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		<title>Correio do Estado - Artigos e Opinião</title>
		
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				<title><![CDATA[As histórias ao redor da fogueira]]></title>
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				<description><![CDATA[O fogo em algumas escolas místicas está relacionado à luz e ao conhecimento. O interessante é que muitas pessoas até um passado recente, tinham como momento de distração contar histórias e disseminar conhecimento ao redor de uma fogueira. Já que não havia luz, muito menos sinal de internet. 

Com essas conversas ao redor do fogo, surgiram as lendas. Uma forma de explicar fenômenos misteriosos não compreendidos e, ao mesmo tempo, expressar a maneira de pensar daquelas pessoas.

Além de passar para as gerações seguintes as histórias de família, contadas há muitos anos. Nunca sabemos o quanto de realidade tem nessas narrativas, ainda assim, elas representam a bagagem de vida daqueles que as contam. 

Adoro uma boa conversa ao redor de uma mesa com bolo e café, ou queijos e vinhos. São nesses momentos que conhecemos as pessoas, desenvolvemos nossa imaginação e, inclusive, nossa empatia.

Quando ouvimos o que outra pessoa tem para nos contar, se realmente prestarmos atenção, vivemos aquela situação como se estivéssemos lá, com ela. E isso abre nossa mente para outros pontos de vista. 

E assim é com os livros. 

A leitura de um livro nos leva para lugares que não conhecemos e nos apresenta pessoas diferentes daquelas com as quais convivemos. E é por isso que penso ser tão importante o incentivo da leitura e a criação de narrativas que incluem lendas.

Um bom suspense desperta emoções que nem sabíamos existir, leva nossa imaginação para mundos que não conhecemos. Assim como no filme “A História Sem Fim”, não podemos deixar a fantasia desaparecer! 

Descobrir como vencer o lobisomem, ou fugir da cuca. Criar uma armadilha para capturar o saci, ou seguir as pegadas estranhas deixadas pelo curupira. Tudo isso é imaginação popular e tem um significado importante para a comunidade. E nem citei a loira do banheiro! 

As lendas são muito mais do que histórias. No fundo, elas carregam a alma de um povo e contá-las faz o leitor viajar no mundo da fantasia e assim, entender e lidar melhor com a realidade.

É importante destacar que não falo sobre viver dentro de uma fantasia, mas sim, sobre aproveitar as histórias para fazer relações com a vida real. 

Quando nos sentamos ao redor de uma fogueira, ou de uma mesa forrada de comidinhas e bebidas gostosas, compartilhamos não só a comida, mas também os sentimentos. São informações que criam laços, geram expectativas, romances. As pessoas têm sua caminhada de vida e a troca de experiências é muito rica.

Com tantas distrações nas redes sociais, além de conteúdo fácil e efêmero, vejo esses encontros como um remédio indispensável para uma sociedade na qual cada vez mais somos trancados em studios de vinte metros quadrados. 

A construção de histórias com base em lendas e culturas locais são uma forma de dialogar com o leitor.

Quando conhecemos os hábitos de um povo diferente do nosso, abrimos nossa mente para entender melhor algumas atitudes e esse é o melhor resultado que podemos alcançar com a literatura. 
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 12 Jun 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[O Dia da Marinha]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-dia-da-marinha/467994/</link>
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				<description><![CDATA[Desde a antiguidade, as rotas de navegação conduziram riquezas e trouxeram desenvolvimento aos povos, mas também foram palco de sangrentas disputas entre as nações. No Mediterrâneo, fenícios, gregos e romanos utilizaram, cada um a seu turno, o mar como caminhos de acesso às terras e riquezas longínquas.

Mais tarde, desafiando os perigos do Mar Oceano, portugueses e espanhóis lideraram as viagens que conectaram os quatro cantos do mundo, estabelecendo impérios globais unidos às suas metrópoles pelas hoje chamadas Linhas de Comunicação Marítimas.

Em ambos os exemplos, defender ou tomar para si as riquezas que cruzavam a vastidão azul era questão de sobrevivência para os estados, motivando o desenvolvimento do combate nas águas, primeiro em sua superfície, depois abaixo e sobre ela.

Esses são, respectivamente, o propósito da existência e o domínio da ciência e arte dos quais se ocupa a Marinha, presente nos momentos cruciais da nossa história, de Cabral à atual salvaguarda dos interesses brasileiros na Amazônia Azul, o mar que nos pertence.

Se enganam, porém, os que creem que esta vocação e destinação se resume aos litorais. No Brasil, a história da formação territorial e do desenvolvimento nacionais passa pelos nossos rios e lagos, hidrovias que integram milhares de quilômetros e milhões de cidadãos, levando insumos até os sertões mais distantes e, de lá, trazendo produtos que fizeram e fazem a riqueza desta terra e são capazes de prover bem-estar ao seu povo.

É neste contexto que, no século 19, as águas do Rio Paraguai e do Rio Paraná eram o caminho natural de acesso às riquezas do Mato Grosso, e sua livre navegação se constituía em questão de segurança nacional, tendo sido um dos aspectos fundamentais entre os antecedentes do maior conflito militar da América do Sul: A Guerra da Tríplice Aliança, na qual se enfrentaram, de um lado, Brasil, Argentina e Uruguai e, de outro, o Paraguai.

Inevitável que a via estratégica fosse palco de encarnecidos combates e, entre os muitos ocorridos, a Batalha Naval do Riachuelo ocorrida a 11 de junho de 1865 foi a que maiores consequências trouxe para o desenrolar do conflito, ao neutralizar a esquadra adversária e negar o uso da hidrovia como fonte de apoio logístico.

Não por acaso, este feito é anualmente lembrado como a data Magna da Marinha, quando a memória dos heróis Barroso, Greenhalgh, Marcílio Dias entre outros tantos anônimos marinheiros são exaltados como exemplo de coragem e supremo sacrifício pela Pátria.

Na atualidade, a paz e a cooperação reinam na Hidrovia Paraguai-Paraná, que une as cinco nações por ela banhadas no objetivo comum de trazer progresso sustentável à região, permitindo, ao mesmo tempo, a execução das atividades econômicas, assim como a preservação dos biomas lindeiros e do povo ribeirinho, em especial no Pantanal. 

Ainda assim, a prontidão e a presença da Força Naval se fazem necessária, a fim de que, em coordenação e sinergia com as Forças coirmãs – o Exército e a Força Aérea – agências estatais e órgãos de Segurança Pública, sejam eliminados os riscos à manutenção da boa ordem no ambiente fluvial, no qual a Marinha se faz presente a quase 200 anos. 

Seja nas ações de defesa naval, na garantia da segurança da navegação e da vida humana nas águas, no apoio às mais diversas atividades das demais instâncias do Estado, ou na diplomacia naval, a Marinha do Brasil e o 6º Distrito Naval estarão sempre prontos a contribuir naquilo que nos couber e tanto quanto pudermos, com o desenvolvimento de nosso povo, pois, como nos ensinam as palavras do insigne Almirante Barroso: “O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever”.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 12 Jun 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[A oportunidade de mudar o transporte ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-oportunidade-de-mudar-o-transporte/467991/</link>
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				<description><![CDATA[Nesta semana tratamos, neste espaço, da possibilidade de intervenção da Prefeitura Municipal de Campo Grande no Consórcio Guaicurus, concessionário responsável pelo transporte coletivo urbano da Capital. O tema voltou ao debate após a comissão especial criada para discutir o assunto defender uma intervenção no sistema.

O problema é que, ao menos pelo que foi apresentado até aqui, a chamada intervenção parece muito mais uma ampliação da fiscalização do que propriamente uma intervenção administrativa no serviço.

Na prática, a proposta tem caráter orientativo e fiscalizatório.

A ideia seria acompanhar indicadores, cobrar resultados e exigir mais transparência operacional do consórcio. Mas, isso já deveria ocorrer normalmente.

Fiscalizar contratos, acompanhar metas e cobrar eficiência são atribuições básicas das agências reguladoras e dos órgãos municipais responsáveis pelo transporte coletivo.

Aliás, mais do que atribuição, trata-se de obrigação do poder concedente diante de um serviço essencial e altamente subsidiado.

Quando se fala em intervenção, espera-se algo mais profundo. O instituto jurídico existe justamente para permitir ao Município assumir temporariamente o controle administrativo da concessão em situações críticas.

Isso significa nomear um interventor com poder efetivo de participar da tomada de decisões do concessionário, interferindo diretamente em questões como frequência de ônibus, definição de linhas, manutenção da frota e qualidade operacional.

Mais do que isso, uma intervenção séria exige acompanhamento rigoroso do fluxo financeiro do sistema. O transporte coletivo de Campo Grande opera há anos em meio a sucessivos aumentos de subsídios públicos, queda no número de passageiros e constantes reclamações dos usuários.

Não há como discutir eficiência sem compreender quanto custa o serviço e de que maneira os recursos públicos estão sendo utilizados.

Ao falar em intervenção, mas na prática não intervir efetivamente, o Município corre o risco de desperdiçar uma oportunidade importante de reorganizar o sistema. Uma das discussões que poderiam surgir é justamente a formação da tarifa.

Campo Grande convive há anos com um modelo desequilibrado, no qual o subsídio cresce continuamente enquanto o serviço segue alvo de críticas.

Uma revisão transparente poderia estabelecer um preço mais justo, capaz de refletir a realidade do sistema e reduzir gradualmente a dependência de recursos públicos.

Também seria uma oportunidade para melhorar efetivamente o serviço na ponta. O usuário quer menos tempo de espera, ônibus conservados, linhas eficientes e previsibilidade.

Quer voltar a enxergar o transporte coletivo como alternativa viável de mobilidade urbana.

Campo Grande precisa dar sinais concretos de que existe um projeto de recuperação do transporte coletivo. Se houver intervenção, que ela seja real, com poder de decisão, transparência e metas claras.

Apenas fiscalizar aquilo que já deveria ser fiscalizado dificilmente mudará a realidade do transporte urbano da Capital.

Assine o Correio do Estado
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 12 Jun 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Morrer de rir?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/morrer-de-rir/467935/</link>
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				<description><![CDATA[Desde muito cedo as pessoas recebem a informação de que vão morrer um dia. Mas a grande maioria vive como se a morte fosse apenas uma possibilidade.

E bem distante. Luis Fernando Verissimo já brincava com isso: “Vou morrer sem realizar o meu grande sonho: não morrer nunca”.

Para muita gente, velhas são as pessoas com 20 anos a mais do que elas.

Mas, com o passar do tempo, é inexorável que as rodas de conversa ganhem novos assuntos.

Futebol, maquiagem, política, trabalho, filhos, vinhos e viagens continuam em cena.

Mas ganham a companhia de colesterol, glicemia, nomes de remédios, dores pelo corpo, esquecimentos, indicações de médicos e de farmácias.

De repente, percebe-se que levantar do sofá virou um movimento complexo e que já não é raro procurar os óculos que estão no topo da própria cabeça.

O relógio inteligente informa os batimentos cardíacos. Mas o joelho passa a dar a opinião mais sincera. A impressão é que o corpo abriu franquias e que cada articulação administra sua própria crise.

É quando a pessoa entra num cômodo e precisa consultar a memória como quem consulta o arquivo morto.

Tem gente que lida com o envelhecimento de forma azeda. Mas há quem consiga rir de si mesmo. Talvez façamos piadas porque sabemos que somos mortais. É como se o humor ajudasse a admitir fragilidades sem solenidade.

Em vez de dizer “estou envelhecendo”, alguém pode preferir dizer: “meu joelho prevê chuva melhor do que qualquer aplicativo”. É a autoironia funcionando como amortecedor emocional, como um idioma comum, um convite à conversa.

O envelhecimento escancara a noção de finitude, submersa por longo tempo. Ela aparece sorrateira, quando se comentam aposentadorias, perdas, limitações, afastamento de parentes.

E bate firme quando se percebe a quantidade de contemporâneos que estão morrendo. Conversar sobre isso democratiza a vulnerabilidade.

Talvez por isso haja tantos risos em hospitais e em velórios, piadas sobre idade, ironia sobre os próprios limites. O humor não elimina a morte. Mas impede que ela monopolize a conversa.

No fim das contas, envelhecer talvez seja perceber que o corpo perde vigor ao passo que o repertório ganha profundidade.

Enquanto for possível transformar tudo isso em conversa – e, de preferência, em boas risadas – quem sabe a finitude mereça um entendimento equilibrado: inevitável, sim; proibida, não.

Porque há assuntos pesados demais para serem carregados sem uma generosa dose de bom humor.

Assine o Correio do Estado
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[A era das bets chegou ao trabalho  e agora?]]></title>
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				<description><![CDATA[O celular vibra durante o expediente. Não é uma mensagem da família nem um e-mail corporativo. É mais uma notificação criada para capturar atenção, estimular impulsos e manter alguém apostando. 

A rápida expansão das plataformas de apostas on-line no Brasil começa agora a revelar efeitos que ultrapassam o ambiente digital. O problema já alcança famílias, serviços de saúde e relações de trabalho. 

A ludopatia, também chamada de jogo patológico, é um transtorno marcado pela compulsão por apostas mesmo diante de prejuízos financeiros, emocionais e profissionais.

A pessoa perde progressivamente a capacidade de controlar o impulso de jogar e continua apostando apesar das dívidas, do sofrimento psíquico e da deterioração da própria vida. 

A Organização Mundial da Saúde reconhece a ludopatia como transtorno mental. O DSM-5 – manual utilizado internacionalmente como referência diagnóstica em psiquiatria – incluiu o jogo compulsivo entre os transtornos relacionados com a dependência em razão dos mecanismos de compulsão, tolerância e perda de controle envolvidos. 

Ainda assim, o senso comum frequentemente trata o problema como falha moral. E é justamente aí que surge um dos aspectos mais perigosos dessa discussão: a discriminação. 

Dados do DataSenado mostram que milhões de brasileiros utilizam plataformas de apostas esportivas e que grande parte dos apostadores exerce atividade remunerada.

O trabalhador endividado, ansioso, desconcentrado e emocionalmente instável já faz parte da realidade de muitas empresas.     

O problema é que o ambiente corporativo ainda não sabe lidar com esse adoecimento. 

Em vez de reconhecer sinais claros de sofrimento psíquico, muitas empresas enxergam apenas queda de produtividade, atrasos, conflitos internos e perda de rendimento.

A resposta costuma ser rápida: isolamento, estigmatização e demissão. 

É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas médica e passa a ser jurídica. 

A legislação brasileira proíbe práticas discriminatórias nas relações de trabalho. E o Tribunal Superior do Trabalho consolidou, por meio da Súmula nº 443, o entendimento de que a dispensa de trabalhadores acometidos por doenças graves que gerem estigma ou preconceito pode ser presumida discriminatória. 

Na prática, isso significa que, quando a empresa tem conhecimento do adoecimento e dispensa o trabalhador em razão dessa condição, cabe ao empregador demonstrar que a demissão ocorreu por motivo legítimo e não discriminatório. 

A ludopatia se encaixa de forma preocupante nesse debate porque o adoecimento frequentemente altera a forma como o trabalhador passa a ser percebido dentro da empresa.

O compulsivo em apostas muitas vezes deixa de ser visto como alguém adoecido e passa a ser tratado apenas como um empregado problemático, instável ou improdutivo. 

Quando a dispensa discriminatória é reconhecida, o trabalhador pode ter direito à reintegração do emprego, com pagamento do salário e dos demais direitos do período de afastamento, ou ao recebimento desses valores em dobro, além de indenização por danos morais. 

A arrecadação tributária prevista com as apostas on-line, justificativa inicial para autorizar os jogos, parece pequena diante do custo social produzido pelo adoecimento associado ao jogo compulsivo.

Afastamentos do trabalho, tratamentos de saúde mental, perda de produtividade, superendividamento, ruptura familiar e até suicídios compõem uma conta muito maior do que a receita arrecadada pelo Estado.

A era das bets chegou ao trabalho. E talvez o maior erro seja continuar tratando a ludopatia apenas como problema individual, ignorando que ela já se transformou em uma questão de saúde mental, dignidade humana e possível discriminação nas relações de trabalho. 

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[Segurança exige reação imediata]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/seguranca-exige-reacao-imediata/467933/</link>
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				<description><![CDATA[Mato Grosso do Sul costuma aparecer em rankings nacionais como um dos estados com melhores indicadores de segurança pública do País. Em linhas gerais, os números sustentam essa percepção.

A população, sobretudo em cidades do interior, ainda convive com uma sensação de tranquilidade acima da média brasileira, algo cada vez mais raro em um cenário nacional marcado pelo avanço da violência urbana e pela presença do crime organizado em diferentes regiões.

Mas a segurança pública não pode ser analisada apenas sob a ótica das estatísticas frias. A sensação de segurança também é construída pelo cotidiano das pessoas, pela percepção de ordem nas ruas, pela presença ostensiva das forças policiais e pela confiança de que o Estado mantém controle sobre o território.

Quando crimes violentos começam a ocorrer em sequência, especialmente homicídios, a percepção social muda rapidamente, mesmo em estados que apresentam indicadores considerados positivos.

Nesta edição mostramos que Campo Grande, ao menos neste mês, já contabiliza mais assassinatos do que a região de fronteira com o Paraguai, historicamente associada aos altos índices de violência e à atuação do narcotráfico.

O dado chama atenção justamente porque rompe uma lógica consolidada ao longo dos últimos anos, na qual os maiores focos de violência letal estavam concentrados nas cidades fronteiriças.

Aliás, os próprios indicadores que sustentam a redução da criminalidade em Mato Grosso do Sul têm sido fortemente influenciados pelos números do interior do Estado.

Em muitos municípios, especialmente nos menores, ainda prevalece um ambiente de relativa estabilidade social e baixos índices de homicídios.

Isso ajuda a equilibrar as estatísticas estaduais, mas não pode servir para mascarar problemas específicos enfrentados pela Capital.

Campo Grande cresceu, se expandiu territorialmente e passou a conviver com desafios típicos dos grandes centros urbanos brasileiros.

Aumento populacional, desigualdade social, expansão periférica desordenada e presença crescente de facções criminosas exigem uma resposta proporcional do poder público.

Há necessidade de uma atuação mais incisiva no combate aos crimes contra a vida na Capital.

Mais do que investigações eficientes, que são indispensáveis, é preciso reforçar a presença ostensiva das forças de segurança em regiões estratégicas da cidade.

O policiamento visível continua sendo um instrumento importante não apenas para reprimir delitos, mas também para transmitir confiança à população.

A presença policial organizada, integrada e inteligente contribui diretamente para reduzir a sensação de abandono em áreas mais vulneráveis.

Quando homicídios passam a ocorrer em ritmo fora da curva, como observado neste mês, a reação do Estado precisa ser rápida, coordenada e cirúrgica.

Não se trata apenas de conter estatísticas negativas, mas de impedir que a escalada da violência comprometa um dos principais patrimônios sociais de Mato Grosso do Sul: a sensação de segurança.

O Estado ostenta índices positivos quando comparado a outras regiões do País. Isso precisa ser preservado. É condição essencial para o desenvolvimento econômico, para a atração de investimentos e para a qualidade de vida da população. 

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[O que uma sociedade perde quando deixa de ouvir os mais velhos]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-que-uma-sociedade-perde-quando-deixa-de-ouvir-os-mais-velhos/467875/</link>
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				<description><![CDATA[Vivemos uma época obcecada pelo novo. Novas tecnologias, novas tendências, novas formas de consumir informação.

No meio dessa velocidade, existe uma pergunta que raramente fazemos: o que acontece quando uma sociedade deixa de ouvir aqueles que carregam suas histórias? 

Durante séculos, a memória humana foi transmitida pela oralidade. Antes dos arquivos digitais, das redes sociais e até da popularização dos livros, eram as pessoas que preservavam o passado.

Histórias de família, acontecimentos da comunidade, lendas, tragédias, conselhos e experiências atravessavam gerações pela voz de quem viveu. 

Hoje, temos mais informação do que em qualquer outro momento da história. Paradoxalmente, talvez estejamos ouvindo menos.

Quando um idoso morre, não desaparece apenas uma pessoa. Desaparece uma biblioteca que nunca foi escrita.

Muitas vezes, desaparecem detalhes de uma época, formas de enxergar o mundo, memórias de acontecimentos locais e experiências que não estão registradas em lugar nenhum. 

A oralidade tem uma característica que nenhum banco de dados consegue reproduzir: ela transmite não apenas fatos, mas significado.

Uma mesma história contada por alguém que a viveu carrega emoção, contexto, hesitações, silêncios e interpretações que ajudam a compreender o que aconteceu de forma muito mais profunda. 

Isso é especialmente importante em cidades pequenas e comunidades tradicionais. Grande parte da identidade desses lugares continua sendo preservada por pessoas que contam histórias.

São relatos que explicam de onde viemos, quem fomos e por que determinadas memórias continuam importantes.

Ao ignorarmos essas vozes, corremos o risco de produzir uma sociedade tecnicamente informada, mas emocionalmente desconectada da própria trajetória. 

Talvez o desafio do nosso tempo não seja apenas registrar mais informações. Talvez seja reaprender a escutar. Porque uma cultura não desaparece quando perde seus documentos.

Ela desaparece quando deixa de transmitir suas histórias. E nenhuma tecnologia, por mais avançada que seja, consegue substituir completamente uma geração contando à outra quem ela foi. 

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]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O "menino" Neymar ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-menino-neymar/467874/</link>
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				<description><![CDATA[No “País do Futebol”, temas como dólar, Selic, PIB, violência e pesquisas eleitorais perderam espaço para um assunto capaz de mobilizar interesses diversos, além de paixão: a volta de Neymar à seleção brasileira sob o comando do italiano Carlo Ancelotti.

Dom Carletto foi anunciado com contrato até 2030, algo inédito na história da CBF, e a convocação ganhou contornos de evento internacional no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Influenciadores, comentaristas, publicitários, ex-jogadores e até analistas políticos entraram no debate.

O foco, porém, acabou sendo Neymar. Criou-se uma sensação de inevitabilidade, como se a seleção não pudesse disputar a próxima Copa do Mundo sem o camisa 10. O problema é que o contexto esportivo não justificava tamanho consenso.

Neymar vive fase irregular no Santos, equipe que luta para se afastar das últimas posições do Brasileirão. Longe do brilho dos tempos de Barcelona e PSG, o atleta convive com lesões frequentes, limitações físicas e atuações discretas. Ainda assim, o movimento por seu retorno foi intenso e barulhento.

Diferentemente de 2002, quando a pressão pela convocação de Romário partia das arquibancadas, agora ela parece ter surgido principalmente do mercado.

Agências de publicidade, plataformas digitais e veículos de comunicação tinham campanhas prontas para o retorno do atleta.

Bastou a convocação ser anunciada para surgirem comerciais de TV, promoções e até manifestações políticas de apoio.

Parece que o peso econômico/político da marca “Neymar” falou mais alto que a análise do seu desempenho recente.

Com mais de 230 milhões de seguidores nas redes sociais, ele movimenta patrocínios e exposição global em escala rara no esporte brasileiro.

Isso ajuda a explicar o comportamento de outros jogadores. Atletas em grande fase fizeram questão de destacar a importância de atuar ao lado do camisa 10.

Pode haver admiração genuína, mas é impossível ignorar a influência de alguém que se tornou uma potência midiática.

Enquanto isso, nomes vivendo melhor momento técnico acabaram sem espaço. Neymar, por outro lado, chegava cercado por dúvidas físicas e rendimento abaixo do esperado.

Posteriormente, exames confirmaram uma lesão de grau 2 na panturrilha direita, com ruptura parcial das fibras musculares.

Cabe agora a Carlo Ancelotti provar que sua escolha foi técnica. Reconhecido pela habilidade de administrar grandes estrelas, o treinador pode acreditar que Neymar ainda tem condições de liderar um último ciclo competitivo.

Mas também é possível que Dom Carletto tenha compreendido o custo comercial, político e midiático de deixá-lo fora logo no início de seu trabalho.

Há ainda um componente político. Neymar aproximou futebol, redes sociais e disputa ideológica ao assumir posições públicas em favor do bolsonarismo.

Não existe certeza de interferências na decisão da CBF, mas o simples fato de o tema surgir nos bastidores revela como a seleção continua ocupando um espaço que vai muito além do esporte.

No fim, a convocação talvez diga menos sobre futebol e mais sobre o Brasil contemporâneo. Um país em que audiência, influência digital e marketing parecem pesar mais do que desempenho e condição física.

Ancelotti chegou ao Brasil e já descobriu que escalar um camisa 10 pode significar muito mais do que escolher um jogador.

Lembro 1970, quando o general e ditador Emílio Garrastazu Médici pressionou pela convocação de Dadá Maravilha.

O técnico João Saldanha resistiu à interferência, pediu demissão e viu Dadá ir à Copa sem sequer entrar em campo. Ainda assim, o Brasil conquistou o tricampeonato mundial.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Equilíbrio fiscal exige atenção no Estado]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/equilibrio-fiscal-exige-atencao-no-estado/467873/</link>
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				<description><![CDATA[O relatório de gestão fiscal apresentado pelo governo de Mato Grosso do Sul neste primeiro quadrimestre merece atenção.

Nesta edição mostramos alguns dos principais números divulgados pela administração estadual, e eles indicam que a situação financeira do Estado, embora controlada, talvez precise ser melhor explicada à sociedade.

Os dados revelam um desequilíbrio importante entre receitas e despesas. Enquanto a arrecadação cresceu 7,65% em relação ao mesmo período do ano passado, as despesas avançaram 19,3%, quase três vezes mais.

Os números detalhados estão apresentados adiante nesta edição, mas o que chama a atenção desde já é a velocidade com que os gastos públicos aumentam em comparação à capacidade de arrecadação do Estado.

Parte desse crescimento é explicada pelo aumento das despesas com pessoal. Não por acaso, quando observados os parâmetros estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal, Mato Grosso do Sul já aparece acima do limite prudencial da folha de pagamento.

Esse dado, por si só, exige cautela. A legislação criou mecanismos justamente para evitar que o peso da máquina pública comprometa investimentos e reduza a capacidade do Estado de responder às demandas da população.

Quando a folha cresce em ritmo acelerado, o orçamento perde flexibilidade. Recursos que poderiam ser destinados à infraestrutura, saúde, educação ou segurança acabam consumidos por despesas permanentes.

É um problema que não surge de uma hora para outra, mas que precisa ser enfrentado antes de se transformar em uma crise mais grave.

A grande salvação para este ano certamente foi a adesão de Mato Grosso do Sul ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), iniciativa federal de renegociação das dívidas estaduais.

Ao aderir ao programa no ano passado e aceitar as condições impostas pela União, o governo estadual ganhou fôlego financeiro importante.

Na prática, a renegociação permite que parte significativa dos recursos que antes seriam destinados ao pagamento da dívida pública – especialmente juros e amortizações – permaneça no caixa estadual para outras despesas orçamentárias.

Sem esse alívio temporário, o cenário fiscal provavelmente seria ainda mais apertado.

Governar também significa fazer escolhas difíceis. Ajustar as contas públicas nem sempre rende popularidade, mas é essencial para garantir estabilidade financeira no médio e longo prazo.

Quando o equilíbrio fiscal se deteriora, quem mais sofre é justamente a população que depende dos serviços públicos na ponta.

Mato Grosso do Sul ainda tem indicadores econômicos relevantes e capacidade de reação. Porém, os números apresentados neste quadrimestre servem como aviso claro de que a boa gestão fiscal continua sendo condição indispensável para preservar investimentos, manter serviços essenciais e evitar problemas maiores no futuro.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[Tratamentos oncológicos: proteção reforçada na Justiça ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/tratamentos-oncologicos-protecao-reforcada-na-justica/467822/</link>
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				<description><![CDATA[No debate da judicialização da saúde, a oncologia ocupa lugar especial. O câncer é uma doença grave, muitas vezes progressiva, e o tempo pode ser decisivo. Em diversos casos, perder a chamada “janela terapêutica” significa perder a oportunidade de tratamento eficaz. Compreender como funcionam os sistemas público e privado de saúde nessa questão faz toda a diferença.

Nos planos de saúde, há forte proteção jurídica para tratamentos oncológicos, especialmente para quimioterapia, radioterapia, imunoterapia, terapias-alvo e medicamentos antineoplásicos orais.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconhece que, embora medicamentos de uso domiciliar possam ser excluídos em regra, há exceções importantes, como os antineoplásicos orais, medicamentos correlacionados, medicação assistida em home care e produtos incluídos no rol da ANS.

Em termos simples, o que se entende é que um remédio contra câncer não pode ser negado apenas porque é tomado em casa, se a lei e a indicação médica apontam para sua cobertura.

No Sistema Único de Saúde (SUS), a assistência oncológica também vem passando por mudanças. A Portaria GM/MS nº 8.477/2025 instituiu o componente da assistência farmacêutica em oncologia, o AF-Onco, voltado ao financiamento, aquisição, distribuição e dispensação de medicamentos oncológicos no SUS.

Essa evolução mostra que o Estado também busca organizar melhor o acesso a medicamentos contra o câncer, embora a incorporação de novas tecnologias continue sendo um processo técnico e gradual.

Para além dos direitos ligados à saúde para tratamentos oncológicos, há outras doenças graves e raras, cujos custos, ao encontrar a urgência, também desembarcam na Justiça.

Essas doenças raras representam um dos maiores desafios da saúde contemporânea. Muitas atingem crianças, têm evolução rápida e não contam com várias opções terapêuticas.

Em alguns casos, a terapia gênica pode ser a única alternativa capaz de modificar o curso da doença.

Um exemplo conhecido é o Zolgensma, utilizado em determinados casos de atrofia muscular espinhal. A Conitec noticiou acordo para viabilizar sua oferta no SUS por meio de compartilhamento de risco, modelo em que parte do pagamento fica condicionada ao resultado clínico do tratamento.

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Esse tipo de solução tende a ganhar espaço. Em vez de simplesmente negar ou conceder tratamentos milionários, o sistema passa a discutir modelos de pagamento vinculados a resultado, negociação nacional de preços e acompanhamento clínico.

Na medicina atual, a terapia CAR-T Cell é uma das fronteiras mais relevantes. De forma simplificada, ela consiste em retirar células de defesa do paciente, modificá-las em laboratório e reinseri-las no organismo para combater células cancerígenas.

A Anvisa já aprovou produtos de terapia avançada com células CAR-T no Brasil, inclusive para determinados cânceres hematológicos.

A agência também esclarece que esses produtos fazem parte de uma nova categoria de medicamentos, chamados produtos de terapias avançadas, que incluem terapias gênicas, celulares e de engenharia tecidual.

Isso é importante porque muitas negativas de cobertura usam a palavra “experimental” de forma ampla. Mas nem todo tratamento inovador é experimental.

Um tratamento pode ser novo, complexo e caro, mas ainda assim ter registro sanitário, indicação médica e evidência científica. O que não se pode admitir é a confusão entre inovação e aventura terapêutica.

Essa “confusão”, por assim dizer, também acontece de forma recorrente no chamado uso off-label, que ocorre quando um medicamento registrado na Anvisa é prescrito para uma finalidade diferente daquela descrita originalmente na bula.

O uso off-label acontece em várias áreas da medicina, especialmente em oncologia, doenças autoimunes e doenças raras.

O ponto jurídico mais relevante é que off-label não significa, por si só, tratamento experimental.

Nesse sentido, o STJ já decidiu que plano de saúde não pode recusar automaticamente medicamento registrado na Anvisa apenas porque a prescrição é off-label, devendo o caso ser analisado conforme a indicação médica e os critérios técnicos aplicáveis.

Para o paciente, então, a mensagem é: o plano não pode negar de forma automática e genérica, mas o pedido também precisa estar bem fundamentado em evidências médicas.

Em ações de saúde, especialmente quando se pede uma liminar, a pressa é compreensível. Quem precisa de tratamento contra câncer, doença rara ou doença autoimune grave não pode esperar indefinidamente. Mas a urgência precisa vir acompanhada de prova.

O relatório médico deve explicar o diagnóstico, a gravidade, os tratamentos já tentados, a razão pela qual as alternativas disponíveis não servem, o risco da demora e a base científica da indicação.

A negativa do SUS ou do plano de saúde também deve ser documentada. Sem negativa formal, o processo pode começar mais frágil. Em demandas contra o SUS, é importante comprovar o pedido administrativo.

Contra planos de saúde, é essencial guardar protocolo, e-mails, relatórios de auditoria e a justificativa da recusa.

Com assistência jurídica e robustez documental, é amplamente possível a via judicial para a proteção da vida e da dignidade humana. Muitas decisões judiciais garantiram tratamentos que foram indevidamente negados.

A medicina evolui consideravelmente e em velocidade maior do que os sistemas de saúde se organizam. De um lado, o paciente não pode ser abandonado diante de uma negativa burocrática, abusiva ou desumana.

Do outro, é verdade que nenhum sistema, público ou privado, consegue sobreviver sem critérios técnicos, previsibilidade e responsabilidade. O caminho mais adequado está no equilíbrio.

O que se espera, afinal, é a construção de um sistema capaz de oferecer esperança real aos pacientes, sem transformar a inovação médica em privilégio para poucos ou em promessa impossível para todos.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 09 Jun 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Seriedade no combate às facções criminosas ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/seriedade-no-combate-as-faccoes-criminosas/467821/</link>
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				<description><![CDATA[O reforço do governo federal no combate às organizações criminosas em Mato Grosso do Sul é uma medida necessária e que merece reconhecimento.

Nesta edição, mostramos que os recursos para o pagamento de diárias de policiais estaduais chegaram e que as ações de enfrentamento a facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) estão sendo intensificadas.

Em um estado de fronteira, onde a criminalidade organizada se aproveita da posição geográfica estratégica para alimentar rotas de tráfico, armas e lavagem de dinheiro, qualquer apoio concreto à segurança pública deve ser visto como prioridade nacional.

Toda ação de combate às organizações criminosas é importante. Cada quadrilha desarticulada, cada liderança presa, cada rota interrompida representa uma vitória da sociedade contra estruturas que lucram com violência, medo e corrupção.

Não se trata apenas de reduzir índices criminais, mas de proteger instituições, preservar vidas e impedir que o crime avance sobre espaços que pertencem ao Estado.

As operações, os investimentos e o apoio logístico são bem-vindos. Mato Grosso do Sul convive há décadas com os reflexos do crime transnacional.

A proximidade com países vizinhos transforma o Estado em ponto sensível para o tráfico internacional e exige uma atuação integrada de União, estados e forças de inteligência.

Não há como enfrentar organizações bilionárias apenas com esforços isolados ou ações esporádicas.

Ao mesmo tempo, é preciso cautela para que o impacto dessas operações não seja apenas dissuasivo em um primeiro momento e, depois, meramente político.

A segurança pública será tema inevitável das próximas eleições e partidos de diferentes espectros vão explorar o assunto em busca de capital eleitoral.

O risco está em transformar operações complexas, que exigem planejamento técnico e continuidade, em vitrines de ocasião.

Combater organizações criminosas é coisa séria demais para se resumir a discursos de efeito ou a ações pensadas para viralizar nas redes sociais.

Operações de segurança pública devem ser precisas, silenciosas, quando necessário, baseadas em inteligência e sustentadas por resultados permanentes.

O enfrentamento ao crime organizado não pode depender do calendário eleitoral nem da necessidade de produzir imagens de impacto.

Mais do que apreensões momentâneas, o Brasil precisa enfraquecer financeiramente essas facções, interromper suas cadeias de comando e impedir sua infiltração em setores econômicos e institucionais.

Isso exige integração entre polícias, Ministério Público, Judiciário e órgãos de fiscalização, além de investimentos constantes em tecnologia e inteligência.

Mato Grosso do Sul pode ajudar muito o Brasil nessa missão. Por sua posição geográfica, o Estado é uma das principais portas de entrada e de circulação do crime organizado.

Mas também pode se transformar em referência nacional no combate às facções, desde que haja continuidade nas ações, cooperação federativa e compromisso real com políticas de segurança pública de longo prazo.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 09 Jun 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[Homem é morto à luz do dia em Maracajú ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/homem-e-morto-a-luz-do-dia-em-maracaju/467783/</link>
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				<description><![CDATA[Na manhã do último domingo (7), um jovem de 26 anos foi assassinado com 11 tiros em frente à um conjunto residencial em Maracajú, no interior do Estado. O crime aconteceu por volta das 11 horas da manhã, no momento a vítima estava tomando tereré com um amigo, que estava com seu filho. 

A polícia tomou conhecimento do caso após uma chamada no 190, solicitando que uma viatura fosse destinada para o local, pois um homem havia sido vítima de homicídio. 

De acordo com os relatos policiais, ao chegarem no local, encontraram a vítima caída no chão com várias lesões causadas por disparos de arma de fogo. 

Segundo a testemunha que realizou o chamado à polícia, eles estavam sentados em frente ao residencial tomando tereré, quando chegaram dois homens a pé e armados. 

Ao perceber que os homens portavam armas, a testemunha entrou correndo com o filho para o quintal no momento dos disparos que acertaram a vítima. A testemunha disse posteriormente aos policiais que não se lembra da aparência física dos atiradores, que fugiram do local correndo pela rua. 

O Corpo de Bombeiros também foi acionado para ir ao local, chegando lá conferiram os sinais vitais e afirmaram que ele faleceu na hora dos disparos. A área foi cercada para manter as provas até a chegada da Polícia Científica, para realizar a perícia. 

Os autores do crime ainda não foram identificados e a equipe da polícia local segue fazendo as investigações para descobrir o que teria motivado tal acontecimento.  
 
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				<category>Cidades</category>
				<pubDate>Mon, 08 Jun 2026 10:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Sem trilhos, Brasil precisa de gestão de primeiro mundo para mover sua carga pelo asfalto]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/sem-trilhos-brasil-precisa-de-gestao-de-primeiro-mundo-para-mover-sua/467775/</link>
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				<description><![CDATA[O Brasil é um gigante continental que tenta se mover por um gargalo. É impossível olhar para o nosso mapa logístico sem sentir o peso de uma escolha histórica: abrimos mão dos trilhos para apostar tudo no asfalto.

Enquanto os Estados Unidos operam sobre mais de 260 mil quilômetros de ferrovias e a Europa integra modais com precisão cirúrgica, o Brasil sobrevive com uma malha ferroviária de apenas 32 mil km.

Na prática, isso significa que a espinha dorsal da nossa economia, ou seja, 65% de tudo o que produzimos e consumimos, repousa sobre quatro eixos e uma carroceria.

Neste cenário, o transporte rodoviário não é apenas um modal, é o nosso único caminho. E é justamente aqui que reside um contrassenso que acompanho de perto há anos: por sermos tão dependentes do caminhão, deveríamos ser os melhores do mundo em gerir frotas. Mas, infelizmente, a realidade ainda é pautada pelo improviso.

Diferentemente de um empresário americano ou europeu, o transportador brasileiro não tem amortecedores. Se um trem descarrila nos EUA, a carga é redirecionada. Se o frete marítimo sobe na Europa, a ferrovia absorve.

No Brasil, quando um veículo para por manutenção mal planejada ou quebra em plena rodovia, a operação inteira entra em colapso. Não há trilhos para absorver o atraso.

Muitas vezes me perguntam por que empresas estrangeiras investem tanto em plataformas de gestão, telemetria e manutenção preditiva, mesmo tendo diversas opções logísticas à disposição. A resposta é simples: controle é prioridade estratégica.

No Brasil, negligenciar a gestão de ativos chega a ser um risco existencial. Principalmente quando o preço do combustível bate recordes e o custo logístico devora mais de 12% do PIB. Não temos margem para o “desperdício silencioso”.

Não há mais espaço para tratar a gestão de frotas como um processo isolado, é preciso gerir, extrair o máximo de performance de cada pneu, de cada litro de diesel e de cada real investido.

Isso só é possível quando abandonamos as planilhas manuais e os sistemas desconectados para abraçar uma gestão em 360º.

Falo de auditoria real de abastecimento, check-lists rastreáveis que garantem segurança jurídica e, principalmente, a integração total entre a operação e o financeiro.

Afinal, ignorar a inteligência de dados na frota é aceitar custos mais altos, paradas não planejadas e a perda inevitável de competitividade.

