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		<title>Correio do Estado - Artigos e Opinião</title>
		
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				<title><![CDATA[Menos fumaça, mais água: a natureza agradece]]></title>
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				<description><![CDATA[O planeta Terra enfrenta desafios ambientais sem precedentes. Antes de falarmos sobre desmatamento, queimada e escassez de água, devemos cuidar da natureza e ajudar as crianças a se apaixonarem por ela. A empatia vem da convivência! Devemos mostrar às crianças o poder de fazer a diferença.

A derrubada da vegetação nativa, frequentemente seguida de queimadas para abertura de pastagem ou plantio direto, pode destruir todo um ecossistema. As queimadas liberam grandes quantidades de gás carbônico na atmosfera, acelerando o aquecimento global.

Sem as árvores, a umidade diminui, alterando o regime de chuvas e reduzindo a recarga dos lençóis freáticos. Com a redução das chuvas e o esgotamento das fontes de água doce, a seca se intensifica, levando à escassez de água potável tanto para o consumo humano quanto para a agricultura.

A fumaça das queimadas contém partículas finas que penetram profundamente nos pulmões das crianças, cujo sistema respiratório ainda está em desenvolvimento. Isso pode causar um aumento drástico de casos de asma, bronquite e infecções respiratórias.

Com a seca intensa, famílias mais carentes frequentemente recorrem a fontes de água não tratada ou contaminada, resultando em surtos de diarreia, cólera e parasitoses, que são causas significativas de mortalidade infantil.

Precisamos preservar o meio ambiente! Devemos mostrar às crianças o poder de fazer a diferença. As pequenas atitudes dão a sensação de pertencimento e responsabilidade.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 28 Jul 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Compliance: teoria demais ou conhecimento de menos?]]></title>
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				<description><![CDATA[Em alguns ambientes profissionais, chamar uma ideia de “teórica” tornou-se uma forma rápida de afastá-la da realidade. Como se tudo o que nasce da pesquisa científica estivesse condenado a permanecer em livros, salas de aula e congressos.

A crítica merece atenção. Conhecimento restrito aos livros e congressos pouco transforma. O problema é que, muitas vezes, chamamos de “teórica” uma ideia não porque seja inaplicável, mas porque ainda não aprendemos a incorporá-la às decisões e práticas da organização.

O compliance não precisa de menos teoria. Precisa transformar conhecimento sério em prática organizacional.

Neurociência, psicologia social e ciências comportamentais acumulam há décadas evidências sobre como as pessoas decidem, aprendem, cooperam, confiam e seguem regras. Não oferecem fórmulas mágicas, mas critérios para desenhar ambientes, processos e comunicações que favoreçam comportamentos éticos.

Um exemplo está nos códigos de conduta.

Ainda é comum que esses documentos sejam escritos por poucos, aprovados pela alta administração e entregues prontos a milhares de trabalhadores. Depois, a organização realiza um treinamento, coleta assinaturas e espera comprometimento.

É uma espécie de Torre de Babel corporativa: poucos constroem no alto aquilo que todos deverão obedecer embaixo.

As ciências comportamentais ajudam a explicar por que esse modelo produz adesão limitada. Michael Norton, Daniel Mochon e Dan Ariely identificaram o chamado efeito IKEA: as pessoas tendem a valorizar mais aquilo que ajudaram a construir.

Quando participam da construção de uma regra, deixam de vê-la como algo imposto. Passam a compreendê-la melhor, reconhecem-se nela e tendem a valorizá-la mais.

Algumas organizações já levaram esse conhecimento à prática. A Novartis informa que seu Código de Ética foi cocriado com milhares de empregados e estruturado com base em ciência comportamental.

Na Petrobras, a elaboração do novo Código de Conduta Ética recebeu mais de quatro mil contribuições. Na Colômbia, milhares de servidores participaram da construção do Código de Integridade do serviço público.

Há ainda outra razão para incluir as pessoas. Décadas de pesquisas de Tom Tyler mostram que o cumprimento voluntário das regras depende da legitimidade percebida.

Quando as pessoas têm voz, recebem explicações e percebem o processo decisório como justo, tendem a aceitar as decisões e cooperar, mesmo quando o resultado não corresponde às suas preferências.

Participação, portanto, não é gentileza institucional. É tecnologia de gestão, educação e prevenção.

Estamos diante de um ponto de inflexão.

Podemos continuar construindo Babel – programas distantes das pessoas dos seus destinatários – ou podemos seguir a estratégia da reconstrução dos muros de Jerusalém: envolver pessoas em uma obra comum, distribuir responsabilidades e fazer com que cada uma se reconheça naquilo que ajudou a construir.

Babel nasce quando poucos decidem o destino de muitos. Jerusalém é reconstruída quando muitos participam daquilo que pertence a todos.

A ciência já explicou por que essa participação funciona. Organizações reais já demonstraram que ela é possível.

A pergunta não é se o compliance está teórico demais. A pergunta é por que insistimos em transformar a palavra “teoria” em rótulo de desqualificação para aquilo que sequer nos dispusemos a conhecer e colocar em prática.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 28 Jul 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Integração que fortalece a fronteira]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/integracao-que-fortalece-a-fronteira/470265/</link>
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				<description><![CDATA[A parceria firmada entre a Secretaria de Estado de Fazenda de Mato Grosso do Sul e a Polícia Federal representa uma iniciativa oportuna e necessária para o fortalecimento da fiscalização nas regiões de fronteira.

Em um estado que compartilha extensas divisas com Paraguai e Bolívia, aprimorar o controle sobre a circulação de mercadorias não é apenas uma medida de natureza tributária. Trata-se de uma estratégia que reúne segurança pública, proteção da economia formal e fortalecimento das instituições.

A realidade das fronteiras mudou nos últimos anos. De um lado, organizações criminosas têm se profissionalizado, ampliando sua capacidade logística e financeira para atuar no tráfico de drogas, armas e mercadorias ilícitas.

De outro, também evoluíram as estratégias de fraude fiscal, evasão e elisão tributária, muitas delas apoiadas por sofisticadas estruturas contábeis e operações internacionais. Combater essas práticas exige inteligência, tecnologia e, sobretudo, integração entre os órgãos públicos.

É nesse contexto que a aproximação entre a administração tributária estadual e a Polícia Federal ganha relevância.

O compartilhamento de informações e a atuação coordenada ampliam a capacidade de identificar irregularidades, rastrear operações suspeitas e impedir que cargas transportadas de forma ilícita cruzem o território sul-mato-grossense sem o devido controle.

Em um estado que funciona como importante corredor logístico para mercadorias destinadas ao restante do País, essa vigilância se torna ainda mais estratégica.

Os benefícios não se limitam ao combate ao crime. Um sistema de fiscalização mais eficiente também contribui para elevar a arrecadação tributária.

Em um momento em que estados brasileiros enfrentam dificuldades para ampliar suas receitas e equilibrar as contas públicas, reduzir perdas decorrentes da sonegação e de fraudes fiscais é uma alternativa mais justa do que aumentar a carga tributária sobre quem já cumpre suas obrigações.

Há ainda um aspecto frequentemente negligenciado: a proteção da concorrência. Empresas que pagam corretamente seus impostos e cumprem todas as exigências legais não podem continuar competindo em desvantagem com organizações que reduzem artificialmente seus custos por meio da ilegalidade.

Outro efeito positivo é o fortalecimento institucional. A atuação conjunta demonstra que as estruturas públicas estão preparadas para enfrentar desafios cada vez mais complexos, oferecendo respaldo técnico e operacional tanto aos policiais quanto aos auditores fiscais.

Além disso, a presença mais efetiva do Estado nas áreas de fronteira tem um importante efeito dissuasório. Quanto maior a percepção de fiscalização, menor tende a ser o estímulo para práticas ilícitas, contribuindo para elevar a segurança da população.

Essa integração se torna ainda mais relevante diante das mudanças promovidas pela reforma tributária.

Com a criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), cuja arrecadação será compartilhada entre União, estados e municípios, cresce a importância de mecanismos capazes de assegurar a correta tributação das operações econômicas. A parceria entre a Secretaria de Fazenda e a Polícia Federal aponta nessa direção.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 28 Jul 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Realidade urgente: o caminho para mudar a nação]]></title>
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				<description><![CDATA[O Brasil contemporâneo vive sob o império das narrativas, um cenário onde a ficção política frequentemente se sobrepõe aos fatos reais. Esse fenômeno, massificado pelo alcance digital e pelas redes sociais, fomenta bolhas de desinformação e discursos polarizados que paralisam o avanço do País.

Diante dessa engrenagem, parte significativa da grande mídia adota uma postura passiva, preenchendo seus espaços com superficialidades e celebridades instantâneas, enquanto abdica de sua função mais nobre e urgente: o questionamento profundo e a confrontação de dados.

O jornalismo verdadeiro deve funcionar como um contraponto rigoroso aos discursos oficiais. É preciso confrontar a propaganda governamental com indicadores concretos, contextualizando as estatísticas com o cotidiano de mais de 213 milhões de brasileiros.

Somente a verdade nua e crua é capaz de romper o ciclo de promessas vazias e apontar os caminhos para as mudanças estruturais que a nação exige.

Quando analisamos a economia, o contraste entre o potencial do país e a realidade de seu povo é alarmante.

O Brasil se posiciona entre as 10 maiores economias globais, ostentando um Produto Interno Bruto (PIB) expressivo (US$ 2,15 trilhões).

Contudo, no ranking do PIB “per capita” (US$ 10.687/per capita-ano), o País despenca para posições vergonhosas (75ª posição), situando-se bem abaixo da média mundial (US$ 14.630/per capita-ano).

Essa disparidade evidencia um modelo econômico concentrador, que gera riqueza na teoria, mas falha gravemente na distribuição de renda e na garantia de qualidade de vida.

A massa salarial dos trabalhadores representa uma pequena fatia do PIB, colocando o Brasil na contramão das nações que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), notadamente face a enorme informalidade na economia nacional.

A crise social se aprofunda quando observamos os dados do emprego e da assistência pública. Em quase metade das unidades da Federação – com destaque para as regiões Norte e Nordeste (Norte: 39% e Nordeste: 47% do total das famílias) –, o número de beneficiários de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, supera o de trabalhadores com carteira assinada.

Embora o amparo social seja fundamental para a sobrevivência imediata, o sucesso de uma política de combate à pobreza deveria ser medido pelo número de cidadãos que conquistam a emancipação econômica, e não pela expansão contínua do contingente de dependentes do Estado.

A penúria da população é traduzida em números dramáticos: milhões de famílias vivem na pobreza, e uma parcela esmagadora dos trabalhadores ativos sequer atinge a marca de dois salários-mínimos mensais. O diagnóstico de mobilidade social aponta para o fracasso generalizado das políticas públicas atuais.

O modelo educacional patina, comprometendo o futuro das próximas gerações, e insistir nas mesmas fórmulas assistencialistas e paliativas claramente não trará resultados diferentes.

Para justificar tais deficiências, o poder público frequentemente recorre à demonização do setor produtivo, alegando uma suposta sonegação ou falta de patriotismo das classes empresariais. Os dados, porém, desmentem essa tese.

O cidadão brasileiro trabalha quase cinco meses do ano apenas para quitar seus tributos. A carga tributária nacional consome mais de um terço de toda a riqueza produzida no território.

Portanto, o Estado não sofre por falta de arrecadação, mas sim por uma incapacidade crônica de gestão e de retorno social desse montante trilionário.

Outro vício da política nacional é a transferência perpétua de culpa para administrações passadas. Gestores são eleitos para solucionar problemas, não para justificar a própria inércia através do retrovisor, especialmente grupos políticos que já comandaram o País por grande parte das últimas décadas.

Faltam debates honestos e sobram promessas de palanque que desmoronariam diante de qualquer teste de integridade.

A grande transformação que o Brasil precisa enfrentar exige respostas a perguntas fundamentais: Qual é o nosso plano de metas de curto, médio e longo prazos? Qual porcentagem da arrecadação trilionária é efetivamente revertida em investimentos de infraestrutura (menos de 1% do PIB)?

Onde estão os avanços reais no saneamento básico, essencial para a saúde pública? Quantas famílias estão de fato ascendendo socialmente e deixando a vulnerabilidade?

O modelo estatal brasileiro consolidou-se como perdulário, avesso ao corte de gastos correntes, tímido na transparência e excessivamente generoso na concessão de privilégios e subsídios a grupos de interesse.

Enquanto isso, faltam recursos para estruturar a educação em tempo integral e para conter a crise de segurança pública, que hoje figura como uma das maiores preocupações da sociedade. Governa-se sob uma lógica de sigilos e blindagem, como se os administradores públicos não devessem contas a ninguém.

A mudança de rumo requer reformas institucionais profundas. A começar pelo aperfeiçoamento dos órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU) e suas instâncias estaduais.

A composição desses tribunais não pode continuar servindo de moeda de troca para compadrios políticos; os cargos técnicos e deliberativos devem ser preenchidos por concursos públicos rigorosos, com avaliações periódicas e o fim da vitaliciedade automática.

No campo político, o resgate da moralidade administrativa passa pela abolição definitiva do foro privilegiado para detentores de mandatos eletivos, pelo fim da reeleição nos cargos do Poder Executivo e pela transformação dos crimes contra a administração pública em delitos imprescritíveis.

Combater as mentiras institucionalizadas e as estruturas que as protegem é o maior desafio do nosso tempo. A mídia profissional – seja pelo rádio, pela televisão, pelos jornais ou portais digitais – precisa reassumir seu papel de farol crítico e isento.

Só assim será possível municiar o eleitorado com informações verdadeiras, permitindo que a escolha nas urnas seja consciente e baseada na realidade, e não em peças publicitárias destinadas a camuflar as graves deficiências do País. A transformação do Brasil começa pelo resgate inegociável da verdade.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 27 Jul 2026 07:40:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Fraude fiscal também exige reação local]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/fraude-fiscal-tambem-exige-reacao-local/470210/</link>
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				<description><![CDATA[Nesta edição, o Correio do Estado revela que duas distribuidoras de combustíveis sediadas em Mato Grosso do Sul acumulam quase R$ 5 bilhões em dívidas com o Fisco federal. Mais do que o tamanho do passivo tributário, chama atenção o contexto em que uma dessas empresas aparece.

Ela é investigada pela Polícia Federal no âmbito da Operação Carbono Oculto, uma das mais relevantes investigações dos últimos anos sobre fraude tributária, lavagem de dinheiro e supostos vínculos com o crime organizado.

Os fatos expõem um problema que ultrapassa a esfera da arrecadação e alcança a segurança pública e a defesa da economia formal.

O combate a esquemas dessa natureza é, evidentemente, atribuição das autoridades federais. Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público têm conduzido investigações complexas, que apontam para uma sofisticada estrutura destinada a fraudar tributos, ocultar patrimônio e movimentar bilhões de reais.

O alcance dessas apurações demonstra que o enfrentamento ao crime econômico exige cooperação entre diversas instituições.

Mas isso não significa que os órgãos estaduais possam assumir uma posição meramente contemplativa. Ao contrário. Se empresas investigadas por integrar esquemas dessa dimensão escolheram Mato Grosso do Sul para instalar suas sedes, ainda que apenas formalmente, é razoável perguntar por quê.

O que tornou o Estado um endereço atrativo para essas operações? Houve falhas de fiscalização? Existiram brechas administrativas exploradas por organizações criminosas? Essas perguntas precisam ser respondidas.

O caso de Iguatemi é emblemático. Um município de pequeno porte abriga empresas que acumulam dívidas bilionárias com a União e que, segundo as investigações, teriam movimentado operações incompatíveis com a realidade econômica local.

É difícil acreditar que um fenômeno dessa magnitude não mereça também um olhar atento das instituições estaduais responsáveis pela inteligência fiscal e pelo combate ao crime organizado.

A Secretaria de Estado de Fazenda dispõe de mecanismos de fiscalização e análise de movimentações tributárias. As forças policiais estaduais contam com estruturas de inteligência voltadas justamente para identificar organizações criminosas e rastrear atividades econômicas suspeitas.

A Operação Carbono Oculto revela uma realidade preocupante. A fraude tributária deixou de ser apenas um problema arrecadatório para se transformar em instrumento de financiamento e fortalecimento de organizações criminosas.

Empresas de fachada, emissão de documentos fiscais, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial compõem um modelo sofisticado que prejudica os cofres públicos, desequilibra a concorrência e fortalece redes criminosas.

Mato Grosso do Sul não pode se limitar a assistir às investigações federais. Se parte dessa engrenagem passou por seu território, cabe às autoridades locais colaborar ativamente para identificar responsabilidades, fechar eventuais brechas e impedir que novas estruturas semelhantes se instalem.

O combate à fraude fiscal não é apenas uma questão de arrecadação. É uma política de proteção à economia, às empresas que cumprem a lei e à própria segurança pública.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 27 Jul 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[O verdadeiro legado dos nossos avós]]></title>
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				<description><![CDATA[Quando pensamos na herança deixada pelos nossos avós, quase sempre lembramos de fotografias antigas, receitas de família, histórias repetidas à mesa ou algum objeto guardado com carinho. Tudo isso tem valor, mas talvez represente apenas a superfície de um legado muito mais profundo.

Com a proximidade do Dia dos Avós, celebrado em 26 de julho, é essencial compreender que a maior herança que recebemos deles dificilmente cabe em um inventário, ela está na forma como enxergamos o mundo.

Cada geração transmite muito mais do que patrimônio, transmite maneiras de interpretar a realidade. A coragem diante da dificuldade, a forma de lidar com o dinheiro, o respeito pela palavra dada, o medo de determinados riscos, a fé, a desconfiança, a disciplina, a generosidade.

Mesmo quando acreditamos estar tomando decisões exclusivamente nossas, carregamos conosco uma longa cadeia de influências que começou muito antes do nosso nascimento. Isso não acontece apenas dentro das famílias.

Toda civilização é construída dessa maneira. Continuamos sendo influenciados por filósofos, artistas, cientistas e líderes que morreram há séculos. Suas ideias permanecem organizando nossa forma de pensar sem que, muitas vezes, sequer percebamos sua presença.

Com nossos avós ocorre o mesmo, mas de maneira ainda mais íntima. Mesmo quem pouco conviveu com eles recebeu, de forma direta ou indireta, parte de sua maneira de existir.

Um avô influencia um filho, que influencia um neto. Uma escolha atravessa gerações. Um valor sobrevive ao tempo. Uma história contada inúmeras vezes transforma-se em identidade familiar.

Talvez por isso seja tão importante conhecer quem veio antes de nós. Não apenas por respeito à memória, mas porque compreender nossos ancestrais é compreender parte de nós mesmos. Muitas das respostas que buscamos sobre quem somos começam muito antes da nossa própria história.

Em uma época em que somos estimulados a acreditar que cada indivíduo se constrói sozinho, vale lembrar que ninguém nasce do zero. Somos resultado de inúmeras vidas que continuam ecoando através da nossa.

Talvez esse seja o verdadeiro significado de legado: não aquilo que alguém deixa para trás, mas aquilo que continua vivendo adiante e talvez seja essa a forma mais humana de imortalidade.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 25 Jul 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[A OMS foi uma proposta genial do Brasil na ONU há 80 anos]]></title>
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				<description><![CDATA[Ao fim da 2ª Guerra Mundial ocorreram os debates para a criação da ONU na Conferência de São Francisco, nos EUA, de abril a junho de 1945.

A delegação brasileira teve uma atuação marcante em várias áreas.
Geraldo Horácio de Paula Souza (1889-1951), médico sanitarista e químico formado pela USP, foi assessor técnico desta delegação e já tinha uma experiência internacional na área da saúde.

Foi quem fez a proposta formal da emenda de criação da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 6 de maio de 1945, na Assembleia Geral.

A proposta encaminhada por escrito foi aprovada por unanimidade em 22 de maio e levava também a assinatura do diplomata chinês Szeming Sze. Pai fundador da OMS, Geraldo era filho do lendário Antonio Francisco de Paula Souza, engenheiro e criador da Escola Politécnica da USP em 1893.

A OMS foi formalizada um ano depois, em 22 de julho de 1946, há 80 anos, na Conferência Internacional da Saúde em Nova York com a assinatura oficial do seu proponente Geraldo Gomes de Paula Souza pelo Brasil e de mais 60 países.

Elegeram o primeiro diretor-geral da OMS um médico canadense em 1948. Na segunda eleição, em 1953, foi eleito o médico sanitarista e servidor público brasileiro Marcolino Gomes Candau (1911-1983), formado pela atual UFRJ.

Disputou a eleição com candidatos de sete países. No Brasil, vivia-se o governo nacional-desenvolvimentista de Getúlio Vargas (1950-1954).

Marcolino Gomes Candau deteve o mais longo mandato da história da OMS. Foi reeleito por mais quatro vezes, ficando na liderança por 20 anos (1953-1973), em plena Guerra Fria.

Visitou neste período a maioria dos países-membros da OMS, propondo a criação de Sistemas Nacionais de Saúde para dar conta da necessidade das campanhas de vacinação (malária, varíola, tuberculose) e do atendimento público de saúde à maioria das populações.

Estava nascendo a inspiração do nosso Sistema Único de Saúde (SUS). Marcolino é considerado um dos brasileiros que exerceram maior influência em uma organização internacional no século 20. Isto mereceria um grande filme nacional.

O Sistema Único de Saúde vai nascer na 8ª Conferência Nacional da Saúde em março de 1986, depois incorporado juridicamente à Constituição Federal e regulamentado por Lei Orgânica da Saúde em 1990.

E se transformou no maior sistema público universal e gratuito de saúde do mundo, oferecendo atendimento integral a toda a população do País, com todas as contradições existentes e dificuldades inerentes.

A Fiocruz e o Instituto Butantã, centros de referência mundiais, constituem a base de pesquisa biomédica e da produção pública de vacinas e soros no Brasil.

Foram decisivos na pandemia quando se rebelaram contra a orientação negacionista do governo da época e produziram as vacinas contra o coronavírus, que salvaram a população brasileira.

A engenharia brasileira integra e é fundamental no complexo econômico industrial da saúde na produção de equipamentos e processos, na logística da distribuição e na construção do seu ecossistema.

Defender a soberania nacional, grande tema e sempre atual, é colocar a engenharia, a ciência, a tecnologia e a inovação no coração do desenvolvimento sustentável como protagonistas decisivas.

O Fórum da Engenharia Nacional, que reúne as entidades, as instituições, a academia e as lideranças da área, trabalha com os poderes públicos para realizar a histórica 1ª Conferência Nacional da Engenharia nos dias 16, 17 e 18 de novembro deste ano.

Sob a coordenação do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (Memp), esta conferência será um grande diálogo com a sociedade e apontará políticas públicas imprescindíveis e exequíveis para auxiliar a resolver as necessidades prementes da população brasileira e do País. Da soberania alimentar à digital e espacial.

Herdeiros do pensamento e ação de todos que sonharam e almejam este projeto de Nação democrático, soberano e fraterno.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 25 Jul 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Mobilidade exige planejamento]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/mobilidade-exige-planejamento/470126/</link>
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				<description><![CDATA[Nesta semana, o Correio do Estado mostrou, tanto em seu portal quanto na edição impressa, que a Prefeitura de Campo Grande deu início a uma série de intervenções viárias com o objetivo de melhorar a fluidez do trânsito.

A retirada de rotatórias, a instalação de novos semáforos e as mudanças no sentido de circulação de algumas ruas fazem parte de um conjunto de medidas que busca reduzir congestionamentos e tornar os deslocamentos mais eficientes.

A iniciativa merece reconhecimento. Afinal, os gargalos no trânsito da Capital se multiplicam à medida que a cidade cresce.

Campo Grande já não é a mesma de duas ou três décadas atrás. A expansão urbana, o aumento da frota de veículos e a concentração de atividades econômicas em determinadas regiões exigem uma revisão permanente da engenharia de tráfego.

Soluções que funcionavam no passado deixam de atender às necessidades atuais, tornando inevitáveis intervenções para adequar a circulação às novas demandas.

No entanto, seria um equívoco imaginar que alterações pontuais na circulação resolverão, por si só, os problemas da mobilidade urbana.

Melhorar o trânsito exige uma visão mais ampla, capaz de integrar engenharia, manutenção da infraestrutura e planejamento de longo prazo.

A cidade precisa ir além da substituição de rotatórias por semáforos ou da simples inversão do sentido de algumas vias.

Uma das principais demandas é a modernização da sinalização horizontal e vertical. Há trechos em que faixas de pedestres praticamente desapareceram, placas encontram-se deterioradas e a pintura das pistas perdeu a visibilidade.

A sinalização é elemento fundamental para organizar o trânsito, reduzir acidentes e oferecer segurança tanto para motoristas quanto para motociclistas, ciclistas e pedestres. Manter essa estrutura em boas condições não é favor; é obrigação do poder público.

Mas a sinalização, sozinha, não resolve. De pouco adianta instalar placas novas e pintar faixas sobre um pavimento tomado por buracos.

Ruas deterioradas comprometem a segurança, aumentam os custos de manutenção dos veículos, dificultam a circulação do transporte coletivo e anulam parte dos benefícios obtidos com qualquer reorganização do tráfego.

O recapeamento das principais avenidas e a recuperação das vias mais castigadas pelo tempo e pelo intenso fluxo precisam caminhar lado a lado com as mudanças na engenharia viária.

Naturalmente, todas essas melhorias exigem recursos públicos. Não se trata de uma tarefa simples nem de baixo custo. Justamente por isso, torna-se indispensável o planejamento.

A administração municipal deve estabelecer prioridades, definir um cronograma factível e apresentar à população quais corredores serão recuperados, quais receberão nova sinalização e quais intervenções estão previstas para os próximos meses. Transparência permite acompanhar resultados e fortalece a confiança na gestão.

Campo Grande precisa de um programa consistente de qualificação de sua infraestrutura viária. As intervenções iniciadas pela prefeitura representam um passo importante, mas devem ser entendidas como parte de um projeto mais abrangente. 
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 25 Jul 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Rota Bioceânica: um corredor de conhecimento, não apenas de asfalto]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/rota-bioceanica-um-corredor-de-conhecimento-nao-apenas-de-asfalto/470070/</link>
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				<description><![CDATA[No dia 15 de julho, depois de mais de três anos de obras, as metades da ponte sobre o Rio Paraguai finalmente se tocaram. O chamado “beijo das aduelas” uniu Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, a Carmelo Peralta, no Paraguai, ao longo de 1.294 metros de engenharia financiados pela Itaipu Binacional.

É um marco histórico e merece ser celebrado como tal. A obra, que por anos pareceu distante e gerou dúvidas, agora tem forma e, com ela, o Estado se aproxima dos portos do Pacífico e dos mercados da Ásia.

Convém, porém, distinguir o que foi concluído do que apenas começou. O que se uniu esta semana foi o concreto.

As obras de acesso do lado brasileiro, com 13,1 quilômetros entre a BR-267 e a ponte, sob responsabilidade do Dnit e orçadas em torno de R$ 500 milhões, têm conclusão prevista somente para o segundo semestre de 2027.

A pavimentação do lado paraguaio segue em andamento. Ou seja, as metades da ponte de aço se beijaram, mas a travessia que mais importa para o desenvolvimento do Estado ainda está em construção: a que liga a nossa produção ao conhecimento capaz de agregar valor a ela.

Essa distinção é importante, pois um corredor que apenas escoa commodity até um porto é, por definição, logística.

Ele encurta distâncias e reduz custos, o que já representa muito, mas não transforma por si a estrutura econômica de quem está no meio do caminho. A Rota Bioceânica tem maiores chances de se tornar um vetor de desenvolvimento para Mato Grosso do Sul se avançar de rota de passagem para plataforma de valor.

Os números ajudam a dimensionar o desafio. Em 2025, a China absorveu 48,57% das exportações sul-mato-grossenses, segundo a Carta de Conjuntura do Setor Externo da Semadesc, com base no Comexstat.

É uma pauta concentrada em poucos produtos, liderada por celulose e carne bovina, e destinada, em quase metade, a um único parceiro comercial.

A chegada de gigantes como Suzano e Arauco, esta última erguendo em Inocência uma das maiores plantas de celulose do mundo, reforça a vocação industrial do Estado, mas também acende um alerta conhecido: sem inteligência agregada, quanto maior o volume exportado, maior a dependência.

É aqui que entra o que não aparece no orçamento das obras. Para além da pavimentação e do concreto, há a formação de engenheiros, químicos, técnicos em logística e especialistas em comércio exterior e relações internacionais, tributaristas, entre outras profissões que a nova economia vai exigir.

Também serão necessários laboratórios, centros de pesquisa aplicada e parques tecnológicos que decidem se o valor gerado pela Bioceânica fica no território ou apenas passa por ele.

O Parque Tecnológico Internacional de Ponta Porã (PTIn), situado justamente sobre esse eixo de fronteira, é exemplo de infraestrutura tão estratégica quanto o próprio asfalto, ainda que menos visível.

Mato Grosso do Sul tem base para essa travessia. O Estado figura entre os 10 mais inovadores do País e construiu, na última década, um ecossistema de ciência, tecnologia e inovação com programas consistentes de fomento à pesquisa, ao empreendedorismo e à formação de talentos.

Os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) aqui sediados, voltados à carne bovina (Embrapa Gado de Corte), à biotecnologia e bioeconomia (UCDB) e ao clima do Pantanal (Uems), mostram que já produzimos conhecimento diretamente conectado à nossa vocação econômica.

Parte do desafio é integrar essa agenda à do corredor, tratando pesquisa e inovação como parte da infraestrutura, caracterizando, de fato, um investimento permanente.

A previsão de plena operação da Bioceânica nos próximos anos torna o planejamento de médio prazo uma questão técnica incontornável.

Transformar um corredor logístico em corredor de conhecimento exige instrumentos concretos: metas de qualificação profissional alinhadas às cadeias que a rota mobiliza, investimento estável em pesquisa aplicada, atração de centros de desenvolvimento e uma política de inovação capaz de acompanhar, quilômetro a quilômetro, a nova malha que se constrói.

São medidas de caráter contínuo, de natureza estruturante, que independem de ciclos de gestão e que pedem articulação permanente entre setor público, universidades, institutos de pesquisa e iniciativa privada.

A ponte de concreto uniu duas margens em pouco mais de três anos. A ponte do conhecimento leva mais tempo, exige constância e não se inaugura com uma cerimônia.

Mas é ela que determinará se a Rota Bioceânica será lembrada como a estrada que nos levou ao Pacífico ou como a que nos deixou, mais uma vez, apenas de passagem. Construir as duas ao mesmo tempo é a verdadeira travessia que temos pela frente.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 24 Jul 2026 07:40:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Malha Oeste não pode esperar mais]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/malha-oeste-nao-pode-esperar-mais/470068/</link>
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				<description><![CDATA[A história da relicitação da Malha Oeste se transformou em um retrato da lentidão brasileira quando o assunto é infraestrutura. O que deveria ser um processo destinado a devolver competitividade à ferrovia se converteu em uma sucessão de obstáculos burocráticos, revisões, questionamentos e adiamentos.

Agora, quando se esperava um avanço rumo ao leilão, surge mais um entrave: passivos relacionados ao licenciamento ambiental, alguns deles antigos, identificados pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O resultado é mais um atraso para uma ferrovia que já esperou demais.

Não se trata de desmerecer a importância do controle exercido pelos órgãos de fiscalização: o cumprimento da legislação ambiental é indispensável e deve fazer parte de qualquer projeto de infraestrutura.

O problema é que questões que poderiam ter sido resolvidas ao longo dos anos acabam ressurgindo justamente na reta decisiva do processo, impondo novos cronogramas e empurrando indefinidamente uma solução aguardada há décadas.

É oportuno recordar que a licitação já havia permanecido praticamente um ano parada no TCU em 2025. Na ocasião, o calendário precisou ser revisto enquanto análises e ajustes eram realizados.

Agora, novamente, o processo perde velocidade. A impressão transmitida é a de que sempre existe um novo obstáculo a ser superado, sem que a população e o setor produtivo consigam enxergar uma data concreta para a retomada da ferrovia.

Enquanto isso, Mato Grosso do Sul aproxima-se de uma década convivendo com uma Malha Oeste praticamente inoperante, período longo demais para um estado cuja economia passou por uma profunda transformação, impulsionada pelo crescimento da mineração, pela expansão da indústria de celulose, pelo agronegócio e pelo aumento da movimentação de combustíveis e outras cargas.

A demanda pelo transporte ferroviário existe, cresce ano após ano e continuará aumentando na próxima década.

A consequência dessa demora é conhecida. Produtos seguem sendo transportados predominantemente por rodovias, elevando custos logísticos, aumentando o desgaste das estradas, ampliando o consumo de combustíveis e reduzindo a competitividade das empresas brasileiras.

Em um mercado internacional cada vez mais disputado, logística eficiente deixou de ser diferencial para se tornar requisito básico.

A importância da Malha Oeste, entretanto, vai além das fronteiras sul-mato-grossenses. Sua recuperação interessa ao Brasil, porque representa uma alternativa estratégica para integrar o Centro-Oeste aos principais corredores de exportação e, no futuro, conectar-se aos projetos de integração continental.

O potencial para se consolidar como parte de uma ferrovia bioceânica torna essa infraestrutura ainda mais relevante para a inserção do País no comércio internacional.

É preciso, portanto, que governo federal, agências reguladoras, órgãos ambientais e instituições de controle atuem de forma coordenada para eliminar os entraves remanescentes, sem abrir mão da segurança jurídica e da responsabilidade ambiental. O que não pode continuar é a sucessão de adiamentos.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 24 Jul 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Quando o jogo termina, o que permanece?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/quando-o-jogo-termina-o-que-permanece/470014/</link>
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				<description><![CDATA[“O essencial é invisível aos olhos”. Antoine de Saint-Exupéry, em “O Pequeno Príncipe”.

Há frases que atravessam o tempo porque continuam a nos ajudar a compreender a condição humana.
Somos fascinados pelo que pode ser medido: contamos pontos, registramos recordes, elaboramos rankings e transformamos quase tudo em indicadores de desempenho.

Aprendemos a olhar para o quantificável. No entanto, aquilo que mais nos transforma raramente aparece nas estatísticas.

Nas últimas semanas, milhões de pessoas acompanharam a Copa do Mundo. Discutimos vitórias, estratégias e eliminações. Mas, quando o torneio termina, permanece a pergunta: o que realmente levamos dessa experiência?

Não são os resultados. Com o passar do tempo, a memória dos números se desfaz. O que permanece são as histórias.

Permanecem as trajetórias de quem transformou dificuldades em força, enfrentou perdas com dignidade e revelou humildade na vitória.

Em poucos dias, pessoas de culturas e línguas diferentes deixaram de ser apenas adversárias e se tornaram próximas.

Sem perceber, e sem que houvesse uma aula, um professor ou uma prova, aprendemos a torcer por seres humanos antes de torcer por uniformes.

Existem aprendizagens que acontecem silenciosamente. Elas não cabem em certificados, mas moldam nossa empatia, nosso senso de dignidade e nossos valores, algo que nenhum discurso, por si só, conseguiria ensinar.

Essa reflexão nos leva do esporte diretamente para a educação: que experiências ajudam um ser humano a se tornar mais humano?

Durante muito tempo, concentramos esforços em definir o que as crianças deveriam aprender. O conhecimento e a excelência acadêmica continuam indispensáveis

Mas hoje, com a saturação de estímulos digitais, a grande urgência é como os estudantes constroem significado do que vivem.

A inteligência artificial responderá perguntas com rapidez cada vez maior. A informação será commodity.

Mas compreender profundamente uma experiência, emocionar-se com a história do outro e traduzir compaixão em escolhas de vida continuarão sendo tarefas estritamente humanas. É aí que a educação revela sua verdadeira grandeza.

Educar é criar oportunidades para que crianças e jovens vejam o mundo com curiosidade, sensibilidade e responsabilidade.

É ajudá-los a perceber que o aprendizado acontece em cada encontro, leitura ou projeto que amplia a compreensão sobre si e sobre o outro.

Se queremos uma sociedade mais justa, a escola precisa oferecer experiências que despertem essas qualidades. 
 

Saint-Exupéry nos ensinou que o essencial é invisível aos olhos. Talvez o papel da escola seja ajudar nossos estudantes a reconhecer esse essencial e transformá-lo em atitude.

Afinal, não é o placar que muda uma vida, são os significados que construímos a partir das experiências que vivemos.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 23 Jul 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Nova fisionomia da administração pública]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/nova-fisionomia-da-administracao-publica/470013/</link>
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				<description><![CDATA[Quem se der ao exercício de contemplar a fisionomia nacional vai se deparar com imensos contrastes. Há ilhas de excelência no meio de territórios feudais; há avanços de tecnologia de ponta ao lado de muralhas do passado; na própria seara da administração pública, uma burocracia altamente profissionalizada convive com largas fatias do mandonismo político, a denotar o esforço de uns para olhar adiante sob o solavanco de outros que teimam em olhar para trás.

Por conseguinte, se há uma reforma que pode ser chamada de mãe de todas as outras, antes mesmo da área política, como normalmente se tem propagado, é a reforma do modelo de operação do Estado.

Redimensionar a estrutura do Estado, conferindo-lhe dimensão adequada para a obtenção de eficácia, significa mudar comportamentos tradicionais, racionalizar a estrutura de autoridade, reformular métodos e, ainda, substituir critérios subjetivos e ancorados no fisiologismo por sistemas de desempenho.

A meritocracia é o instrumento adequado para oxigenar, qualificar e expandir a produtividade na administração. As levas de indicações partidárias acabam contribuindo para inchar estruturas, expandir a inércia e as teias de interesses escusos.

A proposta começa com a substituição de milhares de cargos comissionados por uma carreira de Estado, à semelhança do que existe em sistemas parlamentaristas, nos quais quadros permanentes, qualificados e motivados são imunes às crises políticas. Mudam-se os dirigentes, mas as equipes continuam comandando a gestão pública.

Os males da administração pública advêm da errática mentalidade de seus ocupantes, para quem o modus operandi deve espelhar a visão (caolha ou fisiológica), e não as necessidades sociais.

Consideram-se donos do pedaço que lhes coube na partilha do poder, não se sujeitando à ordem do mercado nem às leis da livre concorrência, como ocorre na iniciativa privada.

Da burocracia comprometida com o mérito deverão ser cobrados resultados dentro de metas preestabelecidas, reconhecendo-se as qualidades de cada perfil e implantando um modelo de premiação e promoção para motivar as equipes. Não será tarefa fácil alterar a fisionomia da administração pública.

O atual sistema de loteamento faz parte da velha cultura patrimonialista, que permeia as três instâncias federativas.

Parte-se do princípio de que o governante, ao chegar ao poder, como forma de garantir as condições de governabilidade, terá de repartir espaços de ministérios e autarquias pelos partidos, de acordo com o tamanho e a influência de cada ente. Como mudar tal sistemática sem ferir brios e perder apoio no Congresso?

Desenvolver áreas de formação, reciclagem e aperfeiçoamento de recursos humanos, voltadas para a operação do Estado, deve ser prioridade.

Essas ideias parecem consensuais entre grupos de bom senso da própria administração pública. E por que não se aplicam? Por assimetria à lógica da organização do poder no Brasil.

Como se sabe, quem dá o tom é a orquestra patrimonialista, para onde os integrantes são indicados pelos senhores do mando.

O círculo vicioso da política gira mudando figuras e mandos, mas não o sistema. Há poucas brechas para se avançar. Mas é possível, sob pressão intensa da sociedade, fazer fluir oxigênio novo.

Quando ideias transformadas em projetos chegam ao Congresso sob o empuxo social, ganham repercussão e acabam entrando em pauta.

Foi assim que ocorreu com situações que caracterizam o ingresso do Brasil na modernidade: a pesquisa com células-tronco, a aprovação do projeto Ficha Limpa e a Lei Maria da Penha, contra a violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras.

Acontece que assuntos áridos como as reformas do Estado, tributária e política só vão adiante caso recebam a atenção do centro do poder.

Ou mobilizem os partidos. Só dessa forma a roda viciosa da política poderá jogar a reforma do Estado na mesa do mandatário.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 23 Jul 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Ônibus: é hora de acertar o futuro]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/onibus-e-hora-de-acertar-o-futuro/470012/</link>
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				<description><![CDATA[Os próximos anos do transporte coletivo de Campo Grande serão decididos nos próximos dias. A afirmação pode parecer exagerada, mas não é.

A mudança no controle do Consórcio Guaicurus, agora sob o comando do grupo HP, de Goiânia, abre uma nova fase para um serviço que há anos acumula reclamações, perda de passageiros e sucessivos conflitos entre concessionária, prefeitura e usuários.

É justamente nesse momento que serão tomadas as decisões capazes de determinar se a Capital finalmente terá um sistema de transporte digno ou se apenas prolongará problemas antigos.

Reportagem publicada nesta edição do Correio do Estado mostra que o modelo usado pelo novo controlador passa pela prorrogação antecipada do contrato de concessão, atualmente válido até 2032.

