pessoas. Não por acaso, a legislação brasileira já a reconhece expressamente como violência.

Olhar para essas três situações muda a dimensão do acolhimento. Ele continua sendo essencial para quem procura o Estado, mas passa a ser igualmente importante para quem trabalha para fazê-lo funcionar.
E aqui há uma conexão que considero fundamental.

Instituições entregam por meio de pessoas. Cuidar das condições humanas que permitem a essas pessoas trabalhar, cooperar, decidir, aprender e oferecer o seu melhor não é algo periférico à capacidade institucional. É parte dela.

O cuidado se justifica por si só. Tratar pessoas com dignidade não deveria precisar de uma justificativa econômica ou gerencial. Mas reconhecer isso não nos impede de enxergar outra verdade: cuidado e resultado não caminham em direções opostas.

Quando uma pessoa encontra apoio, pode recuperar sua capacidade de trabalhar. Quando existe confiança, problemas aparecem antes. Quando as pessoas conseguem falar, riscos deixam de permanecer escondidos. Quando uma liderança escuta, acessa informações que dificilmente chegariam a um relatório.

O contrário também acontece. Ambientes marcados pelo medo consomem energia, silenciam problemas, afastam pessoas e desperdiçam conhecimento. A instituição pode continuar funcionando e, ainda assim, perder capacidade por dentro.

É por isso que acolhimento não deveria ser visto apenas como resposta a situações extremas. Pode ser uma política estratégica de cuidado com as pessoas e, ao mesmo tempo, de fortalecimento da capacidade institucional.

Os efeitos aparecem em diferentes lugares. Na saúde e no bem-estar. Na gestão de pessoas. Na qualidade das lideranças. Na cooperação entre equipes. Na aprendizagem. Na prevenção de riscos. E também na integridade.

Integridade depende de controles, normas, canais, investigação e responsabilização. Mas depende igualmente de algo muito humano: alguém precisa ter confiança para dizer que alguma coisa não vai bem.

É difícil identificar riscos quando não existe escuta. É difícil prevenir desvios quando a informação não circula. E é contraditório exigir comportamento ético em ambientes que toleram humilhação, assédio ou medo.

Talvez seja aqui que a ética do cuidado, associada ao trabalho de Carol Gilligan, ofereça uma chave especialmente útil. A ética da justiça está ligada ao dever de não prejudicar o outro. A ética do cuidado acrescenta uma dimensão ativa: perceber o outro e agir para cuidar.

Maturidade ética é conseguir integrar as duas. Isso vale especialmente para quem lidera.


Uma liderança eticamente madura não precisa escolher entre firmeza e cuidado, cobrança e escuta, resultado e humanidade.


Sabe exigir responsabilidade e, ao mesmo tempo, perceber quando alguém precisa ser visto.

Cuidar não significa exigir menos. Significa compreender que pessoas não são uma variável externa ao resultado. São elas que fazem a estratégia acontecer, percebem riscos, compartilham conhecimento, tomam decisões e entregam políticas públicas todos os dias.

É aí que o acolhimento ganha dimensão estratégica. Não como mais um programa ou protocolo, mas como uma capacidade que atravessa áreas e conecta aquilo que os organogramas costumam separar: pessoas, liderança, saúde, riscos, integridade e resultado.

Talvez colocar as pessoas no centro exija justamente essa ampliação do olhar.

Acolher a mulher que procura o Estado. Acolher também a mulher que trabalha para ele. E construir ambientes em que nenhuma pessoa precise adoecer em silêncio para que a organização continue parecendo saudável.

O cuidado se justifica por si só. Mas também fortalece a confiança, amplia capacidades e favorece resultados.

Acolher para fora e acolher para dentro são partes da mesma capacidade institucional. É assim que um Estado pode se tornar, ao mesmo tempo, mais humano e mais capaz, sem deixar ninguém para trás.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 14 Sep 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Os bilhões e a vida real das pessoas]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/os-bilhoes-e-a-vida-real-das-pessoas/472664/</link>
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				<description><![CDATA[Nesta edição, o Correio do Estado enfatiza os investimentos bilionários previstos para Mato Grosso do Sul nos próximos anos.

São projetos de grande porte, concentrados principalmente nos setores de celulose, mineração e agroindústria, áreas que não apenas movimentam a economia estadual, mas também refletem uma vocação construída ao longo de décadas e que vem ganhando novas dimensões.

É importante, porém, olhar para esses números com a perspectiva adequada. Investimentos privados do porte dos anunciados para Mato Grosso do Sul não se concretizam apenas porque uma empresa decidiu aplicar bilhões de reais em determinada região.

Entre o anúncio e a operação de uma grande indústria existe uma série de fatores que precisam se encaixar. E um dos mais importantes é justamente a existência de mercado, interno e externo, para absorver a produção.

É neste ponto que, em período eleitoral, o eleitor deve prestar a atenção. A campanha política tende naturalmente a explorar emoções, identidades, paixões e conflitos. Tudo isso faz parte da disputa democrática.

Mas, diante de decisões que terão consequências para os próximos anos, também é importante que o voto seja orientado pela razão. Afinal, a economia não funciona isoladamente das escolhas políticas.

Uma fábrica pode ter tecnologia, capital, matéria-prima e mão de obra, mas precisa encontrar compradores para aquilo que produz. Se a demanda desaparece ou perde força, os investimentos são adiados, reduzidos ou deixam de fazer sentido.

Por isso, o rumo das políticas econômicas adotadas pelos governos é determinante para a criação de demanda, a manutenção do consumo e a confiança necessária para que empresas continuem investindo.

A macroeconomia pode parecer distante da realidade da maioria das pessoas. Inflação, juros, câmbio, dívida pública, crédito e equilíbrio fiscal são conceitos complexos e nem sempre fáceis de compreender.

Ainda assim, uma macroeconomia bem encaminhada inevitavelmente produz reflexos na microeconomia. O que acontece nos grandes números chega, de alguma maneira, ao comércio, às empresas, ao emprego e ao orçamento das famílias.

Da mesma forma, decisões equivocadas na condução da economia também acabam cobrando seu preço no cotidiano.

O excesso de endividamento, o crédito caro e as chamadas sangrias de dinheiro, como as bets, retiram recursos que poderiam circular na economia e comprometem a capacidade de consumo e investimento das famílias.

O ambiente econômico, portanto, não é uma abstração reservada a especialistas: ele determina oportunidades concretas.

Que os investimentos bilionários continuem chegando ao Estado. E que a sociedade compreenda que eles, de uma forma ou de outra, refletem no dia a dia de todos, muito mais do que se imagina.

Por isso, em meio à emoção de uma eleição, convém também olhar para os números, compreender as consequências das escolhas e reconhecer que política econômica, no fim das contas, também é política de emprego, renda e desenvolvimento.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 14 Sep 2026 07:10:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Mandato de 12 anos para ministros do STF]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/mandato-de-12-anos-para-ministros-do-stf/472590/</link>
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				<description><![CDATA[A OAB de São Paulo, o Instituto dos Advogados de São Paulo e a Associação dos Advogados – três entidades representativas da advocacia paulista – têm apontado que a perda de credibilidade do Supremo Tribunal Federal (STF) decorre do fato de a Corte ter deixado de ser apenas um legislador negativo e um Tribunal imparcial para assumir, em determinadas circunstâncias, o papel de poder político.

Diante desse cenário, as entidades lançaram recentemente uma proposta destinada a contribuir para que o Tribunal volte a ser a Suprema Corte do País concebida pelos constituintes de 1988.

A iniciativa resulta de estudo elaborado por uma comissão de juristas que contou, inclusive, com a participação de dois ex-presidentes do Supremo Tribunal Federal, os ministros Cezar Peluso e Ellen Gracie.

Algumas das sugestões são semelhantes às que apresento em minhas manifestações nas redes sociais e artigos. Em nosso país, a cadeira de ministro do STF é vitalícia, com aposentadoria compulsória aos 75 anos, modelo que contrasta com o de outras democracias.

Se um ministro tomar posse aos 35 anos, a nação suportará uma eventual atuação de qualidade duvidosa por até 40 anos, caso ele não seja um bom magistrado. Daí a importância de fixar os mandatos em 12 anos.

Além disso, será necessário comprovar notável conhecimento jurídico, pois o Direito exige estudos cada vez mais profundos. Embora tenha 68 anos de advocacia, 62 anos de magistério universitário e 45 títulos acadêmicos, continuo estudando diariamente.

A proposta prevê também que os indicados tenham idade mínima de 50 anos. Com idade inferior, o postulante não poderá integrar a nossa Excelsa Corte.

Afinal, para julgar as questões constitucionais do País e os pleitos apresentados por juristas e advogados em uma nação de 213 milhões de habitantes, é indispensável ter experiência de vida, sólida titulação acadêmica e docência comprovada nas faculdades.

Por essa razão, revela-se corretíssima a sugestão de exigir 50 anos ou mais, em vez de apenas 35.

Pretende-se alterar também as regras do foro privilegiado, permitindo que o Supremo Tribunal Federal atue de forma cada vez mais estritamente constitucional, em vez de funcionar como uma espécie de “buraco negro” para onde convergem todos os processos, mesmo aqueles que envolvem pessoas sem prerrogativa de foro privilegiado.

Apresenta-se, também, a solução para aqueles que dispõem de foro privilegiado expresso na Constituição (e não de foro derivado de decisões da própria Corte, sem previsão constitucional).

A proposta visa à supressão do foro mesmo para as hipóteses previstas constitucionalmente, amparada no argumento consistente de que é preferível atribuir aos tribunais regionais a competência para julgar parlamentares, como senadores e deputados.

Garante-se, assim, a observância do duplo grau de jurisdição, em vez do julgamento em instância única atualmente atribuído ao Supremo Tribunal Federal.

Por outro lado, os juristas sugerem também que a presidência do Conselho Nacional de Justiça não seja exercida pelo próprio presidente do Supremo Tribunal Federal, de modo a impedir essa acumulação.

Além disso, propõem que o CNJ deixe de funcionar como um órgão corporativo, visto que, atualmente, dos seus 15 integrantes, 9 são magistrados, além da presidência exercida pelo presidente do STF.

Entre todas essas propostas, merece especial atenção a que estabelece mandato de 12 anos para os ministros do Supremo Tribunal Federal. Não se trata de reduzir a independência da Corte, mas de estabelecer um limite temporal razoável para o exercício de uma função de excepcional relevância institucional.

A vitaliciedade pode permitir que um ministro permaneça no cargo por décadas, atravessando diferentes governos, legislaturas e momentos históricos.

Um período determinado, por outro lado, preserva a independência necessária ao exercício da magistratura e, ao mesmo tempo, favorece a renovação periódica da Corte.

A experiência de outras democracias demonstra que a existência de mandato para integrantes de cortes constitucionais não é incompatível com sua independência.

Ao contrário, um prazo de 12 anos é suficientemente longo para permitir que o ministro desenvolva seu trabalho com autonomia, sem a preocupação com mudanças políticas de curto prazo, mas estabelece um limite que impede a concentração prolongada de poder em uma mesma pessoa.

É, portanto, uma medida que busca equilibrar dois valores essenciais: a independência do Supremo Tribunal Federal e a necessária renovação de sua composição.

Nesse sentido, a proposta apresentada pelas entidades representativas da advocacia paulista constitui contribuição relevante para o aperfeiçoamento institucional da Corte.

Há, ainda, uma série de outras sugestões excelentes, elaboradas pelo grupo de ilustres juristas que convergem com a proposta já apresentada pelo Instituto dos Advogados de São Paulo, com o aval da Associação dos Advogados.

Existe a premente necessidade de proteger o Poder Judiciário, pois atualmente, ao agir como um player político, o próprio Supremo Tribunal Federal acaba por se desproteger.

As recentes pesquisas de opinião evidenciam a queda de sua credibilidade perante a população, a demonstrar a insatisfação popular com a Corte.

Com essa iniciativa, as entidades representativas da advocacia paulista atuam em defesa da própria Suprema Corte ao assumir o papel que caberia ao Conselho Federal da OAB, o qual tem deixado de adotar posicionamentos mais claros e firmes sobre a matéria, como dele se esperaria.

Nessa esteira, a advocacia paulista cumpre, mais uma vez, o seu papel em defesa do Direito, da Justiça e da cidadania ao colaborar com nosso Pretório Excelso, apresentando à sociedade brasileira essa proposta que será encaminhada ao Congresso Nacional.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 12 Sep 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Antídoto contra o colapso moral ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/antidoto-contra-o-colapso-moral/472589/</link>
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				<description><![CDATA[O maior hospital de Mato Grosso do Sul, referência fundamental no atendimento à saúde da nossa população, amanheceu sob o peso ostensivo das forças policiais e de investigadores do Ministério Público.

A Operação Antidotum, deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) com apoio do Batalhão de Choque, expôs ao Estado as entranhas de um esquema assustador: fraudes contratuais e desvios milionários que somam cerca de R$ 4,9 milhões apurados de forma preliminar.