A tendência global é clara: o futuro da logística não está apenas no motor, mas na inteligência.

Se o Brasil quer competir de igual para igual com as grandes economias, precisamos parar de tratar frotas como custo e passar a tratá-las como o ativo estratégico que elas são.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 08 Jun 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Muito além das tarifas ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/muito-alem-das-tarifas/467773/</link>
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				<description><![CDATA[O tabuleiro do comércio global sofreu um realinhamento profundo, e o Brasil agiu tarde demais diante de Washington. A confirmação de que o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) concluiu a investigação sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, recomendando tarifa punitiva de 25% sobre produtos brasileiros, é um revés severo.

Representa o ápice do protecionismo técnico da administração de Trump e expõe fragilidades crônicas na nossa diplomacia corporativa e governamental.

Como alguém que dirigiu a promoção de exportações da ApexBrasil, posso garantir que o anúncio traz lições amargas sobre nossa incapacidade de antecipar o risco regulatório global.

Diferentemente do açodado tarifaço de 2025, derrubado nos tribunais americanos por seu caráter político, a investida de Jamieson Greer tem blindagem técnica sofisticada.

Ao ancorar as penalidades nas conclusões da Seção 301, os EUA ergueram barreiras de difícil reversão.

O USTR apontou seis práticas injustas: barreiras ao comércio digital, assimetrias em pagamentos eletrônicos, distorções em tarifas preferenciais, morosidade na propriedade intelectual, disputas no etanol e desmatamento ilegal.

Ao usar a pauta ambiental como dumping ecológico, Washington desarmou a retórica de Brasília, provando que a defesa de seus interesses não tem amarras ideológicas, mas objetivos práticos.

O desenho cirúrgico das sobretaxas revela a realpolitik americana destes tempos. A

o poupar setores estratégicos como aeroespacial (preservando a Embraer), combustíveis fósseis, minerais críticos, café e carne bovina, Washington protegeu sua indústria e eleitores da inflação.

Onde o Brasil tem indispensabilidade estrutural, o pragmatismo prevaleceu; onde somos substituíveis, houve revés.

O governo brasileiro tem sua parcela de culpa, uma vez que alimentou a retórica antiamericana e falhou em deter o processo nos bastidores, escancarando que nossa diplomacia perdeu densidade técnica e interlocução com o poder americano.

Para agravar, enfrentamos a contaminação de agendas, aquilo que chamo de linkage diplomacy. A classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas internacionais por Washington fundiu a governança econômica à segurança nacional dos EUA.

O comércio virou moeda de troca geopolítica, um tabuleiro onde Brasília tem dificuldade de se mover.

Diante disso, o Brasil precisa redesenhar sua defesa comercial, devolvendo o protagonismo à diplomacia corporativa privada e aos setores produtivos.

Se o canal intergovernamental falha por saturação ideológica, o empresariado deve assumir a liderança, como fizemos em 2025.

Como sempre ressaltei, o setor privado precisa ir a Washington demonstrar, com dados econômicos, como a taxa de 25% afetará a competitividade das próprias indústrias e os consumidores americanos que dependem de nossos insumos.

Foi assim que derrubamos centenas de tarifas em nossa mais recente incursão nos corredores da capital americana. A partir de agora, o jogo recomeça.

A lição da Seção 301 é clara: a inserção internacional do País não pode depender de voluntarismos políticos.

O protecionismo contemporâneo não se combate com notas de repúdio, mas com inteligência comercial, previsibilidade e presença ativa onde as regras são escritas.

Sem eficiência interna e estabilidade regulatória, perderemos mercados que levamos décadas para conquistar.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 08 Jun 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A jogatina e a responsabilidade]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-jogatina-e-a-responsabilidade/467771/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-jogatina-e-a-responsabilidade/467771/</guid>
				<description><![CDATA[Mato Grosso do Sul caminha para implantar sua loteria estadual, a Lotesul, com promessas que soam sedutoras: recursos para saúde, educação, segurança pública e desenvolvimento social. O argumento é legítimo.

A intenção, possivelmente, também. Mas os números que chegam do restante do Brasil impõem uma reflexão que não pode ser adiada.

A Lei nº 5.720, de 2021, autorizou a exploração da loteria estadual pelo governo, com execução a cargo da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz). O Estado, portanto, já deu o passo legal.

Agora prepara o passo operacional. É exatamente neste intervalo entre a decisão e a execução que a sociedade precisa ser ouvida.

Os dados nacionais são alarmantes. De janeiro de 2023 a março de deste ano, a inadimplência causada pelas apostas eletrônicas retirou R$ 143 bilhões do comércio varejista, equivalente ao volume de vendas dos períodos de Natal de 2024 e 2025 somados.

Estima-se que 270 mil famílias foram levadas à inadimplência severa, com atrasos superiores a 90 dias. Os mais afetados são homens, famílias de baixa renda com até cinco salários mínimos e pessoas acima de 35 anos.

O Estado já entra na Lotesul com 57% da população adulta negativada e 72% das famílias da Capital endividadas.

As pesquisas são uníssonas: nas camadas de menor renda, o efeito é generalizado, com deterioração do orçamento, aumento do endividamento e dificuldade crescente de reversão das dívidas.

Em Mato Grosso do Sul, onde parcela significativa da população ainda convive com vulnerabilidade econômica, esse risco não é abstrato, é concreto.

Levantamento da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, concluiu que o vício em apostas on-line já figura como a causa número um para o descontrole financeiro dos lares brasileiros. O mesmo estudo revela que 4 em cada 10 apostadores se endividaram após ingressar nas plataformas.

A corrida pela arrecadação é compreensível: os cofres públicos estão sempre sob pressão. Mas arrecadar com o desespero de quem aposta na sorte porque não encontra saída na economia real não é política pública. É, no mínimo, uma contradição que merece debate aberto.

Senhores leitores, o Correio do Estado não questiona a legalidade da iniciativa nem a boa-fé das destinações previstas, questiona o momento, o modelo e, sobretudo, a ausência de um debate amplo com a sociedade deste estado antes que as apostas se instalem em cada esquina, física ou virtual.

Há tempo para aprender com os erros alheios antes de repeti-los. Há tempo para desenhar salvaguardas reais que protejam quem mais tem a perder.

A loteria pode ser uma ferramenta ou pode ser uma armadilha disfarçada de oportunidade. A diferença, como sempre, está entre o remédio e o veneno.

Com respeito e responsabilidade, Correio do Estado.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 08 Jun 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Emendas parlamentares, ONGs e o dever de rastrear o dinheiro público]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/emendas-parlamentares-ongs-e-o-dever-de-rastrear-o-dinheiro-publico/467691/</link>
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				<description><![CDATA[A destinação de recursos públicos por meio de emendas parlamentares tornou-se um dos principais instrumentos de execução orçamentária no Brasil contemporâneo. Trata-se de mecanismo legítimo, previsto constitucionalmente e capaz de atender demandas relevantes da sociedade.

Contudo, justamente por envolver a transferência de verbas públicas para entes privados e organizações da sociedade civil, exige níveis elevados de transparência, controle e prestação de contas.

Quando esses requisitos falham, surgem dúvidas que ultrapassam o campo administrativo e alcançam o terreno da responsabilidade política, civil e eventualmente penal.

A recente reportagem publicada pelo UOL acerca da destinação de R$ 1 milhão em emenda parlamentar indicada pelo deputado federal Mário Frias ao Instituto Conhecer Brasil reacendeu um debate que vai muito além dos personagens envolvidos. A questão central não é ideológica nem partidária.

Trata-se de saber se o dinheiro público chegou efetivamente ao destinatário social prometido ou se foi absorvido por uma estrutura incapaz de demonstrar, de forma clara e objetiva, a execução da finalidade anunciada.

Segundo a reportagem, os recursos foram destinados à execução do projeto Jovens Empreendedores, voltado ao letramento digital e ao empreendedorismo para estudantes da rede pública municipal de Pirassununga, no interior de São Paulo.

Entretanto, diretores de escolas, moradores, responsáveis técnicos e até mesmo a administração municipal teriam informado desconhecer a realização das atividades descritas no plano de trabalho.

Se confirmadas, tais informações revelam um cenário preocupante, pois uma política pública voltada à educação básica deveria deixar registros concretos, verificáveis e facilmente identificáveis pelos beneficiários diretos.

Em matéria de gestão pública, a simples existência de notas fiscais ou documentos formais não é suficiente para demonstrar a correta aplicação dos recursos. O princípio da eficiência exige a comprovação do resultado.

A administração pública não remunera apenas despesas; remunera a entrega efetiva do objeto contratado. Quando um projeto educacional não é reconhecido pelas escolas que supostamente deveriam recebê-lo, surge uma incompatibilidade relevante entre a finalidade declarada e a execução comprovada.

A situação torna-se ainda mais delicada diante das informações de que parte dos recursos teria sido destinada a empresas contratadas pelo instituto, incluindo uma empresa pertencente ao advogado do parlamentar responsável pela indicação da emenda.

Evidentemente, a mera existência dessa relação não constitui prova de irregularidade. Contratações privadas podem ser legítimas e compatíveis com a execução de projetos financiados por recursos públicos. Entretanto, quando há vínculos pessoais ou profissionais entre os envolvidos, o grau de escrutínio deve ser proporcionalmente ampliado.

O problema não reside apenas na eventual legalidade formal da contratação. O ponto central é a necessidade de demonstrar que os serviços foram efetivamente prestados, que possuíam pertinência com o objeto financiado e que não serviram como mecanismo indireto de favorecimento.

Em um Estado Democrático de Direito, a confiança pública depende não apenas da ausência de ilegalidades, mas também da capacidade de afastar dúvidas razoáveis sobre a correta destinação dos recursos.

A Constituição Federal estabelece que a administração pública deve observar os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Esses princípios não são conceitos abstratos.

Funcionam como critérios concretos de avaliação da legitimidade dos atos administrativos. Quando surgem lacunas documentais, ausência de comprovação material e contradições sobre a execução de um projeto custeado com dinheiro público, o dever de fiscalização não apenas se justifica como se impõe.

É importante registrar que a existência de suspeitas ou indícios não equivale a condenação. O ordenamento jurídico brasileiro consagra a presunção de inocência e exige prova robusta para qualquer responsabilização.

Acusações de corrupção demandam demonstração de dolo, vantagem indevida e participação consciente dos agentes envolvidos. Nenhum desses elementos pode ser presumido. Eles devem ser apurados pelos órgãos competentes e comprovados dentro do devido processo legal.

Todavia, a cautela jurídica não pode servir de pretexto para a inércia institucional. A ausência de condenação não elimina o dever de investigar. Ao contrário, é justamente a presença de indícios relevantes que legitima a atuação dos órgãos de controle, do Ministério Público, dos tribunais de contas e do Poder Judiciário.

A transparência não é um favor concedido ao contribuinte. É obrigação inerente a qualquer agente que administra recursos públicos.

O episódio ganha dimensão ainda maior, porque ocorre em um contexto nacional marcado por sucessivos debates sobre o controle das emendas parlamentares. Nos últimos anos, o País testemunhou controvérsias envolvendo critérios de distribuição, rastreabilidade dos recursos e mecanismos de fiscalização.

Em um ambiente institucional que busca aperfeiçoar a governança dessas verbas, casos como esse reforçam a necessidade de ampliar a capacidade de monitoramento da execução financeira e da entrega efetiva dos resultados prometidos à população.

No fim das contas, a pergunta mais importante permanece sem resposta definitiva. O dinheiro público financiou o projeto educacional apresentado à sociedade ou acabou beneficiando uma rede de interesses privados incapaz de demonstrar de forma inequívoca a execução da finalidade anunciada? A resposta dependerá das investigações em curso e da qualidade das provas produzidas.

Enquanto isso, uma conclusão já se impõe. Em uma democracia madura, não basta autorizar o gasto. É preciso acompanhar o percurso de cada recurso público até o seu destino final. O dever de prestar contas não se encerra na emissão de notas fiscais nem na apresentação de relatórios formais.

Ele exige comprovação material, transparência integral e rastreabilidade completa. Afinal, quando se trata de dinheiro do contribuinte, a verdadeira prestação de contas começa exatamente onde termina a transferência dos recursos.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 06 Jun 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[ANTT assiste ao abandono da ferrovia]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/antt-assiste-ao-abandono-da-ferrovia/467690/</link>
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				<description><![CDATA[Onde está a autoridade moral das agências reguladoras brasileiras? A pergunta se torna inevitável diante da situação da concessão ferroviária da Malha Oeste, em Mato Grosso do Sul, administrada pela Rumo.

O caso expõe como o modelo de concessões públicas no Brasil ainda é mal fiscalizado, mal regulado e excessivamente tolerante com concessionárias que descumprem obrigações bilionárias sem consequências proporcionais.

Conforme o leitor verá com mais detalhes nesta edição, o cenário vai muito além de uma discussão técnica sobre contratos ferroviários. Há um evidente abandono da infraestrutura pública, acompanhado de uma incapacidade do Estado em exigir o cumprimento das obrigações assumidas pela concessionária.

A Rumo está há décadas à frente da Malha Oeste. Neste período, acumulou dívidas relacionadas à outorga, multas e arrendamentos atrasados.

A soma dos débitos ultrapassa R$ 8 bilhões. O mais grave talvez nem seja o tamanho da dívida, mas a percepção crescente de que não existe perspectiva concreta de que estes valores sejam pagos ao governo federal.

O cenário caminha para uma espécie de legitimação institucional do calote. E, lamentavelmente, ainda há quem defenda esta possibilidade sob o argumento de que obrigar a empresa a quitar suas dívidas poderia inviabilizar financeiramente a concessionária. Ou seja: o descumprimento contratual passa a ser tratado quase como algo aceitável.

Mas qual mensagem isso transmite ao País? Como exigir responsabilidade de pequenos empresários e cidadãos comuns se grandes concessionárias conseguem empurrar obrigações por décadas enquanto seguem operando normalmente? O problema não é apenas financeiro. É moral, institucional e regulatório.

A situação também escancara a fragilidade das agências reguladoras. No caso da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a impressão é de impotência – ou complacência.

Afinal, qual foi a regulação exercida diante do abandono da Malha Oeste? Em muitos trechos, a ferrovia está deteriorada, inutilizada e sem perspectiva concreta de recuperação.

A pergunta inevitável surge naturalmente: se a concessão se tornou inviável ou abandonada, por que a Rumo não devolve a ferrovia? A resposta provavelmente envolve interesses estratégicos.

Deixar a concessão significaria enfrentar obrigações bilionárias pendentes. Além disso, manter o controle da malha impede eventual entrada de concorrentes interessados na operação ferroviária da região.

O resultado é perverso. Mato Grosso do Sul permanece com uma ferrovia praticamente abandonada, o setor produtivo perde competitividade logística, o poder público deixa de arrecadar bilhões e a concessionária segue administrando uma estrutura que pouco entrega em troca do que recebeu.

O problema das concessões no Brasil nunca foi apenas transferir ativos públicos para a iniciativa privada. O verdadeiro problema está na ausência de fiscalização firme, na fragilidade das punições e na incapacidade do Estado de agir.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 06 Jun 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Dia Mundial do Meio Ambiente: escolhas sensatas para garantir o futuro ]]></title>
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				<description><![CDATA[Em um mundo que enfrenta eventos climáticos cada vez mais extremos, como escassez hídrica, inundações, perda acelerada da biodiversidade e crescente pressão sobre os recursos naturais, o Dia Mundial do Meio Ambiente deixa de ser apenas uma data simbólica para se tornar um momento de reflexão sobre as escolhas que definirão o futuro das próximas gerações.

Os sinais de alerta estão por toda parte. Desde ondas de calor a enchentes devastadoras até secas severas em vários continentes evidenciam que as mudanças climáticas já não são uma projeção para o futuro.

Elas fazem parte do presente. E seus impactos atingem economias, cadeias produtivas, cidades e populações inteiras.

Nesse cenário global, o Brasil ocupa uma posição singular. Poucos países têm tamanho patrimônio natural. Abrigamos cerca de 20% da biodiversidade do planeta, a maior floresta tropical do mundo, algumas das mais importantes reservas de água doce e ecossistemas fundamentais para o equilíbrio climático regional e global.

Por isso, os dados mais recentes de redução do desmatamento de 20,4% no País, com destaque para a queda na Amazônia e no Cerrado, ganham relevância que ultrapassa as fronteiras nacionais e representa mais do que um indicador ambiental positivo.

Ela demonstra que é possível compatibilizar desenvolvimento econômico, produção e conservação quando há planejamento, monitoramento, investimento e engajamento da sociedade.

Mas seria um equívoco interpretar esses resultados como uma missão cumprida.

A Amazônia continua exercendo papel decisivo na regulação do clima e no regime de chuvas que sustenta a agricultura brasileira.

O Cerrado segue sendo reconhecido como “berço das águas do País”, afinal nesse bioma nascem as três maiores bacias hidrográficas.

A Mata Atlântica, embora severamente reduzida ao longo da história, concentra milhões de brasileiros e presta serviços ambientais indispensáveis para a qualidade de vida nas áreas urbanas.

O Pantanal, a Caatinga e os Pampas seguem enfrentando desafios relacionados à degradação, às queimadas e à pressão sobre seus recursos naturais.

Além disso, a conservação não pode ser medida apenas pela redução das áreas desmatadas. É preciso considerar a qualidade dos ecossistemas, a recuperação de áreas degradadas, a proteção das nascentes, a gestão adequada dos resíduos, o tratamento de esgoto, a redução das emissões de gases de efeito estufa e a capacidade das cidades de se adaptarem às transformações climáticas.

Essa visão integrada é cada vez mais necessária porque os impactos ambientais deixaram de ser um tema restrito aos especialistas.

Eles afetam diretamente a saúde pública, a disponibilidade de água, a geração de energia, a produção de alimentos, os investimentos e a competitividade econômica dos países.

Não por acaso, as principais economias do mundo têm ampliado exigências ambientais em suas relações comerciais. Preservar o meio ambiente tornou-se também uma questão estratégica de desenvolvimento.

O Brasil reúne todas as condições para exercer protagonismo nessa agenda. Temos conhecimento técnico, capacidade científica, recursos naturais e uma sociedade cada vez mais consciente da importância da conservação.

O desafio agora é transformar essas potencialidades em políticas permanentes e em ações concretas que resistam às mudanças de governos, aos ciclos econômicos e às pressões conjunturais.

Mais do que celebrar avanços, neste mês dedicado ao Meio Ambiente devemos reafirmar compromissos.

A redução do desmatamento precisa ser consolidada. A recuperação de áreas degradadas deve ganhar escala.

A universalização do saneamento precisa ser acelerada. A educação ambiental deve ocupar espaço permanente na formação das novas gerações.

E empresas, instituições e cidadãos precisam compreender que sustentabilidade é uma condição para a continuidade do desenvolvimento.

O futuro não será definido pelas metas que anunciamos, mas pelas decisões que tomamos e pela capacidade de transformá-las em resultados permanentes.

Preservar os biomas brasileiros, proteger nossas águas, recuperar áreas degradadas e reduzir as emissões de carbono não são escolhas facultativas. São responsabilidades inadiáveis, sob a ameaça de pagarmos um alto preço.

Precisamos de ações práticas para enfrentar de forma consciente e com garantia da perpetuação de todas as formas de vida.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[Como uma política pública fica obsoleta?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/como-uma-politica-publica-fica-obsoleta/467645/</link>
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				<description><![CDATA[O programa CNH Social, criado pelo governo de Mato Grosso do Sul em 2022 e ainda em vigor por força de lei estadual, caminha para um momento decisivo: ou passa por uma atualização estratégica ou corre o risco de se tornar obsoleto diante das mudanças recentes no acesso à Carteira Nacional de Habilitação (CNH) no Brasil.

A iniciativa estadual surgiu com um objetivo social relevante: permitir que pessoas de baixa renda conquistassem a CNH sem custos.

O programa subsidia todas as etapas do processo, desde exames até aulas práticas e teóricas nas autoescolas. T

rata-se de uma política pública importante, especialmente em um país no qual o custo para tirar a habilitação sempre foi uma barreira significativa para milhares de trabalhadores.

Entretanto, o cenário mudou. O programa federal que flexibiliza parte das exigências para obtenção da CNH, reduzindo custos principalmente pela diminuição da obrigatoriedade de determinadas aulas nas autoescolas, acabou tirando grande parte da atratividade do modelo sul-mato-grossense.

Ainda que o programa federal não ofereça gratuidade total, ele reduz substancialmente o valor final pago pelo candidato e amplia o acesso ao documento.

Diante desta nova realidade, o pior caminho seria simplesmente deixar o CNH Social abandonado ou mantido de forma automática, sem qualquer revisão estratégica.

E é justamente esta sensação que começa a surgir: a de um programa importante, mas sem atualização compatível com as transformações do mercado e das políticas públicas nacionais.

O que esta situação exige é uma atuação mais ativa, técnica e visionária do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS).

Programas públicos não podem permanecer estáticos enquanto a realidade econômica e social muda rapidamente.

Planejamento estratégico eficiente pressupõe adaptação constante, revisão de metas e capacidade de identificar novas demandas da sociedade.

E talvez a principal delas esteja justamente no mercado de trabalho. Em Mato Grosso do Sul, ter CNH continua sendo porta de entrada para inúmeras oportunidades profissionais.

Em um estado fortemente ligado ao agronegócio, à logística, à mineração e à indústria da celulose, existe demanda permanente – e crescente – por motoristas qualificados, especialmente para veículos de grande porte.

Por isso, o CNH Social precisa ser recalibrado. Em vez de concentrar esforços apenas na primeira habilitação das categorias mais básicas, o programa poderia priorizar a formação e qualificação de motoristas para as categorias D e E, destinadas ao transporte de passageiros, caminhões e carretas.

Esta mudança teria impacto social e econômico relevante. Permitiria que trabalhadores de baixa renda conquistassem profissões com melhor remuneração, ajudaria pessoas que já têm CNH a avançarem profissionalmente e ainda atenderia a uma necessidade concreta de grandes empresas instaladas no Estado, que frequentemente relatam dificuldade para encontrar profissionais habilitados para operar veículos de transporte pesado.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[Saúde mental: o limite entre o bem-estar e a responsabilidade legal]]></title>
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				<description><![CDATA[Asaúde mental, historicamente relegada ao campo da subjetividade e do foro íntimo, atravessa hoje uma transição necessária para o cerne do ordenamento jurídico brasileiro.

O que outrora era visto como uma benevolência institucional ou uma preocupação secundária na gestão de pessoas e políticas públicas, hoje se impõe como uma obrigação legal inafastável, sustentada por um arcabouço normativo que exige das organizações e do Estado uma postura proativa, e não apenas reativa.

A dignidade da pessoa humana, fundamento da nossa República, é o ponto de partida para compreendermos que o bem-estar psíquico não é um privilégio, mas uma extensão do direito à vida e à saúde, conforme preconizado pelo Artigo 196 da Constituição.

No entanto, a novidade reside na forma como o Direito contemporâneo passou a decodificar o sofrimento mental como um risco passível de prevenção e reparação.

Nesse cenário, a promulgação de legislações como a Lei nº 14.831/2024, que institui o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental, sinaliza que o legislador reconhece a urgência de uma mudança cultural.

Não se trata apenas de cumprir protocolos formais ou de oferecer benefícios superficiais de bem-estar; a obrigação legal agora se manifesta no dever de cuidado e na mitigação de riscos psicossociais.

O ambiente de trabalho, especificamente, tornou-se o epicentro dessa discussão, em que a negligência com a integridade emocional do colaborador pode configurar dano moral existencial ou doença ocupacional.

O Judiciário tem sido cada vez mais rigoroso ao entender que o nexo causal entre a gestão organizacional e o transtorno mental é uma realidade técnica, e o descumprimento do dever de garantir um meio ambiente de trabalho saudável gera responsabilidades civis e administrativas severas.

Entretanto, a judicialização da saúde mental não deve ser vista como um fardo, mas como um convite à maturidade das relações sociais e laborais.

Quando o Direito estabelece que a saúde mental é uma obrigação, ele está, na verdade, protegendo a sustentabilidade da própria sociedade.

O custo da omissão é infinitamente superior ao investimento em prevenção: o absenteísmo, o presenteísmo e o colapso dos sistemas previdenciários são as consequências diretas de uma visão obsoleta que ignora a invisibilidade da dor psíquica.

É imperativo que gestores e operadores do Direito compreendam que a conformidade legal (compliance) hoje passa, obrigatoriamente, pelo acolhimento do indivíduo em sua totalidade.

Portanto, elevar a saúde mental ao status de obrigação jurídica é um avanço civilizatório que retira o indivíduo do isolamento de sua patologia e o coloca sob o manto da proteção institucional.

Não basta mais que as empresas e o Estado se digam preocupados; é preciso que existam mecanismos claros de governança, canais de escuta ativa e políticas de redução de estresse que sejam auditáveis e eficazes.

A transição da empatia para a norma jurídica é o que garante que o cuidado não seja interrompido por crises econômicas ou mudanças de gestão.

No fim das contas, o cumprimento dessa obrigação legal é o que separa uma sociedade que apenas sobrevive de uma sociedade que efetivamente prospera com dignidade.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 03 Jun 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Centenário do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/centenario-do-colegio-nossa-senhora-auxiliadora/467558/</link>
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				<description><![CDATA[Entender as questões políticas, econômicas e sociais da atualidade é um desafio necessário para orientar as nossas escolhas para o futuro. Esse desafio envolve ainda a tarefa de não perder de vista as raízes históricas e culturais da hoje capital do Mato Grosso do Sul.

É com essa intenção que registramos, com pouco mais do que 500 palavras, a trajetória centenária do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora de Campo Grande, que certamente preenche um capítulo importante da história da educação da cidade e região. 

No dia 22 de fevereiro de 1926, desembarcaram na Estação Ferroviária de Campo Grande (hoje MS), cinco irmãs religiosas da Congregação de Nossa Senhora Auxiliadora.

Elas chegaram para fundar uma escola para meninas, conforme deliberação da Missão Salesiana do Mato Grosso.

Estava começando a presença histórica do atual colégio que há um século vem prestando relevantes serviços educacionais para o desenvolvimento da cidade e região.

O grupo pioneiro era formado por quatro Filhas de Maria: Maria Oggero (diretora), Norina Obliqui, Hermínia Marques e Maria Gioga.

Estavam acompanhadas da inspetora Irmã Francisca Lang, que veio para auxiliar a instalação do curso primário, nível correspondente às atuais séries iniciais do Ensino Fundamental.

Houve um atraso na viagem iniciada em Corumbá e o trem chegou a Campo Grande por volta de meia-noite.

Razão pela qual ali estavam para recepcioná-las somente o padre João Crippa e o advogado Adalberto Barreto, magistrado da Justiça Militar, que depois foi professor do estabelecimento.

Dois dias depois, o padre João Crippa, o pároco da Matriz de Santo Antônio, celebrou missa em ação de graças pelo início do trabalho educacional das Filhas de Maria.

Por volta das 9 horas do mesmo dia, houve uma recepção de boas-vindas à religiosas na Casa Paroquial, quando discursaram autoridades e a jovem Oliva Enciso, futura professora cujo nome está na história da cidade.

Nos dias seguintes, foram iniciadas as matrículas das alunas para o curso primário, totalizando 143 meninas que passaram a estudar com a religiosas.

Por alguns anos, o Colégio Auxiliadora ficou instalado em uma casa localizada na Rua 26 de Agosto, próximo à esquina com a Avenida Calógeras.

Uma residência histórica construída em 1910, primeira casa de alvenaria da vila, propriedade do empresário e político Amando de Oliveira.

Após o seu falecimento, ocorrido em 1914, a ampla casa foi vendida para a família da “Dona Neta”, que cedeu o imóvel para nele iniciar o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora.

A referida casa era um imóvel amplo, telhado colonial, porão na parte mais baixa, em razão do declive do terreno em direção ao icônico córrego Prosa.

Para finalizar, cinco anos depois da chegada das primeiras Irmãs, as aulas passaram a ser ministradas na sede própria do Colégio, localizado na Rua Pedro Celestino, esquina com a Avenida Mato Grosso.

Novos cursos foram abertos, incluindo os cursos secundário, comercial e a Escola Normal Dom Bosco, que juntamente com a Escola Normal Joaquim Murtinho ampliaram as condições locais de educação escolar.

Conforme memória da professora Oliva Enciso, o majestoso prédio inaugurado, em 1931, ficava no centro de uma extensa região ainda repleta de guavirais e outras plantas retorcidas do cerrado.

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]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 03 Jun 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A lentidão da Justiça e o preço do tempo ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-lentidao-da-justica-e-o-preco-do-tempo/467556/</link>
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				<description><![CDATA[Há uma fratura exposta no sistema judiciário brasileiro que poucos têm coragem de nomear com clareza: a morosidade processual não é apenas uma falha – é, em si, uma forma de punição não prevista em lei.

O caso da Ação Penal nº 1.163, tramitada no Superior Tribunal de Justiça (STJ), ilustra com precisão esse dilema.

Uma denúncia oferecida em 2020, ratificada em 2022, percorreu quase cinco anos de andamentos processuais sem que o mérito fosse efetivamente apreciado pelos magistrados. 

Ao fim, o próprio Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a violação ao princípio constitucional da razoável duração do processo – e determinou o arquivamento da ação, como o leitor poderá saber com mais detalhes adiante, nesta edição.

Passaram-se cinco anos. Para alguns, parece pouco – principalmente para quem se submete às urnas a cada quatro anos.

Para quem aguarda o julgamento de uma demanda, trata-se de uma vida suspensa. Um intervalo que nenhuma sentença tem o poder de devolver.

É nesse vácuo de decisões em que opera o mais antigo e implacável tribunal: o da opinião pública. Sem rito, sem contraditório, sem ampla defesa, ele julga no calor da emoção e condena no impulso do compartilhamento.

Quando a Justiça formal finalmente se pronuncia – arquivando, absolvendo, trancando – o veredicto social já foi proferido há anos. E não há recurso cabível contra ele.

Não se trata de defender réus ou questionar investigações legítimas. Trata-se de reconhecer que um sistema que demora demais produz, inevitavelmente, injustiças por omissão.

A incerteza prolongada corrói reputações, paralisa vidas e alimenta narrativas que o tempo cristaliza como verdade.

Nesse cenário, instrumentos como a delação premiada – valiosos quando bem aplicados – perdem credibilidade ao serem utilizados sem o lastro probatório que a gravidade de uma acusação exige.

A presunção de inocência não é privilégio de poucos: é a muralha que nos protege a todos.

A reforma que o Brasil precisa não passa apenas por mudanças em leis, como sempre ocorre todos os anos, movida pelos parlamentares que dependem do voto popular.

A reforma também deve ser pedagógica e cultural – a compreensão de que julgar antes do tempo é também uma forma de condenar, antes que o processo percorra seu curso e a Justiça, ela mesma, diga a última palavra.

A Justiça quando tarda pune duas vezes: uma vez ao réu, outra vez o próprio Estado Democrático de Direito, porque a demora em se aplicar a lei, em vez de se fazer Justiça, pode gerar injustiça. 

Neste caso, quando há muita demora em se aplicar a lei, a injustiça é para todas a partes envolvidas.

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]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 03 Jun 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A vida é um sopro]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-vida-e-um-sopro/467499/</link>
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				<description><![CDATA[Recentemente, a notícia chegou pelo celular e me parou no meio do expediente. Despedi-me de mais um amigo da minha geração aqui em Campo Grande. Na juventude, ele parecia indestrutível.

Forte, atlético, saudável, daqueles homens que transmitem a impressão de que o tempo terá dificuldade para alcançá-los. Seu apelido era “Animal”. E não era por acaso.

Mas o tempo alcança todos nós. Sua partida me fez refletir, mais uma vez, sobre uma verdade que costumamos ignorar enquanto a vida segue o seu curso normal.

A saúde não é um patrimônio definitivo. Não é uma conquista obtida na juventude e garantida para sempre. Ela exige manutenção, disciplina e cuidado permanente.

Nos últimos anos, tenho visto partir alguns amigos e conhecidos da minha faixa etária. Pessoas com quem estudei, trabalhei, convivi ou compartilhei momentos importantes da vida. E isso produz um efeito inevitável.

A morte deixa de ser uma notícia distante. Ela ganha rosto. Ganha história. Ganha nome. Talvez essa seja uma das marcas da maturidade.

Chega um momento em que deixamos de ler obituários de desconhecidos e começamos a nos despedir de pessoas que fizeram parte da nossa caminhada.

Próximo aos 50 anos, a percepção do tempo muda de marcha. A morte, que durante décadas parecia uma realidade reservada aos outros, passa a caminhar pelas mesmas ruas que percorremos todos os dias.

Impossível não me lembrar das sábias palavras do meu avô Nico. Já ultrapassando os 90 anos, com aquela serenidade que apenas a experiência é capaz de conceder, ele me disse algo que jamais esqueci: “Meu filho, eu pisquei os olhos e a vida passou.”

Na época ouvi aquelas palavras com o respeito de um neto jovem. Hoje as escuto com outra profundidade. Os cabelos começam a embranquecer.

Os filhos crescem. As décadas passam com uma velocidade que a juventude simplesmente não consegue compreender. A vida é um sopro.

Os antigos já alertavam para duas verdades desconfortáveis. A primeira é que coisas ruins também podem acontecer conosco.

A segunda é que nenhum de nós permanecerá aqui para sempre. Curiosamente, passamos boa parte da vida tentando esquecer ambas.

Adiamos exames. Negligenciamos sinais do corpo. Convencemo-nos de que sempre haverá tempo para começar a atividade física, controlar o estresse, melhorar a alimentação ou cuidar da saúde mental. Nem sempre haverá.

Os estoicos chamavam de premeditatio malorum a capacidade de antecipar racionalmente os males possíveis da existência. Não para viver com medo, mas para agir antes que eles nos alcancem. No mundo atual, essa filosofia talvez seja mais simples do que parece.

Ela está na caminhada diária, no treino que insistimos em adiar, no exame preventivo realizado em tempo oportuno, no cuidado com o corpo e com a mente.

Outro ensinamento igualmente poderoso é o memento mori: lembre-se de que você vai morrer. A frase pode soar dura, mas encerra uma profunda sabedoria.

Quando aceitamos que o tempo é limitado, a régua das prioridades muda. Família, amigos, fé, saúde e momentos simples passam a ocupar o espaço que lhes pertence.

O trabalho continua sendo fundamental. Sempre acreditei no valor do trabalho humano adequado. O trabalho dignifica, gera realização, propósito e sustenta nossas famílias. Contudo, a vida não se esgota nele.

Nenhuma carreira compensa uma saúde negligenciada. Nenhum patrimônio substitui a autonomia perdida. Nenhum sucesso profissional justifica uma existência vivida em permanente desequilíbrio.

A maturidade nos impõe uma verdade inescapável: longevidade, por si só, não basta. O que desejamos é qualidade de vida.

Queremos chegar aos 70, 80 ou 90 anos preservando a lucidez, a independência e a capacidade de desfrutar a companhia daqueles que amamos.

Talvez o maior investimento que possamos fazer não esteja apenas na Bolsa de valores, no mercado imobiliário ou nos negócios. Está em nós mesmos.

Cada caminhada. Cada treino. Cada exame preventivo. Cada noite bem-dormida. Cada momento dedicado ao equilíbrio emocional. Pequenas decisões que produzem grandes consequências ao longo dos anos.

Meu avô Nico tinha razão. Um dia somos os jovens do grupo. No outro, começamos a nos despedir deles. A verdadeira questão nunca foi quanto tempo Deus nos concederá de vida.

A questão é outra. Quando chegar o momento de olhar para trás, teremos apenas acumulado anos ou teremos construído uma vida digna de ser vivida?

A vida não pede licença. Ela passa. A vida é um sopro.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Cautela necessária com as bets]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/cautela-necessaria-com-as-bets/467497/</link>
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				<description><![CDATA[Nesta edição mostramos que o governo do Estado decidiu adiar para julho a definição da empresa que ficará responsável pela administração da Loteria Estadual de Mato Grosso do Sul, a Lotesul. A princípio, trata-se de uma decisão administrativa, motivada por questões técnicas e burocráticas do processo licitatório.

Ainda assim, o adiamento acaba produzindo um efeito positivo: amplia o tempo de reflexão sobre um mercado que merece, mais do que entusiasmo, cautela.

As apostas esportivas e plataformas de bets cresceram de forma avassaladora no Brasil nos últimos anos. O que começou como novidade, cercado pelo discurso do entretenimento fácil e da possibilidade de ganhos rápidos, passou a revelar uma face muito mais preocupante.

Aos poucos, o País começa a perceber os efeitos nocivos de uma atividade que se expandiu rapidamente, muitas vezes sem fiscalização adequada e sem mecanismos efetivos de proteção social.

Passado o encantamento inicial, surgem os prejuízos familiares, o endividamento silencioso, o vício em apostas e a frustração de milhares de pessoas que acreditaram na promessa ilusória de dinheiro fácil.

O impacto das bets já ultrapassa o universo esportivo e alcança a economia doméstica, especialmente entre as famílias de menor renda, justamente as mais vulneráveis às armadilhas do jogo compulsivo.

Hoje já existem evidências claras de que o avanço desenfreado das apostas interfere no consumo das famílias e afeta setores importantes da economia.

Comércio e indústria começam a sentir os efeitos da transferência de renda para plataformas de apostas.

Dinheiro que antes circulava em supermercados, lojas, pequenos negócios e serviços locais agora é direcionado para jogos virtuais que pouco ou nada devolvem à economia regional.

O problema se agrava porque o vício em apostas tem dinâmica semelhante a outros tipos de dependência. A expectativa constante de recuperação das perdas empurra muitos apostadores para um ciclo contínuo de prejuízos financeiros e emocionais.

Não se trata apenas de lazer. Em muitos casos, tornou-se um problema de saúde pública e de desorganização familiar.

É justamente por isso que o Brasil precisa rever o modelo atual das bets. Regulamentar apenas para arrecadar impostos não basta. O País precisa discutir limites, publicidade, proteção aos vulneráveis e mecanismos mais rígidos de controle.

O debate não pode ficar restrito ao potencial de arrecadação financeira dos governos enquanto os impactos sociais se multiplicam de forma silenciosa.

Neste cenário, Mato Grosso do Sul precisa agir com prudência. Se o Estado ainda não ingressou plenamente neste mercado, não há motivo para pressa. Pelo contrário. O amadurecimento da discussão nacional mostra que a cautela é o caminho mais sensato.

Antes de apostar em apostas, o poder público precisa avaliar com responsabilidade os efeitos sociais, econômicos e familiares desta atividade.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Chernobyl: quarenta anos e muitas lições]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/chernobyl-quarenta-anos-e-muitas-licoes/467442/</link>
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				<description><![CDATA[Em abril, a tragédia nuclear ocorrida na usina de Chernobyl, na Ucrânia, completou 40 anos e deixou muitas lições para o Brasil e o restante do planeta. Além das marcas já conhecidas que a explosão do reator produziu na saúde pública, a relação entre Estado e sociedade que se descortinou ao mundo, conforme os fatos passaram a ser publicados, deve ser analisada com algum cuidado, pois, em certo grau, pode se reproduzir em diversos territórios, inclusive na atualidade.

O fato ocorrido em abril de 1986 no reator número 4 da usina nuclear de Chernobyl alterou a forma como a humanidade lida com a produção de energia, mas deveria ter produzido mudanças em outros campos de modo mais profundo, como a questão da transparência com a qual dados de interesse público são transmitidos pelo ente estatal à sociedade.

Naquele momento, como o decurso dos fatos comprovou, a União Soviética, ente político que abrangia o território ucraniano, demorou para reconhecer publicamente a extensão do tétrico acontecimento, além de não ter tomado medidas adequadas com urgência, com o objetivo de proteger a população do país e, outrossim, a comunidade internacional.

A primeira manifestação oficial de Mikhail Gorbatchov, o mandatário soviético da época, aconteceu somente três semanas depois e a evacuação de Pripyat, cidade que abrigava os trabalhadores da usina, só ocorreu após 36 horas da explosão.