A extensão, que pode alcançar mais duas décadas, serviria de garantia para a realização de investimentos na renovação da frota, na melhoria dos terminais e na modernização do sistema.

Trata-se de um mecanismo que, quando bem estruturado, pode representar uma alternativa para destravar investimentos privados.

Entretanto, uma prorrogação contratual dessa magnitude não pode ser tratada como mera formalidade administrativa.

Ao contrário, exige máxima transparência, estudos técnicos consistentes e ampla fiscalização dos órgãos de controle. Ministério Público, Tribunal de Contas, Câmara Municipal, prefeitura e a própria sociedade precisam acompanhar atentamente a modelagem que vier a ser proposta.

O contrato que será desenhado agora influenciará diretamente a qualidade do serviço prestado por décadas.

Mais importante do que ampliar o prazo da concessão é definir, com precisão, quais investimentos serão obrigatórios, quais metas deverão ser cumpridas e quais penalidades serão aplicadas em caso de descumprimento.

A experiência demonstra que contratos bem elaborados reduzem conflitos futuros e oferecem maior segurança tanto para o poder público quanto para a concessionária.

Mas, acima de tudo, garantem previsibilidade ao usuário, que é quem sustenta o sistema diariamente.

Não há dúvida de que o transporte coletivo de Campo Grande precisa mudar. O passageiro convive há anos com ônibus envelhecidos, atrasos frequentes, lotação, redução de linhas e perda da qualidade do serviço.

A insatisfação é evidente e ajuda a explicar a queda contínua no número de usuários, que migraram para motocicletas, automóveis ou aplicativos de transporte. Recuperar essa confiança será um dos maiores desafios da nova gestão.

Mas a cidade também não pode repetir os erros do passado. Quando o contrato atualmente em vigor foi assinado, pouco mais de uma década atrás, o discurso também era de modernização, eficiência e melhoria contínua. 

Agora, Campo Grande recebe uma segunda oportunidade. Ela não deve ser desperdiçada. Se a prorrogação contratual vier acompanhada de regras claras, metas rigorosas, fiscalização permanente e investimentos efetivos, poderá marcar o início de uma nova fase para a mobilidade urbana. 
]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 23 Jul 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Temporada de queimadas se aproxima, veja como a tecnologia pode ajudar]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/temporada-de-queimadas-se-aproxima-veja-como-a-tecnologia-pode-ajudar/469953/</link>
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				<description><![CDATA[O Brasil vem enfrentando um aumento significativo nos focos de calor. De acordo com o painel de monitoramento do programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), janeiro foi um mês atípico, com 4.347 focos ativos detectados pelo satélite de referência do órgão.

O número corresponde ao dobro da média histórica para o mês e representa crescimento de 46% em relação a 2025. A situação ainda deve se agravar nos próximos meses, quando a temporada de queimadas, mais forte no mês de agosto, chegar ao País.

O episódio não é isolado. Nos últimos anos, o que era sazonal passou a se tornar estrutural. Segundo o World Wide Fund for Nature (WWF), em 2019, a Amazônia registrou um dos episódios mais emblemáticos da década, com aumento expressivo de focos que gerou repercussão internacional.

Já em 2020 o País enfrentou uma das maiores tragédias ambientais do bioma Pantanal, quando o fogo atingiu mais de 30% de toda a sua área, o pior evento já registrado na região.

A tendência continuou nos anos seguintes. Apenas no primeiro semestre de 2024, foram registrados mais de 13 mil focos na Amazônia, o pior número em duas décadas para o período, enquanto agosto daquele mesmo ano atingiu o maior volume mensal em 14 anos.

O fenômeno não é isolado. Nas últimas temporadas, o Chile também tem registrado incêndios florestais cada vez mais complexos e com maior impacto social e ambiental.

Segundo relatórios oficiais compilados pelo governo, desde 1º de janeiro de 2026 foram registrados mais de 750 incêndios, que consumiram cerca de 50 mil hectares de vegetação, com dezenas de focos ainda ativos e milhares de pessoas evacuadas em regiões como Biobío, Ñuble e La Araucanía.

Esses dados não representam apenas estatísticas, mas estão indicando uma realidade estrutural. Condições climáticas extremas, ondas de calor, ventos intensos e secas prolongadas, combinadas à presença crescente de infraestrutura crítica próxima a áreas florestais, ampliaram a exposição ao risco.

E, embora grande parte da discussão pública se concentre nas causas e consequências, uma dúvida fundamental permanece: as tecnologias disponíveis estão sendo corretamente integradas para antecipar e prevenir eventos, em vez de apenas reagir a eles? 

Hoje existem soluções maduras de detecção e monitoramento com sensores de temperatura e fumaça com autonomia superior a sete anos, câmeras térmicas de alta resolução, dispositivos de internet das coisas (IoT) para transmissão contínua de dados e plataformas analíticas capazes de correlacionar informações em tempo real e gerar alertas acionáveis. Ou seja, o problema não está na ausência de tecnologia, mas na sua fragmentação operacional.

Nesse contexto, o papel dos integradores tecnológicos ganha relevância. Uma solução isolada pode identificar um indício, várias operando em silos podem apontar risco elevado. Um sistema integrado, porém, transforma dados dispersos em alerta operacional e decisão oportuna.

Isso significa unificar sensores, conectividade, armazenamento e protocolos de resposta em um fluxo contínuo capaz de detectar, priorizar, alertar e apoiar ações em tempo real.

Um exemplo dessa abordagem é a integração de sensores a plataformas de monitoramento urbano, nas quais as informações são cruzadas com modelos de risco e padrões históricos.

Com plataformas inteligentes, torna-se possível consolidar dados heterogêneos, provenientes de sensores de longa duração, câmeras e estações meteorológicas, e traduzi-los em indicadores capazes de antecipar focos de ignição antes que se transformem em eventos de grande escala.

A diferença entre um sensor isolado e um sistema integrado está na capacidade de ação. Mais do que coletar dados, trata-se de habilitar decisões: priorizar recursos, enviar alertas antecipados às brigadas, ativar protocolos automáticos de mitigação e reduzir impactos humanos e econômicos.

Prevenir incêndios hoje exige abandonar a mentalidade reativa. A história recente demonstra que milhares de hectares queimados, deslocamento de populações e perdas materiais não são inevitáveis, mas consequência da falta de articulação adequada das capacidades tecnológicas já existentes. A tecnologia deixou de ser um recurso complementar, tornou-se uma infraestrutura crítica.

A verdadeira transformação na prevenção não virá apenas de mais sensores ou novos modelos preditivos, mas da integração efetiva dessas tecnologias em plataformas operacionais capazes de oferecer precisão, velocidade e contexto na tomada de decisão.

Isso demanda não só conhecimento técnico, mas uma visão integrada que conecte dispositivos, dados e operação humana em um mesmo sistema de valor.

O objetivo é fazer da detecção precoce uma regra em que o monitoramento não seja reativo, mas preditivo, e as respostas, uma operação coordenada preparada para múltiplos riscos simultâneos.

Quando tecnologias deixam de operar isoladamente e passam a compor um sistema holístico de prevenção, ocorre um salto qualitativo na segurança e na resiliência de comunidades inteiras.

Para isso, contar com integradores capazes de transformar diversidade tecnológica em decisões operacionais é essencial. Esse papel é determinante para cidades mais seguras, indústrias mais resilientes e uma gestão de riscos orientada ao futuro, baseada em ação concreta, não apenas em intenção.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 22 Jul 2026 07:40:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Dar vida de volta aos bairros da Capital ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/dar-vida-de-volta-aos-bairros-da-capital/469952/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/dar-vida-de-volta-aos-bairros-da-capital/469952/</guid>
				<description><![CDATA[A degradação urbana que avança sobre bairros tradicionais de Campo Grande exige uma resposta imediata do poder público. Regiões como Vila Santa Dorothéa, Vila Glória e Vila Carvalho, que durante décadas concentraram moradores, comércio e intenso movimento, convivem hoje com um cenário de abandono.

Terrenos baldios transformaram-se em abrigo para usuários de drogas, estabelecimentos comerciais passaram a ser alvo frequente de furtos e a sensação de insegurança tornou-se parte da rotina de quem ainda resiste em permanecer nesses locais.

Não se trata de um problema isolado nem recente. Comerciantes e moradores relatam invasões constantes a imóveis para o furto de fios, equipamentos, peças metálicas e qualquer objeto que possa ser vendido rapidamente para sustentar o consumo de drogas.

O resultado é um ciclo perverso: aumenta a criminalidade, diminuem as atividades econômicas, imóveis são fechados, ruas ficam vazias e a degradação se intensifica.

A ausência do poder público acaba criando um ambiente propício para que esse processo se aprofunde.

Quanto menor a circulação de pessoas e menor a presença das instituições, maior a ocupação dos espaços pela criminalidade e pelo abandono. É um fenômeno que já não se restringe à região central expandida e se repete em bairros como Amambaí, Vila Nhanhá e outros pontos da Capital.

O enfrentamento desse cenário passa, inevitavelmente, por uma atuação mais firme das forças de segurança.

Polícia Militar e Guarda Civil Metropolitana precisam intensificar rondas ostensivas, manter presença diária nessas regiões e impedir que espaços públicos e privados continuem sendo ocupados por grupos envolvidos em furtos e outros delitos.

A simples presença permanente dos agentes de segurança costuma produzir resultados imediatos, devolvendo parte da tranquilidade aos moradores e inibindo a ação criminosa.

Ao mesmo tempo, seria um erro reduzir a questão exclusivamente à segurança pública. Muitas pessoas que hoje vivem nas ruas enfrentam dependência química e extrema vulnerabilidade social.

É preciso que as ações policiais sejam acompanhadas por equipes de assistência social e saúde, capazes de encaminhar quem aceita tratamento, acolhimento e reinserção social.

Combater a criminalidade e oferecer alternativas para quem deseja sair dessa condição são medidas complementares, não excludentes.

No médio prazo, Campo Grande também precisa recuperar esses bairros. Investimentos em infraestrutura, iluminação pública, limpeza, manutenção de áreas abandonadas e estímulos à ocupação residencial e comercial são fundamentais para devolver vitalidade às regiões degradadas.

Uma cidade viva é aquela em que as ruas são ocupadas por moradores, trabalhadores e consumidores, e não pelo abandono.

A recuperação desses espaços depende de uma ação coordenada entre segurança pública, assistência social e planejamento urbano.

Adiar providências significa permitir que a degradação avance para novas áreas da cidade. Campo Grande não pode aceitar que bairros com tanta história sejam entregues ao abandono. Dar vida de volta a essas regiões é uma obrigação do poder público.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 22 Jul 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[A humanização da advocacia criminal: enxergar a pessoa além do processo]]></title>
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				<description><![CDATA[Por trás de cada número de processo existe uma história. Existe uma família, uma profissão, uma trajetória construída ao longo de décadas, sonhos interrompidos e consequências que jamais caberão integralmente nas páginas dos autos.

Embora o processo penal seja estruturado por regras, prazos e formalidades, ele nunca deixa de tratar de pessoas. E é justamente por isso que a advocacia criminal não pode perder sua dimensão humana.

Com frequência, o debate jurídico concentra-se na tipificação penal, na validade das provas, nos precedentes dos tribunais superiores e na correta aplicação da legislação. Todos esses aspectos são indispensáveis.

Entretanto, quando o processo passa a ser visto exclusivamente como um conjunto de documentos, corre-se o risco de esquecer que, por trás das peças processuais, existem seres humanos cujas vidas são profundamente impactadas por cada decisão judicial.

A persecução penal produz efeitos que transcendem eventual condenação. A simples existência de uma investigação ou de uma ação penal pode comprometer carreiras profissionais, destruir reputações construídas ao longo de anos, fragilizar relações familiares, provocar perdas financeiras e gerar intenso sofrimento psicológico.

Muitas dessas consequências surgem antes mesmo de qualquer pronunciamento definitivo do Poder Judiciário.

É exatamente nesse cenário que se revela a verdadeira importância da advocacia criminal.

O advogado criminalista não atua apenas para discutir teses jurídicas ou formular requerimentos processuais. Sua função constitucional consiste em assegurar que o indivíduo submetido ao poder punitivo do Estado continue sendo tratado como sujeito de direitos, jamais como mero objeto da persecução penal.

A Constituição Federal estabelece a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da República.

Esse princípio não representa uma diretriz abstrata ou meramente filosófica. Trata-se de verdadeiro parâmetro interpretativo que deve orientar toda a atuação estatal, especialmente quando está em jogo a liberdade de alguém.

Humanizar a advocacia criminal não significa se afastar da técnica jurídica. Pelo contrário. Significa compreender que a técnica somente alcança sua finalidade quando aplicada em favor da proteção da pessoa humana.

Uma defesa eficiente exige profundo conhecimento da legislação, da jurisprudência e da doutrina. Contudo, exige também sensibilidade para compreender quem é o acusado, qual sua realidade social, quais circunstâncias o conduziram ao processo e quais os impactos concretos que determinada decisão poderá produzir em sua vida e na vida daqueles que dele dependem.

O processo penal moderno não admite decisões baseadas em estigmas, preconceitos ou julgamentos morais.

A culpabilidade deve ser construída exclusivamente a partir das provas produzidas sob o devido processo legal. Ainda assim, é dever da defesa apresentar ao magistrado não apenas os fatos juridicamente relevantes, mas também o contexto humano em que esses fatos estão inseridos.

Não se trata de buscar compaixão ou tratamento privilegiado. Trata-se de assegurar que o julgador tenha uma visão completa da realidade submetida à sua apreciação. A justiça somente se realiza plenamente quando consegue enxergar o indivíduo para além do número do processo.

Essa perspectiva também contribui para fortalecer a própria legitimidade do sistema de justiça. Um processo penal que respeita a dignidade das pessoas transmite maior confiança à sociedade, reduz arbitrariedades e reafirma os compromissos constitucionais do Estado Democrático de Direito.

Em tempos de crescente exposição midiática, julgamentos precipitados e instantaneidade das redes sociais, torna-se ainda mais importante recordar que nenhuma acusação elimina a condição humana do acusado.

A presunção de inocência, o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal não são obstáculos à justiça; são justamente as garantias que impedem que ela se transforme em instrumento de injustiça.

O advogado criminalista ocupa posição singular nesse cenário. Sua missão vai muito além da elaboração de petições ou da sustentação oral perante os tribunais.

Ele é, antes de tudo, um defensor das garantias fundamentais e da própria civilização jurídica, lembrando diariamente que o exercício do poder punitivo tem limites constitucionais.

Por isso, a advocacia criminal precisa permanecer essencialmente humana. A técnica é indispensável. O conhecimento jurídico é inegociável. Mas ambos somente cumprem sua finalidade quando colocados a serviço da pessoa.

No fim, cada processo representa muito mais do que um conjunto de documentos protocolados. Representa uma vida em curso. E enquanto houver pessoas sendo julgadas, a advocacia criminal terá o dever de lembrar que ninguém pode ser reduzido a um número de processo.

Porque, antes de existir um réu, existe um ser humano.

E antes de existir um processo, existe uma história que merece ser compreendida. 
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 21 Jul 2026 07:40:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O retrato das urnas em Mato Grosso do Sul ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-retrato-das-urnas-em-mato-grosso-do-sul/469893/</link>
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				<description><![CDATA[As estatísticas do eleitorado divulgadas pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) e pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vão muito além de uma simples atualização cadastral, elas oferecem um retrato de quem terá a responsabilidade de decidir os rumos políticos do Estado nas eleições deste ano.

Conhecer esse perfil é compreender, com base em fatos, quais grupos sociais terão maior peso nas urnas e quais regiões concentrarão a disputa. É uma informação indispensável para partidos, candidatos e eleitores.

Nesta edição, o Correio do Estado destaca um dado que merece atenção: Mato Grosso do Sul consolida, mais uma vez, um eleitorado majoritariamente feminino.

As mulheres representam quase 53% dos votantes aptos, enquanto os homens somam pouco mais de 47%. Na prática, são quase 114 mil eleitoras a mais do que eleitores.

Se esse contingente formasse um município, seria o terceiro maior colégio eleitoral do Estado, atrás apenas de Campo Grande e Dourados. É um número que não pode ser desprezado e deve ser levado em consideração.

Esse cenário deveria influenciar a formulação das campanhas. Temas como saúde, segurança, educação, geração de renda e proteção às mulheres precisam ocupar espaço relevante nos programas de governo.

Não por oportunismo eleitoral, mas porque refletem as demandas da parcela majoritária do eleitorado. Ignorar esse perfil significa distanciar o discurso político da realidade.

Outro dado revelador está na distribuição geográfica dos eleitores. Cinco municípios – Campo Grande, Dourados, Três Lagoas, Ponta Porã e Corumbá – concentram mais da metade do eleitorado sul-mato-grossense. A Capital, sozinha, reúne mais de 30% dos votantes.

Essa concentração influencia estratégias, agendas e prioridades das campanhas, tornando esses centros decisivos para qualquer candidatura competitiva.

A geografia do voto diz muito sobre uma eleição. Ela orienta discursos, ajuda a identificar demandas regionais e revela onde estão os maiores desafios para os candidatos.

Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de que os municípios menores não sejam relegados a segundo plano, já que cada voto tem exatamente o mesmo valor na urna.

Em tempos de intensa disputa por narrativas, vale recordar que a realidade costuma ser menos maleável do que o discurso.

Estratégias de marketing, slogans e campanhas digitais têm sua importância, mas encontram limites nos fatos. E os números do eleitorado são um desses fatos incontornáveis.

Eles revelam quem decide as eleições, onde essas pessoas estão e quais características predominam entre os votantes. 

Os números do eleitorado não apontam vencedores, mas mostram quem decidirá a eleição e onde essas pessoas estão.

Quem compreender esse retrato terá melhores condições de dialogar com a sociedade. Quem insistir em ignorá-lo correrá o risco de fazer campanha para um eleitor que existe apenas no discurso, e não na realidade das urnas.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 21 Jul 2026 07:20:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Por que estamos pagando para fazer amigos?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/por-que-estamos-pagando-para-fazer-amigos/469848/</link>
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				<description><![CDATA[Em 20 de julho é celebrado o Dia do Amigo e, com a aproximação da data, uma pergunta incômoda começa a ecoar nos debates sobre o comportamento contemporâneo: você pagaria para fazer amigos? A maioria das pessoas certamente de pronto diria que não, mas essa resposta tem funcionado apenas na teoria, pois já tem quem lucre com esse novo nicho de mercado.

Nos Estados Unidos, esse fenômeno vem ganhando força, e o cenário é alarmante. Segundo informações do Magnet ABA Therapy, um a cada cinco adultos americanos apresenta um estado mental de solidão crônica.

Globalmente, a geração Z é a mais afetada, com 24% das pessoas de 15 anos ou mais relatando sentimentos significativos de solidão. Diante desse deserto afetivo, o mercado encontrou uma oportunidade: a criação da chamada “economia da conexão”.

Hoje, empresas, promotores de eventos e coaches cobram centenas de dólares por fins de semana intensivos para ensinar adultos a socializarem e a perderem a timidez. Há clubes privados que oferecem uma verdadeira “curadoria” de amizades.

E se você pensa que isso é uma realidade apenas para quem mora fora do Brasil, está enganado.

Em Curitiba, por exemplo, já se multiplicam anúncios de aplicativos com convites como “jantares com desconhecidos” ou “transforme desconhecidos em amigos” – iniciativas desenhadas para ajudar pessoas a romperem o isolamento e a construírem novos laços.

Mas como chegamos a esse ponto? Culpar a pandemia, as telas ou o home office é a saída mais fácil, mas a verdade é mais profunda. Estamos imersos em uma cultura que estimula o sujeito a se desvincular do coletivo.

Sob a ilusão de que “você pode ser o que quiser” e amparados pela promessa de felicidade imediata que vem em cápsula, desaprendemos a conviver e criamos uma sociedade com baixíssima tolerância à frustração.

Afinal, fazer amigos de verdade exige paciência, concessões e o risco de se machucar, habilidades que fomos desaprendendo a usar em nossa busca por uma vida sem atritos. Assim, o efeito colateral tem sido nos isolarmos em nossas próprias bolhas de autossuficiência.

É aí que a lógica do mercado entra: se você não tem tempo ou habilidade para cultivar laços organicamente, o sistema monetiza essa carência, transformando a vulnerabilidade humana em mais um serviço por assinatura.

O problema é que, ao fazer a amizade seguir a lógica mercantil, passamos a tratá-la sob a regra do descarte: “se der problema”, eu simplesmente cancelo.

O resultado são relações voláteis, sem consistência e sem capacidade de superar dificuldades, o oposto da real condição humana, que é caótica e imperfeita, mas profundamente viva e transformadora.

Ao terceirizarmos nossa sociabilidade para algoritmos e jantares pagos, estamos anestesiando o sintoma sem curar a doença. Estamos trocando o calor do afeto espontâneo pela conveniência de um produto com garantia de satisfação.

Se o afeto vira mercadoria, o outro deixa de ser um igual para se tornar um bem de consumo.

Diante desse cenário em que até o carinho tem preço e a solidão virou modelo de negócios, resta uma última e incômoda reflexão: se passarmos a pagar para que as pessoas nos ouçam e nos aceitem, o que nos garante que o que estamos comprando é mesmo amizade, e não apenas o fim temporário da nossa solidão?
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 20 Jul 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A odisseia eleitoral brasileira]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-odisseia-eleitoral-brasileira/469847/</link>
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				<description><![CDATA[A estreia de “A Odisseia”, adaptação do clássico de Homero, convida a refletir sobre a permanência dos grandes arquétipos da civilização ocidental. Mais do que um relato da Grécia Antiga, a obra permanece atual porque aborda temas universais, como poder, liderança, legitimidade e pertencimento.

Conceitos como democracia, política, cidadania, justiça e oikos continuam estruturando a forma como compreendemos o Estado e o exercício do poder, permitindo que a política brasileira também seja interpretada a partir de uma atualização do que vem a ser um novo épico político.

Após a prisão de Jair Bolsonaro, a direita iniciou uma longa travessia em busca de uma nova centralidade política.

Nesse percurso, Flávio Bolsonaro se tornou o personagem encarregado de conduzir essa jornada. Como Ulisses, seu desafio não consiste apenas em derrotar adversários externos, mas, sobretudo, em sobreviver às próprias tempestades internas.

A campanha atravessa disputas regionais, conflitos entre lideranças, divergências sobre candidaturas ao Senado e dificuldades para consolidar um projeto nacional unificado.

As tensões envolvendo Michelle Bolsonaro, os desgastes provocados pelas denúncias que atingiram seu entorno político e a fragmentação crescente do campo conservador funcionam como os monstros da narrativa homérica: obstáculos que retardam a chegada ao destino.

Seu maior desafio, porém, é retornar ao oikos político. Na tradição grega, o oikos não representa apenas a casa física, é o lugar da legitimidade, da autoridade reconhecida e da ordem restaurada. Enquanto Flávio enfrenta sua travessia, Luiz Inácio Lula da Silva ocupa uma posição distinta.

Diferentemente do filho de Jair Bolsonaro, que ainda percorre o caminho tortuoso da legitimidade, Lula já habita o espaço do poder. Seu maior ativo político, neste momento, talvez não seja a expansão de sua força, mas a incapacidade de seus adversários de concluir a própria jornada.

É justamente nesse ponto que a analogia com Homero revela sua principal inversão. Na epopeia, Ulisses retorna, derrota os pretendentes e restaura a ordem de Ítaca.

Na política, contudo, não existe destino garantido. Quanto mais longa se torna a travessia da direita, maiores são as possibilidades de permanência daquele que já ocupa o oikos. A demora transforma-se em vantagem estratégica para quem governa.

Essa talvez seja a principal contradição do atual cenário político brasileiro. A cultura política parece conservar uma inclinação mais favorável ao campo de centro-direita em temas como segurança pública, responsabilidade fiscal e valores conservadores, entretanto, essa maioria cultural ainda não conseguiu se converter em unidade política.

A dialética se torna evidente: existe uma tese social favorável à direita, mas uma antítese produzida pela fragmentação de suas lideranças. Sem uma síntese capaz de reorganizar esse campo, o resultado tende a favorecer justamente aquele que ocupa a posição que muitos pretendem conquistar.

Talvez a principal lição de Homero permaneça atual: antes de vencer o adversário, é preciso concluir a própria viagem.

Na política, muitas vezes, o maior obstáculo não está do lado de fora, mas na incapacidade de construir unidade antes de alcançar o destino. E, enquanto a travessia continua, quem já está em casa permanece, ao menos por enquanto, senhor do próprio oikos.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 20 Jul 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Presença na fronteira que inibe o crime]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/presenca-na-fronteira-que-inibe-o-crime/469846/</link>
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				<description><![CDATA[O combate ao crime organizado nas regiões de fronteira exige mais do que ações pontuais das forças de segurança, requer presença permanente do Estado, integração entre instituições e capacidade de desestimular a atuação de organizações criminosas.

Sob esse aspecto, acerta o Exército Brasileiro ao colocar em prática a Operação Jaguaretê, coordenada pelo Comando Militar do Oeste (CMO), em Campo Grande, com atuação ao longo das fronteiras com a Argentina, o Paraguai e a Bolívia.

Como mostra reportagem publicada nesta edição, a operação mobilizará tropas e recursos próprios do Exército em ações articuladas com órgãos federais e estaduais de segurança pública.

Essa coordenação é fundamental para evitar sobreposição de esforços, ampliar o compartilhamento de informações e tornar mais eficiente o enfrentamento aos crimes transfronteiriços, especialmente o tráfico internacional de drogas.

Mato Grosso do Sul ocupa posição estratégica na geografia do crime organizado. A extensa faixa de fronteira com o Paraguai e a Bolívia transforma o Estado em uma das principais portas de entrada de drogas e mercadorias ilegais. Não por acaso, grandes apreensões realizadas nos últimos anos ocorreram na região.

Reforçar a vigilância nesses corredores significa proteger não apenas a população sul-mato-grossense, mas toda a cadeia de segurança pública do País.

Entretanto, o maior mérito da Operação Jaguaretê talvez não esteja nas apreensões que poderá realizar, mas naquilo que conseguirá evitar. Sua natureza é essencialmente dissuasória.

A presença ostensiva de tropas, patrulhas e postos de fiscalização reduz as oportunidades para a ação criminosa e aumenta a percepção de risco entre traficantes e demais organizações transnacionais.Em segurança pública, impedir que o crime aconteça é sempre mais eficiente do que combatê-lo apenas depois.

Essa lógica preventiva merece ser valorizada. O Estado demonstra sua força não apenas quando reprime o delito consumado, mas principalmente quando ocupa espaços estratégicos e dificulta a atuação de quem vive à margem da lei.

A fronteira brasileira, por sua extensão e complexidade, exige exatamente esse tipo de presença contínua e coordenada.

Mais do que uma operação militar, a Jaguaretê reafirma um princípio básico da soberania nacional: fronteiras precisam estar sob vigilância permanente do Estado.

Onde há instituições presentes, cooperação entre os órgãos públicos e monitoramento constante, o espaço para o crime organizado diminui.

O Exército Brasileiro, ao liderar esse esforço a partir de Mato Grosso do Sul, cumpre seu papel constitucional e contribui para uma política de segurança baseada na prevenção, na integração e na proteção do território nacional. Trata-se de uma iniciativa que merece reconhecimento e continuidade.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 20 Jul 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Como as canetas emagrecedoras estão transformando a economia]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/como-as-canetas-emagrecedoras-estao-transformando-a-economia/469779/</link>
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				<description><![CDATA[Durante décadas, a economia foi construída sobre um pressuposto simples: quanto maior o desejo, maior o consumo. Empresas aperfeiçoaram estratégias para estimular a compra, criar recorrência e transformar impulsos em receita.

Agora, pela primeira vez, uma inovação farmacêutica começa a desafiar essa lógica em escala global.

A ascensão dos agonistas de GLP-1, classe de medicamentos que inclui Ozempic, Wegovy e Mounjaro, já ultrapassou o debate sobre emagrecimento.

Ao reduzir significativamente o chamado food noise, o ruído mental associado ao desejo constante por comida, esses medicamentos estão provocando mudanças de comportamento que começam a repercutir em diversos setores da economia.

Os números ajudam a explicar o fenômeno. Nos Estados Unidos, estudos mostram que lares com, pelo menos, um usuário de GLP-1 reduziram seus gastos com supermercado em até 8,2%, enquanto o consumo de salgadinhos e alimentos ultraprocessados caiu cerca de 11%.

Não se trata apenas da troca de um produto por outro. Em muitos casos, o impulso para consumir simplesmente diminuiu.

Os reflexos já são percebidos em diferentes mercados. A KPMG estima que a indústria de alimentos e bebidas dos Estados Unidos pode deixar de movimentar cerca de US$ 100 bilhões até 2030. Ao mesmo tempo, empresas ligadas à produção desses medicamentos registram crescimento acelerado.

A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk chegou a atingir um valor de mercado superior ao Produto Interno Bruto (PIB) de seu país de origem, tornando-se um símbolo dessa transformação.

Mas, talvez, o aspecto mais relevante dessa mudança não esteja na alimentação. O que chama a atenção é a possibilidade de redução de diversos comportamentos impulsivos

Pesquisas indicam que os medicamentos também podem influenciar mecanismos de recompensa ligados ao consumo de álcool, apostas e compras compulsivas. Se essa tendência se consolidar, o impacto econômico poderá ser ainda mais amplo do que se imaginava inicialmente.

Na saúde, os resultados também começam a redesenhar projeções de longo prazo. O estudo Select, publicado no New England Journal of Medicine, demonstrou que a semaglutida reduz em 20% o risco de infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e mortes por causas cardiovasculares.

Já pesquisas recentes publicadas na Nature Medicine apontam associações positivas em dezenas de condições de saúde. A consequência potencial é uma redução expressiva de internações, tratamentos de alta complexidade e custos assistenciais, beneficiando tanto sistemas públicos quanto operadoras privadas.

No Brasil, a adoção dessas terapias avança rapidamente. O País já supera a média global de utilização, com cerca de 5,5% da população fazendo uso de alguma caneta emagrecedora. O mercado movimenta aproximadamente R$ 10 bilhões por ano e deve continuar crescendo nos próximos anos.

Essa transformação também cria oportunidades. Com perdas de peso que frequentemente variam entre 15% e 20% ao longo do tratamento, o setor de vestuário já observa mudanças no comportamento dos consumidores.

O banco Bernstein projeta uma injeção de até US$ 13 bilhões anuais na indústria da moda norte-americana, impulsionada pela necessidade de renovação do guarda-roupa. Algumas marcas já relatam alterações no mix de tamanhos e no perfil de consumo de seus clientes.

O segmento de bem-estar segue a mesma direção. Academias, programas de atividade física, produtos voltados à saúde e marcas esportivas tendem a se beneficiar de consumidores cada vez mais engajados na manutenção dos resultados obtidos com o tratamento.

No Brasil, o crescimento consistente das redes de academias e da moda esportiva reforça essa tendência.

Por aqui, um dos marcos mais importantes pode acontecer com o avanço dos genéricos e similares da semaglutida, após a quebra de patente. A ampliação do acesso tem potencial para acelerar ainda mais a adoção desses tratamentos, tornando seus efeitos econômicos mais visíveis e abrangentes.

O desafio para as empresas será compreender um consumidor diferente daquele que dominou as últimas décadas.

Se parte do crescimento econômico recente foi sustentada pela lógica do excesso, com mais estímulos, mais consumo e mais recorrência, a era dos GLP-1 aponta para um cenário em que a decisão de compra tende a se tornar mais seletiva e racional.

A discussão sobre esses medicamentos, portanto, vai muito além da saúde ou da estética, pois sinaliza uma mudança profunda no comportamento humano.

Se o século 20 foi marcado pela expansão do consumo, os próximos anos podem ser definidos pela capacidade de escolher melhor o que realmente merece a nossa atenção, o nosso tempo e o nosso dinheiro.

Para as empresas, o desafio deixa de ser o de estimular o desejo a qualquer custo e passa a ser construir relevância genuína.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 18 Jul 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A leitura continua insubstituível]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-leitura-continua-insubstituivel/469778/</link>
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				<description><![CDATA[A educação acompanha as transformações da sociedade. E deve acompanhá-las. A sanção da nova lei estadual que amplia e atualiza os temas a serem trabalhados no planejamento pedagógico das escolas de Mato Grosso do Sul segue justamente essa lógica.

Ao incorporar conteúdos como empreendedorismo, educação financeira, cidadania e outros assuntos contemporâneos, o Estado busca aproximar o ambiente escolar das exigências de um mundo em constante mudança. Uma modernização necessária e bem-vinda.

A escola não pode permanecer presa a um currículo que ignore as competências atualmente exigidas para a vida em sociedade e para o mercado de trabalho.

Formar cidadãos conscientes sobre finanças pessoais, estimular a cultura empreendedora e fortalecer valores cívicos significa preparar as novas gerações para desafios que extrapolam o conteúdo tradicional das disciplinas. A atualização curricular, portanto, representa um avanço.

Mas, nenhuma inovação pedagógica produzirá os resultados esperados se não houver um esforço igualmente consistente para recuperar um hábito que vem sendo gradativamente abandonado: a leitura. É nesse ponto que reside um dos maiores desafios da educação contemporânea.

Os meios digitais transformaram profundamente a forma como consumimos informação. Vídeos curtos, redes sociais e aplicativos de mensagens passaram a disputar – e muitas vezes a substituir – o tempo antes dedicado aos livros, jornais e demais textos.

Não se trata de negar a importância das novas tecnologias, que oferecem inúmeras oportunidades de aprendizado.

O problema surge quando elas passam a ocupar quase todo o espaço da atenção, reduzindo a disposição para atividades que exigem maior concentração e reflexão. Ler demanda tempo, disciplina e esforço intelectual. Exatamente por isso seus benefícios são tão profundos e duradouros.

A leitura obriga o cérebro a construir imagens, interpretar contextos, estabelecer relações entre ideias e desenvolver argumentos.

Quem lê com frequência amplia o vocabulário, organiza melhor o pensamento, fortalece a memória e desenvolve maior capacidade de análise crítica. São habilidades indispensáveis em qualquer profissão e, sobretudo, para o exercício pleno da cidadania.

O desenvolvimento humano sempre esteve ligado à capacidade de enfrentar desafios intelectuais cada vez mais complexos.

Das grandes descobertas científicas às inovações tecnológicas, passando pelas conquistas sociais e democráticas, tudo começou pela circulação de ideias registradas em livros, documentos e pesquisas.

O conhecimento acumulado pela humanidade jamais teria alcançado o estágio atual sem a leitura como o principal instrumento de transmissão e construção do saber.

Modernizar o currículo escolar é um passo importante. Mas será insuficiente se não vier acompanhado do fortalecimento da cultura da leitura dentro e fora das salas de aula. Cabe às escolas incentivar esse hábito, e cabe às famílias cultivá-lo desde a infância.

Em tempos de excesso de informações e escassez de reflexão, ler continua sendo uma das formas mais eficazes de formar cidadãos livres, críticos e preparados para compreender um mundo cada vez mais complexo.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 18 Jul 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Qual o papel do professor em um mundo onde a inteligência artificial já responde a quase tudo?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/qual-o-papel-do-professor-em-um-mundo-onde-a-inteligencia-artificial/469725/</link>
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				<description><![CDATA[Durante séculos, a escola foi organizada em torno das respostas. O professor explicava, o aluno aprendia e as avaliações verificavam se ele conseguia reproduzir corretamente aquele conhecimento.

Esse modelo foi concebido em uma época em que a informação era escassa e o acesso ao conhecimento dependia, em grande parte, da escola.

Hoje, vivemos uma realidade completamente diferente. Qualquer estudante pode recorrer à inteligência artificial para compreender um conceito, resumir um livro, resolver uma equação ou responder a uma dúvida específica em poucos segundos.

Se as respostas estão cada vez mais acessíveis, qual passa a ser, afinal, o papel do professor? Talvez a resposta esteja menos em transmitir conteúdos e mais em desenvolver aquilo que continua sendo profundamente humano: a curiosidade, o pensamento crítico e a capacidade de formular boas perguntas.

Mas, ao contrário do que muitas vezes imaginamos, criatividade e curiosidade não surgem espontaneamente na sala de aula.

Elas precisam ser provocadas, cultivadas e nutridas intencionalmente. São resultado de ambientes em que os alunos se sentem seguros para levantar hipóteses, investigar, argumentar, revisar suas ideias e construir significado.

E esse sentimento de segurança é extremamente importante, pois perguntar é um ato de coragem. Coragem de admitir que ainda não sabemos. Coragem de nos expor. Coragem de permanecer na incerteza enquanto a resposta ainda está sendo construída.

Durante muito tempo, valorizamos estudantes que encontravam rapidamente a resposta certa. Mas os desafios mais complexos do século 21 raramente começam com respostas. Eles começam com perguntas.

Perguntas rasas tendem a produzir reflexões superficiais. Perguntas bem elaboradas ampliam a investigação, estimulam conexões, favorecem a argumentação e desenvolvem um pensamento mais profundo.

É justamente nesse contexto que o papel do professor se torna ainda mais relevante.

Mais do que transmitir respostas, cabe ao educador criar experiências de aprendizagem que despertem a curiosidade e conduzam os alunos em um percurso investigativo, que parte sempre de uma inquietação, de uma pergunta profunda que precisa ser explorada em toda a sua complexidade.

Um processo que exige tempo, intencionalidade, escuta e segurança para que cada estudante desenvolva confiança para pensar por si mesmo.

Todo mergulho profundo começa no raso. Ninguém inicia explorando as maiores profundidades. Primeiro aprendemos a entrar na água, ganhamos confiança, desenvolvemos técnicas e, pouco a pouco, ampliamos nossa capacidade de explorar ambientes mais profundos e desconhecidos.

O papel do professor é acompanhar esse percurso, criando as condições para que os alunos avancem das respostas padronizadas para a investigação, da repetição para a reflexão, do certo para a incerteza, da superfície para a profundidade.

Se a inteligência artificial já responde a quase tudo, talvez a missão mais importante da escola seja ensinar nossos alunos a fazer perguntas que nenhuma máquina pode formular por eles. Porque aprender a perguntar melhor é, acima de tudo, aprender a pensar melhor.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O futuro do trabalho em plataformas: novo cenário internacional em debate]]></title>
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				<description><![CDATA[A tecnologia trouxe mudanças para o mundo do trabalho. Com elas, surgiram novas demandas relacionadas à garantia dos direitos fundamentais e à necessidade de proteção de novas formas de prestação de serviços, como ocorre com os trabalhadores que atuam em plataformas digitais.

Para lidar com essa questão, a comunidade internacional estabeleceu parâmetros voltados à promoção do trabalho decente na economia de plataformas.

A aprovação da Convenção nº 193 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), durante a 114ª Sessão da Conferência Internacional do Trabalho, representa um acontecimento que, embora não produza efeitos jurídicos imediatos no Brasil, pode influenciar a forma como o tema será analisado.

A nova convenção estabelece que os Estados-membros devem assegurar aos trabalhadores e às trabalhadoras de plataformas digitais o pleno exercício dos direitos fundamentais do trabalho, incluindo a liberdade sindical, a negociação coletiva, a proteção contra a discriminação, a erradicação do trabalho infantil e do trabalho forçado, além da garantia de um ambiente de trabalho seguro e saudável, o que envolve também a proteção contra acidentes e assédios.

Diante dessa importante inovação normativa, o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Defensoria Pública da União (DPU) apresentaram manifestações nos processos que discutem o reconhecimento do vínculo de emprego entre trabalhadores e trabalhadoras de plataformas digitais e empresas do setor, informando que o Brasil votou favoravelmente à adoção da convenção.

Considerando a possível repercussão da norma internacional, o Ministro Edson Fachin, presidente do STF, retirou de pauta o julgamento do RE 1.446.336 (Uber), de sua relatoria, e da Rcl 64.018 (Rappi), de relatoria do ministro Alexandre de Moraes, determinando a intimação das partes e dos amici curiae para que se manifestem sobre o tema.

Com isso, a definição da matéria deverá ocorrer apenas no segundo semestre de 2026, após o término do recesso forense. Vale lembrar que as convenções da OIT não produzem efeitos automáticos no Brasil.

Para integrarem o ordenamento jurídico nacional, precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional por meio de decreto legislativo, ratificadas pelo presidente da República e, posteriormente, promulgadas por decreto presidencial, passando então a produzir efeitos internos.

O debate sobre o trabalho em plataformas permanece aberto e segue relacionado às transformações que atingem o mercado de trabalho e as formas de organização produtiva nas próximas décadas.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Tarifas, política e competitividade]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/tarifas-politica-e-competitividade/469722/</link>
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				<description><![CDATA[A decisão do governo dos Estados Unidos de impor novas tarifas a produtos brasileiros foi recebida com apreensão por diferentes setores da economia nacional. Afinal, trata-se da maior potência econômica do planeta e de um dos principais mercados consumidores do mundo.