A gravidade do quadro atinge o topo da gestão. A prisão preventiva da presidente da instituição, Alir Terra Lima, com outros dirigentes e envolvidos, não é apenas uma medida drástica de polícia judicial; é o sinal límpido de que o maior complexo hospitalar de Campo Grande vinha sendo gerido em total desconexão com o seu propósito primordial, que deveria ser salvar vidas com responsabilidade e transparência.

A contradição é acentuada quando se olha para o cotidiano recente da entidade, o mais importante e mais antigo hospital em atividade na capital de Mato Grosso do Sul.

Enquanto a sociedade sul-mato-grossense convive diariamente com discursos vazios de desequilíbrio financeiro, falta de insumos e episódios dramáticos como demissões em massa e calotes na classe médica e de anestesistas, portas adentro pagamentos vultosos e sem a devida prestação de serviços eram canalizados em esquemas ocultados de órgãos de fiscalização.

Como revelado pelo Correio do Estado em reportagens recentes, documentos eram sonegados até mesmo do Conselho Fiscal do hospital e da Controladoria-Geral do Estado.

Diante do abalo reputacional e administrativo, a reação do meio jurídico e da sociedade civil já começou a se desenhar com pedidos formais de intervenção judicial na instituição, visando afastar o grupo gestor, realizar auditorias independentes e resguardar o interesse público.

O fato de os atendimentos aos pacientes terem sido mantidos no dia de hoje se deve, única e exclusivamente, à vocação e ao empenho dos profissionais de saúde da porta para dentro, que não podem e não devem ser penalizados pelos atos perpetrados pela cúpula investigada.

A palavra antidotum, do latim “antídoto”, não poderia ser mais emblemática. A Santa Casa de Campo Grande carece urgentemente de uma medicação profunda contra a improbidade e a opacidade moral.

A apuração implacável das responsabilidades é o primeiro passo para que o hospital recupere a credibilidade institucional que a população de Mato Grosso do Sul merece e precisa desesperadamente.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 12 Sep 2026 07:10:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Qualidade de vida em uma história de 80 anos]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/qualidade-de-vida-em-uma-historia-de-80-anos/472526/</link>
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				<description><![CDATA[O ano de 1946 trouxe novos ares para o Brasil. O início da redemocratização no País, marcado por uma nova Constituição, representava a esperança de progresso e dias melhores. O Serviço Social do Comércio (Sesc) foi criado nesse cenário.

Nascia em meio aos esforços de representantes patronais e da classe trabalhadora em prol de uma sociedade democrática. E foi por meio da democratização do acesso aos mais diversos serviços que o Sesc marcou sua trajetória nesses 80 anos, completos no dia 13 de setembro.

Idealizada pelos empresários do comércio, a instituição tinha como missão proporcionar qualidade de vida aos trabalhadores do setor e seus familiares. Tratava-se, na época, de um conceito incipiente, que carecia de modelos representativos.

O termo qualidade de vida era relacionado a aquisição de bens, fruto de um momento pós-guerra, quando a sociedade começava a se reestruturar economicamente.

Mas a realidade era que uma vida de qualidade precisava abranger muitos outros aspectos. O bem-estar humano necessitava de saúde física, saúde mental, relações sociais e meio ambiente.

Era preciso pensar no indivíduo de forma integral, observar o contexto em que ele vivia, as condições necessárias para que pudesse desenvolver suas habilidades e autonomia.

Uma das primeiras ações do Sesc teve como foco o momento livre do trabalhador. A ideia era transformar esse tempo em uma experiência memorável, capaz de proporcionar equilíbrio a rotina de trabalho.

Surgiram então as primeiras colônias de férias e projetos como os veraneios gratuitos, promovidos no Rio Grande do Sul, que levavam os comerciários e seus familiares para férias no litoral gaúcho.

Os trabalhadores também encontravam lazer no Sesc com as atividades esportivas. Criado em 1949, os Jogos dos Comerciários logo viraram um sucesso, com times montados em lojas e fábricas, competindo em modalidades como futebol, basquete e pingue-pongue.

Até o rei Pelé participou. Com 16 anos, ele era aprendiz em uma fábrica de botas e fez parte do torneio em Bauru.

Na área de saúde, o desafio se mostrou um pouco maior. Na década de 1940, havia uma forte incidência em doenças infectocontagiosas, além de elevada mortalidade infantil. Em resposta à questão, o Sesc construiu em Minas Gerais o Sanatório Barreiro, com 600 leitos voltados ao tratamento da tuberculose.

Também houve investimento em maternidades. Em 1949 foi inaugurada no Rio de Janeiro a Maternidade Carmela Dutra, que com apenas um ano de funcionamento já recebia o prêmio Caduceu, concedido pelo Departamento Nacional da Criança, por ser o Hospital mais eficiente no combate à mortalidade materna e perinatal.

Não poderia faltar a atuação do Sesc em educação, grande norteadora de todas as suas ações. Nos anos 1940, grande parte dos adultos brasileiros eram analfabetos ou tinham o mínimo estudo, porque necessitavam cedo trabalhar.

Em 1948, o Sesc já apoiava cursos de alfabetização de adultos e o crescimento desse trabalho culminou em um programa específico, o Sesc Ler, criado em 1998, que levou alfabetização e inclusão social a jovens e adultos que abandonaram os estudos precocemente.

Hoje, a Rede Sesc de Educação está presente em toda a Educação Básica, da Educação Infantil a Educação de Jovens e Adultos. São 234 escolas e 70 polos de Ensino à Distância da EJA.

Diversas outras ações foram desenvolvidas ao longo desses 80 anos, várias delas pioneiras e que se tornaram referência para políticas públicas e iniciativas privadas. Muitas outras estão sendo estudadas. Novos projetos, planos que são construídos no dia a dia, mediante a observação do nosso público e do contexto social.

Aos 80 anos, o Sesc não para de crescer e se adaptar. Talvez seja esse o segredo de sua longevidade: atuar no dia a dia, lado a lado com esses milhões de brasileiros que escrevem a nossa história.
]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 11 Sep 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O Supremo precisa se explicar]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-supremo-precisa-se-explicar/472525/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-supremo-precisa-se-explicar/472525/</guid>
				<description><![CDATA[O Supremo Tribunal Federal (STF) tem 135 anos de história republicana. Acompanho sua atuação desde 1988, quando iniciei a faculdade de Direito. Depois fiz mestrado em Direito Constitucional na PUC-SP e lecionei a disciplina durante 20 anos. Nunca vi o STF atravessar um momento como o atual.

É muito triste ver a Suprema Corte envolvida em tantas controvérsias e suspeitas. Suspeita não significa culpa e todos têm direito à defesa. Mas surpreende que, diante de acusações relevantes, ministros permaneçam em silêncio ou ofereçam poucos esclarecimentos.

Quem exerce tamanho poder também deve satisfação institucional ao País.

A isso se soma o excessivo protagonismo político assumido pelo STF nos últimos anos. A Corte passou a ocupar espaços cada vez maiores na vida nacional. Quanto maior o poder, maior deve ser a preocupação com autocontenção, imparcialidade e respeito aos limites constitucionais.

Há poucos dias, ouvi trabalhadores de uma obra ao lado do meu escritório fazendo críticas duríssimas ao STF e ao Judiciário. Percebi que o desgaste deixou os ambientes jurídicos e políticos e chegou às ruas. Isso é extremamente preocupante.

Há uma injustiça nisso tudo: o STF não é todo o Judiciário brasileiro. São milhares de juízes, desembargadores e ministros que trabalham muito, quase sempre em silêncio, estudando processos e cumprindo dignamente suas funções. Não é justo que todos paguem por suspeitas ou erros que não são seus.

Por isso, os fatos precisam ser esclarecidos rapidamente. Nem condenação antecipada nem proteção corporativa: investigação séria, transparência, direito de defesa e responsabilização, se houver irregularidades.

O Brasil precisa de um STF respeitado e de um Judiciário preservado. Quem respeita a Justiça deve ser o primeiro a exigir que todas as dúvidas sejam esclarecidas.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 11 Sep 2026 07:25:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Campanha com poucas propostas]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/campanha-com-poucas-propostas/472522/</link>
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				<description><![CDATA[Lamentavelmente, a campanha eleitoral deste ano é, até agora, uma das menos propositivas dos últimos anos.

Esta é a constatação possível neste momento, quando tanto no plano federal quanto nos planos regionais pouco se debatem propostas concretas para os problemas que o País e os Estados terão de enfrentar nos próximos anos.

Os escândalos estão aí, ocupando espaço no noticiário e no debate político. O eleitor, aparentemente, terá de decidir em meio ao caos, com excesso de conflitos e pouca clareza sobre aquilo que deveria orientar uma escolha eleitoral: a capacidade de cada candidato e seus planos para governar.

Em meio a esse ambiente, conhece-se muito pouco sobre a capacidade de cada um. E mesmo quando se trata de alguém já conhecido pelo eleitorado, ainda é difícil saber quais são seus planos para os próximos anos.

Experiência, popularidade ou capacidade de comunicação podem ser importantes, mas não substituem propostas e compromissos claros.

O rumo que a campanha está tomando é perigoso para a sociedade. A pessoalização da disputa, assim como o uso de figuras que não integram a disputa político-eleitoral como fator decisivo para a definição do voto, representa uma fuga ao tema principal. O eleitor precisa escolher entre projetos, e não apenas entre personagens.

É compreensível que fatos envolvendo instituições importantes despertem atenção. A crise no Supremo Tribunal Federal (STF), por exemplo, tem enorme repercussão política e institucional. Mas ela não tem relação direta com aquilo que cabe ao Poder Executivo apresentar ao eleitor.

O debate eleitoral deveria avançar para outra pergunta: quais são os planos para os próximos anos?

Essa pergunta vale para todos os níveis da disputa. Como os candidatos pretendem melhorar a segurança pública? O que farão para ampliar investimentos, gerar empregos, melhorar a saúde e a educação? Como pretendem equilibrar as contas públicas e tornar o Estado mais eficiente?

Quais são as prioridades e como serão financiadas? São questões que precisam estar no centro da campanha.

Não é possível que uma eleição seja decidida apenas pela capacidade de cada grupo de produzir conflitos, explorar escândalos ou mobilizar apoiadores em torno de personalidades.

A política precisa voltar a discutir o futuro. O eleitor tem o direito de conhecer as propostas, comparar alternativas e avaliar quem demonstra preparo para transformar promessas em ações.

Seria bom que todos falassem sobre isso. Que os candidatos apresentassem seus planos, explicassem suas prioridades e mostrassem como pretendem executá-las.

Quanto mais a campanha fugir desse debate, mais pobre será a escolha do eleitor. Uma democracia se fortalece quando a sociedade escolhe não apenas em quem confiar, mas também qual caminho deseja seguir.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 11 Sep 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[Um ano depois do STJ, a herança digital ainda para em quem não tem a chave ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/um-ano-depois-do-stj-a-heranca-digital-ainda-para-em-quem-nao-tem-a/472468/</link>
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				<description><![CDATA[Uma família chegou ao Judiciário pedindo acesso aos bens digitais de um parente morto, guardados atrás de senhas que ninguém em casa conhecia. O caso subiu até a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que o julgou em setembro do ano passado sem ter uma lei para aplicar.

Sob relatoria da ministra Nancy Andrighi, o tribunal criou a saída que faltava, um incidente apensado ao inventário e conduzido pelo juiz com apoio de um profissional especializado, que o acórdão batizou de inventariante digital.

Cabe a ele identificar, classificar e avaliar o acervo, separando o que passa aos herdeiros daquilo que morre com a pessoa. Como nenhuma lei veio depois, a decisão segue valendo. E ela deixou de fora justamente o caso mais difícil, o do investidor que guardava a própria chave.

Para boa parte do patrimônio digital, a solução funciona. Aparelho tem fabricante, conta de plataforma tem empresa por trás e empresa tem endereço para receber ofício. O juiz determina e alguém do outro lado cumpre, que é como o Judiciário sempre trabalhou. Na autocustódia não existe esse alguém.

Essa chave costuma ser uma sequência de 12 ou 24 palavras, anotada num papel, num cofre ou na memória de quem a criou. Não há instituição intermediária, ninguém bloqueia, ninguém congela e ninguém devolve o acesso perdido.

É o mesmo desenho que protege o titular em vida e que trava o inventário depois da morte dele, porque o custodiante a quem o juiz mandaria o ofício era o falecido.

A escala disso já foi medida. Um estudo da Chainalysis, referência no assunto, estimou entre 2,78 milhões e 3,79 milhões de bitcoins definitivamente perdidos, algo entre 17% e 23% de tudo o que existia. Boa parte dessas moedas não foi roubada nem gasta.

Continua exatamente onde estava, com dono registrado e sem ninguém capaz de assinar por ele.