Ainda que a União Soviética não fosse uma democracia, a falta de transparência presente nos atos e omissões daquela entidade política, com efeitos nefastos para a população, repete-se na relação Estado-sociedade hodiernamente em diversos níveis da vida pública, independentemente da matriz ideológica do partido que esteja no poder nas democracias espalhadas pelo mundo.

O Brasil, evidentemente, não foge à regra, com diversos exemplos de comportamento dos agentes públicos que ofendem os princípios que deveriam proteger.

Atribuição de sigilo a gastos de figuras políticas relevantes sob o pretexto de interesse público, realização de encontros de autoridades com figuras sob investigação em seminários, entre outras situações, demonstram como atores relevantes da vida pública nacional parecem ter convicção de que a coletividade está a serviço do ente estatal, e não o contrário.

O contexto delineado mostra como, tanto nos Estados claramente autoritários quanto nas chamadas democracias contemporâneas, não há o exercício dos princípios que compõem a alma democrática, bastando aos países a manutenção de uma estrutura de democracia, baseada, sobretudo, em eleições periódicas e existência de algumas instituições.

É evidente que a existência de forma sem substância produz efeitos práticos deletérios para a comunidade. A democracia é um regime que deve perpassar as instituições e a vida prática da população.

O desastre de Chernobyl, portanto, mais que um evento isolado no tempo, exibe a necessidade de diligência no trato com assuntos que possam causar danos à coletividade e expõe o deficit de transparência na relação entre Estado e sociedade.

A mentira, a omissão, a incompetência e o descaso com a vida humana demonstrados na tragédia nuclear mencionada pode ter sido potencializada em um país de regime político autoritário, mas não é exclusividade de tal panorama.

As democracias contemporâneas, incluindo o Brasil, parecem ter muito a aprender com o evento histórico estudado, pois a cisão entre os interesses do ente estatal e da comunidade que o compõe fragiliza, em última análise, a existência do verdadeiro ambiente democrático.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Asfixia do crime]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/asfixia-do-crime/467441/</link>
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				<description><![CDATA[A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as maiores facções brasileiras – o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) – como organizações terroristas internacionais representa um divisor de águas geopolítico.

Longe de ser um formalismo burocrático, essa medida constitui oportunidade histórica e soberana para o Brasil golpear o coração do crime organizado, algo que as forças de segurança pública domésticas não conseguem consolidar sozinhas no plano global.

O grande mérito prático dessa dupla classificação é deslocar o combate à criminalidade da tradicional e inócua guerra de atrito nas favelas, periferias e fronteiras para uma guerra financeira de alta intensidade contra o topo da pirâmide criminosa.

O crime organizado brasileiro há muito tempo deixou de ser questão paroquial de segurança pública para se transformar em um problema corporativo transnacional.

Diagnóstico do Ministério Público brasileiro ilustra a gravidade do cenário atual: uma única ação da Operação Carbono Oculto revelou que apenas seis fintechs, operando como bancos paralelos e ocultos para o PCC, movimentaram a impressionante cifra de R$ 26 bilhões.

Esse volume astronômico de recursos não permanece estático e passa a inundar o sistema financeiro e o comércio nacional, ao custear esquemas de corrupção, fraudar licitações, controlar prefeituras, financiar campanhas eleitorais e destruir a livre iniciativa por meio de uma concorrência desleal imbatível baseada no fluxo infinito do narcotráfico.

A legitimidade dessa classificação norte-americana encontra eco na própria realidade factual do Brasil.

Embora PCC e CV tenham nascido como quadrilhas de narcotráfico, a evolução de suas estratégias operacionais incorporou o terrorismo instrumental como método de coerção e demonstração de poder.

O crime organizado brasileiro não hesita em utilizar o terror psicológico coletivo, a destruição de infraestruturas públicas e o pânico em massa para subjugar o Estado e a sociedade civil, encaixando-se perfeitamente no conceito sociológico e jurídico de atos terroristas.

Ao contrário das narrativas que enxergam nessa medida uma violação da soberania ou pretexto para intervenções estrangeiras, a ação americana ajuda, fundamentalmente, a devolver à sociedade o direito de ocupar seu próprio território e suas instituições.

Quem verdadeiramente viola a soberania nacional hoje são as facções, que impõem um poder paralelo armado.

O Brasil não perde sua autonomia territorial ou jurídica, uma vez que o monopólio da força operacional e as decisões judiciais dentro de nossas fronteiras permanecem estritamente sob o controle das autoridades brasileiras.

Argumentos que insistem na tese de “intromissão” distorcem os fatos para fins puramente políticos, ignorando que a soberania real se protege asfixiando os criminosos que subjugam o País, e não isolando o Brasil dos mecanismos globais de justiça financeira.

A cooperação internacional e o uso desses novos instrumentos de asfixia econômica são o único caminho viável para estancar o banho de sangue nas metrópoles brasileiras.

Retirar o oxigênio financeiro do PCC e do CV significa esvaziar a capacidade de compra de fuzis, blindados, drones e tecnologia de criptografia que hoje desafiam abertamente as estruturas do Estado.

O grande trunfo das facções não é a droga em si, é a capacidade de lavar o dinheiro. Bloqueado o circuito global, o império criminoso começa a ser desmontado por dentro.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Multa sem resultado no trânsito de MS ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/multa-sem-resultado-no-transito-de-ms/467440/</link>
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				<description><![CDATA[Todos os anos, campanhas como o Maio Amarelo ocupam espaços na mídia, nas redes sociais e em repartições públicas com mensagens de conscientização sobre segurança no trânsito. A intenção é válida.

Afinal, discutir educação no trânsito e preservar vidas jamais será algo desnecessário.

O problema é que, lamentavelmente, o efeito prático dessas campanhas continua sendo muito pequeno diante da realidade violenta enfrentada diariamente nas ruas e avenidas brasileiras.

Este baixo resultado não pode ser atribuído apenas à população. Evidentemente, há motoristas imprudentes, motociclistas irresponsáveis e pedestres desatentos.

Mas a impressão cada vez mais clara é de que o poder público também não consegue fazer sua parte de maneira eficiente.

Enquanto campanhas educativas se repetem ano após ano, os acidentes continuam aumentando e o trânsito segue produzindo mortes, sequelas e insegurança.

O número de multas aplicadas cresce de forma constante, e a arrecadação com elas, também. Ainda assim, os indicadores de violência no trânsito não melhoram na mesma proporção. Em muitos casos, pioram.

Surge então uma pergunta inevitável: o que está acontecendo? Se as multas aumentam, se as campanhas educativas continuam existindo e se o discurso oficial insiste na fiscalização, por que os resultados concretos não aparecem?

O poder público precisa responder a esta pergunta. E a resposta talvez seja desconfortável. Em muitas cidades, inclusive em Mato Grosso do Sul, a fiscalização parece priorizar a arrecadação, em vez da organização do trânsito.

Multa-se muito, mas planeja-se pouco. Há vias esburacadas, sinalização deficiente, cruzamentos perigosos e avenidas sem estrutura adequada para suportar o crescimento da frota.

Não é razoável exigir comportamento exemplar dos condutores quando o próprio Estado falha em garantir condições mínimas de segurança.

O asfalto ruim obriga a desvios perigosos, a sinalização precária confunde motoristas e a ausência de manutenção transforma ruas em armadilhas.

Neste cenário, a sensação da população é de que se cobra muito, mas se entrega pouco.

Além disso, há um problema que frequentemente recebe menos atenção do que deveria: a circulação de veículos irregulares e condutores sem documentação.

Motocicletas sem placas, carros com licenciamento atrasado e motoristas não habilitados seguem circulando livremente em diversas regiões urbanas.

O enfrentamento mais rigoroso desta realidade poderia trazer mais ordem ao trânsito e reduzir parte da sensação de impunidade.

É evidente que multas têm papel importante no processo de organização viária, mas, sozinhas, não resolvem o problema.

Segurança no trânsito exige planejamento, engenharia adequada, fiscalização inteligente, manutenção das vias e foco real na prevenção.

Campanhas educativas continuam sendo necessárias. O que não é mais aceitável é que elas sirvam apenas como peça publicitária anual enquanto o trânsito permanece caótico e violento.

A população precisa de resultados concretos, não apenas de slogans repetidos todos os meses de maio.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Resultado da Lotofácil de ontem, concurso 3698, sexta-feira (29/05): veja o rateio]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/economia/resultado-da-lotofacil-de-ontem-concurso-3698-sexta-feira-2905/467375/</link>
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				<description><![CDATA[A Caixa Econômica Federal realizou o sorteio do concurso 3698 da Lotofácil na noite desta sexta-feira, 29 de maio de 2026, a partir das 21h (de Brasília). A extração dos números ocorreu no Espaço da Sorte, em São Paulo, com um prêmio estimado em R$ 5 milhões.

Confira o resultado da Lotofácil de ontem!

Premiação


	15 acertos - 5 apostas ganhadoras, R$ 723.634,15
	14 acertos - 488 apostas ganhadoras, R$ 1.531,93
	13 acertos - 16914 apostas ganhadoras, R$ 35,00
	12 acertos - 198237 apostas ganhadoras, R$ 14,00
	11 acertos - 917398 apostas ganhadoras, R$ 7,00


Os números da Lotofácil 3698 são:


	 08 - 20 - 21 - 16 - 07 - 18 - 12 - 01 - 05 - 10 - 13 - 03 - 09 - 06 - 23


O sorteio da Lotofácil é transmitido ao vivo pela Caixa Econômica Federal e pode ser assistido no canal oficial da Caixa no Youtube.

O valor da premiação está estimado em R$ 2 milhões.

Para participar dos sorteios da Lotofácil é necessário fazer um jogo nas casas lotéricas ou canais eletrônicos.

A aposta mínima custa R$ 3,00 para um jogo simples, em que o apostador pode escolher 15 dente as 25 dezenas disponíveis, e fatura prêmio se acertar 11, 12, 13, 14 ou 15 números.

Como apostar na Lotofácil

Os sorteios da Lotofácil são realizados diariamente, às segundas, terças, quartas, quintas, sextas-feiras e sábados, sempre às 20h (horário de MS).

O apostador marca entre 15 e 20 números, dentre os 25 disponíveis no volante, e fatura prêmio se acertar 11, 12, 13, 14 ou 15 números.

Há a possibilidade de deixar que o sistema escolha os números para você por meio da Surpresinha, ou concorrer com a mesma aposta por 3, 6, 12, 18 ou 24 concursos consecutivos através da Teimosinha.

A aposta mínima, de 15 números, custa R$ 3,00.

Os prêmios prescrevem 90 dias após a data do sorteio. Após esse prazo, os valores são repassados ao Tesouro Nacional para aplicação no FIES - Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior.

É possível marcar mais números. No entanto, quanto mais números marcar, maior o preço da aposta.

Probabilidades

A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada.

Para a aposta simples, com 15 dezenas, que custa R$ 3,00, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 3.268.760, segundo a Caixa.

Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 211, ainda segundo a Caixa.

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				<category>Economia</category>
				<pubDate>Sat, 30 May 2026 08:36:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A transformação da segurança pública]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-transformacao-da-seguranca-publica/467367/</link>
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				<description><![CDATA[A segurança pública e privada está passando por uma transformação profunda impulsionada pelo avanço tecnológico. O uso combinado de drones, satélites e sistemas baseados em inteligência artificial (IA) e machine learning está criando uma nova forma de monitorar territórios, antecipar riscos e responder a ameaças com maior eficiência.

Mais do que ferramentas isoladas, essas tecnologias estão formando um novo modelo operacional: a inteligência aérea integrada.

A geointeligência aplicada à segurança e defesa cresce em importância em todo o mundo por causa das guerras em curso. Aqui no Brasil não temos, felizmente, guerras, mas temos alto índice de criminalidade, crime organizado e fronteiras não tão bem protegidas dos traficantes.

Esse conceito integra dados geoespaciais – provenientes de satélites, drones, sensores terrestres e outras fontes – e os combina com análise avançada – incluindo IA – para gerar conhecimento acionável sobre o território.

A geointeligência permite entender “o que está acontecendo, onde, quando e por quê”, apoiando decisões estratégicas e operacionais com base em evidências.

Tradicionalmente, as operações de segurança eram baseadas em informações fragmentadas e, muitas vezes, reativas. Hoje, a integração de diferentes plataformas permite construir uma visão contínua e dinâmica do território.

Satélites oferecem cobertura ampla e monitoramento constante de grandes áreas, enquanto drones proporcionam alta resolução e capacidade de resposta rápida em nível local.

Ao mesmo tempo, algoritmos de IA e machine learning analisam grandes volumes de dados em tempo real, identificando padrões, anomalias e comportamentos suspeitos. Essa combinação marca uma mudança importante de sair da reação para a antecipação.

No combate ao crime organizado, essa evolução tecnológica é particularmente relevante. Organizações criminosas operam com alto nível de sofisticação e capilaridade, exigindo respostas igualmente estruturadas.

A integração entre dados orbitais, sensores aéreos e inteligência artificial permite monitorar rotas de tráfico, identificar movimentações suspeitas e detectar atividades ilegais em áreas remotas, como garimpo, desmatamento e contrabando.

Além disso, essas tecnologias apoiam operações táticas com informações em tempo real, aumentando a precisão das ações e reduzindo o tempo de resposta das forças de segurança.

No setor privado, o impacto também é significativo. Empresas que operam em grandes áreas – como mineração, energia, agronegócio e logística – estão adotando essas soluções para proteger ativos e reduzir riscos.

Drones são utilizados para vigilância perimetral e inspeções, enquanto imagens de satélite garantem monitoramento contínuo.

Com o apoio da IA, é possível detectar intrusões, falhas operacionais e situações de risco de forma automática. Assim, a segurança deixa de ser apenas vigilância e passa a ser uma gestão inteligente baseada em dados.

A defesa civil é outro campo que se beneficia diretamente dessa integração. Em situações de desastres naturais, como enchentes, deslizamentos e incêndios, a rapidez na obtenção de informações é crucial.

Satélites permitem mapear grandes áreas afetadas, drones oferecem avaliações detalhadas em campo e sistemas inteligentes ajudam a priorizar ações e otimizar o uso de recursos. Essa combinação aumenta a eficiência das operações de resposta e, sobretudo, contribui para salvar vidas.

No âmbito militar e de segurança nacional, a vigilância de fronteiras representa um dos maiores desafios, especialmente em países com extensos territórios. A integração de sensores orbitais, drones de longo alcance e sistemas de análise inteligente permite criar uma camada contínua de monitoramento.

Isso possibilita detectar movimentações ilegais, como tráfico de drogas e armas, com maior antecedência, reforçando a soberania e a capacidade de resposta do Estado.

O elemento central dessa transformação não está apenas nas tecnologias em si, mas na forma como elas são integradas. O verdadeiro valor surge quando diferentes sistemas se comunicam, compartilham dados e geram inteligência consolidada para apoiar a tomada de decisão.

É exatamente nesse ponto que a geointeligência se consolida como um pilar estratégico, conectando informação geográfica, sensores e análise avançada em um único fluxo de valor.

Mais do que reagir a eventos, o objetivo agora é antecipar riscos e agir de forma preventiva. Nesse cenário, a informação deixa de ser apenas um recurso estratégico e passa a ser um elemento central de proteção, capaz de transformar dados em decisões e tecnologia em segurança real.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 30 May 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Crime exige ação, não retórica]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/crime-exige-acao-nao-retorica/467366/</link>
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				<description><![CDATA[O avanço do crime organizado nas fronteiras brasileiras não é novidade. Mato Grosso do Sul convive há décadas com a presença de facções criminosas que atuam de forma integrada com grupos instalados em países vizinhos.

O tráfico de drogas, o contrabando de armas, o descaminho e os mecanismos de lavagem de dinheiro atravessam fronteiras com uma facilidade muito maior do que a capacidade do Estado de contê-los.

Ao longo dos anos, o poder público tentou diferentes estratégias para enfrentar estas organizações. Chefões foram presos, líderes transferidos para presídios federais, rotas foram monitoradas e as apreensões de drogas aumentaram significativamente.

Ainda assim, o fluxo criminoso continua. A cada operação bem-sucedida, o crime organizado demonstra capacidade de adaptação, seja criando novas rotas clandestinas, seja utilizando tecnologias modernas e mecanismos cada vez mais sofisticados de ocultação financeira.

O combate ao crime organizado exige mais do que discursos de ocasião ou soluções simplistas. É necessário reforçar a fiscalização nas fronteiras, ampliar o efetivo policial, investir em equipamentos modernos e fortalecer o trabalho de inteligência.

Monitoramento aéreo, integração de dados, rastreamento financeiro e cooperação entre forças de segurança são ferramentas indispensáveis para enfrentar organizações que operam como verdadeiras multinacionais do crime.

Tudo isso, evidentemente, custa dinheiro. E o Brasil, assim como os Estados fronteiriços, entre eles Mato Grosso do Sul, ainda investem menos do que deveriam em segurança estratégica. A extensão territorial das fronteiras brasileiras impõe desafios logísticos enormes.

Sem recursos suficientes, sem tecnologia adequada e sem presença constante do Estado, o crime encontra terreno fértil para continuar operando.

Neste contexto, a recente decisão dos Estados Unidos de classificar organizações criminosas da América Latina como grupos terroristas pouco contribui, na prática, para o enfrentamento da criminalidade no Brasil.

A medida não altera a realidade das fronteiras brasileiras, não reduz o tráfico de drogas e tampouco enfraquece financeiramente estas facções em território nacional.

O efeito concreto mais preocupante desta classificação é abrir margem para intervenções estrangeiras sob o argumento do combate ao terrorismo.

Na prática, cria-se a possibilidade de ações militares norte-americanas em territórios de outros países, inclusive sem comunicação prévia às autoridades locais. Trata-se de uma interferência delicada e que fere princípios básicos de soberania nacional.

O combate ao crime transnacional não será vencido com rótulos políticos ou medidas de impacto midiático.

Ele depende de cooperação internacional séria, troca de informações, investimentos em inteligência, transferência de tecnologia e ampliação de recursos para os países que convivem diariamente com este problema.

O que Mato Grosso do Sul e o Brasil precisam é de apoio técnico, mais equipamentos, mais integração entre forças policiais e mais dinheiro para monitorar fronteiras e sufocar financeiramente as organizações criminosas. O crime organizado se tornou global. O enfrentamento também precisa ser.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 30 May 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O futuro a quem pertence?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-futuro-a-quem-pertence/467310/</link>
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				<description><![CDATA[“Hoje, as pessoas já não respeitam nada. Antes, colocávamos em um pedestal a virtude, a honra, a verdade e a lei. A corrupção campeia na vida destes dias. Quando não se obedece outra lei, a corrupção é a única lei. A corrupção está minando este país. A virtude, a honra e a lei se transformaram em fumaça e desapareceram de nossas vidas”.

As palavras acima são de Alphonse Gabriel Capone, o Al Capone, contrabandista e vendedor de bebidas durante a Lei Seca, nos Estados Unidos.

Também matou muitas pessoas. Foi preso por sonegação fiscal, dias depois da entrevista à revista Liberty, publicada em 17 de outubro de 1931.

Neste momento do Brasil, a reflexão do gângster gera questionamentos: O que busca o povo brasileiro quando vai às ruas em plena democracia? Que desejam jovens, adultos e idosos com diferentes mensagens, gritando antigas e novas palavras de ordem como nos tempos da ditadura?

Os brasileiros estão cansados de problemas crônicos: saúde, educação, desemprego e, em especial, a falta de ética na política. A roubalheira ao longo de décadas teve, no caso do Banco Master, a gota d’água.

Transbordou com a crise política, econômica, social e, acima de tudo, moral. Não há mais espaço para discurso vazio, promessa não cumprida, corrupção, desmando e incompetência. Muito menos para delatores ou não, criminosos que cometeram absurdos contra o povo.

Eles roubaram dinheiro que, se investido na saúde, teria salvado muita gente da morte em alguns surreais hospitais públicos de todo o País. Como Al Capone, ao falar de si mesmos, tentam nos enganar outra vez.

Posando como “heróis da Pátria”, com falso arrependimento prometem devolver o que roubaram e entregar comparsas. Não enganam ninguém. Queremos mudanças para valer, reformas estruturais que garantam inalienáveis direitos.

Mais sintomático que o povo nas ruas em legítimo ato de cidadania, é quando as pessoas se revoltam caladas nas casas, fábricas e universidades. A desesperança é muito perigosa.

Nestes tempos em que o povo retorna às ruas para exigir honestidade, lembro-me de um cidadão brasileiro, morto há 24 anos: Carlito Maia. Publicitário brilhante, jornalista irreverente, responsável agitador e o melhor amigo de qualquer um. Suave e forte. Apaixonado convicto, solidário e bem-humorado, integrou o seleto grupo dos “seres especiais em extinção”.

Carlito veio ao mundo a passeio, não em viagem de negócios – como dizia de si mesmo.

Foi o único sonhador realista que conheci. Transbordando ternura, mas também repleto de coragem, era capaz de derrubar montanhas para que elas não fossem a Maomé, só para o profeta não se acomodar. “Uma vida não é nada. Com coragem, pode ser muito”, dizia.

Em tempos bicudos, com tantas revelações de corrupção, imagino a decepção de Carlito. Ele preconizou muitas coisas que hoje estão acontecendo.

Sinto saudade de suas frases sábias, flores e cartões escritos com canetas bicolores, configurando sua comunicação criativa, lúcida e emocionada que faz refletir, querer e transformar.

Amado Carlito, você estava certo: “Nós não precisamos de muita coisa. Só precisamos uns dos outros”. Sem perder a esperança, mantendo a determinação de lutar por nossos direitos, defender verdade e justiça, podemos, com mais educação e cultura, mudar o Brasil pelo voto consciente e responsável.

A começar de uma escolha responsável de parlamentares, porque na prática eles exercem um poder executivo mesmo sob um regime presidencialista, e chegando à opção melhor para presidente.

Não podemos cair nas mãos sujas de quem, como sabemos, já mostrou em tristes quatro anos (2019-2023) que não respeita o Brasil, o seu povo.

E segue fazendo isso, como agora veio à tona, nos desdobramentos do vergonhoso caso do Banco Master.

“Acordem e progresso!”, disse o nosso Carlito Maia. Pensem nisso, porque voto é coisa séria. Pode ser uma ferramenta, pode ser uma arma.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 29 May 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Entre o 6 e o 9: quando a política atravessa relações]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/entre-o-6-e-o-9-quando-a-politica-atravessa-relacoes/467309/</link>
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				<description><![CDATA[A polarização política no Brasil é inegável. O País se vê dividido entre esquerda e direita, e essa cisão tem atravessado relações de forma profunda. Amizades antigas acabaram, famílias se desentenderam, casais se separaram. A divergência de ideias, quando acompanhada de emoções intensas, cria ruídos que se acumulam e provocam um verdadeiro “curto-circuito” nas relações. 

Do ponto de vista psicológico, a polarização surge, muitas vezes, da insegurança diante do diferente: o medo de que ao escutar o outro se perca o rumo.

Soma-se a dificuldade de lidar com sentimentos intensos, o que torna o diálogo mais árduo. Logo, em vez de se aproximar, a pessoa se afasta; em vez de escutar, reage; em vez de perguntar, julga. 

Ainda assim, quando falamos de pessoas de boa índole, temos algo em comum: embora as ideias divirjam, muitos dos ideais se aproximam.

Há um desejo compartilhado por justiça, dignidade, liberdade e acesso aos direitos básicos como saúde, segurança e educação. 

É nesse ponto que a metáfora do número 6 ganha força. Duas pessoas, frente a frente, podem olhar para o mesmo símbolo e enxergar coisas diferentes: uma vê um 6, a outra um 9.

Ambas estão certas dentro de seus pontos de vista. Assim também ocorre com as ideias: diferentes interpretações podem emergir a partir de um mesmo ideal. 

Quando aproximamos essas visões, surge o número 69. Nesse encontro, não há disputa sobre quem está certo, porque aquilo que antes era oposição se transforma em complementar.

Ou seja, duas perspectivas coexistindo e compondo algo maior quando colocadas, lado a lado, harmoniosamente. 

Talvez seja justamente essa a habilidade que falte ao Brasil, e a todos nós: a capacidade de transformar o embate em encontro. De lembrar que discordar não significa desarmonia.

De aceitar que ninguém enxerga tudo sozinho. De trocar certezas rígidas por curiosidade genuína. 

Entretanto, é preciso lembrar que somos seres humanos complexos, com uma diversidade de sentimentos que, se não bem administrados, podem gerar disputas e desavenças.

Por isso, não será surpresa se, mesmo quando os que veem 6 e os que veem 9 se integrarem, surgir alguém que diga que, de fato, o número é 96. Longe de ser um problema, é justamente entre integração e divergência que aparecem novos caminhos. 

O importante é reconhecer que, assim como os números 6, 9, 69 ou 96, as ideias podem assumir formas distintas, desde que o ideal permaneça ético, digno e coerente. Afinal, é isso que ainda nos mantêm em diálogo. 

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 29 May 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O crime organizado na economia formal]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-crime-organizado-na-economia-formal/467308/</link>
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				<description><![CDATA[Mais uma vez Mato Grosso do Sul apareceu no centro de uma grande investigação nacional contra o crime organizado. A nova fase da operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal (PF), voltou os olhos para o fluxo financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), uma estrutura criminosa que há muito tempo deixou de agir apenas nas periferias e presídios para se infiltrar no coração do sistema econômico brasileiro.

Não por acaso, a investigação alcança conexões que passam pela Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, símbolo máximo do mercado financeiro nacional.

E é justamente aí que o caso se torna ainda mais inquietante. O que distribuidoras de combustíveis instaladas em Iguatemi, no interior de Mato Grosso do Sul, têm a ver com uma engrenagem financeira ligada ao PCC?

É uma pergunta que toda a sociedade precisa fazer. Quando operações policiais apontam que empresas aparentemente legais podem estar sendo utilizadas para movimentar dinheiro de facções criminosas, o problema deixa de ser apenas policial. Passa a ser institucional e econômico.

O comércio de combustíveis historicamente figura entre os setores mais vulneráveis à lavagem de dinheiro, evasão fiscal e fraudes tributárias. A circulação elevada de recursos e a complexidade da cadeia de distribuição tornam o ambiente propício para organizações criminosas sofisticadas.

O que a operação Carbono Oculto sugere é justamente a possibilidade de que empresas ligadas ao PCC tenham utilizado mecanismos fiscais e empresariais para esconder dinheiro ilícito sob aparência de atividade econômica regular.

Isso precisa servir de alerta. Combater sonegação fiscal, rastrear movimentações financeiras suspeitas e desmontar engenharias tributárias artificiais não é excesso de fiscalização. É fortalecimento institucional. E instituições fortes geram desenvolvimento.

Não existe ambiente econômico saudável onde o crime organizado consegue circular bilhões de reais com facilidade, abrir empresas de fachada e utilizar estruturas formais para lavar dinheiro.

Nos últimos anos, parte do debate público passou a vender a ideia de que qualquer controle representa ataque à liberdade econômica. É um equívoco perigoso. Liberdade não é sinônimo de ausência de regras.

O avanço das fintechs e dos sistemas financeiros digitais trouxe inovação, mas também abriu brechas para organizações criminosas movimentarem recursos com menos barreiras e menor capacidade de rastreamento.

Quem não deve, não teme fiscalização. Empresas corretas e empreendedores sérios dependem justamente de um ambiente em que o crime organizado não encontre facilidades para atuar.

O verdadeiro risco está no descontrole, na fragilidade dos mecanismos de fiscalização e na infiltração silenciosa das facções dentro da economia formal brasileira.

MS precisa acompanhar atentamente as investigações da operação Carbono Oculto. Não apenas pelo impacto criminal, mas, porque elas ajudam a revelar como o crime organizado tenta se infiltrar silenciosamente na economia formal.

E esse talvez seja hoje o maior desafio das democracias modernas: impedir que facções criminosas passem a agir como grandes conglomerados empresariais.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 29 May 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[Reforma tributária e o ITBI: o que muda para os contribuintes na prática?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/reforma-tributaria-e-o-itbi-o-que-muda-para-os-contribuintes-na/467247/</link>
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				<description><![CDATA[A discussão sobre o Imposto Sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) entrou em uma nova fase após a aprovação da Lei Complementar (LC) nº 227/2026. A mudança, que alterou o artigo 38 do Código Tributário Nacional, está diretamente conectada ao espírito da reforma tributária: mais integração de dados, fortalecimento da fiscalização e maior capacidade de arrecadação por parte dos municípios.

Mas, ao mesmo tempo em que amplia o poder do Fisco, a nova regra também levanta debates importantes sobre segurança jurídica, transparência e direitos do contribuinte.

O entendimento firmado pelo STJ no Tema Repetitivo nº 1.113 permanece válido. O ITBI deve ser calculado com base no valor efetivamente pago pelo imóvel, declarado pelo comprador e o vendedor na transação.

Caso a prefeitura desconfie de eventual fraude pelo contribuinte, precisará abrir um processo administrativo, com contraditório e ampla defesa, para apurar eventual divergência. 

Muitos municípios, porém, passaram a utilizar unilateralmente o chamado “valor venal de referência”, muitas vezes superior ao preço real da negociação, o que gerou milhares de ações judiciais em todo o País. A LC nº 227/2026 tentou mudar esse cenário.

A nova legislação autoriza os municípios a estimarem previamente o valor venal dos imóveis utilizando critérios técnicos, como dados de mercado, informações de cartórios, localização, padrão construtivo e características do imóvel.

Em outras palavras, a lei fortalece a atuação das administrações tributárias e inaugura um modelo mais baseado em inteligência fiscal e cruzamento de dados. Esse movimento conversa diretamente com a reforma tributária.

O sistema tributário brasileiro caminha para uma estrutura cada vez mais digitalizada, integrada e orientada por informações em tempo real. 

O compartilhamento de dados entre cartórios, municípios e agentes financeiros tende a aumentar, reduzindo espaço para inconsistências e ampliando a capacidade de fiscalização do poder público.

Por outro lado, a mudança não significa uma autorização irrestrita para que municípios cobrem o ITBI sobre qualquer valor que entenderem adequado. 

A própria legislação estabelece limites claros. Os critérios técnicos utilizados precisam ser divulgados de forma transparente, acessível e fundamentada.

Além disso, o contribuinte deve ter meios efetivos para contestar administrativamente a estimativa feita pelo Fisco.

Outro ponto importante é que a nova lei não retroage para fatos anteriores. As transações imobiliárias anteriores à vigência da lei não se submetem aos novos ditames legais. 

Isso significa que contribuintes que recolheram ITBI calculado com base em um valor diferente do valor declarado na compra pelas prefeituras ainda podem buscar judicialmente a restituição do que foi pago a mais, respeitado o prazo legal de cinco anos, contados do pagamento do imposto. 

O debate que surge agora vai muito além do mercado imobiliário. Ele revela um desafio central da própria reforma tributária: como equilibrar a modernização da arrecadação e proteção das garantias do contribuinte.

Finalizo este artigo destacando que o fortalecimento da fiscalização é um caminho natural em sistemas tributários mais modernos, mas isso precisa vir acompanhado de transparência, previsibilidade e segurança jurídica. 

No fim, a discussão sobre o ITBI mostra que a reforma tributária não trata apenas da criação ou substituição de impostos. Ela representa também uma transformação profunda na forma como o Estado arrecada, fiscaliza e se relaciona com o cidadão.

Nesse novo cenário, a recomendação é clara: se comprou um imóvel, é essencial que se consulte um especialista e verifique se os critérios adotados pelo município foram corretos.

Conhecer as regras do jogo é, hoje, parte do custo de comprar bem.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 28 May 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O escândalo do Banco Master bate em MS]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-escandalo-do-banco-master-bate-em-ms/467246/</link>
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				<description><![CDATA[A sucessão de operações da Polícia Federal (PF) em Mato Grosso do Sul tem deixado uma constatação cada vez mais evidente: quando o assunto é investigar corrupção e esquemas financeiros suspeitos, poucas instituições conseguem atuar com o mesmo grau de autonomia dentro dos estados brasileiros. A explicação é simples.

Por ser um órgão federal, a PF não está submetida às pressões políticas locais de prefeitos, grupos econômicos regionais ou estruturas de poder locais, e isso lhe garante condições mais amplas para avançar sobre temas que, muitas vezes, outras instituições enfrentam dificuldades para alcançar.

Foi exatamente essa sensação que voltou a surgir ontem, quando a Polícia Federal trouxe para perto de MS um dos maiores escândalos financeiros do País: o caso do Banco Master.

O banco de Daniel Vorcaro, liquidado pelo Banco Central no ano passado, já vinha sendo associado a operações bilionárias e movimentações consideradas temerárias, mas agora a investigação ganhou contornos ainda mais graves.

Desde a liquidação da instituição financeira, já era público que institutos de previdência municipais haviam investido recursos milionários no banco. Campo Grande, Angélica, Fátima do Sul e outros municípios sul-mato-grossenses apareceram entre os que aportaram dinheiro de aposentados e pensionistas na instituição de Vorcaro. O que se discutia até então era a responsabilidade administrativa e a qualidade desses investimentos.

Agora, porém, a suspeita é outra. A Polícia Federal quer saber se dirigentes de institutos de previdência receberam comissões ilegais ou até propinas para direcionar os recursos públicos ao Banco Master.

Ou seja: não se trata mais apenas de uma eventual gestão temerária de recursos previdenciários, mas da possibilidade de corrupção envolvendo dinheiro de servidores aposentados.

A gravidade do caso cresce ainda mais quando se observa o histórico recente do banco e de seu controlador.

O Banco Master patrocinou festas luxuosas frequentadas por políticos e empresários influentes. Também colocou mais de R$ 60 milhões em um filme norte-americano sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, em uma operação financeira que ainda desperta questionamentos.

Recentemente, até o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro apareceu em mensagens divulgadas pela investigação pedindo recursos ao banqueiro poucos dias antes de sua prisão.

Tudo isso reforça a necessidade de aprofundamento das investigações. A população de Mato Grosso do Sul merece saber como e por que recursos previdenciários municipais foram parar em uma instituição financeira que acabou no centro de uma das maiores suspeitas de fraude bancária do Brasil.

Mais do que isso: merece saber se houve apenas imprudência administrativa ou se existiu um esquema deliberado de captação sustentado por vantagens ilícitas.

A atuação da Polícia Federal, neste momento, é fundamental, não apenas para esclarecer os fatos, mas também para preservar a credibilidade das instituições e proteger o patrimônio de milhares de aposentados e pensionistas.

Afinal, dinheiro de previdência pública não pertence a governos nem a gestores, pertence aos servidores.
 

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]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 28 May 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O Marco Legal do Transporte e a oportunidade regulatória para Campo Grande ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-marco-legal-do-transporte-e-a-oportunidade-regulatoria-para-campo/467187/</link>
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				<description><![CDATA[A aprovação do Projeto de Lei nº 3.278/2021 pelo Congresso Nacional, que institui o Marco Legal do Transporte Público Coletivo, representa uma evolução fundamental para a mobilidade urbana no País. Embora pendente de sanção presidencial, o texto já consolida um novo paradigma regulatório aplicável aos municípios. 

Para Campo Grande, que há anos convive com a fragilidade econômica de sua concessão, a legislação federal não surge como uma mera diretriz, mas como a ferramenta jurídica adequada ao resgate do equilíbrio econômico-financeiro e da viabilidade do atual sistema.

No contexto local, a distinção entre a tarifa técnica (que remunera a operação) e a tarifa pública (paga pelo usuário) já é uma realidade contratualmente prevista.

O problema, todavia, reside na ausência de capacidade orçamentária do município para cobrir o deficit gerado por esta diferença.

O novo marco legal encerra essa distorção trazendo a base legal para a adoção de novas formas de custeio do sistema mediante subsídios e receitas extratarifárias para o equilíbrio econômico-financeiro do contrato.

O PL dedica um capítulo inteiro às hipóteses de financiamento da infraestrutura e operação do transporte coletivo urbano.

Prevê também a criação de um Fundo de Estabilização (mecanismo desenhado para recepcionar verbas complementares), garantindo a modicidade tarifária ao cidadão. Em suma: se o problema era de onde viria o dinheiro, a lei entrega a solução.

Neste novo arranjo jurídico, o papel e as obrigações do Consórcio Guaicurus passam por uma reconfiguração significativa, mas muito necessária.

Pela nova diretriz, a concessionária passa a ser remunerada pelo custo real e pela oferta efetiva do serviço, mas sob uma condicionante específica: a submissão a Indicadores de Desempenho (os chamados KPIs).

Isso significa que a empresa deve atuar sob o escrutínio rigoroso de métricas qualitativas. O recebimento de sua remuneração ou de subsídios dependerá da comprovação de pontualidade, segurança, acessibilidade, renovação de frota e, sobretudo, da satisfação do usuário.

Além disso, a obrigatoriedade legal de abertura de dados garante que o controle social e institucional sobre os custos operacionais da concessionária seja transparente, inviabilizando qualquer alegação de que o repasse de verbas públicas seria um “cheque em branco” ao setor privado.

Para que isso se materialize, a postura das instituições locais precisa evoluir. O Executivo e o Legislativo municipais já demonstraram atenção às falhas do sistema, mas as energias políticas têm se concentrado em apontar erros do passado e encontrar culpados pela crise, em vez da busca por caminhos para a solução e reestruturação do modelo atual.

O momento exige pragmatismo. É imperativo que a Prefeitura e a Câmara atuem na vanguarda para regulamentar as fontes de custeio previstas no PL e promover a revisão contratual indispensável para a implementação desta solução.

Nesse complexo processo de mudança, o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) figura como a verdadeira âncora da segurança jurídica e esteio da legalidade.

O Tribunal, que já demonstrou profunda capacidade de mediação técnica ao formular um Termo de Ajustamento de Gestão (TAG) para o setor, tem a legitimidade para guiar essa nova repactuação.

O aval e a fiscalização ativa da Corte de Contas garantirão que a redefinição da matriz de riscos e o aporte orçamentário ocorram com lisura, blindando os atos administrativos de eventuais inseguranças legais ou disputas demagógicas.

A regulamentação federal não propõe um salvacionismo de empresas privadas, mas a garantia de viabilidade de um serviço público essencial amparado pela Constituição.

Ao adotar os mecanismos do novo Marco Legal, o Poder Executivo e os demais atores políticos locais devem compreender que a verdadeira responsabilidade fiscal não se realiza mediante o arbitramento de valores ou aportes subdimensionados.

Implementar a nova matriz regulatória pressupõe, fundamentalmente, o efetivo aporte financeiro do deficit real calculado sobre a tarifa técnica.

Trata-se de um investimento elevado, mas indispensável para resgatar a dignidade do transporte coletivo urbano.

Somente por meio dessa contraprestação objetiva e vinculada a metas contratuais, Campo Grande poderá viabilizar, a curto prazo, a circulação de uma frota nova, eficiente e à altura das necessidades de sua população.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 27 May 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Hidrovia exige cautela e equilíbrio]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/hidrovia-exige-cautela-e-equilibrio/467186/</link>
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				<description><![CDATA[A decisão de deixar para o próximo governo federal a primeira concessão hidroviária do Brasil, envolvendo a hidrovia Paraguai-Paraná, pode ser vista sob duas perspectivas distintas.

De um lado, representa mais um atraso em uma agenda logística considerada estratégica para Mato Grosso do Sul e para o País.

De outro, revela uma prudência que, diante do atual cenário ambiental e regulatório, talvez seja indispensável.

Nesta edição mostramos que o processo segue lento. E há razões para preocupação, mas também para cautela.

A hidrovia sempre foi tratada como um dos principais caminhos para reduzir custos logísticos, ampliar a competitividade da produção regional e desafogar rodovias cada vez mais saturadas.

O corredor fluvial permitiria um escoamento mais eficiente de minérios, grãos e outras commodities, diminuindo a pressão sobre a BR-262, que há anos convive com excesso de caminhões, acidentes frequentes e gargalos estruturais que comprometem o desenvolvimento regional.

Além disso, a lentidão na consolidação da hidrovia acaba mantendo cidades às margens do Rio Paraguai em relativo isolamento econômico.