Entretanto, como mostra reportagem publicada nesta edição do Correio do Estado, os efeitos práticos da medida em Mato Grosso do Sul tendem a ser bastante limitados.

Isso porque a maior parte dos produtos que sustentam a pauta de exportações sul-mato-grossense ficou fora da sobretaxação anunciada pelo governo de Donald Trump.

Os principais itens exportados pelo Estado, como carne bovina, celulose e minerais, não foram alcançados pela medida. Em relação a commodities agrícolas como soja e milho, o cenário também é diferente daquele observado em outros segmentos.

Os Estados Unidos, em muitos casos, não são grandes compradores desses produtos brasileiros porque são concorrentes diretos na produção e na comercialização internacional. Em outras palavras, a demanda norte-americana por boa parte do que Mato Grosso do Sul produz já é naturalmente reduzida.

Isso não significa, contudo, que o episódio deva ser tratado com indiferença. O tarifaço evidencia como disputas políticas podem ultrapassar as fronteiras domésticas e contaminar relações diplomáticas e comerciais construídas ao longo de décadas.

Quando interesses partidários passam a influenciar decisões de política externa, perde-se previsibilidade, um dos pilares fundamentais para quem produz, investe e comercializa em escala global.

Os reflexos, portanto, são muito mais geopolíticos do que econômicos para Mato Grosso do Sul. Ao endurecer sua posição em relação ao Brasil, Washington acaba contribuindo para aprofundar um movimento que já vinha ocorrendo naturalmente: o fortalecimento da relação comercial brasileira com a China.

Hoje, o gigante asiático já responde por mais da metade das exportações sul-mato-grossenses e tende a ampliar ainda mais sua participação, consolidando-se como principal destino da produção estadual.

Números recentes demonstram essa realidade. No mês passado, Mato Grosso do Sul registrou o maior valor exportado de sua história, superando US$ 1,2 bilhão.

Grande parte desse montante teve como destino o mercado chinês, especialmente embarques de soja, enquanto celulose e carne bovina aparecem logo na sequência entre os produtos mais relevantes da pauta exportadora.

Mais do que revelar uma mudança de eixo no comércio internacional, esses resultados comprovam a crescente competitividade da economia sul-mato-grossense.

O Estado se consolidou como fornecedor estratégico de alimentos, fibras e matérias-primas para o mercado global, apoiado em ganhos de produtividade, expansão industrial e investimentos em logística e processamento.

A principal lição desse episódio é que mercados internacionais dificilmente permanecem estáticos. Barreiras surgem, governos mudam e disputas políticas se intensificam.

Estados e empresas que conseguem diversificar seus parceiros comerciais e ampliar sua competitividade se tornam menos vulneráveis às turbulências externas. Mato Grosso do Sul demonstra estar seguindo esse caminho.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Afinal, para que servem as emendas parlamentares?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/afinal-para-que-servem-as-emendas-parlamentares/469673/</link>
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				<description><![CDATA[Em tese, a emenda parlamentar permite que deputados e senadores incluam no Orçamento demandas das regiões que representam. Parece razoável: o parlamentar conhece seu estado, mantém contato com prefeitos e comunidades e pode chamar a atenção para necessidades que o planejamento central não alcançou.

Mas será essa ainda a sua principal função? Ou as emendas se transformaram em um poderoso instrumento para financiar a manutenção de mandatos, fortalecer bases eleitorais, aumentar o tráfico de influência, corrupção e dificultar a entrada de quem está fora do sistema?

O Brasil tem 513 deputados federais, 81 senadores, 1.059 deputados estaduais e distritais e cerca de 58 mil vereadores. Embora as regras não sejam idênticas em todos os estados e municípios, a prática de reservar parcelas do Orçamento para indicações parlamentares já se espalhou pelos diferentes níveis da Federação.

Somente no Orçamento da União deste ano, foram destinados aproximadamente R$ 61 bilhões às emendas parlamentares.

Desse total, R$ 26,6 bilhões correspondem às emendas individuais de deputados e senadores, R$ 11,2 bilhões às bancadas estaduais e R$ 12,1 bilhões às comissões. Quase R$ 38 bilhões são de execução obrigatória.

Se considerarmos as emendas parlamentares da União e fizermos uma estimativa do que mecanismos semelhantes movimentam nos estados e municípios, é possível que estejamos diante de algo próximo de R$ 250 bilhões por ano.

Ainda que o valor exato dependa das regras de cada ente federativo, a ordem de grandeza revela um fenômeno institucional que merece um amplo debate nacional.

É muito dinheiro retirado do planejamento geral para ser distribuído segundo indicações políticas fragmentadas.

Em 2015, as emendas individuais tornaram-se impositivas. Ou seja, obrigam o Executivo a executar os recursos. O parlamentar não apenas legisla e fiscaliza, agora escolhe onde uma parcela do dinheiro público será aplicada.

Esse desenho precisa ser questionado.

O Executivo é eleito para apresentar e executar um plano de governo. O Legislativo existe para representar a sociedade, produzir leis, aprovar o Orçamento e fiscalizar sua aplicação.

Quando cada parlamentar passa a controlar recursos para entregar obras, equipamentos, veículos e serviços às suas bases, a fronteira entre fiscalizar e executar fica cada vez menos clara.

Também nasce uma desigualdade eleitoral difícil de ignorar. Quem já exerce mandato dispõe de gabinete, assessores, visibilidade, acesso aos governos e bilhões de reais em emendas apresentados aos municípios como conquistas pessoais.

Embora o dinheiro pertença à sociedade, a ambulância ganha padrinho, a pavimentação ganha autor e o equipamento público passa a carregar a marca política de quem o indicou.

Como competir eleitoralmente com essa estrutura?

Quanto mais o Orçamento é pulverizado entre interesses de mandatos, menor é a capacidade de construir políticas públicas de longo prazo. O planejamento cede lugar à negociação permanente.

Não se trata de fiscalizar, precisamos realmente discutir se faz sentido esse modelo.

Se as emendas parlamentares são tão importantes para a democracia, por que elas ocupam um papel tão diferente daquele observado em democracias como Alemanha e França?

O dinheiro não pertence ao deputado, ao senador, ao partido ou ao governo. Pertence à sociedade. Deve seguir prioridades públicas, planejamento técnico, critérios transparentes e resultados verificáveis.

Talvez tenha chegado a hora de devolver ao Parlamento sua missão essencial de legislar, aprovar e fiscalizar o Orçamento – e devolver aos governos a responsabilidade de executá-lo conforme planos apresentados à população.

Porque, quando todos controlam um pedaço do Orçamento, ninguém responde verdadeiramente pelo conjunto. E um país que distribui recursos para preservar mandatos dificilmente conseguirá concentrá-los para construir o futuro.

Talvez o maior orçamento paralelo do Brasil não esteja escondido. Esteja apenas institucionalizado. E um país que distribui recursos para preservar mandatos dificilmente conseguirá concentrá-los para construir o futuro.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 07:40:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Combate à corrupção fortalece instituições]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/combate-a-corrupcao-fortalece-instituicoes/469672/</link>
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				<description><![CDATA[O trabalho de investigação dos órgãos de controle e de persecução penal é um dos instrumentos mais importantes para preservar o dinheiro público e fortalecer a confiança da sociedade nas instituições.

Nesta edição, o Correio do Estado apresenta novos detalhes da Operação Gutenberg, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que apontam possível expansão de um esquema de corrupção descoberto em Mato Grosso do Sul para outros estados brasileiros.

Se confirmadas, as evidências mostram que a atuação do grupo ultrapassou as fronteiras estaduais e passou a reproduzir um modelo de negócios baseado na fraude e no desvio de recursos públicos.

As investigações indicam que empresas ligadas à editora responsável pela comercialização de livros paradidáticos teriam utilizado contratos firmados sem licitação para vender obras cujos direitos autorais sequer lhes pertenciam.

Tratava-se de materiais disponíveis no mercado, mas apresentados aos gestores públicos como se fossem exclusivos, justificando contratações milionárias por inexigibilidade de licitação. O que já era grave em Mato Grosso do Sul pode ter sido replicado em municípios de outros estados.

A reportagem também revela que operadores do esquema mantinham contato com diversos agentes políticos de Mato Grosso do Sul.

É importante fazer uma distinção indispensável: manter relacionamento com políticos não constitui crime, ao contrário, o exercício da atividade política pressupõe diálogo permanente com lideranças, empresários, entidades e cidadãos.

A representação política se faz justamente por meio dessas relações institucionais e pessoais.

O que desperta atenção, porém, é o contexto em que esses contatos aparecem. Quando conversas e aproximações surgem no curso de uma investigação sobre corrupção, passam a ser elementos que merecem análise criteriosa dos órgãos responsáveis.

Isso não significa atribuir culpa a quem quer que seja, mas reconhecer que as circunstâncias exigem transparência, apuração rigorosa e respeito ao devido processo legal. Julgamentos precipitados são tão nocivos quanto a omissão diante de indícios consistentes.

A Operação Gutenberg cumpre um papel que vai além da responsabilização criminal de eventuais envolvidos.

Ela contribui para moralizar a gestão do orçamento público, desestimula práticas ilícitas e envia uma mensagem clara aos que pretendem enriquecer à custa dos cofres públicos: há instituições capazes de investigar, reunir provas e levar os fatos ao conhecimento da Justiça.

Quanto maior a percepção de que a corrupção será descoberta, menor tende a ser o incentivo para sua prática.

O fortalecimento das instituições depende justamente dessa capacidade de investigar sem distinções e sem receio das consequências políticas. Se outros esquemas semelhantes existirem, é desejável que também venham à tona.

A sociedade não ganha quando a corrupção permanece escondida, ganha quando ela é revelada, investigada e julgada. A transparência e a fiscalização não enfraquecem o poder público, ao contrário, são elas que conferem legitimidade às instituições e reforçam a confiança do cidadão na democracia.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Homo Longevus: a revolução da longevidade]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/homo-longevus-a-revolucao-da-longevidade/469616/</link>
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				<description><![CDATA[Vivemos um momento histórico, no qual o conceito de envelhecer está sendo radicalmente transformado. Por muito tempo, a velhice foi encarada como um destino inevitável, marcado por limitações e perdas, mas, hoje, esse paradigma começa a ruir.

A longevidade não significa apenas viver mais tempo sendo velho mas, sim, prolongar juventude e maturidade ampliando os anos de vitalidade e participação ativa na sociedade.

Essa mudança não é apenas cultural, mas também científica, pois os avanços na compreensão da biologia da senescência e os mecanismos que causam o envelhecimento, aliada às tecnologias médicas e às políticas públicas, tornam possível projetar uma vida de até 120 anos como algo estatisticamente plausível.

O advento das canetas emagrecedoras, a ampliação das academias, a expansão do saneamento básico e a melhoria da alimentação nos levarão aos 95 anos como expectativa média de vida até 2040.

Países que já contam com populações envelhecidas oferecem aprendizados valiosos, mostrando que viver mais e melhor será a norma, não a exceção, reforçando que ler, socializar, cuidar e meditar são práticas dos vencedores que devem ser aplicadas por essa eminente longevidade.

Mas a revolução da longevidade não se limita ao indivíduo, impactando profundamente a estrutura social e familiar – a chamada “Árvore Vertical” –, em que famílias podem reunir até cinco gerações vivas, de tataravós a tataranetos, convivendo sob o mesmo teto.

Essa configuração inédita traz desafios e oportunidades, como a transferência de sabedoria em tempo real com conhecimento circulando entre diferentes gerações, novos arranjos financeiros, que incluem herança em vida e redistribuição de recursos para apoiar múltiplos ciclos geracionais, e a transformação do ambiente familiar, que passa a ser multigeracional e deve ser adaptado para acolher as diferentes fases da vida.

Mais do que nunca se faz necessário repensar vínculos, papéis e responsabilidades dentro da família, considerando que o Homo Longevus não é apenas um ser humano que vive mais tempo, mas, alguém que vive melhor, com mais vitalidade, integração social e propósito.

É urgente provocar e conscientizar sobre uma geração prateada crescente e cada vez mais longeva, com renda, posicionamento, experiência contributiva e demandante de novas necessidades.

Resumindo, é a hora e a vez de todos entenderem que ter mais de 50 anos pode ser muito cool, prazeroso e o momento ideal para uma reflexão sobre um futuro inevitável, mas que pode ser melhor e mais inclusivo e afetivo. Afinal, todos chegaremos lá.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 15 Jul 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A pátria das chuteiras cor-de-rosa]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-patria-das-chuteiras-cor-de-rosa/469615/</link>
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				<description><![CDATA[Na Copa do Catar, eu me permiti colocar a colher no assunto da eliminação da seleção do Tite para a Croácia. Na época, até a monja Cohen deixou seus ares de santidade para esculhambar o Tite, que não colocou o Neymar para bater o primeiro pênalti, na fatídica disputa que nos mandou para casa.

Agora, quatro anos depois, vou meter a minha colher de psiquiatra e psicoterapeuta no angu de mais um vexame para nossa coleção. Perdemos para um time fraco de bola e forte de porte físico. O time de “cintura dura” europeu que costumávamos pôr na roda.

Jogamos fechadinhos, sem posse de bola, como faria o Grêmio Votuporanguense (com todo respeito). E tomamos dois gols na hora que o Ancelotti destruiu o time com a entrada do Neymar. Isso culminando quatro anos de caos, incompetência e mau caratismo que caracteriza nossos dirigentes e CBF.

O time não jogou com os quatro técnicos que teve. Carlo Ancelotti veio com a banca de técnico mais vitorioso da história. Foi para o Carnaval, cantou o hino a plenos pulmões, fez propaganda de cerveja, e o time continuou sem alma, sem pegada, sem ideia de jogo.

Nós brasileiros, com nosso rodrigueano complexo de vira-latas, olhamos para o Carletto e balbuciamos: “Yes, Buana”, e engolimos a convocação com escolhas absurdas e o encaixe de Neymar na vaga de João Pedro, do Chelsea, em muito melhor forma.

Oramos para o time ir ganhando corpo na competição, como foi em 2002. Depois de suar sangue para bater o Japão, perdemos, pela quarta vez, para um europeu na quinta partida da Copa. Mais vira-latas do que nunca.

As pessoas levantam a voz para insultar os jogadores, milionários e que se formam desde cedo no futebol europeu.

Temos, não por acaso, um técnico europeu. Os puristas bradam que perdemos nossa alma brasileira, robotizados pelos esquemas e regras que extinguem a nossa criatividade. E esse debate é mais antigo do que se pensa.

Ganhamos a nossa primeira copa em 1958, depois de duas copas traumáticas: a de 50, que perdemos em casa, e de 54, que perdemos para a melhor Hungria de todos os tempos. Houve um zum-zum racista na CBD que os atletas brasileiros eram mais fracos psicologicamente que os europeus.

Sobretudo, os negros. Escalamos um time só de brancos. Que, obviamente, não funcionou. Os líderes do grupo encostaram no técnico e a seleção mudou de rumo, colocando Didi, Vavá e dois meninos promissores, chamados Garrincha e Pelé. Esse time ganhou a Copa enfileirando goleadas. Surgia aí a “magia brasileira”.

O Brasil entrou no mapa do imaginário mundial com aquela seleção, e o Pelé, depois chamado de Rei, acabou virando o símbolo daquele país jovem e desconhecido, que engatinhava para acertar o passo com o mundo industrial.

Ganhamos três copas e levamos para casa a taça Jules Rimet. Viramos “a pátria de chuteiras”. Nossa identidade e autoestima dependia, e depende, dos nossos poucos heróis. Nossos heróis agora nós vemos pela TV, pois vão embora cedo e se desenvolvem no exterior.

Acho que a nossa principal desadaptação não é de jogar do “jeito brasileiro”, mas de se adaptar à bagunça e aos desmandos da CBF. E, de um sujeito oculto, quem manda no futebol brasileiro: os empresários.

Dito tudo isso, vou falar das “vantagens” da nossa derrota: voltamos para nossa vida comum, os escândalos voltam a ser comentados, e deixamos de procurar por heróis e vilões para exercer o heroísmo onde isso é necessário, que é o de enfrentar os boletos e a luta do nosso dia a dia.

Não precisamos ligar nossa identidade às chuteiras cor-de-rosa que foram moda nessa Copa, usada pela maioria de nossos jogadores. Podemos gostar ou não da cor, ou ter saudade das chuteiras pretas, mas isso não é mais o assunto mais importante.

Nosso viralatismo precisa deixar todos os setores de nossa sociedade e, sobretudo, nosso imaginário. Somos um povo trabalhador que aprende, todo dia, tentando sobreviver ao caos que serve a interesses antigos e ainda predominantes em nosso meio.

Podemos nos orgulhar de trabalharmos duro e construir nossa vida todo dia. Estamos cada vez mais distantes das chuteiras cor-de-rosa e da camisa amarela como única fonte de identidade. Ou de orgulho. Nossa derrota pode ter sido, então, uma libertação.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 15 Jul 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O valor do asfalto bem cuidado]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-valor-do-asfalto-bem-cuidado/469614/</link>
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				<description><![CDATA[Há temas da administração pública que costumam ser tratados como meros serviços de rotina, quando, na verdade, estão diretamente ligados à qualidade de vida, à segurança e ao respeito ao cidadão. A manutenção das vias públicas de Campo Grande, especialmente das avenidas e ruas de maior circulação, é um deles.

O estado do asfalto e da sinalização urbana não representa apenas uma questão estética ou de conforto. Trata-se de uma obrigação elementar do poder público e de um dos pilares da boa gestão.

Uma cidade depende de suas ruas para funcionar. É por elas que trabalhadores chegam ao emprego, estudantes às escolas, ambulâncias aos hospitais e mercadorias aos estabelecimentos comerciais. O próprio Estado depende dessa infraestrutura para prestar serviços e exercer seu poder de fiscalização.

Não por acaso, utiliza essas mesmas vias para monitorar o trânsito e arrecadar recursos por meio das multas aplicadas aos motoristas que descumprem a legislação.

Essa relação, porém, pressupõe uma contrapartida. Se o cidadão deve respeitar as regras de circulação e pode ser penalizado quando as infringe, é razoável esperar que o poder público também cumpra sua parte, oferecendo pavimentação adequada e sinalização clara.

Em Campo Grande, essa reciprocidade há muito deixou de existir. Buracos, remendos mal-executados, faixas apagadas e placas insuficientes transformaram a exceção em regra, expondo motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres a riscos permanentes.

Nesta edição, o Correio do Estado mostra que o Ministério Público atua em duas frentes igualmente importantes. De um lado, responsabiliza criminalmente servidores públicos e empresários suspeitos de integrar um esquema de corrupção envolvendo contratos de tapa-buraco.

De outro, cobra da administração municipal uma solução efetiva para um problema que se arrasta há anos e que afeta diariamente milhares de pessoas. Combater desvios de recursos é indispensável, mas garantir que o serviço seja prestado com eficiência é igualmente essencial.

Governar é assumir responsabilidades. Não basta apontar dificuldades financeiras ou entraves burocráticos. Cabe ao gestor público organizar prioridades e assegurar que serviços básicos funcionem adequadamente.

A negligência com a conservação das vias compromete a mobilidade, aumenta os custos de manutenção dos veículos, favorece acidentes e transmite à população a sensação de abandono.

Uma cidade bem pavimentada e corretamente sinalizada também comunica organização. Ambientes urbanos cuidados estimulam o respeito às normas, fortalecem o sentimento de pertencimento e tornam a convivência cotidiana mais agradável.

Quando o espaço público transmite ordem e funcionalidade, a qualidade de vida melhora e cresce a confiança da população nas instituições.

O tapa-buraco, portanto, está longe de ser um detalhe administrativo. É uma política pública que influencia segurança, economia, mobilidade e bem-estar. Tratar esse serviço como secundário é ignorar que a boa gestão começa justamente onde a vida das pessoas acontece todos os dias: nas ruas da cidade.

Campo Grande merece mais do que operações emergenciais. Merece planejamento, manutenção permanente e respeito ao contribuinte. Tomara que isso ocorra um dia.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 15 Jul 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A eliminação do Brasil na Copa e o Enem]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-eliminacao-do-brasil-na-copa-e-o-enem/469557/</link>
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				<description><![CDATA[Se o resultado de um jogo de futebol fosse determinado por uma metodologia como a do Enem, o Brasil perderia para a Noruega por um placar ainda mais desagradável. Motivo? Incoerência.

A TRI, metodologia adotada para contar pontos na prova, premia mais quem sabe o que está fazendo, quem domina o jogo porque treinou para ele. O futebol contemporâneo está assim também.

Um aluno que deseja uma vaga em uma universidade pelo Enem e estuda para verificar se um texto literário é “cultista” ou “conceptista” e para classificar um único verbo de uma frase como “oração subordinada substantiva completiva nominal reduzida de infinitivo” está treinando errado.

Pode até acertar questões que porventura cobrarem isso, mas esses conteúdos, se forem cobrados assim, farão parte de questões difíceis (bem difíceis) de duas habilidades: a 16 e a 18.

Mas é muito improvável que esses conteúdos caiam, mais provável é simplesmente reconhecer um jogo de palavras e notar o significado que a adição de um verbo traz para uma frase, coisas relativamente simples para quem está estudando certo.

E tem mais: muitos que estão estudando para acertar qual variante do Barroco está em um texto e classificar uma oração com nome gigantesco não conseguem acertar o que de fato se pede no Enem.

Se caírem essas quatro questões, as duas improváveis e difíceis junto com as duas fáceis, provavelmente aqueles que estão presos aos materiais tradicionais deixarão de acertar ao menos uma das fáceis e conseguirão gabaritar as improváveis.

Resultado? Incoerência pedagógica. Nota baixa pela TRI. Perdem a partida.

Algo parecido aconteceu com a seleção brasileira: errou questões fáceis e acertou algumas difíceis. Errou um pênalti aos 13 minutos, perdeu um gol cara a cara com o goleiro norueguês, não trocou passes na sua intermediária.

A Noruega acertou as fáceis (trocou bola muito bem), as medianas (soube marcar nossos jogadores) e as difíceis (conseguiu defender pênalti e outros chutes muito bem dados). Se o Brasil não errasse as fáceis, o resultado seria outro.

Agora, o que nos resta no futebol é torcer na próxima Copa. Já no Enem… Temos tempo. É hora de estudar o que cai de verdade – as habilidades cobradas na prova, e não o conteúdo tradicional escolar, que não cai nesse exame desde sua criação.

É hora, também, de usar a TRI em nosso favor. Ando afirmando: Enem é futebol de campo; vestibular tradicional, de salão. Não somos campeões no estádio, mas podemos ser na nossa vida estudantil. Bora treinar certo e, no fim, comemorar o título: aprovado.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 14 Jul 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A sabedoria que envelhece em silêncio]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-sabedoria-que-envelhece-em-silencio/469555/</link>
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				<description><![CDATA[O Brasil está envelhecendo. Em poucas décadas, teremos uma das maiores populações idosas do mundo. A medicina ampliou nossa expectativa de vida, mas a sociedade ainda não aprendeu a cuidar de uma das maiores necessidades da terceira idade: a atenção, a escuta e o acolhimento emocional.

Desde muito jovem, sempre gostei da companhia dos mais velhos. Enquanto muitos da minha idade preferiam conversar apenas entre si, eu passava horas ouvindo meus avós.

Meu avô materno, Vicente, coronel do Exército e educador, e meu avô Nico, ferroviário da antiga Noroeste do Brasil, foram duas das maiores fontes de aprendizado que tive na vida.

Hoje percebo que, sem saber, eles me ensinaram muito mais do que fatos históricos. Ensinaram-me a ouvir, a refletir e a compreender que a experiência de vida é uma das formas mais valiosas de sabedoria.

Nossas conversas eram longas e sempre fascinantes. Falávamos sobre a política na época de Getúlio Vargas, sobre o regime militar, os desafios do Brasil contemporâneo, histórias da família, futebol, esporte e os inúmeros “causos” que apenas quem atravessou tantas décadas consegue narrar com riqueza de detalhes e autenticidade.

É verdade que muitas histórias se repetiam. Mas nunca enxerguei isso como repetição. Via, na verdade, a alegria estampada no rosto deles ao reviver momentos que ajudaram a construir quem eram.

E percebia que, mesmo conhecendo o desfecho de cada história, quase sempre surgia um detalhe novo, uma interpretação diferente ou uma reflexão que eu ainda não havia sido capaz de enxergar.

Com o tempo, compreendi que ouvir um idoso não significa apenas revisitar o passado. É compreender melhor a natureza humana e perceber que a história, embora nunca se repita exatamente da mesma forma, costuma seguir ciclos que atravessam gerações.

Vivemos, porém, em uma sociedade que valoriza a velocidade. Temos tempo para responder a mensagens, acompanhar redes sociais e consumir informações durante horas, mas cada vez menos disposição para simplesmente sentar ao lado de quem envelheceu e ouvir suas histórias sem olhar para o relógio.

Esse é um dos maiores desafios de uma população que envelhece rapidamente. Garantir longevidade não é suficiente, é preciso garantir pertencimento.

Nenhum exame substitui uma boa conversa. Nenhum medicamento combate a sensação de invisibilidade que muitos idosos experimentam quando deixam de ser ouvidos.

Os mais velhos carregam muito mais do que lembranças. Carregam experiências que nenhum livro ensina e que nenhuma inteligência artificial é capaz de reproduzir. São testemunhas do seu tempo e, muitas vezes, os últimos guardiões da memória de uma família, de uma comunidade e até de uma geração inteira.

Falta-nos mais paciência para ouvir e mais reconhecimento por tudo aquilo que essas pessoas construíram antes de nós. Afinal, se Deus nos conceder esse privilégio, um dia também seremos nós contando as mesmas histórias.

E, quando esse momento chegar, o que mais desejaremos provavelmente não será alguém que nos corrija ou nos apresse, mas simplesmente alguém disposto a nos ouvir.

Os jovens não imaginam o quanto podem aprender simplesmente reservando alguns minutos para conversar com seus pais, avós e familiares idosos. A assistência material é importante e, muitas vezes, indispensável.

Mas nenhuma ajuda financeira substitui a presença, a escuta atenta, o respeito e o carinho. Quem dedica alguns minutos para ouvir um idoso não está apenas oferecendo afeto, mas também recebendo uma herança invisível de experiências, valores e sabedoria construída ao longo de uma vida inteira.

Se o Brasil envelhece, é preciso que amadureça também a nossa forma de enxergar a velhice. Envelhecer é um privilégio. Garantir que cada idoso seja tratado com respeito, afeto, escuta e dignidade não é apenas um dever das famílias, mas um compromisso permanente de toda a sociedade.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 14 Jul 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Malha Oeste: de volta à cena do "crime"]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/malha-oeste-de-volta-a-cena-do-crime/469554/</link>
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				<description><![CDATA[A Rumo quer participar da licitação da nova concessão da Malha Oeste. A notícia, por si só, não seria motivo de espanto: o problema é a memória curta com que a empresa tenta se apresentar como candidata “nova” a um contrato que ela mesma abandonou.

Foi a própria Rumo quem solicitou, em 2020, a devolução da concessão da Malha Oeste, alegando desequilíbrio econômico do contrato e a necessidade de uma nova modelagem capaz de atrair investimentos privados.

A concessionária já havia sido autuada em R$ 105,3 milhões por abandonar a linha férrea ao longo dos anos, segundo avaliação do próprio Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit): anos de descaso, de infraestrutura deteriorada, de trens que praticamente pararam de circular numa via que liga Corumbá a São Paulo e é vital para o escoamento de minério, celulose e grãos de MS.

Mesmo assim, quando o contrato de 30 anos finalmente chegou ao fim, a Rumo não saiu de cena.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) já havia dado um passo controverso ao conceder à empresa o direito de administrar a malha por tempo indeterminado, mesmo após o fim do contrato, sem exigir novos investimentos, decisão que os próprios técnicos da agência reguladora apontaram como juridicamente frágil.

Na sequência, um acordo assinado horas antes do vencimento prorrogou a concessão por mais 180 dias, com a empresa recebendo R$ 26,9 milhões só para cuidar da vigilância patrimonial, sem retomada de operação ferroviária.

Agora, no processo de relicitação, a história se repete em nova roupagem. A RumoLog e a MRS solicitaram acesso ao processo na ANTT dias depois da aprovação do plano de outorga, obtendo as minutas do certame.

Ou seja: a empresa que devolveu a ferrovia por não conseguir – ou não querer – operá-la lucrativamente é a mesma que hoje larga na frente para disputar o mesmo ativo, podendo ter informação privilegiada sobre ele.

Diante desse histórico, cabe à bancada federal de MS e ao governo estadual cobrar explicações formais da ANTT sobre a participação da Rumo no certame. O silêncio dos representantes só vai favorecer quem já demonstrou, na prática, o custo de administrar a ferrovia sem compromisso com o Estado.

Não se trata de questionar o direito da Rumo de participar da licitação, trata-se de cobrar coerência regulatória.

Uma empresa que abandonou trilhos, acumulou multas, devolveu a concessão alegando prejuízo e, ainda assim, seguiu sendo beneficiada com prazo indeterminado e prorrogações sob medida não deveria ter vantagem de largada num processo que, em tese, deveria abrir espaço para novos operadores comprometidos com investimento real.

MS já pagou caro pela inércia na Malha Oeste. Se a Rumo volta à disputa, que volte com os investimentos e sob escrutínio redobrado da ANTT e do Tribunal de Contas da União.

Cabe à bancada sul-mato-grossense fazer essa exigência ainda nesta fase do processo. O Estado não pode se dar ao luxo de repetir o mesmo erro com a mesma empresa.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 14 Jul 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A rigidez religiosa e a busca da felicidade]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-rigidez-religiosa-e-a-busca-da-felicidade/469510/</link>
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				<description><![CDATA[As religiões, cada uma a seu modo, prometem felicidade ao homem. Entretanto, esta felicidade ele não a alcançará aqui na Terra, pois aqui, neste plano da existência, ela é inatingível. Para alcançá-la, o homem deve conduzir sua vida dentro de certos preceitos e normas rígidas.

A felicidade plena, ele só a terá em outra dimensão, na companhia de Deus, o seu criador. O homem, assim, aqui vive na expectativa desta outra vida, preparando-se, controlando desejos, reprimindo impulsos, esmagando vontades.

Nesta linha doutrinária, o homem busca satisfazer a sua sede pelo divino, acreditando ser o caminho possível para a comunhão com Deus, quando, por meio da fé, ele terá respostas às suas indagações angustiantes sobre a razão da existência.

Aqui, neste plano de compreensão finita, ele se vê impotente diante da absoluta grandeza do universo, no embate entre a sua pequenez, frente à plenitude do infinito.

Neste apregoado “vale de lágrimas”, imerso na rigidez das crenças, o homem se curva, ele mais se entrega, ele mais procura se conter aqui na Terra, para merecer a glória da eternidade.

Conclui-se que a rigidez das normas religiosas de conduta oprime a liberdade do homem, inibe a satisfação de sua vontade, impõe limites aos seus desejos, enfim, leva-o a uma espécie de aniquilamento de si mesmo, de sua existência.

A religiosidade exacerbada é um instrumento de dominação poderoso, que encarcera o homem dentro de si mesmo, extraindo quase sempre, senão a expectativa da felicidade terrena, a simples possibilidade de fugazes momentos felizes. 
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 13 Jul 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O que comunicamos quando falamos de integridade?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-que-comunicamos-quando-falamos-de-integridade/469509/</link>
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				<description><![CDATA[A comunicação dos departamentos de integridade precisa fazer uma pergunta simples e incômoda: o que estamos comunicando quando comunicamos integridade?

Durante muito tempo, falamos de integridade quase sempre a partir do que não deve ser feito: “não aceite vantagem indevida”, “não pratique assédio”, “não se envolva em conflito de interesses”, “não use bens da organização para fins particulares”, “não fraude”, “não corrompa”, “denuncie”.

Tudo isso é necessário. Organizações precisam ter regras claras, canais seguros, controles efetivos e responsabilização. Nenhuma cultura de integridade se sustenta quando o erro é ignorado.

Mas há uma questão: quando falamos de integridade apenas pela linguagem do erro, do medo e da punição, que imagem estamos formando na mente das pessoas?

Talvez estejamos tentando construir confiança usando uma linguagem que reforça a desconfiança.

A comunicação não é neutra. Ela educa, direciona atenção e ajuda as pessoas a entenderem o que é valorizado, esperado ou rejeitado.

No livro “O Jeito Harvard de Ser Feliz”, Shawn Achor menciona a chamada Síndrome da Faculdade de Medicina. Segundo ele, “no primeiro ano de faculdade de medicina, quando os alunos aprendem todas as doenças e sintomas que podem acometer uma pessoa, muitos médicos aspirantes de repente se convencem de que são vítimas de todas elas”.

A provocação é simples: aquilo que recebe a atenção repetida passa a ocupar mais espaço no nosso imaginário e, pouco a pouco, molda a forma como interpretamos a realidade.

O próprio Achor resume essa ideia ao afirmar que “o objeto ao qual dedicamos nosso tempo e focamos nossa energia mental pode de fato se transformar na nossa realidade”.

Esse raciocínio ilumina um desafio dos programas de integridade.

Quando uma organização fala o tempo todo de corrupção, fraude, assédio, punição e denúncia, pode transmitir uma mensagem não intencional: a de que aquele ambiente é naturalmente perigoso, moralmente frágil e suspeito.

Não se trata de deixar de falar sobre esses temas. Fraudes existem. Assédios existem. Conflitos de interesse e corrupção existem. E precisam ser enfrentados com seriedade.

O ponto é outro: esses temas não podem ser o único centro simbólico da comunicação de integridade.

Integridade também precisa comunicar o que se espera das pessoas: confiança, respeito, cuidado, responsabilidade, transparência, justiça, cooperação e serviço bem-feito. Precisa mostrar a conduta desejada, não apenas a proibida.

Há diferença entre dizer “não pratique conflito de interesses” e dizer “tome decisões colocando o interesse coletivo acima do interesse pessoal”. A primeira forma comunica proibição. A segunda comunica padrão de conduta.

Culturas fortes não são construídas apenas pelo medo do que não pode ser feito. São construídas também pela clareza do que deve ser vivido.

Talvez, por isso, tantas pessoas não se engajem. Ninguém se engaja profundamente com uma cultura que só aparece para proibir, ameaçar e punir.

A comunicação de integridade precisa deixar de ser apenas uma campanha contra o erro e passar a ser uma campanha a favor do acerto e da confiança.

No fim, a integridade não se consolida apenas quando as pessoas temem errar. Ela se consolida quando as pessoas compreendem, desejam e praticam o certo.

Por isso, antes da próxima campanha, vale perguntar: estamos comunicando apenas o que queremos evitar ou também a organização que queremos construir?
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 13 Jul 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A nova chance da Malha Oeste]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-nova-chance-da-malha-oeste/469508/</link>
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				<description><![CDATA[A possibilidade de que a Malha Oeste desperte o interesse de grandes operadores ferroviários representa uma das notícias mais animadoras para a logística de Mato Grosso do Sul nos últimos anos.

Como mostra o Correio do Estado nesta edição, tanto a Rumo quanto a MRS Logística poderão disputar a concessão da ferrovia no leilão previsto para este ano.

O simples fato de haver concorrência por um ativo que durante muito tempo foi tratado como secundário demonstra que a ferrovia voltou a ser vista como estratégica.

Essa constatação merece ser destacada. Afinal, a Rumo, que administrou a Malha Oeste por décadas e que permitiu sua deterioração, manifesta interesse em permanecer na disputa.

A empresa já concentra seus investimentos na Malha Norte, economicamente mais atraente, e durante anos a ferrovia que corta Mato Grosso do Sul ficou relegada a um plano secundário, com baixa capacidade operacional, trechos abandonados e perda contínua de competitividade.

O resultado desse longo período de abandono é conhecido pelos sul-mato-grossenses. Uma ferrovia que já transportou combustíveis, grãos, carnes, produtos industrializados e cargas refrigeradas praticamente desapareceu da rotina econômica do Estado.

Enquanto outras regiões ampliavam sua infraestrutura logística, Mato Grosso do Sul assistia à degradação de um patrimônio fundamental para seu desenvolvimento.

O cenário, porém, começa a mudar. Se empresas do porte da Rumo e da MRS Logística demonstram interesse na concessão, é porque enxergam potencial econômico na Malha Oeste. Não faltam cargas para justificar esse investimento.

A expansão da indústria de celulose, o transporte de minério e o crescimento da produção agropecuária criaram uma demanda que dificilmente poderá ser atendida apenas pelas rodovias.

Mais do que atender às necessidades atuais, a ferrovia reúne condições para recuperar sua vocação histórica de integrar diferentes cadeias produtivas.

Além da celulose e do minério, poderá voltar a transportar combustíveis, cereais, carnes e produtos refrigerados, reduzindo custos logísticos, aumentando a competitividade das empresas e diminuindo a pressão sobre as estradas.

Há ainda um aspecto estratégico frequentemente subestimado. A Malha Oeste constitui uma rota bioceânica ferroviária natural. Sua conexão com a Bolívia abre caminho para o acesso aos portos do Pacífico, oferecendo uma alternativa importante para o comércio exterior brasileiro, especialmente com os mercados asiáticos.

Em um momento em que Mato Grosso do Sul amplia sua inserção internacional, essa característica torna a ferrovia ainda mais relevante.

Por isso, a concorrência pela concessão deve ser recebida como uma excelente notícia. A Malha Oeste pode não ter tido um presente à altura de sua importância, em grande parte pela condução insatisfatória de sua atual concessionária. Mas tudo indica que seu futuro continua promissor.

O que Mato Grosso do Sul espera é que o próximo operador transforme esse potencial em realidade, devolvendo ao Estado uma ferrovia moderna, eficiente e capaz de impulsionar o desenvolvimento econômico pelas próximas décadas.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 13 Jul 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O falso conflito entre ciência e religião]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-falso-conflito-entre-ciencia-e-religiao/469430/</link>
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				<description><![CDATA[Já dizia Albert Einstein: “A ciência sem a religião é paralítica. A religião sem a ciência é cega”. O que motivava os cientistas de outrora? O que desejavam? Queriam, na verdade, desvendar o universo de Deus!

Cientistas como Isaac Newton, Johannes Kepler e G. W. Leibniz viam na pesquisa uma maneira de entender o divino. O paleontólogo e jesuíta Teilhard de Chardin procurou a vida toda unir ciência e religião.

Em suas palavras: “O Universo, considerado em seu conjunto, tem um fim e não pode errar de direção, nem parar no caminho”. Para ele, o cosmos está se dirigindo ao encontro com Deus no fim dos tempos. Não vivemos num universo dominado pelo acaso.

Segundo a mecânica quântica, todas as partículas estão interligadas, formando uma unidade. Aqui temos o acaso científico sendo desafiado! Essa é uma visão mística e religiosa.

“Quer queiramos, quer não, estamos todos ligados a tudo o que nos circunda, com todas as fibras de nosso ser”. Palavras do jesuíta que queria unir, e não separar.

Atualmente, físicos como Amit Goswami e Menas Kafatos procuram unir ciência e espiritualidade e até mesmo o físico brasileiro Marcelo Gleiser está caminhando nesse sentido. C. G. Jung, ao contrário de Freud, legitimava o impulso religioso do homem.

Para Jung, existe dentro de nós uma imagem de Deus e Santo Agostinho dizia algo parecido. “O Reino de Deus está dentro de vós”, falava Jesus.

O Papa João Paulo II, uma vez por ano, reunia no Vaticano os maiores astrofísicos e filósofos do mundo com o objetivo de discutir questões como a origem do universo.

Jung conversou muito com o Prêmio Nobel de Física Wolfgang Pauli. Eles aproximaram a psicologia e a física quântica que nos mostra a nossa espiritualidade.

Segundo a mesma física, a consciência humana tem participação ativa na construção da própria realidade. Ao olharmos para uma partícula como o elétron, mudamos o seu comportamento.

Joseph Campbell dizia que os mitos universais apontam para aquilo que vai além: apontam para o transcendente. Outrora, os homens elaboravam histórias para poder entender e explicar esse universo maravilhoso e aterrador.

Então surgiu a ciência empírica. Gradualmente os cientistas foram deixando de lado a religião até banirem completamente Deus. Mas agora muitos deles já estão percebendo que não é possível explicar o universo abandonando completamente a hipótese Deus.

Toda disputa entre ciência e religião não terá futuro se dependermos da nova ciência espiritualista que está surgindo. Precisamos urgentemente unir os conhecimentos humanos.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 11 Jul 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Colapso climático e degradação da empatia]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/colapso-climatico-e-degradacao-da-empatia/469429/</link>
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				<description><![CDATA[Se a Terra não está sendo destruída por uma fatalidade cega. Não está sendo aniquilada por uma tragédia inevitável da natureza. Sua iminente destruição acontece, antes de tudo, por razões éticas e políticas.

É resultado de uma longa pedagogia da indiferença, fruto de reiteradas más escolhas e consequência de um modelo civilizacional que tomou o lucro por critério e o planeta por matéria descartável.