O mercado brasileiro ajuda a dimensionar o que está em jogo. Pelos dados mais recentes da Receita Federal, as operações com criptoativos informadas ao Fisco somaram R$ 505,5 bilhões no ano passado, contra R$ 416,1 bilhões no anterior. O retrato é parcial por construção.

A regra de report alcança as corretoras que operam no País e as movimentações mais altas feitas fora delas, o que deixa de fora justamente a carteira que o investidor administra sozinho. Muitas famílias só descobrem que existe patrimônio ali quando alguém encontra um caderno com palavras soltas numa gaveta.

Do ponto de vista do direito, a titularidade nunca esteve em dúvida. A lei brasileira transmite a herança no instante da morte, independentemente de qualquer providência. O bitcoin já pertence ao herdeiro, segue visível no registro público da rede, com saldo e histórico à vista de qualquer pessoa, e permanece imóvel.

O juiz reconhece a titularidade em sentença e a sentença não produz o acesso, porque a rede só aceita uma assinatura feita com a chave.

Há ainda um efeito fiscal que pega as famílias de surpresa. O imposto estadual sobre herança incide sobre o acervo transmitido, e criptoativos declarados aparecem na declaração de bens com valor informado.

Quem declarou fez o certo, e é a família de quem fez o certo que pode ser chamada a recolher imposto sobre um patrimônio que enxerga na tela e não consegue tocar.

O Congresso discute duas propostas sobre o tema, entre elas a reforma do Código Civil, que abre um capítulo para o patrimônio digital. Nenhuma delas resolve o problema da chave, e não por falta de técnica legislativa. A rede exige uma assinatura válida, essa assinatura só sai de quem tem a chave, e nenhuma lei reescreve isso.

O que sobra é o planejamento feito em vida, e ele funciona melhor do que a maioria dos investidores imagina.

A primeira ideia a descartar é a de escrever a frase de recuperação num envelope lacrado com o nome dos filhos, porque isso entrega o patrimônio inteiro a quem abrir o envelope primeiro, hoje, sem que ninguém fique sabendo. O que se transmite com segurança é a autoridade de assinar.

A carteira de múltiplas assinaturas é o instrumento mais direto. O titular configura três chaves e exige duas delas para movimentar qualquer valor, deixando uma com ele, uma com pessoa de confiança e uma com um terceiro independente. Em vida, opera normalmente.

Depois, duas chaves se encontram e o patrimônio anda, sem que ninguém tenha tido controle sozinho em nenhum momento. Existem também transações assinadas com antecedência para liberar valores em data futura e estruturas que permitem trocar um signatário sem mexer no saldo.

Cada arranjo tem o seu risco e todos dependem de uma condição que não é técnica, que é alguém saber que aquele patrimônio existe.

O inventário brasileiro já lida com imóvel em outro estado, cota de empresa familiar e conta no exterior, e agora passa a lidar com uma classe de bem que não obedece a ofício judicial. Para quem investe, isso vira uma responsabilidade que não dá para terceirizar.

A pergunta que organiza o assunto cabe em uma linha e vale a pena ser feita hoje. Se eu não estiver aqui amanhã, alguém consegue mover esse dinheiro sem mim?
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 10 Sep 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O mar de lama do Banco Master]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-mar-de-lama-do-banco-master/472465/</link>
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				<description><![CDATA[Quando o leitor conecta algumas das reportagens desta edição, percebe que o caso do Banco Master está longe de ser apenas a história da quebra de uma instituição financeira.

O estrago provocado pelas operações que levaram à insolvência do banco de Daniel Vorcaro, hoje preso, alcança fundos previdenciários, investidores e instituições públicas. O escândalo, que veio à tona com a liquidação do banco, já ultrapassou o mercado financeiro e repercute em Brasília, abalando a República.

Pudera. As investigações revelam uma rede de relações que precisa ser esclarecida.

Vorcaro mantinha contrato de mais de R$ 100 milhões com o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes, enquanto recursos atribuídos ao banqueiro também foram destinados ao financiamento – mais de R$ 100 milhões também – do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.

A Polícia Federal (PF) investiga a origem e o destino desses valores. Não cabe antecipar conclusões, mas exigir que tudo seja esclarecido.

A engrenagem financeira que sustentou o crescimento do Master também merece atenção. De um lado, CDBs com remuneração acima da média atraíam investidores, numa estrutura que acabou ruindo. De outro, está sob investigação a captação de bilhões de reais de fundos previdenciários de estados e municípios.

Dinheiro destinado a garantir aposentadorias acabou exposto ao risco de uma instituição que não conseguiu honrar seus compromissos.

Campo Grande está entre as cidades atingidas. O Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) investiu recursos do fundo previdenciário no Banco Master, e outra reportagem desta edição mostra a dificuldade para recuperar esse dinheiro.

O que deveria estar protegido para assegurar o futuro de aposentados e pensionistas tornou-se parte de uma disputa judicial. É a prova de como um escândalo que parece distante chega diretamente ao patrimônio dos servidores.

Por isso, o caso não pode ser tratado apenas como uma questão entre banqueiros, investidores e reguladores.

Quando recursos previdenciários são aplicados em uma instituição que oferece remuneração elevada, é indispensável saber quem autorizou a operação, quais critérios foram utilizados e quais riscos foram avaliados.

Quanto mais as investigações avançam, maior fica a dimensão política do caso. A PF revelou conexões, apreendeu documentos, rastreou mensagens e levou à prisão pessoas ligadas ao esquema.

A investigação também provocou crise institucional, depois que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, foi afastado por decisão do ministro André Mendonça e posteriormente reintegrado. O episódio mostra a pressão sobre as instituições e a necessidade de preservar a autonomia da investigação.

De parabéns, portanto, está a Polícia Federal. Se não fosse a investigação, boa parte desse emaranhado poderia permanecer restrita às relações privadas entre quem oferecia dinheiro, quem recebia contratos e quem movimentava recursos.

O caso do Master envolve dinheiro público, fundos de aposentadoria, relações com autoridades e suspeitas que alcançam diferentes grupos políticos. Viram a dimensão do escândalo?
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 10 Sep 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Como o El Niño e as barreiras protecionistas interferem na pecuária moderna]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/como-o-el-nino-e-as-barreiras-protecionistas-interferem-na-pecuaria/472407/</link>
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				<description><![CDATA[Estamos prestes a iniciar uma das estações de monta mais desafiadoras da nossa história. O pecuarista que encarar esse momento apenas como mais um ciclo reprodutivo corre o risco de ver sua margem operacional evaporar nos próximos dois anos.

Em Mato Grosso do Sul, a pecuária tem sofrido forte pressão de outras culturas: a rápida expansão da soja, das florestas plantadas e da citricultura reduz as áreas de pastagens disponíveis, forçando-nos a intensificar cada vez mais a produção.

Porém, intensificar sem o suporte de uma gestão financeira cirúrgica é o caminho mais rápido para o prejuízo.

Para enfrentar esse cenário complexo, agravado pelas previsões de calor severo e chuvas irregulares ocasionados pelo El Niño, apresentamos três quebras de paradigma imprescindíveis para o sucesso da safra 2026/2027:

Primeiramente, a matriz vazia não é necessariamente apenas um indicativo de falha reprodutiva, lembre-se que ela é uma importante fonte de receita para o criador de bezerros.

Tradicionalmente, o produtor hesita em descartar fêmeas falhas, carregando-as na esperança de um resultado tardio. Mas a matemática é implacável, matrizes vazias inflam a taxa de lotação da fazenda, porém não ajudam a pagar as contas.

Diante de pastagens castigadas pelo estresse térmico e pela degradação hídrica do El Niño, manter essa “máquina” improdutiva consumindo recursos é insustentável.

O descarte  dessas fêmeas vazias ao fim da estação de monta deve ser inegociável, trata-se de uma estratégia para gerar receita e aliviar os pastos na seca para priorizar os animais produtivos.

Em segundo vem a “guerra silenciosa” por áreas e a armadilha inflacionária do milho.  Disputamos por áreas produtivas diretamente com a agricultura e a silvicultura. Com menos espaço para a pecuária, a resposta óbvia tem sido a transição para sistemas que adotam semiconfinamento e confinamento.

Mas surge aí uma nova competição por outro recurso: o milho. A consolidação de gigantes usinas de etanol de milho no Estado estabeleceu uma demanda contínua que inflaciona o grão. Antes de confinar, o produtor deve priorizar a produção de arrobas em pastagem.

A arroba mais barata continua sendo aquela produzida a pasto.

E em terceiro, a estação de monta como uma “máquina do tempo” para o mercado de 2028. O cerco internacional se fechou. A União Europeia barrou as importações de animais que tenham consumido antimicrobianos (promotores de crescimento químicos).

Paralelamente, as cotas da China para a carne brasileira foram atingidas e o excedente será taxado em mais 55%. No bolso do produtor, a suspensão do bônus Hilton representa uma perda direta de aproximadamente R$ 6,00 por arroba do animal abatido.

Como o MS tem seu foco na produção de animais precoces e superprecoces, abatidos entre 18 meses e 24 meses, as decisões sobre o protocolo sanitário e nutricional do bezerro concebido hoje definirão a liquidez dessa safra em 2028.

Planejar o fluxo de caixa, determinar o custo real de cada arroba produzida e antecipar-se às barreiras comerciais não são mais opcionais: são condições imprescindíveis para maximizar o resultado da operação pecuária.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 09 Sep 2026 07:25:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Caos que não pode ser normalizado]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/caos-que-nao-pode-ser-normalizado/472399/</link>
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				<description><![CDATA[Nesta edição, mais uma vez, mostramos o caos financeiro da Santa Casa de Campo Grande e suas implicações. E elas têm se agravado somadas à má gestão financeira do hospital.

Não há mais como aceitar a justificativa de que a Santa Casa é um hospital de “portas abertas” e que, por isso, os recursos públicos repassados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nunca são suficientes para equilibrar as contas.

É evidente que pode haver insuficiência de recursos para manter uma estrutura desse porte, mas a falta de dinheiro não pode servir como explicação permanente para um cenário de desorganização financeira. Talvez faltem recursos, mas não ao ponto de justificar o caos atual.

Quando uma instituição recebe recursos públicos em valores expressivos, a sociedade tem o direito de saber como esse dinheiro é utilizado. E é justamente aí que está um dos maiores problemas da Santa Casa: falta transparência.

As contas e os contratos de terceirização não permitem compreender com clareza onde estão os custos. É preciso saber se não há situações injustas, com muita gente produzindo pouco enquanto recebe muito dinheiro.

Não se trata de acusar ninguém sem provas, mas de exigir que os números permitam afastar dúvidas. A falta de transparência abre espaço para questionamentos sobre a eficiência dos contratos e da estrutura administrativa da Santa Casa de Campo Grande. Uma gestão responsável deveria esclarecer essas questões.

Também chama atenção o peso dos juros pagos mensalmente pela instituição. São milhões de reais que deixam de ser destinados à atividade hospitalar para remunerar dívidas acumuladas. Em algum momento, é preciso atacar as causas do problema.

A Santa Casa também poderia ter mais capacidade de gerar caixa e depender menos dos repasses do SUS. Isso exigiria planejamento e revisão de despesas, processos e contratos. Aparentemente, não há um trabalho consistente nessa direção.

É lamentável que um hospital tão importante para Campo Grande e Mato Grosso do Sul esteja permanentemente envolvido em problemas financeiros. Parte dessas dificuldades pode decorrer não apenas da falta de recursos, mas também de uma gestão que não demonstra eficiência e transparência.

A Santa Casa de Campo Grande precisa de recursos, mas precisa também de gestão. Precisa do Sistema Único de Saúde, mas deve buscar reduzir sua dependência.

E precisa, principalmente, abrir suas contas para distinguir aquilo que é efetivamente falta de dinheiro daquilo que pode ser consequência de decisões administrativas equivocadas. Sem isso, o problema continuará sendo empurrado para o futuro, enquanto a conta ficará para a sociedade.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 09 Sep 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Eleição: a festa da cidadania]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/eleicao-a-festa-da-cidadania/472355/</link>
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				<description><![CDATA[Será necessária muita sabedoria para que a eleição seja, de fato, a festa da cidadania – um momento livre de hostilidades e polarizações ideológicas. Dessa forma, todos os convidados, que são os eleitores e as eleitoras, não sairão decepcionados.

A Igreja Católica não apresenta nem indica candidatos e partidos políticos. Sua verdadeira missão é colaborar com a formação da consciência dos fiéis, oferecendo princípios éticos e morais inspirados no Evangelho e em sua doutrina social, amplamente explicitada em documentos, cartas e exortações.

Recentemente, no dia 18 de junho, o Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou sua mensagem ao povo brasileiro para as eleições deste ano, reafirmando o compromisso da Igreja com a promoção da dignidade humana e do bem comum.