Mesmo com investimentos importantes ligados à Rota Bioceânica e a outras iniciativas de integração continental, ainda há dificuldades para transformar a localização estratégica dessas regiões em efetiva vantagem econômica.

A ausência de uma logística hidroviária moderna limita oportunidades e reduz o potencial de atração de novos investimentos.

Entretanto, acelerar a concessão sem considerar o contexto internacional e ambiental seria um erro de grandes proporções.

Os trechos da hidrovia sob responsabilidade do Paraguai e da Argentina também passam por processos de revisão e discussão regulatória.

Não faz sentido que o Brasil avance sozinho, definindo regras e compromissos sem conhecer de forma clara como funcionarão os modelos adotados pelos países vizinhos em partes fundamentais do mesmo corredor logístico. Uma hidrovia internacional exige coordenação internacional.

Há ainda um fator mais delicado e decisivo: o Pantanal. O trecho brasileiro da hidrovia atravessa uma das regiões ambientais mais sensíveis do planeta, diretamente ligada ao Alto Paraguai e às nascentes que vêm sofrendo significativa redução de potencial hídrico ao longo dos anos.

As mudanças climáticas, os períodos prolongados de seca e os impactos ambientais acumulados exigem responsabilidade redobrada.

Não se trata apenas de discutir dragagem, navegação ou concessão administrativa. Trata-se de compreender os limites ambientais de um bioma que já demonstra sinais claros de fragilidade.

Defender a participação da iniciativa privada na administração da hidrovia é legítimo e necessário. O setor público, sozinho, dificilmente terá capacidade de realizar os investimentos necessários para garantir eficiência, modernização e segurança operacional. Mas concessão não pode significar pressa irresponsável.

O Brasil precisa, sim, transformar seu potencial hidroviário em realidade econômica. Porém, precisa fazer isso sem ignorar a dimensão ambiental e internacional do projeto. Em tempos de mudanças climáticas severas, cautela deixou de ser sinônimo de atraso.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 27 May 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Super-El Niño ameaça principal corredor de exportação de MS]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/super-el-nino-ameaca-principal-corredor-de-exportacao-de-ms/467133/</link>
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				<description><![CDATA[O monitoramento sobre os efeitos de um El Niño mais intenso para a economia de Mato Grosso do Sul está em andamento, por conta dos riscos econômicos que podem ocasionar na hidrovia Paraguai-Paraná. Os impactos podem surgir no segundo semestre deste ano e também em 2027, principalmente, pelo risco de uma estiagem mais extrema. Como a hidrovia de 2,5 mil quilômetros é um dos maiores modais hidroviários do mundo, Paraguai, Argentina e Bolívia também podem ser afetados. 

São mais de 9,5 milhões de toneladas de minérios de ferro e manganês, soja, terras e pedras, ferro e aço, além de castanhas, que acabam transportadas pelo Rio Paraguai, somente por conta do Brasil. No trecho brasileiro, ainda há a movimentação boliviana de combustível e gás.

Em termos de nível para navegação comercial do rio, na sexta-feira, a régua em Ladário marcava 2,24 metros, abaixo do nível registrado na mesma data de 2025, de 2,72 m. No ano de pior estiagem em mais de 100 anos, em 2024, o nível estava em 1,43 m. 

O prognóstico elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), divulgado neste mês, apontou possível atraso no início da estação chuvosa em todo o Centro-Oeste. 

“Historicamente, o Brasil apresenta uma média de 8 a 14 ondas de calor por ano, com destaque para as Regiões Sul e Sudeste. Contudo, dados recentes mostram o crescimento das ocorrências em todos os estados. Além disso, os anos de 2023, 2024 e 2025 foram os mais quentes já registrados globalmente e com os maiores quantitativos de ondas de calor no Brasil. Em 2024, por exemplo, Mato Grosso do Sul detém a maior média histórica nacional de ondas de calor, com 14,3 eventos anuais desse tipo entre 1979 e 2025”, divulgou o Cemaden na sexta-feira.

O centro de monitoramento pontuou que o El Niño interage com o aquecimento global e há sinais de que possa contribuir para que este ano e o ano que vem sejam mais quentes do que 2023 e 2024. 

O Cemaden pondera que essa previsão ainda não está confirmada, mas os dados apresentados geram necessidade de planejamento estratégico dos setores público e privado.



TRANSPORTE

O principal produto transportado pela hidrovia Paraguai-Paraná para exportação em Mato Grosso do Sul é o minério de ferro, com 8,8 milhões de toneladas consolidadas em 2025 (crescimento de 185% em relação a 2024). Essa commodity é altamente dependente das condições de navegação no Pantanal, a partir de Corumbá.

A LHG Mining, que promove a maior parte da exportação, divulgou no site especializado Discovery Alert que está se preparando para adversidades ambientais. 

Entre as estratégias estão o uso de 400 barcaças que podem transportar entre 1,5 mil e 3 mil toneladas cada, combinado com até 12 áreas de estocagem e regiões de transferência de carga para utilizar também o modal ferroviário.

Com essa quantidade de barcaças disponível para transporte, a mineradora tem a possibilidade de trabalhar com volumes menores em cada uma, mas garantindo maior capacidade total de transporte, que corresponde a até 1,2 milhão de toneladas.

Essas iniciativas da mineradora atendem a uma demanda privada, enquanto a promessa de concessão da hidrovia segue ainda em tramitação. Conforme já informado pelo Correio do Estado, o Ministério de Portos e Aeroportos informou que foi adiado o leilão para concessão de 600 km de hidrovia (Corumbá-Porto Murtinho) para 2027. A informação foi divulgada pelo secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Burlier. 

CENÁRIO

Na Argentina, duas multinacionais belgas estão competindo para assumir trecho da hidrovia Paraguai-Paraná. No dia 18, as empresas Jan De Nuv NV, que já realiza dragagem no país vizinho, e Dredging Environmental & Marine Engineering (Deme) foram aprovadas para seguir na concorrência pública. A empresa brasileira DTA Engenharia não foi aprovada para continuar na disputa.

O próximo passo para haver uma decisão dessa licitação, que foi lançada no fim de 2025, é a apresentação das ofertas econômicas pelas duas multinacionais.

Em território argentino, onde está o Rio Paraná, vem ocorrendo problemas de navegação na hidrovia, entre eles, acidentes recorrentes, que fizeram o Sindicato de Conductores Navales de la República Argentina emitir comunicado para questionar as políticas de flexibilização sobre a navegação no país. 

Apesar de a situação ocorrer na Argentina, há reflexos para a exportação brasileira.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 26 May 2026 08:00:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Indicação ao STF: da técnica à política]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/indicacao-ao-stf-da-tecnica-a-politica/467129/</link>
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				<description><![CDATA[A rejeição da indicação do presidente Lula para completar a composição do número de ministros no Supremo Tribunal Federal (STF) trouxe novamente à tona a discussão sobre a adequação da forma como ocorre a escolha de profissionais para que ocupem o referido cargo.

O tema é fundamental para a democracia dada a importância da função social cumprida pelos magistrados da cúpula do Judiciário nacional na concretização dos direitos fundamentais dos cidadãos brasileiros.

O nome indicado foi o de Jorge Messias, advogado-geral da União e, portanto, ocupa cargo relevante no campo jurídico, preenchendo supostamente o requisito de notável saber jurídico.

Note-se que tal elemento, para qualquer indicação, deve ser observado sob o prisma absoluto, não relativo, ou seja, não é necessário que os 11 integrantes do STF sejam as maiores figuras da área jurídica, mas que tenham conhecimentos aprofundados de direito.

Além disso, a despeito de debates acalorados que consideram as opções políticas do indicado, aparentemente ele também cumpria o requisito da reputação ilibada, conforme previsto no artigo 101 da Constituição da República de 1988. Assim sendo, qual o motivo da recusa?

Como é sabido por todos, a indicação não é meramente técnica, assim como a respectiva aceitação pelo Senado.

O aspecto político é, evidentemente, muito importante em tal processo. O fenômeno presente nos últimos tempos, porém, é que no processo de escolha, indicação e aceitação do nome do ministro, o fator político tem ganhado peso em relação ao aspecto técnico.

Há um marco histórico que pode ter potencializado tal processo: no Brasil anterior à investigação das denúncias de corrupção do chamado “mensalão”,  o nome dos membros do STF eram conhecidos somente na área jurídica, porém a exposição do julgamento do caso mencionado expôs sobremaneira a figura dos magistrados, algo que, embora tenha representado maior transparência para a população, pode ter produzido efeitos colaterais, como a elevação da politização de discussões técnicas e a mudança de atitude de parcela dos julgadores em relação ao entorno (imprensa e outros atores sociais).

A grande questão é que o órgão de cúpula é importante demais no bojo do regime democrático, especialmente no processo de concretização de direitos fundamentais, para que a indicação dos ministros possa ser tão influenciada por questões políticas, sem que haja consequências preocupantes para a segurança jurídica do País.

Alegar que a indicação de Jorge Messias tenha sido recusada por conflito de interesses entre figuras políticas relevantes no cenário nacional é óbvio, mas o que interessa é compreender qual será o próximo passo institucional a ser dado no País.

Cabe ao presidente atual fazer a indicação (mesmo considerado o custo político de eventual nova rejeição), mas qual será o critério da escolha?

A opção novamente incidirá sobre figura politicamente próxima ao máximo mandatário nacional que cumpra os requisitos técnicos (como era o caso de Messias) ou o chefe do Executivo escolherá o nome de alguma sumidade jurídica que, além disso, tenha visão de mundo próxima à dele (o que é direito do presidente, diga-se)?

Escolher alguém com base em característica estranha aos requisitos técnicos (como uma pessoa integrante de uma minoria, por exemplo) equivale a, mais uma vez, optar pela senda da política em detrimento da técnica como fator preponderante da indicação.

Em breve, o assunto deve voltar à pauta do debate público, dada a necessidade prática de completar a formação do STF após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.

O presidente terá que, mais uma vez, adotar um critério para escolher alguém apto a ocupar um dos cargos mais relevantes da República, cujas decisões produzirão impacto na vida de milhões de brasileiros.

Será revolucionário se o chefe de Executivo, mesmo optando por alguém que com ele compartilhe certa ideologia, escolher um indivíduo que seja mais conhecido por ser um luminar na área jurídica que pela ligação partidária.

Assim, os argumentos para a rejeição com base em questões políticas perderiam força, pois o debate ocorreria no campo da técnica. Com a palavra, o presidente.
 
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 26 May 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Razões para repensar o trânsito em MS ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/razoes-para-repensar-o-transito-em-ms/467128/</link>
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				<description><![CDATA[O Detran-MS faturou quase R$ 40 milhões em multas e taxas no último ano. É dinheiro que saiu do bolso do trabalhador, do autônomo, do motorista que acorda cedo para sustentar a família. Quarenta milhões de reais.

Um número que impressiona nos relatórios do órgão – mas que não impressiona nem um pouco ao se olhar para os corredores da Santa Casa e do Hospital Regional, que seguem lotados de vítimas de acidentes de trânsito.

A pergunta que o órgão e os poderosos da autarquia não respondem é simples e direta: se a política de multas funciona, por que os acidentes não diminuem?

A resposta, que gestores e tecnocratas do trânsito se recusam a admitir, é que punição financeira sozinha nunca salvou uma vida.

Multa não ensina a dirigir. Multa não capacita o condutor. Multa somente arrecada. E arrecadar, convenhamos, parece o objetivo real da gestão do trânsito há décadas.

É demagogia barata – mas cara para o cidadão – insistir que penalizar no bolso resolve o problema da segurança viária.

Essa tese serve ao gestor omisso, que terceiriza a responsabilidade do Estado para o motorista e dorme tranquilo enquanto o pronto-socorro trabalha em colapso.

Quem, nos últimos anos, viu uma campanha educativa do Detran-MS? Mas se a pergunta fosse outra – quem não pagou uma multa nos últimos anos? – essa sim seria a novidade.

Em ano eleitoral, o espetáculo piorou. Motos sem licença, carros com documentação vencida e condutores sem habilitação desfilam pelas ruas diariamente – e ninguém os para, porque fiscalizar esse público perde voto, é impopular.

O que rende é a blitz da Lei Seca: multa pesada, faturamento garantido. Alguém se perguntou quantas dessas operações aconteceram nos horários e trechos com maior índice de acidentes graves?

Blitz eficiente é blitz estratégica, baseada em dados, focada em comportamentos que matam: excesso de velocidade em vias críticas, direção alcoolizada, ultrapassagens proibidas. É educação antes da fiscalização.

É engenharia viária antes da infração.

O que dá mais voto? Prender 50 motos numa tarde de segunda-feira no centro da cidade ou manter um programa sério, contínuo e discreto de redução de mortes no trânsito? A resposta explica muito sobre o estado atual dos nossos hospitais.

A sociedade sul-mato-grossense merece saber para onde vão esses milhões todo ano – especialmente num órgão que acumula escândalos e viu sua credibilidade desmoronar diante da população que deveria servir. Merece um plano de segurança viária com metas reais, auditável, com prazo e responsável.

Merece que a vida valha mais do que o faturamento da catrefa que transformou o Detran-MS num balcão de arrecadação enquanto os acidentados lotam os hospitais e drenam recursos que deveriam ir para a educação viária e a sinalização.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 26 May 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Pode um senador da República pedir dinheiro a banqueiro?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/pode-um-senador-da-republica-pedir-dinheiro-a-banqueiro/467082/</link>
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				<description><![CDATA[A recente admissão por parte do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de que celebrou robusto contrato de “patrocínio” com o diretor-presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro – que, não de hoje, está no centro de investigações de indiscutível repercussão nacional – reacende uma discussão fundamental para qualquer democracia madura: até onde vai o direito ao sigilo contratual quando estão em jogo agentes centrais da República?

Segundo compartilhou o próprio parlamentar, a negociação envolveria cifras vultosas (fala-se, inicialmente, em R$ 64 milhões) destinadas ao financiamento de uma cinebiografia do pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Contudo, os detalhes do ajuste permaneceriam, em tese, protegidos por cláusulas de confidencialidade, possivelmente estruturadas sob a lógica de um Non Disclosure Agreement (NDA), que, traduzindo para a língua portuguesa, significa Acordo de Não Divulgação – instrumento comum no ambiente empresarial privado.

À luz do Direito e sob o prisma estritamente civil e contratual, não há anormalidade em cláusulas desta natureza. Até porque o sigilo negocial integra a autonomia privada e constitui ferramenta legítima de proteção estratégica, comercial e patrimonial. Contratos existem, afinal, para serem cumpridos, respeitados e protegidos.

O problema surge quando uma das partes deixa de ser apenas um agente privado e passa a ocupar posição de relevo institucional na estrutura da República.

A lógica desta engrenagem impõe diferenciação inevitável entre o cidadão comum e o homem público. Presidentes, ministros, governadores, parlamentares (deputados, senadores e vereadores), prefeitos, magistrados e demais figuras centrais do aparelho estatal não vivem mais exclusivamente sob a esfera privada, da intimidade. Ao assumirem funções de poder, tornam-se destinatários de um regime mais severo do escrutínio social.

Ora, a República é lastreada por figuras públicas e instituições que devem funcionar para além da legalidade formal. É preciso compreender que transparência, governança e responsabilidade são inerentes ao poder que tais autoridades exercem. Neste contexto, sim, há um preço a se pagar.

Não se trata de relativizar direitos fundamentais ou de se abolir garantias individuais. O que está em jogo é reconhecer que a própria preservação da confiança institucional exige padrões mais elevados de transparência. Órgãos e mandatários, no final das contas, vivem de credibilidade.

Nesta esteira de análise, e diante do episódio do suposto incentivo econômico do Banco Master à cinebiografia de Jair Bolsonaro, sistemas democráticos sólidos abarcam rígidas regras para agentes públicos.

Até mesmo porque a sociedade tem legítimo interesse em compreender relações financeiras, vínculos empresariais, créditos privados e estruturas contratuais que orbitam em torno de figuras de prestígio partidário e político.

Resumindo: quanto maior o poder exercido, menor deve ser a blindagem do sigilo pessoal em temas com potencial repercussão institucional, como o aparente financiamento de um banco liquidado para um filme sobre a trajetória de um ex-presidente da República – que, hoje, cumpre pena por suposta tentativa de golpe de estado.

Veja bem: não estamos a tratar de uma relação comercial e jurídica simples e rasa. Não é só um civil ligando para um empresário, para pedir recursos para bancar o filme sobre o pai.

É um senador da República solicitando aporte a uma instituição que, à época, já estava na mira da Justiça por crimes contra o sistema financeiro, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, fraude e corrupção.

A vida pública exige renúncias. Entre elas, a abdicação parcial à lógica absoluta da privacidade negocial. Não consiste em punição ao agente político – é consequência natural da função que ele mesmo optou desempenhar no aparato da República.

Quem ocupa posição central no cenário institucional brasileiro administra não apenas interesses individuais, mas, sobretudo, capital político, influência e confiança coletiva. E reputação pública depende, necessariamente, de probidade.

No fundo, este debate não é apenas jurídico, ou cultural – é civilizatório. Uma República saudável não se constrói apenas com contratos válidos, firmados em três vias em cartório.

Constrói-se, acima de tudo, com legitimidade, com a verdade dos fatos e com a clareza de contrapartidas – o que, com relação ao patrocínio do Banco Master para a cinebiografia de Jair Bolsonaro – e com os filhos políticos intermediando repasses na casa dos milhões – não está, ao menos, até o momento, oportunamente decifrada.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 25 May 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Trânsito inseguro e o Maio Amarelo]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/transito-inseguro-e-o-maio-amarelo/467081/</link>
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				<description><![CDATA[O trânsito de Mato Grosso do Sul se transformou, há muito tempo, em um dos principais retratos da insegurança cotidiana vivida pela população.

Em um Estado que frequentemente exibe indicadores econômicos comparáveis aos de países desenvolvidos, além de avanços importantes em setores como educação e agronegócio, é inadmissível conviver com um cenário viário tão desorganizado, perigoso e ineficiente.

Basta circular por Campo Grande ou percorrer algumas rodovias estaduais para perceber que o trânsito se tornou uma ameaça permanente.

Não se trata apenas de imprudência individual. O problema é estrutural. O próprio ecossistema urbano e rodoviário contribui diretamente para o caos.

Há ruas esburacadas, sinalização precária, cruzamentos inseguros e vias que parecem abandonadas pelo poder público.

Soma-se a isso uma frota crescente de motocicletas em situação irregular, motoristas sem habilitação, veículos sem condições mínimas de circulação e um ambiente generalizado de desrespeito às regras.

Em Campo Grande, atravessar um cruzamento semaforizado durante a noite, mesmo com o sinal verde, virou exercício de sobrevivência.

O cidadão correto aprendeu a desconfiar do próprio direito de passagem. O receio de que alguém avance o sinal vermelho é permanente.

E, infelizmente, com razão. O trânsito deixou de ser apenas um espaço de circulação para se transformar em um território de tensão e medo.

Diante desse quadro, é evidente que o Estado precisa agir com rigor. A fiscalização severa é necessária. A presença ostensiva dos órgãos de trânsito também.

O problema é que, na prática, a chamada “mão pesada” do poder público parece atuar quase exclusivamente para arrecadar.

Ela costuma alcançar justamente o motorista regularizado, documentado e com capacidade financeira para pagar multas e impostos. Enquanto isso, grande parte da informalidade e da ilegalidade segue circulando livremente pelas ruas.

É impossível ignorar a sensação crescente de seletividade. O cidadão que cumpre as regras percebe radares, notificações e cobranças.

Já aqueles que trafegam sem habilitação, sem documentos ou em veículos irregulares, muitas vezes, permanecem invisíveis ao sistema. Não por acaso, as estatísticas de acidentes, mortes e insegurança continuam alarmantes.

Estamos no Maio Amarelo, campanha nacional voltada à conscientização no trânsito. Mas conscientização sem eficiência prática se transforma apenas em discurso publicitário.

Nesta série de reportagens que iniciamos, mostramos justamente essa contradição: o número de multas aumenta, a arrecadação cresce, mas o trânsito continua perigoso.

Isso revela que as políticas públicas adotadas até aqui falharam em seu objetivo principal, que deveria ser salvar vidas.

Não basta multar. É preciso organizar o trânsito, recuperar vias, melhorar a sinalização, combater a informalidade e fiscalizar de verdade os focos de insegurança.

Segurança viária não se mede pela quantidade de notificações emitidas, mas pela redução de acidentes e pela capacidade de garantir tranquilidade à população.

E, neste aspecto, Mato Grosso do Sul ainda está muito distante do padrão de desenvolvimento que tanto ostenta em outras áreas.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 25 May 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Mundo do trabalho e saúde mental: novos desafios]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/mundo-do-trabalho-e-saude-mental-novos-desafios/467010/</link>
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				<description><![CDATA[O aumento exponencial no número de casos de burnout entre os anos de 2021 e 2025, conforme recente publicação de dados pelo Ministério da Previdência Social (MPS), demonstra que algumas questões relacionadas com o mundo do trabalho estão afetando mais sensivelmente as pessoas nos últimos tempos.

A entrada em vigor da nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), referente à saúde mental, ocorre oportunamente, pois fornece instrumento a ser utilizado no combate ao fenômeno de saúde pública descrito.

O ambiente de trabalho exige desempenho e impõe demandas ao prestador de serviços em vários sentidos, como é notório.

Ocorre que as modificações verificadas no mundo laboral parecem ter colocado exigências para as quais o trabalhador atual não se encontra apto (ao menos, por enquanto), provocando o aumento de casos de afastamento em decorrência de burnout, que passou de 823 em 2021 para 7.595 em 2025.

Evidentemente, pode ser que, no passado, houvesse alguma dificuldade de diagnóstico ou de reconhecimento da moléstia, mas o fato é que os números sinalizam um descompasso entre a forma como o trabalho está sendo realizado e a saúde do obreiro.

De acordo com o Ministério da Saúde, a síndrome de burnout, ou síndrome do esgotamento profissional, “é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade”.

Como é possível observar, há uma ligação intrínseca entre o problema de saúde e o ambiente de trabalho, apresentando três sintomas.

Ao que parece, pelo intervalo considerado quanto aos dados de afastamento, é possível fazer algumas ilações quanto aos motivos do expressivo aumento de casos do mencionado problema de saúde.

Durante e após o período pandêmico, os cidadãos passaram a trabalhar cada vez mais conectados, com o auxílio de tecnologias de informação e comunicação (TIC), de modo a poder realizar serviços fora do estabelecimento do empregador, em regime de teletrabalho, popularmente chamado de home office.

Nesta forma de prestação de serviço, além da falta de contato pessoal com os colegas (algo que, em determinados casos, pode aumentar o isolamento social), o trabalhador tende a laborar com maior tempo de tela, conectado ao sistema do empregador.

O referido uso da tecnologia, embora benéfico em alguns sentidos (como a desnecessidade de deslocamento e perda de tempo em trânsito, por exemplo), pode ser deletério em certos pontos (como a sensação de monitoramento constante e a dificuldade de exercer o direito à desconexão).

A exaustão do trabalhador provocada pelo quadro delineado surge como consequência previsível neste contexto. Em um mundo cada vez mais globalizado e com ampliação da competitividade, a pressão pela entrega de resultados mostra-se crescente, mas o organismo humano tem seus limites, como demonstra o aumento de afastamentos por burnout.

Nesse contexto, a NR-1, referente ao gerenciamento de riscos ocupacionais, com início de vigência da nova redação a partir de 25 de maio de 2026, pode ser um instrumento efetivo de proteção à saúde do trabalhador.

A sensação permanente de exigência e de atenção total, com o uso da tecnologia, deixa o corpo sempre em alerta, situação para a qual a estrutura psicológica humana não está preparada, como demonstram os números.

A pressão provocada pela possibilidade de fechamento de vagas de emprego em decorrência do uso de inteligência artificial nos próximos anos tende a tornar mais grave o grau de exigência psíquica, testando com mais intensidade a resiliência do obreiro.

A observação do contexto do mundo laboral e a piora dos dados que retratam a saúde mental do trabalhador não são elementos que possam ser desprezados por todos os envolvidos no assunto (trabalhadores, empregadores, autoridades e sociedade em geral).

O efeito nocivo da deterioração psíquica do cidadão no ambiente do trabalho, além de ser prejudicial a si mesmo, é negativa para o empregador (aumento de absenteísmo e queda de produtividade), para o Estado (custeio do afastamento do trabalhador pelo Instituto Nacional do Seguro Social) e para a sociedade (problemas de saúde em geral, dificuldade de socialização, aumento de dificuldades familiares, etc.).

É um momento em que a comunidade nacional deve refletir sobre a finalidade do trabalho, algo que, além de fornecer os meios de subsistência, é um modo de manifestação da personalidade do indivíduo.

A partir do momento em que tal atividade provoca massivamente a perda de saúde da população, talvez seja o sinal de que o ser humano não esteja sendo tratado como um fim em si mesmo, mas como um instrumento para outras finalidades.
 
]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 23 May 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Ultima Ratio e o fim da blindagem ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/ultima-ratio-e-o-fim-da-blindagem/467009/</link>
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				<description><![CDATA[A Operação Ultima Ratio já entrou para a história recente de Mato Grosso do Sul como uma das mais contundentes ações de enfrentamento à corrupção dentro das instituições públicas.

O legado deixado pela investigação da Polícia Federal (PF)vai além dos nomes envolvidos ou da repercussão política e jurídica do caso.

O principal efeito da operação foi mostrar, de maneira clara e inequívoca, que aqueles responsáveis por julgar crimes também podem cometê-los – e, sobretudo, que não estão imunes à lei.

No mês passado, mostramos que a PF indiciou mais de 30 pessoas no âmbito da investigação. Entre os que são alvo estão magistrados, advogados e até um conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE-MS).

Os crimes investigados são gravíssimos: corrupção, organização criminosa e até extorsão. Não se trata de um episódio isolado ou de um desvio menor.

Trata-se de uma suspeita de contaminação institucional justamente em um dos pilares mais sensíveis da democracia: o sistema de Justiça.

Agora, a responsabilidade passa para o Ministério Público Federal (MPF), que terá a missão de analisar o relatório produzido pela PF e decidir se apresenta ou não denúncias formais contra os investigados.

Será uma etapa decisiva. O rigor técnico, o respeito ao devido processo legal e a ampla defesa precisam ser preservados. Mas isso não diminui a importância do que já foi revelado até aqui.

Na prática, a Operação Ultima Ratio já produziu um efeito imediato e extremamente relevante: o efeito dissuasivo.

Qualquer autoridade pública que eventualmente estivesse recebendo vantagens indevidas, manipulando decisões ou utilizando o cargo para favorecer amigos e aliados passou a entender que o risco é real. E alto.

O que antes podia parecer um ambiente de impunidade hoje se transformou em um cenário de vigilância permanente, onde até magistrados podem ser investigados, afastados e eventualmente presos.

Esse talvez seja o maior mérito do trabalho conduzido pela Polícia Federal: reafirmar que o crime não pode compensar, independentemente do cargo ocupado pelo investigado.

O combate à corrupção só se fortalece quando alcança todos os níveis de poder, inclusive aqueles historicamente protegidos por prestígio institucional, influência política ou relações corporativas.

É justamente aí que reside a importância do saneamento promovido pela operação. Instituições fortes não são aquelas que escondem seus problemas, mas as que possuem mecanismos para enfrentá-los e corrigi-los.

A credibilidade do Judiciário, do Ministério Público e dos órgãos de controle depende diretamente da capacidade de separar quem honra a função pública daqueles que eventualmente a utilizam para benefício próprio.

Que o trabalho continue assim. Com independência, profundidade e coragem. Porque o combate à corrupção não pode ter seletividade, blindagem ou zonas de conforto. A lei precisa valer para todos – especialmente para aqueles que juraram aplicá-la.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 23 May 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O avanço necessário das punições para crimes financeiros e fraudes contábeis]]></title>
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				<description><![CDATA[O endurecimento das punições para crimes financeiros, fraudes contábeis e manipulação de informações no mercado de capitais representa um passo necessário para a proteção da economia brasileira e para a reconstrução da confiança institucional no ambiente de negócios.

Em um país historicamente marcado por escândalos corporativos, esquemas de pirâmide financeira e estruturas empresariais montadas para ocultar patrimônio ou enganar investidores, o fortalecimento da legislação deixa de ser apenas uma resposta política e passa a ser uma exigência econômica e social.

A discussão em torno do projeto que tramita no Senado, ampliando penas e criando mecanismos mais rigorosos de responsabilização, surge em um momento particularmente sensível.

O Brasil convive com um cenário de crescente sofisticação das fraudes financeiras, impulsionadas pela digitalização das operações, pela popularização de plataformas de investimento e pelo uso de estruturas empresariais complexas capazes de dificultar rastreamento, fiscalização e responsabilização.

Durante muitos anos, a legislação brasileira tratou crimes financeiros de maneira fragmentada e, em alguns casos, excessivamente branda diante dos impactos econômicos causados.

A consequência disso foi a consolidação de uma percepção perigosa: a de que fraudes empresariais sofisticadas raramente produzem punições proporcionais aos danos gerados.

Não se trata apenas de perdas patrimoniais individuais. Fraudes contábeis afetam diretamente a credibilidade do mercado, comprometem empregos, destroem empresas, afastam investidores e deterioram a confiança em instituições financeiras e regulatórias.

Quando balanços são manipulados, informações relevantes são ocultadas ou promessas irreais de rentabilidade são disseminadas artificialmente, o dano extrapola o universo dos investidores diretamente atingidos. O efeito contamina todo o ambiente econômico.

A criação do crime específico de fraude contábil tem relevância estratégica justamente porque reconhece a centralidade da informação na dinâmica econômica contemporânea.

O mercado funciona baseado em confiança. Investidores, acionistas, fornecedores e consumidores tomam decisões a partir de dados financeiros divulgados pelas empresas.

Quando essas informações são deliberadamente distorcidas, rompe-se um dos pilares fundamentais da atividade econômica moderna.

Outro aspecto relevante do projeto é a previsão de proibição do exercício de atividade empresarial para condenados por determinados crimes financeiros.

A medida tem importante caráter preventivo. Em diversos casos recentes, investigados e condenados continuaram atuando no mercado por meio de novas empresas, laranjas ou estruturas societárias paralelas, reproduzindo modelos fraudulentos com aparência de legalidade.

O fortalecimento das punições também aproxima o Brasil de padrões internacionais de governança e compliance. Mercados maduros têm sistemas rigorosos de responsabilização justamente porque compreenderam que segurança jurídica não significa proteção à impunidade corporativa.

Ao contrário: ambientes econômicos sólidos dependem de fiscalização eficiente, transparência e punição efetiva para desvios graves.

É importante destacar que endurecer a legislação não significa criminalizar a atividade empresarial legítima nem transformar riscos econômicos naturais em ilícitos penais.

O empreendedorismo exige liberdade, inovação e tolerância ao risco. O que se busca combater são práticas dolosas estruturadas para enganar investidores, manipular demonstrações financeiras e obter vantagens ilícitas à custa da confiança coletiva.

Nesse contexto, o fortalecimento da atuação de órgãos reguladores, autoridades financeiras, Ministério Público e Polícia Judiciária torna-se indispensável.

Leis mais severas sem capacidade investigativa produzem apenas efeito simbólico. A efetividade depende de inteligência financeira, integração institucional, rastreamento patrimonial e rapidez na resposta estatal.

A evolução legislativa também tem dimensão pedagógica. Ao estabelecer consequências mais graves para fraudes financeiras e manipulação contábil, o Estado transmite ao mercado a mensagem de que práticas fraudulentas não serão mais tratadas como meras irregularidades administrativas ou infrações secundárias.

Trata-se de reconhecer que crimes financeiros têm elevado potencial destrutivo e atingem não apenas indivíduos, mas a própria estabilidade econômica.

O Brasil precisa consolidar uma cultura de responsabilidade empresarial compatível com a complexidade do mercado contemporâneo.

Transparência, governança e integridade não podem continuar sendo apenas discursos institucionais utilizados em campanhas corporativas.

Devem representar compromissos concretos, respaldados por fiscalização eficiente e responsabilização proporcional à gravidade das condutas.

O avanço das punições, portanto, não deve ser visto como ameaça ao setor produtivo, mas como instrumento de proteção à economia saudável, à livre concorrência e à confiança pública. Mercados fortes não convivem com impunidade estrutural.

Convivem com regras claras, fiscalização séria e consequências efetivas para quem transforma fraude em modelo de negócio.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 22 May 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Resiliência em meio ao tarifaço]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/resiliencia-em-meio-ao-tarifaco/466953/</link>
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				<description><![CDATA[O relatório do Banco Central detalhado nesta edição lança luz sobre um tema que dominou boa parte das discussões econômicas do ano passado: os efeitos do tarifaço implementado pela gestão de Donald Trump nos Estados Unidos e os reflexos diretos sobre a economia brasileira. Para Mato Grosso do Sul, os números iniciais não eram animadores.

O Estado figurou como a quarta unidade da Federação mais afetada pelas barreiras comerciais impostas pelos norte-americanos, atingindo justamente setores estratégicos de nossa pauta exportadora, como a celulose e a carne bovina.

Em um primeiro momento, o cenário indicava um impacto inevitável sobre a balança comercial sul-mato-grossense. Afinal, trata-se de segmentos que têm peso determinante na geração de divisas, no fortalecimento da cadeia produtiva e na manutenção de empregos em diversas regiões do Estado.

Quando produtos dessa relevância encontram obstáculos em mercados importantes, os reflexos tendem a se espalhar rapidamente pela economia local.

Entretanto, os resultados consolidados ao fim de 2025 mostram que Mato Grosso do Sul conseguiu reagir. E reagiu de forma consistente.

O desempenho das exportações e o saldo positivo da balança comercial demonstram que houve capacidade de adaptação diante de um cenário externo adverso.

O Estado buscou novos mercados, ampliou relações comerciais e, principalmente, encontrou na China um parceiro ainda mais relevante para absorver parte significativa da produção local.

Essa mudança de rota não elimina os danos causados pelo tarifaço, tampouco diminui a gravidade das medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos. Os impactos existiram e ficaram evidentes nos levantamentos apresentados pelo Banco Central.

O que merece destaque, contudo, é a capacidade de mitigação dessas perdas. A economia sul-mato-grossense mostrou resiliência ao compensar os prejuízos com diversificação comercial e expansão de mercados consumidores.

O resultado dessa reação vai além das estatísticas frias da balança comercial. Os dólares que ingressam no Estado por meio das exportações movimentam cadeias produtivas inteiras, sustentam empregos, fortalecem o comércio e ajudam a manter a circulação de renda em diferentes municípios.

Mesmo que a percepção cotidiana da população nem sempre acompanhe os indicadores macroeconômicos, há efeitos concretos que atingem diretamente a atividade econômica.

Isso ajuda a explicar por que Mato Grosso do Sul conseguiu manter crescimento econômico mesmo em meio a um ambiente internacional turbulento.

A resiliência mostrada em 2025 evitou consequências potencialmente mais severas. Sem essa capacidade de adaptação, os impactos sobre emprego, renda e arrecadação poderiam ter sido muito mais profundos.

Em tempos de instabilidade global e disputas comerciais cada vez mais agressivas, Mato Grosso do Sul deixa uma lição importante: economias fortemente exportadoras precisam estar preparadas para diversificar mercados e reduzir dependências.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 22 May 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O drible da realidade]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-drible-da-realidade/466896/</link>
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				<description><![CDATA[Falta menos de um mês para a Copa do Mundo e, sinceramente, dá um susto olhar para a rua. Não tem bandeira. Não tem adesivo no carro. Não tem aquele verde e amarelo berrando nos cruzamentos. O que a gente vê é asfalto cinza – o mesmo de sempre.

A cidade parece que esqueceu de se fantasiar. E não é preguiça coletiva, não é falta de memória. É cansaço. A verdade é que o brasileiro cansou de se anestesiar. O espetáculo perdeu a graça.

Não porque o futebol tenha deixado de ser bonito – continua sendo –, mas porque a realidade deixou de ser opcional. Você não pode mais fechar os olhos por noventa minutos e fingir que a vida é só aquela bola correndo na grama. A conta chega. Sempre chega.

Lembra quando o País parava? Quando jogo da seleção era feriado não escrito, e o chefe sabia que não adiantava marcar reunião? Pois é.

O Datafolha acaba de soltar um número que dói: 54% da população não tem nenhum interesse em acompanhar a Copa do Mundo deste ano. Nenhum. Mais da metade.

Em 1994, era o oposto: quase todo mundo queria ver aquele tetra, o Brasil inteiro na mesma sintonia. Agora? O torneio virou evento de vitrine comercial. A alma foi embora, e quem ficou, está olhando para o próprio bolso.

Mas não adianta fingir surpresa. A conta é simples: o orçamento familiar não fecha. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) avisou: 80,9% das famílias estão endividadas. Oito em cada 10 lares. Não é “apertado”, não é “fazer uma vaquinha”.

É sufoco. Mais de um quarto da renda mensal já vai embora só para pagar juros, e o resto mal dá para o básico.

E aí chega o Boletim Macrofiscal do Ministério da Fazenda e revisa a inflação para 4,5% – o teto da meta. Feira mais cara, luz mais cara, leite mais caro. Beleza, a Copa vai passar na TV aberta, sim.

Mas o torcedor não está olhando para a escalação. Ele está no supermercado, fazendo conta de cabeça, tentando entender por que o arroz subiu de novo.

Aí junta o pior: ano eleitoral. E não é um ano eleitoral qualquer – é um daqueles em que o País parece uma panela de pressão prestes a estourar. A camisa da seleção, que um dia foi quase um abraço nacional, virou arma de briga de esquina.

Vestir amarelo hoje significa declarar lado. Em vez de unir, divide. Em vez de festa, gera confusão. E o cidadão comum – que só queria tomar uma cerveja gelada e xingar o juiz em paz com os vizinhos – resolveu desistir. Porque até torcer virou ato político, e político, convenhamos, ninguém mais atura no fim do dia.

Claro que o marketing vai tentar esquentar o mote. Vai ter comercial com ex-jogador emocionado, vai ter filtro nas redes sociais, vai ter “veste a camisa” repetido até enjoar.

Vai ter escola pintando mural, empresa sorteando camisa, influencer fazendo dancinha. Mas a sociedade já não é mais criança. Maturidade também é saber o que é essencial.

E o essencial, hoje, não é título na vitrine. É comida na mesa. É remédio na farmácia. É conseguir dormir sem pensar em conta vencendo amanhã.

O que a gente está vendo, no fundo, é um drible. Só que dessa vez a bola não passou pelo goleiro. A realidade passou por cima da fantasia.

O Brasil trocou a euforia pela sobrevivência. O torcedor apaixonado deu lugar ao cidadão cansado, que confere extrato bancário em vez de escalação, que calcula juros compostos em vez de comemorar gol.

A bola vai rolar, sim. Vai ter abertura, vai ter hino, vai ter narrador emocionado, vai ter câmera lenta no primeiro gol.

Mas a pergunta que ninguém quer fazer – e que está no ar o tempo todo – é esta: com esse tanto de dívida, descrença e raiva entalada na garganta, o brasileiro ainda tem estômago para viver de samba e futebol?

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 21 May 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O desafio do Super El Niño para MS]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-desafio-do-super-el-nino-para-ms/466895/</link>
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				<description><![CDATA[Os alertas climáticos que começam a ganhar força neste ano exigem atenção redobrada das autoridades e da sociedade. O chamado Super El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, já demonstra sinais de que poderá ter intensidade superior à média e provocar efeitos severos ao longo do segundo semestre.

Em Mato Grosso do Sul, os primeiros diagnósticos já apontam um cenário preocupante, principalmente para regiões historicamente vulneráveis aos extremos climáticos.

Nesta edição, mostramos que especialistas, órgãos ambientais e autoridades públicas acompanham com apreensão a evolução do fenômeno.

A tendência é de aumento nos períodos de estiagem, temperaturas acima da média e agravamento das condições propícias para queimadas. Trata-se de um cenário que, infelizmente, já não é desconhecido dos sul-mato-grossenses.

O Pantanal surge novamente como uma das áreas de maior preocupação. O bioma, que nos últimos anos enfrentou incêndios devastadores, continua exposto aos efeitos combinados da seca prolongada, da vegetação altamente inflamável e das dificuldades naturais de acesso em regiões remotas.