O descaso ambiental aparece como expressão de uma deformação profunda: a perda da capacidade de perceber o mundo não como estoque, mas como morada; não como reserva de exploração, mas como comunidade de vida.

O colapso climático não decorre apenas das emissões, da devastação florestal, do esgotamento hídrico, da desertificação ou do aquecimento global. Decorre, em camada mais funda, de uma civilização que deixou de sentir empatia.

Nosso iminente desastre também é consequência do avanço de lideranças negacionistas do clima, para as quais a realidade ecológica é tratada como inconveniente político, entrave econômico ou invenção ideológica.

Em vez de enfrentar a crise, elas a ridicularizam. Em vez de mobilizar responsabilidade, organizam a dúvida. Em vez de convocar solidariedade, estimulam ressentimento, anti-intelectualismo e brutalidade.

O negacionismo climático não é apenas erro cognitivo. É a vontade de governar pelo curto prazo, pelo cálculo eleitoral e pela fabricação de inimigos. Quando essa lógica se articula a correntes autoritárias inspiradas no unilateralismo, o dano se multiplica.

A devastação ambiental passa a caminhar ao lado da devastação da ética. Minorias tornam-se bodes expiatórios, a empatia é tratada como fraqueza, a compaixão como ingenuidade, e a própria ideia de bem comum começa a dissolver-se sob o peso da propaganda, do medo e da polarização permanente.

É nesse ponto que o papel das big techs e dos megaoligarcas da tecnologia assume dimensão central. A Terra caminha para a ruína porque permite que a tecnologia cresça sem freios, sem regulação pública, sem responsabilidade democrática e sem imaginação ética.

A inteligência artificial é deixada à lógica do mercado e da competição estratégica. As redes sociais, em vez de servirem ao encontro humano, converteram-se em máquinas de amplificação do ódio, da mentira e da fragmentação coletiva.

Os grandes sistemas algorítmicos descobriram que a atenção humana pode ser minerada como recurso bruto e que o ressentimento rende mais do que a verdade.

Passaram a explorar a vulnerabilidade das massas e a envenenar a informação com mentiras, transformando seres humanos em perfis manipuláveis, isolados em bolhas e cada vez menos capazes de perceber o sofrimento do outro.

A ausência de controle sobre a IA e sobre as plataformas digitais não produz apenas desordem comunicacional, produz um rebaixamento antropológico. O mundo perde a empatia global e a capacidade de reconhecer no estranho um semelhante. Nosso planeta endurece o coração enquanto sofistica os sistemas.

Nesse sentido, o colapso climático não pode ser separado do colapso da sensibilidade. A catástrofe ambiental é inseparável de uma catástrofe moral.

O planeta está sendo destruído porque a humanidade dominante perdeu a capacidade de impor limites a si mesma. Porque aceita ser governada por elites econômicas sem empatia e por líderes políticos sem grandeza ética.

Essa ausência de grandeza se manifesta no aumento dos preconceitos contra quem é diferente, na brutalização das relações humanas e na conversão do outro em ameaça. A devastação ecológica é, portanto, a face material de uma desertificação interior. A Terra seca por fora porque está secando por dentro.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 11 Jul 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O comércio na nova "Guerra Fria"]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-comercio-na-nova-guerra-fria/469428/</link>
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				<description><![CDATA[Os acontecimentos desta semana ajudam a compreender que o comércio internacional deixou de ser apenas uma questão de competitividade e passou a refletir, cada vez mais, as disputas geopolíticas entre as grandes potências.

As reportagens publicadas pelo Correio do Estado mostram, sob diferentes perspectivas, como Mato Grosso do Sul está inserido nesse novo cenário e como decisões tomadas a milhares de quilômetros de distância produzem efeitos diretos sobre a economia estadual.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) revelam que a participação da China nas exportações sul-mato-grossenses voltou a crescer.

Ao mesmo tempo, mostram que, após um aumento das compras norte-americanas no primeiro trimestre, os embarques para os Estados Unidos perderam ritmo justamente depois do anúncio de um novo tarifaço pela administração de Donald Trump. 

Nesta edição, o Correio do Estado também revela que empresas de Mato Grosso do Sul participam ativamente das discussões sobre a legalidade e as justificativas das tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.

O debate ultrapassa as fronteiras do Direito Comercial. Trata-se de uma disputa que envolve diplomacia, influência econômica e posicionamento estratégico em um mundo cada vez mais dividido entre dois grandes polos de poder.

É justamente a leitura conjunta desses fatos que permite uma conclusão relevante. O tarifaço norte-americano não pode ser interpretado apenas como uma medida de proteção comercial.

Ele se encaixa em um contexto mais amplo de competição entre Estados Unidos e China, frequentemente tratado como uma nova “Guerra Fria”, desta vez travada menos por armamentos e mais por cadeias produtivas, tecnologia, investimentos e comércio exterior.

Nesse ambiente, o Brasil, assim como Mato Grosso do Sul, ocupa uma posição peculiar. À medida que os Estados Unidos elevam barreiras tarifárias, a China amplia sua presença como principal destino das exportações brasileiras.

Em vez de reduzir a capacidade de venda dos produtos nacionais, a crescente demanda chinesa acaba absorvendo boa parte dessa produção e mitigando os efeitos econômicos pretendidos pelas restrições impostas por Washington.

Os números ajudam a explicar esse movimento. Somente no mês passado, Mato Grosso do Sul exportou US$ 1,2 bilhão em mercadorias, estabelecendo um novo recorde para o Estado.

O desempenho foi alcançado justamente em um período marcado por incertezas no comércio internacional, demonstrando que os produtos sul-mato-grossenses continuam competitivos e encontram mercados dispostos a comprá-los.

Mato Grosso do Sul, felizmente, demonstra capacidade para enfrentar esse ambiente complexo. A força de sua produção agroindustrial continua abrindo portas em diferentes mercados e reduzindo a dependência de um único parceiro comercial.

Mais do que nunca, compreender o cenário internacional deixou de ser uma tarefa exclusiva dos diplomatas. Hoje, para quem produz e exporta, a geopolítica tornou-se tão importante quanto o próprio comércio.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 11 Jul 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Um apelo ao STF]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/um-apelo-ao-stf/469368/</link>
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				<description><![CDATA[De lá para cá, sempre mantive contato com todos eles – uma proximidade prazerosa que não ocorre atualmente porque, infelizmente, já não consigo mais viajar. Escrevi obras em coautoria com vários ministros e partilho cadeiras em diversas academias literárias e jurídicas com vários deles.

Somente com o ministro Moreira Alves, foram 32 livros que publicamos.

Gostaria, entretanto, de tratar de algo que os recentes editoriais e matérias jornalísticas têm criticado duramente, ou seja, o debate público entre os ministros da Suprema Corte.

Trata-se tanto de divergências sobre o Código de Ética, que uns ministros querem e outros não, quanto de ataques públicos entre colegas, prática proibida pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman).

No momento em que tais divergências são levadas a público, fica demonstrado que esses embates estão afetando a política, a estabilidade institucional e a segurança jurídica.

Um exemplo disso é o que a mídia e os jornais comentaram sobre a recente entrevista do ministro Gilmar Mendes no programa “Roda Viva da TV Cultura”, que acabou gerando inúmeras especulações, a ponto de o povo brasileiro estar tomando partido nesta ou naquela linha de pensamento.

Sou inteiramente favorável que a Suprema Corte recupere o prestígio e a respeitabilidade que possuía no passado e, por isso, faço o apelo, como um velho advogado, para que os senhores ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) voltem a ter uma conduta semelhante àquela que conferiu à Instituição a grande respeitabilidade que possuía. As divergências devem ser internas e não é adequado que sejam levadas a público.

Ora, cultura e valores todos os ministros têm. Posso divergir – e tenho divergido – de várias decisões, mas os debates que estão ocorrendo deveriam se restringir estritamente ao plano jurídico, para não serem explorados pelos jornais como se representassem posições políticas de A, B ou C.

A proposta do ministro Edson Fachin de que se institua um código de ética é, a meu ver, de grande utilidade para todos os integrantes da Suprema Corte. Os ministros André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia também defendem a necessidade dessa normatização.

Creio que um código de ética seria de grande utilidade para todos os ministros, atuais e futuros, pois auxiliaria efetivamente os magistrados a se conduzirem perante a opinião pública.

Divergências conceituais e jurídicas devem continuar sendo apresentadas publicamente nas sessões de julgamento, mas os conflitos de comportamento e as discordâncias sobre a forma de agir deveriam, evidentemente, ser tratados de maneira reservada.

Mesmo que haja críticas mútuas a fazer, que estas ocorram nas sessões internas e administrativas, permitindo que o perfil do STF volte a emergir como o da instituição que, no passado, era a mais respeitada do Brasil.

A democracia não existe em função de palavras. Dizer “eu sou democrático”, “eu defendo a democracia” ou “sou contra a crítica àqueles que não querem a democracia” resume-se apenas a palavras. A democracia faz-se com ações, com exemplos. Dizia São Josemaria Escrivá que “frei exemplo é o melhor pregador”.

A melhor defesa da democracia é a estabilidade das instituições e a respeitabilidade que elas possuem perante o povo.

Não estou, evidentemente, pretendendo dar conselhos ou dizer aos ministros o que fazer, mas peço que reflitam, para que o STF volte a ser o que era no passado.

Afinal, hoje, o povo brasileiro em geral e toda a imprensa apresentam críticas e posições favoráveis ou contrárias, tratando o Supremo Tribunal Federal como se fosse um poder político, e não o guardião da Constituição Federal, que garante a segurança jurídica por ser um poder imparcial e acima de qualquer suspeita.

É exatamente por sempre ter defendido o STF, desde os meus bancos acadêmicos, que faço esse apelo. Os professores que tive e que pertenceram à Suprema Corte sempre me ensinaram a lutar por ela, pois a garantia dos direitos no País depende de seu tribunal máximo.

Se a Suprema Corte perde a respeitabilidade perante o povo, automaticamente a democracia corre risco.

Evidentemente, respeito os meus amigos da Suprema Corte tanto que em meus artigos e nas redes sociais, nunca falo mal de nenhum dos ministros. Posso criticar suas posições, mas nunca critico as pessoas ou a cultura de cada um deles.

A Excelsa Corte, contudo, precisa voltar a ser o que era no passado. Só assim teremos, realmente, a defesa do Estado Democrático de Direito e a salvaguarda da democracia.

É, pois, com esse propósito que venho, mais uma vez – respaldado pelos meus 91 anos de idade, 68 anos de advocacia e 62 anos de magistério universitário, com livros publicados em 21 países, além do privilégio de pertencer a 42 academias e somar 45 títulos acadêmicos –, demonstrar, sem nenhuma vaidade pessoal, que a minha vida sempre foi inteiramente dedicada ao Direito, razão pela qual dirijo este apelo ao STF em prol de um resgate institucional.

Esse resgate institucional, contudo, não depende de reformas estruturais ou de medidas judiciais complexas, mas sim de um esforço estritamente moral e de conduta.

O apelo que aqui se faz é um pedido prático para que se iniciem os debates institucionais, inclusive com a urgente adoção de um código de ética – como bem sugerido pelo ministro Edson Fachin –, de modo que as naturais e salutares divergências jurídicas – bem como os eventuais conflitos pessoais – permaneçam restritas ao ambiente reservado das sessões internas, preservando a imagem da Corte perante a opinião pública.

Dirijo, portanto, este clamor àqueles que são os guardiões máximos da justiça no Brasil para que conduzam o Supremo Tribunal Federal, o pretório excelso do nosso País, de volta ao patamar de respeito e admiração que possuía na época do ministro Moreira Alves.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 10 Jul 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O agro precisa de reservas e boa gestão]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-agro-precisa-de-reservas-e-boa-gestao/469367/</link>
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				<description><![CDATA[A disparada dos pedidos de recuperação judicial entre os produtores de soja em Mato Grosso do Sul, revelada pelo Correio do Estado nesta edição, merece uma reflexão que vai muito além da conjuntura econômica.

O segmento que lidera o agronegócio estadual e responde por uma parcela significativa da riqueza produzida em MS passa por uma crise que não pode ser explicada apenas pela queda dos preços das commodities, os juros elevados ou os problemas climáticos. Esses fatores pesam, mas não contam toda a história.

Há poucos anos, durante o ciclo de valorização da soja e de forte desvalorização do real, muitos produtores viveram um período de rentabilidade excepcional.

Como a commodity é negociada em dólar, a combinação de preços elevados no mercado internacional e câmbio favorável proporcionou margens bastante confortáveis.

Era o momento ideal para fortalecer o caixa, formar reservas e preparar o negócio para os inevitáveis períodos de baixa que caracterizam qualquer atividade ligada ao mercado de commodities.

O que se observa agora, porém, é que boa parte desse excedente não foi convertida em segurança financeira.

O agronegócio brasileiro evoluiu de forma extraordinária dentro da porteira. Investiu em tecnologia, pesquisa, mecanização e produtividade.

Tornou-se referência mundial em eficiência agrícola. Entretanto, a mesma profissionalização nem sempre ocorreu fora da lavoura, especialmente na administração financeira das propriedades.

O elevado número de recuperações judiciais indica que ainda existe muito amadorismo quando o assunto é planejamento financeiro.

Em muitos casos, prevaleceu a cultura de reinvestir praticamente todo o lucro na expansão patrimonial, sobretudo na aquisição de mais terras, máquinas e outros ativos.

Embora esse movimento aumente o patrimônio, também reduz a liquidez e dificulta a formação de reservas capazes de sustentar a atividade nos momentos de retração.

A consequência é conhecida. Quando os preços recuam, o clima compromete a produção ou o crédito encarece, muitos produtores passam rapidamente da prosperidade para a dificuldade financeira.

Sem caixa, sem provisões e frequentemente com baixo nível de proteção por meio de seguros, resta recorrer à renegociação de dívidas, aos programas de subsídios governamentais ou às iniciativas da bancada ruralista para alongar, reduzir ou até perdoar débitos.

Não há dúvida de que políticas públicas voltadas ao crédito rural continuarão sendo importantes para um setor estratégico à economia nacional. Contudo, elas não podem substituir aquilo que deveria ser uma prática permanente de boa gestão.

Empresas de qualquer segmento convivem com ciclos econômicos e aprendem a reservar parte dos ganhos extraordinários para enfrentar períodos adversos. No agronegócio, essa cultura ainda precisa ser fortalecida.

Mais do que novos financiamentos ou renegociações, o campo necessita incorporar definitivamente a educação financeira como ferramenta de gestão.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 10 Jul 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O brincar diário de todos nós]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-brincar-diario-de-todos-nos/469309/</link>
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				<description><![CDATA[Leia... Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz. Sim, é uma abelha. Percebeu? É isso que uma criança, enquanto brinca, percebe, sente e ouve ao ter um galho seco em suas mãos. Ao arrastar esse galho pelo chão, sua imaginação voa, alcançando lugares a que muitas vezes não conseguimos chegar.

Ou melhor, podemos, sim, viajar eternamente para qualquer lugar, desde que mantenhamos viva a liberdade de brincar, imaginar e sonhar em todos os dias de nossas vidas.

Onde estão brincando agora as crianças da sua casa? Ou seus netos, sobrinhos e afilhados? Será que estão aproveitando um bom banho de chuva, com a água que cai lá fora? Chuuuuuuuuuuu... (o som da chuva).

Ouviu? Sentiu? É isso que uma criança ouve e sente quando lhe são dadas as condições para ser, simplesmente, criança.

Quando proporcionamos que as crianças brinquem livremente, sintam o vento, o cheiro da chuva que cai na terra, pisem e rolem na grama, conversem com formigas e borboletas, damos espaço para que sua imaginação floresça sem limites.

É nesse contato com a natureza que elas preservam sua inteireza como seres humanos. E assim deveria permanecer também na vida adulta, se nós, que as cercamos e educamos, mantivéssemos o coração conectado às belezas naturais que nos são oferecidas todos os dias.

Onde foi que paramos de brincar? Onde foi que paramos de permitir que as crianças sejam crianças? Passamos a enchê-las de telas, paredes, caixas como prédios sem árvores, elevadores, carros com ar-condicionado o tempo todo, sem que elas possam sentir o cheiro do vento?

Será que já percebemos o quão doentes emocionalmente estamos por nos mantermos afastados do essencial, da natureza e das brincadeiras? E o quanto nossas crianças estão doentes por estarem diariamente em telas, em vez de brincar na terra?

Talvez esteja aí, encontramos, eureka!

Se nos permitirmos brincar diariamente, vivermos de forma mais leve, sutil, colaborativa, nos amando e nos respeitando por todos os dias de nossas vidas, conseguiremos sim proporcionar as crianças que nos cercam o ambiente propício para que sejam jovens brincando livres, conhecendo suas emoções, aprendendo por meio do brincar, e colorindo um novo mundo com tintas alegres e repletas de amor.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O efeito bet no bolso: como o Pix para apostas redesenha a inadimplência]]></title>
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				<description><![CDATA[Sempre me questionam por que a inadimplência continua crescendo, mesmo em momentos de desemprego em baixa. O cartão de crédito é apontado como o “grande vilão”, representando cerca de 60% das dívidas em aberto no Brasil. Mas será que ele está sozinho nessa?

Tudo começa com a ilusão de poder de compra, depois vêm os juros elevados comprometendo a renda. Essa “festa do descontrole” é um baile de máscaras, visto que o brasileiro tem (em média) cinco cartões de crédito diferentes. É aí que o risco real de superendividamento fica, de certa forma, disfarçado.

O que os indicadores tradicionais estão demorando a captar é uma drástica mudança no comportamento do consumidor: as bets.

Elas estão criando uma nova bola de neve no orçamento familiar e afetando a saúde mental dos apostadores (ludopatia). Por isso, as instituições financeiras, educacionais e até mesmo varejistas precisam rever o perfil do devedor no Brasil.

O Pix representa mais de 30% das transações financeiras do País, superando as com cartões de crédito e de débito. Porém, essa mesma facilidade de pagamento, combinada à recompensa quase instantânea e gamificada das plataformas de apostas, criou um ciclo vicioso de dopamina.

A digitalização fez com que o jogo passasse a morar no bolso do brasileiro, a um clique de distância. O resultado disso?

Segundo pesquisa do PoderData, em 2025, o setor movimentou R$ 37 bilhões, alcançou mais de 25 milhões de apostadores e investiu R$ 1,4 bilhão em propaganda. Efeito colateral: quase metade da população (49,7%) está inadimplente. Mais de 81,2 milhões de pessoas, de acordo com a Serasa.

O problema deixou de ser apenas a oferta de crédito. Tornou-se estrutural e psicossocial. A classe C passou a enxergar as bets como forma de mudar de classe social ou “sair da lama”.

A Serasa pesquisou e constatou: 44% apostaram como uma tentativa desesperada de ganhar dinheiro para pagar débitos preexistentes.

Por outro lado, 57% dos endividados não tinham restrições no CPF antes de começar a jogar. Fica claro que, quando a sobrevivência vira jogo, dignidade é a primeira moeda a sair de circulação.

Na Monest, eu sempre defendo a premissa de que ninguém deve porque quer. Quem deve intencionalmente tem outro nome. A grande maioria entra em inadimplência por falta de condições, desorganização ou, como vemos agora, por armadilhas comportamentais.

Muito se fala sobre educação financeira. Mas tentar educar alguém no momento em que a pessoa já está em desespero não funciona; afinal, você não ensina alguém a nadar enquanto a pessoa está se afogando.

A busca por dinheiro rápido impacta diretamente no poder de consumo, na capacidade de pagamento, e até mesmo no orçamento de saúde pública.

É hora do mercado acordar e adotar uma nova estratégia. Afinal, a inadimplência atual, impulsionada pelas bets, não se resolve ajustando taxas de juros ou acionando chat bots comuns. Neste ponto, não pretendo ditar uma “solução” única e universal, mas sugerir alguns movimentos.

1º passo: reconhecer que bet não é mero entretenimento e mapear estrategicamente os diferentes tipos de devedores para adaptar o tom.

2º passo: atualizar as ferramentas de relacionamento e buscar tecnologias conversacionais com IA e que sejam profundamente analíticas; principalmente, quanto ao comportamento.

Com isso em mente, temos um fato que todo líder concorda: a nova abordagem de cobrança requer dados dinâmicos e fluidez no diálogo. Nesse contexto, a verdadeira inovação é preservar o vínculo com o cliente, em vez de constrangê-lo ainda mais.

É sempre bom lembrar: conversar com qualidade é construir uma ponte enquanto se caminha sobre ela.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Emendas precisam de mais critérios]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/emendas-precisam-de-mais-criterios/469307/</link>
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				<description><![CDATA[O Orçamento sempre foi um dos principais espaços de disputa de poder no Brasil. Afinal, é por meio dele que se define onde serão aplicados os recursos arrecadados da sociedade. Nos últimos anos, essa disputa ganhou novos contornos.

O Poder Executivo, que até o início da década concentrava maior controle sobre a execução orçamentária, passou a dividir esse protagonismo com o Congresso Nacional, impulsionado pelo crescimento das emendas parlamentares e pela criação de diferentes modalidades de destinação de recursos, nem sempre marcadas pela mesma transparência que deveria nortear a administração pública.

Nesta edição, o Correio do Estado mostra que Mato Grosso do Sul recebeu mais de R$ 350 milhões em emendas parlamentares liberadas às vésperas do período eleitoral. Do ponto de vista técnico, existe uma justificativa plausível para esse calendário.

A legislação impõe restrições à liberação de recursos durante o período eleitoral, justamente para evitar o uso da máquina pública em benefício de candidaturas. Antecipar os pagamentos, portanto, atende às exigências legais.

Entretanto, seria ingenuidade ignorar o contexto político que envolve essas liberações. O governo federal poderia postergar parte desses repasses para depois das eleições, mas dificilmente abrirá mão de um instrumento que também fortalece sua relação com a base parlamentar.

Essa dinâmica revela como as emendas se consolidaram não apenas como mecanismo de financiamento de obras e investimentos, mas também como importante moeda na articulação política entre Executivo e Legislativo.

O verdadeiro debate, porém, não deve se limitar a quem controla mais recursos. A questão central é como esses recursos são distribuídos. O Brasil precisa reduzir o peso das decisões estritamente políticas e ampliar o espaço para critérios técnicos e programáticos.

Políticas públicas estruturantes não podem depender exclusivamente da capacidade de articulação de parlamentares ou da influência política de determinados grupos.

Saúde, educação, infraestrutura e assistência social devem seguir prioridades definidas por planejamento, indicadores e necessidades objetivas da população.

Também é necessário aperfeiçoar os critérios de distribuição das emendas. Ainda hoje, é difícil explicar por que municípios vizinhos, com população semelhante e demandas parecidas, recebem volumes tão distintos de recursos.

Em muitos casos, a diferença decorre muito mais da representação política do que de indicadores sociais ou econômicos. Essa lógica contribui para ampliar desigualdades regionais e compromete a eficiência do gasto público.

A transparência também precisa avançar. O cidadão tem o direito de saber quem destinou cada recurso, qual foi o critério utilizado, qual obra será executada, quanto custará e quais resultados produzirá. A publicidade dessas informações fortalece o controle social e reduz o espaço para distorções.

As emendas parlamentares cumprem papel relevante ao aproximar o Orçamento das necessidades locais. O desafio está em impedir que elas substituam o planejamento governamental ou se transformem em instrumento permanente de negociação política.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Como promover a aprendizagem sobre democracia desde a infância?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/como-promover-a-aprendizagem-sobre-democracia-desde-a-infancia/469251/</link>
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				<description><![CDATA[Em um ano marcado por eleições em todo o País, educadores e gestores pedagógicos têm discutido com mais frequência como trabalhar democracia dentro da sala de aula.

Para estruturar essa discussão, o MEC instituiu o programa Educação para a Cidadania e para a Sustentabilidade, iniciativa apoiada por 120 organizações da sociedade civil e voltada a orientar escolas brasileiras no ensino de temas cívicos.

Assembleias de classe e decisões tomadas em grupo são recursos pedagógicos já presentes desde os Anos Iniciais e que têm sido adotados com mais frequência pelas escolas brasileiras.

Ao organizar esses momentos de escuta e participação, as instituições mostram às crianças que suas opiniões entram no processo de decisão e que conviver em grupo exige responsabilidade e respeito.

Esse aprendizado acontece fora das disciplinas tradicionais e complementa o que os conteúdos curriculares não conseguem cobrir sozinhos.

Como funcionam as práticas democráticas na escola? Nos Anos Iniciais, as práticas democráticas acontecem principalmente por meio da escuta ativa, do diálogo e da participação das crianças nas decisões do cotidiano escolar.

Nesse sentido, as assembleias de classe são um exemplo importante desse processo, pois criam um ambiente em que os estudantes podem expressar opiniões, levantar problemas, sugerir soluções e aprender a respeitar diferentes pontos de vista.

Nas assembleias, os estudantes assumem responsabilidades dentro do grupo e aprendem a lidar com o tempo e com a continuidade das discussões.

Cada escola organiza esse processo de forma diferente, conforme sua estrutura e proposta pedagógica, mas o objetivo compartilhado é que a criança participe ativamente das decisões que afetam sua rotina.

Nesse contexto, as práticas democráticas contribuem para o desenvolvimento integral dos estudantes ao trabalhar habilidades socioemocionais, como empatia, responsabilidade e cooperação.

Com experiências regulares de participação, a criança desenvolve segurança para se posicionar e argumentar nos diferentes espaços sociais que vai ocupar ao longo da vida.

Desde a infância, as crianças aprendem a lidar com frustrações, divergências e negociações, compreendendo que viver em grupo exige escuta e respeito mútuo. Isso acontece quando um estudante precisa esperar sua vez de falar, ouvir uma opinião diferente da sua ou aceitar uma decisão construída coletivamente.

Quanto ao pensamento crítico, as assembleias de classe o estimulam porque colocam as crianças diante de conflitos reais do cotidiano.

Nesses momentos, elas analisam situações, discutem comportamentos e pensam coletivamente em soluções, o que as leva a construir opiniões mais fundamentadas e a tomar decisões com mais segurança.

Ao participar de momentos de diálogo coletivo, os estudantes aprendem a organizar o pensamento, comunicar suas ideias com clareza e justificar escolhas.

As assembleias favorecem situações reais de comunicação nas quais as crianças precisam explicar sentimentos, defender posições e negociar soluções, o que fortalece tanto a oralidade quanto a capacidade argumentativa, competências essenciais para a vida em sociedade e para o percurso acadêmico.

A parceria família-escola na educação para cidadania. Quando a escola valoriza o diálogo, a escuta e a participação, as famílias também passam a perceber maior intencionalidade no desenvolvimento humano das crianças.

Muitas situações discutidas nas assembleias refletem diretamente nas relações familiares e sociais, permitindo que os responsáveis acompanhem mais de perto o desenvolvimento emocional, social e ético dos estudantes.

As famílias percebem, assim, que a escola está preocupada com o desempenho acadêmico e a formação integral da criança, e essa percepção fortalece o vínculo entre as duas instâncias e amplia o impacto do processo de aprendizagem para além dos muros da escola.

A infância também é um tempo de participação e construção coletiva, pois, quando a escola cria espaços de escuta, as crianças percebem que suas ideias têm valor e que podem contribuir para transformar o ambiente em que vivem.

Dessa forma, a educação para cidadania permite que, ao aprenderem desde cedo a dialogar, resolver conflitos, respeitar diferenças e construir soluções coletivas, os estudantes desenvolvam competências fundamentais para a vida pessoal, acadêmica e profissional.

Essas experiências fortalecem a autonomia e o protagonismo infantil, preparando os estudantes para atuarem de forma ética e colaborativa na sociedade.
]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 08 Jul 2026 07:35:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Vigilância permanente contra a corrupção]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/vigilancia-permanente-contra-a-corrupcao/469250/</link>
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				<description><![CDATA[Mais uma vez, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) demonstra a importância de um trabalho investigativo permanente no combate à corrupção.

A operação deflagrada nesta semana, que apura supostas irregularidades em prefeituras de Mato Grosso do Sul e também na Central de Regulação de vagas hospitalares vinculada à administração estadual, reforça que o controle sobre a gestão pública precisa ser contínuo, técnico e independente.

É preciso reconhecer o mérito do trabalho desenvolvido pelo Gaeco e pelos demais órgãos que atuam na investigação de desvios de recursos públicos.

Combater a corrupção não significa apenas responsabilizar aqueles que utilizam a máquina pública para obter vantagens pessoais, significa, sobretudo, preservar o dinheiro do contribuinte, fortalecer as instituições e transmitir à sociedade a mensagem de que a impunidade não pode ser a regra.

Toda operação policial provoca impacto imediato sobre os investigados, mas seus efeitos vão muito além dos mandados de busca e apreensão ou das eventuais prisões: cada investigação bem conduzida serve também como um poderoso instrumento de prevenção.

A partir do momento em que prefeitos, secretários, servidores públicos e empresários percebem que há fiscalização efetiva, a tendência é de que pensem mais de uma vez antes de participar de reuniões clandestinas, acertar vantagens indevidas ou elaborar os conhecidos “bem bolados” que tanto prejuízo causam aos cofres públicos.

Há uma máxima simples que continua atual: quando se investiga, encontram-se irregularidades, quando não se investiga, elas permanecem ocultas.

A corrupção dificilmente se revela espontaneamente. Ela costuma ser planejada longe dos olhos da sociedade, em conversas reservadas, com estratégias para ocultar rastros e escapar da fiscalização.

Justamente por isso, o trabalho de inteligência, auditoria e investigação é indispensável para romper esse ciclo.

Esse tipo de vigilância permanente exerce também um importante papel pedagógico. A punição dos responsáveis, quando comprovadas as irregularidades e assegurado o devido processo legal, contribui para moldar uma cultura de maior respeito ao patrimônio público.

O exemplo precisa ser claro: ocupar um cargo público não é oportunidade para enriquecimento ilícito, mas uma responsabilidade perante toda a sociedade.

É igualmente importante lembrar que toda investigação deve respeitar as garantias constitucionais. Os alvos das operações têm direito à ampla defesa e ao contraditório e somente o Judiciário poderá definir responsabilidades ao fim do processo.

Que operações como essa sirvam de alerta para todos aqueles que participam da gestão pública, da contratação de serviços e das licitações. O caminho seguro continua sendo o cumprimento rigoroso da lei, a transparência e a ética.

Quando há fiscalização permanente e instituições atuantes, a mensagem se fortalece: o dinheiro público deve ser protegido e a corrupção não pode compensar.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 08 Jul 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A fila do INSS diminuiu, mas é preciso garantir que o direito não diminua junto]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-fila-do-inss-diminuiu-mas-e-preciso-garantir-que-o-direito-nao/469199/</link>
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				<description><![CDATA[A notícia recente de que a fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) atingiu o menor patamar desde 2024 merece reconhecimento. Segundo dados divulgados pela nova presidente do instituto, Ana Cristina Silveira, o estoque de requerimentos caiu para 1,9 milhão de pedidos, após quatro meses consecutivos de redução.

Somente em junho, foram 267 mil processos a menos na fila, enquanto em maio a redução havia sido ainda maior, de 366 mil requerimentos.

Trata-se do menor volume desde outubro de 2024 e de um avanço importante para milhões de brasileiros que dependem de aposentadorias, pensões, auxílios e benefícios assistenciais para garantir sua subsistência.

O governo também estabeleceu uma meta ambiciosa: eliminar até o fim de setembro os 616 mil pedidos que hoje já ultrapassam o prazo legal de análise, permanecendo apenas os requerimentos que ainda estão dentro do limite de 45 dias ou que dependem de documentos complementares apresentados pelos segurados.

Esses resultados merecem ser valorizados. Depois de anos marcados por sucessivos aumentos da fila, qualquer redução representa alívio para quem aguarda uma resposta do Estado em um momento de vulnerabilidade. Mas comemorar a queda da fila não significa abandonar o senso crítico.

Na Previdência Social, rapidez e qualidade precisam caminhar juntas.

Quem atua diariamente com processos administrativos previdenciários percebe um fenômeno que merece atenção. Em muitos casos, os pedidos estão sendo analisados com maior velocidade, mas isso não significa, necessariamente, que estejam sendo decididos com maior precisão técnica.

O risco é substituir uma longa espera por um indeferimento igualmente rápido.

Uma decisão equivocada não resolve o problema do segurado. Apenas muda o local onde ele enfrentará nova demora. O processo deixa a fila administrativa e passa a integrar a crescente fila do Poder Judiciário, em que novos meses, e muitas vezes anos, de espera acabam sendo necessários para que um direito eventualmente seja reconhecido.

Sob essa perspectiva, a eficiência administrativa não pode ser medida apenas pelo número de processos concluídos. O indicador realmente relevante é a quantidade de decisões corretas produzidas na primeira análise.

Quanto menor o índice de recursos administrativos e de ações judiciais decorrentes de erros de avaliação, maior será a efetividade do sistema.

É evidente que o desafio enfrentado pelo INSS está longe de ser simples. O órgão convive com deficit histórico de servidores, sucessivas mudanças legislativas, crescimento contínuo da demanda e necessidade permanente de modernização tecnológica.

A própria presidência do instituto reconhece que a estabilidade dos sistemas se tornou prioridade. A medida é importante.

Entre agosto de 2023 e dezembro de 2024, os sistemas do INSS permaneceram 1.466 horas indisponíveis, o equivalente a mais de dois meses de interrupções acumuladas, afetando diretamente a produtividade dos servidores e o atendimento aos segurados.

Ao mesmo tempo, a tecnologia, por mais eficiente que seja, não substitui a análise técnica individualizada exigida por inúmeros benefícios previdenciários.

Questões envolvendo incapacidade para o trabalho, tempo de contribuição, atividade especial, aposentadorias, benefícios por incapacidade e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) dependem da correta interpretação da legislação e da adequada avaliação das provas apresentadas.

A Previdência Social administra direitos fundamentais. Cada processo representa uma pessoa que perdeu a capacidade de trabalhar, enfrenta uma doença incapacitante, aguarda uma aposentadoria ou depende daquela renda para sustentar sua família.

Por isso, acelerar decisões sem assegurar sua qualidade pode produzir um efeito estatístico positivo, mas socialmente negativo. A fila diminui nos relatórios administrativos, enquanto cresce nos tribunais, sobrecarregando a Justiça Federal, aumentando os custos públicos e prolongando a insegurança jurídica dos cidadãos.

O verdadeiro sucesso da atual gestão será alcançado não apenas quando o estoque de requerimentos diminuir, mas quando essa redução vier acompanhada de decisões consistentes, fundamentadas e capazes de reduzir o volume de recursos administrativos e de ações judiciais.

A eficiência do Estado não se mede apenas pela velocidade com que decide, mas pela confiança que suas decisões inspiram.

A Previdência brasileira precisa, sem dúvida, ser mais ágil. O cidadão não pode esperar indefinidamente por um benefício que tem natureza alimentar. Entretanto, a agilidade jamais poderá ser obtida às custas da segurança jurídica, da boa técnica ou da correta aplicação da legislação previdenciária.

Se a atual redução da fila representar o início de uma política pública permanente, baseada em estrutura, qualificação dos servidores, estabilidade tecnológica e qualidade das decisões, estaremos diante de um dos avanços mais relevantes da administração previdenciária dos últimos anos.

Se, porém, a velocidade se transformar em objetivo isolado, corremos o risco de apenas deslocar o problema de um órgão para outro. Haverá menos processos aguardando análise dentro do INSS, porém mais brasileiros aguardando uma decisão definitiva na Justiça.

A Previdência Social existe para assegurar proteção em momentos de vulnerabilidade. Sua missão não é apenas decidir rapidamente. É decidir corretamente. Porque, em matéria de direitos sociais, eficiência e justiça precisam caminhar lado a lado.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 07 Jul 2026 07:35:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Inteligência contra o crime na fronteira]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/inteligencia-contra-o-crime-na-fronteira/469197/</link>
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				<description><![CDATA[As últimas semanas foram marcadas por uma sequência de notícias preocupantes na fronteira de Mato Grosso do Sul com a Bolívia.

Confrontos entre forças de segurança e integrantes de organizações criminosas deixaram mortos dos dois lados, evidenciando o elevado grau de violência que há muito tempo se instalou em uma das principais rotas do tráfico internacional de drogas.

Trata-se de um cenário que exige respostas firmes do Estado, mas, sobretudo, respostas eficazes.

A morte de um policial em Corumbá provocou uma reação imediata das forças de segurança, que intensificaram as operações para localizar e prender os responsáveis pelo crime. É compreensível que o assassinato de um agente público desperte indignação e mobilize toda a estrutura policial.

Quem atenta contra a vida de um policial desafia diretamente o Estado e deve responder por seus atos dentro dos limites da lei.

Entretanto, o enfrentamento ao crime organizado não pode se resumir à resposta armada ou à intensificação de operações ostensivas após ataques de grande repercussão. Essas ações são necessárias em determinadas circunstâncias, mas, sozinhas, dificilmente alteram a estrutura das organizações criminosas.

Muitas vezes, apenas substituem integrantes presos ou mortos por outros, que rapidamente ocupam seus lugares.

Existe uma forma de combate menos visível, menos tensa e, talvez por isso, menos explorada no debate público: a inteligência.

É por meio do cruzamento de informações, do monitoramento financeiro, da integração entre órgãos de segurança e da investigação qualificada que se identificam lideranças, rotas, fornecedores, financiadores e operadores das facções.

É esse trabalho silencioso que permite desarticular organizações inteiras, em vez de apenas combater seus braços operacionais.

Nesse aspecto, assim como as forças federais, as estaduais precisam fortalecer seus setores de inteligência. A cooperação entre polícias, Ministério Público, Receita Federal, Poder Judiciário e demais órgãos de controle é fundamental para atingir o verdadeiro coração das organizações criminosas: seu patrimônio.

O sequestro de bens, o bloqueio de contas, a apreensão de imóveis, veículos, aeronaves e recursos financeiros retiram das facções aquilo que lhes garante poder de expansão e capacidade de corromper.

A experiência acumulada no combate ao crime organizado demonstra que prender criminosos é indispensável, mas retirar-lhes o lucro costuma produzir efeitos mais duradouros.

Quando o crime deixa de ser financeiramente vantajoso, enfraquece-se sua capacidade de recrutar novos integrantes, adquirir armamentos e ampliar suas atividades ilícitas.

É uma estratégia que exige paciência, tecnologia, cooperação institucional e investimentos permanentes, mas que apresenta resultados mais consistentes.

Mato Grosso do Sul continuará ocupando posição estratégica no enfrentamento ao tráfico internacional em razão de sua extensa faixa de fronteira. Justamente por isso, é indispensável que a inteligência seja tratada como prioridade permanente, e não apenas como complemento das operações ostensivas.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 07 Jul 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Brasileiro não é apaixonado por futebol]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/brasileiro-nao-e-apaixonado-por-futebol/469146/</link>
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				<description><![CDATA[Há seis anos acompanho futebol diariamente por ser casada com um jogador profissional. Nesse período, convivendo com alguém que consome futebol do mundo inteiro, da hora que acorda até a hora de dormir, percebi uma diferença importante entre gostar de futebol e ser verdadeiramente apaixonado por ele.

E uma das coisas que aprendi é que nós, brasileiros, não somos simplesmente apaixonados por futebol, nós somos apaixonados por vencer nesse esporte.

Se não fosse assim, como explicar o fato que de quatro em quatro anos, até quem não tem time do coração, nem entende nada de bola, veste a camisa verde e amarela para torcer e se contorcer pela seleção?

Isso é porque carregamos o DNA de campeões. Trazemos no peito essa paixão pela adrenalina, pela sensação eletrizante de gritar gol, que bate diferente no fundo da alma de quem está acostumado a vencer.

Porque essa é a nossa identidade dentro do futebol; é a história que aprendemos desde a infância: nós somos os maiores campeões do mundo.

Mesmo que nos últimos 24 anos a seleção não tenha conseguido trazer mais uma taça para casa, ainda somos os únicos com cinco estrelas no peito e isso ninguém vai tirar de nós. E essa é uma das razões pelas quais nunca vamos admitir perder.

Infelizmente, o nosso país perde, sim, e de lavada em muitos aspectos, como a desigualdade social, a corrupção e a violência. Mas, aos olhos do mundo, temos uma seleção de riquezas brilhando intacta, das quais o futebol segue sendo o capitão.

Mesmo assim, as cinco estrelas não garantem a sexta. O futuro permanece incerto. E é exatamente isso que deixa a ideia do título ainda mais saborosa, e torna esse esporte tão apaixonante.

O futebol é agridoce, como a vida também é. Feito de alegrias e tristezas que se misturam o tempo todo. E dessa taça vamos beber até a última gota, torcendo e nos contorcendo, enquanto alimentamos a esperança do hexa, seja nesta oportunidade ou daqui a 1.460 dias.

Por isso vibre, celebre, aproveite. E não se esqueça: Mesmo que esse capítulo não termine como sonhamos, continuaremos a ser os pentacampeões da história.