Inspirada na passagem bíblica “Examinai tudo e guardai o que for bom” (1Ts. 5: 21), a mensagem ressalta que a participação consciente dos cidadãos no processo eleitoral é uma das mais elevadas formas de caridade e serviço à sociedade.

Os bispos afirmam que o pleito representa uma oportunidade privilegiada para o exercício da cidadania e da corresponsabilidade social. Além de escolher gestores, governantes e representantes, cada brasileiro é chamado a renovar o compromisso com valores fundamentais para a convivência democrática, a justiça social e a fraternidade.

Também vinculado à CNBB, o Centro Nacional de Fé e Política lançou oficialmente o subsídio “Eleições 2026: democracia, sinodalidade e bem comum”, que propõe uma série de encontros de reflexão e oração destinados à preparação espiritual, ética e social do povo brasileiro para o período eleitoral.

Esse itinerário formativo comunitário é baseado na metodologia da Conversa no Espírito, herdada do Sínodo dos Bispos promovido pelo saudoso Papa Francisco.

Na prática, uma das maneiras de fazer essa mensagem ecoar nas bases da sociedade é por meio das pastorais e dos movimentos eclesiais.

Entre outros organismos da igreja, o Movimento dos Focolares, por exemplo, baseia-se no carisma da unidade para promover uma participação política pautada pelo diálogo, pela ética e pela cultura da fraternidade.

O Focolares conta, inclusive, com um ramo específico: o Movimento Político pela Unidade (MPPU), que atua ativamente na conscientização e qualificação do debate público, promovendo campanhas de cidadania focadas no voto consciente, no voto ético e na fraternidade universal, tendo o diálogo pós-eleições como um dos pilares para garantir o bem comum.

Termino com as palavras inspiradoras da mensagem dos nossos bispos: “O Brasil necessita reforçar a capacidade de construir pontes, promover encontros e cultivar a amizade social”.
]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 08 Sep 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Pix: quando uma inovação brasileira passa a chamar a atenção do mercado global]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/pix-quando-uma-inovacao-brasileira-passa-a-chamar-a-atencao-do/472354/</link>
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				<description><![CDATA[Poucas tecnologias conseguiram transformar tão rapidamente o comportamento financeiro de um país quanto o Pix. Lançado pelo Banco Central em 2020, o sistema de pagamentos instantâneos já movimentou 
R$ 84,9 trilhões até setembro de 2025, deixando de ser apenas uma alternativa às transferências bancárias para se tornar a principal infraestrutura de pagamentos do Brasil.

Hoje, pagar uma conta, fazer compras, transferir dinheiro ou receber um pagamento em segundos faz parte da rotina de milhões de brasileiros, uma mudança que também começa a despertar a atenção do mercado internacional.

Os números ajudam a explicar esse fenômeno. De acordo com dados do Banco Central, mais de 80% da população brasileira já utiliza o Pix e, somente em janeiro deste ano, foram registradas aproximadamente 7 bilhões de transações.

No comércio eletrônico, sua relevância também cresce de forma acelerada. O Global Payments Report 2026 aponta que o Pix já responde por 42% das transações do e-commerce brasileiro, consolidando-se como um dos principais meios de pagamento do País e uma referência mundial em pagamentos digitais.

O impacto dessa transformação foi profundo em todo o mercado financeiro: o Pix deixou de ser apenas um meio de pagamento para se tornar uma plataforma sobre a qual novos serviços financeiros vêm sendo construídos, estimulando a competição e reduzindo barreiras para a digitalização da economia.

Não por acaso, o modelo brasileiro passou a ser observado por diversos países que buscam modernizar seus sistemas de pagamentos.

Recentemente, o Pix ganhou ainda mais visibilidade internacional ao ser citado como um modelo de referência por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, em discussões sobre comércio e inovação financeira envolvendo o Brasil.

O episódio evidencia os impactos de uma solução desenvolvida para atender a demandas de consumo brasileiras e que, rapidamente, se consolidou e alcançou relevância suficiente para integrar o debate econômico global.

O interesse internacional não surge apenas da tecnologia em si, mas da combinação entre infraestrutura pública eficiente, ampla adesão da população e capacidade de gerar inovação em escala. Poucos sistemas de pagamentos no mundo conseguiram atingir, em tão pouco tempo, um nível tão elevado de utilização por consumidores, empresas e pequenos negócios.

O futuro do Pix também aponta para novas oportunidades. A integração com inteligência artificial permitirá experiências de pagamento ainda mais personalizadas, automatizando processos, aprimorando a prevenção a fraudes e oferecendo recomendações financeiras em tempo real.

Para as empresas, acompanhar essa evolução deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade estratégica. Organizações que conseguirem integrar novas tecnologias, oferecer experiências fluidas e utilizar os dados gerados pelos pagamentos de forma inteligente estarão mais preparadas para atender às expectativas de consumidores cada vez mais digitais.

O Pix nasceu como uma inovação brasileira voltada à eficiência do sistema financeiro. Seis anos depois, tornou-se um exemplo de como políticas públicas, tecnologia e colaboração entre regulador e mercado podem criar soluções capazes de transformar uma economia inteira e, agora, inspirar o restante do mundo.
]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 08 Sep 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O combate ao crime precisa se organizar ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-combate-ao-crime-precisa-se-organizar/472353/</link>
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				<description><![CDATA[Nesta edição, o Correio do Estado volta a publicar informações sobre a guerra de facções entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). O conflito, que já provoca violência em outras unidades da Federação, chegou a Mato Grosso do Sul e mostra que o crime organizado não respeita fronteiras estaduais.

O agravamento dessa guerra também expõe fragilidades do nosso sistema de segurança pública, sobretudo pela falta de articulação entre os Estados brasileiros.

O crime se movimenta de um Estado para outro com facilidade, utiliza rotas interestaduais, movimenta dinheiro, drogas e armas e estabelece conexões que ultrapassam até as fronteiras nacionais. O poder público, porém, ainda encontra dificuldades para atuar com a mesma integração.

Segurança Pública é, sim, uma responsabilidade dos Estados. Mas isso não significa que cada unidade da Federação deva enfrentar sozinha organizações que atuam nacional e internacionalmente.

A União precisa exercer um papel maior na coordenação, integração de informações e definição de estratégias comuns.

É uma lógica semelhante à adotada na Saúde, em que o Sistema Único de Saúde (SUS) estabelece uma estrutura nacional de cooperação.

Não se trata de retirar dos Estados suas atribuições, mas de organizar melhor aquilo que já existe. Se o crime é interestadual, o combate também precisa ser.

Se as facções atuam internacionalmente, as forças de segurança precisam ter instrumentos para acompanhar esse movimento. Não podemos aceitar que organizações criminosas sejam mais articuladas do que as instituições criadas para combatê-las.

O problema é que essa discussão frequentemente esbarra em ruídos políticos e partidários. O Congresso Nacional, por exemplo, há meses não consegue avançar na aprovação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC), elaborada por especialistas, para melhorar a estrutura de combate ao crime.

Enquanto os parlamentares deixam a discussão se arrastar, a criminalidade não interrompe suas atividades à espera de um acordo político.

O resultado dessa desorganização é conhecido. Facções ganham espaço, ampliam territórios, recrutam jovens, estabelecem novas rotas e disputam mercados ilegais com violência. Quanto mais tempo o Estado demora para coordenar suas forças, maior é a oportunidade oferecida a essas organizações.

É preciso abandonar a lógica de que segurança pública deve ser tratada apenas quando uma crise explode. O combate ao crime organizado exige planejamento permanente, compartilhamento de informações, inteligência e integração entre forças estaduais e federais. Também exige que divergências políticas não sejam colocadas acima do interesse da sociedade.

Precisamos nos organizar mais para enfrentar os bandidos. Não é razoável que criminosos consigam estabelecer alianças, atravessar fronteiras e movimentar recursos com mais eficiência do que as instituições públicas. Se a guerra de facções chegou a Mato Grosso do Sul, a resposta precisa ser proporcional ao tamanho da ameaça.

Contra um crime que atua em rede, o Estado também precisa atuar em rede.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 08 Sep 2026 07:10:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O que o streaming ensina e erra ao contar histórias de violência contra a mulher]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-que-o-streaming-ensina-e-erra-ao-contar-historias-de-violencia/472250/</link>
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				<description><![CDATA[“Elize: Sombras de uma Mulher” chegou ao topo do ranking de filmes mais assistidos da Netflix em diversos países quase ao mesmo tempo em que uma decisão judicial suspendeu um documentário sobre o ex-marido de Maria da Penha, por veicular acusações infundadas contra o caso que deu nome à principal lei de proteção às mulheres do Brasil.

São dois episódios aparentemente distantes, mas que revelam a mesma fratura. O streaming aprendeu a vender histórias de violência contra a mulher, mas ainda não aprendeu a contá-las com responsabilidade.

Venho defendendo há algum tempo que a comunicação não é um detalhe posterior ao crime, ela integra o fenômeno da violência.

É o que venho dizendo sobre o Método Papageno, uma adaptação, para o enfrentamento da violência de gênero, das diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) contra o chamado Efeito Werther, que explica como a cobertura sensacionalista de mortes pode gerar contágio social.

Se a narrativa errada pode adoecer, a narrativa certa pode proteger. E é exatamente essa régua que precisamos aplicar ao boom de true crime sobre feminicídio no streaming. A questão aqui não é proibir, mas sim saber onde termina o contexto legítimo e começa o espetáculo.

“Elize: Sombras de uma Mulher” é um caso particularmente delicado porque inverte o roteiro clássico. A protagonista é, ao mesmo tempo, sobrevivente de abuso na infância, de exploração sexual e de um relacionamento marcado por violência, e autora confessa do homicídio e esquartejamento do marido.

Mostrar essa trajetória tem um valor social. Ajuda o público a reconhecer que ciclos de violência raramente começam no dia do crime, e que vítimas também podem reagir de formas que a lei não absolve, mas que a sociedade precisa entender.

Esse é o lado em que o filme se aproxima do que o Método Papageno recomenda, uma contextualização estrutural, e não redução da violência a um “crime passional” isolado. O problema é que parte do público reagiu ao filme celebrando a protagonista, praticamente transformando-a em fenômeno de cultura pop.

Afinal, esta já é a terceira produção sobre o mesmo caso em cinco anos, depois da docussérie “Elize Matsunaga: Era uma Vez um Crime” (2021) e da série “Tremembé” (2025).

Quando um crime real vira franquia de entretenimento, a linha entre humanizar e romantizar se rompe. Humanizar é explicar por que uma pessoa chegou até ali, sem retirar sua responsabilidade.

Já romantizar é estetizar o crime até ele parecer sedutor, heroico ou justificável e é justamente esse tipo de narrativa que, segundo a lógica do Efeito Werther, pode servir de espelho para outros agressores, ou mesmo para vítimas em situações-limite, buscarem no crime uma saída.

O caso de Maria da Penha mostra a outra face do mesmo problema, ainda mais grave por vir de uma produção que se apresenta como documental, logo, com pretensão de verdade factual.

Ao dar voz à versão do ex-marido, condenado por tentar matá-la duas vezes, a obra não amplia o debate público. Ela tenta reescrever o consenso jurídico e histórico em torno de um caso que fundou uma política de Estado – política essa, inclusive, reconhecida como uma das melhores do mundo.

É o que se percebe como desalento institucional, o risco de que mulheres em situação de violência olhem para o caso mais emblemático do País, vejam sua credibilidade sendo questionada na tela, e concluam que denunciar não muda nada. Entre esses dois extremos, há exemplos de como fazer diferente.

“Justiça por elas” e “Mexeu com uma, Mexeu com todas”, este último com o relato direto de Maria da Penha, mostram que é possível narrar violência real sem espetacularizá-la. São produções que dão protagonismo à sobrevivente, expondo falhas institucionais e indicando caminhos de proteção, em vez de apenas revisitar o horror do crime.

Não defendo que o streaming deixe de contar essas histórias, afinal o interesse do público por elas é, também, um sintoma de que a sociedade quer entender a violência contra a mulher, não apenas consumi-la.

Defendo que produtoras, plataformas e veículos de imprensa assumam que contar esse tipo de história é exercer um dever de cuidado.

Evitar a centralidade do agressor, preservar a dignidade da vítima, contextualizar a violência como fenômeno estrutural e, sempre que possível, indicar onde uma mulher em risco pode buscar ajuda. Comunicar, aqui, também é prevenir.

O sucesso de audiência de “Elize: Sombras de uma Mulher” e a repercussão do caso Maria da Penha não são incidentes isolados. São um retrato de como o Brasil ainda está aprendendo a diferenciar entre expor violência e explorá-la. Essa é uma escolha editorial, não um acaso do algoritmo e é hora de tratá-la como tal.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 05 Sep 2026 07:50:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Clima: prevenção é o melhor caminho]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/clima-prevencao-e-o-melhor-caminho/472246/</link>
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				<description><![CDATA[Muito se tem falado sobre o El Niño nos últimos meses. Há uma razão para isso: a expectativa é de que o fenômeno climático tenha forte intensidade, o que aumenta a preocupação com as consequências que ele poderá provocar em diferentes regiões do País.