Quando as chuvas desaparecem e a umidade despenca, qualquer foco de incêndio pode rapidamente se transformar em uma tragédia ambiental de grandes proporções.

O temor aumenta justamente porque o Super El Niño esperado para este ano pode figurar entre os mais intensos das últimas décadas.

E eventos climáticos extremos tendem a produzir impactos em cadeia: redução da umidade, prejuízos à produção agropecuária, comprometimento da qualidade do ar, pressão sobre os recursos hídricos e aumento dos riscos à saúde da população.

Ainda assim, há motivos para um cauteloso otimismo. Diferentemente do que ocorreu em outros episódios recentes desta década, o poder público parece chegar mais preparado para enfrentar uma possível temporada severa de incêndios e estiagem.

Os sinais apontam que as autoridades estaduais e federais compreenderam a gravidade do problema e passaram a estruturar uma resposta mais robusta, tanto no campo da prevenção quanto no combate direto ao fogo.

Os investimentos em monitoramento, integração entre forças de segurança, brigadas ambientais, aeronaves, equipamentos e planos de contingência indicam uma mudança importante de postura.

Não significa que o problema esteja resolvido ou que o risco tenha desaparecido. Mas demonstra que, ao menos desta vez, existe uma consciência mais clara de que a antecipação é fundamental diante de eventos climáticos extremos.

A prevenção continuará sendo a principal arma. Campanhas educativas, fiscalização rigorosa e resposta rápida a focos iniciais podem fazer enorme diferença em um cenário de seca severa. Em situações como essa, cada dia de antecedência importa.

Há momentos em que a sociedade acompanha previsões torcendo para que elas não se confirmem. O Super El Niño é um desses casos.

Embora a ciência já indique um risco elevado para os próximos meses, permanece a esperança de que os efeitos sejam menos devastadores do que os inicialmente projetados.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 21 May 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O País dividido: sem espaço para a terceira via na polarização PT x PL]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-pais-dividido-sem-espaco-para-a-terceira-via-na-polarizacao-pt-x-pl/466827/</link>
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				<description><![CDATA[Não será desta vez. Mesmo que surjam mais escândalos dos dois lados, é pouco provável que a polarização partidária do País dê lugar a um efetivo pluripartidarismo de coalizão ou a uma opção alternativa. PT e PL devem continuar mobilizando eleitores fiéis, apesar dos escândalos e das condenações envolvendo lideranças nacionais, pois são as duas legendas mais claramente definidas no País – polarizando a ação política menos por questões ideológicas do que por razões pragmáticas relacionadas ao exercício do poder.

Nenhum partido conseguirá, em curto prazo, catalisar eleitores em número suficiente para desafiar essa polarização.

A capacidade das legendas de construir novas lideranças como alternativa de poder no Brasil é tarefa que está longe de ser fácil.

Portanto, uma terceira via tem pouca chance de prosperar no processo eleitoral deste ano. Uma nova liderança não surge do nada, nem de repente, a não ser em casos muito excepcionais.

É preciso estar ancorada em alguma base concreta – um governo estadual, um mandato no Congresso ou uma atividade institucional de grande relevância. Sinceramente, não se vê quem possa preencher esses requisitos hoje fora do bolsonarismo e do lulismo.

Antes da polarização Lula x Bolsonaro, o País teve lideranças que sabiam se relacionar com o Congresso, bem assessoradas. Isso fazia com que o presidencialismo de coalizão funcionasse sem grandes solavancos.

Mas com lideranças ruins como agora, sem capacidade de negociação, a coisa não anda ou anda muito mal. A perspectiva é de manutenção do quadro – até porque não há vácuo em política, como diz um antigo ditado das ciências sociais que se aplica bem ao caso brasileiro.

A polarização não é novidade, mas no tempo do PSDB x PT era menos radicalizada. A disputa entre PT e PSDB, que dominou o cenário nacional de 1994 a 2014, era pautada em um debate econômico e institucional claro, mantendo-se dentro das regras democráticas.

Havia respeito institucional: embora a disputa eleitoral fosse dura e, por vezes, agressiva, os adversários eram vistos como concorrentes legítimos pelo poder, e não como “inimigos” existenciais.

A partir de 2014, o ambiente político transformou-se em uma polarização ideológica e afetiva profunda, passando a rejeitar o diálogo. O atual cenário difere desse período, sendo marcado por um debate menos flexível e mais focado na rejeição do opositor em vez do confronto de ideias.

Para quem quiser entender melhor a cabeça dos eleitores que vão às urnas, sugiro a leitura do livro “O País Dividido”, de Jairo Nicolau, professor e pesquisador da FGV-CPDOC.

A obra reconstrói duas décadas de eleições presidenciais a partir de um extenso cruzamento de dados eleitorais, pesquisas de opinião e séries históricas do TSE, compondo um retrato de como o Brasil fracionado entre petistas e tucanos tornou-se uma nação organizada pela lógica do lulismo versus bolsonarismo.

Nicolau mostra ainda como a entrada de Jair Bolsonaro transformou a própria natureza da polarização no País: menos ideológica, mais emocional e personalizada.

A partir de uma metodologia inédita para medir esse fenômeno, o cientista político identificou um salto expressivo no contingente de eleitores polarizados, que passou de 31%, em 2002, para 64%, em 2022.

Segundo Nicolau, o Brasil que elegeu Lula pela primeira vez, em 2002, já não existe mais. Naquele País, o eleitorado era majoritariamente jovem e de baixa escolaridade.

Vinte anos depois, o Brasil que devolveu Lula ao Planalto tornou-se outro: mais velho, mais feminino, mais escolarizado, mais evangélico. Nesse percurso, as bases sociais do voto se deslocaram.

O PT perdeu força entre homens, nas grandes cidades e entre jovens de escolaridade média. A direita avançou justamente nesses segmentos, enquanto mulheres negras consolidaram o grupo de maior coesão eleitoral do País.

O pesquisador detalha as mudanças silenciosas de longo prazo e as rupturas abruptas que identificou no comportamento do eleitor.

Entre os achados, destaca-se que o eleitorado brasileiro, tipicamente masculino e de ensino fundamental em 2002, é hoje majoritariamente feminino e de Ensino Médio.

As mulheres jovens sempre votaram majoritariamente na esquerda – mesmo em 2018, Bolsonaro perdeu entre elas –, enquanto os meninos jovens foram em massa para a direita, fenômeno observado também em outros países.

A vitória de Lula em 2022 deveu-se às mulheres: entre os homens, Bolsonaro foi vitorioso; mas o maior contingente feminino, aliado à maior comparecimento às urnas e à preferência por Lula, foi decisivo.

Outra descoberta contraintuitiva é que o crescimento da escolaridade tem favorecido a direita. Em 2018 e 2022, Bolsonaro ganhou entre os eleitores de Ensino Médio – o núcleo do bolsonarismo –, enquanto o PT se segura entre os de baixa escolaridade, num perfil cada vez mais interiorano e nordestino. Já o bolsonarismo é metropolitano, concentrado nas grandes cidades do Sudeste.

Sobre a polarização, Nicolau desenvolveu metodologia própria para medi-la retrospectivamente. Até 2014, os brasileiros tinham preferências políticas sem grande intensidade de amor ou ódio. O País era dividido, mas não polarizado.

A presença de Bolsonaro galvanizou uma alta polarização: em 2018, houve polarização à direita (eleitores gostavam muito de Bolsonaro e rejeitavam o PT); em 2022, o movimento se inverteu – o eleitorado petista passou a valorizar Lula e rejeitar intensamente Bolsonaro.

Trata-se da chamada polarização afetiva, que não tem necessariamente a ver com posições ideológicas.

O pesquisador ressalva, no entanto, que a polarização mais intensa – engajamento em redes sociais, militância ativa – atinge apenas o topo da pirâmide, talvez 15% a 20% dos eleitores.

Existe uma grande massa de brasileiros para quem essa polarização simplesmente não chega.

Tanto que 30% dizem não ter nenhum interesse por política, e 40% afirmam que, se o voto não fosse obrigatório, ficariam em casa.

Por isso, Nicolau acredita que a polarização deve cair neste ano sem a presença de Bolsonaro – embora a confirmação de Flávio Bolsonaro como principal liderança da direita aumente a probabilidade de que as mesmas clivagens de 2022 se repitam.

Quanto aos escândalos recentes envolvendo Flávio Bolsonaro, Nicolau é prudente: em um mundo dominado por redes sociais e filtros religiosos e ideológicos, a informação chega torta.

Ao contrário do caso Lunus com Roseana Sarney, quando um escândalo liquidava uma candidatura, hoje há sempre uma guerra de interpretações. O autor não tem segurança para afirmar que a candidatura de Flávio está ferida de morte.

Sua conclusão é que, com a presença de um Bolsonaro na campanha – algo que parecia improvável –, aumenta a probabilidade de cristalização das preferências. 

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 20 May 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Agro entre a supersafra e o sufoco]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/agro-entre-a-supersafra-e-o-sufoco/466826/</link>
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				<description><![CDATA[Os números da economia brasileira neste ano ajudam a explicar por que este tem sido um ano marcado por certa perplexidade.

Em muitos aspectos, os indicadores macroeconômicos mostram um País que continua crescendo, sustentado principalmente pelo agronegócio, pelo consumo e por alguns setores de serviços.

Ainda assim, a percepção de boa parte da população e de diversos segmentos produtivos é completamente diferente. A sensação predominante não é de prosperidade, mas de sufocamento.

Essa talvez seja a principal característica econômica do ano: o descolamento entre a macroeconomia e a microeconomia.

Enquanto os grandes números apontam crescimento, a realidade de empresas, produtores rurais e famílias mostra um cotidiano pressionado por custos elevados, juros altos e endividamento crescente.

Basta observar a situação das famílias brasileiras. O alto comprometimento da renda, especialmente entre cidadãos de classe média e baixa, revela que a melhora dos indicadores nacionais não necessariamente se converteu em alívio financeiro.

O crédito caro, a inflação acumulada de serviços e alimentos e o peso das dívidas seguem comprimindo o orçamento doméstico. Em muitos lares, sobra mês no fim do salário.

No campo, a contradição também chama atenção. O agronegócio continua sendo um dos pilares da economia nacional e exerce papel decisivo para sustentar o Produto Interno Bruto.

A supersafra registrada neste ano contribui para exportações robustas e fortalece a balança comercial brasileira. Sob a ótica macroeconômica, os números impressionam.

Mas basta aproximar o olhar para perceber a insatisfação crescente entre produtores rurais. O problema está justamente no desequilíbrio entre os custos de produção e o valor recebido pelas commodities.

Fertilizantes, defensivos, combustíveis, máquinas e crédito continuam caros, enquanto produtos como a soja sofrem pressão no mercado internacional.

Como as commodities são cotadas em dólar, oscilações cambiais e movimentos externos afetam diretamente a rentabilidade do produtor.

Na prática, há produtores colhendo volumes recordes sem alcançar lucro proporcional. Produz-se mais, mas nem sempre se ganha mais. Em alguns casos, a margem fica cada vez mais apertada.

Os juros elevados ajudam a agravar esse cenário. Eles pressionam tanto o crédito rural quanto o consumo urbano, dificultam investimentos e aumentam o custo financeiro de toda a cadeia produtiva.

O resultado é uma economia que consegue apresentar bons indicadores gerais, mas sem espalhar de forma homogênea essa melhora pela sociedade.

O mais preocupante é que ainda não há sinais claros de mudança no médio prazo. A tendência é que a situação continue pressionada enquanto os custos de produção permanecerem elevados e os juros seguirem em níveis restritivos.

Talvez o principal caminho para aliviar essa tensão esteja justamente em reduzir parte dessa pressão sobre quem produz e sobre quem consome.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 20 May 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A caverna de Brasília: Flávio Bolsonaro, Vorcaro e a recusa de ver a luz]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-caverna-de-brasilia-flavio-bolsonaro-vorcaro-e-a-recusa-de-ver-a/466777/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-caverna-de-brasilia-flavio-bolsonaro-vorcaro-e-a-recusa-de-ver-a/466777/</guid>
				<description><![CDATA[A revelação promovida pelo Intercept Brasil, em 13 de maio de 2026, de áudios, mensagens e documentos extraídos de aparelhos apreendidos do banqueiro Daniel Vorcaro reabriu, com força inédita, o debate sobre os limites éticos e jurídicos da relação entre poder político e capital financeiro no Brasil.

O senador Flávio Bolsonaro, em um intervalo de poucas horas, mudou radicalmente sua versão sobre o financiamento de “Dark Horse”, o filme biográfico sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, negando pela manhã qualquer relação com Vorcaro e, à tarde, admitindo os laços com o banqueiro.

Cumpre destacar, ademais, que Vorcaro está preso por ser investigado na maior fraude bancária da história do Brasil, que teria gerado um rombo bilionário ao Fundo Garantidor de Créditos, circunstância que confere ao caso uma gravidade institucional ainda mais aguda.

Convém ressaltar, neste particular, a materialidade documental do episódio. Segundo a imprensa, pelo menos R$ 61 milhões teriam sido transferidos a pedido de Flávio entre fevereiro e maio de 2025, e um dos áudios foi enviado em setembro daquele ano, quando o Banco Master já era objeto de forte desconfiança no mercado.

Insta observar, outrossim, que parte dos recursos administrados pela instituição financeira tinha origem em aplicações públicas, inclusive aportes vinculados à Rioprevidência, fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de servidores inativos do Rio de Janeiro, fato que fragiliza a tese exculpatória da exclusiva natureza privada dos recursos envolvidos.

Diante desse quadro probatório, a linha argumentativa adotada pelo senador e replicada por seus correligionários assenta-se numa premissa frágil: a de que se tratava de mera busca de patrocínio empresarial.

Flávio Bolsonaro convocou integrantes da pré-campanha para uma reunião de emergência em Brasília e, horas depois, divulgou nota afirmando que buscava “patrocínio privado para um filme privado”, sem uso de recursos públicos ou verbas da Lei Rouanet.

No mesmo sentido, o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, afirmou que “os fatos dizem respeito à busca de patrocínio privado para um projeto privado, sem qualquer utilização de recursos públicos” e declarou que a bancada permanece “unida e confiante no senador Flávio Bolsonaro, certa da lisura de seus atos”.

Frise-se que a principal estratégia de defesa bolsonarista nas redes tem sido compartilhar o título de uma nota da coluna do jornalista Lauro Jardim, em O Globo, segundo a qual “Vorcaro também financiou filmes sobre Lula e Temer”, recurso retórico clássico de deslocamento do foco, o conhecido tu quoque, que, no campo da lógica jurídica, configura falácia, pois a eventual conduta alheia não elide a tipicidade da própria.

Postas tais premissas, impõe-se traçar paralelo com a alegoria da caverna, narrada por Platão no Livro VII de “A República”. Na parábola, os prisioneiros, acorrentados desde a infância no fundo de uma caverna, contemplam apenas sombras projetadas numa parede e tomam-nas pela realidade integral do mundo.

Quando um deles, liberto, ascende à superfície e contempla o sol, símbolo da verdade, regressa para libertar os companheiros e é, por estes, escarnecido, hostilizado e, no limite, exterminado, porque preferem a familiaridade das sombras à dor luminosa do conhecimento. Aplica-se, mutatis mutandis, a metáfora ao eleitorado bolsonarista mais radicalizado.

Ainda que se lhes apresentem áudios autenticados, comprovantes bancários, cronogramas de transferências internacionais e a própria confissão parcial do investigado, persiste a recusa epistêmica em reconhecer a luz dos fatos, optando-se pela permanência confortável diante das sombras narrativas projetadas pelos líderes do movimento.

Veja-se, a propósito, que as reações no seio do bolsonarismo variam da defesa cega à tentativa de mudança de foco, passando por discursos cautelosos ou estratégias de “efeito espelho”, sintomatologia que, em chave platônica, corresponde justamente à reação dos cativos da caverna diante do prisioneiro liberto.

Cumpre acrescentar que, para desacreditar a denúncia, parlamentares e influenciadores alegam que a negociação teria ocorrido antes de Vorcaro se tornar alvo de investigações, o que as reportagens indicam não ser verdadeiro, e sustentam que a produtora do filme negou ter recebido os pagamentos, ignorando outros elementos que apontariam para a existência dos repasses.

Por conseguinte, o esforço narrativo opera não para iluminar, mas para reforçar as correntes, produzindo novas sombras que substituem, no imaginário do cativo, a evidência empírica que poderia libertá-lo.

Forçoso reconhecer, à luz do exposto, que o fenômeno transcende o caso individual e revela uma patologia da formação democrática contemporânea: a substituição da prova pelo pertencimento, da evidência documental pelo dogma identitário.

Quando Flávio Bolsonaro chegou a escrever, em aplicativo de mensagens, “Irmão, estou e estarei contigo sempre”, enquanto Vorcaro tentava deixar o País, expôs-se algo que ultrapassa o ilícito tipificável: revelou-se a moldura afetiva e clientelística da relação.

Todavia, mesmo essa franqueza documental tende a ser ressignificada pelo eleitor cativo como prova de lealdade pessoal, virtude moral ou perseguição política, qualquer coisa, enfim, menos o que objetivamente representa.

Assim como o prisioneiro platônico prefere a sombra à luz porque a sombra não fere os olhos, o eleitor capturado pela mítica do líder prefere a versão que confirma sua identidade política àquela que a desestabiliza, pois a verdade, quando contraria convicções profundas, dói, e dói exatamente como Platão descreveu há mais de dois milênios.

Com efeito, o caso de Flávio-Vorcaro não é apenas mais um capítulo das relações promíscuas entre política e mercado financeiro brasileiro, mas também um experimento sociológico em tempo real sobre os limites da racionalidade compartilhada.

Resta saber, portanto, se as instituições, Ministério Público, Polícia Federal e eventual CPI do Banco Master, conseguirão produzir, ao final, uma narrativa fática suficientemente robusta para perfurar a parede da caverna; ou se, ao contrário, o Brasil seguirá assistindo à projeção contínua das sombras, com a multidão aplaudindo, no escuro, o ilusionista que lhe vende a escuridão como liberdade.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 19 May 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Luxo, irregularidades e expansão urbana]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/luxo-irregularidades-e-expansao-urbana/466776/</link>
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				<description><![CDATA[O imbróglio envolvendo o condomínio de luxo Soul Corpal Living Resort expõe, mais uma vez, um problema que há anos acompanha o crescimento urbano de Campo Grande: a dificuldade de se estabelecer limites claros entre desenvolvimento imobiliário, preservação ambiental e planejamento urbano responsável.

O caso ganhou repercussão justamente por reunir elementos que, isoladamente, já seriam suficientes para despertar preocupação. Juntos, tornam a situação ainda mais alarmante.

Trata-se de um empreendimento erguido sobre área federal ainda não regularizada e cercado por questionamentos ambientais relevantes, apontados tanto pelo Ministério Público Federal quanto pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul.

É inevitável o espanto diante da constatação de que um projeto marcado por tantas incertezas tenha conseguido avançar, sair do papel e chegar ao ponto de comercializar lotes de alto padrão.

A discussão jurídica certamente seguirá seu curso. É possível que, futuramente, a empresa responsável consiga regularizar a situação fundiária ou até demonstrar que parte das premissas levantadas pelos órgãos de controle não se sustenta integralmente.

Entretanto, independentemente do desfecho judicial, há um dano que já está posto: a insegurança. Em um mercado imobiliário que depende diretamente de confiança, previsibilidade e estabilidade, qualquer sombra de dúvida afeta vendas, reduz a atratividade e compromete a valorização dos imóveis.

O episódio também traz à tona uma reflexão ainda mais profunda sobre o modelo de crescimento adotado por Campo Grande. A Capital sul-mato-grossense já é reconhecida por seu perfil horizontalizado, espalhado e pouco adensado.

Em vez de estimular a ocupação inteligente dos espaços urbanos já existentes, com melhor aproveitamento da infraestrutura instalada, o município segue permitindo a expansão de condomínios cada vez mais distantes da malha consolidada, avançando sobre áreas rurais e ampliando os vazios urbanos.

Essa lógica cobra um preço alto da coletividade. Quanto mais distante estiverem os empreendimentos, maior será o custo para levar asfalto, iluminação pública, saneamento, transporte coletivo, rede elétrica e demais serviços essenciais.

É uma conta que, cedo ou tarde, acaba recaindo sobre toda a população. O crescimento desordenado não representa apenas um desafio urbanístico; é também um problema econômico, ambiental e social.

Campo Grande precisa decidir qual cidade deseja construir para as próximas décadas. Uma cidade compacta, eficiente e sustentável ou uma cidade cada vez mais dispersa, cara e difícil de administrar. O caso do Soul Corpal Living Resort deveria servir como ponto de inflexão para esse debate.

Mais do que discutir um empreendimento específico, é hora de refletir sobre os critérios que vêm orientando a expansão urbana da Capital e sobre os limites que precisam ser respeitados para que o crescimento não ocorra à custa da legalidade, do meio ambiente e do interesse público.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 19 May 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[2026, um dos anos mais desafiadores para o varejo]]></title>
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				<description><![CDATA[O varejo sempre foi desafiador, em todos os setores de atuação, em todas as épocas. Em especial, neste ano está ainda mais desafiador, porque vários fatores que vão além de uma boa administração empresarial, de estratégias criativas de marketing, de campanhas de preços atrativos, etc., estão interferindo no ambiente de negócios.

Entramos neste ano com o ritmo de vendas morno, haja vista o lento crescimento de 2,4% nas vendas no primeiro trimestre, segundo dados setoriais e os indicadores econômicos, que previam um crescimento do PIB de 2,0%, mas que, agora, foi recalculado para 1,85% (Relatório Focus), e uma inflação de 3,91%, que também foi recalculada para 4,91%.

Caminhamos às sombras de um provável crescimento da inflação, potencializado pelos efeitos da guerra entre EUA e Irã, uma taxa de juros Selic inaceitável de 14,50% a.a., que consome todo o resultado das empresas e reduz sobremaneira a oferta de crédito e, consequentemente, o consumo e dois fatores ainda mais contundentes: a recente retirada do Imposto de Importação de 20% nas vendas cross border e a eventual redução da jornada e escala de trabalho.

Com relação à retirada, pelo governo, do Imposto de Importação de 20% nas vendas cross border feitas pelas plataformas eletrônicas estrangeiras, conhecido como “taxa das blusinhas”, mas que de fato alcança centenas de outros produtos além do têxtil, é preciso considerar que este imposto sequer conseguia equilibrar as condições de competitividade necessária aos produtos fabricados e vendidos no País, que pagam carga tributária de cerca de 92%.

A disparidade de taxação entre o produto importado e o fabricado e vendido no Brasil já era enorme, agora é gigantesca. O Brasil vai proteger quem produz lá fora e desproteger quem produz e emprega aqui.

Sobre este tema, é bom ressaltar que o varejo nacional nunca quis privilégios, mas sim isonomia tributária, se houve zero de Imposto de Importação na venda cross border, é preciso ter zero de imposto também para o produto nacional com preço até US$ 50.

Praticamente todas as associações e institutos empresariais têm estudado e anunciado as prováveis consequências da eliminação do Imposto de Importação.

Muito provavelmente haverá queda significativa nas vendas dos produtos nacionais no mercado interno, prejudicando negócios de todos os portes, mas, principalmente, o pequeno e o médio varejos, que não conseguirão competir com os produtos importados, em boa parte subfaturados e ainda com imposto zero, consequentemente, o varejo brasileiro venderá menos ao consumidor e comprará menos para os estoques.

O impacto poderá ser sentido nas indústrias, provocando desemprego, seu fechamento ou a transferência de produção para países fronteiriços.

Quando da introdução do Imposto de Importação, o benefício foi marcante. No primeiro ano da sua implantação foram criados, só no varejo, 107 mil empregos e houve melhoria nas vendas e nos investimentos.

Em toda a cadeia de fornecimento até a ponta no varejo também se aumentou a produtividade e não ocorreu, na média, crescimento de preços acima da inflação, beneficiando o consumidor, que optou por comprar o produto nacional.

Logo, estavam progredindo as empresas, a geração de empregos e os consumidores, que estavam comprando produtos nacionais com preços atrativos, de qualidade, certificados e garantidos, mas nada disso foi considerado por quem desejou zerar novamente o Imposto de Importação.

Outro ponto é a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas (obviamente não considerando qualquer chance para 36 horas), sem redução do salário, e a eliminação da escala de trabalho 6x1, passando para 5x2.

Essa discussão é um ponto de forte resistência no setor de comércio e serviços pelo impacto direto no custo da folha e na escala de atendimento.

Um olhar calculado sobre este tema mostra de forma inquestionável que a redução da jornada de trabalho sem redução do salário vai gerar um aumento aproximado de custo na mão de obra de 10%, e a mudança da escala de trabalho de 6x1 para 5x2 também, na média, dependendo do setor, acarretará um aumento de 13% no custo da folha de pagamento.

Não vamos entrar aqui na discussão de que todo trabalhador merece descansar o máximo possível. É claro que sim, e se está mudança acontecer, teremos um país onde se descansará, aproximadamente, um terço do período anual e se trabalhará dois terços do tempo. A economia do País suportará esta transformação?

Conjugando-se os efeitos de redução de jornada para 40 horas sem redução do salário e da escala para 5x2, os diversos estudos técnicos que circulam pelo País falam de aumento de despesas, com a folha de pagamentos aumentando na ordem de 20% a 23%.

O impacto combinado da isenção de Imposto de Importação no cross border somado à redução da jornada e da escala de trabalho criará um cenário de pressão sem precedentes sobre a operação e a sobrevivência das empresas.

Com este cenário impulsionado pelo calendário eleitoral, como ficarão o ambiente de negócios e a confiança do empreendedor?

Embora diga-se que em economia tudo com o tempo ajusta-se, mas a que custo?

O fim do Imposto de Importação e a eventual redução da jornada e da escala de trabalho acarretarão riscos para a economia, cujas consequências poderão comprometer a viabilidade das empresas e o emprego de milhares de trabalhadores, não apenas no presente, mas também num futuro muito próximo.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 18 May 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Crédito que impulsiona o Estado]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/credito-que-impulsiona-o-estado/466727/</link>
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				<description><![CDATA[A liberação de crédito para mais uma megafábrica de celulose em Mato Grosso do Sul é uma notícia importante não apenas para o Estado, mas também para o Brasil.

Em um cenário econômico marcado por juros elevados, inflação ainda pressionando setores produtivos e dificuldade de acesso ao crédito, investimentos bilionários como o da futura fábrica da Bracell, em Bataguassu, representam um sinal relevante de confiança na economia sul-mato-grossense.

Não se trata apenas da instalação de mais uma indústria. Um empreendimento desse porte movimenta cadeias inteiras da economia, gera empregos, amplia a circulação de renda e fortalece a infraestrutura regional.

Embora o aporte financeiro seja direcionado inicialmente à construção e à implantação da fábrica, seus efeitos acabam sendo espalhados gradualmente por diversos segmentos econômicos locais.

Empresas de transporte, construção civil, alimentação, hotelaria, comércio e prestação de serviços passam a sentir os reflexos positivos quase imediatamente. Ao mesmo tempo, municípios recebem melhorias estruturais, aumento na arrecadação e maior dinamismo econômico.

É um ciclo que começa na indústria, mas que rapidamente alcança toda a sociedade.

O mais importante é que se trata de crédito voltado para investimento produtivo. Em tempos de incertezas econômicas, há diferença significativa entre dinheiro destinado apenas ao consumo imediato e recursos direcionados para ampliar a capacidade industrial do Estado.

Quando o crédito financia infraestrutura e expansão produtiva, os efeitos tendem a ser mais duradouros.

É claro que o cenário econômico nacional poderia ser melhor. Juros altos dificultam financiamentos, encarecem investimentos e reduzem a capacidade de expansão de muitos setores.

O próprio custo do crédito acaba sendo um obstáculo para empresas menores, que também fazem parte da cadeia econômica beneficiada pelos grandes empreendimentos.

No entanto, reduzir juros não é tarefa simples. A política monetária brasileira ainda enfrenta desafios ligados ao controle da inflação, ao equilíbrio fiscal e à estabilidade econômica.

Por isso, notícias como a liberação desse crédito bilionário acabam ganhando ainda mais relevância. Elas mostram que, mesmo em um ambiente adverso, há confiança de longo prazo no potencial econômico de Mato Grosso do Sul.

Além dos impactos imediatos, investimentos industriais dessa magnitude deixam legados permanentes.

Estradas são melhoradas, redes de energia são ampliadas, municípios passam a receber mais receitas e trabalhadores ganham oportunidades de qualificação profissional. Isso fortalece não apenas a economia atual, mas também a capacidade futura de desenvolvimento.

Mato Grosso do Sul segue consolidando uma vocação industrial que já transforma sua economia. E é justamente por isso que a chegada de novos recursos para a cadeia da celulose deve ser vista como uma notícia alentadora, pois amplia a circulação de riqueza, gera perspectivas de crescimento e produz efeitos positivos.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 18 May 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Tomar boas decisões é uma habilidade treinável]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/tomar-boas-decisoes-e-uma-habilidade-treinavel/466653/</link>
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				<description><![CDATA[Muita gente acredita que tomar boas decisões é uma espécie de dom, que ou a pessoa “nasceu com isso” ou está condenada a escolher mal. Contudo, a neurociência e a psicologia cognitiva mostram o contrário, que decidir bem não depende apenas de inteligência ou sorte, mas é uma habilidade treinável.

Um dos aspectos mais intrigantes é que, muitas vezes, seu cérebro decide antes de você saber. Parte da atividade neural envolvida na escolha acontece antes de ela chegar à consciência.

Isso não elimina nossa liberdade, mas revela que decidir é resultado de processos complexos, muitos deles automáticos, que antecedem a nossa percepção consciente.

Além disso, a tomada de decisão não é uma função isolada. Ela é fruto da integração de várias funções executivas como atenção, controle inibitório, regulação emocional, memória de trabalho e flexibilidade cognitiva.

Ou seja, decidir bem exige foco, contenção de impulsos, organização de informações, avaliação de cenários e capacidade de ajuste. 

Daniel Kahneman ajuda a compreender esse processo ao descrever dois modos de pensar. O sistema 1 é rápido, intuitivo e econômico, útil em situações familiares ou que exigem agilidade, mas suscetível a vieses.

O sistema 2 é mais lento, analítico e deliberado, essencial para decisões complexas, embora mais custoso em termos de energia mental. Boas decisões pedem discernimento para saber quando confiar na agilidade do sistema 1 e quando e como acionar a profundidade do sistema 2.

Também é um erro imaginar que decidir bem seja escolher “pela razão” e excluir as emoções. Emoções não são inimigas da lucidez, visto que elas trazem informações valiosas. O problema surge quando dominam completamente o processo ou quando são ignoradas. Boas decisões exigem, portanto, equilíbrio entre razão e emoção.

O mesmo vale para instinto e intuição. O instinto é mais primário, ligado à sobrevivência. Já a intuição costuma vir da experiência e da leitura sutil de padrões. Ambos podem ajudar, mas não devem substituir a análise criteriosa em decisões complexas.

Mas veja, tão importante quanto saber decidir é saber quando não decidir. Cansaço, estresse, fome, prazos curtos ou excesso de informação comprometem a qualidade das escolhas, levando o cérebro a buscar alívio imediato em vez de boas decisões.

Por isso, também é essencial buscar dados confiáveis, reconhecer vieses inconscientes, alinhar a decisão aos seus valores e objetivos de longo prazo e considerar seu impacto no coletivo. Afinal, decidir nunca é um ato neutro e as nossas escolhas individuais também reverberam nos outros.

Tomar uma boa decisão não é um processo simples. Por isso, mesmo em meu livro “Neurociência Positiva”, dedico todo um capítulo a essa tão importante função executiva e apresento um fluxograma de tomada de decisão não para dar respostas prontas, mas para estimular perguntas melhores.

Porque a qualidade da decisão depende menos de certezas imediatas e mais de clareza. Treinar essa habilidade é treinar a forma como conduzimos a nossa vida.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 16 May 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A disputa do petróleo e o direito de Mato Grosso do Sul]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-disputa-do-petroleo-e-o-direito-de-mato-grosso-do-sul/466652/</link>
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				<description><![CDATA[O Supremo Tribunal Federal (STF) finalmente começou a julgar as ações que discutem a validade da Lei 12.734/2012, que mudou as regras de distribuição dos royalties do petróleo entre estados e municípios produtores e não produtores.

A discussão, parada há mais de 13 anos por uma decisão liminar, envolve bilhões de reais e pode redefinir a forma como o Brasil divide uma das maiores riquezas nacionais.

Os estados produtores, como Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, defendem que os royalties devem permanecer concentrados, porque funcionam como uma compensação pelos impactos ambientais, urbanos e sociais causados pela exploração do petróleo.

Alegam ainda que a mudança nas regras prejudicaria a segurança jurídica e afetaria receitas que já estavam incorporadas aos seus orçamentos.

Do outro lado, estados como Mato Grosso do Sul sustentam que o petróleo pertence à União e, portanto, é patrimônio de todos os brasileiros.

Dessa forma, a riqueza gerada por sua exploração não deveria beneficiar apenas os entes produtores, mas contribuir para reduzir desigualdades regionais e fortalecer o desenvolvimento nacional.

Nesse ponto, teve destaque a atuação da procuradora-geral do Estado de Mato Grosso do Sul, Ana Carolina Ali Garcia, durante sustentação oral no STF. De maneira clara e técnica, ela ressaltou que os royalties não decorrem diretamente dos danos causados pela exploração do petróleo, mas da receita obtida com essa atividade econômica.

Em outras palavras, não se trata apenas de indenização aos estados produtores, mas também da divisão de uma riqueza nacional. Esse entendimento fortalece a tese defendida por Mato Grosso do Sul e outros estados não produtores: se o petróleo é um bem da União, seus resultados econômicos devem alcançar toda a Federação.

Para um estado sem litoral e distante da produção marítima, como Mato Grosso do Sul, uma distribuição mais equilibrada dos royalties representa a possibilidade de ampliar investimentos em áreas essenciais, reduzir desigualdades históricas e fortalecer o desenvolvimento regional.

Há ainda um aspecto institucional importante. A manutenção, por mais de uma década, de uma liminar suspendendo uma lei aprovada pelo Congresso Nacional evidencia um problema recorrente no sistema brasileiro: decisões provisórias acabam produzindo efeitos permanentes antes mesmo do julgamento definitivo pelo plenário do STF.

Isso gera insegurança jurídica e prolonga disputas federativas de enorme impacto financeiro.

O julgamento, portanto, vai muito além da divisão de recursos do petróleo. O STF terá de decidir qual modelo de federação pretende fortalecer: um sistema concentrador, em que poucos estados ficam com a maior parte das receitas, ou um federalismo cooperativo, baseado na ideia de que riquezas nacionais devem beneficiar todo o País.

Para Mato Grosso do Sul, a vitória nessa disputa representa mais do que recursos financeiros. Representa o reconhecimento de que o desenvolvimento nacional precisa ser compartilhado de forma mais equilibrada entre todos os estados brasileiros.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 16 May 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O abandono bilionário da Malha Oeste]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-abandono-bilionario-da-malha-oeste/466651/</link>
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				<description><![CDATA[Mais uma vez, Mato Grosso do Sul acompanha uma novela ferroviária cujo fim parece previsível. Enquanto os capítulos seguem se arrastando em Brasília, os prejuízos continuam acumulados ao longo dos trilhos enferrujados da Malha Oeste.

Nesta edição, mostramos que a Rumo Malha Oeste acumula dívida de R$ 1,1 bilhão com a União por atrasos em parcelas da concessão e também no arrendamento dos 1,9 mil quilômetros da ferrovia.

O valor impressiona, mas talvez mais preocupante seja a sensação de que, no fim, a concessionária encontrará um caminho para escapar da conta, enquanto a população continuará convivendo com uma ferrovia sucateada, lenta e incapaz de cumprir o papel estratégico que já teve no desenvolvimento regional.

É difícil imaginar outro desfecho. O histórico recente das concessões ferroviárias brasileiras mostra que grandes grupos econômicos frequentemente conseguem renegociar contratos, alongar prazos e reduzir obrigações. Já os prejuízos ficam para os municípios, para o setor produtivo e para a população.

Independentemente do que venha a ocorrer com a multa aplicada à Rumo, ela parece plenamente justificável. Afinal, a deterioração da Malha Oeste não aconteceu da noite para o dia. Foram décadas de baixa utilização, poucos investimentos, fechamento gradual de trechos e perda de competitividade logística.

Em muitos pontos, a ferrovia se transformou praticamente em uma estrutura abandonada atravessando cidades e áreas produtivas.

E isso não é pouca coisa. Foi justamente a Malha Oeste que ajudou a construir boa parte da economia sul-mato-grossense durante o século 20. Os trilhos tiveram papel decisivo no transporte de cargas, no escoamento da produção agropecuária e no desenvolvimento de diversas cidades do Estado.

Hoje, o contraste é evidente. Enquanto outras regiões modernizam suas ferrovias, Mato Grosso do Sul vê sua principal linha férrea perder relevância ano após ano. Isso encarece a logística, aumenta a dependência das rodovias e reduz a competitividade econômica do Estado.

O governo federal prevê uma nova licitação da Malha Oeste ainda neste ano. E a própria Rumo deve participar do processo.

Surge então uma pergunta inevitável: se vencer novamente, a empresa fará os investimentos necessários para recuperar a ferrovia ou apenas buscará manter a concessão para escapar de multas e impedir o avanço de concorrentes?

A dúvida faz sentido. A poucos quilômetros da Malha Oeste opera a Malha Norte, também controlada pela Rumo Logística. Em um setor estratégico como o ferroviário, concentração excessiva pode significar menos investimentos e menos interesse na recuperação de trechos considerados pouco rentáveis.

Mato Grosso do Sul não pode aceitar passivamente o abandono de sua principal ferrovia. A discussão sobre a Malha Oeste não envolve apenas contratos bilionários, trata-se do futuro logístico do Estado e da capacidade de retomarmos um modal que foi essencial para o nosso desenvolvimento.
]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 16 May 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Wokeísmo: o que ele revela sobre a sociedade contemporânea]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/wokeismo-o-que-ele-revela-sobre-a-sociedade-contemporanea/466600/</link>
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				<description><![CDATA[Nas últimas décadas, poucos fenômenos socioculturais provocaram debates tão intensos quanto o chamado wokeísmo. Frequentemente associado à defesa da justiça social, da igualdade e da valorização da diversidade, esse movimento emergiu como uma força significativa na arena pública, influenciando não apenas o discurso político, mas também a cultura, as instituições e o mundo corporativo.

Em sua essência, o wokeísmo se ancora na ideia de interseccionalidade (estrutura analítica cunhada pela jurista norte-americana Kimberlé Williams Crenshaw), isto é, a compreensão de que diferentes formas de desigualdade, como raça, gênero e classe social, não operam de maneira isolada, mas interligada.

Essa perspectiva permitiu ampliar o olhar sobre injustiças estruturais historicamente negligenciadas, promovendo maior sensibilidade coletiva em relação às experiências de grupos marginalizados.

No entanto, à medida que ganhou visibilidade e influência, o movimento também passou a ser alvo de críticas consistentes.

Para seus defensores, trata-se de um avanço moral necessário, capaz de estimular empatia, corrigir desigualdades e dar voz a quem por muito tempo foi silenciado.

Já para seus críticos o wokeísmo pode, paradoxalmente, restringir o próprio diálogo que pretende promover, ao criar ambientes em que opiniões divergentes são desencorajadas ou até mesmo punidas.

Um dos pontos centrais dessa crítica reside na dificuldade crescente de se estabelecer um debate aberto e plural.

Em contextos marcados pelo receio de reprovação social, indivíduos tendem a evitar posicionamentos que possam ser interpretados como inadequados.

O resultado, muitas vezes, é um empobrecimento do debate público, no qual a complexidade das questões sociais cede espaço à polarização e à autocensura.