E aproveito para te lembrar que, ainda que a sua vida esteja mais amarga que doce, e nem mesmo a beleza do futebol consiga colocar um sorriso no seu rosto agora, o Grande Autor da história quer te fazer mais que vencedor.

Renda-se a Ele, pois maior do que cinco ou seis estrelas no peito, é a vitória que vence o mundo: a nossa fé na brilhante estrela da manhã.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Fiz a pesquisa de clima organizacional. E agora?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/fiz-a-pesquisa-de-clima-organizacional-e-agora/469145/</link>
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				<description><![CDATA[O maior risco de uma pesquisa de clima organizacional não é descobrir problemas. É perguntar e não agir.
Essa afirmação pode parecer exagerada, especialmente para gestores que receiam abrir espaço para críticas que talvez não consigam resolver.

Mas a literatura científica aponta justamente na direção oposta: ouvir as pessoas e não dar consequência ao que foi ouvido pode ser mais prejudicial do que sequer realizar a pesquisa.

A revisão sistemática Following Up on Employee Surveys (2021), que analisou décadas de estudos sobre pesquisas de clima e engajamento, chegou a uma conclusão contundente: seu sucesso depende muito mais da qualidade do acompanhamento do que da qualidade do questionário.

Muitas organizações acreditam que o processo termina quando os resultados são apresentados. Na realidade, é exatamente aí que ele começa.

A pesquisa de clima não é apenas um instrumento de diagnóstico. Ela é, antes de tudo, um teste de integridade da própria organização.

Toda vez que uma organização pergunta aos seus colaboradores “o que você pensa?”, faz uma promessa implícita: a de que aquela manifestação será levada a sério. Isso não significa resolver todos os problemas, mas ouvir, dar retorno e agir naquilo que estiver ao seu alcance.

É justamente aí que a integridade é colocada à prova.

Se a organização afirma que se importa com as suas pessoas, mas não faz nada com aquilo que elas disseram, cria uma incoerência entre discurso e prática. A confiança não se perde apenas quando decisões são equivocadas. Ela também se perde quando a participação das pessoas não produz nenhuma consequência.

Não por acaso, a Gallup alerta que pesquisas de engajamento desacompanhadas podem produzir exatamente o efeito contrário ao desejado: reduzir o engajamento. Afinal, quando os colaboradores concluem que foram convidados a opinar apenas para cumprir um protocolo, dificilmente acreditarão no próximo convite ao diálogo.

As pessoas não esperam organizações perfeitas. Esperam organizações que escutem, deem retorno e ajam com coerência. Não conseguir atender todas as demandas costuma ser menos prejudicial do que deixar as pessoas sem qualquer retorno.

Quando uma organização comunica o que será feito, o que dependerá de mais tempo e o que não poderá ser implementado, preserva a confiança. Quando não dá qualquer retorno, alimenta a sensação de que ouvir foi apenas um ritual.

Esse ponto dialoga diretamente com uma das principais contribuições de Tom R. Tyler para a psicologia organizacional: as pessoas não avaliam apenas as decisões que recebem, mas também a forma como elas são tomadas.

Quando percebem que foram ouvidas, que sua opinião foi considerada, receberam retorno e identificaram coerência entre as decisões e as ações da organização, tendem a cooperar mais, comprometer-se com a organização e aderir voluntariamente às suas normas, mesmo quando o resultado final não corresponde exatamente às suas expectativas.

Por isso, talvez seja hora de deixarmos de enxergar a pesquisa de clima apenas como uma ferramenta de gestão de pessoas. Ela também revela como a organização responde quando decide ouvir as pessoas. Porque integridade não se demonstra no momento em que se faz a pergunta, mas no que se faz com a resposta.
]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Concessões e o interesse coletivo]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/concessoes-e-o-interesse-coletivo/469144/</link>
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				<description><![CDATA[O embate entre a Way 112, concessionária de rodovias em Mato Grosso do Sul, e a Arauco, multinacional chilena responsável por um investimento bilionário no Estado, expõe um problema recorrente na gestão de grandes empreendimentos: a dificuldade de conciliar interesses privados quando duas concessões públicas se cruzam.

O caso evidencia a necessidade de regras mais claras, arbitragem eficiente e maior foco no interesse público.

De um lado, há empresas que investem, assumem riscos, geram empregos e impulsionam a economia. De outro, surgem disputas por receitas e direitos que podem acabar elevando custos e atrasando obras. A controvérsia entre Way 112 e Arauco ilustra esse cenário.

A concessionária da rodovia cobra pelo uso da faixa de domínio para a construção da ferrovia da multinacional, enquanto a empresa chilena sustenta que essa cobrança é indevida por se tratar da interação entre dois serviços públicos concedidos.

A situação chama a atenção, porque ambas as atividades decorrem de concessões do poder público. Quando há sobreposição de cobranças e conflitos dessa natureza, quem perde é a sociedade.

O resultado pode ser insegurança jurídica, atrasos em investimentos, aumento de custos e postergação de benefícios como geração de empregos, arrecadação e melhoria da infraestrutura.

Também desperta dúvidas, por um lado, o fato de a concessionária que reivindica a cobrança ter entregue muito pouco, aquém do que a população espera, embora cumpra o seu contrato.

Isso reforça a necessidade de que contratos de concessão estabeleçam critérios objetivos para o compartilhamento de faixas de domínio e para o direito de passagem, evitando disputas que acabam sendo levadas ao Judiciário.

Conflitos desse tipo não deveriam depender exclusivamente de longos processos judiciais. Cabe ao Estado, por meio de seus órgãos reguladores, definir regras claras para disciplinar a convivência entre diferentes concessões, criando mecanismos ágeis de mediação e arbitragem.

Cláusulas específicas sobre uso compartilhado de infraestrutura, compensações e cooperação entre concessionárias reduziriam significativamente a insegurança e os riscos para novos empreendimentos.

Além disso, espera-se das empresas uma postura pautada pelo bom senso e pela cooperação. Grandes investimentos exigem um ambiente de confiança, previsibilidade e segurança jurídica. Litígios prolongados e disputas por receitas acessórias podem comprometer projetos que trazem ganhos econômicos para todo o Estado.

O investimento da Arauco representa uma oportunidade histórica para Mato Grosso do Sul. Para que seus benefícios sejam plenamente aproveitados, é indispensável que prevaleçam a clareza contratual, a eficiência regulatória e a cooperação entre os diferentes agentes envolvidos.

Quando interesses particulares se sobrepõem ao desenvolvimento coletivo, todos perdem: o Estado, os trabalhadores, os fornecedores e os próprios investidores.
]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA["Projeto de poder, não de País"]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa/469154/</link>
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				<description><![CDATA[Gestão Lula inundou o Planalto com terceirizados 

Desde que o casal Lula e Janja assumiram o controle dos palácios da Alvorada e do Planalto, o número de terceirizados para atenderem aos caprichos dos petistas disparou e subiu quase 20%. Em dezembro de 2022, último mês antes de Lula assumir, a Presidência da República contava com 895 servidores terceirizados. Em maio deste ano, data dos dados mais recentes, o exército de serviçais somou 1.064 trabalhadores.

Frota 

Lula, que sempre esbanja em limusines no exterior, tem à disposição uma tropa de 75 motoristas, todos pagos com o nosso dinheiro

Traz o cafezinho

O número de copeiros também impressiona, são 52 profissionais. Tem ainda outros 81 garçons para abastecer Lula com água e cafezinho.

Bem vigiado

Apesar de contar com a Polícia Federal, GSI e Forças Armadas, Lula ainda mantém 38 vigilantes sob tutela da Presidência.

Lista infinita

A Presidência ainda conta com 26 recepcionistas, outros seis gesseiros, quatro piscineiros e até um chaveiro. Há ainda arquitetos, engenheiros...2026: Governo Lula torra R$845 milhões em viagens 

Já se aproximam da marca bilionária os gastos do governo Lula (PT) com viagens, apenas em 2026. Nas últimas duas semanas, o total disparou para R$844,8 milhões; diárias representam a maior despesa, R$469,8 milhões, enquanto passagens aéreas custaram R$372,7 milhões aos pagadores de impostos.

Em meados de junho, o total com era de ‘só’ R$675 milhões. De lá para cá disparou R$170 milhões.

Média é alta

No último mês, o governo Lula conseguiu gastar em média mais de R$12 milhões por dia com viagens; passagens aéreas e - sobretudo - diárias.

Outros muitos

Já foram registrados mais de R$5 milhões com “outros gastos” (taxas de agenciamento, seguros etc.); R$1 milhão nas últimas duas semanas.

Resto sob sigilo

O governo torrou mais de R$106 milhões com viagens internacionais e esse valor não inclui Lula, Janja e os muito assessores do casal.

Quem fornece?

Nikolas Ferreira (PL-MG) apresentou projeto para endurecer o combate ao uso de celulares e aparelhos de comunicação dentro de presídios. O deputado argumenta que há muitas “irregularidades administrativas”.

Nº1 do governo

Secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Renato Rua custou ao pagador de impostos R$789 mil em viagens internacionais e R$144 mil em diárias, diz a Transparência. 

Passo de tartaruga

Ainda está pendente de análise do Congresso um veto parcial do ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2022, sobre a lei que previa despacho gratuito de bagagens em viagens aéreas.

Rápido no gatilho

Antes mesmo de Alexandre de Moraes (STF) mandar apreender arma de Jair Bolsonaro, ao autorizar manutenção da prisão domiciliar, a defesa do ex-presidente já tinha sinalizado que ele abria mão do direito.

Tô fora

Lula tem corrido de Carlos Lupi, enxotado do governo com avançar das investigações sobre a gatunagem do INSS. Lupi pretende ter o petista na convenção do PDT, em 20 de julho. Lula não quer nem saber.

Tá feia a coisa

Segue ladeira abaixo as contas das estatais brasileiras, devendo pra lá de R$7,4 bilhões apenas nos cinco primeiros meses do ano. Se pegar os últimos 12 meses, a coisa fica ainda pior: rombo de R$9,7 bilhões

Sem limite

Ao contrário do primeiro período, desta vez o ministro Alexandre de Moraes não estabeleceu prazo para duração da prisão humanitária domiciliar de Jair Bolsonaro. Na primeira vez, foram 90 dias.

Olho no prazo

Partidos e pré-candidatos se desdobram para anunciar chapa disso e daquilo. Mas, pela lei eleitoral, os nomes ainda podem mudar. Os pedidos de registro de candidatura podem ser feitos até 15 de agosto. Uma vez registrado, aí não tem mais volta.

Pensando bem...
...terceirizados também votam.

PODER SEM PUDOR



Cafezinho impertinente

O jornalista Aparício Torelli, o “Barão de Itararé”, terror dos poderosos, foi preso em 1935 e levado à presença do juiz Castro Nunes. “A que o sr. atribui a sua prisão, seu Aparício?” Ele não sabia ao certo: “Tenho pensado muito, excelência, e só posso atribuí-lo ao cafezinho.”

O juiz ficou intrigado, O “Barão completou: “Vou explicar. Eu estava no Café Belas Artes, tomando o meu oitavo cafezinho e pensando em minha mãe, que sempre me advertiu contra o excessivo consumo de café.

Nesse momento, chegaram os policiais e me deram voz de prisão. Só pode ser um castigo pelo abuso do cafezinho...
]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 07:00:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Com R$ 5 bilhões em jogo, disparo eleitoral promete bombardeio de mensagens em 2026]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/com-r-5-bilhoes-em-jogo-disparo-eleitoral-promete-bombardeio-de/469066/</link>
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				<description><![CDATA[A aprovação, pela Câmara dos Deputados, do projeto que autoriza o disparo em massa de mensagens por candidatos durante as eleições, e que agora segue em análise no Senado, reacende uma discussão que considero central: os impactos da tecnologia na disputa eleitoral e os limites da comunicação digital entre campanhas e eleitores.

A proposta prevê um orçamento de quase R$ 5 bilhões para campanhas, além de mais de R$ 1 bilhão do Fundo Partidário para despesas permanentes.

Parte desses recursos poderá ser direcionada a disparos via plataformas como WhatsApp, Telegram, SMS e serviços semelhantes, refletindo a migração cada vez mais intensa das campanhas para o ambiente digital.

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com o aumento do spam eleitoral, a saturação dos usuários e a dificuldade de fiscalização sobre o volume e a origem dos conteúdos disseminados.

Na minha visão, esse é um tema que exige equilíbrio. Existe, sim, um interesse legítimo dos candidatos em ampliar seus canais de comunicação. Mas também é fundamental garantir a privacidade dos cidadãos, a transparência no uso dos dados e, principalmente, preservar a integridade do ecossistema digital.

Um ponto que considero central nesse debate é a origem das bases de dados utilizadas. Mesmo quando falamos de contatos supostamente cadastrados (a proposta libera os disparos somente nessas condições), a pergunta que fica é: houve, de fato, consentimento claro e consciente por parte dos eleitores para receber esse tipo de comunicação? Como foi realizado esse cadastro?

A realidade é que, hoje, bases de dados circulam com facilidade, muitas vezes, sem total transparência sobre como foram coletadas ou compartilhadas.

Isso abre espaço para questionamentos importantes: quantos desses contatos foram fornecidos voluntariamente e quantos fazem parte de mailings adquiridos ou repassados ao longo do tempo?

Esse cenário dialoga diretamente com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e reforça a necessidade de cuidado no uso das informações pessoais.

Outro ponto importante é a efetividade dessa estratégia. Na prática, mensagens em massa só funcionam quando chegam à pessoa certa e com consentimento. Quando o envio é feito de forma aleatória ou sem autorização, o efeito tende a ser o oposto: rejeição, desgaste da imagem do candidato e percepção negativa por parte do eleitor.

Mas minha principal preocupação está nos impactos dessa medida sobre os próprios mecanismos que hoje sustentam a qualidade da comunicação digital.

Plataformas como o WhatsApp desenvolveram sistemas de autorregulação baseados no comportamento dos usuários, com recursos como bloqueios, denúncias e até banimento de contas em casos de abuso. Esses mecanismos, embora muitas vezes invisíveis no dia a dia, são essenciais para manter o ambiente seguro e funcional.

Assim, quando uma legislação passa a flexibilizar ou limitar esses mecanismos, cria-se um desalinhamento entre as regras da plataforma e a experiência do usuário. Mesmo que temporariamente, isso pode abrir espaço para o aumento do spam e comprometer a qualidade das interações.

Eu costumo fazer um paralelo com o que aconteceu com as ligações telefônicas. Hoje, muitas pessoas simplesmente não atendem chamadas de números desconhecidos.

O excesso de abordagens, muitas legítimas, mas indistinguíveis de golpes, acabou inutilizando um canal extremamente valioso. Isso já aconteceu com a telefonia, aconteceu com o e-mail e pode acontecer também com os aplicativos de mensagem.

Do ponto de vista estratégico, não há dúvida de que o disparo em massa amplia o alcance e reduz custos operacionais. Em um ambiente competitivo e fragmentado, falar diretamente com o eleitor, no dispositivo mais pessoal que ele possui, o celular, é uma vantagem poderosa.

Mas, para mim, a discussão vai além do curto prazo. Existe o risco de transformar um ambiente hoje saudável em um ambiente saturado, e essa eficiência imediata pode ter um custo alto no futuro: desengajamento, bloqueios em massa e perda de credibilidade do canal.

Estamos falando de um ativo extremamente valioso, a comunicação direta com o cidadão, que pode ser rapidamente desgastado se não houver responsabilidade no seu uso.

A campanha eleitoral de 2026 pode marcar não apenas uma disputa nas urnas, mas também um novo capítulo na forma como os brasileiros se relacionam com a informação que chega, todos os dias, na palma da mão.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 04 Jul 2026 07:35:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Um novo começo para o Morenão]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/um-novo-comeco-para-o-morenao/469065/</link>
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				<description><![CDATA[Temos uma boa notícia nesta edição. Em meio à mobilização provocada pela Copa do Mundo, quando as atenções dos brasileiros naturalmente se voltam para os grandes palcos do futebol internacional, é importante também olhar para o que acontece dentro de casa.

E, em Mato Grosso do Sul, poucas notícias são tão animadoras quanto a confirmação de que o Estádio Morenão ganhará um novo gramado e deverá voltar a receber partidas oficiais a partir de 2027.

O anúncio representa muito mais do que a recuperação de um campo de futebol, simboliza a possibilidade de resgatar uma estrutura que, durante décadas, foi referência para o esporte sul-mato-grossense e que, por muito tempo, permaneceu abandonada.

Era inconcebível que Campo Grande, uma capital com mais de 900 mil habitantes, não dispusesse de um estádio central com dimensões oficiais e condições mínimas para sediar competições nacionais.

É verdade que, nos últimos anos, o Estádio Jacques da Luz desempenhou um papel importante, ao manter viva a realização de partidas oficiais na Capital. Cumpriu sua missão com dignidade e evitou que o futebol local ficasse completamente sem casa.

Mas também é preciso reconhecer suas limitações. O estádio das Moreninhas nunca foi concebido para assumir o protagonismo de uma arena voltada às principais competições do calendário nacional, adaptou-se a essa realidade por necessidade, não por vocação.

A reativação do Morenão, portanto, representa um passo importante para corrigir uma deficiência histórica da infraestrutura esportiva do Estado.

Mais do que devolver um patrimônio à população, significa criar condições para que clubes, torcedores, atletas e organizadores de competições contem com um equipamento compatível com a relevância que o futebol ainda tem na sociedade brasileira.

É preciso abandonar a visão de que investir em esporte significa apenas oferecer entretenimento. O futebol movimenta uma cadeia econômica expressiva, gera empregos, impulsiona pequenos negócios, fortalece o comércio, atrai visitantes, movimenta hotéis, bares, restaurantes e serviços.

Além disso, estimula projetos sociais, incentiva crianças e adolescentes à prática esportiva e fortalece o sentimento de pertencimento da comunidade.

Quanto mais competitivo for o futebol de Mato Grosso do Sul, maiores serão os reflexos positivos para toda a sociedade.

Clubes mais estruturados atraem investimentos, revelam talentos, ampliam a visibilidade do Estado e ajudam a inserir a economia local em um mercado esportivo cada vez mais profissionalizado e rentável.

Naturalmente, um novo gramado não resolverá, sozinho, os desafios do futebol sul-mato-grossense. Será necessário investir também na gestão dos clubes, nas categorias de base, na formação de profissionais e na sustentabilidade das competições.

Ainda assim, recuperar o principal estádio do Estado é um passo indispensável. Há muito tempo o futebol de Mato Grosso do Sul aguardava uma boa notícia.

Que ela marque o início de uma nova fase, em que a infraestrutura deixe de ser um obstáculo e volte a ser um instrumento para o desenvolvimento do esporte e da própria qualidade de vida da população.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 04 Jul 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[O debate sobre telas na infância chegou aos cinemas]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-debate-sobre-telas-na-infancia-chegou-aos-cinemas/469018/</link>
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				<description><![CDATA[Quando “Toy Story” estreou, em 1995, o maior medo dos brinquedos era serem esquecidos no fundo do armário. Trinta anos depois, a discussão parece ser outra: como as crianças estão brincando, aprendendo e se relacionando em um mundo cada vez mais digital?

É nesse cenário que “Toy Story 5” chega às telonas. Ao trazer um tablet inteligente para o centro da narrativa, a nova animação toca em uma das questões mais presentes na vida de famílias e educadores: qual é o papel da tecnologia no desenvolvimento infantil?

Durante muito tempo, essa conversa ficou presa a uma pergunta simplista – quanto tempo a criança ficou com a tela. A realidade, porém, é muito mais complexa. Nem toda experiência digital é igual.

Neste cenário, a provocação precisa ser outra: o que ela está vivendo enquanto está lá? O desafio é olhar para além do cronômetro e entender a qualidade da vivência.

No filme, Woody, Buzz e seus amigos vivem em um universo onde a imaginação é o motor de tudo. Um brinquedo vira personagem. Uma caixa vira nave espacial. Um quarto vira um mundo inteiro de possibilidades.

O que torna essas experiências tão valiosas não é o objeto em si, mas o que a criança faz com ele. E talvez essa seja a mesma pergunta que devemos fazer sobre a tecnologia: a tela está convidando a criança a criar ou apenas a consumir? Ela desperta curiosidade ou apenas entretém? Ela amplia possibilidades ou entrega tudo pronto?

Quando mudamos a pergunta, percebemos que a questão nunca foi a presença da tecnologia, mas a qualidade das experiências que ela proporciona.

Quando utilizada com intencionalidade pedagógica, a tecnologia pode se tornar uma ponte para experiências significativas de aprendizagem. Ambientes digitais podem estimular criatividade, resolução de problemas, colaboração, expressão e investigação.

O que faz a diferença não é a ferramenta em si, mas a forma como ela é utilizada e o papel que a criança ocupa naquela experiência. Quando ela cria, experimenta, imagina e descobre, a tela deixa de ser o destino e passa a ser apenas um meio.

Talvez essa seja a principal reflexão que “Toy Story 5” pode nos trazer. O desafio não é escolher entre o mundo físico ou o digital.

O desafio é garantir que a imaginação continue ocupando um lugar central na infância. Porque o problema nunca foi a tecnologia, o problema surge quando ela substitui a criatividade, a exploração e as experiências que ajudam a criança a construir significado sobre o mundo.

O filme também nos convida a assumir uma responsabilidade importante como educadores e famílias. Assim como buscamos informações sobre alimentação, sono, desenvolvimento motor e linguagem, chegou o momento de aprofundarmos nosso conhecimento sobre o universo digital.

Precisamos aprender a avaliar qual conteúdo faz sentido para cada idade, qual é a intenção daquela experiência, qual é o papel do adulto nessa mediação e, principalmente, o que aquela criança está vivendo naquele tempo?

Acredito que esse é o verdadeiro desafio da nossa geração. Não afastar as crianças da tecnologia, mas ajudá-las a fazer escolhas de qualidade com ela.

Porque, no fim, talvez a principal pergunta que “Toy Story 5” nos deixa seja: estamos prestando atenção somente no tempo que as crianças passam conectadas ou no conteúdo que elas realmente estão vivendo quando conectadas?
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 03 Jul 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Entre os otimistas e os alarmistas: a reforma tributária no mercado imobiliário]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-futuro-industrial-de-mato-grosso-do-sul/469016/</link>
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				<description><![CDATA[A reforma tributária ainda nem entrou totalmente em vigor e já divide opiniões. Tem quem aposte que o novo sistema vai resolver distorções antigas, reduzir custos e destravar investimentos. Tem quem já dê como certo o contrário: carga tributária maior, mercado mais retraído, imóveis e aluguéis mais caros.

Nos 25 anos em que acompanho o mercado imobiliário de perto, aprendi a desconfiar de previsões assim, tanto as otimistas quanto as pessimistas. A realidade costuma ser mais complexa e, ao mesmo tempo, mais interessante do que qualquer um dos dois lados imagina.

A Lei Complementar nº 214/2025 reconheceu algo que quem atua nesse mercado sabe na prática: imóvel não se comporta como qualquer outra mercadoria. O ciclo é longo. Muitas vezes, o terreno foi adquirido anos antes de a obra começar.

O investimento é elevado e o retorno financeiro acontece de forma gradual. Aplicar a regra geral do IVA a essa realidade, sem nenhuma adaptação, ignoraria como o setor de fato funciona.

Foi por isso que o legislador criou um regime específico para incorporações, parcelamento do solo, locações, arrendamentos e compra e venda de imóveis. Isso não é privilégio. É reconhecer, na prática, que nem toda atividade econômica cabe na mesma régua.

Os mecanismos que sustentam esse regime, o Redutor de Ajuste, o Redutor Social e o Redutor de Alíquota, cumprem uma função específica: evitar que o novo sistema tribute patrimônio já constituído, preservar o acesso à moradia e adequar a incidência do IBS e da CBS às particularidades do mercado imobiliário.

Mas quem discute a reforma apenas pelas alíquotas está olhando para a parte mais simples do problema. A mudança de verdade acontecerá na rotina de quem trabalha com imóveis. O crédito tributário deixa de ser apenas uma linha na planilha e passa a integrar o resultado financeiro do empreendimento.

A nota fiscal deixa de representar mera burocracia e passa a influenciar diretamente a formação dos preços. A escolha dos fornecedores, a formalização dos contratos e a organização documental passam a impactar a competitividade das empresas.

Some-se a isso a integração entre a nota fiscal eletrônica, o Sinter, o Cadastro Imobiliário Brasileiro, a Dimob e os novos sistemas digitais de arrecadação. O Fisco passará a enxergar o mercado com um nível de detalhamento jamais visto.

A informalidade, que durante décadas encontrou espaço em parte das operações imobiliárias, tende a se tornar cada vez mais difícil de sustentar.

Isso não significa que todos pagarão mais tributos. Também não garante redução da carga tributária. Os efeitos dependerão da natureza de cada operação, do grau de formalização das atividades, do aproveitamento correto dos créditos tributários e, sobretudo, da capacidade de adaptação às novas regras.

Ao longo da minha trajetória profissional, aprendi que, em momentos de grandes transformações, quem sai na frente não é o mais entusiasmado nem o mais pessimista, é quem estuda, compreende a lógica do novo sistema e se prepara antes dos demais.

A reforma tributária já não é mais uma promessa, é rotina no mercado imobiliário brasileiro. E, nesse cenário, conhecimento técnico deixou de ser diferencial para virar condição básica de quem quer continuar investindo, empreendendo e construindo negócios sólidos.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 03 Jul 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O futuro industrial de Mato Grosso do Sul]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-futuro-industrial-de-mato-grosso-do-sul/469017/</link>
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				<description><![CDATA[O futuro econômico de Mato Grosso do Sul parece ganhar contornos cada vez mais definidos. Levantamento ao qual o Correio do Estado teve acesso com exclusividade, publicado nesta edição, aponta que o principal vetor de crescimento do Estado nos próximos anos deverá ser a indústria.

A constatação não representa uma mudança de rumo, mas uma evolução natural de uma economia que amadureceu e agora amplia suas bases de desenvolvimento.

Essa é uma notícia positiva. Nenhuma economia sólida depende de um único setor, por mais eficiente que ele seja. Diversificar as matrizes produtivas sempre foi uma característica das regiões que conseguiram crescer de forma consistente e enfrentar melhor as oscilações dos mercados.

Nesse aspecto, o fortalecimento da indústria é um passo importante para Mato Grosso do Sul.

Isso não significa diminuir a relevância do agronegócio, ao contrário, o campo continuará sendo um dos pilares da economia estadual. Nas últimas décadas, o produtor rural investiu em tecnologia, aumentou a produtividade e consolidou Mato Grosso do Sul entre os maiores protagonistas da produção nacional.

Esse patrimônio econômico permanecerá indispensável para o desenvolvimento do Estado.

Mas é igualmente desejável que os setores secundário, representado pela indústria, e terciário, formado pelos serviços, avancem na mesma velocidade. Uma economia equilibrada é menos vulnerável às crises e mais capaz de gerar oportunidades para sua população.

Entre os três grandes setores da economia, a indústria tem um diferencial que poucos contestam: seu enorme efeito multiplicador.

Ao transformar matérias-primas em produtos de maior valor agregado, movimenta cadeias produtivas inteiras, fortalece fornecedores, impulsiona o comércio, amplia a demanda por logística e serviços especializados e estimula novos investimentos.

Os benefícios vão além dos indicadores econômicos. Regiões que se industrializam tendem a oferecer empregos mais qualificados, salários mais elevados e maior estímulo à formação profissional.

Como consequência, cresce a renda das famílias, aumenta a arrecadação pública e melhoram indicadores ligados ao desenvolvimento humano. Não por acaso, boa parte das economias mais prósperas construiu sua riqueza sobre uma base industrial robusta.

Mato Grosso do Sul reúne condições favoráveis para aproveitar esse momento. Dispõe de matérias-primas, localização estratégica, infraestrutura em expansão e um ambiente que tem atraído investimentos.

Se esse cenário for acompanhado por políticas públicas capazes de manter a competitividade e formar mão de obra qualificada, o Estado poderá consolidar uma transformação econômica de longo prazo.

Que as projeções apresentadas pelo levantamento se confirmem. O agronegócio seguirá como motivo de orgulho, mas uma indústria mais forte significará uma economia mais diversificada, mais resiliente e, sobretudo, mais capaz de distribuir renda, gerar oportunidades e promover desenvolvimento para toda a sociedade sul-mato-grossense.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 03 Jul 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Por que a graduação no modelo norte-americano ganha espaço no Brasil?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/por-que-a-graduacao-no-modelo-norte-americano-ganha-espaco-no-brasil/468956/</link>
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				<description><![CDATA[Tradicionalmente, no sistema educacional brasileiro, muitos estudantes ingressam na universidade com idades entre 17 e 18 anos. Esse é um momento crucial, pois é a hora em que esses jovens precisam tomar decisões importantes sobre sua formação profissional.

No Brasil, o processo de admissão à universidade geralmente exige que o estudante escolha uma carreira no vestibular, muitas vezes sem ter plena certeza sobre qual caminho seguir. A dificuldade de escolher uma carreira antes mesmo de pisar em uma sala de aula universitária é um problema estrutural no País.

Dados de 2025 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que quase 40% dos jovens de 15 anos não têm clareza sobre suas expectativas de carreira – um reflexo direto da ausência de experiências concretas que permitam que os jovens testem seus interesses antes de tomar uma decisão que moldará sua vida profissional.

Em contraste, nos Estados Unidos, o modelo educacional dominante baseia-se no conceito de Liberal Arts, que oferece uma abordagem muito mais ampla e flexível na formação dos estudantes.

No sistema de Liberal Arts, durante os dois primeiros anos da graduação, os estudantes têm a oportunidade de explorar uma vasta gama de disciplinas que abrangem áreas como ciências exatas, ciências humanas e sociais, artes, filosofia e ética.

Esse período inicial, longe de ser visto apenas como uma fase preparatória, é fundamental para o amadurecimento dos estudantes, pois lhes permite refletir melhor sobre suas escolhas profissionais e proporcionar uma base de conhecimento mais ampla.

O efeito imediato dessa abordagem é a formação de indivíduos mais críticos, preparados para lidar com os desafios de um mundo complexo e em constante transformação.

Um dos diferenciais desse modelo é que ele não apenas contribui para a formação de profissionais altamente capacitados, mas também desempenha um papel essencial na formação de cidadãos com uma visão mais ampla da sociedade.

A diversidade de áreas do conhecimento exploradas durante esse período propicia aos estudantes uma compreensão mais holística do mundo e as ferramentas necessárias para se tornarem pensadores críticos, com capacidade única de se adaptar às exigências de diferentes contextos.

Além disso, ao ter acesso a diversas disciplinas e áreas de interesse, o estudante desenvolve habilidades transversais, como pensamento crítico, criatividade e resolução de problemas, essenciais para qualquer carreira, independentemente da área escolhida.

Essa flexibilidade e liberdade de escolha são pontos-chave para o desenvolvimento acadêmico e pessoal do estudante.

Ao permitir que o aluno construa uma trajetória personalizada de acordo com suas paixões e interesses, o modelo de Liberal Arts ajuda a formar indivíduos mais completos e preparados para lidar com a complexidade da sociedade contemporânea.

Em um mundo em que as habilidades interdisciplinares e a capacidade de adaptação são cada vez mais valorizadas, um currículo flexível, como o oferecido pelas universidades norte-americanas, torna-se um importante diferencial na formação de profissionais capazes de enfrentar os desafios globais, tanto como indivíduos quanto como agentes transformadores da sociedade.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 02 Jul 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Adolescentes têm direito à contracepção sem a autorização do responsável?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/adolescentes-tem-direito-a-contracepcao-sem-a-autorizacao-do/468955/</link>
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				<description><![CDATA[Todos os dias, profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) enfrentam um dilema pouco discutido, mas de grande impacto: adolescentes com 14 anos ou mais procuram os serviços de saúde desacompanhadas dos responsáveis para solicitar métodos contraceptivos, exigindo confidencialidade. Atendê-las ou exigir autorização dos pais?

Embora pareça uma questão moral, trata-se, sobretudo, de um desafio jurídico, ético e de saúde pública. A insegurança dos profissionais decorre, em grande parte, da interpretação equivocada da legislação.

A Súmula 593 do Superior Tribunal de Justiça(STJ) estabelece que relações sexuais com menores de 14 anos configuram estupro de vulnerável, independentemente de consentimento.

Essa proteção penal, entretanto, não autoriza concluir que adolescentes maiores de 14 anos sejam incapazes de participar das decisões sobre sua própria saúde.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) reconhece a autonomia progressiva, princípio segundo o qual crianças e adolescentes desenvolvem gradualmente capacidade para exercer seus direitos.

No mesmo sentido, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) afirma que confidencialidade e sigilo são pilares da assistência ao adolescente, admitindo sua quebra apenas diante de risco relevante à vida ou à integridade.

O Conselho Federal de Medicina (CFM), por sua vez, determina que o grau de maturidade e discernimento deve orientar a participação do adolescente nas decisões sobre seu tratamento, inclusive no campo da saúde sexual e reprodutiva.

Também as políticas públicas caminham nessa direção. O Ministério da Saúde assegura, no Sistema Único de Saúde (SUS), acesso gratuito aos métodos contraceptivos, incluindo os contraceptivos reversíveis de longa duração (Larc), reconhecidos internacionalmente como os mais eficazes para prevenir gravidezes não planejadas.

Essa estratégia responde a um problema persistente: milhares de adolescentes brasileiras ainda engravidam todos os anos, com repercussões sobre permanência escolar, inserção no mercado de trabalho, saúde materna e perpetuação das desigualdades sociais.

Exigir autorização dos responsáveis pode produzir exatamente o efeito contrário ao desejado: afastar adolescentes dos serviços de saúde, retardar o acesso à contracepção e ampliar sua vulnerabilidade.

A literatura científica demonstra que confidencialidade e acolhimento aumentam a procura pelos serviços, favorecem o uso regular de métodos contraceptivos e reduzem a ocorrência de gravidez não planejada, sem estimular o início precoce da atividade sexual.

O verdadeiro dilema ético não está em oferecer contracepção, mas em negar um cuidado respaldado pela legislação, pelas normas profissionais e pelas evidências científicas.

Cabe aos serviços de saúde implementar protocolos claros que orientem os profissionais e assegurem aos adolescentes atendimento qualificado, confidencial e livre de barreiras indevidas.

Em saúde pública, proteger não significa restringir direitos, mas garantir acesso ao cuidado, à informação e à autonomia responsável. É nesse equilíbrio que se concretizam a proteção integral e a dignidade de adolescentes brasileiros.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 02 Jul 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Combustíveis: bom senso na precificação]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/combustiveis-bom-senso-na-precificacao/468954/</link>
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				<description><![CDATA[Ao longo dos últimos anos, este espaço não poupou críticas ao comportamento de parte do comércio atacadista e varejista de combustíveis. Em diversas ocasiões, registramos a rapidez com que aumentos de custos chegaram às bombas e, em sentido oposto, a demora – ou mesmo a ausência – no repasse de reduções de preços ao consumidor.

Não foram poucos os episódios em que oscilações favoráveis ao mercado ficaram retidas ao longo da cadeia de distribuição, penalizando quem depende do combustível para trabalhar, produzir ou simplesmente se locomover.

É preciso, portanto, reconhecer quando o cenário é diferente. Os preços estão sendo mantidos. Nesta edição, o Correio do Estado mostra que a retirada da subvenção federal de R$ 0,35 por litro sobre o óleo diesel não deverá resultar em aumento para o consumidor em Mato Grosso do Sul.

A razão é simples: a redução promovida pela Petrobras praticamente compensa o fim do benefício, neutralizando a pressão sobre os preços finais e evitando um impacto inflacionário que poderia atingir toda a economia.

A notícia é relevante porque o diesel vai muito além do tanque dos caminhões. Trata-se do combustível que movimenta boa parte da logística brasileira.

Quando seu preço sobe, os reflexos aparecem no transporte de cargas, nos alimentos, nos insumos agrícolas, na indústria e, inevitavelmente, no bolso da população. Por isso, qualquer medida capaz de conter reajustes merece atenção, sobretudo em um momento de tantas incertezas.

Os últimos meses foram marcados por forte instabilidade no mercado internacional de petróleo. Desde março, as tensões provocadas pelo conflito no Oriente Médio elevaram as cotações da commodity e ampliaram os riscos de uma escalada dos preços dos combustíveis.

Nesse contexto, houve esforço coordenado para reduzir os efeitos dessa turbulência sobre a economia brasileira. O governo federal buscou mecanismos para evitar uma pressão inflacionária mais intensa e os Estados também deram sua contribuição.

Mato Grosso do Sul esteve entre as unidades da Federação que adotaram medidas temporárias para aliviar o custo do diesel, concedendo descontos no ICMS durante os meses de abril e maio.

A iniciativa representou uma resposta importante em um período de excepcionalidade, ajudando a reduzir impactos sobre transportadores, produtores rurais e consumidores.

Ainda que benefícios fiscais não possam ser permanentes, eles cumprem papel relevante quando utilizados de maneira responsável para enfrentar momentos críticos.

Mas nenhuma política pública substitui um elemento essencial para o bom funcionamento do mercado: o consumidor. É ele quem possui a ferramenta mais eficaz para estimular a concorrência.

Pesquisar preços, comparar estabelecimentos e prestigiar aqueles que praticam valores mais competitivos continua sendo uma atitude capaz de influenciar o comportamento do setor.

Quanto maior for a disposição do consumidor em buscar melhores ofertas, maior será o incentivo para que distribuidores e postos disputem clientes por meio de preços mais justos.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 02 Jul 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Eclipse do pensamento e a nova fronteira educacional]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/eclipse-do-pensamento-e-a-nova-fronteira-educacional/468901/</link>
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				<description><![CDATA[Recentemente, um fenômeno tem se tornado rotina nas salas de professores de todo o País: o estranhamento diante da correção.

Educadores de adolescentes deparam-se com redações que exibem um vocabulário sofisticado, estruturas sintáticas complexas e uma formalidade acadêmica que simplesmente não condiz com a maturidade de seus autores.

Por trás das frases impecáveis, mas sem alma, esconde-se a inteligência artificial (IA). O sentimento dos professores oscila entre a chateação e a impotência; eles percebem que não estão mais avaliando o desenvolvimento de um estudante, mas o desempenho de um algoritmo.

Essa maquiagem intelectual é o sintoma de um risco significativo: o eclipse do esforço cognitivo. O aprendizado, em sua essência, é um processo biológico de resistência. O cérebro humano apenas consolida conhecimento por meio do esforço, o que a pedagogia chama de dificuldade desejável.

Ao delegar a redação ou a resolução de problemas a uma IA, o estudante não está apenas ganhando tempo; ele está perdendo a oportunidade de fortalecer o seu “músculo” crítico. Se o atalho se torna a norma, a consequência é uma atrofia cognitiva que compromete a capacidade de organizar o pensamento e sustentar argumentos próprios.

No entanto, o papel da escola não é o de um tribunal que tenta banir o progresso. Proibir a IA é tão inócuo quanto foi tentar banir a calculadora. O desafio real é elevar o nível da exigência intelectual. Se a máquina entrega a resposta pronta, o mérito do estudante deve migrar para a arquitetura da pergunta e a validação do conteúdo.

Fazer uma boa pergunta, o que hoje chamamos tecnicamente de prompt, é, na verdade, um exercício de alto repertório cultural. Para questionar a IA com profundidade e evitar o vocabulário genérico, o aluno precisa saber o que a IA não sabe.

Ele precisa de bagagem histórica e literária para identificar as alucinações do sistema e para inserir voz própria onde o código só oferece padronização. Sem repertório, o indivíduo torna-se um passageiro passivo de uma inteligência que ele não compreende.

Em nossa instituição, temos focado o ensino e a aprendizagem no laboratório dessa nova mentalidade. Ensinamos que a IA deve ser vista como um processador de dados, enquanto o aluno ocupa o cargo de curador.

O trabalho escolar deixa de ser o produto final e passa a ser o processo: o histórico de diálogos com a máquina, as correções críticas realizadas pelo estudante e a defesa oral de suas escolhas.

A escola do século 21 não pode mais ser o lugar em que se buscam respostas, pois estas tornaram-se produtos gratuitos. Ela deve ser o espaço do refinamento do pensamento. Precisamos preparar jovens que saibam comandar a tecnologia, e não apenas serem adaptados por ela.

O futuro da educação não será definido pela potência dos processadores, mas pela capacidade dos nossos estudantes de continuarem fazendo as perguntas que as máquinas jamais saberão formular.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 01 Jul 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Deficit dos Correios: há solução]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/deficit-dos-correios-ha-solucao/468900/</link>
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				<description><![CDATA[Não há como negar que um deficit superior a R$ 3 bilhões, num único trimestre, seja assustador. Menos mal que cerca de um terço desse valor se refira a despesas com contingências, e isso significa que elas não necessariamente vão impactar o caixa no curto prazo.