É compreensível que parte da população já esteja cansada de ouvir sobre o assunto. Afinal, as projeções são repetidas e, em certa medida, as consequências já são conhecidas: possibilidade de seca em áreas do Brasil central e excesso de chuvas na região meridional.

Ainda assim, insistir na informação não é exagero. Quando se trata de fenômenos climáticos, conhecimento também é uma ferramenta de prevenção.

Mato Grosso do Sul, como o Correio do Estado já mostrou, está exposto às duas projeções. O Estado pode enfrentar estiagem e forte calor, ao mesmo tempo em que determinadas áreas podem registrar volumes elevados de chuva. Essa condição exige atenção de governos, produtores rurais, empresas e população.

É importante que todos saibam, com antecedência, o que pode acontecer. Uma população informada tem melhores condições de se organizar, tomar decisões e reduzir os impactos de eventos extremos.

Quem conhece os riscos consegue se preparar, seja reforçando estruturas, planejando atividades, protegendo a produção ou adotando cuidados capazes de evitar prejuízos.

Há, evidentemente, uma margem de incerteza em toda previsão climática. Os fenômenos podem não se manifestar exatamente da maneira ou com a intensidade projetada. E isso seria uma excelente notícia. O fato de uma previsão não se confirmar, porém, não significa que tenha sido errado se preparar para ela.

O Pantanal é um exemplo claro dessa lógica. O que todos desejamos é que não ocorram grandes incêndios na região. Se os fenômenos climáticos não forem tão intensos quanto o previsto e as condições não favorecerem uma temporada severa de queimadas, melhor.

Mas, diante da possibilidade de um cenário adverso, é fundamental que o poder público e os setores envolvidos estejam preparados para agir rapidamente.

Prevenção não significa afirmar que uma tragédia necessariamente acontecerá. Significa reconhecer a possibilidade e adotar medidas para reduzir seus efeitos. Se nada ocorrer, tanto melhor. O investimento feito em preparação terá cumprido sua função justamente porque a sociedade estará mais segura e organizada.

Em questões climáticas, esperar a confirmação do problema para começar a agir pode custar caro. É necessário acompanhar as previsões, atualizar os cenários e adaptar as estratégias conforme novas informações surgirem.

Pode haver quem considere repetitivo ouvir sobre o El Niño. Mas a repetição também cumpre uma função. Quanto mais pessoas estiverem conscientes dos riscos, maior será a capacidade coletiva de enfrentá-los.

Ser previdente é se preparar para o pior sem desejar que ele aconteça. Se as previsões mais severas não se confirmarem, será motivo para comemorar. Mas ninguém deverá se arrepender de ter se preparado.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 05 Sep 2026 07:40:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Leilões de fazendas, por que o produtor rural precisa agir antes de perder a propriedade]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/leiloes-de-fazendas-por-que-o-produtor-rural-precisa-agir-antes-de/472197/</link>
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				<description><![CDATA[A primeira orientação ao produtor é não esperar a situação chegar ao leilão. A prevenção continua sendo a melhor estratégia.

Documentos como laudos agronômicos, informações sobre perdas de produção, demonstrações financeiras e registros da atividade rural podem assumir papel decisivo na negociação e em eventual discussão judicial.

O agronegócio brasileiro atravessa um período de forte pressão financeira.

Problemas climáticos, volatilidade das commodities, juros elevados e aumento dos custos de produção têm ampliado o endividamento de produtores rurais e, consequentemente, o número de situações que podem resultar em execuções, recuperações judiciais e leilões de propriedades.

Nesse cenário, é importante afastar a ideia de que a publicação de um edital de leilão representa necessariamente o fim das possibilidades jurídicas.

Dependendo das circunstâncias, existem instrumentos que podem permitir a renegociação das dívidas, a suspensão do procedimento ou até mesmo o questionamento judicial de atos praticados de forma irregular.

No âmbito do crédito rural, a Súmula nº 298 do Superior Tribunal de Justiça reconhece o direito ao alongamento da dívida quando preenchidos os requisitos legais.

Situações como frustração de safra, dificuldades de comercialização e incapacidade temporária de pagamento podem justificar a prorrogação, desde que devidamente comprovadas.

Por isso, documentos como laudos agronômicos, informações sobre perdas de produção, demonstrações financeiras e registros da atividade rural podem assumir papel decisivo na negociação e em eventual discussão judicial.

Outra alternativa que merece atenção é a recuperação judicial do produtor rural, prevista na Lei nº 11.101/2005.

Desde que atendidos os requisitos legais, o produtor pessoa física também pode recorrer ao instituto para reorganizar seu passivo e buscar condições que permitam a continuidade da atividade produtiva.

Quando a dívida já avançou para uma execução ou para um procedimento de alienação fiduciária, a análise precisa ser ainda mais cuidadosa. A legislação estabelece uma série de formalidades que devem ser observadas pelo credor.

A ausência ou irregularidade de intimações, problemas no edital, erros na identificação ou descrição do imóvel, descumprimento de prazos e questões relacionadas à avaliação do bem são alguns dos pontos que precisam ser examinados antes da realização da praça.

A discussão sobre preço vil também pode ser relevante, mas deve ser analisada à luz das circunstâncias concretas da arrematação e das regras aplicáveis ao procedimento.

Não se trata simplesmente de aplicar um porcentual de forma automática: é necessário verificar a avaliação, a atualização do valor do imóvel e as condições específicas do caso.

Outro aspecto importante envolve a proteção conferida pela Constituição Federal à pequena propriedade rural trabalhada pela família. O artigo 5º, XXVI, estabelece proteção contra a penhora em determinadas hipóteses, o que exige uma análise cuidadosa das características da propriedade e da origem da dívida.

Nos processos de recuperação judicial, também pode surgir a discussão sobre a essencialidade do imóvel para a continuidade da atividade produtiva. Em determinadas situações, a perda da fazenda pode comprometer não apenas o patrimônio do produtor, mas a própria possibilidade de manutenção da atividade econômica.

Por isso, diante de uma dívida rural, a pior estratégia é a inércia.

O produtor precisa conhecer seus contratos, compreender as garantias oferecidas, acompanhar notificações bancárias e cartorárias e manter documentação capaz de demonstrar a realidade econômica e produtiva da propriedade.

Se o leilão já estiver marcado, a urgência é ainda maior. Dependendo do caso, podem ser analisadas medidas cautelares, ações anulatórias ou outras providências judiciais antes da conclusão definitiva da transferência do imóvel.

A crise financeira do produtor rural não pode ser analisada apenas sob a perspectiva da cobrança de uma dívida, é preciso compreender a atividade produtiva, a origem do endividamento, as garantias constituídas e a função econômica e social da propriedade.

No Direito Imobiliário, especialmente quando está em jogo uma propriedade rural, tempo também é patrimônio. Quanto mais cedo o produtor buscar uma análise jurídica especializada, maiores serão as possibilidades de identificar alternativas antes que a perda do imóvel se torne uma realidade.

Este artigo apresenta considerações gerais e não substitui a análise jurídica individualizada de contratos, garantias e procedimentos de cobrança.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Guerra de facções exige resposta rápida]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/guerra-de-faccoes-exige-resposta-rapida/472194/</link>
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				<description><![CDATA[A operação desencadeada ontem pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) mostra, mais uma vez, que a guerra entre facções criminosas é um problema que precisa ser contido com urgência.

O dado mais alarmante revelado pela investigação é a existência de uma lista com 24 pessoas que seriam assassinadas. Não se trata mais apenas de uma disputa pelo domínio de territórios ou de negócios ilícitos, trata-se de uma estrutura organizada para eliminar adversários e impor o medo.

Diante de um cenário como esse, não há espaço para ações isoladas ou improvisadas. É preciso método, inteligência e integração entre as instituições responsáveis pela segurança pública.

O combate ao crime organizado precisa produzir resultados no curto e no médio prazo, mas também deve ser pensado para impedir que essas organizações continuem crescendo e recrutando novos integrantes.

Nesse aspecto, o trabalho realizado pelo MPMS merece reconhecimento. A investigação utilizou informações disponíveis em redes sociais para chegar aos criminosos e identificar a dimensão da ameaça.

É um exemplo de como a inteligência pode ser decisiva quando as instituições conseguem transformar dados dispersos em informações capazes de orientar uma investigação e prevenir crimes.

O episódio também deixa uma pergunta que não pode ser ignorada: como impedir que jovens sejam atraídos para essas organizações? Prender integrantes de facções é necessário, mas não suficiente: é preciso reduzir a capacidade que esses grupos têm de recrutar e manter seus chamados soldados do crime.

Para isso, entre outras medidas, o Estado precisa construir mais presídios e ampliar o número de vagas no sistema penitenciário.

Quanto maior a capacidade do poder público de manter presos aqueles que representam ameaça à sociedade, menor tende a ser o poder das facções de utilizar a própria fragilidade do sistema prisional para ampliar seus quadros.

A falta de vagas e o controle de unidades por organizações criminosas não podem ser tratados como problemas secundários.

Ao mesmo tempo, é indispensável ampliar os investimentos em inteligência. As facções não atuam mais apenas nas ruas, utilizam celulares, redes sociais, aplicativos de mensagens e outros instrumentos para planejar crimes, recrutar integrantes e manter suas atividades. A resposta do Estado precisa acompanhar essa transformação.

Também será fundamental aplicar, neste caso específico, os instrumentos previstos na nova legislação antifacção.

A legislação precisa deixar de ser apenas uma promessa de endurecimento contra o crime organizado e se transformar em ferramenta efetiva para desarticular essas estruturas, atingir suas lideranças e impedir sua expansão.

O mais importante, porém, é agir antes que a ameaça se torne ainda maior. A existência de uma lista com 24 possíveis vítimas demonstra que a capacidade de organização dessas facções pode ser maior do que se imagina. Esperar que a violência aconteça para depois reagir é sempre a pior estratégia.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 07:10:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Geopolítica da transição]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/geopolitica-da-transicao/472130/</link>
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				<description><![CDATA[O sistema internacional atravessa uma reconfiguração estrutural profunda. A crescente disputa por hegemonia entre Estados Unidos e China, aliada ao imperativo de transição energética e à corrida pela soberania em inteligência artificial, redefiniu os eixos do poder global.

Nessa nova arquitetura geopolítica, a segurança energética e a disponibilidade de insumos tecnológicos deixaram de ser meros temas econômicos e passaram a constituir elementos centrais da alta estratégia dos Estados.

O Brasil se encontra diante de uma encruzilhada histórica: não como espectador passivo, mas como um ator pivotal.

A questão premente que se impõe à diplomacia e às elites políticas do País é saber se teremos a maturidade estratégica para negociar nosso futuro com altivez ou se repetiremos o erro histórico do alheamento diante das grandes transformações internacionais.

As evidências empíricas e geoeconômicas demonstram que o Brasil reúne condições ímpares para alterar qualitativamente sua inserção no cenário global.

Enquanto os centros tradicionais de poder enfrentam complexos dilemas para descarbonizar suas matrizes e suprir a crescente demanda computacional dos centros de dados de inteligência artificial, o Brasil apresenta um ativo de inestimável valor diplomático: aproximadamente 88% de sua geração elétrica provêm de fontes limpas e renováveis, contra uma média global que mal supera o patamar de 30%.

Essa assimetria positiva confere ao País uma vantagem competitiva e negociadora sem paralelo para a atração de indústrias de ponta e infraestrutura de tecnologia crítica.

No plano geológico, a convergência entre transição tecnológica e segurança de suprimentos transforma nosso subsolo em um vetor de projeção de poder.

O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras – estimada em mais de 21 milhões de toneladas –, além de deter mais de 90% das reservas globais de nióbio e depósitos altamente estratégicos de lítio de alta pureza no Vale do Jequitinhonha, além de expressivas jazidas de níquel e cobre.

Insumos dessa natureza constituem o cerne das cadeias de valor dos semicondutores, veículos elétricos, turbinas eólicas e sistemas de defesa de última geração. Deter a posse desses recursos significa possuir as alavancas do novo arranjo produtivo mundial.

Sob a ótica da diplomacia econômica, o desafio fundamental é superar de forma definitiva o modelo tradicional de exportador primário.

Negociar com Washington, Pequim ou Bruxelas exige abandono da passividade em favor de uma estratégia soberana e pragmática: o acesso aos recursos e ao mercado brasileiro deve estar condicionado à transferência efetiva de tecnologia, ao adensamento das cadeias produtivas locais e ao processamento de valor agregado em território nacional.

Trata-se de instrumento político para consolidar a autonomia industrial e tecnológica do País.