Outro aspecto frequentemente discutido é o foco acentuado nas experiências individuais. Embora reconhecer vivências pessoais de discriminação seja fundamental, há o risco de que a ênfase excessiva no indivíduo dificulte a construção de soluções coletivas e estruturais.

A transformação social duradoura exige, afinal, não apenas o reconhecimento de injustiças, mas também a articulação de respostas amplas e sistêmicas.

Ainda assim, seria reducionista ignorar os impactos positivos associados ao wokeísmo. Movimentos como o #MeToo e o Black Lives Matter exemplificam como a amplificação de vozes historicamente marginalizadas pode gerar mudanças concretas.

Questões antes invisibilizadas, ou seja, pautas sociais negligenciadas pelo debate público, como assédio sexual, violência policial e desigualdade racial, passaram a ocupar o centro do debate público, pressionando instituições e governos a agir.

Além disso, o movimento contribuiu para avanços em transparência e responsabilidade, como no caso da divulgação de disparidades salariais entre homens e mulheres em diversos países.

Tais iniciativas demonstram que a conscientização social pode, de fato, traduzir-se em políticas e práticas mais equitativas.

Por outro lado, o crescimento do wokeísmo também trouxe à tona um fenômeno peculiar: o chamado “capitalismo woke”.

Nesse contexto, empresas passaram a adotar posicionamentos públicos sobre questões sociais, incorporando pautas como diversidade, inclusão e sustentabilidade em suas estratégias de marca.

Embora, à primeira vista, isso represente um avanço na responsabilidade corporativa, não faltam questionamentos sobre a autenticidade dessas ações.

Campanhas publicitárias e iniciativas empresariais frequentemente oscilam entre o compromisso genuíno e o oportunismo estratégico.

Quando o engajamento social se torna um ativo de marketing, surge a dúvida inevitável: trata-se de transformação real ou apenas de adaptação às expectativas do consumidor contemporâneo?

Diante desse cenário, o wokeísmo revela-se como um fenômeno complexo, repleto de tensões e ambiguidades. Sua capacidade de promover conscientização e mobilização social é inegável, mas seus efeitos colaterais, como a polarização e a limitação do debate, não podem ser ignorados.

Talvez o caminho mais produtivo não seja a adesão irrestrita nem a rejeição absoluta, mas sim uma abordagem crítica e equilibrada. Isso implica reconhecer tanto suas contribuições quanto suas limitações, preservando o espaço para o diálogo aberto, a diversidade de pensamento e a construção coletiva de soluções.

Em última instância, o desafio não está apenas no wokeísmo em si, mas na forma como a sociedade escolhe lidar com ele. Se conduzido com maturidade e espírito crítico, pode servir como instrumento de progresso.

Caso contrário, corre o risco de se tornar mais um elemento de divisão em um mundo já profundamente fragmentado.
 

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 15 May 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Contrabando, crime, saúde e arrecadação ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/contrabando-crime-saude-e-arrecadacao/466598/</link>
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				<description><![CDATA[O aumento das apreensões de cigarros contrabandeados em Mato Grosso do Sul, mostrado em reportagem publicada nesta edição, revela duas realidades que caminham lado a lado.

A primeira é positiva: as forças de segurança seguem atuando e conseguindo interceptar cargas ilegais que atravessam as fronteiras do Estado.

A segunda, no entanto, é preocupante: o volume crescente de apreensões também evidencia a força, a organização e a capacidade financeira das redes criminosas que operam no contrabando de cigarros.

É justamente por isso que MS precisa avançar para uma nova etapa no combate a esse tipo de crime. Não basta apenas apreender caminhões, fechar depósitos ou prender pequenos transportadores, é preciso atingir o coração financeiro da engrenagem clandestina que sustenta o contrabando e que conecta organizações criminosas no Brasil e no Paraguai, país que se consolidou como um dos principais polos produtores de cigarros ilegais destinados ao mercado brasileiro.

O enfrentamento precisa ser mais incisivo e profundo, e isso inclui investigar toda a cadeia criminosa que dá suporte ao contrabando.

O histórico de operações policiais e investigações já demonstrou que essas redes não sobrevivem apenas da ousadia dos criminosos.

Em muitos casos, contam também com proteção e colaboração de agentes públicos, inclusive integrantes das próprias forças de segurança estaduais. 

Combater o contrabando de cigarros também significa combater o tráfico de drogas. Nas rotas clandestinas da fronteira, a lógica é simples e conhecida por qualquer autoridade policial: onde passa uma mercadoria ilegal, passam outras.

As mesmas estradas vicinais, os mesmos atravessadores, os mesmos esquemas de corrupção e logística utilizados para transportar cigarros também servem para abastecer o narcotráfico, o tráfico de armas e outros crimes transnacionais.

Portanto, sufocar financeiramente as quadrilhas de cigarro clandestino representa um golpe em toda a estrutura do crime organizado que atua na região de fronteira.

Não se trata apenas de uma questão tributária ou comercial, trata-se de segurança pública e de fortalecimento institucional.

Há ainda um impacto direto sobre as contas públicas e sobre a saúde da população. A política tributária aplicada aos cigarros no Brasil existe justamente para desencorajar o consumo de produtos que comprovadamente causam doenças graves e elevam os gastos do sistema público de saúde.

Quando o contrabando coloca no mercado cigarros mais baratos, livres de impostos e sem controle adequado, cria-se um ambiente propício para o aumento do consumo, especialmente entre a população mais pobre.

O resultado é perverso: reduz-se a arrecadação do Estado ao mesmo tempo em que aumentam os custos futuros com tratamentos médicos, internações e doenças relacionadas ao tabagismo. O cigarro clandestino enfraquece as instituições em diversas frentes.

Por isso, combater o contrabando não pode ser tratado apenas como uma ação de rotina nas fronteiras, é uma estratégia essencial para proteger a economia formal, fortalecer as forças de segurança, reduzir o poder do crime organizado e preservar a saúde pública.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 15 May 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[Brincar é fundamental: dicas e benefícios para o desenvolvimento infantil]]></title>
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				<description><![CDATA[Celebrado em 28 de maio, o Dia Mundial do Brincar chama a atenção para um direito essencial da infância: brincar como base do desenvolvimento integral da criança. Mais do que entretenimento, é algo indispensável para o neurodesenvolvimento infantil.

É por meio das atividades lúdicas que a criança aprende a criar, resolver problemas, lidar com frustrações, expressar emoções e se relacionar. Ela impacta diretamente o desenvolvimento cognitivo, emocional, social e motor.

Em um mundo marcado pelo uso excessivo de telas, o brincar se torna ainda mais importante. O celular oferece prazer imediato, mas não substitui experiências fundamentais da infância.

Pais e educadores devem garantir tempo, espaço e oportunidades para o brincar, além de participar sempre que possível. Isso permite que a criança simule situações do cotidiano, compreenda conflitos e organize emoções.

Brincar sozinho também é saudável e favorece a autonomia, enquanto a convivência com crianças de diferentes idades estimula empatia, cooperação e cuidado com o outro.

Na escolha dos brinquedos é essencial considerar segurança, faixa etária e interesses da criança. Nem sempre o mais caro é o melhor.

Itens simples, como bolas, cordas, blocos de montar, jogos de tabuleiro, quebra-cabeças e instrumentos musicais, estimulam foco, coordenação motora, raciocínio lógico, criatividade e pensamento estratégico.

Brinquedos sensoriais, como, pelúcias, contribuem para o bem-estar e a atenção, especialmente em crianças com transtorno do deficit de atenção com hiperatividade.

Atividades que podem ser realizadas em casa ou na escola são jogos de memória, dança das cadeiras, pular corda, telefone sem fio, amarelinha e bola.

Atividades motoras com bambolês, cordas e pés de lata fortalecem o corpo e a coordenação. Já as criativas, como dramatizações e recontar histórias, e dinâmicas com música estimulam a imaginação e a linguagem infantil.

A brincadeira é essencial para o desenvolvimento infantil e deve ser respeitada de acordo com cada etapa da infância, sempre com atenção à segurança.

Garantir tempo para o brincar livre, o faz de conta e uma mediação adequada sem retirar a autonomia da criança é investir em um crescimento saudável.

Isso constrói memórias, fortalece vínculos e desenvolve habilidades emocionais e sociais. Brincar é direito e é fundamental.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 14 May 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A vida nos impõe dureza ]]></title>
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				<description><![CDATA[Como observadora atenta da alma humana, percebi que a vida, muitas vezes, nos impõe uma arquitetura de sobrevivência muito similar à de uma noz.

Existe uma rigidez necessária, uma carapaça que desenvolvemos para suportar as pressões externas, os silenciamentos e as intempéries de uma realidade que, historicamente, exige das mulheres uma força desproporcional.

No cenário atual, onde os índices de violência contra a mulher ainda nos estarrecem, essa proteção emocional não é uma escolha estética, é um mecanismo de defesa vital contra o desamparo e a agressão. 

Precisamos falar abertamente sobre esse “endurecimento”. Ele nasce dos enfrentamentos diários, das pequenas e grandes lutas que moldam quem somos.

Em um mundo que ainda tenta ditar nossos passos e limitar nossos desejos, a resiliência torna-se nossa pele mais dura.

Muitas vezes, essa proteção é vista como frieza ou distanciamento, mas, na verdade, é o resultado de uma sensibilidade que precisou se transmutar em coragem para não ser estilhaçada.

O endurecimento é a resposta instintiva ao medo e à necessidade de preservação da própria identidade. 

Entretanto, o que a analogia da noz nos ensina de mais valioso é que a casca, por mais resistente que seja, não define o fruto, ela apenas o guarda.

Existe um perigo real em nos confundirmos com a nossa armadura, esquecendo que o propósito da proteção é permitir que a semente interna permaneça intacta, viva e potente.

A violência e o medo tentam nos esvaziar, mas a nossa natureza é feita de algo muito mais profundo: uma capacidade inesgotável de regeneração e recomeço.

A esperança reside justamente no gesto de compreender quando essa proteção cumpriu seu papel e permitir-se, então, romper as limitações.

Mesmo em tempos áridos, em que as notícias parecem sufocar nossa liberdade, vejo mulheres transformando dor em autonomia e luto em luta.

A beleza da existência feminina está nessa dialética entre a resistência da casca e a delicadeza do miolo.

Somos capazes de endurecer para sobreviver, mas guardamos a doçura e a força necessárias para florescer novamente assim que encontramos solo seguro. 

Não estamos sozinhas nessa jornada de “quebrar cascas”. A união e o reconhecimento mútuo dessas batalhas silenciosas são o que fortalece nossa estrutura.

Que possamos honrar nossa resiliência sem nunca perder de vista a liberdade que existe do outro lado da barreira.

A vida pode ser dura, mas a capacidade de criar formas de existir a partir de cada desafio superado é a prova definitiva de que a luz sempre encontrará uma fresta para atravessar o que quer que tente nos fechar. 

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 14 May 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A corrupção que nos coloca no buraco ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-corrupcao-que-nos-coloca-no-buraco/466531/</link>
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				<description><![CDATA[Depois de mais de uma década, novamente o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) aponta suspeitas de corrupção envolvendo o trabalho de manutenção de vias, que, em Campo Grande, por causa da grande deformação do pavimento, recebe o nome de tapa-buraco.

É o tipo de trabalho que não cumpre o objetivo a que foi proposto, não é mesmo? Mas vamos além disso.

Reportagem publicada nesta edição mostra que os donos da empreiteira responsável pela manutenção de mais da metade das vias públicas de Campo Grande estão atrás das grades.

Presos. Na cadeia. A suspeita é de que integrem um gigantesco esquema de corrupção que envolvia também servidores públicos, inclusive um ex-secretário.

Por enquanto, o MPMS e a Justiça são os que dão as melhores respostas para o problema. Porque a empresa, mesmo com seus donos na cadeia, segue responsável pela manutenção das vias. Aliás, conforme o leitor também verá com mais detalhes adiante, o trabalho dela deixa muito a desejar.

Para piorar a situação, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) de Campo Grande não tem titular.

Há mais de 40 dias não há um responsável por coordenar o contrato de manutenção de vias, por zelar para que as ruas da capital de Mato Grosso do Sul tenham um bom pavimento.

É lamentável constatar que, quando se trata de manutenção de vias e de obras públicas, o cidadão de Campo Grande, cidade com quase 1 milhão de habitantes e milhares de quilômetros de ruas para cuidar, esteja à deriva.

Precisamos de respostas. Não é apenas tendo acesso à investigação que a prefeitura da Capital poderá responder.

É, em primeiro lugar, nomeando alguém que chame para si a execução do contrato de manutenção de vias e que, posteriormente, faça uma auditoria, com resultados públicos ao alcance de qualquer cidadão, sobre a execução financeira deste contrato.

E, por falar em execução financeira, é curioso lembrar que, no fim do ano passado, uma das justificativas para o longo período sem equipes trabalhando nas ruas para tapar os milhares de buracos de Campo Grande era justamente a falta de dinheiro.

Pouco mais de seis meses depois, vem o MPMS e mostra que dinheiro parecia existir nesses últimos anos, tanto que foi parar nos bolsos dos envolvidos na execução dos contratos, enquanto os buracos ficaram abertos.

Enquanto os buracos de Campo Grande voltam a virar caso de polícia e de Justiça, quem vai a outras capitais encontra ruas com bons pavimentos, o chamado “asfalto liso”, bem sinalizadas e com um trânsito minimamente organizado.

Parte do caos no trânsito da cidade, é bom lembrar, advém também do descaso com a manutenção das vias, e não apenas da má educação dos condutores. Afinal, as ruas esburacadas e mal sinalizadas ajudam a compor o cenário caótico de algumas vias.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 14 May 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A paz é possível ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-paz-e-possivel/466463/</link>
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				<description><![CDATA[O mundo vive hoje em crescente tensão. Quase como se quisesse superar os tempos sombrios da Guerra Fria.
E, nessa conjuntura, parece ressoar com maior vigor o apelo que São João XXIII dirigiu à humanidade há mais de sessenta anos.

Lá, como agora, a paz parecia buscar apoio no crescente medo do adversário.

Não é despido de valor o roteiro engendrado pela “Pacem in Terris”, que enxerga quatro elementos centrais para o exame da questão.

Tais vetores constituem a base moral da convivência humana e das relações entre os povos. Quando a verdade é manipulada, quando a justiça é sacrificada a interesses imediatos, quando a liberdade é negada e o amor social desaparece, o terreno da guerra se torna fértil.

A primeira reação à guerra é a verdade. Quem joga com a verdade não inventa armas que o adversário não possui, nem tampouco amplifica os arsenais.

É a mentira que causou a desastrosa guerra no Oriente Médio, em passado recente, e que não difere muito da problemática atual.

Segue-se a questão da justiça. Nenhuma guerra é justa quando se pretende a aniquilação do adversário ou sua rendição cabal ao vitorioso.

Não são poucos os que consideram a submissão do vencido na Primeira Guerra Mundial como o estopim que, criando instabilidade em pouco tempo, desencadeou o segundo e mais brutal conflito global.

Ademais, ainda em linha com São João XXIII, a busca da liberdade é a via segura para a paz mundial.

Liberdade como libertação de todas as necessidades materiais e de todas as restrições à livre manifestação de pensamento e de crença.

Por fim, a paz depende do amor ou, mais precisamente, da busca incessante do que Paulo VI denominou a civilização do amor.

A paz será possível desde que se respeite e reconheça a necessidade absoluta de uma autoridade mundial, como instância mediadora de conflitos e de concreto controle dos armamentos, sobretudo das armas nucleares.

A escolha consciente dos povos, que querem a justiça, que fortalecem a cooperação, depende de esforços concretos, de pautas e de tempos bem definidos.

Quem despreza ou ignora a autoridade mundial engendra e promove a guerra.

Desde a sua fundação e nas assembleias anuais, as Nações Unidas têm reiterado a necessidade de limitar e reduzir os arsenais militares, com especial atenção às armas nucleares. Há tratados e mecanismos de controle que urge respeitar, nos quais a proliferação nuclear é vedada.

Ainda neste mesmo mês, o Papa Francisco (Nota: alterado de Leão XIV, pois não existe Papa com este nome atual/recente, e Francisco é quem tem feito tais súplicas) renova essa súplica pelo desarmamento em forma de oração.

Forçoso reconhecer que os obstáculos se mostram bastante persistentes. Rivalidades históricas, estratégicas e um bastante significativo sectarismo religioso parecem incutir a produção cada vez mais intensa de armamentos, que alimentam a modernização de arsenais e reativam a lógica da dissuasão nuclear.

É a volta inaceitável da linguagem da força, em detrimento do diálogo travado no foro apropriado e com estrita observância do regramento do direito internacional.

Parecem ceder passo à brutalidade e às atitudes unilaterais as soluções pacientemente armadas pelos canais diplomáticos. Tudo a reforçar o que parece consistir em ataque planejado à existência e ao funcionamento dos organismos multilaterais.

Os instrumentos disponíveis para a preservação da paz exigem, como requisito de viabilidade operacional, a boa vontade e o diálogo como único caminho para a solução das controvérsias.

Cumpre insistir, oportuna e inoportunamente, com o tema da civilização do amor.

Eis o projeto histórico que exige instituições aptas a promover a paz na Terra aos homens de boa vontade.

De pronto, iniciar o desarmamento, sobretudo o nuclear, como suplica o Sumo Pontífice na inspirada oração cunhada para estes tempos.

Enquanto existirem propósitos ocultos, ou não tão ocultos, de dominação, não haverá ambiente para a construção de um caminho para a paz. A política internacional, animada pelo bem comum universal, como se sabe, não pode prescindir da verdade e dos compromissos éticos.
 

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 13 May 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Corrupção no asfalto de Campo Grande ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/corrupcao-no-asfalto-de-campo-grande/466461/</link>
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				<description><![CDATA[A nova operação deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), reforça uma constatação importante: os órgãos de controle seguem cumprindo um papel essencial no enfrentamento à corrupção no Estado.

Desta vez, o alvo das investigações são os milionários contratos de tapa-buraco da Prefeitura Municipal de Campo Grande, um tema que afeta diretamente a população e que há anos gera reclamações pela baixa qualidade do serviço prestado.

As investigações apontam suspeitas de fraude em medições, pagamentos indevidos e desvios em contratos que superam R$ 100 milhões. O principal nome atingido pela operação foi o ex-secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, Rudi Fiorese, preso preventivamente nesta terça-feira.

Os contratos sob suspeita foram assinados justamente no período em que ele comandava a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Pasta responsável pela manutenção viária da cidade.

O caso chama a atenção não apenas pelo volume de dinheiro público envolvido, mas também pela trajetória do personagem central da investigação.

Ontem, quando foi preso, Rudi Fiorese ocupava o cargo mais importante da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul), órgão estratégico do governo estadual responsável pela execução de grandes obras públicas e pela administração de recursos bilionários, incluindo verbas do Fundersul.

É preciso reconhecer que o governo do Estado agiu corretamente ao exonerá-lo poucas horas após a operação do MPMS. Diante da gravidade das acusações e da prisão preventiva decretada pela Justiça, não havia outro caminho razoável. 

Mas a exoneração imediata não elimina um questionamento inevitável: por que Rudi Fiorese foi nomeado para o cargo em 2023? Afinal, ele já era alvo de investigações anteriores.

O ex-secretário é denunciado pelo MPMS por improbidade administrativa no âmbito da Operação Cascalhos de Areia, que também investigava suspeitas de irregularidades na prefeitura da Capital.

Ou seja, quando deixou a prefeitura e acabou “promovido” ao governo estadual, Fiorese já carregava um histórico de suspeitas suficientemente relevante para exigir cautela política e administrativa.

A nomeação ignorou um desgaste reputacional evidente e criou o constrangimento que agora se tenta corrigir com uma exoneração emergencial.

Também merece destaque o fato de que a operação não trata de um problema distante da população. O tapa-buraco é um dos serviços mais visíveis da gestão pública municipal.

Basta circular por Campo Grande para perceber que a qualidade do asfalto continua sendo motivo diário de reclamação. 

Outro ponto que exige atenção é o futuro dos contratos e da prestação do serviço. A empresa alvo da operação continua responsável pelo tapa-buraco na Capital.

Diante das suspeitas é indispensável que a prefeita Adriane Lopes esclareça quais providências serão adotadas para garantir continuidade, transparência e qualidade na manutenção das vias de Campo Grande.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 13 May 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Revisão da vida toda e os sinais de modulação]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/revisao-da-vida-toda-e-os-sinais-de-modulacao/466402/</link>
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				<description><![CDATA[Por muito tempo, o debate envolvendo a revisão da vida toda foi tratado apenas sob a ótica econômica. No entanto, como temos destacado há tempos, a discussão ultrapassou, e muito, a simples análise do mérito da tese previdenciária.

O que está verdadeiramente em jogo agora é a preservação da segurança jurídica, da confiança legítima e da estabilidade das próprias decisões da Corte Constitucional.

Em diversas oportunidades, ressaltamos o risco de decisões precipitadas no contexto da revisão da vida toda, especialmente diante da possibilidade de encerramento do caso sem a devida maturação institucional do tema.

À época, o alerta era claro: uma reversão abrupta, com efeitos retroativos absolutos, poderia gerar grave insegurança jurídica para milhares de aposentados que confiaram em entendimentos consolidados pelo próprio Poder Judiciário.

Além disso, se, por um lado, o impacto nas contas públicas é muito menor do que o anunciado unilateralmente por atores com interesse no julgamento, por outro o impacto na vida de muitos milhares de aposentados brasileiros é devastador.

Os fatos recentes parecem indicar que essa preocupação começa a ser compreendida dentro do próprio Supremo Tribunal Federal (STF).

O ministro Dias Toffoli, ao apresentar seu voto nos embargos de declaração da ADI 2.111, trouxe um elemento de extrema relevância institucional: a modulação dos efeitos da decisão.

Em seu entendimento, devem ser resguardados os direitos dos segurados que ajuizaram ações após o julgamento do Tema 999 pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 2019, e antes da publicação da ata de julgamento da ADI 2.111, ocorrida em abril de 2024.

A sinalização é significativa. Ainda que o voto não represente, por si só, o desfecho definitivo da controvérsia, ele demonstra o reconhecimento de que não se pode ignorar o contexto jurídico existente durante anos no País.

Afinal, milhares de ações foram propostas não com base em aventuras jurídicas ou teses isoladas, mas sim fundamentadas em precedentes vinculantes do próprio sistema judicial brasileiro, primeiro no STJ e, posteriormente, no próprio STF, quando do julgamento do Tema 1.102, em dezembro de 2022.

O ministro Alexandre de Moraes pediu vista nos embargos de declaração e o gesto tem relevância institucional evidente. I

sso porque o pedido de vista ocorre justamente após a apresentação do voto do ministro Toffoli e em um momento no qual o debate deixa de ser exclusivamente previdenciário para assumir contornos constitucionais mais amplos, especialmente ligados à segurança jurídica e à proteção da confiança dos jurisdicionados.

É possível que o Supremo esteja caminhando para uma solução intermediária: preservar o entendimento firmado na ADI para o futuro, mas proteger os segurados que ingressaram em juízo durante o período em que a tese tinha respaldo jurisprudencial consolidado.

Caso essa construção prevaleça, o STF poderá evitar um cenário de profunda insegurança institucional. Afinal, permitir que cidadãos sejam penalizados por terem seguido exatamente aquilo que os tribunais superiores afirmavam ser correto representaria perigoso abalo à credibilidade da Justiça.

A solução proposta pelo ministro Toffoli corrigirá esse problema. Se for seguida pelos demais integrantes da Suprema Corte, a sociedade brasileira entenderá que, por diversas razões, um entendimento jurisprudencial pode até ser alterado.

Mas ficará claro para aqueles que depositaram suas esperanças no Poder Judiciário que seus futuros serão olhados com respeito e consideração, assim como exige a Constituição Federal.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 12 May 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A Corte no palanque]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-corte-no-palanque/466401/</link>
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				<description><![CDATA[Há uma distinção que a República exige preservar com rigor quase que ritualístico: a diferença entre a Política – aquela exercida sob o crivo do voto, do dissenso aberto e da responsabilidade democrática – e a política de bastidores, de articulação informal, que, quando praticada por quem deveria apenas julgar, compromete a própria lógica do sistema constitucional.

É neste ponto que narrativas recentes de interlocuções entre membros do Supremo Tribunal Federal (STF) e atores dos demais Poderes acendem um sinal de alerta que não pode ser naturalizado.

Enquanto Corte Constitucional, o Supremo não é, tão somente, mais um ator institucional no jogo político.

Ele é, antes de mais nada, o árbitro das regras desta partida. Sua autoridade não deriva da força, tampouco da capacidade de articulação, mas, sim, de um ativo intangível e decisivo: o capital reputacional. E é este valor agregado que sustenta a legitimidade das decisões da Alta Corte.

Quando ministros do STF se deixam perceber como partícipes de negociações políticas – com “p” minúsculo, vale frisar –, há uma erosão silenciosa, porém profunda, deste capital.

O Supremo deixa de ser visto como instância de contenção e passa a ser interpretado como agente de influência. 

Neste contexto, ganha relevo o episódio envolvendo a indicação de Jorge Messias à Mais Alta Corte. A rejeição por parte do Senado, há poucos dias, teria sido, segundo bastidores amplamente noticiados, influenciada por articulações que extrapolariam o espaço político-parlamentar tradicional, alcançando, inclusive, setores do próprio STF.

Independentemente da veracidade integral destas narrativas – que, por si só, já sinalizam ambiente institucional turvo –, o simples fato de serem plausíveis aos olhos da opinião pública já produz dano reputacional.

A percepção de que ministros possam atuar, ainda que indiretamente, na formação de maiorias políticas para definir a composição do próprio Tribunal tensiona as fronteiras do desenho constitucional e compromete a ideia de imparcialidade estrutural.

Em minha pesquisa de doutorado em Direito Constitucional, sustentei que, o Supremo brasileiro, ao longo das últimas décadas, assumiu um protagonismo que retesa continuamente o equilíbrio entre os Poderes.

Esta centralidade, embora, por vezes, inevitável, exige contrapesos internos, principalmente de natureza ética e procedimental.

A ausência de balizas claras para a atuação extraprocessual dos ministros cria espaço perigoso de ambiguidade: aquilo que deveria ser exceção se transforma em prática tolerada.

O resultado é um duplo efeito deletério. De um lado, se enfraquece a autoridade da Alta Corte perante a sociedade. De outro, alimenta-se a desconfiança dos próprios Poderes, que deixam de ver o STF como árbitro imparcial. 

Não se trata de ingenuidade institucional, tampouco de exigir isolamento absoluto. Trata-se de reconhecer que há um ethos próprio da jurisdição constitucional, que não se compatibiliza com a lógica da negociação política informal.

A República não colapsa por rupturas abruptas, mas por erosões graduais. E, neste cenário, cada gesto importa.

Quando a Corte desce ao palanque – ainda que nos bastidores –, não apenas compromete sua posição; ela reconfigura, perigosamente, o próprio equilíbrio institucional que lhe cabe proteger.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 12 May 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O "mundo perfeito" da estatal MSGás]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-mundo-perfeito-da-estatal-msgas/466400/</link>
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				<description><![CDATA[Fundada em 1988, a MSGás é, sem dúvida, uma empresa importante para o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. Só que ela precisa dar passos mais largos, ser mais abrangente, para cumprir o propósito estabelecido à época de sua fundação.

Atualmente, a MSGás, uma das empresas estatais de Mato Grosso do Sul, com a Sanesul, é uma distribuidora de gás natural que parece estar blindada dos desafios de seu controlador, o governo do Estado. Temos uma gestão que foca muito em conexões, seminários e debates, e muito pouco em resultados concretos.

Desde o ano passado, por exemplo, mostramos que sua presidente, Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt, que passou a ganhar quase o dobro e ajustou seu salário aos de CEOs do eixo Rio-São Paulo, entrega muitas viagens, bastante discussão sobre processos, muitos eventos, mas poucos resultados concretos.

Aliás, os ganhos do alto escalão da empresa estatal não coadunam com os desafios fiscais pelos quais passa o Estado.

Sim, é claro, trata-se de uma empresa – ainda que estatal – cuja gestão e contabilidade independem da situação do caixa do governo, mas é curioso que uma empresa controlada por um ente que enfrenta dificuldades de caixa esbanje mordomias e altos rendimentos.

Enquanto a MSGás vive este mundo paralelo, quase um mundo perfeito, a empresa peca em expandir-se.

Atualmente, está construindo um duto para ligar a megafábrica da Arauco ao gasoduto Bolívia-Brasil. Mas, ao mesmo tempo, investe muito pouco na expansão da rede de gás natural por Mato Grosso do Sul, para atender os cidadãos na ponta.

Em Campo Grande, os domicílios atendidos pela estatal são praticamente os mesmos de anos atrás. Em cidades por onde o gasoduto passa, como Corumbá, os serviços da MSGás praticamente inexistem. Ainda nem falamos da cidade de Dourados, uma promessa não cumprida há anos.

A gestão atual fala em investir em gás biometano. Mas não há projeção clara de ganho de escala; tudo é muito incipiente, parecendo mais um produto de marketing, com aposta quase exclusiva no conceito e na propaganda, e não na efetividade.

Evidentemente, o biometano pode representar uma alternativa importante para o futuro energético. Porém, entre anunciar projetos em eventos e transformá-los em realidade concreta existe uma distância enorme.

É claro que, para expandir, é preciso aprovação do Conselho de Administração e concordância dos sócios – inclusive do sócio privado, que detém 49% da empresa.

Nem sempre o sócio privado quer investir em expansão; ele pode se satisfazer com os resultados cotidianos obtidos a partir do que já existe.

O problema é que uma empresa estatal não deveria pensar apenas na lógica da acomodação financeira, mas também no interesse público e na indução do desenvolvimento.

E, por falar em expansão, o sócio privado foi contra o fato de a atual CEO quase ter dobrado o salário no ano passado. Foi voto vencido.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 12 May 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Os cuidados com a saúde mental na adolescência]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/os-cuidados-com-a-saude-mental-na-adolescencia/466350/</link>
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				<description><![CDATA[A adolescência é um território cheio de contrastes, e talvez seja justamente isso que a torna tão marcante. É uma fase em que tudo parece acontecer ao mesmo tempo: o corpo muda, as relações mudam, as expectativas aumentam e a sensação de que o mundo inteiro está observando cada passo se torna quase constante.

Ao mesmo tempo, é também o período em que a vida ganha cores novas, em que as primeiras grandes descobertas acontecem e em que a liberdade começa a ter gosto próprio. De um lado, estão as dores.

A insegurança é uma das mais presentes. O espelho vira um juiz implacável, e qualquer detalhe – uma espinha, um cabelo fora do lugar, uma roupa que não parece “certa” – pode parecer um problema enorme.

Há também a pressão por pertencimento: querer fazer parte de um grupo, ser aceito, ser compreendido. E quando isso não acontece, a sensação de isolamento pesa.

Além disso, surgem as primeiras responsabilidades reais: decisões sobre o futuro, cobranças escolares, expectativas familiares. Tudo isso enquanto o cérebro ainda está tentando entender quem você é.

A Pense 2024 entrevistou 118.099 estudantes e apontou prevalência elevada de tristeza, irritabilidade e pensamentos de que a vida não vale a pena, com diferenças de gênero marcantes – meninas apresentam índices mais altos em quase todos os indicadores.

Além disso, 26,1% disseram sentir que ninguém se preocupa com eles e menos da metade das escolas públicas oferece algum tipo de suporte psicológico. Esses dados colocam solidão, sensação de desamparo e insatisfação corporal como fatores centrais da crise.

Mas, do outro lado, estão as delícias, e elas são muitas. A adolescência é o momento das primeiras paixões, intensas e desajeitadas, mas inesquecíveis.

É quando a música favorita parece falar diretamente com você, quando cada amizade tem o potencial de durar para sempre, quando sair de casa sem destino pode ser a melhor aventura do dia.

É a fase em que a criatividade explode, em que você começa a testar limites, a experimentar estilos, a descobrir talentos que nem imaginava ter.

Existe também uma delícia silenciosa: a sensação de que tudo é possível. Mesmo com as dúvidas, existe uma energia única, uma vontade de mudar o mundo, de ser alguém que faça diferença. É um período em que a imaginação corre solta e em que o futuro, apesar de assustador, parece cheio de portas abertas.

Ser adolescente é viver em um constante vai e vem entre euforia e frustração, coragem e medo, liberdade e confusão. É contraditório, é intenso, é cansativo e, ao mesmo tempo, é profundamente formador.

As dores moldam, as delícias impulsionam. E, quando essa fase passa, o que fica é uma coleção de memórias que ajudam a explicar quem você se torna depois.

Um dos métodos mais eficazes no cuidado é a psicoterapia. Muitas vezes, quanto mais cedo começa o tratamento em crianças e jovens, melhor.

Ela tem se mostrado uma ferramenta eficaz no combate a depressão e ansiedade. Revisões brasileiras e internacionais mostram que intervenções psicossociais reduzem sintomas e melhoram funcionamento social e escolar.

Ela atua em habilidades de regulação emocional, reestruturação cognitiva e estratégias de enfrentamento, complementando intervenções médicas, quando necessárias.

Porém, além de tratamentos psicológicos, a saúde mental entre jovens brasileiros exige resposta integrada: políticas públicas para ampliar suporte escolar e atenção primária, triagem precoce e acesso a psicoterapias baseadas em evidência como parte central do cuidado.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 11 May 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Governo Lula termina a semana saindo das cordas]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/governo-lula-termina-a-semana-saindo-das-cordas/466349/</link>
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				<description><![CDATA[Após uma semana difícil, marcada pela derrota na indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, o governo de Lula encerra os últimos dias em posição mais confortável, beneficiado por uma combinação de fatores que, juntos, alteram o clima político em seu favor.

O início da semana trouxe o relançamento do Desenrola, programa de renegociação de dívidas que recoloca o governo no terreno das entregas concretas à população.

Contudo, foi a viagem presidencial ao exterior que produziu o impacto simbólico mais imediato: recebido com cordialidade por Donald Trump, Lula aproveitou o encontro para neutralizar uma das narrativas mais persistentes do bolsonarismo: a de que o atual governo estaria isolado da principal potência do hemisfério.

Trump, como se sabe, gosta de, ao cumprimentar outros chefes de Estado, usar de sua estatura e de um aperto de mão vigoroso e, com isso, demonstrar força e poder.

Se tal fato se deu com Lula, isso não foi perceptível. Mas foi percebida a foto de Trump com um largo sorriso ao lado do presidente brasileiro, diferentemente de outras vezes, em que fazia cara de sério e até de raiva ao se deixar fotografar. Em ano eleitoral, com a projeção de manutenção da polarização entre lulismo e bolsonarismo, esse gesto diplomático tem valor político nada desprezível.

No entanto, o episódio de maior peso na semana não veio do Palácio do Planalto, mas da Polícia Federal. A operação de busca e apreensão na residência de Ciro Nogueira, presidente do Partido Progressistas (PP), sacudiu o Centrão e redefiniu, por enquanto, a correlação de forças no Congresso.

Nogueira é investigado por suposto recebimento de vantagens indevidas de Daniel Vorcaro no contexto do caso do Banco Master: uma mesada estimada entre R$ 300 mil e R$ 500 mil mensais, pagamentos via cartão de crédito, hospedagens em hotéis de luxo nos Estados Unidos e o uso de um imóvel de alto padrão que, segundo as investigações, pertenceria ao empresário.

A relevância política do episódio vai além da figura do investigado. Ciro Nogueira é uma das principais lideranças do Centrão, bloco que sustenta a governabilidade em Brasília independentemente de quem ocupe a Presidência. Rememore-se, ainda, que ele foi ministro do governo de Bolsonaro e um hábil articulador político, que evitou, com outros atores, um processo de impeachment contra Bolsonaro.

Com ele na berlinda, o PP e seus aliados entram numa posição defensiva que, por ora, retira pressão do governo federal e desloca o eixo das atenções do Palácio do Planalto para o interior da base parlamentar. Mais do que isso: Ciro Nogueira era cotado para uma possível vaga como vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro.

O senador e pré-candidato divulgou nota tímida e protocolar em relação ao ocorrido, todavia, não escapará do desgaste que os petistas e o campo da esquerda promoverão ao associar estes dois personagens.

A conjuntura, portanto, favoreceu Lula sem que o governo precisasse protagonizar os acontecimentos. Em política, sair das cordas com a ajuda dos adversários é, muitas vezes, tão valioso quanto vencer por mérito próprio.

O desafio, agora, é transformar esse fôlego momentâneo em agenda propositiva antes que a semana seguinte traga novas turbulências. O governo, hoje, tem uma estratégia, penso eu, dupla: a) melhorar sua avaliação e diminuir a alta rejeição; e b) desgastar Flávio Bolsonaro de todas as formas possíveis.

Em eleições polarizadas, fatos considerados menores podem ser nitroglicerina pura e fazer a diferença na percepção dos eleitores e nas urnas em outubro.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 11 May 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Amigo de uma vida no mundo dos políticos]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/amigo-de-uma-vida-no-mundo-dos-politicos/466348/</link>
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				<description><![CDATA[Desde que veio a público a declaração de Daniel Vorcaro classificando o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, como “um grande amigo de vida”, estava claro, até para alguém que não é especialista em entender o mundo da política, que esta amizade não era gratuita.

A prova disso tinha sido a tentativa do senador do Piauí de emplacar um projeto que elevava de R$ 250 mil para até R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em caso de quebra de algum banco.

Mesmo assim, a classe política continuava fazendo de conta que Vorcaro tinha feito aquelas declarações porque realmente nutria um afeto genuíno e ímpar pelo político. As aplicações financeiras bilionárias de fundos públicos no Master feitas por Rio de Janeiro, Amapá, Amazonas e até Campo Grande, neste caso, haviam sido mera coincidência. 

O partido que ele comanda recebeu uma infinidade de filiações, como se realmente fosse o arauto do “Deus, pátria e família”. O pré-candidato à Presidência deste mesmo grupo continuou cortejando-o para ser seu vice, e Nogueira, aparentemente, levou adiante sua vida como se realmente fosse um dos melhores líderes dos chamados homens de bem. 

Se as declarações do ex-banqueiro Vorcaro, que vieram a público em meados de novembro do ano passado, não significaram nada de relevante ou intrigante para todos esses políticos, que mais do que ninguém conhecem os bastidores e sabem que neste mundo em que vivem não existe amizade gratuita, então, só restam algumas conclusões: ou são muito ingênuos, ou são muito néscios (para não usar o termo burros), ou acreditaram que alguém “passaria pano”, ou tinham explícito interesse em tirar alguma vantagem dessas amizades que um dos mais influentes políticos da atualidade conseguia angariar. 

Criminalmente, a operação da Polícia Federal (PF) que encontrou batom nas mais diferentes vestimentas do senador significa pouco. Até um possível julgamento em última instância, ele continua sendo inocente.

Politicamente, porém, as revelações de que esta “amizade de uma vida” custava supostos R$ 500 mil por mês provocou abalos até agora imensuráveis. Prova deste abalo é o silêncio em uma era em que as redes sociais são palanques extremamente estridentes.

Em Mato Grosso do Sul, deputados, senadores, prefeitos e até governador literalmente fugiram do assunto. Em outras situações, inclusive quando foi encontrado um saco de lixo cheio de cédulas no quarto do líder do PL na Câmara, ele veio a público para se defender e aliados seus transformaram-no em vítima de perseguição política. Desta vez, porém, nem essa alegação está sendo utilizada. 

É bem possível e provável que os dados sobre o senador estivessem nas mãos da PF há semanas ou meses e só vieram a público como forma de reação à derrota imposta ao presidente Lula no Senado na semana anterior, quando seu indicado ao Supremo

Tribunal Federal (STF) foi rejeitado pela maioria. Na guerra política, todos os ataques e contra-ataques tendem a ser friamente calculados, até mesmo quando partem da Polícia Federal. Mas, ao contrário do que ocorre atualmente com o STF, as investidas da PF ainda são passíveis de credibilidade.

No entanto, ela só continuará vigorosa se as próximas revelações bombásticas não vieram com cara nem de ataque e muito menos de contra-ataque. Pelo menos alguma instituição precisa ficar fora dessa guerra, embora essa crença possa se parecer com a mais infantil ingenuidade. 