E segundo os auditores independentes, o valor dessas contingências pode estar calculado para mais ou para menos. É preciso que os administradores dos Correios revisem isso criteriosamente.

Independentemente disso, é improvável que os empréstimos bilionários concedidos por um grupo de bancos sejam pagos, mesmo se considerarmos o longo prazo. O mais provável é que a perda fique com o Tesouro – ou seja, em última instância, com os contribuintes.

Solução: como em qualquer empresa, a solução para a crise financeira dos Correios passa, necessariamente, por dois caminhos: aumento de receita e redução de custos; porém, não nessa ordem de prioridade.

O aumento de receita é necessário, mas é um processo longo e depende de fatores mercadológicos, como concorrência, serviços de qualidade, precificação competitiva, entre outros.

A transição para “uma plataforma de serviços moderna, ágil e integrada à economia digital”, numa empresa desse porte e dessa complexidade, requer muito tempo e muito investimento em tecnologia e qualificação da pessoa.

Portanto, a prioridade zero dos Correios é reduzir custos. Mas, não reduções cosméticas, marginais; – reduções enormes. Não é só uma questão de competência para identificar ociosidade, atividades que não agregam valor, atividades desnecessárias, etc.

Mais do que isso, é preciso coragem e determinação da alta administração para tomar decisões desse porte. O problema maior não é saber o que fazer, mas ter coragem para fazer.

Para reduzir custos dessa monta, algumas perguntas precisam ser respondidas: os custos de administração estão adequados? Onde estão as ociosidades de imóveis, máquinas, pessoas e outros?

Onde estão sendo realizadas atividades em duplicidade? Nas agências? Nas dependências administrativas? Quais fornecedores estão repassando suas ineficiências para os Correios, via preços de bens e serviços?

A resolução desses problemas só será possível se for adotado um modelo de gestão norteado pela lógica de empresas privadas, que, ao que parece, não é o caso dos Correios hoje.

Daí a conclusão lógica: a menos que a sociedade brasileira aceite, pacificamente, continuar pagando por prejuízos enormes e recorrentes, a única solução é desestatizar – ou privatizar de vez. Mas isso é pouco provável de acontecer nas circunstâncias atuais.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 01 Jul 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[O caminho para reduzir feminicídios]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-caminho-para-reduzir-feminicidios/468899/</link>
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				<description><![CDATA[A redução de quase 30% nos casos de feminicídio em Mato Grosso do Sul, revelada pelo Correio do Estado nesta edição, merece ser recebida com esperança, mas também com prudência.

Nenhum indicador positivo autoriza comemorações quando ainda há mulheres sendo assassinadas pelo simples fato de serem mulheres. Ainda assim, os números mostram que políticas públicas bem executadas podem salvar vidas e que a resposta do Estado faz diferença quando atua no momento certo.

A explicação apresentada pela Polícia Civil faz sentido. Ao reduzir drasticamente o tempo entre o registro da violência doméstica e a adoção das medidas protetivas, o Estado interrompe, em muitos casos, a escalada da agressão antes que ela chegue ao desfecho mais trágico.

A rapidez na intimação do agressor funciona como fator de dissuasão. Quem antes encontrava um sistema lento e burocrático, agora, depara-se rapidamente com a presença do Estado, da Justiça e da responsabilização.

É lamentável reconhecer que esse aperfeiçoamento institucional nasceu da dor. Foram necessários anos de estatísticas alarmantes e casos que chocaram Mato Grosso do Sul para que protocolos fossem revistos, fluxos fossem acelerados e o atendimento às vítimas passasse a receber prioridade absoluta.

O importante, agora, é que essa reação não seja passageira. Os resultados indicam que os novos procedimentos estão funcionando e precisam ser preservados, aperfeiçoados e blindados contra qualquer retrocesso administrativo.

Mas seria um grave equívoco acreditar que apenas polícia, investigação e punição resolverão o problema. O feminicídio é o último estágio de uma cultura de violência contra a mulher que começa muito antes da agressão física.

Ela se manifesta no controle, na humilhação, nas ameaças, na naturalização do machismo e na falsa ideia de posse sobre a companheira.

Essa mudança depende de toda a sociedade. Exige famílias que eduquem para o respeito, escolas que formem cidadãos conscientes e instituições comprometidas com a igualdade.

Exige também uma reflexão sobre o ambiente das redes sociais, em que discursos de ódio, misoginia e intolerância encontram espaço privilegiado porque algoritmos frequentemente premiam aquilo que gera conflito e engajamento, relegando o respeito e a convivência civilizada a um plano secundário.

Nada disso diminui a responsabilidade individual de quem agride. Seja qual for a justificativa apresentada, não existe explicação para a violência contra a mulher.

O agressor deve responder por seus atos com o rigor da lei. Ao mesmo tempo, cabe ao poder público continuar aperfeiçoando mecanismos capazes de impedir que ameaças se transformem em assassinatos.

Se os novos protocolos conseguiram salvar vidas, Mato Grosso do Sul demonstra que o combate ao feminicídio não depende apenas de leis mais severas, mas também da eficiência na sua aplicação.

O desafio, agora, é fazer com que os números continuem caindo até que deixem de representar vidas interrompidas e famílias destruídas.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 01 Jul 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Nas ruas, a defesa da dignidade]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/nas-ruas-a-defesa-da-dignidade/468846/</link>
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				<description><![CDATA[O crescimento da população em situação de rua no Brasil expressa a realidade social das cidades contemporâneas.

Levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com base no Cadastro Único, indica que o País ultrapassou 365 mil pessoas nessa condição entre o fim de 2025 e o início deste ano, mantendo uma trajetória de alta nos últimos anos.

Entre 2018 e 2023, o número de registros praticamente dobrou, superando 221 mil pessoas, em mais de 40% dos municípios brasileiros.

Mais do que números, estamos diante de vidas. E a forma como a sociedade olha para essas vidas diz muito sobre o projeto de cidade que estamos construindo.

Ainda persistem, na sociedade, estigmas e preconceitos em relação à população em situação de rua, frequentemente tratada de forma reducionista, em vez do reconhecimento deste grupo como sujeitos de direitos.

Essa ótica, por vezes naturalizada, acaba influenciando práticas institucionais e respostas públicas que priorizam o afastamento, o controle ou a invisibilização, em detrimento da construção de alternativas efetivas.

Longe de ser resultado de escolhas individuais, a vida nas ruas expressa uma profunda violação de direitos, vinculada à desigualdade estrutural e à precarização das condições de vida. Enfrentar essa realidade exige mais do que gestão urbana: exige compromisso ético com a dignidade humana.

É nesse cenário que a atuação de assistentes sociais se torna fundamental, não somente na garantia de acesso a direitos, mas também na construção de leituras críticas da realidade e de respostas comprometidas com a vida das pessoas.

Orientado pela Política Nacional para a População em Situação de Rua (Decreto nº 7.053/2009), o trabalho profissional parte do reconhecimento desse grupo social como sujeito de direitos, com histórias, demandas e potencialidades que precisam ser compreendidas em sua complexidade.

Na prática, assistentes sociais atuam diretamente nos territórios, em serviços como Centros POP, Creas e equipes de Consultório na Rua. Mais do que encaminhamentos pontuais, sua atuação deve se fundamentar na escuta qualificada, na construção de vínculos e no acompanhamento continuado.

O diálogo é elemento central desse trabalho: é por meio dele que emergem demandas reais (muitas vezes invisibilizadas) relacionadas com a documentação, a saúde, a renda, a moradia e a reconstrução de relações familiares e comunitárias.

Atuar com compromisso técnico e ético é reconhecer o outro em sua condição humana, romper com a invisibilidade e construir caminhos possíveis.

Diante de práticas higienistas, remoções forçadas e da criminalização da pobreza, o Serviço Social se posiciona de forma firme na defesa da dignidade de toda a população.

Enfrentar a realidade das ruas exige mais do que respostas rápidas: exige compromisso com a vida e com transformações concretas. O Serviço Social trilha esse caminho todos os dias, por meio de trabalho técnico e qualificado, da atuação crítica e da construção de alternativas.

Fica o convite à sociedade: romper com respostas simplificadas e excludentes e assumir um compromisso real com as vidas e a justiça social.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 30 Jun 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[Time que está ganhando não se mexe?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/time-que-esta-ganhando-nao-se-mexe/468845/</link>
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				<description><![CDATA[Há máximas que atravessam gerações sem jamais serem questionadas. “Time que está ganhando não se mexe” é uma delas. Talvez porque, à primeira vista, pareça uma recomendação de bom senso. Afinal, por que mudar aquilo que está dando certo?

O problema é que essa lógica parte de uma premissa perigosa: a de que o maior desafio da liderança é preservar o sucesso.

Não é.

O maior desafio da liderança é ampliar, continuamente, a capacidade da organização de continuar tendo sucesso.

Essa distinção muda tudo.

Toda organização acumula resultados. Mas também acumula capacidades. Resultados revelam aquilo que ela foi capaz de construir. Capacidades determinam aquilo que ainda será capaz de construir.

É justamente por isso que organizações deixam de crescer muito antes de seus indicadores piorarem. Não porque tenham perdido competência, mas porque perderam sua capacidade de aprender, adaptar-se e evoluir na velocidade que o ambiente passou a exigir.

Grandes líderes compreendem essa diferença.

Eles não analisam apenas o desempenho atual. Procuram identificar qual é o verdadeiro potencial de evolução da organização. Perguntam se as competências existentes continuam compatíveis com os desafios futuros.

Se a forma de liderar ainda estimula aprendizado. Se os processos favorecem inovação ou apenas repetem soluções que funcionaram no passado.

Em outras palavras, procuram entender se a organização tem capacidade instalada para alcançar um novo ciclo de crescimento.

Empresas capazes de permanecer relevantes são, antes de tudo, empresas que aprendem continuamente. Isso significa transformar problemas, erros, experiências e novas ideias em aprendizado coletivo, em vez de apenas repetir práticas que funcionaram no passado.

Essa talvez seja a maior vantagem competitiva das organizações longevas. Não por acaso, Alexandre Di Miceli identifica a aprendizagem contínua como uma das características centrais das empresas construídas para durar.

Essa resposta dificilmente será encontrada em um relatório gerencial.

Ela aparece quando as perguntas começam a diminuir. Quando as reuniões terminam sempre nas mesmas conclusões. Quando as pessoas deixam de relatar problemas, de compartilhar dúvidas e de propor novas ideias.

Quando a experiência passa a produzir mais certezas do que curiosidade. Quando a estabilidade deixa de ser consequência da maturidade e passa a ser consequência da acomodação.

É aí que mora o maior risco: não o fracasso, mas a estagnação.

Porque a estagnação raramente chega acompanhada de uma crise. Ela se instala silenciosamente, enquanto tudo parece funcionar. Os resultados permanecem positivos. Os processos continuam rodando. As pessoas cumprem suas funções.

Mas, pouco a pouco, a organização deixa de ampliar sua capacidade de enfrentar desafios maiores do que aqueles que já conhece.

É justamente nesse momento que surgem as decisões mais importantes da liderança. Não para corrigir o que deu errado. Mas para impedir que o sucesso de ontem limite as possibilidades de amanhã.

Talvez seja essa a principal atualização que a velha máxima exige.

A pergunta decisiva nunca foi se a organização está obtendo bons resultados.

A pergunta é outra: com a liderança, as competências, a cultura e a forma de pensar que tem hoje, ela ainda tem capacidade para alcançar um estágio superior ao que já alcançou?
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 30 Jun 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[Sem espaço para velhos vícios]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/sem-espaco-para-velhos-vicios/468844/</link>
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				<description><![CDATA[A manutenção das vias urbanas é uma das obrigações mais elementares de qualquer administração municipal. Ruas em boas condições garantem segurança, reduzem prejuízos aos motoristas, melhoram a mobilidade e preservam o patrimônio público.

Por isso, é positivo que a Prefeitura de Campo Grande demonstre pressa para regularizar os contratos destinados à chamada operação tapa-buraco. O problema é que a boa vontade, por si só, não resolve a urgência enfrentada diariamente pela população.

Conforme mostramos nesta edição, os novos contratos somente deverão entrar em vigor em agosto, respeitando todas as etapas exigidas pelo processo licitatório.

Trata-se de um procedimento indispensável para assegurar legalidade, transparência e ampla concorrência. Entretanto, até que isso ocorra, a cidade continuará convivendo com um cenário de ruas deterioradas.

É justamente nesse intervalo que a administração municipal precisa demonstrar capacidade de gestão. Não basta aguardar a conclusão da licitação enquanto o problema se agrava. É necessário encontrar soluções emergenciais que permitam minimizar os transtornos, sempre observando o princípio da economicidade.

Afinal, os recursos públicos são limitados e devem ser empregados de forma responsável, sem improvisações que acabem custando ainda mais aos cofres municipais.

A situação atual também convida a uma reflexão sobre decisões tomadas ao longo das últimas décadas. Em nome de um modelo de terceirização que, na prática, mostrou-se pouco eficiente, o poder público abriu mão de manter estrutura própria para executar serviços de manutenção viária e pavimentação.

Pouco a pouco, deixou de renovar seu maquinário, tornando-se cada vez mais dependente da contratação de empresas privadas até mesmo para intervenções emergenciais.

Essa dependência trouxe consequências conhecidas pelos campo-grandenses. Ao longo dos últimos 15 anos, diferentes investigações do Ministério Público apontaram suspeitas envolvendo contratos de manutenção de vias, alguns deles relacionados com empresas investigadas por corrupção.

Como se isso não bastasse, a administração pública ainda recorreu a contratos de locação de equipamentos considerados escandalosos, celebrados com empresas registradas em nome de laranjas, enquanto sua própria frota se deteriorava sem reposição adequada.

Esse histórico demonstra que o problema nunca foi apenas operacional.

Foi também consequência de escolhas administrativas equivocadas, que reduziram a capacidade do município de responder rapidamente às demandas da população e aumentaram sua vulnerabilidade a contratos malsucedidos e a práticas incompatíveis com a boa gestão pública.

A nova contratação representa, portanto, mais do que a retomada da operação tapa-buraco. É uma oportunidade para romper definitivamente com um modelo que acumulou ineficiência, desperdício e suspeitas.

Espera-se que os novos contratos sejam conduzidos sob critérios rigorosos de integridade, ampla concorrência, fiscalização permanente e absoluta transparência.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 30 Jun 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[A Copa do Mundo e geopolítica]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-copa-do-mundo-e-geopolitica/468793/</link>
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				<description><![CDATA[À medida que a Copa do Mundo de deste ano começa a mobilizar torcedores ao redor do mundo, muitos insistem em repetir uma frase bastante conhecida: esporte e política não se misturam.

A realidade, porém, conta outra história. A Copa nunca foi apenas um torneio de futebol – assim como as Olimpíadas.

Ela é também um fenômeno político, econômico e geopolítico, capaz de reverberar tensões internacionais, disputas de poder e transformações globais.

Os acontecimentos das últimas semanas deixam isso evidente. Os Estados Unidos, uma das três sedes do torneio, adotaram políticas migratórias que já afetam diretamente a competição.

Integrantes da delegação iraniana enfrentaram dificuldades para obter vistos, parte da equipe precisou transferir sua base para o México e autoridades esportivas do país denunciaram tratamento discriminatório.

Ao mesmo tempo, torcedores e oficiais de diferentes nacionalidades relataram obstáculos para ingressar em território norte-americano, transformando um evento esportivo em mais um capítulo dos debates sobre fronteiras, segurança internacional e soberania.

O caso iraniano é particularmente simbólico. Num momento de forte tensão entre Washington e Teerã, o simples deslocamento de jogadores, dirigentes e torcedores tornou-se uma questão diplomática.

O futebol, nesse contexto, deixa de ser apenas entretenimento para se tornar um espaço em que rivalidades internacionais continuam negociadas.

Mas a relação entre Copa do Mundo e geopolítica vai muito além dos conflitos diplomáticos mais evidentes.

Em diversos momentos da história, o torneio serviu para expressar mudanças na ordem internacional.

Quando a seleção da Croácia estreou na Copa do Mundo em 1998, por exemplo, não estava apenas disputando partidas de futebol em prol do entretenimento dos torcedores.

A seleção estava simbolizando a consolidação de um novo Estado surgido após o colapso da Iugoslávia.

Da mesma forma, a participação de países recém-independentes ao longo das últimas décadas representou uma forma de reconhecimento internacional e afirmação de soberania.

Quando a Bósnia e Herzegovina disputou sua primeira Copa do Mundo, em 2014, sua participação foi celebrada não apenas como uma conquista esportiva, mas como um símbolo da reconstrução de um país que duas décadas antes havia sido devastado por uma das guerras mais violentas da Europa contemporânea.

A seleção tornou-se uma representação da própria sobrevivência do Estado Bósnio e de sua busca por reconhecimento e estabilidade no cenário internacional.

Em outra dimensão, os países do Golfo transformaram o futebol numa importante ferramenta de projeção de poder. Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos passaram a investir bilhões de dólares em clubes, competições, patrocínios e grandes eventos esportivos, utilizando o esporte como instrumento de projeção global para ampliar sua influência, diversificar as economias e fortalecer a imagem internacional.

Outro exemplo pouco lembrado envolve a escolha das sedes. A disputa para sediar uma Copa do Mundo costuma mobilizar governos, empresas privadas e diplomatas durante anos. Receber o torneio significa projetar uma imagem internacional, atrair investimentos e demonstrar capacidade organizacional e de Engenharia.

Não por acaso, países emergentes frequentemente enxergam o evento como uma ferramenta de soft power, utilizando o esporte para fortalecer sua reputação global.

A geopolítica também aparece nas questões econômicas. Em números, a Copa do Mundo deste ano será a maior da história, com 48 seleções e 104 partidas. Isso envolve negociações complexas sobre infraestrutura, segurança, transporte, telecomunicações, direitos de transmissão e circulação de pessoas.

Em outras palavras, a Copa funciona como uma gigantesca operação internacional que depende da cooperação e, muitas vezes, dos conflitos entre governos, empresas e organizações multilaterais.

Mesmo temas aparentemente distantes do futebol acabam influenciando o torneio. Questões migratórias, políticas de segurança, sanções econômicas, relações diplomáticas e até debates sobre direitos humanos passaram a fazer parte da preparação para o Mundial.

Organizações internacionais já alertam para possíveis impactos das políticas de imigração, fiscalização de fronteiras e monitoramento de visitantes durante a competição.

Talvez o maior equívoco seja imaginar que a política invade o esporte. Na verdade, o esporte sempre esteve inserto na política.

Afinal, seleções representam Estados nacionais, torcedores atravessam fronteiras, governos financiam infraestrutura e organismos internacionais estabelecem regras para a realização dos torneios.

A Copa do Mundo continua um espetáculo esportivo extraordinário – não apenas para quem gosta de futebol.

Ela também funciona como uma janela privilegiada para observar o mundo. Ao acompanhar os jogos, vale a pena prestar atenção não somente no que acontece dentro dos estádios. Muitas vezes, as histórias mais reveladoras estão acontecendo nos bastidores.

E compreender essas conexões é fundamental para entender não só o futebol, mas também a dinâmica das relações internacionais no século 21.

Assine o Correio do Estado
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 29 Jun 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A força da inteligência contra o crime ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-forca-da-inteligencia-contra-o-crime/468792/</link>
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				<description><![CDATA[Nesta edição, o Correio do Estado apresenta, com exclusividade, um dos pontos centrais da investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) e pela Receita Federal, em parceria com autoridades norte-americanas, que resultou no que pode ser a maior apreensão de cocaína da história do Brasil.

A operação, realizada na semana passada em Cáceres (MT) e Corumbá, retirou de circulação uma quantidade impressionante de droga que tinha um destino bem definido: os Estados Unidos, mais precisamente a cidade de Miami, na Flórida.

A dimensão da apreensão impressiona, mas talvez mais importante do que a quantidade de entorpecentes retirada do mercado seja a forma como o resultado foi alcançado. Operações dessa magnitude não acontecem por acaso.

Elas são fruto de meses, às vezes até anos, de monitoramento, cruzamento de informações, compartilhamento de dados e acompanhamento minucioso dos passos das organizações criminosas.

O combate ao narcotráfico internacional deixou de ser uma atividade baseada apenas em barreiras físicas, patrulhamento ostensivo ou abordagens de rotina.

Hoje, as grandes vitórias contra o crime organizado são construídas principalmente nos centros de inteligência.

É ali que se identificam rotas, movimentações financeiras, conexões internacionais e estratégias utilizadas pelas quadrilhas para transportar toneladas de drogas entre continentes.

Nesse aspecto, a operação revela também uma realidade que precisa ser reconhecida. As forças de segurança da América do Sul ainda têm muito a aprender e a aperfeiçoar em cooperação com as agências norte-americanas.

A experiência acumulada pelos Estados Unidos no enfrentamento ao crime transnacional, especialmente no campo da inteligência e da integração de bancos de dados, tem produzido resultados que merecem ser observados e incorporados por seus parceiros.

O êxito da ação demonstra o valor da cooperação internacional. Quando instituições de diferentes países compartilham informações e atuam de forma coordenada, as organizações criminosas perdem uma de suas principais vantagens: a capacidade de explorar fronteiras e limitações burocráticas entre nações.

Mas a apreensão da droga não pode representar o ponto final dessa investigação. O verdadeiro sucesso será alcançado quando os responsáveis pelas cargas forem identificados, presos e condenados.

Mais importante ainda será localizar e sequestrar os bens acumulados com recursos oriundos do tráfico. Sem atingir o patrimônio das organizações criminosas, o combate ao narcotráfico permanece incompleto.

Também é necessário ampliar a participação de agências europeias nessa rede de cooperação. Afinal, uma parcela significativa da cocaína que atravessa o território brasileiro tem como destino o continente europeu.

Quanto maior for a integração entre autoridades sul-americanas, norte-americanas e europeias, maiores serão as chances de enfraquecer estruturas criminosas que operam em escala global.

Por isso, a operação merece reconhecimento. Ela comprova que inteligência, integração e cooperação continuam sendo as armas mais eficazes contra o narcotráfico.

E, mais uma vez, merece elogios o trabalho das autoridades envolvidas, que demonstraram capacidade técnica, planejamento e persistência para atingir um resultado histórico.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 29 Jun 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Dia do Imigrante: acolher quem chega não é escolha, é dever]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/dia-do-imigrante-acolher-quem-chega-nao-e-escolha-e-dever/468722/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/dia-do-imigrante-acolher-quem-chega-nao-e-escolha-e-dever/468722/</guid>
				<description><![CDATA[O Dia do Imigrante, 25 de junho, é uma oportunidade para refletirmos sobre os deslocamentos humanos para além das fronteiras geográficas. Migrar envolve expectativas e projetos de vida, mas também revela contradições de uma realidade marcada por desigualdades e pela fragilidade das redes de proteção. 

O Brasil foi historicamente constituído por diferentes fluxos migratórios. Hoje, milhares de pessoas chegam ao País em busca de melhores oportunidades, muitas vezes fugindo de conflitos, crises econômicas ou situações de extrema vulnerabilidade. 

Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), o País abriga pouco mais de 2 milhões de pessoas de outras nacionalidades, entre residentes, temporários, refugiados e solicitantes de reconhecimento da condição de refugiado, de aproximadamente 200 países. Entretanto, apenas cerca de 414 mil estão inseridas formalmente no mercado de trabalho. 

A urgência pela sobrevivência, as barreiras linguísticas e culturais, o desconhecimento da legislação e as dificuldades de acesso às redes de apoio deixam muitos estrangeiros expostos à exploração, à informalidade e a vínculos ocupacionais marcados por baixos salários e ausência de garantias sociais e trabalhistas.

Esse cenário está relacionado com um processo mais amplo de enfraquecimento da proteção social. A chamada desertificação dos direitos sociais, associada à perda de garantias trabalhistas, favorece a expansão da informalidade, que hoje alcança cerca de 40 milhões de brasileiros, e cria condições para diferentes formas de escravização contemporânea.

A precarização, nesse sentido, deixa de ser exceção e passa a ser naturalizada como parte das relações de trabalho. 

Por isso, acolher quem atravessa fronteiras significa reafirmar que direitos não podem depender da origem ou nacionalidade.

Uma sociedade democrática precisa garantir mecanismos de integração e combater práticas que submetem pessoas a processos exploratórios e/ou de exclusão.

Esse compromisso exige políticas públicas específicas para a população migrante, com ações nas áreas de assistência social, saúde, educação, regularização documental, moradia e inserção profissional, além do fortalecimento da fiscalização contra violações que atingem trabalhadores brasileiros e estrangeiros. 

Garantir que aqueles que chegam ao País possam reconstruir suas trajetórias é parte da construção de uma democracia que não transforme a vulnerabilidade em destino. 

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 27 Jun 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Discriminação: do pretexto à realidade]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/discriminacao-do-pretexto-a-realidade/468721/</link>
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				<description><![CDATA[Nos últimos tempos, houve diversos relatos na mídia sobre discriminação na sociedade, como de costume, mas com um elemento cada vez mais presente: a tentativa de atribuir algum motivo supostamente nobre ao ato vil.

Entre outras situações, chamou a atenção um estabelecimento carioca que mencionou, explicitamente, que cidadãos americanos e israelenses não eram bem-vindos. O ato e a forma como foi acolhida tal manifestação pela comunidade são tópicos que merecem alguma reflexão.

O aviso acima mencionado foi escrito em língua inglesa e exposto na frente de um bar em certo bairro boêmio do Rio de Janeiro, principal destino turístico de lazer do País e lugar que representa o Brasil no imaginário estrangeiro em diversos sentidos.

Como se já não bastasse o conteúdo claramente discriminatório da placa, algo que mereceria repúdio independentemente de quem fosse o objeto da restrição, dois elementos chamaram atenção: a forma como a sociedade reagiu à situação e o argumento utilizado na defesa da atitude do estabelecimento.

Quanto à reação da comunidade, cabe notar que houve um aumento exponencial de seguidores do bar nas redes sociais, fato que levou, inclusive, à tentativa de arrecadação de valor entre os apoiadores do estabelecimento para o pagamento da multa aplicada pela prefeitura do Rio.

Em vez de a comunidade rejeitar a atitude discriminatória, portanto, houve apoio ao referido comportamento, o que demonstra o poder aglutinador e destrutivo que o ódio tem na sociedade atual.

A existência da placa, que deveria provocar ojeriza a qualquer ser humano (seja ele norte-americano, israelense, palestino ou brasileiro), acabou por galvanizar apoio entre os indivíduos que já foram tomados pela politização de todos os aspectos da vida, mas que parecem ter ficado míopes quando o assunto é a dignidade humana.

Além disso, utiliza-se, com frequência, o argumento de que o apoio em casos como esse é uma manifestação favorável aos cidadãos do Oriente Médio que sofrem os efeitos dos ataques realizados, nos últimos tempos, por Estados Unidos e Israel na região, alegando-se, ainda, a necessidade de não confundir o antissionismo com o antissemitismo.

Esse tópico, bastante sensível no debate público, também merece ser analisado com cuidado, pois pode levar a distorções perigosas para o convívio social.

Primeiramente, não parece ser muito produtivo e eticamente correto, sob a ótica dos direitos humanos, discriminar uma parcela da população pelos atos que os respectivos entes estatais produzem internacionalmente.

Ademais, não é tão clara a linha que separa o antissionismo, contrário à existência do Estado de Israel na região da Palestina, do antissemitismo, que consiste no preconceito contra o povo judeu.

Considerando-se que a maior parte da população israelense é de origem judaica, é razoável imaginar que há grande possibilidade de que o antissionismo guarde em seu bojo uma marca antissemita.

É alarmante, portanto, o apoio ao ato discriminatório observado no referido estabelecimento carioca, mais um comportamento entre tantos repudiáveis notados no território nacional e em outros países.

Serve como elemento de reflexão que o ato ignóbil, em vez de provocar repulsa, granjeou apoio ostensivo na comunidade.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 27 Jun 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Pedágio caro exige contrapartida]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/pedagio-caro-exige-contrapartida/468720/</link>
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				<description><![CDATA[Chegou o momento de a Motiva Pantanal, antiga CCR MSVia, demonstrar que é capaz de oferecer aos usuários da BR-163 um serviço compatível com o valor que cobra.

A recente autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para um reajuste superior a 40% nas tarifas de pedágio aumenta a responsabilidade da concessionária perante quem utiliza diariamente a principal rodovia de Mato Grosso do Sul.

É natural que contratos de concessão prevejam atualizações tarifárias. O que não é razoável é que aumentos tão expressivos ocorram sem que os usuários percebam melhorias igualmente expressivas na qualidade da infraestrutura. Quem percorre a BR-163 ainda encontra problemas que deveriam ter sido solucionados há muito tempo.

Em diferentes trechos da rodovia, as faixas de sinalização horizontal apresentam desgaste visível e baixa refletividade, dificultando a condução noturna e em períodos de chuva.

Também há escassez de sinalizadores em alguns pontos e, mais preocupante, trechos em que remendos mal-executados comprometem o conforto e a segurança da viagem.

Em determinadas áreas, os reparos parecem mais buracos do que soluções para os buracos que deveriam corrigir.

É verdade que existem obras em andamento. Alguns segmentos no norte do Estado e nas proximidades de Campo Grande recebem intervenções importantes, incluindo duplicações.

São investimentos necessários e aguardados há anos. No entanto, eles não podem servir de justificativa para ignorar problemas básicos de conservação e segurança ao longo de centenas de quilômetros da rodovia.

O usuário não avalia uma concessão apenas pelas promessas futuras. Ele a avalia pela experiência diária. E essa experiência ainda está longe de justificar tarifas cada vez mais elevadas.

Afinal, não faz sentido pagar um dos pedágios mais caros da região para trafegar em uma rodovia que, em parte considerável de sua extensão, sequer oferece acostamento adequado aos motoristas.

A cobrança de pedágio pressupõe uma relação de equilíbrio. O usuário paga para receber em troca segurança, conforto, fluidez e infraestrutura de qualidade.

Quando essa contrapartida não é percebida, surge a sensação legítima de que a conta está sendo paga apenas por um lado.

Mato Grosso do Sul depende da BR-163 para o transporte de pessoas e mercadorias. Trata-se de uma rodovia estratégica para a economia estadual e nacional.

Por isso, sua concessão precisa ser sinônimo de eficiência e qualidade, e não de insatisfação crescente entre os usuários.

Com um pedágio ainda mais caro, a Motiva Pantanal tem a obrigação de melhorar – e muito – os serviços prestados.

Mais do que obras pontuais, é preciso garantir pavimento de qualidade, sinalização adequada, manutenção permanente e condições compatíveis com o que é cobrado.

O que os usuários esperam não é favor, mas respeito. E respeito, neste caso, significa oferecer uma rodovia segura, bem conservada e com preço justo.

Hoje, infelizmente, o valor cobrado nas praças de pedágio está longe de transmitir essa sensação.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 27 Jun 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Etarismo: uma forma silenciosa de violência naturalizada]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/etarismo-uma-forma-silenciosa-de-violencia-naturalizada/468664/</link>
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				<description><![CDATA[No mês do Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, celebrado em 15 de junho, é comum associarmos o tema a situações explícitas de negligência, abuso ou abandono.

Existe, porém, uma forma mais silenciosa e igualmente corrosiva de violência que passa despercebida todos os dias: o etarismo corporativo.

Dentro das empresas, ele se manifesta de maneira sutil. Está nas oportunidades negadas sem explicação, na preferência automática por perfis mais jovens, na desvalorização da experiência e no rótulo de obsolescência atribuído a profissionais mais maduros. Não grita, não escandaliza, mas exclui, limita e desumaniza.

Ser consciente no palco da vida e do trabalho é também um ato ético. Porque toda escolha comunica valores.

Quando líderes ignoram o etarismo, quando empresas não criam espaço para diferentes gerações coexistirem de forma respeitosa, elas estão, na prática, performando um papel de indiferença. E, no palco social, a omissão também é uma forma de violência.

A Inteligência Cênica nos convida a olhar para essas dinâmicas invisíveis. Ela nos lembra que toda organização é uma espécie de encenação coletiva e que a inclusão verdadeira começa quando todos têm o direito de estar em cena, sem precisar esconder partes de si para serem aceitos.

Isso inclui, necessariamente, a valorização da experiência, da trajetória e do repertório que só o tempo constrói.

O etarismo não é apenas uma falha de diversidade. É uma falha de percepção. Revela um ambiente que privilegia velocidade em detrimento de profundidade, novidade em detrimento de consistência, aparência em detrimento de conteúdo.

E isso não empobrece apenas quem é excluído, pois empobrece a própria organização.

Combater o etarismo exige mais do que políticas formais. Exige uma reeducação emocional e cultural. Exige líderes capazes de pausar antes de reproduzir vieses automáticos, de substituir julgamento por escuta e de transformar a diferença em ativo e não em obstáculo.

O futuro do trabalho não será sustentável se não for intergeracional. Ambientes saudáveis são aqueles onde experiências se encontram, onde saberes se complementam e onde ninguém precisa disputar legitimidade por idade.

Nesse cenário, o papel do líder é claro: ser guardião de uma cultura em que todos tenham espaço para contribuir e existir com dignidade.

A Inteligência Cênica nos lembra que cada profissional tem direito a ser protagonista da própria história. E que o papel mais nobre que podemos desempenhar, nas empresas e na sociedade, é garantir que ninguém seja empurrado para fora de cena por causa de sua idade.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 26 Jun 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O PSDB e a verdadeira democracia do Brasil]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-psdb-e-a-verdadeira-democracia-do-brasil/468663/</link>
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				<description><![CDATA[Com sua fundação em 25 de junho de 1988, o PSDB mostrou ao País a necessidade de um partido comprometido com a reforma do Estado e a consolidação da democracia.

O partido escolheu a socialdemocracia como modelo de governo, conciliando o sistema capitalista com justiça e igualdade.

Num momento decisivo, em um Brasil recémsaído de um regime de exceção, Mario Covas foi o primeiro candidato à Presidência em 1989. Poucos anos depois, em 1994, Fernando Henrique Cardoso foi eleito e governou por dois mandatos consecutivos.

A população ainda recorda conquistas marcantes desse período, como o combate à hiperinflação por meio do Plano Real, as reformas econômicas e administrativas, a privatização de empresas ineficientes, a criação de programas sociais e a modernização da educação.

Entre os avanços destacamse a Bolsa Escola e a universalização do Ensino Fundamental; a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef); a Nova LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação); o Programa Nacional do Livro Didático; o surgimento do Enem, do Provão e do Fies; e a criação dos medicamentos genéricos, democratizando o acesso à Saúde. 

O PSDB mudou o País, inaugurou uma nova visão de mundo e segue firme com os mesmos propósitos que inspiraram sua criação: justiça social, responsabilidade econômica e fortalecimento da democracia.

Ao longo de sua trajetória, consolidou importante contribuição para a vida pública brasileira, participando ativamente dos grandes debates nacionais e defendendo a construção de instituições sólidas, transparentes e comprometidas com o interesse coletivo.

O Partido atuou para fortalecer a estabilidade política e econômica, o desenvolvimento do País e a ampliação das oportunidades oferecidas à população, tornando-se referência na formulação de políticas públicas voltadas para a plena cidadania.

Governadores, prefeitos, parlamentares e lideranças tucanas deixaram marcas em diferentes regiões do Brasil, contribuindo para a modernização da sociedade.

Desde sua origem, o partido uniu lideranças e a população no comprometimento com valores democráticos.

Manteve sempre o respeito às liberdades individuais e a busca permanente do equilíbrio entre crescimento econômico e inclusão social.

Essa combinação permitiu ao PSDB ocupar papel relevante na consolidação da democracia brasileira e na defesa de um projeto nacional baseado na responsabilidade e no diálogo: a busca da conciliação.

O PSDB continua sua história ao celebrar mais um aniversário de fundação, ao reafirmar princípios que nortearam sua criação e continuam atuais nesses desafios contemporâneos.

São quase quatro décadas de história marcadas pela defesa da democracia, pela participação ativa na construção do País.

Filiados, lideranças e cidadãos que acreditam na política como instrumento de transformação. Um partido que acredita na capacidade do Brasil de avançar por meio do diálogo, da liberdade e do respeito às diferenças.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 26 Jun 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Estrutura para proteger]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/estrutura-para-proteger/468662/</link>
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				<description><![CDATA[Nos próximos dias, o governo de Mato Grosso do Sul entregará às forças de segurança pública mais de 500 novos veículos, entre caminhões, automóveis e SUVs.

Como o leitor verá em detalhes nesta edição, as viaturas serão destinadas a corporações como as polícias Civil e Militar, o Departamento de Operações de Fronteira (DOF), o Corpo de Bombeiros Militar e outras instituições responsáveis por proteger a população.

O investimento, superior a R$ 170 milhões e viabilizado com recursos estaduais e federais, merece destaque por um motivo simples: segurança pública não se faz apenas com leis rigorosas ou discursos de ocasião.

Ela depende, sobretudo, de estrutura, planejamento e capacidade operacional. Policiais e bombeiros precisam de condições adequadas para desempenhar suas funções e atender à sociedade com eficiência.

Quem acompanha a realidade da segurança pública há mais tempo certamente se recorda de um cenário bem diferente.

Há cerca de duas décadas, era comum encontrar viaturas sucateadas, com manutenção precária e muitas vezes incapazes de atender adequadamente às demandas do serviço.

A falta de investimentos comprometia a atuação das corporações e impunha dificuldades adicionais a profissionais que já enfrentam desafios diários para garantir a ordem pública.

Felizmente, essa realidade mudou. A renovação periódica das frotas passou a fazer parte da rotina administrativa do Estado, permitindo que policiais e bombeiros trabalhem com veículos em melhores condições.

Pode parecer um detalhe, mas não é. Uma viatura moderna significa mais mobilidade, maior presença nas ruas, resposta mais rápida às ocorrências e melhores condições de trabalho para os agentes.

É claro que equipamentos, por si só, não resolvem todos os problemas. A segurança pública também exige investimento permanente na formação e capacitação dos profissionais. A

s modalidades criminosas evoluem, o crime organizado se adapta e as tecnologias transformam a dinâmica das investigações.

Por isso, é fundamental que os agentes estejam preparados para responder a desafios cada vez mais complexos.

Ainda assim, não se pode ignorar a importância da infraestrutura. Quando o poder público oferece meios adequados para que suas forças de segurança atuem, transmite uma mensagem clara à sociedade e também aos criminosos.

O Estado está presente, vigilante e preparado para cumprir seu papel. E a presença do Estado continua sendo uma das formas mais eficazes de prevenir crimes, proteger cidadãos e fortalecer a sensação de segurança.

A entrega das novas viaturas representa exatamente isso: um investimento necessário para que aqueles que protegem a população tenham condições de fazê-lo da melhor maneira possível.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 26 Jun 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O autismo e o BPC: o julgamento que pode redefinir a proteção social]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-autismo-e-o-bpc-o-julgamento-que-pode-redefinir-a-protecao-social/468609/</link>
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				<description><![CDATA[A Turma Nacional de Uniformização (TNU) enfrentará uma discussão que transcende os limites do Direito Previdenciário e Assistencial. Ao julgar o Tema nº 376, o colegiado decidirá se o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), por si só, é suficiente para caracterizar a condição de pessoa com deficiência para fins de concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC), ou se permanece indispensável a realização da avaliação biopsicossocial prevista na legislação brasileira.

Embora a controvérsia tenha natureza técnica, suas consequências atingem diretamente milhares de famílias que dependem da proteção estatal para assegurar condições mínimas de dignidade.

A origem do debate está em uma aparente tensão normativa. A Lei nº 12.764, de 2012, conhecida como Lei Berenice Piana, foi categórica ao estabelecer que a pessoa com Transtorno do Espectro Autista é considerada pessoa com deficiência para todos os efeitos legais.

A intenção do legislador foi clara: reconhecer formalmente uma condição que historicamente enfrentou invisibilidade, preconceito e dificuldades de inclusão.

Posteriormente, a Lei Brasileira de Inclusão, de 2015, incorporou ao ordenamento jurídico nacional o modelo biopsicossocial de deficiência, inspirado na Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Nesse paradigma, a deficiência não decorre exclusivamente de um diagnóstico médico, mas da interação entre impedimentos de longo prazo e as barreiras existentes no ambiente social.

A questão que chega agora à TNU é saber se o reconhecimento legal expresso do autismo como deficiência afasta a necessidade dessa avaliação complementar ou se ambos os diplomas devem coexistir de forma integrada.

Os defensores da dispensa da avaliação biopsicossocial sustentam que a exigência cria um obstáculo adicional para famílias que já enfrentam uma rotina marcada por desafios médicos, educacionais e financeiros.

O diagnóstico de TEA normalmente resulta de processos complexos, conduzidos por equipes multidisciplinares e amparados por critérios científicos rigorosos.

Exigir uma nova etapa de comprovação poderia significar, na prática, a imposição de barreiras burocráticas incompatíveis com a finalidade protetiva da legislação assistencial.