O Brasil dispõe dos elementos necessários para sentar-se à mesa das grandes potências não como fornecedor de commodities, mas como formulador geopolítico.

Infelizmente, cabe aos nossos líderes políticos, que estão muito aquém desta tarefa, desenhar um projeto de Estado denso e articulado, capaz de converter nosso potencial estratégico em influência diplomática concreta e desenvolvimento real.

Neste ponto reside o grande desafio das próximas gerações. Sem lideranças de qualidade, perderemos a corrida geopolítica desta transição, tornando-nos mais uma vez expectadores da nova ordem que se desenha.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 03 Sep 2026 07:40:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A formação do docente contemporâneo: pilares da excelência pedagógica]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-formacao-do-docente-contemporaneo-pilares-da-excelencia-pedagogica/472128/</link>
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				<description><![CDATA[A educação contemporânea atravessa um momento de profunda ressignificação. Em um cenário marcado por aceleradas transformações sociais, científicas e tecnológicas, a discussão sobre a qualidade do ensino precisa retornar ao seu núcleo fundador: a figura do professor.

Não há ensino de excelência sem docentes devidamente qualificados, apoiados por ecossistemas institucionais que promovam sua contínua evolução.

Para responder a essa urgência, a formação docente deve se estruturar sobre três pilares fundamentais: a formação continuada em tecnologia, a vivência de oficinas e rodas de conversa integradas às semanas pedagógicas e o incentivo permanente à qualificação acadêmica em nível de pós-graduação stricto sensu, os mestrados e doutorados.

Nesse sentido, como educadora há 28 anos, destaco que o primeiro pilar se tornou inadiável. Diante da emergência das ferramentas digitais e da inteligência artificial na educação, é preciso desenvolver no professor um letramento digital crítico, para que ele integre o presencial e o virtual com intenção pedagógica.

Com mediação do professor, a tecnologia pode tornar a aprendizagem mais diversa, autônoma e conectada à realidade.

Agora, o segundo pilar. O fazer docente é essencialmente relacional e dialógico. As semanas de planejamento não podem se resumir a encontros burocráticos de repasse de diretrizes, devem constituir verdadeiros laboratórios de aprendizagem colaborativa e reflexão sobre a própria prática.

As rodas de conversa e as oficinas práticas oportunizam a troca de experiências curriculares, a análise de casos clínicos de ensino e o aprimoramento contínuo da didática específica. 

Assim, o terceiro pilar sugere estimular e viabilizar a titulação stricto sensu para os professores. Isso é garantir que a prática em sala de aula esteja ancorada em evidências científicas, na reflexão epistemológica e na produção de saberes originais.

O professor pesquisador leva para a graduação e para a Educação Básica a dúvida metódica, a capacidade analítica e o compromisso com a investigação rigorosa, qualificando o debate acadêmico e elevando o patamar das instituições às quais se vincula.

Como membro do Conselho de Educação da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), em recente reunião de trabalho ao lado de referências nacionais do setor educacional debatemos os caminhos da carreira e da formação docente no Brasil.

Na ocasião, o tema sobre contribuições sobre a necessidade de superar visões corporativistas e integrar competências digitais e inteligência artificial às novas diretrizes de formação foi claramente endossado.

Por aqui, no Insted Centro Universitário, acreditamos que a transformação da educação brasileira só vai acontecer com investimento sistemático na qualificação daqueles que conduzem o processo educativo.

Formar o professor contemporâneo é um compromisso de mão dupla: exige do docente a busca incansável pelo aperfeiçoamento e exige das instituições a oferta de condições materiais, científicas e tecnológicas para que essa jornada seja plena.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 03 Sep 2026 07:35:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Inteligência para proteger a sociedade]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/inteligencia-para-proteger-a-sociedade/472127/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/inteligencia-para-proteger-a-sociedade/472127/</guid>
				<description><![CDATA[Faz bem o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) ao ampliar a infraestrutura destinada ao combate à corrupção e ao crime organizado.

Em uma realidade na qual grupos criminosos estão cada vez mais estruturados e sofisticados, as instituições responsáveis pela fiscalização e aplicação da lei também precisam estar preparadas para acompanhar essa evolução.

Investir em inteligência não é luxo nem gasto secundário. É necessidade. O crime organizado conta com planejamento, divisão de tarefas, recursos financeiros e ferramentas tecnológicas para dificultar a ação do poder público.

Para enfrentar esse cenário, o Estado precisa de instrumentos capazes de identificar movimentos, conexões e padrões que não seriam percebidos em uma investigação convencional.

O Ministério Público fiscaliza o cumprimento da lei e atua na defesa da sociedade. Para exercer esse papel com eficiência, precisa conhecer o terreno daqueles que pretendem agir à margem da legislação.

A inteligência permite acompanhar movimentos, antecipar riscos, reunir provas e oferecer melhores condições para desarticular organizações criminosas.

Esse tipo de investimento fortalece não apenas o MPMS, mas o próprio Estado Democrático de Direito. Instituições fortes são sinais de sociedades e democracias saudáveis.

Quando os órgãos de controle e investigação dispõem de estrutura, conhecimento técnico e autonomia para cumprir suas funções, toda a sociedade ganha proteção.

É importante, contudo, que o fortalecimento institucional venha acompanhado de controle, transparência e respeito aos limites legais. Instituições fortes não são aquelas que podem tudo, mas as que conseguem cumprir suas atribuições dentro das regras estabelecidas pela democracia.

Recursos públicos destinados à inteligência devem resultar em capacidade efetiva de investigação e prevenção, sempre dentro da lei.

O ideal, evidentemente, seria que as pessoas não cometessem crimes. Mas uma sociedade não pode depender apenas da consciência individual para garantir o cumprimento das regras.

O combate ao crime precisa ser permanente, inclusive como forma de dissuadir aqueles que possam considerar a prática ilegal uma alternativa.

A presença de instituições preparadas, capazes de investigar e responsabilizar quem viola a lei, aumenta o risco para quem pretende delinquir e contribui para a prevenção. Não se trata apenas de reagir ao crime depois que ele acontece, mas de criar condições para que seja mais difícil praticá-lo.

Por isso, investimentos em inteligência e estrutura de investigação devem ser vistos como instrumentos de proteção coletiva. Quanto mais sofisticados forem aqueles que desafiam a lei, mais preparados precisam estar os que têm a responsabilidade de fazê-la cumprir.

Fortalecer a inteligência do MPMS é, em última análise, fortalecer a capacidade do Estado de proteger a sociedade e preservar as regras que sustentam a democracia.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 03 Sep 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Capacidade institucional: como transformar potencial em resultados]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/capacidade-institucional-como-transformar-potencial-em-resultados/472054/</link>
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				<description><![CDATA[Nos últimos meses, aqui no Correio do Estado, tenho escrito sobre temas diferentes: confiança, liderança, segurança psicológica, saúde organizacional, pesquisa de clima, comunicação eficaz, gestão de pessoas e aprendizagem organizacional.

Mas, no centro de todos eles, está a mesma questão: capacidade institucional. Quero voltar a ela, num esforço de síntese.

Resultados importam. Mostram onde uma organização conseguiu chegar. Capacidade institucional revela até onde ela ainda pode ir.

Logo, entre aquilo que uma organização realiza e aquilo que ela é capaz de realizar pode existir uma distância enorme.

O que explica esse fosso? Por que algumas organizações conseguem mobilizar melhor o talento, o conhecimento, a criatividade e a energia das pessoas? E por que conseguem gerir melhor a incerteza e transformar tudo isso em resultado?

Parte importante da resposta está nas lideranças. No plural.

Não apenas naquela que ocupa o topo, mas nas muitas lideranças diretas que, diariamente, ampliam ou reduzem o espaço para que outras pessoas pensem, proponham, questionem e assumam responsabilidades.

É nesse nível que a cultura institucional deixa de ser discurso e adquire expressão prática. Confiança, integridade, inovação e valorização das pessoas podem ocupar documentos e discursos institucionais. Mas são as lideranças que mostram, no cotidiano, quanto esses valores realmente valem.

A forma como reagem a uma ideia diferente, a um erro ou a um problema ensina às pessoas se vale a pena falar, contribuir, questionar, experimentar e assumir responsabilidades ou se é mais seguro permanecer em silêncio.

Por isso escrevi que “o maior desafio da liderança é ampliar, continuamente, a capacidade da organização de continuar tendo sucesso”.

Ampliar capacidade não significa apenas contratar mais pessoas, adquirir tecnologia, criar estruturas ou aumentar recursos. Significa mobilizar melhor aquilo que a organização já tem.

Talvez um dos maiores desperdícios esteja aí: no conhecimento que não circula, na boa ideia sem espaço, no talento não desenvolvido, no risco percebido mas não comunicado e nas pessoas capazes de oferecer muito mais.

Confiança e segurança psicológica são condições para que as pessoas cooperem e comuniquem problemas antes que se transformem em crises. Saúde organizacional amplia esse olhar: é uma infraestrutura estratégica para que as pessoas possam oferecer o seu melhor.

A participação das pessoas nas decisões melhora sua qualidade e legitimidade, produz aprendizado e fortalece a motivação.

A efetividade de um sistema de integridade, por exemplo, depende de fazer com que essas condições existam na prática.

Isso amplia a capacidade da organização de compreender o ambiente, identificar riscos e fragilidades e escolher respostas mais adequadas. Sem um bom diagnóstico, corre-se o risco de investir recursos e esforços em respostas que não enfrentam as causas reais do problema.

Duas organizações podem ter profissionais igualmente qualificados, recursos semelhantes e acesso às mesmas tecnologias e, ainda assim, alcançar resultados muito diferentes. A diferença pode estar menos no que têm e mais no que conseguem mobilizar.

Lideranças podem ser decisivas para construir os resultados de um ciclo. Mas fortalecer capacidade institucional também exige reconhecer quando as competências que trouxeram a organização até aqui já não são suficientes para levá-la além.

Isso não significa desconsiderar o que foi construído nem mudar por mudar. Significa compreender que preservar resultados e ampliar capacidade são desafios diferentes. Em alguns momentos, desenvolver lideranças será suficiente.

Em outros, renovar competências e responsabilidades pode ser necessário para abrir espaço a novas capacidades.

Fortalecer capacidade institucional significa transformar mais do potencial existente em melhores decisões, aprendizagem, inovação, cooperação e entregas.

Talvez, então, a pergunta mais importante diante de bons resultados não seja apenas quanto conseguimos realizar até aqui.

É outra: quanto da capacidade que já existe dentro da nossa organização ainda não conseguimos colocar em movimento?

Porque organizações fortes não vivem apenas do sucesso alcançado. Reconhecem o que funciona, preservam o que merece ser preservado e têm a coragem de desenvolver, renovar e transformar o necessário para ampliar sua capacidade de fazer melhor.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 02 Sep 2026 07:35:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Justiça eleitoral deve ser sempre célere]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/justica-eleitoral-deve-ser-sempre-celere/472052/</link>
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				<description><![CDATA[Nesta eleição, como já era esperado, as denúncias de possíveis crimes eleitorais começaram a crescer e, com elas, aumenta também a demanda sobre o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS).

O movimento é natural em um período no qual candidatos, partidos e coligações disputam não apenas votos, mas também espaço, visibilidade e vantagem sobre os concorrentes.

Pudera. Eleição não é competição da qual alguém participa com o objetivo de perder. Quem entra em uma disputa eleitoral entra para ganhar. E, entre as estratégias utilizadas para alcançar esse objetivo, está justamente a denúncia de eventuais abusos cometidos pelo concorrente ou adversário.

Cabe à Justiça Eleitoral, portanto, separar aquilo que é efetivamente uma infração daquilo que é apenas uma disputa política travestida de denúncia. Essa tarefa exige equilíbrio, independência e, sobretudo, agilidade.

O que se espera da Justiça Eleitoral é que examine as representações com rigor, mas também com objetividade, atendo-se preferencialmente à letra da lei e evitando que interpretações excessivamente amplas acabem interferindo no processo eleitoral para além do que as próprias regras determinam.

A rapidez, nesse contexto, não é mero detalhe. É uma característica essencial da Justiça Eleitoral.

Diferentemente de outros tipos de processos, nos quais o tempo pode permitir que uma decisão tardia ainda produza seus efeitos, no processo eleitoral o calendário corre contra todos. Uma propaganda irregular, uma informação falsa, um abuso de poder ou qualquer outra conduta proibida pode alcançar milhares de eleitores em poucas horas.

Um crime eleitoral julgado com morosidade, mesmo que posteriormente reconhecido pela Justiça, pode já não produzir o efeito esperado.

O dano à disputa pode ter ocorrido, o eleitor pode ter sido influenciado e o resultado das urnas, eventualmente, pode carregar as consequências de uma violação que não foi interrompida a tempo. Nesse caso, a decisão correta chega quando sua capacidade de reparar o equilíbrio já foi reduzida.