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 11 May 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Diplomacia da urgência]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/diplomacia-da-urgencia/466263/</link>
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				<description><![CDATA[A diplomacia, por vezes, assemelha-se a um tabuleiro de xadrez jogado em meio a um terremoto. A visita de Lula à Casa Branca é a prova de que a necessidade política ignora afinidades ideológicas. O encontro, adiado por meses em razão de atritos sobre Venezuela e Irã, ocorreu sob o signo do improviso e da urgência.

Em um cenário onde nada ocorre no vácuo, o aperto de mãos entre Lula e Donald Trump é menos sobre amizade e mais sobre sobrevivência, tanto interna quanto global.

O pano de fundo imediato não está em Washington, mas em Pequim. Com uma viagem à China no horizonte, Trump busca “munição econômica”, e o Brasil detém aquilo que interessa aos americanos: a abundância de minerais críticos.

Diante da tentativa chinesa de monopolizar as cadeias produtivas de energia limpa, o Brasil se consolida como um ativo estratégico.

Para Lula, negociar o acesso a esses recursos não é apenas uma transação, mas o reconhecimento de uma relevância estratégica mútua com os Estados Unidos, oferecendo ao Brasil a chance de se consolidar como pilar da economia global.

Além disso, fica evidente que a principal razão para essa visita é a eleição de outubro. Com um Brasil rachado e o bolsonarismo ganhando força, Lula parece ter suavizado o discurso de esquerda em favor de uma estética de centro.

A ida à Casa Branca é uma tentativa de convencer o eleitor moderado de que ele é o único capaz de manter o País relevante, independentemente de quem ocupe o Salão Oval.

Entretanto, a manobra pode ser interpretada como sinal de fraqueza, pois, ao buscar a validação de Trump para “furar a bolha”, Lula admite que sua base original já não basta. É um jogo perigoso que pode alienar a militância sem necessariamente converter moderados e o agro, setor que permanece vinculado à oposição.

Na economia, o cenário é de um otimismo modesto. Se o petróleo em alta favorece a balança comercial, o custo dos fertilizantes drena a vitalidade do campo. Lula tentou impedir novas tarifas americanas, tema que Trump confirmou ser central em seu perfil oficial, classificando o líder brasileiro como “dinâmico”.

Embora o encontro tenha sido considerado positivo, os resultados concretos foram empurrados para o futuro, com representantes agendados para discutir “elementos-chave” nos próximos meses.

A segurança transnacional também pairou sobre a agenda. A tendência de Washington de designar facções criminosas como terroristas, algo necessário para enfrentar o crime, preocupa o Itamaraty por um suposto risco de intervenções em ativos financeiros que afetem a soberania bancária nacional. Infelizmente nada parece ter avançado neste ponto.

O saldo da visita é um misto de alívio momentâneo e incerteza. Lula conseguiu a foto, o adjetivo elogioso e uma agenda de trabalho, operando em um modo de gestão de danos. O presidente brasileiro saiu de Washington com promessas de diálogo, mas sem garantias sólidas contra o protecionismo.

A visita mostrou um líder que, acuado pela polarização, está disposto a jogar o jogo transnacional de Trump. Se essa aposta resultará em votos, só o tempo dirá.

Por ora, o que se vê é uma aliança que, embora nascida da conveniência, abre portas necessárias para o Brasil, dependendo agora da habilidade de Brasília de transformar a cortesia de Trump em benefícios permanentes. A conferir.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 09 May 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A paz é possível]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-paz-e-possivel/466261/</link>
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				<description><![CDATA[O mundo vive hoje em crescente tensão. Quase como se quisesse superar os tempos sombrios da Guerra Fria. E, nessa conjuntura, parece ressoar com maior vigor o apelo que São João XXIII dirigiu à humanidade há mais de 60 anos. Lá, como agora, a paz parecia buscar apoio no crescente medo do adversário.

Não é despido de valor o roteiro engendrado pela Pacem in Terris, que enxerga quatro elementos centrais para o exame da questão. Tais vetores constituem a base moral da convivência humana e das relações entre os povos.

Quando a verdade é manipulada, quando a justiça é sacrificada a interesses imediatos, quando a liberdade é negada e o amor social desaparece, o terreno da guerra se torna fértil.

A primeira reação à guerra é a verdade. Quem joga com a verdade não inventa armas que o adversário não possui, nem tampouco amplifica os arsenais. É a mentira que causou a desastrosa guerra no Oriente Médio, em passado recente, e que não difere muito da problemática atual. Segue-se a questão da justiça.

Nenhuma guerra é justa quando se pretende a aniquilação do adversário ou sua rendição cabal ao vitorioso. Não são poucos os que consideram a submissão do vencido na Primeira Guerra Mundial como o estopim que, criando instabilidade em pouco tempo, desencadeou o segundo e mais brutal conflito global.

Ademais, ainda em linha com São João XXIII, a busca da liberdade é a via segura para a paz mundial. Liberdade como libertação de todas as necessidades materiais e de todas as restrições à livre manifestação de pensamento e de crença.

Por fim, a paz depende do amor ou, mais precisamente, da busca incessante do que Paulo VI denominou a civilização do amor.

A paz será possível desde que se respeite e reconheça a necessidade absoluta de uma autoridade mundial, como instância mediadora de conflitos e de concreto controle dos armamentos, sobretudo das armas nucleares.

Quem despreza ou ignora a autoridade mundial engendra e promove a guerra. Desde a sua fundação e nas assembleias anuais, as Nações Unidas têm reiterado a necessidade de limitar e reduzir os arsenais militares, com especial atenção às armas nucleares.

Há tratados e mecanismos de controle que urge respeitar, nos quais a proliferação nuclear é vedada. Ainda neste mesmo mês, o papa renova essa súplica pelo desarmamento em forma de oração.

Forçoso reconhecer que os obstáculos se mostram bastante persistentes. Rivalidades históricas, estratégicas e um bastante significativo sectarismo religioso parecem incutir a produção cada vez mais intensa de armamentos, que alimentam a modernização de arsenais e reativam a lógica da dissuasão nuclear.

É a volta inaceitável da linguagem da força, em detrimento do diálogo travado no foro apropriado e com estrita observância do regramento do direito internacional.

Parecem ceder passo à brutalidade e às atitudes unilaterais as soluções pacientemente armadas pelos canais diplomáticos. Os instrumentos disponíveis para a preservação da paz exigem a boa vontade e o diálogo como único caminho para a solução das controvérsias.

Cumpre insistir com o tema da civilização do amor. Eis o projeto histórico que exige instituições aptas a promover a paz na Terra aos homens de boa vontade. De pronto, iniciar o desarmamento, sobretudo o nuclear, como suplica o sumo pontífice na inspirada oração cunhada para estes tempos.

Enquanto existirem propósitos ocultos, ou não tão ocultos, de dominação, não haverá ambiente para a construção de um caminho para a paz. A política internacional, animada pelo bem comum universal, como se sabe, não pode prescindir da verdade e dos compromissos éticos.
]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 09 May 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Esforço hercúleo e até agora incompreensível]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/esforco-herculeo-e-ate-agora-incompreensivel/466260/</link>
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				<description><![CDATA[O lançamento do segundo programa de renegociação das dívidas da população brasileira, no começo da semana, deixou mais do que claro que as apostas eletrônicas se transformaram em uma espécie de pandemia econômica nos últimos oito anos, principalmente de 2020 para cá.

A estimativa é de que os apostadores gastem cerca de R$ 20 bilhões por mês nas mais variadas modalidades de aposta.

A maior parte disso é devolvida por meio de prêmios, pois os arquitetos dessa modalidade de apostas sabem que, se não houver ganhos eventuais, os clientes tendem a sumir. Mesmo assim, o lucro mensal dessas “empresas” está sendo estimado em cerca de R$ 4 bilhões.

Além dos donos da jogatina, o poder público também fatura alto, e este faturamento só não aumentou porque os “empresários” conseguiram apoio de parcela significativa da classe política e barraram nova taxação. No ano passado, foram quase R$ 10 bilhões em impostos federais.

A proposta era criar uma nova taxa, que renderia até mais do que o valor já arrecadado, para alimentar um fundo da segurança pública, mas o Congresso barrou a proposta.

De olho em arrecadação, pelo menos é esta uma das explicações que são levadas a público, o governo de Mato Grosso do Sul tenta, há mais de um ano, oficializar a criação de uma nova modalidade de apostas.

Nesta sexta-feira, publicação no Diário Oficial do Estado praticamente oficializou o nome da empresa vencedora, pertencente a empresários locais.

Se não bastasse a doença social na qual se transformou a jogatina para dissuadir os administradores estaduais a engavetarem a proposta, em meio ao processo para escolher a empresa, surgiu uma infinidade de denúncias e suspeitas sobre suposto jogo de cartas marcadas.

Conhecidos e antigos bicheiros literalmente travaram queda de braço para tentar abocanhar o negócio. Condenado a mais de 70 anos de prisão, Jamil Name Filho tentou intervir de dentro do Presídio Federal em Mossoró. A cúpula da família Razuk chegou a ser presa.

O deputado estadual Neno Razuk, condenado em primeira instância por supostamente liderar um bando que praticou uma série de assaltos no meio da rua em Campo Grande para intimidar rivais, chegou a “nomear laranjas” para tentar assumir o negócio.

Até o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul, que normalmente dorme em berço esplêndido, chegou a intervir na disputa. Além disso, três empresas foram eliminadas, uma depois da outra. Esta que agora foi escolhida também chegou a reprovar nos testes, mas recebeu uma segunda chance.

Então, se nem escândalos nem a preocupação com a doença social do vício em jogos conseguiram dissuadir a administração estadual de levar adiante o certame, isso significa que realmente existe gente próxima à cúpula do poder muitíssimo interessada em terceirizar a velha Lotesul.

Se fosse feita uma pesquisa com a intenção de descobrir a falta que faz uma nova versão da Lotesul ou seu grau de prioridade entre os temas relevantes para a administração pública, provavelmente, ficaria em um dos últimos lugares da extensa fila.

O faturamento que a administração terá a partir das apostas não justifica tamanho esforço. Então, possivelmente, só o tempo dará a explicação sobre o hercúleo esforço que se fez para ressuscitar a jogatina local.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 09 May 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[Os poderes de uma CPI de acordo com a Constituição ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/os-poderes-de-uma-cpi-de-acordo-com-a-constituicao/466206/</link>
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				<description><![CDATA[O senador Alessandro Vieira, atuando como relator da CPI do Crime Organizado, propôs em seu relatório final o indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Não vou examinar o caso concreto veiculado pela imprensa há algumas semanas, mas apenas levar aos meus leitores o meu conhecimento daquilo que está escrito na nossa Constituição Federal.

O ministro Gilmar Mendes considerou a atitude da proposta do relatório final “extremamente grave” e um “abuso de autoridade”.

Afirmou que o senador cometeu desvio de finalidade e pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) a abertura de uma investigação contra Alessandro Vieira.

O ministro Dias Toffoli, por sua vez, criticou o relatório, classificando-o como “aventureiro”, e defendeu a punição eleitoral de parlamentares que atacam instituições para obter votos.

É importante destacar que não conheço o senador, a não ser pelas manifestações veiculadas pelos jornais. Além disso, sou amigo pessoal do ministro Gilmar Mendes há 45 anos e do ministro Toffoli há mais de 30 anos.

Embora divirja, muitas vezes, dos julgamentos de ambos, quero, neste caso, fazer o que sempre faço: examinar exclusivamente o que está escrito na Constituição.

Vale dizer que, conforme a nossa Carta Magna, o Senado Federal é a única das instituições brasileiras que pode promover o impeachment do presidente da República, do vice, dos comandantes das Forças Armadas e do advogado-geral da União. De acordo com o artigo 52, inciso II, é também de sua competência processar e julgar os ministros do STF.

A Constituição Federal também declara que o STF não pode legislar, já que o artigo 49, inciso XI, garante ao Congresso Nacional zelar pela sua competência, ressaltando, ainda, que o artigo 103, § 2º, da Constituição declara que nem mesmo nas ações diretas de inconstitucionalidade por omissão o Supremo pode legislar. Nós temos, pois, todo um mecanismo de funcionamento da democracia.

Sem entrar em nenhum caso concreto, entendo que o Senado pode investigar membros do Supremo por uma razão simples: quem pode o mais, pode o menos. Se o Senado tem a competência para declarar o impeachment, também tem a de investigar.

Por outro lado, estou convencido de que o Supremo sabe perfeitamente que, pelo artigo 58, § 3º, os poderes que uma Comissão Parlamentar de Inquérito tem são idênticos aos do Poder Judiciário.

Sendo assim, analisando estritamente a Constituição, nota-se que, por meio da CPI, o Senado detém poderes judiciais. Por outro lado, o Senado tem o poder de investigar, sendo a única instituição com competência para investigar ministros do Supremo e o presidente da República, visto que tem o poder maior de promover o afastamento de ambos.

Dessa forma, a harmonia entre os Poderes não deve ser interpretada como uma blindagem absoluta contra a fiscalização mútua, mas como a garantia de que nenhum órgão se coloque acima da Lei Fundamental. Quando o texto constitucional atribui ao

Legislativo a função de controle, ele o faz para assegurar que o sistema de freios e contrapesos impeça a hipertrofia de qualquer uma das instâncias de poder, mantendo o equilíbrio democrático indispensável à República.

Digo isso deixando claro que não estou analisando o caso concreto que os jornais têm publicado, mas apenas levando aos meus leitores o conhecimento daquilo que está escrito na Constituição.

É fundamental que o debate jurídico se desvincule de paixões políticas momentâneas para que possamos preservar a higidez das instituições, garantindo que o cumprimento do rito constitucional seja sempre o norte de nossa convivência social e jurídica.

Assine o Correio do Estado
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 08 May 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O custo do líder sabotador de talentos]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-custo-do-lider-sabotador-de-talentos/466204/</link>
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				<description><![CDATA[Líder maduro não teme gente boa. Ao contrário: mede parte do próprio sucesso pela capacidade de formar pessoas melhores, mais preparadas e, eventualmente, capazes de ocupar espaços maiores. Líder inseguro faz o oposto. Prefere quem não o confronta, não o supera e não ameaça o seu conforto.

Esse é um ponto que estruturas sérias precisam enfrentar. Em muitos casos, o maior obstáculo ao desenvolvimento institucional não está na base, mas exatamente em quem controla a porta de entrada do talento.

E aqui surge uma pergunta inevitável: quem controla o controlador – de talentos, nesse caso? A pergunta seguinte é igualmente incômoda: está se escolhendo os melhores para crescer ou aqueles que melhor se ajustam politicamente às zonas de conforto de quem decide?

A literatura recente tem dado nome a esse fenômeno. Pesquisas da Harvard Business School descrevem a chamada “sabotagem de cima para baixo”, em que gestores bloqueiam ou retardam o avanço de subordinados de alto desempenho.

Em estudo com 335 executivos, mais de 70% afirmaram já ter presenciado esse tipo de prática ao longo da carreira, e cerca de 30% relataram tê-la observado diretamente em suas estruturas.

O dado mais revelador, contudo, está na motivação: aproximadamente 21% apontaram o medo de perda de status como principal causa, enquanto apenas 3,3% atribuíram o comportamento a razões financeiras.

O problema, portanto, não é técnico. É humano. Em estruturas hierárquicas, o talento deixa de ser um ativo e passa a ser percebido como risco. O subordinado competente pode se tornar, aos olhos do gestor inseguro, um potencial concorrente ou alguém capaz de reduzir sua relevância.

Esse bloqueio raramente é explícito. O que ocorre é um conjunto de microescolhas que, somadas, produzem contenção: menos exposição, menos autonomia, menos oportunidades.

Tudo com justificativas plausíveis. Esse é o aspecto mais sofisticado – e perigoso – do problema. A sabotagem não se apresenta como sabotagem. Disfarça-se de prudência, cautela ou avaliação técnica.

Talento raramente é interrompido de forma brusca. Ele vai sendo reduzido, até que, um dia, perde-se alguém que poderia ter sido decisivo para o salto de qualidade que se buscava.

Decisões passam a refletir percepções individuais, e não critérios objetivos. O processo decisório se empobrece: perde repertório, reduz o contraditório, estreita a diversidade de pensamento e aumenta o risco de erro. É nesse ponto que o tema deixa de ser apenas de gestão de pessoas e passa a ser, claramente, de governança.

Porque não se trata apenas de desenvolver talentos, mas de proteger o processo decisório contra vieses, vaidades e interesses pessoais.

Estruturas maduras não terceirizam esse desafio para o equilíbrio emocional de seus líderes. Reforçam mecanismos de accountability, ampliam a transparência decisória e vinculam a liderança à formação de sucessores.

Sem isso, a meritocracia vira narrativa. No discurso, valoriza-se desempenho. Na prática, tolera-se a proteção de território e vaidades. Selecionam-se não os melhores, mas os mais convenientes. E, nesse cenário, perde-se mais do que pessoas. Perde-se potência organizacional.

No fim, a pergunta canônica permanece: quem controla o controlador?

Assine o Correio do Estado
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 08 May 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A conta chegando mais cedo que o esperado]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-conta-chegando-mais-cedo-que-o-esperado/466203/</link>
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				<description><![CDATA[Obras de melhoria lentamente começam a alterar o cenário ao longo dos 845 quilômetros da BR-163 que cortam Mato Grosso do Sul. No extremo-sul, cerca de 2 km de terceira faixa foram liberados para o tráfego em meados de abril. Outro trecho estava pronto na mesma região e só faltava a conclusão da sinalização.

As melhorias vieram depois de praticamente uma década de pedágio sem que os usuários vissem sentido nos pagamentos.

Além destes trechos de terceira faixa, canteiros de obras estão em operação próximo a Mundo Novo, Itaquiraí, Naviraí, Campo Grande, Bandeirantes e Coxim. 

Enquanto isso, as nove praças de pedágio continuam cobrando tarifas semelhantes às do período anterior à retomada das obras (203 km de duplicação e 150 km de terceira faixa).

Mas, desde o início da repactuação ou da renovação do contrato, já estava previsto que estas melhorias não viriam gratuitamente.

Apesar de autoridade nenhuma dar destaque para este ponto do contrato, lá já estava escrito que o valor das tarifas literalmente dobraria, passando da casa dos 8 centavos para 16 centavos por quilômetro.

A primeira parcela deste aumento, da ordem de 33%, seria repassada ao usuário depois do primeiro ano de contrato, mesmo que até lá estejam liberados apenas 3 km ou 4 km, literalmente, de terceira faixa.

O aumento, que pode ultrapassar os 40%, deve entrar em vigor no começo de agosto. Até lá, possivelmente, nenhuma outra benfeitoria estará concluída.

Por mês, conforme os dados da Motiva relativos ao primeiro trimestre deste ano, 4,33 milhões de veículos (eixos) passam pelas praças de pedágio.

Ou seja, todos esses caminhoneiros e motoristas de carros de passeio vão sofrer um tarifaço da ordem de 40% somente por estarem vendo uma série de máquinas e homens às margens da pista, embora também estejam ocorrendo serviços de recapeamento para colocar fim à buraqueira e à trepidação que estava tomando conta de vários trechos da rodovia. 

Este mesmo contrato prevê que o restante do reajuste seja concedido à concessionária ao longo dos próximos cinco anos, à medida que as obras de duplicação, terceira faixa e construção de contornos rodoviários forem concluídas.

Está claro, portanto, que depois do tarifaço previsto para o começo de agosto, outros do mesmo tamanho devem ser aplicados ao longo dos próximos anos sem que esteja concluída, por exemplo, a tão esperada duplicação do Anel Viário de Campo Grande e os trechos mais próximos da cidade. 

Em 2013, quando da assinatura original do contrato de concessão, a cobrança de pedágio somente começou depois que estavam concluídos 150 km de duplicação. Naquela época, centenas de máquinas e milhares de trabalhadores foram mobilizados para fazer asfalto novo.

É certo que todas as obras foram feitas em locais aleatórios, sem necessidade da construção de pontes ou outros tipos de obras especiais. Estava claro que o objetivo era começar a cobrança o mais cedo possível.

Agora, porém, nem isso está garantido, já que o primeiro tarifaço deve chegar com 0% das exigências de duplicação cumpridas e apenas 2% da meta de faixa adicional executadas. 

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 08 May 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Reciclagem que gera valor para o País]]></title>
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				<description><![CDATA[A reciclagem deixou de ser apenas uma alternativa sustentável para se tornar um dos pilares centrais no debate sobre o futuro ambiental do planeta.

Em meio ao avanço da crise climática e o crescimento acelerado na geração de resíduos, discutir formas eficientes de reaproveitamento passa a ser uma urgência coletiva.

Mais do que uma prática ambientalmente correta, reciclar representa hoje um compromisso indispensável com a preservação de recursos, a redução de impactos ambientais e a construção de uma sociedade mais consciente sobre o próprio consumo.

De acordo com um levantamento realizado pelo Movimento Plástico Transforma, em parceria com o Qualibest, 64% dos brasileiros já separam com frequência resíduos orgânicos e recicláveis em casa. Entretanto, os respondentes enfrentam a falta de coleta seletiva onde moram.

Mesmo com a dificuldade de destinação do resíduo separado, o levantamento mostra que a reciclagem já está inserida na vida de mais de metade dos brasileiros, não apenas em uma questão ambiental, mas também quando o assunto é economia.

A reciclagem de plásticos integra uma cadeia produtiva forte, capaz de gerar emprego, renda e inovação, e colabora com vantagens competitivas em diferentes indústrias.

O setor de reciclagem vem se consolidando como um vetor importante da economia circular no País, movimentando bilhões de reais anualmente e contribuindo para o fortalecimento da indústria nacional.

Outro dado importante, divulgado no ano passado, é o Índice de Reciclagem Mecânica do Plástico no Brasil. Segundo o levantamento, o País reciclou cerca de 21% dos plásticos pós-consumo em 2024, o que resultou na produção de 1,012 milhão de toneladas de resina plástica reciclada (PCR).

Esse desempenho colocou o País entre os maiores recicladores de plástico da América Latina e movimentou cerca de R$ 4 bilhões em faturamento no ano, evidenciando a relevância econômica do setor.

Além da questão financeira, a reciclagem de plástico é fundamental na geração de empregos. Somente em 2024, o setor registrou a criação de mais de 20 mil novos postos de trabalho diretos, um crescimento de aproximadamente 7,7% em relação ao ano anterior.

Esses empregos estão distribuídos ao longo de toda a cadeia, desde organizações de catadores de materiais recicláveis e centrais de triagem até indústrias de reprocessamento e transformação, reforçando o caráter social e produtivo da atividade.

Outro aspecto relevante, é a crescente demanda da indústria por matéria-prima reciclada. Setores como alimentos e bebidas, higiene pessoal, cosméticos, limpeza doméstica e agroindústria ampliaram de forma significativa o uso de resinas recicladas, impulsionados por compromissos ambientais, exigências regulatórias e metas corporativas ligadas à economia circular.

Esse movimento foi reforçado pela criação do Decreto nº 12.688, assinado em 21 de outubro de 2025, que institui o Sistema Nacional de Logística Reversa de Embalagens de Plástico, estabelecendo metas obrigatórias de reciclagem e uso de plástico reciclado (PCR).

Medidas como essas contribuem para otimizar custos produtivos e estimular investimentos em tecnologias de reciclagem no País, assim como aspectos de sustentabilidade.

Portanto, investir na reciclagem de plástico vai além do cuidado ambiental, trata-se de uma estratégia econômica para o desenvolvimento sustentável do País.

O fortalecimento da coleta seletiva, o incentivo à logística reversa e o apoio às cadeias de reciclagem podem ampliar a geração de renda, promover a inclusão social e colocar o Brasil como protagonista na transição para uma economia mais circular, forte e competitiva.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 07 May 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Desenrola 2.0: o consumidor entre a cruz e a espada]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/desenrola-20-o-consumidor-entre-a-cruz-e-a-espada/466146/</link>
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				<description><![CDATA[O número de brasileiros endividados chegou a 81,7 milhões em 2026, conforme os dados disponibilizados pelo Mapa da Inadimplência, do Serasa. Trata-se de um recorde histórico.

Esse levantamento mostra um ciclo de endividamento crônico, agravado pela ampliação irresponsável do acesso ao crédito e aumento da taxa de juros.

Além disso, dados recentes do Banco Central evidenciam que as dívidas bancárias comprometem quase metade da renda das famílias.

Nesse contexto, à medida que a eleição se aproxima, o governo acaba de lançar um pacote de “socorro” a endividados, para incentivar o consumo e evitar a desaceleração econômica.

O Desenrola 2.0 é um programa de renegociação de dívidas que promete descontos entre 20% e 90% para contas com juros altos, como cartão de crédito, cheques especiais e crédito pessoal. O trunfo principal é a disponibilização do uso de até 20% do FGTS para quitar as inadimplências.

Embora paliativo, o programa não resolve o problema no longo prazo. Isso porque a realidade social do Brasil é marcada pela assimetria de informação e falta de educação financeira para as pessoas mais vulneráveis.

Assim, se os milhões de consumidores que voltarão a ter acesso ao crédito não forem efetivamente capazes de administrar as finanças, cairão em uma armadilha que aprofunda o ciclo de endividamento e compromete a renda.

A euforia no lançamento da medida esconde uma realidade complexa: milhões de brasileiros apenas “sairão da inadimplência” com a aquisição de um novo crédito, via renegociação.

No entanto, sem educação financeira, há grandes chances de que voltem ao mesmo status por não conseguirem arcar com a nova parcela da dívida renegociada ou por contrair dívidas paralelas. Cuida-se de um remendo que trata o sintoma, mas não a causa.

O desespero dos consumidores para regularizar sua situação financeira pode fazer com que aceitem qualquer proposta de renegociação, caindo no canto da sereia e se endividando novamente.

O crédito deixa de ser um instrumento legítimo de inclusão econômica e passa a ser uma armadilha quando é concedido sem responsabilidade. Isso ocorre, por exemplo, quando instituições financeiras oferecem crédito de forma agressiva, sem avaliar a capacidade de pagamento do consumidor ou quando ocultam o real custo da operação.

Não há como negar que parte do mercado financeiro se beneficia indiretamente do endividamento crônico dos consumidores, seja por meio dos juros elevados, renegociações sucessivas ou pela própria dinâmica do crédito rotativo.

Embora a inadimplência não seja o objetivo central, o sistema financeiro muitas vezes se estrutura de forma a tolerar – e até lucrar com – o atraso constante.

O problema ultrapassa a esfera econômica e se torna jurídico quando a desigualdade informacional impõe ao consumidor uma onerosidade excessiva. A lógica da boa-fé e do crédito responsável impõe limites claros à atuação das instituições financeiras.

Sem isso, o sistema deixa de corrigir distorções e passa a reproduzi-las.

Em vez de anunciar aos sete ventos soluções simples para problemas extremamente complexos, faria bem o poder público se começasse por enfrentar as causas estruturais do endividamento, ainda que não renda votos.

Sem isso, o Desenrola 2.0 não passará de alívio imediato, deixando o consumidor preso ao mesmo dilema de sempre. Entre a cruz e a espada.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 07 May 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Mimado e muito mal-acostumado]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/mimado-e-muito-mal-acostumado/466145/</link>
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				<description><![CDATA[Os sucessivos governadores do Rio de Janeiro e prefeitos de uma série de municípios fluminenses são a prova mais concreta do ditado popular que diz que dinheiro que vem fácil, vai fácil.

Ontem, a retomada do julgamento sobre o destino dos royalties do petróleo no Supremo Tribunal Federal (STF) trouxe a público a informação de que uma possível mudança de regra tiraria em torno de R$ 23 bilhões anuais da administração fluminense e das prefeituras. Mesmo assim, eles manteriam o direito a um valor parecido. 

Apesar deste faturamento bilionário, que cresceu vertiginosamente nos últimos anos, o estado do Rio de Janeiro segue se endividando e já acumula dívida superior a R$ 203 bilhões com o governo federal. A dívida de Mato Grosso do Sul, para efeito de comparação, é da ordem de R$ 10 bilhões.

Mesmo com estes bilhões de reais repassados anualmente, os problemas de segurança pública só pioram, a ocupação irregular de morros não para de crescer e os escândalos de políticos envolvidos em corrupção e com o crime organizado são notícia praticamente todos os dias. Nos últimos anos, cinco ex-governadores foram presos, um foi cassado e outro, declarado inelegível.

Os índices sociais também são péssimos. O Rio de Janeiro é frequentemente classificado como um dos estados mais desiguais do Brasil, com um índice de Gini alto (aproximadamente 0,54 em dados recentes), ocupando posições próximas às de Roraima e Paraíba entre as unidades federativas mais desiguais.

Professores da Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso do Sul, por exemplo, uma das categorias mais importantes de uma administração estadual, têm salário 167% maior que os da rede estadual fluminense.

No ranking salarial nacional dos professores concursados, Mato Grosso do Sul está em primeiro, com R$ 13 mil mensais, e o Rio de Janeiro está em último, com apenas R$ 4,86 mil mensais por 40 horas semanais. 

Agora, em meio ao debate sobre uma possível redistribuição dos royalties do petróleo, os defensores dos interesses fluminenses, ou de suas benesses, alegam que os R$ 23 bilhões fariam pouca diferença para os demais estados e municípios e muita diferença para aqueles que perderiam esses repasses.

Eles podem até ter razão, porém, este argumento faria sentido se essa dinheirama fosse corretamente aplicada. Por outro lado, este pouco que alguns alegam que caberia aos demais estados e municípios está longe de ser mixaria.

Uma estimativa nada otimista aponta que prefeituras e a administração estadual de Mato Grosso do Sul fariam jus a cerca de R$ 400 milhões por ano somente da parcela que deixaria de ser repassada aos fluminenses. 

Então, entre manter o repasse destes bilhões de reais a uma unidade da Federação onde, literalmente, a bandalheira tomou conta e passar a dividi-los com estados onde se valoriza professores, por exemplo, nem mesmo é necessário muita argumentação.

O fato é que, em 2012, em meio à solidificação do chamado pré-sal, foi criada uma lei prevendo a distribuição nacional desses royalties. Até hoje ela não é cumprida, pois o Rio de Janeiro se sentiu prejudicado.

Para efeito de analogia, o Rio de Janeiro é o que podemos chamar de playboy mimado que recebe mesada alta e que, por conta disso, virou arruaceiro e criminoso. Agora, para seu bem, está na hora de cortar esta mesada. 

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]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 07 May 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Os 30 anos do Pronaf e os desafios do Plano Safra 2026 ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/os-30-anos-do-pronaf-e-os-desafios-do-plano-safra-2026/466093/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/os-30-anos-do-pronaf-e-os-desafios-do-plano-safra-2026/466093/</guid>
				<description><![CDATA[Nos próximos meses deve ser lançada a versão 2026 do Plano Safra, principal iniciativa governamental que reúne investimentos e programas para a agricultura brasileira.

As medidas a serem anunciadas podem seguir a trajetória recente e trazer apenas avanços incrementais e pontuais.

Mas também podem assumir direção mais ousada, promovendo melhor alinhamento com os desafios de um contexto marcado por mudanças climáticas e transformações geopolíticas.

Entre os vários instrumentos de política pública que compõem o Plano Safra, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) merece destaque.

Porque mais do que um segmento econômico, a agricultura familiar tem um significado ético e político em um país marcado pela tradição latifundiária.

O Pronaf foi decisivo ao romper com a lógica assistencialista que vinha marcando a ação do Estado neste segmento, criando condições para que produtores familiares acessassem crédito e participassem de mercados dinâmicos.

Ao alterar as regras de financiamento, esta política contribuiu para diversificar a base social da agropecuária e fortalecer sua presença institucional.

Em 2025 o programa completou 30 anos de existência. No entanto, três problemas estruturais persistem. O primeiro é a forte concentração no acesso ao crédito: apesar de alcançar entre 1 e 1,5 milhão de agricultores, isso representa uma fração dos quase 4 milhões existentes no Brasil.

O segundo é a concentração regional. Historicamente, os recursos do Pronaf se concentram no Sul do País. Embora tenha havido expansão no Nordeste, ela ainda é limitada e muitas vezes não vem acompanhada de assistência técnica adequada, o que eleva o risco de endividamento.

O terceiro diz respeito ao perfil produtivo financiado. Até aqui, o crédito se dirige majoritariamente a cadeias já consolidadas e controladas por grandes corporações, como aves, suínos, fumo, soja e milho. 

A soma destes problemas revela um desafio mais profundo: a agricultura familiar não tem funcionado como alternativa ao modelo agropecuário convencional.

A monotonia genética que marca essas cadeias, associada ao uso intensivo de fertilizantes sintéticos e agrotóxicos comprometem solos, biodiversidade e geram efeitos negativos para a saúde humana.

A consequência disso não se limita ao agravamento de problemas ambientais e sociais. Trata-se de um padrão tecnológico controlado por grandes corporações que vem se tornando cada vez mais caro.

Algo agravado no contexto atual, no qual a proliferação de guerras e a instabilidade dos mercados internacionais afetam diretamente a dependência brasileira de importações de insumos. Perdem os produtores, com a redução de suas margens de lucro.

Perdem os consumidores, com o aumento dos custos e, consequentemente, dos preços dos alimentos. Perde o País, maiores riscos em um de seus setores mais estratégicos.

Não se trata mais, portanto, de apenas ampliar o acesso ao crédito. É preciso promover uma transformação das bases técnicas do sistema agroalimentar.

A transição para práticas regenerativas surge como oportunidade estratégica. Ela não pode ficar restrita à adoção de tecnologias já consagradas como o plantio direto ou o uso de inoculantes para a produção de soja.

É necessário ir além e estimular a diversificação produtiva, o uso de bioinsumos, fortalecer economias locais e fomentar novas redes de fornecedores que diminuam a dependência dos grandes grupos.

O Pronaf precisa ser repensado, em suas próprias bases. E é preciso ter sua implementação melhor coordenada com outras políticas, como o recém-lançado Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia, que pode ser decisivo para reposicionar a agricultura brasileira nas próximas décadas.

O fortalecimento da agricultura familiar foi uma conquista democrática importante. Sua continuidade, no entanto, depende da superação do produtivismo que hoje limita seu potencial transformador.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 06 May 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Hospital Colônia São Julião de Campo Grande]]></title>
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				<description><![CDATA[No dia 5 de agosto de 1941, foi inaugurado em Campo Grande (atual MS) o Hospital Colônia São Julião, especializado no tratamento da hanseníase, que na época era chamada de lepra ou morfeia.

Foi construído pelo governo federal, que previa a construção de "leprosários modelos" em diferentes regiões do País.

O presidente Vargas compareceu à inauguração e várias outras autoridades, conforme reportagem da Revista Brasil Médico, do Rio de Janeiro.

No final de 1937, teve início a construção do complexo em terreno de 180 hectares doados à União pelo Município. Três anos após a inauguração, o hospital estava com 264 internos, embora no projeto inicial estava previsto um número menor. 

No início do Estado Novo (1937-1945), mesmo com a suspensão das eleições, o advogado Eduardo Olímpio Machado foi confirmado como prefeito de Campo Grande.

Ele já estava exercendo o cargo desde março de 1937, por ter sido eleito pelo sufrágio universal do voto.

Naquela época, um dos principais problemas de saúde em Mato Grosso era a hanseníase. Razão pela qual as autoridades municipais haviam pedido ao governo federal a construção do hospital.

Havia ainda muito preconceito e falta de informações sobre a referida moléstia, ainda predominava a ideia da segregação do doente da sociedade, internando-os compulsoriamente em hospitais onde podiam passar anos e anos confinados. A solicitação foi atendida e teve início então a construção da Colônia. 

Ao lado dos pavilhões dos internos, num terreno isolado por telas, foi construído o preventório, uma casa onde ficavam isolados os filhos sadios dos internos.

O contato entre pais e filhos era permitido somente a certa distância, sem manter contato físico para supostamente evitar contágio.

É o que se entendia ser "ação humanitária de combate à hanseníase". Posteriormente, foi construído o Educandário Getúlio Vargas, que funcionou como orfanato para filhos dos internos. 

O jornal cuiabano A Cruz, em 11 de fevereiro de 1934, noticiou que não havia em Mato Grosso estatística sobre a hanseníase no Estado.

Não havia controle dos casos existentes no interior. Alguns médicos estimavam que a situação de Mato Grosso era semelhante ao do Estado do Pará.

No Hospital São João dos Lázaros de Cuiabá, havia registro da possível existência de 800 casos no Estado.

Na mesma reportagem consta a visão do médico Vespasiano Martins, que estimava haver cerca de mil doentes em Mato Grosso, com maior incidência no sul do Estado, por conta das pessoas que vinham de outros estados.

O primeiro médico do hospital foi o dr. Clineu Morais, depois, por 27 anos seguidos, o dr. Orestes Rocha foi o único médico servidor que procurava aliviar o sofrimento dos internos naquele hospital, fazendo o possível em termos de assistência médica. 

Nos anos 1970, começou uma etapa de recuperação do hospital, em razão do serviço voluntariado de religiosos católicos.

Em 1991, durante a visita à cidade, o Papa João Paulo II foi abençoar a instituição, o que deu maior divulgação da importância do atendimento às pessoas com hanseníase.

Nas últimas décadas, o hospital vem passando por sucessivas melhorias e ampliações que o tornaram em referência regional em diferentes áreas médicas.

Assim, depois de 85 anos de sua inauguração, o atual e renovado Hospital São Julião está presente na história das instituições de saúde de Campo Grande.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 06 May 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Problema típico de Campo Grande ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/problema-tipico-de-campo-grande/466091/</link>
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				<description><![CDATA[Há quase 15 anos, em 2012, o ex-governador André Puccinelli ganhava mídia gratuita praticamente todas as semanas por conta das visitas constantes que fazia às obras de recapeamento da Avenida Afonso Pena.

Eram verdadeiros eventos. Pouco depois, o ex-prefeito Alcides Bernal, em meio à sua conturbada gestão, também recebeu infindáveis aplausos em decorrência dos recapeamentos que fez em vias como a Avenida das Bandeiras e a Rua Spipe Calarge, entre outras.

Eles somente ganhavam os holofotes, porque efetivamente o assunto era relevante e tinha o interesse de grande parcela da população.

Obras bem maiores e estruturantes, como a construção de avenidas como a José Barbosa Rodrigues ou Lúdio Coelho, por exemplo, deram um décimo da visibilidade aos políticos que estavam no poder à época. 

Agora, cerca de uma década e meia depois e em meio a uma cidade tomada pela buraqueira, a Avenida Afonso Pena, a Avenida Bandeiras e a Rua Spipe Calarge seguem praticamente intactas e livres daquele que possivelmente seja o maior tormento dos moradores de Campo Grande.

Depois daquelas obras iniciais, outras importantes vias receberam o tão esperado recapeamento, principalmente durante a gestão Marquinhos Trad.

Mais recentemente, há cerca de dois anos este mesmo tipo de investimento, foi, possivelmente, o principal responsável pela reeleição da atual prefeita, já que às vésperas da eleição as máquinas literalmente brotaram no meio de vias importantes da cidade para tentar mostrar que a administração municipal estava dando conta de cuidar da Capital.

Mesmo assim, o recapeamento segue como algo de segunda linha na administração pública. Na semana passada, um grande evento, com a presença do governador, prefeita, senadores, deputados e vereadores deu visibilidade aos investimento da ordem de R$ 350 milhões em asfalto novo em mais de 30 bairros.

Ontem, a prefeitura publicou a assinatura de sete contratos para obras de recapeamento espalhadas por toda a cidade.

O valor, R$ 37 milhões, é pouco mais de um décimo daquilo que foi destinado ao asfalto novo. Mesmo assim, o programa foi anunciado como algo inédito e como se fosse a salvação da pátria. 

Mas, ao que tudo indica, estes recapeamentos serão pulverizados nos quatro cantos da cidade e não haverá dinheiro suficiente para recuperar vias primordiais e de grande fluxo, como a Avenida Manoel da Costa Lima, a Mascarenhas de Morais, a Guri Marques e a parte sul da Avenida Ernesto Geisel, entre outras tantas.