Há ainda um argumento jurídico relevante. Se a própria lei reconhece expressamente a pessoa autista como pessoa com deficiência para todos os efeitos legais, pareceria contraditório exigir que o cidadão demonstre novamente uma condição já reconhecida pelo ordenamento.

Por outro lado, não se pode ignorar que o autismo se manifesta de forma extremamente heterogênea. O espectro compreende indivíduos com diferentes níveis de suporte, distintas capacidades funcionais e variados graus de autonomia.

Existem pessoas que necessitam de assistência permanente para atividades cotidianas e outras que conseguem desenvolver suas atividades com reduzida necessidade de apoio.

Essa diversidade leva parte da doutrina e da jurisprudência a defender que o diagnóstico médico, embora indispensável, não seria suficiente para avaliar os impactos concretos da condição na vida do indivíduo.

Nessa interpretação, a avaliação biopsicossocial não teria a função de negar a existência da deficiência, mas de identificar como ela se manifesta na realidade social de cada pessoa.

O problema surge quando um instrumento concebido para ampliar direitos passa a funcionar como mecanismo de restrição de acesso.

A avaliação biopsicossocial foi criada para superar uma visão puramente médica da deficiência e promover uma análise mais inclusiva.

Entretanto, quando utilizada de forma excessivamente burocrática ou formalista, pode produzir efeito inverso ao pretendido, retardando ou inviabilizando o acesso à proteção social justamente daqueles que dela mais necessitam.

É nesse ponto que reside o verdadeiro desafio do julgamento.

A TNU não está apenas decidindo uma questão processual ou interpretativa. Está definindo qual será o equilíbrio entre segurança jurídica, individualização da análise e efetividade dos direitos fundamentais das pessoas com autismo.

A tese que vier a ser fixada terá repercussão nacional. Servirá de orientação para milhares de processos em tramitação nos Juizados Especiais Federais e influenciará diretamente a atuação administrativa do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Mais do que isso, sinalizará como o Estado brasileiro compreende o alcance da proteção conferida às pessoas autistas dentro do sistema assistencial.

Em uma sociedade que ainda enfrenta enormes dificuldades para promover inclusão, acessibilidade e igualdade de oportunidades, é fundamental que as interpretações jurídicas estejam alinhadas aos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana, da proteção social e da máxima efetividade dos direitos fundamentais.

O julgamento do Tema nº 376 representa uma oportunidade para reafirmar esses valores. Afinal, o que está em discussão não é apenas um requisito para a concessão do BPC.

O que está em jogo é a capacidade do Estado de oferecer respostas justas, céleres e humanizadas a cidadãos que dependem da proteção pública para exercer plenamente sua cidadania.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 25 Jun 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Recuperar o tempo perdido]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/recuperar-o-tempo-perdido/468608/</link>
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				<description><![CDATA[A retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), em Três Lagoas, representa uma notícia que há muito tempo o Brasil aguardava. Depois de mais de uma década de atrasos, paralisações, incertezas e mudanças de rumo, o empreendimento finalmente volta a sair do papel.

O tema ganha ainda mais relevância nesta semana com a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao município, marcada para hoje, em um gesto que simboliza a importância estratégica do projeto para o País.

Não se trata apenas de mais uma grande obra industrial. A UFN3 é um investimento bilionário da Petrobras com potencial para fortalecer um dos setores mais importantes da economia nacional: o agronegócio.

Em um país que figura entre os maiores produtores de alimentos do mundo, a dependência de fertilizantes importados sempre representou um ponto vulnerável da cadeia produtiva.

A fábrica de Três Lagoas surge justamente como uma oportunidade concreta para reduzir essa fragilidade.

O atraso na conclusão da unidade, entretanto, cobrou um preço elevado. Nos últimos anos, o Brasil assistiu à escalada de tensões geopolíticas que afetaram diretamente o mercado internacional de fertilizantes.

A guerra entre Rússia e Ucrânia expôs, de forma contundente, os riscos de depender excessivamente de fornecedores externos para um insumo essencial à produção agrícola.

O conflito trouxe instabilidade, encareceu produtos e gerou preocupação quanto à segurança do abastecimento em diversos países, incluindo o Brasil.

Caso a UFN3 já estivesse em operação, parte dessa vulnerabilidade poderia ter sido amenizada. O País teria contado com maior capacidade própria de produção justamente em um momento de incerteza global.

Não é exagero afirmar que os anos perdidos na construção da fábrica representaram também oportunidades desperdiçadas para ampliar a autonomia nacional em um setor estratégico.

A expectativa agora é que a nova fase do empreendimento avance sem interrupções. Quando concluída, a unidade deverá ser capaz de atender a uma parcela significativa da demanda brasileira por fertilizantes nitrogenados, chegando perto de metade do consumo nacional desse tipo de produto.

Isso significa menos exposição às oscilações do mercado internacional e mais previsibilidade para produtores rurais, além da geração de empregos, renda e desenvolvimento para Mato Grosso do Sul e para o Brasil.

O desafio, portanto, não é mais discutir a importância da obra, mas garantir sua execução. O País já perdeu tempo demais.

A retomada da UFN3 precisa marcar o início de uma nova etapa, na qual planejamento, eficiência e compromisso permitam recuperar parte dos prejuízos acumulados ao longo dos anos.

Que a fábrica fique pronta o quanto antes. O Brasil, o agronegócio e a própria segurança produtiva nacional não podem mais esperar.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 25 Jun 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Nas ruas, a defesa da dignidade]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/nas-ruas-a-defesa-da-dignidade/468562/</link>
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				<description><![CDATA[O crescimento da população em situação de rua no Brasil expressa a realidade social das cidades contemporâneas.

Levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (UFMG), com base no Cadastro Único, indica que o País ultrapassou 365 mil pessoas nessa condição entre o fim de 2025 e o início de 2026, mantendo uma trajetória de alta nos últimos anos.

Entre 2018 e 2023, o número de registros praticamente dobrou, superando 221 mil pessoas, com presença já identificada em mais de 40% dos municípios brasileiros.

Mais do que números, estamos diante de vidas. E a forma como a sociedade olha para essas vidas diz muito sobre o projeto de cidade que estamos construindo.

Ainda persistem, na sociedade, estigmas e preconceitos em relação à população em situação de rua, frequentemente tratada de forma reducionista, em vez do reconhecimento deste grupo como sujeitos de direitos.

Essa ótica, por vezes naturalizada, acaba influenciando práticas institucionais e respostas públicas que priorizam o afastamento, o controle ou a invisibilização, em detrimento da construção de alternativas efetivas.

Longe de ser resultado de escolhas individuais, a vida nas ruas expressa uma profunda violação de direitos, vinculada à desigualdade estrutural e à precarização das condições de vida. Enfrentar essa realidade exige mais do que gestão urbana, exige compromisso ético com a dignidade humana.

É nesse cenário que a atuação de assistentes sociais se torna fundamental, não somente na garantia de acesso a direitos, mas também na construção de leituras críticas da realidade e de respostas comprometidas com a vida das pessoas.

Orientado pela Política Nacional para a População em Situação de Rua (Decreto nº 7.053/2009), o trabalho profissional parte do reconhecimento desse grupo social como sujeito de direitos, com histórias, demandas e potencialidades que precisam ser compreendidas em sua complexidade.

Na prática, assistentes sociais atuam diretamente nos territórios, em serviços como Centros POP, Creas e equipes de Consultório na Rua. Mais do que encaminhamentos pontuais, sua atuação deve se fundamentar na escuta qualificada, na construção de vínculos e no acompanhamento continuado.

O diálogo é elemento central desse trabalho: é por meio dele que emergem demandas reais (muitas vezes invisibilizadas) relacionadas à documentação, à saúde, à renda, à moradia e à reconstrução de relações familiares e comunitárias.

Atuar com compromisso técnico e ético é reconhecer o outro em sua condição humana, romper com a invisibilidade e construir caminhos possíveis.

Diante de práticas higienistas, remoções forçadas e da criminalização da pobreza, o serviço social se posiciona de forma firme na defesa da dignidade de toda a população.

Enfrentar a realidade das ruas exige mais do que respostas rápidas: exige compromisso com a vida e com transformações concretas. O serviço social trilha esse caminho todos os dias, por meio de trabalho técnico e qualificado, da atuação crítica e da construção de alternativas.

Fica o convite à sociedade: romper com respostas simplificadas e excludentes e assumir um compromisso real com as vidas e a justiça social.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 24 Jun 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Pesquisa, diagnóstico e dignidade: o compromisso do MCTI com a saúde da mulher]]></title>
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				<description><![CDATA[Governar com sensibilidade é transformar o conhecimento científico em dignidade e qualidade de vida para as pessoas. Por muito tempo, as dores e os desafios da saúde menstrual e da endometriose foram tratados sob o manto da invisibilidade, relegados a um silêncio que penaliza milhões de mulheres, trabalhadoras e estudantes brasileiras.

No dia 9 de junho, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em um esforço conjunto com o Instituto Alana, deu um passo histórico para mudar essa realidade.

Anunciamos um investimento expressivo de R$ 60 milhões dedicado integralmente ao desenvolvimento de pesquisas e inovações para agilizar o diagnóstico e dar maior eficácia ao tratamento da endometriose, dor pélvica crônica e saúde menstrual.

Colocamos, assim, a ciência brasileira no centro da solução de um gargalo histórico do nosso Sistema Único de Saúde (SUS).

Este é o maior aporte da história do Ministério voltado para a saúde da mulher e a saúde menstrual. Estamos disponibilizando R$ 50 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), por meio de uma chamada pública nacional, para apoiar pesquisas científicas de ponta e o desenvolvimento de tecnologias e produtos inovadores que mudem a realidade do enfrentamento da endometriose no Brasil.

Essa iniciativa ganha ainda mais força com a parceria estratégica do Instituto Alana, que aportará outros R$ 10 milhões para a criação de uma rede nacional estruturante de pesquisa nessa área.

Juntos, esses investimentos permitirão ampliar o conhecimento científico sobre a origem dessas doenças, fortalecer grupos de pesquisa em todo o País, desenvolver novos métodos de diagnóstico, aperfeiçoar tratamentos, estruturar biorrepositórios e compreender os impactos sociais e econômicos dessas condições.

A endometriose é uma doença que penaliza profundamente quem convive com ela. Além das dores físicas incapacitantes, impacta a saúde mental e a trajetória educacional e profissional das mulheres.

Hoje, elas ainda enfrentam anos de espera para obter um diagnóstico correto, convivendo com estigmas e limitações que a ciência e a inovação brasileiras podem ajudar a enfrentar.

Com essa nova iniciativa, o MCTI reafirma a convicção de que a ciência deve estar a serviço da vida, do cuidado e da promoção da igualdade.

Queremos promover a dignidade menstrual e garantir vida plena para milhões de brasileiras, produzindo soluções alinhadas às demandas do SUS e fortalecendo o complexo econômico-industrial da Saúde.

No governo do presidente Lula, ciência e saúde andam de mão dadas. Desde o início da nossa gestão, já investimos mais de R$ 6 bilhões em projetos na área de saúde, apoiando pesquisa, inovação e produção nacional de medicamentos, vacinas, equipamentos e insumos estratégicos para o SUS e reforçando a política industrial brasileira.

É a ciência brasileira mostrando sua face mais humana, mobilizada para responder às necessidades reais do nosso povo e para construir um país mais justo, inclusivo e soberano. Cuidar das mulheres é também cuidar do futuro e do desenvolvimento do Brasil.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 24 Jun 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[Saúde e a falta de atendimento digno]]></title>
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				<description><![CDATA[Há algo profundamente errado quando um paciente consegue ser esquecido dentro de um hospital. Não se trata apenas de uma falha administrativa, de um problema de gestão ou de uma dificuldade financeira. Trata-se de uma afronta à dignidade humana.

E é exatamente isso que reportagem publicada nesta edição do Correio do Estado revela ao apresentar o conteúdo de um relatório da Defensoria Pública sobre a situação da Santa Casa de Campo Grande.

O documento descreve um cenário que deveria causar indignação em qualquer cidadão. Pacientes aguardam vagas e procedimentos por períodos incompatíveis com a urgência de seus quadros clínicos.

Há relatos de tratamentos inadequados, falhas no acompanhamento médico e situações em que pessoas permanecem à espera de cuidados básicos. O que se vê é um sistema que, em muitos casos, parece incapaz de oferecer aquilo que deveria ser sua missão principal: cuidar.

É preciso dizer com clareza que não estamos falando apenas de números, estatísticas ou relatórios. Estamos falando de pessoas. Homens, mulheres, idosos e crianças que chegam ao hospital em busca de ajuda e encontram uma estrutura que, frequentemente, não consegue responder às suas necessidades.

São cidadãos que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) e que, justamente por isso, tornam-se ainda mais vulneráveis.

A situação se torna mais grave porque o paciente que depende do SUS não tem alternativa. Quem tem recursos financeiros pode recorrer a hospitais particulares, buscar uma segunda opinião ou contratar um plano de saúde.

Já o cidadão pobre, quando entra em uma unidade pública ou conveniada ao SUS, entrega seu destino à capacidade do sistema de funcionar. E, conforme demonstram os relatos reunidos pela Defensoria Pública, essa confiança nem sempre é correspondida.

Existe uma ironia difícil de ignorar. Boa parte dos profissionais que atuam no sistema público de saúde e dos gestores responsáveis por hospitais conveniados ao SUS não utiliza a rede pública quando precisa de atendimento médico, recorre aos planos de saúde e aos hospitais privados.

Não há ilegalidade nisso, mas o fato expõe uma realidade desconfortável: muitos conhecem de perto as limitações do serviço que administram ou ajudam a prestar.

Outro argumento frequentemente utilizado para justificar os problemas da saúde pública é a falta de recursos. No caso de Campo Grande, porém, essa explicação não parece suficiente.

Todos os anos, mais de R$ 1 bilhão são transferidos pela União ao Município para custear ações e serviços do SUS. Trata-se de um volume expressivo de dinheiro público.

O que os fatos indicam é a necessidade urgente de melhorar a gestão dos recursos já disponíveis. Cada paciente esquecido, cada tratamento inadequado e cada demora injustificável representa não apenas sofrimento humano, mas também o fracasso na aplicação eficiente de recursos que pertencem à sociedade.

A saúde pública existe para garantir atendimento digno a todos, independentemente da renda. Quando um hospital deixa de cumprir essa missão, não falha apenas com seus pacientes, falha com toda a sociedade.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 24 Jun 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Crise de realidade e o novo papel da ficção]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/crise-de-realidade-e-o-novo-papel-da-ficcao/468509/</link>
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				<description><![CDATA[Como escritor e artista autodidata, meu método de trabalho parte, principalmente, da observação. Registro na memória falas alheias, maneirismos, sons, fatos e pequenos causos do cotidiano.

Minha matéria-prima é a realidade, aquilo que acontece de fato. Toda a minha ficção fala sobre o real, ainda que atravessado pelo fantástico.

Mas o que acontece quando perdemos nossa capacidade de consenso? Quando já não conseguimos concordar nem sobre o que é a própria realidade?

Entre o avanço das inteligências artificiais (capazes de mimetizar a vida com uma precisão cada vez mais inquietante) e o tsunami de notícias falsas que sequestra a percepção pública, parece que estamos abrindo mão da capacidade coletiva de reconhecer o que é verdadeiro.

A realidade, antes entendida como um pacto social mínimo, fragmentou-se em milhões de feeds personalizados que raramente dialogam entre si. São pacotes de realidade customizada, moldados por algoritmos, interesses e emoções.

Nesse cenário, criar histórias fantásticas deixa de ser apenas um exercício de imaginação ou uma fuga baseada no “e se?” A ficção passa a funcionar também como um espaço de investigação. Um convite para recuperar o espanto, a dúvida e a curiosidade diante do mundo.

Em tempos de excesso de informação e escassez de reflexão, imaginar talvez seja uma das últimas formas de observar com profundidade.

Para mentes bombardeadas por versões conflitantes da verdade, a ficção precisa assumir um novo papel social.

Se já não conseguimos concordar sobre o que acontece no noticiário, se a desconfiança atravessa instituições, discursos e imagens, talvez sejam as histórias que nos ajudam a reconstruir alguma experiência de identificação coletiva.

Afinal, ainda conseguimos reconhecer a injustiça, a perda, o medo e a esperança quando eles aparecem diante de nós em forma de narrativa. Contar histórias, hoje, talvez seja menos sobre escapar da realidade e mais sobre reaprender a enxergá-la.

Num mundo em que cada pessoa parece confinada à própria versão dos fatos, a ficção ainda pode abrir janelas, criar pontes e provocar perguntas difíceis.

A fantasia, quando nasce da observação honesta do mundo, não nos afasta do real. Pelo contrário: ela funciona como um espelho. E nos enxergar talvez seja exatamente o que precisamos nestes tempos.
 

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 23 Jun 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Algumas reflexões sobre direita e esquerda ]]></title>
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				<description><![CDATA[Os vieses ideológicos de direita e de esquerda, com conceitos enraizados na Revolução Francesa de 1789, em si, são salutares.

Um faz contraponto ao outro. São abordagens valorativas diferentes de ver a mesma coisa. São enfoques diversos de como as pessoas enxergam, entendem e sentem o mundo e a sociedade. Nesse diapasão, longe de se repelirem, complementam-se!

O foco final é a sociedade, o ser humano como seu destinatário. O problema está no radicalismo exacerbado ou exagerado desses enfoques, ou seja, na sua intransigência. Neste viés, ambos se julgam donos absolutos da verdade.

O “nós e os outros” ou “nós e eles”, utilizado tanto por um lado como pelo outro, é bem revelador dessa assertiva fora da curva.

O extremismo, seja de que lado for, não acrescenta nada, ao contrário, incentiva a discórdia, acirra os ânimos entre as pessoas, como se estivesse falando de dois mundos diferentes. Um diálogo de dois inimigos!

O radical vê o mundo conforme as suas conveniências.

Prioriza-se a parte que lhe convém, em detrimento do todo. Um olhar vesgo! Aliás, mesmo que se esforce, nem mesmo o princípio da pluralidade explica ou justifica esse olhar torto!

A propósito, é pertinente o recente artigo do cientista e economista da USP Michael França, publicado na Folha de São Paulo, no dia 9/6/2026, p. A17, quando afirma que “esquerda vs. direita virou disputa de cego com cego”.

Segundo esse articulista: “Uma pessoa madura deveria ser capaz de dizer: a esquerda tem algo importante a ensinar sobre proteção social e concentração de riqueza. A direita tem algo importante a lembrar sobre liberdade individual e os limites do Estado. O erro começa quando cada campo transforma suas verdades parciais em dogmas. A maturidade política começa quando aceitamos que ninguém está certo o tempo todo. Nem a esquerda. Nem a direita”.

Sem essa compreensão, o caráter pedagógico do diálogo cai por terra!

O radical se esquece de que o razoável seria buscar, em uma visão atual, pragmática e humanitária, encontrar um ponto de equilíbrio para se ver o mundo e a sociedade e, com isso, conciliar o interesse individual com o interesse social, sem se afastar das premissas filosóficas apregoadas por Hobbes e Rousseau há séculos.

Aliás, a nossa Constituição Federal, em vários dispositivos, busca dar voz ao equilíbrio individual e social, a exemplo da contemplação do direito de propriedade e da sua função social. Igualmente, nas chamadas ações afirmativas, entre outras.

As ditaduras, sejam de direita, sejam de esquerda, são resultantes do embate radical. Elas (ditaduras) não visam ao bem comum, ao interesse da sociedade, do ser humano, e sim à manutenção do status quo por interesses próprios e de grupos dominantes. Um autêntico maquiavelismo!

Portanto, nenhum pecado há em ser de direita ou de esquerda. O pecado capital está na irracionalidade do radicalismo. O caminho racional, menos tortuoso e espinhoso, é, sem dúvida, a maturidade política do ser humano!

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 23 Jun 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[Cooperação que enfraquece o crime]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/cooperacao-que-enfraquece-o-crime/468507/</link>
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				<description><![CDATA[O combate ao crime organizado exige muito mais do que operações isoladas, ações pontuais ou esforços individuais de uma única instituição.

As organizações criminosas que atuam no tráfico internacional de drogas têm estrutura sofisticada, movimentam cifras bilionárias e operam além das fronteiras nacionais.

Por isso, quando as forças de segurança conseguem atuar de forma coordenada, compartilhando informações e inteligência, os resultados costumam ser expressivos.

Nesta edição, mostramos um exemplo claro de como a cooperação entre diferentes órgãos pode produzir efeitos concretos no enfrentamento ao narcotráfico.

A atuação conjunta da Polícia Rodoviária Federal, da Receita Federal, de autoridades norte-americanas especializadas no combate ao tráfico internacional e de órgãos bolivianos de segurança resultou em uma apreensão que pode entrar para a história do Brasil.

As estimativas iniciais apontam para um volume que pode chegar a 50 toneladas de cocaína escondidas em carregamentos de madeira transportados da Bolívia para território brasileiro.

Não se trata de um número qualquer. Caso as projeções sejam confirmadas, estaremos diante de uma das maiores apreensões já registradas no País e de uma das mais relevantes do mundo.

O impacto de uma operação dessa magnitude vai muito além da retirada da droga de circulação.

Ela representa um golpe direto na capacidade operacional e financeira das organizações criminosas responsáveis pelo carregamento.

É importante compreender que o tráfico de drogas é, antes de tudo, uma atividade econômica ilícita. Os grupos criminosos movimentam recursos vultosos porque conseguem transformar a droga em dinheiro.

Quando uma carga desse porte é interceptada, não ocorre apenas a perda do produto, há prejuízos logísticos, financeiros e estratégicos que afetam toda a cadeia criminosa envolvida.

São milhões, possivelmente bilhões de reais, que deixam de alimentar estruturas criminosas.

Por isso, operações dessa natureza merecem reconhecimento. Não apenas pelo resultado imediato, mas pelo método empregado.

O compartilhamento de informações entre países e instituições demonstra que a integração continua sendo uma das ferramentas mais eficientes para enfrentar redes criminosas que não respeitam fronteiras.

Enquanto os traficantes atuam de forma globalizada, as forças de segurança também precisam agir dessa maneira.

Naturalmente, a apreensão da droga é apenas uma etapa do trabalho. A investigação precisa avançar para identificar financiadores, proprietários da carga, operadores logísticos e demais integrantes da organização criminosa.

A prisão dos responsáveis continua sendo fundamental para interromper a atividade delituosa e evitar a formação de novas redes de tráfico.

Entretanto, tão importante quanto prender é atingir o patrimônio dessas organizações. O crime organizado prospera porque gera lucro.

Quando o Estado consegue retirar recursos, apreender mercadorias e causar prejuízos milionários aos criminosos, enfraquece a principal motivação de sua existência. É uma estratégia que produz efeitos duradouros e reduz o poder dessas facções.

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]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 23 Jun 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Transporte público após o Marco Legal: maturidade institucional como nova fronteira do financiamento]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/transporte-publico-apos-o-marco-legal-maturidade-institucional-como/468461/</link>
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				<description><![CDATA[A sanção do Marco Legal do Transporte Público Coletivo Urbano não entregou toda a solução pública esperada, mas representou um avanço importante para a mobilidade brasileira.

A nova legislação fortalecerá diretrizes de planejamento, transparência, uso de dados, qualidade dos serviços, remuneração por desempenho e separação mais clara entre a tarifa paga pelo usuário e a remuneração do operador.

A lei criou um ambiente mais organizado, mais transparente e mais favorável à estruturação de novos modelos.

Os vetos presidenciais frustraram parte relevante da expectativa do setor. A ausência de instrumentos mais robustos de financiamento público é uma preocupação legítima.

O setor enfrenta problemas de demanda, pressão de custos, necessidade de renovação de frota, transição energética, melhoria da qualidade dos serviços e crescente dependência de subsídios públicos.

A resposta não pode ser apenas lamentar que a solução pública automática não tenha vindo na extensão esperada, pois o Marco está definido. A partir de agora, a pergunta mais relevante não é apenas quem financiará o transporte público. A pergunta passa a ser quem está preparado para ser financiado.

Por consequência, o debate precisa evoluir da falta de dinheiro para a construção de financiabilidade, que é um conceito além da necessidade de recursos. De fato, é a capacidade de transformar contratos em ativos mais atrativos para bancos, fundos, organismos de fomento e investidores.

Nesse ponto, o Marco Legal cria uma oportunidade. Mesmo com vetos, a lei melhora a organização regulatória do setor, reforça a transparência e oferece uma base mais clara para a estruturação de projetos.

Isso não resolve automaticamente o financiamento, mas aumenta a segurança jurídica. E segurança jurídica é matéria-prima essencial para atrair capital.

O subsídio público continuará sendo necessário, mas o problema não está no subsídio em si e sim no subsídio sem método.

Quando o poder público aporta recursos com base em planilhas declaratórias, custos não segregados, notas fiscais sem vinculação clara ao contrato, ausência de matriz de risco e inexistência de verificação independente, o subsídio deixa de ser apenas política pública e passa a representar risco jurídico, fiscal, regulatório e político.

O gestor público não pode apenas pagar. Precisa demonstrar porque paga, quanto paga, a quem paga, com base em qual obrigação contratual e em benefício de qual resultado público.

Também será indispensável separar a mobilidade presente da conta passada. Custo corrente de operação é uma coisa: frota, mão de obra, combustível, energia, manutenção, tecnologia, seguros e demais despesas necessárias à prestação regular do serviço.

Outra coisa é: passivos trabalhistas, fiscais, bancários ou comerciais acumulados ao longo do tempo, que afetam a saúde financeira do operador, mas não podem ser automaticamente absorvidos pelo subsídio corrente como se fossem custo ordinário do serviço atual.

Conta passada deve ser tratada por instrumentos próprios: revisão contratual, reequilíbrio econômico-financeiro, renegociação de passivos, medidas administrativas ou judiciais adequadas e, quando necessário, reorganização empresarial.

A nova etapa exigirá maturidade institucional de todos os agentes.

Das empresas, exigirá contabilidade segregada, transparência de custos, dados confiáveis, governança empresarial e capacidade de demonstrar eficiência.

Dos municípios, exigirá matriz de risco clara, metodologia de cálculo de subsídios, controle de gratuidades, análise de receitas acessórias, separação entre tarifa pública e remuneração do operador e base técnica para justificar cada aporte.

Dos órgãos de controle, exigirá compreensão de que o transporte público precisa de financiamento, mas que financiamento depende de evidência, rastreabilidade e governança.

A agenda pós-Marco Legal não deve ser de simples lamentação pelos vetos. Deve ser de construção de maturidade.

Municípios e operadores precisam revisar contratos, identificar riscos, separar custos correntes de passivos pretéritos, auditar bases de cálculo, estruturar dados, organizar receitas, qualificar subsídios e preparar projetos financiáveis.

Para o Ibeta, o financiamento continua sendo o grande desafio do transporte público brasileiro. Mas a resposta deve ir além da reivindicação de mais recursos públicos.

A nova realidade exige maturidade de financiamento: governança do contrato de concessão, incluindo dado auditado, custo verificado, risco corretamente alocado, subsídio justificado, decisão administrativa protegida e projeto preparado para dialogar com financiadores.

Agora, a diferença estará entre quem apenas lamenta a ausência de uma fonte automática de custeio e quem demonstra maturidade para acessar fontes qualificadas de financiamento.

O futuro do transporte público não dependerá apenas de mais dinheiro. Dependerá da capacidade de provar que cada real aplicado financia mobilidade urbana, qualidade do serviço e interesse público.

Essa é a nova fronteira: transformar contratos em ativos financiáveis, dados em evidências, subsídios em política pública rastreável e segurança jurídica em capital disponível.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 22 Jun 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O consignado e a ostentação ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-consignado-e-a-ostentacao/468459/</link>
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				<description><![CDATA[O escândalo envolvendo o Banco Master não pode ser analisado apenas sob a ótica criminal, financeira ou regulatória. A eventual responsabilização de executivos, banqueiros, agentes públicos e demais envolvidos cabe às autoridades competentes.

O Banco Central, a Polícia Federal e a Justiça terão a missão de apurar responsabilidades e de aplicar as sanções cabíveis. Mas existe uma discussão mais ampla e talvez mais importante: o modelo de negócio que permitiu que tudo isso prosperasse.

Não basta falar sobre as investigações sem olhar para a engrenagem que movimentava parte desse sistema. Em especial, merece a atenção a estratégia de oferecer crédito consignado por meio de cartões de crédito, um produto que, na prática, muitas vezes se apresentava ao consumidor como um empréstimo convencional.

Para milhares de servidores públicos, aposentados e pensionistas, a percepção era simples: estavam contratando um consignado com parcelas definidas e prazo determinado para terminar.

A realidade, porém, era outra. O desconto em folha frequentemente quitava apenas o valor mínimo da fatura do cartão. O restante da dívida permanecia ativo, submetido aos juros do crédito rotativo.

O resultado era previsível: um compromisso financeiro que parecia administrável se transformava em uma obrigação com longo prazo, difícil de compreender e ainda mais difícil de liquidar. É justamente nesse ponto em que a discussão deixa de ser apenas jurídica e passa a ser ética.

A legalidade de determinados contratos pode ser objeto de disputa nos tribunais. Mas é legítimo questionar se um produto dessa natureza deveria ser oferecido a públicos frequentemente vulneráveis, com pouca familiaridade com conceitos financeiros complexos e confiantes na segurança que a palavra “consignado” tradicionalmente transmite.

Ao mesmo tempo em que essa máquina de crédito produzia receitas bilionárias, vieram à tona relatos de uma rotina marcada pelo luxo e pela ostentação. Viagens internacionais, festas extravagantes e gastos milionários passaram a ocupar espaço no noticiário envolvendo Daniel Vorcaro.

Ainda que cada despesa possa ter uma justificativa formal, o contraste é inevitável. De um lado, consumidores presos a dívidas que pareciam não diminuir. Do outro, ele e seus apaniguados da política desfrutando dos benefícios produzidos por esse sistema.

A imagem remete a uma reflexão antiga sobre os excessos do poder e do dinheiro. Quando o lucro se transforma no único parâmetro relevante, o risco é perder de vista os efeitos humanos das decisões econômicas.

O crédito deixa de ser um instrumento de inclusão financeira para se tornar apenas uma ferramenta de extração de renda.

Esse talvez seja um dos principais defeitos da financeirização desregulada da economia. Tudo passa a ser transformado em ativo, contrato, operação ou produto financeiro.

O resultado, muitas vezes, se aproxima perigosamente da lógica da agiotagem: ganhos elevados para poucos e riscos concentrados sobre quem tem menos informação e menor capacidade de defesa.

O caso do Banco Master deve servir como alerta. Mais do que investigar pessoas, é necessário revisar práticas. Mais do que punir responsáveis, é preciso impedir que modelos semelhantes continuem prosperando.
]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 22 Jun 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Qual o limite ético da inteligência artificial?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/qual-o-limite-etico-da-inteligencia-artificial/468386/</link>
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				<description><![CDATA[Paulo Alexandre N. de Andrade Autor do livro de ficção científica “Cinzas do Futuro”, médico, pediatra e neonatologista

A inteligência artificial deixou de ser uma promessa futurista para se tornar uma das forças mais transformadoras do século 21.

Em poucos anos, sistemas capazes de diagnosticar doenças, dirigir veículos, produzir textos, analisar mercados e auxiliar decisões complexas passaram a integrar o cotidiano.

O fascínio é compreensível, afinal, a humanidade jamais dispôs de ferramentas tão poderosas, mas, à medida que as máquinas se tornam mais capazes, cresce uma pergunta que não pode ser ignorada: existe um limite ético para a inteligência artificial?

A resposta mais prudente parece ser sim: a inteligência artificial, por mais impressionante que seja, não produz ética automaticamente.

Uma máquina pode processar bilhões de dados em segundos, identificar padrões invisíveis ao olhar humano e oferecer soluções extraordinárias.

No entanto, ela não conhece a experiência da dor, o peso da culpa, a sensação da perda ou o valor de um gesto de compaixão. Pode calcular consequências, mas não sente o impacto humano delas.

E essa diferença talvez seja mais importante do que parece. 

O maior risco não está necessariamente nas máquinas, mas nos objetivos que lhes são atribuídos. Toda tecnologia carrega, de forma explícita ou silenciosa, os valores de quem a desenvolve e controla.

Um sistema programado apenas para maximizar lucros pode ignorar pessoas; uma ferramenta criada para ampliar a segurança pode se transformar em instrumento de vigilância permanente; uma inteligência artificial encarregada de atingir metas sem restrições morais pode produzir resultados eficientes e, ao mesmo tempo, profundamente injustos.

A história oferece inúmeros alertas. O progresso científico ampliou o poder humano de maneira extraordinária, mas nem sempre foi acompanhado pela mesma evolução ética.

A capacidade de fazer algo nunca significou, automaticamente, que aquilo deveria ser feito. Com a inteligência artificial, essa velha lição retorna com força renovada.

Pela primeira vez, a humanidade cria sistemas capazes de influenciar decisões em escala global, afetando economias, governos e milhões de vidas simultaneamente. 

Por isso, torna-se indispensável estabelecer princípios de transparência, responsabilidade e controle.

Não é razoável aceitar que decisões capazes de moldar destinos humanos sejam tomadas por algoritmos incompreensíveis ou protegidos do escrutínio público.

No fim, o debate não trata apenas de tecnologia. Trata da própria condição humana. A pergunta decisiva não é o que as máquinas serão capazes de fazer, mas o que nós permitiremos que elas façam.

O verdadeiro limite ético da inteligência artificial não está na potência dos algoritmos, mas na sabedoria de seus criadores.

O futuro será definido menos pela inteligência das máquinas do que pela capacidade humana de preservar valores como dignidade, liberdade, justiça e compaixão.

Porque uma civilização pode sobreviver à falta de tecnologia. Ao que ela dificilmente sobrevive é à ausência de consciência ética.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 20 Jun 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A Copa do Mundo e a cultura]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-copa-do-mundo-e-a-cultura/468385/</link>
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				<description><![CDATA[Com toda certeza, a Copa do Mundo de futebol é um evento que envolve não apenas a paixão das multidões pelo esporte, mas também milhões de torcedores e turistas de todo o planeta. Temos que reconhecer que, a partir do ano de 1958, quando a seleção brasileira venceu pela primeira vez o torneio mais importante do futebol mundial, esse esporte passou a ter a importância que hoje ostenta, com a movimentação de bilhões de dólares para sua organização.

Quando citamos a cultura em um torneio de futebol tão importante, queremos demonstrar que não apenas nossos estudantes, mas também a população em geral, acabam enriquecendo seus conhecimentos em diversas áreas do desenvolvimento humano.

No setor demográfico, por exemplo, uma música que caiu no gosto da torcida brasileira no ano de 1970, enaltecendo nossa seleção, registrava em sua estrofe inicial: “90 milhões em ação, pra frente Brasil...”. Hoje, no ano de 2026, contamos com mais de 200 milhões de habitantes.
Percebe-se, por meio dessa música, o tamanho do crescimento populacional do País.

Trata-se de um dado desconhecido por muitos brasileiros e que enriquece o conhecimento de nossos estudantes no campo da estatística.

O Brasil detém hoje o título de pentacampeão mundial de futebol, e tal fato aguça a inspiração de nossos compositores musicais na criação de hinos e sambas, movimentando a indústria fonográfica no campo da economia e proporcionando o surgimento de novos talentos para a música popular brasileira.

Desconheço o autor da alcunha “Seleção Canarinho do Brasil”, mas ela caiu como uma luva para nossos craques da época, considerados verdadeiros artistas do futebol e que, a partir de então, levaram essa imagem aos cinco continentes do planeta com o toque de magia de Pelé, Nilton Santos e Didi.

Eles acabaram difundindo a prática desse esporte entre as nações mais pobres do mundo, que, ano após ano, têm revelado cada vez mais jovens atletas.

O Brasil ainda é um celeiro de craques, muitos deles exportados para os países do Primeiro Mundo.

Mas é no campo político que o futebol encontra um terreno fértil. Hoje temos ex-campeões mundiais ocupando diversos cargos eletivos pelo País, inclusive no Senado da República, além de ministros de Estado que já tiveram a oportunidade de ocupar importantes posições no centro do poder.

Desde os pequenos municípios brasileiros, candidatos a prefeito e vereador investem nas agremiações futebolísticas de suas cidades.

E, hoje, vislumbrando uma carreira que possibilite fama e fortuna, muitos pais levam seus filhos para aprender a arte do futebol

Existe, atualmente, uma imensa expectativa entre nós, brasileiros, de que possamos alcançar o título de hexacampeão mundial.

Para tanto, confiamos no esquema adotado pelo competente técnico, no desempenho de seus pupilos e, de nossa parte, nunca ficou de lado o slogan: “Temos que acreditar com muita fé que Deus é brasileiro”. Amém, amém. Vamos nos preparar psicologicamente para comemorar a vitória!

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 20 Jun 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[Repensar o Hospital Municipal]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/repensar-o-hospital-municipal/468383/</link>
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				<description><![CDATA[A construção de um hospital municipal em Campo Grande é uma necessidade há muito debatida e que dificilmente encontra oposição.

Em uma cidade que concentra atendimentos de alta complexidade e recebe pacientes de praticamente todas as regiões de Mato Grosso do Sul, ampliar a estrutura de saúde pública é uma demanda permanente.

O problema não está no objetivo, mas no caminho escolhido para alcançá-lo.

Nesta edição, mostramos que a licitação lançada pela Prefeitura de Campo Grande para viabilizar o Hospital Municipal ficou deserta pela segunda vez.

Nenhuma empresa apresentou proposta. O fato, por si só, merece uma reflexão mais profunda. Quando o setor privado não demonstra interesse em participar de um projeto dessa magnitude, é preciso compreender as razões.

O Município apostou no modelo BTS, sigla para built to suit. Nesse formato, a iniciativa privada constrói a estrutura e depois recebe pagamentos por meio de um contrato de aluguel de longo prazo.

Em teoria, trata-se de uma alternativa capaz de acelerar investimentos sem exigir que o poder público desembolse imediatamente os recursos necessários para a obra.

Mas a realidade mostrou que algo não está funcionando. Se duas tentativas consecutivas terminaram sem interessados, é sinal de que o mercado não enxerga, nas condições atuais, uma oportunidade suficientemente atrativa para assumir os riscos do empreendimento.

Diante desse cenário, insistir no mesmo modelo sem promover ajustes pode significar apenas mais atraso. O momento exige que a administração municipal reavalie a estratégia adotada e examine outras possibilidades.

Uma delas é seguir um caminho semelhante ao utilizado pelo governo do Estado em empreendimentos hospitalares.

Em vez de limitar a parceria à construção do prédio, seria possível estruturar uma parceria público-privada mais ampla, envolvendo também a gestão de atividades-meio e a operação de serviços de apoio.

Esse formato pode aumentar o interesse dos investidores e melhorar a sustentabilidade econômica do projeto.

Outra alternativa é buscar recursos federais, emendas parlamentares e linhas de financiamento específicas para executar diretamente a obra.

Embora seja improvável que o Município disponha de recursos próprios suficientes para construir sozinho um hospital desse porte, existem mecanismos institucionais que podem ajudar a viabilizar o empreendimento.

O que não pode acontecer é a paralisação da ideia. Campo Grande continua precisando ampliar sua rede pública de saúde.

A população não está preocupada com a modalidade contratual adotada, o cidadão quer mais leitos, atendimento mais rápido e serviços de qualidade.

A segunda licitação sem interessados deve ser encarada como um alerta, e não como um ponto final. Quando uma estratégia não produz os resultados esperados, cabe ao gestor público ter a humildade de revê-la.

O importante não é defender um modelo específico, mas encontrar a solução mais eficiente para entregar à população uma estrutura que há anos é considerada necessária.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 20 Jun 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Velhices no plural: combater o etarismo começa pelo olhar ]]></title>
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				<description><![CDATA[Quais são os lugares dos velhos na nossa sociedade? Sim, lugares, pois não há uma única forma de se viver a velhice, mas diversas: são velhices.

Os velhos, os indivíduos que estão na fase da velhice, têm uma história vivenciada, de suas experiências, de suas relações.

Têm também um futuro, no qual podem constituir projetos e viver a velhice com uma potência criativa. Ser quem se é, a partir do que se constituiu ao longo da vida, e poder se recriar mantendo a sua autenticidade.

Vou perguntar de outro jeito, mais pessoal: O que é a velhice para você? Qual é o seu olhar destinado aos velhos? As suas respostas foram positivas? Ou foram estereotipadas e generalizadas, a partir de concepções negativas? Lá no fundinho, você encontra em si uma série de preconceitos que se manifestam nas piadas, olhares de pena ou de intolerância, uma falta de paciência, uma grosseria, uma violência? A isso chamamos etarismo: estereótipos, preconceitos e discriminação em relação à idade, segundo o Relatório Mundial sobre o Idadismo (2022) e o Relatório da Comissão da Organização Mundial da Saúde sobre Conexão Social (2025).