Isso não significa, evidentemente, defender decisões precipitadas ou baseadas apenas na pressão de candidatos e grupos políticos. Rapidez não pode ser confundida com açodamento.

É preciso garantir o contraditório, analisar provas e respeitar o devido processo legal. Mas é igualmente necessário reconhecer que a Justiça Eleitoral tem uma dinâmica própria e que sua efetividade depende da capacidade de agir enquanto os fatos ainda podem ser corrigidos.

A Justiça Eleitoral deve arbitrar as eleições e coibir abusos. Não deve ser instrumento de qualquer candidatura, tampouco transformar toda divergência política em infração.

Seu papel é estabelecer os limites dentro dos quais a disputa pode acontecer de maneira legítima, impedindo que quem desrespeita as regras obtenha vantagem indevida.

Equilibrar a disputa e evitar que as regras sejam violadas é a razão de existir da Justiça Eleitoral. Quanto mais acirrada fica uma eleição, maior é a responsabilidade de quem fiscaliza o processo.

E, quanto maior o número de denúncias, maior deve ser também a capacidade institucional de distinguir o abuso real da estratégia política.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 02 Sep 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[A saúde dos iguais e a saúde dos privilegiados]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-saude-dos-iguais-e-a-saude-dos-privilegiados/472000/</link>
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				<description><![CDATA[Há números que informam. Outros constrangem. Os dados divulgados acerca das despesas com assistência à saúde de senadores e ex-senadores pertencem, seguramente, à segunda categoria.

O próprio Portal da Transparência do Senado registra que, no exercício financeiro de 2025, as despesas pagas com assistência à saúde em benefício de senadores, ex-senadores e respectivos grupos familiares alcançaram R$ 40.476.846,63.

A questão não deve ser tratada como simples curiosidade orçamentária. Estamos diante de tema que toca diretamente alguns dos fundamentos da ordem constitucional brasileira.

A Constituição proclama, no art. 5º, que todos são iguais perante a lei. E, quando cuida especificamente da saúde, é ainda mais explícita: o art. 196 a define como direito de todos e dever do Estado, a ser assegurado mediante acesso universal e igualitário.

É evidente que o princípio da isonomia não exige que o Estado gaste exatamente a mesma quantia com cada pessoa. Necessidades diferentes justificam tratamentos diferentes. Mas toda diferenciação reclama fundamento juridicamente razoável.

Eis, então, a pergunta inevitável: qual circunstância constitucionalmente relevante justifica que o exercício, presente ou passado, de mandato parlamentar assegure proteção à saúde excepcionalmente favorecida, custeada em parcela relevante pelos mesmos cidadãos que financiam o Estado e, em grande medida, dependem dos serviços públicos de saúde?

Não encontro resposta satisfatória.

A República não admite castas.

O mandato parlamentar constitui função pública temporária. Não é título nobiliárquico nem confere ao seu titular uma cidadania de categoria superior. Muito menos parece razoável que determinadas vantagens possam projetar-se para além do próprio exercício do mandato.

O contraste com o Sistema Único de Saúde (SUS) torna a questão ainda mais perturbadora. Mas aqui é preciso rigor. Tem circulado a informação de que o SUS disporia de apenas R$ 116 mensais por brasileiro.

Essa comparação não é adequada para representar o gasto público total com saúde, pois o SUS é financiado pela União, pelos estados, pelo Distrito Federal e pelos municípios. Não precisamos, portanto, de uma estatística discutível para reconhecer o problema.

Ele é suficientemente grave em seus próprios termos.

Em um país em que faltam médicos, medicamentos, exames e leitos em tantas localidades, qualquer regime excepcional de assistência médica financiado com recursos públicos deve submeter-se ao mais rigoroso escrutínio à luz da igualdade, da moralidade, da impessoalidade e da razoabilidade.

Não se cogita, naturalmente, de negar assistência médica aos parlamentares. A questão é outra: por que deve a sociedade financiar um padrão privilegiado de proteção justamente para aqueles que exercem o poder em seu nome?

A legalidade formal de determinado benefício não encerra essa discussão. No Estado Constitucional, também a lei e os atos internos dos Poderes submetem-se aos princípios e valores superiores da Constituição.

A desigualdade brasileira já é suficientemente grave. O que não se pode admitir é que o próprio Estado acrescente a ela desigualdades institucionais financiadas pelo contribuinte.

O problema é também simbólico. O cidadão não pode receber dos Poderes da República a mensagem de que, quando se trata de saúde, algumas vidas merecem proteção pública extraordinária simplesmente em razão da posição ocupada.

É preciso rever esse sistema.

Não como gesto de hostilidade ao Parlamento, instituição essencial à democracia, mas precisamente em defesa de sua dignidade. O Poder Legislativo será tanto mais respeitado quanto menos privilégios reservar àqueles que transitoriamente o integram.

Essa revisão não significa retirar direitos legítimos de quem exerceu uma função pública, mas submeter benefícios custeados pelo Estado ao mesmo princípio que deve reger toda a administração pública: a existência de uma justificativa objetiva, impessoal e constitucionalmente legítima para a diferença de tratamento.

É justamente quando o Estado estabelece regras para si próprio que a igualdade deixa de ser apenas uma promessa constitucional e passa a ser uma exigência concreta de legitimidade.

A República não comporta cidadãos de primeira e de segunda categorias. E a saúde, porque é direito de todos, não pode converter-se em privilégio de alguns.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 01 Sep 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Avanço das bets e o problema social]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/avanco-das-bets-e-o-problema-social/471998/</link>
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				<description><![CDATA[A partir desta edição, o Correio do Estado dá início a uma série de reportagens sobre um mal que vem se espalhando pelo Brasil: o crescimento das apostas on-line, popularmente conhecidas como bets, em referência ao termo em inglês.

Mais do que acompanhar o avanço dessas plataformas, a série pretende mostrar os efeitos que elas já produzem na sociedade.

Nesta primeira reportagem, mostramos o grande número de apostadores em Campo Grande: são dezenas de milhares de pessoas. É muita gente.

Quando um hábito de risco alcança tamanha dimensão, deixa de ser apenas uma questão individual e passa a ser também um problema social, que precisa ser debatido com seriedade pelas autoridades.

O que preocupa não é apenas a quantidade de usuários, mas a baixíssima responsabilidade social demonstrada por parte desse mercado. As bets chegaram rapidamente ao cotidiano dos brasileiros, impulsionadas por publicidade agressiva, influenciadores e pela associação com eventos esportivos.

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com a ludopatia, a dependência em jogos de aposta, capaz de comprometer famílias, relações pessoais e a vida financeira de quem perde o controle.

Apostar não é necessariamente um problema para todos. O problema surge quando a atividade é apresentada como entretenimento inofensivo, possibilidade de renda ou caminho fácil para ganhar dinheiro.

A realidade é que o modelo de negócio dessas plataformas depende justamente do dinheiro dos usuários. Se alguns ganham, muitos outros perdem.

Por isso, é fundamental que as autoridades reflitam sobre o papel das bets na sociedade. A regulamentação não pode se limitar à arrecadação de impostos ou às regras para o funcionamento das empresas.

É preciso discutir limites para a publicidade, mecanismos efetivos de proteção ao usuário e formas de identificar e conter comportamentos compulsivos.

Muitos defendem simplesmente a proibição das apostas. Na prática, porém, a questão é mais complexa. As plataformas já estão disseminadas, movimentam grandes quantias e encontraram forte representação política em Brasília.

Existe uma bancada de bets no Congresso Nacional, e o lobby em favor do setor está posto. Essa realidade não pode ser ignorada.

O debate precisa, portanto, ultrapassar os discursos fáceis. Nem a proibição pura e simples resolve todos os problemas, nem a liberação sem controles adequados pode ser tratada como solução. É preciso estabelecer regras capazes de proteger a população, especialmente os mais vulneráveis à dependência.

A sociedade também tem papel importante. Aos eleitores cabe acompanhar o posicionamento de quem pede seus votos, sobretudo em um tema que envolve dinheiro, saúde social e interesses econômicos cada vez maiores.

Nas próximas reportagens, o Correio do Estado mostrará números, histórias e consequências desse fenômeno.

O objetivo é contribuir para um debate informado. Diante do avanço das bets, uma pergunta deve ser feita aos candidatos: qual é a sua posição sobre elas? O eleitor tem o direito de saber e deve cobrar a resposta antes de votar.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 01 Sep 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[JK: o exemplo que a morte não sepultou]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/jk-o-exemplo-que-a-morte-nao-sepultou/471946/</link>
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				<description><![CDATA[Agosto deste ano marca os 50 anos da morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek. É momento, portanto, de o País reverenciar a memória desse que foi um dos maiores – senão o maior – estadista da história do Brasil.

Mais de seis décadas após ter concluído o mandato na Presidência da República (1956-1961), seu legado permanece intacto, graças à seriedade, coragem, competência e visão estratégica com as quais transformou o País.

JK assumiu em um período politicamente conturbado, porém não se afastou de seu ideal de promover o desenvolvimento econômico e social em ritmo acelerado, priorizando a eliminação dos gargalos da economia.

Para tanto, debruçou-se sobre metas que deveriam ser definidas e implementadas em estreita harmonia entre si, de modo que os investimentos em determinados setores pudessem se refletir positivamente na dinâmica de outros.

A chave do sucesso da gestão JK foi o Plano Nacional de Desenvolvimento, ou Plano de Metas, conjunto de objetivos a serem atingidos nos cinco anos de seu mandato, ao qual se acresceu a construção da nova capital federal, Brasília, pensada como vetor de desenvolvimento do Centro-Oeste e também, por meio da Lei nº 3.173 de 6/6/1957, criou a Zona Franca de Manaus buscando o desenvolvimento da Amazonia e mostrando sua preocupação estratégica com a interiorização do desenvolvimento.

Como espinha dorsal do plano, alocou os recursos financeiros em três áreas prioritárias – energia, transporte e infraestrutura – e assim criou as condições para a transformação do País.

Nos cinco anos do governo de JK, o Brasil viu seu PIB crescer, em média, mais de 8% ao ano (o mesmo desempenho admirado da China de hoje) e cerca de 52% acima da média mundial à época (hoje estamos 36% abaixo da média mundial, ladeira abaixo).

Nesse período, a produção industrial nacional cresceu 80%, alavancando a transformação estrutural da economia.

Brasília, mais que o centro do poder, impulsionou o Centro-Oeste, região mais expressiva do agronegócio que hoje responde por 26% do PIB nacional, 49% do total das exportações brasileiras e 119% do saldo da balança comercial brasileira. Tudo semeado no governo de JK e sendo colhido até hoje.

Juscelino não foi um político de promessas, mas um gestor de realizações. Das 31 metas de seu Plano, mais de 80% foram cumpridas integralmente. O slogan “Cinco décadas em cinco anos” não foi mera retórica.

Depois do governo de Juscelino, o Brasil passou pela ditadura militar de mais de duas décadas, redemocratizou-se, enfrentou períodos de irrefreada inflação, teve dois presidentes da República afastados do cargo por impeachment, instituiu a reeleição para cargos do Executivo, superou desafios, mas os governantes das últimas décadas não assimilaram as lições deixadas por JK.

As desigualdades regionais se acentuaram. O País cresce menos do que a taxa média mundial e sua renda per capita ocupa a 74ª posição do planeta. Os indicadores sociais mostram uma triste realidade.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) caiu da 73ª posição, em 2002, para o atual 84º lugar e no coeficiente Gini, que mede a distribuição de renda, o Brasil é o sétimo pior país, estagnado há décadas entre as 10 nações mais mal avaliadas.

Na Educação, estamos entre a 67ª e 74ª posição em Matemática, segundo o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), em ranking de 81 países. Ocupamos apenas a 30ª posição no Índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade (Irbes), com altíssima carga tributária e péssima retribuição em serviços públicos essenciais.

Campeão o Brasil é apenas na vergonhosa estatística de homicídios intencionais, registrando 33 mil mortes por ano. Além disso, levantamento da Transparência Internacional mostra que há 106 países com setor público mais honesto que o brasileiro.

Em 2002, eram apenas 45, o que evidencia a degradação ética e de honestidade em nosso país. A corrupção se instalou de vez e, com ela, o equivalente entre 2,5% e 4% do PIB escorre pelo ralo todos os anos (FGV-Ibre).

Certamente, não é esse o País que JK imaginou. Tampouco é a nação que os brasileiros merecem. Juscelino fez a sua parte. Falta seguirem seu exemplo.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 31 Aug 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Clima: prevenir é sempre melhor]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/clima-prevenir-e-sempre-melhor/471945/</link>
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				<description><![CDATA[O que diferencia os países mais desenvolvidos dos menos desenvolvidos diante de uma emergência climática ou de um caso fortuito? São vários os fatores, mas alguns dos mais importantes são a infraestrutura disponível e a capacidade financeira para enfrentar os desafios impostos por fenômenos naturais, sejam tempestades, secas severas, calor intenso, nevascas ou outras manifestações extremas do clima.