O que parecem ser somente ideias inofensivas, bobagens, produzem efeitos reais deletérios para os velhos: adoecimento, isolamento, sentimentos de exclusão e de solidão (OPAS, 2022; OMS, 2025). As ideias se propagam em ações discriminatórias às quais os velhos se identificam.

E então, por onde ir? Como mudar essa situação? Temos algumas alternativas. Diante o desrespeito, a mudança pelo reconhecimento, nas relações pessoais mais próximas, da família, dos amigos e dos amores; na inclusão de pertencimento comunitário e social, pois a ideia de que os velhos querem descansar é errônea, não se confirma na vida real.

E, por fim, o espaço de reconhecimento pelo acolhimento, pela escuta, pelo diálogo e pelas trocas de experiências entre todas as gerações.

Enfrentar o etarismo exige, antes de tudo, torná-lo visível. É um fenômeno que se sustenta em práticas cotidianas e, por isso mesmo, precisa ser reconhecido, nomeado e compreendido para que possa ser efetivamente combatido.

O caminho passa pela educação, pelo desenvolvimento da empatia e pela construção de relações que favoreçam a convivência entre as gerações e a troca de experiências.

Não se trata apenas de uma mudança individual, mas de um compromisso coletivo com uma sociedade que reconheça a velhice em sua diversidade, potência e dignidade. 

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O perigo do esquecimento histórico para a democracia]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-perigo-do-esquecimento-historico-para-a-democracia/468335/</link>
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				<description><![CDATA[Hoje, podemos acessar as histórias e lutas de muitos de nossos ancestrais europeus, africanos e indígenas graças à tradição oral que tinham, de repassar suas lendas, crenças, culturas, leis e memórias de geração em geração, e, com o surgimento da escrita, algumas foram registradas posteriormente em livros.

Somadas às tradições orais, a paleontologia e a arqueologia contribuem também para a formação da identidade dos povos, com suas diferenças e características próprias, definindo de fato quem são: a sua personalidade, às quais tribos pertencem, quais lutas empreenderam, quais erros cometeram e que levaram a tragédias, principalmente contra a própria liberdade, a vida e a autorrealização.

Na ponta encontram-se os museus. Dados da Unesco mostram que hoje existem cerca de 104 mil museus em todo o mundo. Em 1975, eram apenas 22 mil.

Esse crescimento tem demonstrado a importância de se lutar contra o esquecimento e preservar a memória não só com acervos artísticos, documentos e coleções científicas, mas também com peças de passados obscuros.

É o caso do museu de Auschwitz-Birkenau (Polônia), instalado no local onde existiu o maior campo de extermínio nazista, hoje transformado em memorial para que ninguém se esqueça das atrocidades ali cometidas em nome do totalitarismo, recebendo atualmente mais de 2 milhões de visitantes por ano.

Sobre o totalitarismo, a filósofa e escritora Hannah Arendt (1906–1975), nascida alemã, mas de origem judaica, escreveu em seu livro “As origens do totalitarismo”: “O ideal do governo totalitário é transformar os homens em algo de tal modo desumanizado que eles se tornam incapazes de distinguir entre fato e ficção, entre verdade e mentira”. 

No Brasil, temos o Memorial da Resistência de São Paulo, localizado no mesmo edifício onde funcionou o Departamento de Ordem Política e Social (Deops), fundado em 1924 e extinto aos poucos ao longo da década de 1980. Em 2015 foi criado o Memorial da Democracia, um museu virtual que registra casos de repressão política no Brasil e que trata o golpe militar de 1964 como “a maior tragédia histórica da política brasileira com mais de 400 brasileiros mortos pelos órgãos de repressão e outros milhares torturados, com direitos de expressão e de manifestação suprimidos”.

Enfim, deixo aqui a reflexão de um filósofo da atualidade, o Elias Dourado, mestre em Filosofia e doutor em Comunicação Social pela Universidade de Brasília (UnB): “O esquecimento é perigoso porque ele não apaga apenas fatos antigos. Ele reorganiza o presente. Quando uma sociedade esquece suas violências, ela perde a capacidade de reconhecer os sinais de sua repetição. O passado não volta exatamente igual, mas retorna por máscaras novas: discursos autoritários, naturalização da desigualdade, desprezo pelos direitos humanos, perseguição de minorias, violência política, racismo, revisionismos e ataques às instituições democráticas. Por isso, preservar a memória histórica não é culto ao passado. É uma forma de proteger o futuro”.

Eis, portanto, porque o esquecimento histórico é muito perigoso para a democracia. 
]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[É preciso maturidade acima da disputa]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/e-preciso-maturidade-acima-da-disputa/468334/</link>
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				<description><![CDATA[A poucos meses das eleições, Mato Grosso do Sul volta a conviver com conflitos fundiários envolvendo indígenas e proprietários rurais. Nesta edição, o leitor acompanha novos episódios de ocupações de fazendas em Sidrolândia e Amambai, municípios que há décadas convivem com disputas relacionadas à posse da terra e à demarcação de territórios indígenas.

O retorno dessas tensões justamente em período eleitoral é motivo de preocupação. Não apenas pelos riscos de confrontos, insegurança e prejuízos materiais, mas também porque conflitos dessa natureza costumam ser absorvidos pelo debate político de forma simplificada, emocional e muitas vezes irresponsável.

É lamentável que ações como essas ocorram em um momento em que a sociedade deveria estar concentrada na discussão de propostas para o futuro do Estado e do País. Em vez disso, temas complexos acabam transformados em instrumentos de mobilização eleitoral.

De um lado, ocupações de propriedades rurais alimentam discursos de intolerância e radicalização frequentemente explorados por setores políticos que rejeitam qualquer discussão sobre a necessidade de ampliar ou regularizar áreas destinadas às comunidades indígenas.

De outro, também não se pode ignorar que ações dessa natureza acabam ampliando a pressão política em um período de grande visibilidade pública, gerando repercussão muito além dos limites do conflito.

O problema é que, quando isso acontece, o debate perde qualidade. Questões que exigem análise jurídica, histórica, antropológica e social passam a ser tratadas sob a lógica da disputa eleitoral.

O espaço para a razão diminui. Crescem os discursos inflamados, as narrativas simplificadas e as posições extremadas.

Quem mais perde com esse cenário é justamente a sociedade. O cidadão comum, que não participa diretamente do conflito, acaba sendo arrastado para uma polarização que pouco contribui para a construção de soluções.

Em vez de compreender a complexidade do problema, passa a receber mensagens destinadas a provocar indignação ou reforçar posicionamentos políticos já estabelecidos.

Também é preciso reconhecer que a solução dessas disputas não será encontrada em ocupações, confrontos ou discursos de campanha.

A questão fundiária envolvendo comunidades indígenas é antiga e depende da atuação coordenada dos governos, do Poder Judiciário, dos proprietários rurais e das próprias comunidades.

Demarcações de terras, indenizações, reassentamentos e regularizações fundiárias exigem tempo, segurança jurídica e diálogo permanente.

São processos complexos que não avançam pela força da pressão política momentânea nem pela exploração eleitoral dos conflitos.

Mato Grosso do Sul já acumulou experiências suficientes para compreender que a radicalização não produz vencedores duradouros. Ao contrário, aprofunda divisões e dificulta entendimentos futuros.

O que se espera é responsabilidade. Os conflitos precisam ser tratados com serenidade pelas autoridades e com maturidade pelos diversos atores envolvidos. 
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A geração Z é menos inteligente ou apenas desafia conceitos ultrapassados?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-geracao-z-e-menos-inteligente-ou-apenas-desafia-conceitos/468285/</link>
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				<description><![CDATA[Pela primeira vez em mais de um século de medições, estudos internacionais apontam uma desaceleração nos índices médios de QI entre os mais jovens.

O fenômeno, observado em levantamentos realizados na Europa, nos Estados Unidos e em outras economias desenvolvidas, levou parte da imprensa a uma conclusão apressada: a geração Z estaria se tornando menos inteligente do que as gerações anteriores.

A interpretação, porém, ignora uma transformação profunda que vem ocorrendo na forma como a inteligência é compreendida pela ciência, pela educação e pelo mercado de trabalho.

Durante mais de 120 anos, a principal ferramenta utilizada para medir inteligência foi o teste de quociente de inteligência, o famoso QI.

Criado em 1905 pelo psicólogo francês Alfred Binet, o instrumento foi desenvolvido para avaliar habilidades relacionadas principalmente ao raciocínio lógico-matemático e à linguagem.

Ao longo do século 20, tornou-se a principal referência para medir capacidades cognitivas e influenciou sistemas educacionais, processos seletivos e até políticas públicas em diversos países.

O problema é que o teste nunca pretendeu medir toda a complexidade da inteligência humana.

Ele avalia apenas determinadas competências cognitivas e não contempla inúmeras habilidades que influenciam o desempenho acadêmico, profissional e social dos indivíduos.

Essa limitação começou a ser questionada de forma mais contundente em 1983, quando o psicólogo Howard Gardner, da Universidade Harvard, publicou a obra “Frames of Mind”. Resultado de anos de pesquisa, a teoria das inteligências múltiplas propôs uma ruptura com o modelo tradicional ao defender que os seres humanos têm, pelo menos, oito formas distintas de inteligência: linguística, lógico-matemática, espacial, musical, corporal-cinestésica, naturalista, interpessoal e intrapessoal.

A tese foi posteriormente reforçada pelos avanços da neurociência. Se no início do século 20 predominava a crença de que a inteligência era praticamente imutável, hoje a ciência reconhece a capacidade de adaptação do cérebro humano por meio da neuroplasticidade, permitindo o desenvolvimento de habilidades ao longo de toda a vida.

Nesse contexto, surgiram ferramentas capazes de avaliar competências além daquelas tradicionalmente mensuradas pelos testes de QI. Uma das mais conhecidas é o Multiple Intelligences Developmental Assessment Scales (Midas), desenvolvido pelo pesquisador norte-americano Branton Shearer, da Universidade de Ohio e colaborador dos estudos de Gardner.

O instrumento avalia oito inteligências e 25 habilidades associadas, oferecendo um retrato mais amplo das potencialidades individuais.

No Brasil, a metodologia foi adaptada pelo professor Roberto Corazza sob o nome Avaliação das Múltiplas Inteligências (AMI).

Após quase uma década de estudos, validações e aplicações em instituições educacionais, a ferramenta passou a ser utilizada para auxiliar escolas na identificação de talentos e competências frequentemente invisíveis aos modelos tradicionais de avaliação.

Os resultados desse novo olhar sobre a inteligência encontram respaldo também no mercado de trabalho.

Uma pesquisa realizada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), em parceria com a consultoria McKinsey, identificou que aproximadamente 70% das maiores empresas globais já incorporaram critérios relacionados a habilidades socioemocionais nos seus processos de contratação e promoção profissional.

Empresas como Itaú, Nubank, Google, Amazon, Microsoft, Meta, Santander e Coca-Cola figuram entre as organizações que passaram a valorizar competências como comunicação, colaboração, adaptabilidade, criatividade, liderança e inteligência emocional em níveis equivalentes ou superiores aos conhecimentos técnicos específicos.

O levantamento aponta ainda que profissionais capazes de trabalhar em equipe, resolver problemas complexos, comunicar ideias com clareza e lidar com mudanças constantes apresentam desempenho superior em ambientes organizacionais cada vez mais impactados pela automação e pela inteligência artificial.

Os números ajudam a compreender uma aparente contradição. Se os jovens da geração Z apresentam desempenho inferior em alguns indicadores tradicionais de QI, como explicar o crescente número de empreendedores, criadores de conteúdo, desenvolvedores de tecnologia e fundadores de startups que alcançam sucesso antes dos 30 anos?

A resposta pode estar justamente nas competências que os testes convencionais não conseguem medir adequadamente.

Trata-se de uma geração que cresceu conectada. Antes mesmo de concluir o ensino médio, muitos jovens já haviam interagido com pessoas de diferentes países, aprendido a produzir conteúdo para audiências globais, administrado comunidades digitais e desenvolvido repertórios de comunicação em ambientes altamente competitivos.

Essas experiências contribuem para o fortalecimento de inteligências interpessoais, intrapessoais e espaciais, áreas cada vez mais valorizadas por organizações que precisam inovar em ritmo acelerado.

Ao mesmo tempo, a expansão da inteligência artificial altera profundamente o valor relativo das competências humanas. Conhecimentos técnicos podem ser pesquisados em segundos.

Cálculos complexos são realizados instantaneamente por sistemas automatizados. Informações estão disponíveis em abundância.

O diferencial competitivo passa a residir em capacidades que as máquinas ainda não reproduzem plenamente: empatia, criatividade, liderança, julgamento ético, negociação, visão estratégica e compreensão das relações humanas.

Diante desse cenário, talvez a pergunta correta não seja se a geração Z é mais ou menos inteligente do que as gerações anteriores.

A questão central é se continuamos utilizando instrumentos concebidos para uma realidade de 1905 para avaliar jovens que vivem em um mundo radicalmente diferente.

A educação enfrenta um desafio semelhante. Persistir exclusivamente em métricas construídas para medir desempenho acadêmico tradicional pode significar ignorar talentos essenciais para a economia do século 21.

O mercado já percebeu essa mudança. Grandes empresas já adaptaram seus processos. Muitas escolas começam a fazer o mesmo.

O verdadeiro debate não está na suposta perda de inteligência da nova geração. Está na necessidade de reconhecer que a inteligência humana é muito mais ampla, diversa e dinâmica do que qualquer número isolado pode representar.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 18 Jun 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Quando investigar também é fazer justiça]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/quando-investigar-tambem-e-fazer-justica/468284/</link>
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				<description><![CDATA[A decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que anulou um acórdão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) relacionado a uma disputa por uma fazenda no Pantanal representa o primeiro grande revés judicial em um caso associado à Operação Ultima Ratio, da Polícia Federal. Mais do que uma mudança de entendimento em um processo específico, a medida abre caminho para a revisão de outras decisões que passaram a ser questionadas após as investigações sobre um suposto esquema de corrupção envolvendo integrantes do Judiciário sul-mato-grossense.

O caso envolve uma disputa milionária pela posse de uma propriedade rural pantaneira. A decisão anulada pelo STJ havia validado uma negociação posteriormente apontada como fraudulenta e garantido a posse da fazenda ao suposto beneficiário do golpe.

Segundo a Polícia Federal, a decisão está entre aquelas sob suspeita de terem sido influenciadas por pagamentos indevidos e tráfico de influência.

A Operação Ultima Ratio foi deflagrada para apurar a existência de um esquema de venda de decisões judiciais no âmbito do TJMS.

As investigações alcançaram magistrados, advogados, empresários e operadores financeiros, gerando uma das maiores crises institucionais já enfrentadas pelo Judiciário estadual.

Ao reverter a decisão relacionada à fazenda no Pantanal, o STJ envia um sinal importante de que os desdobramentos da operação não ficarão restritos à esfera criminal.

As consequências podem alcançar também processos cíveis e patrimoniais, especialmente aqueles em que existam indícios de comprometimento da imparcialidade do julgamento.

Na prática, a decisão cria um precedente relevante para outras partes que se consideram prejudicadas por julgamentos atualmente sob suspeita.

Embora cada caso tenha suas particularidades, a revisão promovida pelo STJ demonstra que decisões judiciais podem ser questionadas quando surgem elementos consistentes indicando possível contaminação do processo decisório.

O episódio reforça uma reflexão necessária sobre o papel das instituições de controle. Investigar corrupção não significa apenas responsabilizar eventuais envolvidos.

Em muitos casos, significa também restaurar direitos, corrigir distorções e reparar decisões que possam ter sido produzidas à margem da legalidade.

Por essa razão, os desdobramentos da Operação Ultima Ratio ultrapassam o campo policial. Eles alcançam diretamente a credibilidade das instituições e a confiança da população na Justiça.

Quando uma decisão suspeita é revista, o que está em jogo não é apenas o resultado de um processo, mas a reafirmação de que nenhum ato estatal deve estar acima do escrutínio público.

O caso também serve para lembrar uma verdade muitas vezes esquecida: a Justiça é uma instituição fundamental, mas não é incorruptível. Justamente por isso, mecanismos de controle são indispensáveis.

Corregedorias, auditorias e investigações independentes não enfraquecem o Judiciário, pelo contrário, são instrumentos que fortalecem sua legitimidade e ajudam a preservar seu maior patrimônio: a confiança pública.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 18 Jun 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O imposto que não aparece no cardápio, mas muda tudo na operação ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-imposto-que-nao-aparece-no-cardapio-mas-muda-tudo-na-operacao/468230/</link>
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				<description><![CDATA[Eu tenho a impressão de que a reforma tributária deste ano ainda está sendo lida pelo varejo de alimentos como um tema distante, quase teórico.

Mas, no balcão de um bar ou na cozinha de um restaurante, ela já começou a mudar a lógica do negócio, e não é pela alíquota em si, mas pela forma como o imposto passa a existir dentro da operação.

O chamado Imposto Seletivo, criado com a promessa de desestimular o consumo de produtos associados a impactos negativos à saúde e ao meio ambiente, atinge diretamente itens que fazem parte do dia a dia do food service, como bebidas alcoólicas e bebidas açucaradas.

Não é um detalhe, é parte relevante do faturamento de bares, restaurantes e casas noturnas em todo o País.

O ponto é que esse imposto não funciona como os demais. Ele é monofásico e não gera crédito tributário.

Traduzindo para a prática, o custo tributário desses produtos não se dilui ao longo da cadeia. Ele se concentra e aparece com mais força na ponta.

E é aí que a operação começa a mudar. Não basta mais vender, será preciso separar, classificar e tratar cada item de forma distinta dentro do sistema fiscal.

Produtos sujeitos ao Imposto Seletivo terão que ser segregados corretamente, com enquadramento preciso. Não é uma escolha operacional, é uma exigência.

Desse modo, isso cria uma nova camada de complexidade dentro de um setor que já opera com margens apertadas e alta sensibilidade a preço.

A forma como cada produto é registrado passa a influenciar diretamente a precificação e, por consequência, o comportamento do consumidor.

“Isso vai impactar a precificação para o consumidor final e também as margens de lucro, já apertadas, do setor”, ponderou uma consultora tributária com quem conversei recentemente. A leitura é objetiva: não se trata apenas de pagar mais imposto, mas de reorganizar a forma como o negócio funciona.

A incerteza ainda é um fator adicional que torna esse cenário mais delicado. Embora a Lei Complementar 
nº 214/2025 já tenha definido quais produtos estarão sujeitos ao Imposto Seletivo, as alíquotas ainda dependem de regulamentação. Ou seja, o setor sabe o que será tributado, mas ainda não sabe quanto.

Isso cria um intervalo perigoso entre obrigação e planejamento. Sem a alíquota definida, não é possível medir com precisão o impacto financeiro. Ainda assim, as empresas já precisam se preparar, porque a estrutura operacional não se ajusta da noite para o dia.

A previsão é de que o imposto entre em vigor em 2027. Pode parecer distante, mas não é. Sistemas de gestão, cadastros de produtos, classificação fiscal, integração com o financeiro, tudo isso precisa estar pronto antes.

Quem deixar para ajustar depois vai operar no improviso em um ambiente que não tolera erros.

O ponto que me chama a atenção é que o discurso de saúde pública e sustentabilidade, que sustenta a criação do imposto, pode produzir efeitos colaterais relevantes no ambiente econômico.

Especialmente para pequenos empreendedores, que têm menos capacidade de absorver custos ou investir em adaptação tecnológica.

Não vai aparecer no cardápio, mas vai estar embutido em cada decisão, do cadastro do produto ao preço final na mesa.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 17 Jun 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O Proálcool estava certo antes do mundo perceber]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-proalcool-estava-certo-antes-do-mundo-perceber/468228/</link>
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				<description><![CDATA[Em 1975, em plena crise internacional do petróleo, o Brasil tomou uma decisão que soaria ousada para os padrões da época. Criou o Programa Nacional do Álcool (Proálcool), um programa nacional estruturado para produzir energia a partir da cana-de-açúcar.

Poucos imaginavam, naquele momento, que essa escolha se tornaria uma das iniciativas mais visionárias da história da política energética mundial.

A lógica era clara, embora sua execução exigisse coragem política e visão de longo prazo. Era preciso reduzir a dependência do petróleo importado e construir uma alternativa energética nacional baseada em recursos renováveis e em tecnologia própria.

O programa mobilizou pesquisa agrícola e industrial, indústria automotiva, infraestrutura de distribuição e capacidade produtiva em toda a cadeia.

Durante muitos anos, o Proálcool foi alvo de ceticismo. Críticos questionavam sua viabilidade econômica e apostavam que o etanol seria apenas uma solução temporária, destinada a desaparecer quando os preços do petróleo recuassem. O tempo mostrou o contrário.

Décadas depois, o mundo passou a enfrentar exatamente os problemas que o Brasil tentava antecipar, como insegurança energética crônica, volatilidade brutal nos preços do petróleo e pressão crescente por descarbonização.

Segurança energética e transição para fontes renováveis tornaram-se temas prioritários das agendas globais e o Brasil já chegou a essa discussão com experiência acumulada de meio século.

Enquanto países desenvolvidos buscam reduzir dependência externa, diversificar fontes de energia e construir modelos menos vulneráveis às crises internacionais, o Brasil já dispõe de uma cadeia produtiva consolidada, tecnologia madura e capacidade industrial em larga escala.

Poucos países conseguiram desenvolver um sistema de biocombustíveis com o mesmo nível de integração entre agricultura, indústria, logística e mercado consumidor.

O mais interessante é perceber que a discussão atual não se resume mais apenas à questão ambiental. O debate tornou-se econômico, estratégico e geopolítico.

Produzir energia dentro do próprio território passou a representar estabilidade, competitividade e soberania, exatamente o que o Proálcool começou a construir em 1975.

O programa talvez tenha sido uma das poucas políticas públicas brasileiras capazes de atravessar décadas mantendo relevância crescente.

Mais do que substituir combustíveis fósseis, o Proálcool revelou uma visão de futuro que o mundo demorou décadas para compreender.

Hoje, enquanto diversas nações buscam caminhos para uma nova era energética, o Brasil percebe que parte dessa resposta já começou a ser construída há quase cinquenta anos.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 17 Jun 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Intervenção: a decisão correta ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/intervencao-a-decisao-correta/468227/</link>
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				<description><![CDATA[A decisão da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, de decretar a intervenção no Consórcio Guaicurus representa, antes de tudo, um ato de coragem política. T

rata-se de uma medida extrema, desgastante e cercada de riscos administrativos, jurídicos e políticos. Ainda assim, diante da situação vivida por conta do transporte coletivo na Capital, dificilmente haveria outro caminho possível.

A intervenção demorou para acontecer. Durante muito tempo, prevaleceu a tentativa de manter o equilíbrio contratual por meio de negociações, reajustes tarifários e aumento de subsídios públicos. Mas a realidade mostrou que o modelo entrou em esgotamento.

O transporte coletivo de Campo Grande deixou de atender minimamente às expectativas da população e passou a conviver com uma deterioração visível da qualidade do serviço.

O Correio do Estado apurou que a prefeita confidenciou a interlocutores próximos que a decisão foi extremamente difícil.

E é compreensível que tenha sido. Intervir em um sistema de transporte público significa assumir responsabilidade direta sobre um serviço essencial para milhares de pessoas.

Mas decisões corretas raramente são as mais fáceis. Em determinados momentos, governar exige disposição para enfrentar conflitos, romper acomodações e admitir que determinados modelos deixaram de funcionar.

Há muito tempo o transporte coletivo de Campo Grande deixou de ser motivo de orgulho para a cidade. A população convive diariamente com atrasos, superlotação, linhas insuficientes, veículos desgastados e perda de eficiência operacional.

O resultado é um sistema cada vez menos atrativo, que perde passageiros ano após ano enquanto os custos aumentam continuamente.

Neste aspecto, a intervenção surge como oportunidade de revisão profunda da concessão. É preciso sanear o sistema. As rotas atuais são as mais eficientes? As linhas atendem adequadamente o crescimento urbano da Capital? A tarifa corresponde à realidade do serviço prestado? Os subsídios públicos estão sendo utilizados corretamente? Por que o transporte coletivo chegou a um nível tão elevado de insatisfação?

Essas perguntas precisam finalmente ser enfrentadas com transparência e coragem administrativa. Não basta apenas discutir reajustes tarifários ou renovar acordos emergenciais. O problema é estrutural.

Aqui no Correio do Estado já defendíamos há algum tempo a necessidade de intervenção, justamente porque o contrato se tornou praticamente impossível de ser executado da maneira como está estruturado atualmente.

Agora abre-se uma janela importante para a reconstrução. Os próximos seis meses precisarão ser utilizados para reorganizar o sistema, aumentar a eficiência operacional e devolver confiabilidade ao transporte coletivo.

Campo Grande já teve um dos sistemas de transporte urbano mais bem avaliados do País. A decisão foi dura, talvez tardia, mas correta.

Agora, o que a população espera é resultado concreto. Que o transporte coletivo volte a funcionar com dignidade, eficiência e qualidade compatíveis com a importância que possui para a Capital.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 17 Jun 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O tempo da guerra do governo de Trump ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-tempo-da-guerra-do-governo-de-trump/468180/</link>
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				<description><![CDATA[O possível encerramento do conflito entre Estados Unidos e Irã permite uma reflexão mais ampla sobre a natureza da política externa adotada por Donald Trump em seu segundo mandato.

Mais do que analisar uma guerra específica, o momento convida à compreensão da lógica temporal que orienta a atuação norte-americana diante das transformações da ordem internacional.

Se a Guerra Fria foi marcada pela disputa entre dois blocos ideológicos e as primeiras décadas do século 21 pelo combate ao terrorismo, o atual cenário geopolítico parece cada vez mais definido pela competição entre Estados Unidos e China.

Nesse contexto, o tempo tornou-se um fator estratégico. Diferentemente da expansão chinesa, construída ao longo de décadas por meio de investimentos, comércio, infraestrutura e acordos econômicos, a estratégia de Trump exige resultados rápidos.

Guerras prolongadas geram desgaste político, aumentam a inflação, elevam os custos energéticos e dificultam a reorganização das prioridades americanas. Por isso, o objetivo não é ocupar territórios nem administrar conflitos intermináveis, mas atingir metas específicas em um curto espaço de tempo.

O conflito com o Irã deve ser interpretado dentro dessa lógica. Além das questões relacionadas ao programa nuclear iraniano e à segurança de Israel, havia interesses mais amplos em jogo.

Entre eles, o controle da matriz energética baseada no petróleo, a estabilidade das rotas comerciais do Oriente Médio e a tentativa de dificultar o avanço da influência chinesa em uma das regiões mais estratégicas do planeta.

A energia continua sendo um elemento central da economia mundial, e qualquer potência que deseje manter sua posição de liderança precisa garantir capacidade de influência sobre sua circulação e seus preços.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos buscaram redesenhar o equilíbrio regional. O enfraquecimento de grupos aliados ao Irã no Iraque, na Síria, no Líbano e no Iêmen reduziu parte da capacidade de projeção de poder de Teerã.

Paralelamente, abriu-se espaço para uma nova dinâmica envolvendo Arábia Saudita, Turquia e Irã, na qual Israel busca consolidar uma condição de maior segurança militar e econômica após os ataques promovidos pelo Hamas em outubro de 2023.

Embora a expansão territorial israelense continue sendo tema de controvérsias e debates internacionais, é inegável que a percepção de vulnerabilidade existente antes daqueles ataques foi profundamente alterada.

Entretanto, os ganhos geopolíticos não eliminam os custos internos. A inflação permaneceu como uma preocupação para o governo americano, e a própria imagem de Trump sofreu desgastes em determinados setores da opinião pública.

Por essa razão, o encerramento do conflito torna-se tão importante quanto sua condução. O presidente necessita agora converter resultados militares e diplomáticos em estabilidade econômica, reduzindo as pressões inflacionárias e fortalecendo sua posição política.

O aspecto mais interessante desse processo talvez seja a comparação entre os modelos de poder atualmente em disputa. A China avança como uma sucuri: envolve parceiros comerciais, amplia investimentos, cria dependências econômicas e exerce pressão gradual ao longo do tempo.

Os Estados Unidos, por sua vez, agem de maneira mais semelhante a uma serpente venenosa: seus movimentos são mais rápidos, diretos e concentrados, buscando produzir efeitos imediatos por meio da combinação de força militar, sanções econômicas e pressão diplomática.

Essa diferença ajuda a compreender o significado do tempo na geopolítica contemporânea. Enquanto Pequim pode dosar sua influência, Washington enfrenta os limites dos ciclos eleitorais, da opinião pública e dos resultados econômicos de curto prazo.

O tempo da China é secular. O tempo de Trump é administrado pelos segundos de seus posts.

Talvez essa seja a principal lição deixada pelo conflito com o Irã. Mais do que uma guerra regional, ele representa um capítulo da disputa pelo futuro da ordem internacional.

E, nessa disputa, o relógio corre em velocidades diferentes para cada potência.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 16 Jun 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Os decanos da política de MS]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/os-decanos-da-politica-de-ms/468179/</link>
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				<description><![CDATA[A experiência, a longevidade e a sabedoria são qualidades que deveriam caminhar lado a lado com a sociedade, sobretudo dentro da política, espaço em que decisões moldam o presente e o futuro de milhões de pessoas.

Entretanto, encontrar verdadeiros decanos que preservem tais virtudes tornou-se quase como procurar uma agulha no palheiro. São homens e mulheres raros, que mantêm raízes profundas de humildade sem perder a firmeza de sua personalidade. 

Em tempos marcados pela superficialidade e pela velocidade das opiniões, torna-se cada vez mais difícil encontrar líderes capazes de compreender que o poder não deve servir ao ego, mas ao povo.

O ex-presidente Barack Obama certa vez afirmou que “o verdadeiro teste do caráter não é o modo como chegamos ao poder, mas como o exercemos quando o conquistamos”.

E talvez seja justamente nesse ponto que muitos se percam: esquecem que cargos são passageiros, mas os valores permanecem.

Os decanos da política não recebem esse título por nomeação. Em uma democracia, eles são escolhidos pelo voto de homens, mulheres e jovens que depositam esperança em suas palavras e atitudes. Por isso, a responsabilidade não pertence apenas aos líderes, mas também à sociedade que os escolhe e os acompanha.

Assim, em meio às transformações do mundo moderno, resta a reflexão: estamos valorizando a experiência e a sabedoria ou apenas a popularidade momentânea? Afinal, como canta o compositor Lulu Santos, “assim caminha a humanidade”.

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]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 16 Jun 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Oxigenação necessária ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/oxigenacao-necessaria/468178/</link>
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				<description><![CDATA[A democracia se fortalece justamente na alternância. A renovação periódica de lideranças ajuda a oxigenar instituições, amplia o debate de ideias e impede que estruturas importantes da sociedade se tornem excessivamente personalistas.

O princípio vale para governos, parlamentos e tribunais, mas também deveria ser encarado como algo saudável dentro de entidades representativas da sociedade civil organizada.

Nesta edição mostramos uma mudança histórica na Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso do Sul (Fecomércio-MS). Pela primeira vez em mais de três décadas, a entidade terá um novo presidente.

A disputa foi apertada, decidida pelo placar de 8 a 7 votos, o que revela não apenas o equilíbrio interno, mas também o tamanho da disputa em torno dos rumos da federação.

A mudança tem peso justamente porque a Fecomércio-MS não é uma entidade qualquer. Sob seu guarda-chuva estão instituições de enorme alcance social, econômico e educacional, como o Serviço Social do Comércio (Sesc) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). São estruturas que oferecem serviços fundamentais para milhares de pessoas em Mato Grosso do Sul.

Academias, restaurantes populares, assistência médica e odontológica, cursos de idiomas, formação profissional e programas de aprendizagem fazem parte da rotina de atendimento dessas instituições.

Ao longo dos anos, Sesc e Senac consolidaram serviços reconhecidos pela qualidade e pela capacidade de alcance social.

Justamente por isso, a mudança no comando da federação ganha relevância. Afinal, como imaginar que uma mesma pessoa permaneça à frente de uma entidade representativa por mais de 30 anos sem que isso provoque algum grau de desgaste institucional?

Ainda que existam méritos administrativos e resultados positivos, a permanência excessivamente longa de lideranças tende a reduzir a pluralidade interna e dificultar processos naturais de renovação.

A alternância não deve ser encarada como ruptura traumática. Pelo contrário. Instituições sólidas são justamente aquelas capazes de passar por mudanças preservando sua estabilidade e sua capacidade de funcionamento.

Renovar não significa destruir o que foi construído, mas criar condições para novas ideias, novos métodos de gestão e maior sintonia com as transformações da sociedade.

A Fecomércio-MS chega agora a uma oportunidade importante de reposicionamento institucional.

O resultado apertado da eleição demonstra que a entidade abriga diferentes visões internas e que será necessário construir diálogo, equilíbrio e capacidade de união nos próximos anos.

Também se espera que a federação esteja mais conectada com as demandas atuais da sociedade e do setor produtivo.

O comércio mudou, o mercado de trabalho mudou e o perfil dos consumidores também mudou. As instituições representativas precisam acompanhar essas transformações para permanecerem relevantes.    

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 16 Jun 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Como a China combate o crime organizado?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/como-a-china-combate-o-crime-organizado/468132/</link>
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				<description><![CDATA[Nos últimos dias, os Estados Unidos classificaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A decisão reacendeu um debate que já existe há anos no Brasil.

De um lado, especialistas argumentam que essas facções não se enquadram na definição clássica de terrorismo, tradicionalmente associada ao uso da violência para desestabilizar governos, alterar regimes políticos ou impor objetivos ideológicos por meio do medo.

De outro, há quem sustente que o PCC e o CV já ultrapassaram os limites de organizações criminosas convencionais, exercendo influência sobre territórios, mercados ilegais, processos eleitorais e até setores do próprio aparelho estatal.

A controvérsia ganhou dimensão internacional quando o governo chinês decidiu comentar a medida adotada por Washington.

A reação de Pequim foi particularmente interessante porque revela como uma das maiores potências do mundo enxerga a relação entre soberania nacional, segurança pública e combate ao crime organizado.

A China, por meio da porta-voz de seu Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, criticou a decisão americana e reafirmou um dos pilares de sua política externa: a não interferência nos assuntos internos de outros países.

Apesar do que possam alegar os setores mais ideologizados do debate, a declaração não representa apoio às facções brasileiras, mas a aplicação de uma doutrina diplomática consolidada desde a década de 1950, segundo a qual cada Estado deve ser responsável por enfrentar seus próprios desafios de segurança, sem intervenção externa ou classificações impostas unilateralmente por potências estrangeiras.

Apesar disso, a declaração chinesa levanta uma questão interessante: se Pequim considera que o combate ao PCC e ao CV deve ser conduzido pelo próprio Brasil, como a China enfrenta o crime organizado dentro de suas fronteiras? Será que o Brasil poderia aprender algo com a experiência chinesa?

A legislação chinesa trata organizações criminosas como ameaças à estabilidade social e à autoridade do Estado. O próprio conceito de crime organizado utilizado pelo país vai além do simples cometimento de delitos lucrativos.

O foco está na existência de estruturas capazes de intimidar comunidades, controlar mercados, corromper autoridades ou estabelecer formas paralelas de poder. Para o Império do Meio, o problema não é apenas o crime, mas a construção de centros autônomos de autoridade.

Especialmente desde a grande campanha nacional iniciada em 2018, a China mantém operações permanentes de combate ao crime organizado. Polícia, procuradores, tribunais e órgãos do Partido Comunista atuam de forma coordenada em operações nacionais.

Quando uma organização é identificada, a investigação não procura apenas os executores, mas também policiais, juízes, funcionários públicos e dirigentes locais suspeitos de protegê-la.

Na visão chinesa, uma facção só se torna realmente perigosa quando consegue capturar partes do próprio Estado, algo que, diga-se de passagem, os brasileiros experimentam com relativa frequência em cidades tomadas pelo tráfico.

Em certa medida, a estratégia chinesa também busca atingir a base econômica das organizações criminosas, algo semelhante ao que os Estados Unidos procuram promover em suas iniciativas internacionais de combate ao crime organizado.

Contas bancárias são congeladas, imóveis e empresas são confiscados e recursos financeiros são apreendidos. Essa estratégia parte da premissa de que organizações criminosas sobrevivem menos pela força das armas do que pela capacidade de movimentar dinheiro, corromper agentes públicos e financiar novas operações.

Além do processo de asfixia econômica, sistemas de reconhecimento facial, monitoramento financeiro, cruzamento de bases de dados e ferramentas de inteligência artificial são amplamente utilizados para rastrear suspeitos e identificar redes criminosas.

É claro que existe um trade-off importante entre privacidade, uso de dados e maior agilidade e efetividade no combate ao crime, mas as prioridades chinesas sempre foram muito claras ao longo de sua história.

Nos últimos anos, o foco tem se deslocado das máfias tradicionais para fraudes eletrônicas, golpes digitais, lavagem de dinheiro e organizações transnacionais que atuam a partir de países vizinhos, especialmente no Sudeste Asiático.

O governo chinês não combate apenas quadrilhas tradicionais; redes familiares ou grupos locais que acumulam controle sobre contratos, terras, crédito ou atividades econômicas também podem ser enquadrados como organizações criminosas caso passem a exercer influência coercitiva sobre a população.

Há, portanto, um amplo espaço de discricionariedade do Estado. No entanto, o objetivo permanece o mesmo: impedir a formação de qualquer autoridade paralela.

O crime organizado continua existindo na China, manifestando-se principalmente por meio do tráfico, da corrupção, da lavagem de dinheiro e das fraudes financeiras.

 diferença é que essas organizações encontram muito mais dificuldade para controlar territórios, desafiar abertamente o Estado ou construir estruturas permanentes de poder.

Independentemente da controvérsia sobre a classificação do PCC e do CV como grupos terroristas, a experiência chinesa interna sugere uma política bem menos liberal do que a doutrina de não interferência adotada em sua política externa.

Para Pequim, o combate ao crime organizado não é apenas uma questão de segurança pública. Trata-se da preservação do monopólio estatal da autoridade e da prevenção de qualquer poder paralelo capaz de competir com o próprio Estado.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 15 Jun 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Integridade, lei e o interesse público ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/integridade-lei-e-o-interesse-publico/468131/</link>
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				<description><![CDATA[A Constituição brasileira estabelece um princípio fundamental: ninguém pode ser considerado culpado até o trânsito em julgado de uma condenação.

Trata-se de uma garantia essencial do Estado Democrático de Direito e que deve ser preservada independentemente da gravidade das acusações ou da pressão social envolvida em determinados casos.

O problema é que, no Brasil, uma condenação definitiva costuma levar muitos anos. Entre recursos, questionamentos processuais, estratégias protelatórias da defesa e a própria lentidão do Judiciário, há situações em que processos caminham por décadas sem uma conclusão definitiva.

Em alguns casos, a punição sequer chega, seja por absolvição, seja pela prescrição dos crimes.

É justamente neste espaço, entre a suspeita e a condenação definitiva, que surgem dilemas importantes para a administração pública.

Como agir, por exemplo, diante de empresários investigados por corrupção, que já chegaram a ser presos preventivamente e que continuam participando normalmente de licitações milionárias promovidas pelo poder público?

Do ponto de vista jurídico, pouco pode ser feito. Sem condenação transitada em julgado, não há impedimento automático para participação em certames públicos.

Mas o debate não pode parar apenas na legalidade estrita. Existe uma discussão igualmente importante envolvendo integridade, governança e compliance. Afinal, é saudável para a administração pública manter relações contratuais com grupos empresariais permanentemente associados a suspeitas de corrupção?

Nos últimos anos, a palavra compliance passou a frequentar discursos empresariais, campanhas institucionais e documentos públicos. Integridade virou conceito obrigatório em editais, contratos e programas de governança.

Mas a credibilidade dessas políticas depende justamente da capacidade de transformar discurso em prática.

Não se trata de defender perseguições ou condenações antecipadas. Trata-se de reconhecer que integridade não se limita ao cumprimento mínimo da legislação.

Empresas que desejam manter relações permanentes com o poder público também precisam compreender que reputação importa, histórico importa e confiança pública importa.

Nesta edição mostramos que uma licitação envolvendo rodovias estaduais conta com a participação de empresários que já estiveram presos ou foram alvo de investigações por suspeitas de corrupção. Legalmente, podem participar.

O problema é que a discussão sobre integridade exige um olhar mais amplo do que simplesmente verificar se há ou não uma condenação definitiva.

A administração pública precisa avançar no fortalecimento de critérios de governança, transparência e avaliação reputacional sem ferir garantias constitucionais. O desafio é justamente encontrar equilíbrio entre o respeito ao devido processo legal e a necessidade de proteger o interesse público.

Porque, no fim das contas, integridade não pode servir apenas como slogan institucional. Precisa ser prática permanente, sobretudo quando estão em jogo contratos milionários pagos com dinheiro da população.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 15 Jun 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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