Uma sociedade mais preparada não consegue impedir um evento climático, mas pode reduzir significativamente seus impactos.

Estradas, sistemas de drenagem, hospitais, redes de energia e abastecimento, estruturas de defesa civil e mecanismos eficientes de comunicação fazem diferença quando a natureza impõe condições adversas.

Da mesma forma, governos com recursos conseguem agir mais rapidamente e reconstruir o que for destruído.

Existe, porém, outro fator fundamental, que não depende diretamente de dinheiro ou de grandes obras: a capacidade de mobilização da sociedade e de coordenação das ações preventivas. Não basta ter recursos se não houver planejamento, integração entre os órgãos públicos e orientação clara para a população.

Prevenir é sempre melhor do que remediar. Diante de fenômenos climáticos extremos, essa máxima precisa deixar de ser apenas uma recomendação e se transformar em política pública permanente. É preciso antecipar cenários, identificar riscos e preparar estruturas antes que a emergência aconteça.

Nesse aspecto, é importante que as autoridades estejam efetivamente empenhadas em criar uma base do Sistema Único de Saúde (SUS) em Campo Grande para enfrentar os possíveis efeitos do super-El Niño, como mostramos nesta edição.

Se as previsões apontam temperaturas excepcionalmente elevadas, não faz sentido esperar que os impactos sobre a saúde apareçam para só então organizar uma resposta.

Uma estrutura preparada previamente pode garantir atendimento mais rápido, equipes e equipamentos disponíveis e menor pressão sobre uma rede de saúde que já enfrenta dificuldades.

Recursos empregados na prevenção não representam desperdício, ao contrário, podem evitar custos humanos e financeiros muito maiores posteriormente.

O mesmo vale para o Pantanal. Os governos federal e estadual acertam ao mobilizar brigadas e orientar produtores a adotar medidas preventivas. Em uma região tão vulnerável à estiagem e aos incêndios, esperar o fogo tomar grandes proporções para agir é assumir um risco que pode ser reduzido com planejamento.

Este é o ponto: não precisamos esperar a próxima seca, onda de calor, tempestade ou grande incêndio para descobrir que deveríamos ter feito algo antes. Em tempos de emergência climática, planejamento não é excesso de cautela, é responsabilidade.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 31 Aug 2026 07:10:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Violência escolar: a brutalidade chancelada pelo Estado]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/violencia-escolar-a-brutalidade-chancelada-pelo-estado/471822/</link>
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				<description><![CDATA[O Estado promoveu um desmonte gradual da profissão docente, impondo obstáculos a todas as atividades típicas do cotidiano do professor, como preparar as aulas com liberdade, lecionar explicitamente, transmitir conhecimentos, avaliar o desempenho dos alunos, disciplinar a turma e até mesmo reprovar os discentes que nada fazem além de prejudicar aqueles que realmente desejam ensinar e aprender. Não satisfeitos, contudo, em promover o desmantelamento do ofício, políticos e burocratas vêm chancelando, por atos e omissões, a violência praticada contra o professorado brasileiro.

Os dados sobre indisciplina e violência escolar demonstram que a situação está fora de controle em muitos estados.

Nesse sentido, a edição de 2024 da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis) – maior levantamento mundial sobre professores e líderes escolares –, promovida pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aponta que, nos anos finais do Ensino Fundamental, manter a disciplina em sala de aula é fonte de estresse para 63,8% dos docentes brasileiros (média da OCDE: 44,8%).

Além disso, mais de 50% relataram enfrentar “barulho perturbador e desordem” durante as aulas (média da OCDE: 20%) e 44% afirmaram perder tempo significativo com as interrupções dos alunos (média da OCDE: 18%). Como resultado, 21% do tempo de aula é perdido apenas para tentar manter a ordem (média da OCDE: 15%).

Quanto à violência, o percentual de professores dos anos finais que assinalaram como fonte de estresse “ser intimidados ou ofendidos verbalmente pelos alunos” atinge 46,6%, um valor quase três vezes superior à média da OCDE (17,6%) e o mais alto entre os países latino-americanos analisados, segundo a Talis de 2024.

Pesquisa do Centro de Estatística Aplicada do Instituto de Matemática da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Sindicato dos Professores e Funcionários Municipais de São Paulo, revelou o tamanho desse impacto: 62,5% dos docentes entrevistados relataram ter sido vítimas de algum tipo de violência em seu ambiente de trabalho.

De acordo com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), os casos de violência escolar triplicaram no País em uma década. Ademais, o quarto boletim técnico Escola que Protege (MEC/MDHC), indica que, entre 2001 e 2025, foram identificados 47 ataques de violência extrema em estabelecimentos de ensino, resultando em 177 vítimas (56 fatais e 121 feridas). 

Diante desse quadro, cabe perguntar: o que fazem as autoridades para proteger as escolas, os professores e os estudantes? De efetivo, absolutamente nada.

Não há investimento em pessoal – 50% dos professores atuam sob contratos temporários e apenas 15,7% das escolas públicas contam com psicólogos (Censo Escolar 2025) – e a infraestrutura permanece precária: nos anos finais do Ensino Fundamental, 41,4% das escolas públicas não têm quadras esportivas, 30,8% não têm biblioteca, 53,2% não contam com laboratório de informática e 79,7% não abrigam laboratórios de ciências (Censo Escolar 2025).

Soma-se a isso a escassez de materiais básicos de trabalho, como papel, computador, internet e artigos esportivos para as aulas de Educação Física.

Seria injusto, porém, afirmar que os gestores e políticos não fazem absolutamente nada, pois, além de minar o trabalho das escolas, como esclarecido acima, muitos promovem ataques diretos aos docentes, rotulando-os de “doutrinadores”, “opressores”, “preguiçosos” e “incompetentes”, incitando a sociedade contra a própria classe magistral.

Diante dessa realidade, marcada pela violência e pela precariedade, discursos sobre ludicidade, manejo de sala de aula, metodologias ativas e uso de tecnologia em sala de aula soam, na melhor das hipóteses, como o cinismo dos vendedores de sonhos; na pior, representam uma forma velada de culpabilização da vítima.

Afinal, se o aluno agride o professor com xingamentos e desrespeito insistente, fica subentendido que a culpa é daquele que não soube tornar a aula “divertida”, “dinâmica” e ajustada às preferências da nova geração.

Enfrentar a indisciplina e a violência dentro das escolas exige soluções concretas. Isso passa, inevitavelmente, por ampliar investimentos em infraestrutura, valorização da carreira e respaldo jurídico e psicológico aos docentes, além de programas de recuperação de lacunas de aprendizagem no contraturno.

Passa, sobretudo, por devolver a autoridade pedagógica e o comando das salas de aula ao professor, o qual precisa ter liberdade para preparar as suas próprias aulas, disciplinar a sua turma e avaliar os seus alunos sem a interferência de burocratas focados em maquiar indicadores oficiais.

Por fim, já passou da hora de implementar marcos legais rigorosos para proteger os profissionais da educação, responsabilizar as famílias pelo comportamento dos seus filhos e punir com severidade familiares que agridem professores.

Se o País agir depressa, talvez ainda seja possível resgatar a dignidade da carreira docente e evitar o apagão que se vislumbra em um horizonte cada vez mais próximo.
]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 28 Aug 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Previdência requer mais explicações ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/previdencia-requer-mais-explicacoes/471821/</link>
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				<description><![CDATA[A mudança no plano de previdência que está prestes a ser votada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul carece de justificativas mais aprofundadas. Alterações dessa natureza não podem ser avaliadas apenas pela ótica imediata do caixa do governo.

A previdência pública envolve compromissos que se estendem por décadas e afetam diretamente a dignidade dos servidores, o equilíbrio das contas estaduais e a capacidade de o sistema se manter saudável no futuro.

Entre os pontos que precisam ser mais bem explicados está a decisão de estender em quase 20 anos o prazo do plano atuarial para zerar o deficit previdenciário.

Ao reduzir o valor das parcelas dos aportes feitos pelo governo ao sistema, a medida produz um efeito prático que não pode ser negado: alivia o caixa estadual.

O que ainda precisa ficar claro é a relação entre esse alongamento e uma possível redução do deficit acima daquela originalmente projetada.

A consultoria contratada pelo governo precisa demonstrar, de maneira objetiva, por que ampliar o prazo para o equacionamento seria capaz de produzir um resultado atuarial melhor.

É necessário apresentar números, cenários e projeções que permitam compreender de onde virá essa eventual redução adicional do deficit.

Sem essa explicação, fica difícil distinguir uma estratégia previdenciária de longo prazo de uma medida voltada essencialmente ao alívio financeiro imediato do Estado.

Se a perspectiva é de que a situação financeira do sistema poderá melhorar mais rapidamente do que o previsto, uma pergunta se torna inevitável: não seria mais adequado capitalizar ainda mais a previdência agora, para eliminar o deficit no menor prazo possível?

Dessa maneira, o Estado poderia se livrar mais rapidamente da obrigação de realizar aportes mensais e, sobretudo, fortaleceria um sistema que precisa ser sustentável por muitas décadas.

O caixa público importa, evidentemente. Estados precisam administrar receitas e despesas com responsabilidade. O problema é quando uma decisão estrutural é justificada principalmente pelo efeito financeiro imediato.

Previdência não é uma despesa qualquer que possa simplesmente ser empurrada para o futuro. Quanto mais tarde um desequilíbrio é enfrentado, maior tende a ser a conta para as próximas gerações.

Por isso, o debate precisa ganhar mais luz. A previdência está relacionada à dignidade do servidor que contribui para o sistema, mas também às finanças de toda a sociedade. Uma estrutura sustentável é garantia para quem trabalhou e contribuiu, mas também proteção para os futuros servidores e para os contribuintes que financiam o Estado.

A discussão deveria avançar, ainda, para uma revisão mais ampla do modelo, incorporando integralmente as mudanças da reforma da Previdência de 2019. O sistema precisa ser justo e isonômico, sem espaço para supersalários e privilégios incompatíveis com a realidade da maioria dos trabalhadores.

Mais do que administrar um deficit por décadas, Mato Grosso do Sul deveria buscar a capitalização do sistema. A Assembleia Legislativa tem, portanto, a oportunidade de buscar explicações mais detalhadas antes da votação.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 28 Aug 2026 07:10:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Resultado da Lotofácil de ontem, concurso 3771, terça-feira (25/08): veja o rateio]]></title>
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				<description><![CDATA[A Caixa Econômica Federal realizou o sorteio do concurso 3771 da Lotofácil na noite desta terça-feira, 25 de agosto de 2026, a partir das 21h (de Brasília). A extração dos números ocorreu no Espaço da Sorte, em São Paulo, com um prêmio estimado em R$ 2 milhões.

Premiação


	15 acertos - 1 aposta ganhadora, (R$ 1.431.471,60)
	14 acertos - 194 apostas ganhadoras, (R$ 2.210,21)
	13 acertos - 10027 apostas ganhadoras, (R$ 35,00)
	12 acertos - 87690 apostas ganhadoras, (R$ 14,00)


11 acertos - 473989 apostas ganhadoras, R$ 7,00

Os números da Lotofácil 3771 são:


	
	 16 - 25 - 12 - 02 - 23 - 09 - 21 - 03 - 17 - 18 - 05 - 10 - 11 - 04 - 15 
	


O sorteio da Lotofácil é transmitido ao vivo pela Caixa Econômica Federal e pode ser assistido no canal oficial da Caixa no Youtube.

Próximo sorteio: 3772

O próximo sorteio ocorre na quarta-feira, 26 de agosto, a partir das 21 horas, pelo concurso 3772. O valor da premiação está estimado em R$ 2 milhões.

Como apostar na Lotofácil

Os sorteios da Lotofácil são realizados diariamente, às segundas, terças, quartas, quintas, sextas-feiras e sábados, sempre às 20h (horário de MS).

O apostador marca entre 15 e 20 números, dentre os 25 disponíveis no volante, e fatura prêmio se acertar 11, 12, 13, 14 ou 15 números.

Há a possibilidade de deixar que o sistema escolha os números para você por meio da Surpresinha, ou concorrer com a mesma aposta por 3, 6, 12, 18 ou 24 concursos consecutivos através da Teimosinha.

A aposta mínima, de 15 números, custa R$ 3,00.

Os prêmios prescrevem 90 dias após a data do sorteio. Após esse prazo, os valores são repassados ao Tesouro Nacional para aplicação no FIES - Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior.

É possível marcar mais números. No entanto, quanto mais números marcar, maior o preço da aposta.

Probabilidades

A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada.

Para a aposta simples, com 15 dezenas, que custa R$ 3,00, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 3.268.760, segundo a Caixa.

Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 211, ainda segundo a Caixa.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 26 Aug 2026 08:42:00 -0400</pubDate>
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