O pacote de obras para asfalto novo é, praticamente todo ele, bancado por recursos federais e lá em Brasília, alegam as autoridades, é difícil conseguir recursos para investir em recapeamento.

E faz todo o sentido isso. Quando recursos são liberados para asfalto novo, a lógica é de que nestas vias sejam feitas obras duráveis. 

Em Campo Grande, porém, em obras como a duplicação da Avenida Duque de Caxias, por exemplo, os buracos começam a aparecer infinitamente dois anos depois da entrega do asfalto novo.

Então, ao que tudo indica, a necessidade de dinheiro para recapeamento e o interesse da população pelo tema são questões típicas da cidade. E uma das explicações é o asfalto novo malfeito. 

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 06 May 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[Desenrola dá 90% de desconto, trava bets e enfrenta alta inadimplência ]]></title>
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				<description><![CDATA[O governo federal lançou, ontem, o Novo Desenrola Brasil, com promessa de descontos de até 90% nas dívidas, juros reduzidos, uso do FGTS e ampliação do alcance para famílias, estudantes, aposentados e empresas.

A medida provisória, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, terá duração de 90 dias e inclui uma novidade simbólica: o bloqueio do CPF de beneficiários para participação em apostas on-line (bets) durante um ano.

O anúncio ocorre em um momento de forte pressão financeira em Mato Grosso do Sul. Conforme já adiantou o Correio do Estado, MS soma 1,29 milhão de inadimplentes, que acumulam 5,93 milhões de dívidas, totalizando R$ 10,55 bilhões, aponta a Serasa. O cenário expõe não apenas o tamanho do problema, mas também um perfil de endividamento que ajuda a explicar por que programas de renegociação tendem a ter efeito limitado.

Durante o lançamento, Lula enfatizou o caráter emergencial da medida e fez referência direta ao peso das dívidas menores no orçamento das famílias.

“Nós estamos tentando encontrar uma fórmula de tirar a corda do pescoço dessa gente para voltar a respirar normal”, afirmou. Ao mesmo tempo, o presidente reforçou a necessidade de mudança de comportamento financeiro: “A dívida tem que ser feita de acordo com o tamanho do passo que as nossas pernas podem dar”.

PERFIL

Os dados da Serasa mostram que a inadimplência em Mato Grosso do Sul está concentrada justamente nas linhas de crédito mais caras e em despesas essenciais. Bancos e cartões de crédito respondem por 29,21% das dívidas, seguidos por serviços financeiros (19,06%) e contas básicas, como energia e água (15,09%) .

Além do volume e do tipo de dívida, o perfil dos inadimplentes reforça o caráter estrutural do problema. O levantamento indica que a maioria dos negativados em MS é composta por homens (52,2%).

A faixa etária mais atingida está entre 41 e 60 anos (35,3%), seguida de perto pelo grupo de 26 a 40 anos (33,7%), ou seja, consumidores que já estão inseridos no mercado de trabalho e, em muitos casos, concentram responsabilidades familiares e financeiras.

O recorte mostra que a inadimplência não está concentrada nos mais jovens, como muitas vezes se supõe, mas em adultos com renda comprometida e maior exposição ao crédito.

Esse dado reforça a leitura de que o endividamento está mais ligado a fatores como custo de vida, renda e acesso a crédito caro do que apenas a comportamento de consumo.

O endividamento deixou de ser apenas consumo parcelado e passou a envolver a manutenção do dia a dia. Ao mesmo tempo, a forte presença do crédito rotativo e do cheque especial, com juros elevados, contribui para o crescimento das dívidas.

O valor médio devido por consumidor no Estado chega a R$ 8.169,62, enquanto cada dívida gira em torno de R$ 1.779,36.

O Desenrola Famílias, principal eixo do programa, permitirá a renegociação de dívidas com atraso entre 90 dias e dois anos, com juros de até 1,99% ao mês, parcelamento em até 48 meses e uso de até 20% do saldo do FGTS para abatimento.

Além disso, o governo incluiu mecanismos considerados comportamentais, como o bloqueio do CPF para apostas on-line durante o período de renegociação.

A medida foi destacada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, como uma tentativa de evitar o agravamento do endividamento. “Uma pessoa que está endividada e precisa de ajuda do governo não pode jogar nas apostas on-line”, afirmou.

Fonte: Governo Federal

CONSUMO

Do ponto de vista econômico, o objetivo do Desenrola é reativar o consumo. Ao limpar o nome de milhões de brasileiros, o governo busca ampliar o acesso ao crédito e estimular a atividade econômica.

“O objetivo de programas de renegociação é permitir o consumo, que é um dos pilares do cálculo do PIB. Com a renegociação, indivíduos que não podiam consumir voltam a ser consumidores”, explica o mestre em Economia Eugênio Pavão.

Em estados como Mato Grosso do Sul, onde comércio e serviços dependem fortemente da renda das famílias, esse efeito pode ser imediato. Apesar do potencial de curto prazo, a avaliação de economistas é de que o programa não resolve as causas do endividamento.

“As causas da inadimplência no Brasil se dão por alguns fatores: renda média baixa, falta de educação financeira e juros altos em empréstimos de fácil acesso. Desta forma, os programas de renegociação são conjunturais, não atacam o problema, mas evitam um colapso financeiro maior”, afirma Pavão. Segundo ele, há risco de repetição do ciclo. “O governo ganha com o programa, mas não muda os hábitos. A maioria tende a voltar a consumir além da renda”, diz.

O economista também chama atenção para o efeito psicológico do crédito. “A facilidade para obter cartões e outros créditos cria a ilusão de renda maior, levando à inadimplência. Muitos acabam recorrendo a alternativas mais caras e retornam ao círculo vicioso”, completa.

BETS

A inclusão do bloqueio para apostas no Novo Desenrola Brasil expõe uma nova dimensão do endividamento no País. Embora ainda não apareça diretamente nas estatísticas tradicionais de inadimplência, o gasto com jogos on-line tem sido apontado como fator de desequilíbrio financeiro.

Ao impedir o acesso a bets durante o período de renegociação, o governo tenta evitar que o alívio financeiro seja desviado para esse tipo de consumo. 

A medida, no entanto, levanta questionamentos sobre sua eficácia isolada, já que não resolve outros fatores estruturais, como renda e custo do crédito.

O Novo Desenrola Brasil também amplia o alcance para empresas, produtores rurais e estudantes, com condições diferenciadas de renegociação e acesso a crédito. 

A expectativa é beneficiar milhões de brasileiros e melhorar o fluxo financeiro de pequenos negócios.

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				<category>Economia</category>
				<pubDate>Tue, 05 May 2026 08:00:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[Selo Agro Mais Integridade: por que ele importa?]]></title>
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				<description><![CDATA[Já não surpreende que o agronegócio brasileiro entregue escala, eficiência e protagonismo internacional. O que surpreende é que parte do mercado ainda sustente uma premissa ultrapassada: a de que, em nome do resultado econômico, os meios para alcançá-lo podem ser relativizados.

Em cadeias globais cada vez mais reguladas, com crescente exigência de rastreabilidade e sob o impacto de iniciativas como o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, integridade deixou de ser apenas atributo reputacional para se afirmar também como variável econômica, capaz de ampliar ou restringir mercados.

Nesse cenário, o Selo Agro Mais Integridade, instituído no âmbito do Ministério da Agricultura e Pecuária, ganha relevância como política pública de reconhecimento e indução de boas práticas. Ele valoriza empresas comprometidas não apenas com resultados, mas com padrões éticos, sociais e ambientais consistentes.

A regulamentação mais recente, prevista na Portaria Mapa n° 828/2025, reforça essa lógica ao estimular programas de integridade, enfrentar práticas desleais e reduzir riscos de fraude e corrupção nas relações entre setor privado e poder público – resposta institucional a um ambiente de maior pressão reputacional sobre o setor.

O Selo evidencia que integridade não pode ser tratada como adereço institucional. Ela ocupa espaço estratégico na governança das empresas, especialmente em um setor pressionado por transparência, sustentabilidade, conformidade regulatória e comprovação documental.

Mais do que reconhecimento, o Selo opera como mecanismo de distinção pública. Estabelece critérios objetivos de elegibilidade, afasta empresas envolvidas em irregularidades relevantes e exige evidências concretas de programas efetivos de integridade, responsabilidade social e sustentabilidade ambiental.

Na prática, isso significa comprovar estrutura, funcionamento e consistência. Programas anticorrupção, canais de denúncia, gestão de riscos, regularidade trabalhista, saúde e segurança no trabalho e compromisso ambiental deixam de ser atributos reputacionais para se consolidar como requisitos de permanência em cadeias produtivas mais exigentes.

E por que isso importa? Porque, no ambiente atual, integridade é fator de mercado. Estruturas eficazes de compliance reduzem riscos regulatórios, protegem a reputação, fortalecem a governança e ampliam o acesso a contratos, crédito e mercados mais rigorosos.

Em um agronegócio cada vez mais exposto a exigências nacionais e internacionais, reputação e integridade consolidaram-se como ativos econômicos.

Há, portanto, uma mensagem clara: o futuro do agro brasileiro não depende apenas de produtividade, tecnologia e escala. Depende também de credibilidade.

Em Mato Grosso do Sul, onde o agronegócio sustenta a dinâmica econômica, essa transformação já não é tendência. É exigência para quem deseja competir em cadeias cada vez mais seletivas.

O dado recente de que o BNDES aprovou R$ 5,7 bilhões para o agro sul-mato-grossense em três anos reforça o ponto: quanto maior o fluxo de capital, maior também a necessidade de governança, integridade e credibilidade institucional.

Em mercados seletivos, integridade não é custo. É critério de entrada e diferencial de permanência.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 05 May 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Xadrez da conveniência]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/xadrez-da-conveniencia/466044/</link>
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				<description><![CDATA[Nos bastidores de Brasília, onde o silêncio costuma ser mais eloquente que os discursos oficiais, o desgaste do Planalto sinaliza uma mudança profunda no equilíbrio de forças do País.

A rejeição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, por 42 a 34, ultrapassou o mero tropeço protocolar, sendo uma clara demonstração de força meticulosamente articulada por Davi Alcolumbre.

Para quem transita pela Comissão de Constituição e Justiça e capta as nuances fora do alcance das câmeras, o cenário ficou nítido: não se tratou de um embate ideológico entre direita e esquerda, mas de uma “guerra de conveniências”, na qual adversários históricos se aliaram em nome da sobrevivência política.

O equívoco de quem analisa a política apenas pela superfície é negligenciar o “xadrez 4D” que uniu figuras como Alexandre de Moraes, o próprio Alcolumbre e o núcleo duro do bolsonarismo contra o Advogado-Geral da União.

O grupo agiu sob um propósito compartilhado: impedir que a ascensão do indicado fortalecesse a ala de André Mendonça. Relator do sensível caso do Master, o magistrado – embora alçado ao posto por Jair Bolsonaro – tornou-se um aliado próximo e defensor de Messias, o que acendeu o sinal de alerta no chamado “Centrão do STF”. 

Simultaneamente, a oposição aproveitou o vácuo para operar sua própria barganha. O foco dos conservadores não era estritamente programático, mas voltado à redução de danos jurídicos.

Para selar o destino de Messias, Alcolumbre garantiu aos bolsonaristas a derrubada do veto presidencial ao “PL da Dosimetria”, ocorrida logo em seguida. 

Em contrapartida, o bloco capitaneado por Flávio Bolsonaro aceitou abdicar da pressão por uma CPI sobre o caso do Master – que envolve diretamente o senador amapaense – em troca de apoio à sua reeleição à presidência do Senado em 2027.

Firmou-se um pacto de não agressão: o inquérito permanece intocado e todos lucram ao impor uma derrota ao governo em pleno ano eleitoral.

Essa convergência deu forma ao que se pode chamar de “Frente Ampla do Centrão”, segmentada em três vertentes: a togada, a tradicional e a bolsonarista. Para esses setores, humilhar o Executivo era estrategicamente oportuno.

Lula, ao tentar se distanciar do desgaste de Moraes diante das urnas, acabou isolado. Alcolumbre, percebendo que a gratidão da oposição renderia frutos mais imediatos que as promessas do Planalto, decidiu puxar o gatilho. 

Naturalmente, esse emaranhado de interesses não anula os argumentos republicanos proferidos na tribuna: a oposição soube explorar as vulnerabilidades técnicas do candidato, conferindo uma roupagem ética a uma votação movida por interesses paroquiais.

O revés sofrido por Messias revela que o risco de instrumentalização do Supremo não é exclusividade de um único espectro político e que as emendas, agora nas mãos do Congresso, mudaram a dinâmica do jogo. Ler o Brasil por meio de rótulos, como “lulismo contra bolsonarismo”, é uma ingenuidade.

No topo da pirâmide política, a ambição prevalece sobre as bandeiras. Quem se limita às bolhas digitais jamais conhecerá o calor dos apertos de mão entre aqueles que se atacam publicamente.

O veredito do Senado foi o aviso definitivo: a lealdade dura apenas o tempo que a conveniência permitir.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 05 May 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Ou impõe freio ou segue enxugando gelo]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/ou-impoe-freio-ou-segue-enxugando-gelo/466042/</link>
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				<description><![CDATA[Em 2023, os gastos mensais dos brasileiros com as chamadas bets eram da ordem de R$ 4 bilhões. Em dezembro do ano passado, conforme as mesmas estimativas, os gastos haviam saltado a R$ 25 bilhões.

E, por conta desta doentia explosão, o endividamento de milhões de brasileiros simplesmente chegou a patamares insuportáveis, em torno de 80%.

Uma pesquisa indicou que 57% dos endividados que apostaram em bets não eram inadimplentes antes de começarem a jogar, indicando uma relação direta entre o início das apostas e o surgimento das dívidas.

Mesmo assim, estas bets continuam patrocinando artistas, atletas, celebridades das redes sociais e as mais variadas modalidades esportivas.

No novo programa de renegociação de dívidas (Novo Desenrola Brasil), uma das determinações é que pessoas beneficiadas pelo programa fiquem durante um ano proibidas de fazerem apostas.

Quem aposta precisa informar seu CPF e, conforme as normas do Desenrola 2.0, os dados de todos os atendidos terão de ser repassados às empresas que administram a jogatina.

É possível que a medida até tenha alguma eficácia. Mas, como este mundo da jogatina é parcialmente clandestino, boa parte das empresas tende a ignorar a determinação oficial e continuar embolsando o dinheiro destas pessoas que literalmente estão viciadas.

O Novo Desenrola Brasil, apesar de o presidente Lula ter declarado uma série de vezes que, se dependesse dele, todas as bets seriam proibidas, não prevê nada neste sentido.

O temor é de que ocorra muita reação daqueles que são bancados com estes recursos vergonhosos. Algo parecido ocorreu em décadas passadas, quando se chegou à conclusão de que era necessário enfrentar o consumo desenfreado de cigarros.

A publicidade acabou sendo extinta por completo. Logo depois vieram as restrições à publicidade de bebidas alcoólicas. Estas regras, contudo, são restritas às bebidas com teor alcoólico acima de 13%, deixando de fora as cervejas.

Ou seja, as autoridades se dobraram ao enorme potencial de faturamento publicitário que o setor representava. 

As bets têm potencial destrutivo igual ou superior ao dos cigarros e das bebidas juntos. Prova disso é a rapidez com que se espalharam e colocaram de joelhos milhões e milhões de brasileiros.

Este Desenrola, o segundo em um curto espaço de tempo, significa o mesmo que enxugar gelo se as autoridades não tiverem coragem de colocar um freio na jogatina. E não é somente isso. Outro causador do endividamento, e que é tão poderoso quanto as bets, é o cartão de crédito.

Enquanto não houver limites para os juros abusivos do sistema financeiro, fatalmente o problema do endividamento vai aumentar.

Alguém pode entender que só faz apostas ou só faz compras no cartão de crédito quem quer e que são todos adultos. Mas, se fosse tão simples assim, não precisaria haver regras nem punições para nenhum setor da sociedade, já que, em tese, são todos adultos.

A oferta desenfreada de crédito e a sedução do dinheiro fácil obtido por meio de apostas simplesmente inebriam e literalmente enganam os mais vulneráveis.

Nenhuma propaganda de banco ou de bet diz que os juros anuais chegam a 400% ou que mais de 90% dos apostadores saem no prejuízo.

Então, escondem a verdade, automaticamente enganam os mais vulneráveis e, por isso, precisam ser criadas regras mais rígidas com urgência para impor limites a estes dois setores.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 05 May 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A guerra invisível por data centers ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-guerra-invisivel-por-data-centers/465999/</link>
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				<description><![CDATA[Este artigo traz um tema de ouro, pois reúne geopolítica, tecnologia e investimento pesado. Isso porque, enquanto o mundo discute inteligência artificial (e todas as suas variáveis e aplicações), uma disputa silenciosa e extremamente estratégica acontece nos bastidores: a corrida por infraestrutura (mais especificamente, por data centers).

Em um ecossistema global, é interessante notar que a América Latina, que por muito tempo foi vista como mercado consumidor de tecnologia, começa a se consolidar como território-chave nessa nova geopolítica digital.

E isso não é por acaso. Países como Brasil, Chile e México passaram a atrair investimentos massivos por três fatores principais.

O primeiro é por demanda digital crescente: a região vive uma aceleração no consumo de serviços digitais – de streaming a fintechs, passando por e-commerce e IA.

O segundo é relativo à localização estratégica: proximidade de grandes mercados e necessidade de atender a regulações de soberania de dados.

E o terceiro é a energia (ainda) competitiva: especialmente em países com forte matriz renovável, como o Brasil, o que é crítico para operações intensivas em consumo energético.

Durante anos, a narrativa foi de que “dados são o novo petróleo”. Mas essa visão está incompleta. Na prática, o ativo mais estratégico hoje é a capacidade de armazenar, processar e, principalmente, proteger esses dados em larga escala.

É aí que entram os data centers. Com o avanço de IA, computação em nuvem e serviços digitais, a demanda por infraestrutura explodiu.

E aqui reforço que não basta mais ter data centers, é preciso tê-los próximos aos usuários, com baixa latência e dentro de regulações locais.

A região da América Latina tem se destacado tanto que players gigantes como Amazon Web Services, Microsoft e Google já estão expandindo agressivamente suas operações por aqui.

Além disso, há também a atuação exponencial de operadores locais, fundos de infraestrutura e até governos entrando nesse jogo e disputando terrenos estratégicos, acesso à energia, incentivos fiscais e conectividade.

Como em tudo na vida, nem todas as notícias são boas. Se, por um lado, a demanda cresce exponencialmente, por outro, surgem limitações reais, como, por exemplo, a quantidade de energia que os data centers consomem.

Nesse sentido, a América Latina é atrativa justamente por sua energia, mas pode não conseguir expandir na mesma velocidade da demanda.

Além disso, na região existem gargalos de impacto, como licenciamento ambiental, infraestrutura de transmissão e disponibilidade de terrenos adequados.

O que estamos vendo, portanto, não é apenas expansão de infraestrutura, é a construção de um novo mapa de poder. Isso porque quem controla data centers controla o fluxo de dados, a capacidade de processamento e, cada vez mais, a própria inovação.

Ou seja, vale concluir que a corrida agora não é apenas por IA, trata-se de uma mistura de tecnologia, política e economia.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 04 May 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Adaptação da geração Z ao mercado de trabalho]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/adaptacao-da-geracao-z-ao-mercado-de-trabalho/465998/</link>
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				<description><![CDATA[A entrada da geração Z no mercado de trabalho tem sido acompanhada por diferentes interpretações sobre seu comportamento. Termos como ansiedade, imediatismo e dificuldade de retenção aparecem com frequência, mas uma análise mais cuidadosa sugere que essas características dizem menos sobre a geração em si e mais sobre o contexto em que ela foi formada.

Trata-se de jovens que cresceram em um ambiente marcado por instabilidade econômica, hiperconectividade e exposição constante a pressões sociais.

Também é a primeira geração a tratar saúde mental com mais abertura. Nesse contexto, o que muitas vezes é interpretado como dificuldade pode refletir uma busca mais ativa por clareza, segurança e sentido no trabalho.

Há também uma menor disposição para aceitar ambientes considerados incoerentes ou pouco saudáveis, o que convida as organizações a revisitar práticas que, por muito tempo, foram naturalizadas.

Outro ponto que chama atenção é a forma como essa geração se relaciona com o trabalho. A estabilidade financeira aparece como uma das principais prioridades, ao mesmo tempo em que cresce o interesse por autonomia e trajetórias mais flexíveis. A percepção sobre o mercado de trabalho reforça esse desafio.

A maioria dos jovens ainda o enxerga como competitivo e pouco favorável, com destaque para barreiras como a exigência de experiência prévia e o acesso limitado a networking. Esse desalinhamento evidencia a necessidade de revisar modelos tradicionais de entrada e desenvolvimento profissional.

Para as empresas, o caminho passa por evolução. Processos mais transparentes, trilhas estruturadas de desenvolvimento e iniciativas de mentoria se tornam cada vez mais relevantes para atrair e engajar esses talentos. Ambientes que priorizam o aprendizado contínuo tendem a ser mais aderentes às expectativas dessa geração.

A saúde mental também ocupa um papel central nessa agenda. Embora a maioria dos jovens reconheça sua importância, menos da metade avalia sua própria saúde emocional de forma positiva, evidenciando um descompasso que impacta diretamente a relação com o trabalho. Esse cenário já vem impulsionando mudanças nas práticas de gestão.

Modelos de trabalho mais flexíveis, políticas voltadas ao bem-estar e o desenvolvimento de lideranças mais preparadas para lidar com aspectos humanos do trabalho têm ganhado espaço. 

Mais do que políticas isoladas, esse movimento se apoia em práticas como liderança acessível, espaços reais de diálogo e uma preocupação genuína com a experiência das pessoas no trabalho.

Quando aplicadas de forma contínua, essas iniciativas contribuem para um ambiente mais saudável e engajador, no qual o bem-estar deixa de ser apenas um diferencial e passa a ser um critério relevante na atração e na permanência de talentos, especialmente entre as novas gerações.

Ainda assim, há desafios importantes. Muitas lideranças foram formadas em contextos distintos e seguem em processo de adaptação a novas expectativas em relação ao trabalho.

Estruturas rígidas e culturas que normalizam a sobrecarga ainda estão presentes em parte do mercado, o que reforça a necessidade de desenvolvimento contínuo.

Por fim, a valorização da autenticidade se destaca como um ponto de atenção. Jovens profissionais tendem a perceber rapidamente desalinhamentos entre discurso e prática.

Nesse cenário, a construção de confiança passa por comunicação transparente, coerência nas decisões e abertura ao diálogo.

É importante destacar que muitas das demandas frequentemente associadas à geração Z não são exclusivas desse grupo. Elas refletem expectativas que atravessam diferentes gerações, mas que hoje se tornam mais explícitas.

Ao trazer esses temas para o centro da discussão, a geração Z contribui para uma evolução mais ampla do mercado de trabalho.

Para as empresas, o desafio não está apenas em se adaptar, mas em aproveitar esse movimento como uma oportunidade de fortalecer culturas organizacionais mais coerentes, humanas e sustentáveis.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 04 May 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O mito das concessões]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-mito-das-concessoes/465997/</link>
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				<description><![CDATA[Faz 11 anos que a empresa Rumo é responsável pela ferrovia entre Três Lagoas e Corumbá, que passa por Campo Grande. Mas, muito antes disso, há 22 anos, os trens deixaram de circular pela região central da Capital, uma vez que havia sido construído um contorno ferroviário depois da repercussão de um acidente no dia 29 de março de 1996, no qual morreram sete pessoas.

As mortes ocorreram depois que um comboio com 11 vagões com soja se desprendeu na estação Manoel Brandão (ao lado do local onde agora está sendo implantado um condomínio de luxo da Corpal) e silenciosamente percorreu 8 quilômetros até tombar na altura da Avenida Afonso Pena.

No cruzamento com a Avenida Costa e Silva, os vagões atingiram um ônibus da linha Roselândia e seis mulheres morreram. Mais adiante, no cruzamento com a Avenida das Bandeiras, a colisão com outro veículo fez a sétima vítima.

Oito anos depois da tragédia estava concluído o contorno e os trens foram retirados da área urbana. Até a estação Manoel Brandão, porém, os trilhos continuaram ativos por algum tempo, uma vez que no local existe um amplo “estacionamento” de trens e estrutura para carregamento de vagões graneleiros.

No entanto, faz bem mais de uma década que este pequeno ramal também está inativo. Em boa parte do trecho, os trilhos foram retirados e os únicos vestígios de que ali havia uma ferrovia são o aterro e os restos de apodrecidos dormentes.

Somente em fevereiro deste ano a concessionária responsável pela ferrovia disse ter percebido o sumiço. Foi à polícia para pedir que o caso seja investigado. Disse ter obtido informações de que a retirada ocorreu em setembro do ano passado.

Além disso, entrou na Justiça exigindo a devolução da área que supostamente foi tomada, dando a entender que estava cuidando da ferrovia.

No entanto, uma simples passada pelas imediações evidencia que a maior parte daqueles trilhos sumiu faz anos. Mas a Rumo, responsável pelo cuidado deste patrimônio público, descobriu o furto somente agora, coincidentemente depois de ter sido acionada pelo Ministério Público Federal.

A confissão da Rumo de que não sabia do sumiço dos trilhos nem mesmo chega a ser surpresa, uma vez que ela trata com o mesmo desdém o restante dos cerca de 700 km que separam Três Lagoas e Corumbá.

Depois que o gigante da logística assumiu a concessão, a ferrovia literalmente morreu. O contrato acaba em julho deste ano, e a empresa ainda entende que tem direito a indenização. 

Esta vergonhosa situação é uma espécie de resumo de boa parcela das concessões públicas. Os mais de 10 anos sem benfeitorias na BR-163 e a devolução da ponte sucateada sobre o Rio Paraguai, na BR-262, são outros exemplos clássicos de que boa parte das privatizações não passa de caça-níqueis e de que os supostos investimentos da iniciativa privada são mera promessa.

Mesmo assim, a solução para infindáveis problemas, conforme parcela da classe política, é a terceirização.

A Rumo, por exemplo, faz parte de um dos maiores grupos econômicos do País (Cosan) e, mesmo assim, não aportou um centavo para manter viva a ferrovia.

E isso mesmo diante das perspectivas de explosão na extração de minérios em Corumbá e na produção de celulose na outra extremidade do Estado.

Somente estes dois setores têm potencial para viabilizar economicamente a ferrovia. Mesmo vendo isso, a Rumo preferiu abandonar tudo porque naquele momento a demanda estava baixa.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 04 May 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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					<item>
				<title><![CDATA[Quando o autismo só é descoberto na vida adulta]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/quando-o-autismo-so-e-descoberto-na-vida-adulta/465932/</link>
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				<description><![CDATA[Uma das primeiras coisas que precisei desconstruir, e que vejo muitas pessoas ainda confundirem, é a ideia de que o autismo é algo restrito à infância, quando não é. O autismo não é uma doença, portanto não tem cura. Ele é uma forma de funcionamento.

Um conjunto de características que molda a forma como percebemos, processamos e reagimos ao mundo.

Crianças autistas crescem. E se tornam adultos autistas. Parece óbvio quando dito dessa forma, mas essa compreensão ainda não está totalmente incorporada na sociedade, e isso tem consequências diretas no diagnóstico e no acolhimento.

Durante boa parte da minha vida, eu desenvolvi estratégias para me encaixar. Hoje sei que isso tem um nome: masking. Basicamente, eu aprendi a observar comportamentos, treinar respostas, ajustar reações.

Era uma forma de navegar socialmente sem levantar suspeitas: nem minhas, nem dos outros. E embora funcione muito bem, tem um custo alto.

Você passa a viver em um estado constante de adaptação. E, com o tempo, isso cobra seu preço, geralmente na forma de exaustão, ansiedade ou colapsos mais intensos. No meu caso, esse limite chegou de forma física. Antes do diagnóstico, comecei a ter episódios de esgotamento extremo.

Em um desses episódios, eu simplesmente apaguei. Desmaiei e só acordei horas depois. Foi um ponto de ruptura. Um sinal claro de que algo precisava ser investigado.

Hoje entendo esses momentos como estados de shutdown, que podem acontecer quando há uma sobrecarga sensorial ou emocional.

Porque essa é outra característica importante do autismo: a hipersensibilidade. Luz, barulho, cheiros, estímulos visuais… tudo pode ser mais intenso. O que para muitos é tolerável, para nós pode ser exaustivo. Se não há gestão disso, o sistema entra em colapso.

Receber o diagnóstico na vida adulta é, ao mesmo tempo, desafiador e libertador. Desafiador, porque exige revisitar a própria trajetória. Libertador, porque traz clareza. Depois do diagnóstico, comecei a reorganizar minha rotina. Não porque eu tenha mudado, mas porque passei a me respeitar mais.

Hoje faço pausas ao longo do dia, reduzo estímulos sempre que possível, e busco ambientes mais tranquilos. É uma lógica simples: se eu não consigo mudar o mundo, eu adapto o meu dia a dia para que ele seja menos agressivo.

No meu caso, o diagnóstico também trouxe à tona outras condições que coexistem comigo: TDAH, hipomania e doenças autoimunes, como a doença de Crohn e o vitiligo. Muitas vezes, o desgaste não vem de um único fator, mas da combinação deles. E entender esse conjunto é fundamental para qualquer estratégia de cuidado.

Ainda sabemos pouco sobre o autismo na vida adulta. A maior parte das pesquisas é voltada para crianças, o que dificulta o diagnóstico em pessoas mais velhas. Muitos passam décadas sem entender o que vivem, como aconteceu comigo. Ao mesmo tempo, a percepção social ainda é limitada.

O autismo costuma ser associado a estereótipos, muitas vezes, baseados em personagens de filmes, mas o espectro é amplo. Cada pessoa tem suas características, suas dificuldades e suas formas de lidar com o mundo.

Se existe algo que eu gostaria que mais pessoas soubessem é isso: o diagnóstico não é um rótulo limitador, mas uma ferramenta de compreensão. Quando você entende o que está acontecendo, muda a forma como você se enxerga. Muda a forma como você organiza sua vida. Muda, inclusive, o nível de autocobrança.

Para mim, o diagnóstico não foi um ponto final. Foi um ponto de partida. E, talvez, o mais importante: um convite para olhar para mim mesmo com mais clareza e menos julgamento.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 02 May 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Desafio da educação não é gerar dados, é governá-los]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/desafio-da-educacao-nao-e-gerar-dados-e-governa-los/465928/</link>
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				<description><![CDATA[A educação pública ocupa um papel central no desenvolvimento social e econômico do País. Nos últimos anos, o setor educacional brasileiro avançou de forma consistente na produção e disponibilização de dados, constituindo um patrimônio informacional cada vez mais relevante para o planejamento, a execução e a avaliação de políticas públicas.

Bases como o Censo Escolar, as avaliações do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), as estatísticas e os indicadores produzidos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), além dos sistemas estaduais e municipais de gestão educacional, reúnem informações sobre matrículas, fluxo escolar, desempenho acadêmico, infraestrutura das escolas e perfil dos docentes.

Quando analisados em conjunto com dados socioeconômicos e territoriais, esses registros ampliam significativamente a capacidade de compreensão da realidade educacional brasileira.

Esse cenário cria uma oportunidade concreta de utilizar dados de forma mais estruturada para qualificar as decisões públicas em educação. Para que isso ocorra de maneira sustentável, porém, não basta ter acesso à informação.

O recomendado é estabelecer critérios claros, responsabilidades bem definidas e alinhamento institucional sobre como os dados devem ser produzidos, utilizados e protegidos.

Neste ponto, a Governança de Dados se consolida como um elemento estratégico, especialmente em um setor no qual os dados são produzidos de forma contínua e possuem ampla cobertura nacional, refletindo a complexidade do sistema educacional brasileiro.

O desafio, então, está menos na geração de novos dados e mais na harmonização conceitual dos indicadores, na integração entre sistemas e no uso coordenado das informações em um ambiente federativo que envolve União, estados e municípios.

Indicadores educacionais com nomenclaturas semelhantes podem assumir definições distintas conforme a base de origem ou a finalidade do sistema.

Na educação pública, a Governança de Dados contribui para a definição clara de responsabilidades sobre dados estratégicos, a padronização conceitual de indicadores educacionais, a melhoria contínua da qualidade da informação e o uso ético e responsável dos dados, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Ao criar esse alinhamento, a Governança potencializa o valor dos sistemas e bases já existentes, sem exigir rupturas estruturais ou investimentos desproporcionais.

Diversas iniciativas educacionais demonstram, na prática, como o uso sistemático de indicadores e o acompanhamento estruturado de resultados contribuem para decisões mais qualificadas.

Ao incentivar o uso contínuo desses dados na tomada de decisão, o programa reforça práticas orientadas por evidências, ainda que não se configure formalmente como um programa de Governança de Dados. No quesito equidade, o uso estruturado de dados amplia a capacidade do Estado de identificar desigualdades regionais, sociais e territoriais, apoiando políticas educacionais mais equitativas.

Ao mesmo tempo, a Governança de Dados estabelece salvaguardas éticas essenciais, protegendo estudantes, famílias e profissionais da educação contra usos indevidos da informação e criando bases para a adoção responsável de análises avançadas e soluções de inteligência artificial.

A educação pública brasileira já dispõe de um conjunto valioso de dados. O desafio está em organizar, integrar e utilizar essas informações de maneira estratégica e contínua, fortalecendo a capacidade do Estado de tomar decisões mais justas, eficazes e transparentes.

Para isso, a Governança de Dados deve ser compreendida como um instrumento permanente de aprimoramento da gestão educacional, criando bases sólidas para políticas públicas orientadas por evidências e alinhadas às necessidades da sociedade.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 02 May 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Mérito existe, mas precisar ser dividido ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/merito-existe-mas-precisar-ser-dividido/465925/</link>
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				<description><![CDATA[Em fenômeno que é relativamente recente, cerca de duas décadas, produtores rurais do País inteiro e o setor do agro como um todo batem orgulhosamente no peito para destacarem sua importância e relevância na economia brasileira.

Fazem-no, na grande maioria das vezes, com explícita convicção de que todo o sucesso é fruto única e exclusivamente do próprio esforço e da própria competência. Sentem-se e dizem-se heróis nacionais e ainda reclamam que literalmente carregam o País nas costas.

Os números oficiais confirmam que o endeusado agro tem total razão em sentir orgulho de seus feitos.

No primeiro trimestre deste ano, o agronegócio brasileiro bateu recorde em termos de exportações, de acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária, totalizando US$ 38 bilhões em exportações e com um superávit de US$ 33 bilhões. As exportações do setor corresponderam a 48,8% das exportações brasileiras no período.

Os principais produtos exportados foram soja, carnes, celulose, café, açúcar e cereais. Praticamente todos com forte presença na economia de Mato Grosso do Sul. 

Mas, o que precisa ficar claro é que o setor tem sido tratado, literalmente, a pão de ló. Se um consumidor comum for em qualquer loja do setor para comprar um saco de abudo para fertilizar um gramado, por exemplo, paga praticamente o dobro do que aquele que pede para emitir a nota na inscrição de produtor rural.

A explicação para esta diferença abismal de preço está nos subsídios, os quais muitos produtores insistem em não reconhecer ou fazem questão de negar que existam.

Além disso, ignoram os esforços que determinados governantes fizeram e seguem fazendo para conquistar novos parceiros comerciais.

Nos últimos meses, por exemplo, o Estado conquistou mais nove países e nesta sexta-feira entrou em vigor o acordo comercial entre o Mercosul e a União Européia. Muitos, inclusive, fazem escândalo por conta do custo de certas viagens internacionais oficiais.

Porém, não fossem algumas, ou muitas destas viagens, possivelmente a China não seria hoje o comprador de praticamente 50% de tudo aquilo que Mato Grosso do Sul exporta.

Se a China rompesse com o Brasil, assim como chegam a defender determinados políticos com forte influência no agro, a economia local literalmente iria à falência.

A celulose, a soja e boa parcela das carnes não teriam mais comprador. As indústrias seriam obrigadas a fechar as portas, os preços despencariam e por mais competente e esforçado que seja o produtor rural, ele iria à falência.

É inquestionável que o sucesso do agro foi fundamental para colocar o Brasil em outro patamar. Mas, isso ocorre somente porque alguém está abrindo portas dia após dia, mesmo que alguns trabalhem para fechá-las, como foi o caso do tarifaço imposto no ano passado pelo presidente dos Estados Unidos.

Soberba e arrogância, explicitada pelo fato de o setor não aceitar que é resultado de toda uma engrenagem mundial, é, normalmente, o primeiro passo para a derrocada.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 02 May 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Honra não tem preço, tem valor]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/honra-nao-tem-preco-tem-valor/465929/</link>
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				<description><![CDATA[Ministros do Supremo Tribunal Federal têm se considerado atingidos em sua honra por críticas de fulano, beltrano, sicrano e, inclusive, de candidatos à Presidência. Pessoalmente, tenho uma opinião a respeito da indenização por danos morais.

Certa vez, participava de um congresso no Rio de Janeiro com o ministro Moreira Alves, e nós dois tínhamos como tema da palestra a “quantificação de indenização por danos morais”.

Naquela oportunidade, o ministro Moreira Alves, grande civilista, defendia que nós temos que quantificar a honra e que se trata de um pretium doloris – um preço da dor. Desde aquela época, entretanto, defendi a tese de que a minha honra não tem preço.

Nunca vou entrar com uma ação judicial contra alguém que pretenda me ofender. Conhecendo quem sou e sabendo que, às vezes, trata-se de uma mera agressão, nunca respondo, pois a melhor forma de responder é não dando atenção.

Ao contrário do ministro Moreira Alves, que defendeu a necessidade de haver um pretium doloris, dizia e digo o seguinte: a honra não tem preço; ela não está no mercado, valendo “tanto” ou “tanto”. Eu defendia e continuo defendendo que a honra verdadeira não tem preço.

Mas o que vemos hoje tem, sobretudo, um viés político, pois quando se procura atingir um candidato à Presidência da República, um deputado, um senador ou um ministro da Suprema Corte, a pessoa reage, demonstrando que realmente foi afetada pela manifestação de quem está dizendo.

Além disso, a judicialização das críticas – especialmente por parte de quem detém o poder – acaba por criar um efeito inibidor na liberdade de expressão.

Quando figuras públicas reagem a qualquer contestação com processos, não protegem apenas sua honra; inadvertidamente, sinalizam que o debate democrático é perigoso e deve ser contido.

Isso transforma o Poder Judiciário em uma arena de vaidades, onde questões que deveriam ser resolvidas no campo do debate público ou da indiferença soberana passam a ocupar uma pauta que deveria ser reservada a temas de real interesse coletivo.

É preciso distinguir, portanto, a crítica ácida ou o insulto gratuito da calúnia ou difamação propriamente ditas, que têm contornos legais definidos. A honra, em sua acepção subjetiva – o sentimento que temos de nós mesmos –, não pode ser tutelada pelo Estado.

Quando um magistrado ou um político utiliza a máquina judicial para punir ofensas menores, ele transfere a outros a responsabilidade por sua própria estabilidade emocional, o que, ironicamente, diminui a estatura moral do cargo que ocupa.

Reafirmo: quem tem, verdadeiramente, honra pouco se importa com a opinião alheia. A pessoa mais importante – que é Cristo, para mim o próprio Deus – não deu atenção aos ataques que sofreu e perdoou a todos quando estava na cruz.

Ora, nós, que somos um ponto temporário no Universo, dizer “fui atacado na minha honra e ela tem um preço” é, no mínimo, curioso.

Quem ataca, sim, demonstra que não tem honra. E quem reage está dando um preço à sua honra e, ao mesmo tempo, desvalorizando-a. Por esta razão, pessoalmente, nunca respondo, nem dou atenção.

Acredito, pois, que a melhor forma de mostrar que aquela agressão não vale nada é desconsiderá-la; é não dar importância, considerá-la sem relevo. Sendo assim, ao contrário do meu queridíssimo e saudoso amigo Moreira Alves, eu sempre dizia e digo: a minha honra não tem preço.

O silêncio diante da injúria não é sinal de fraqueza, mas de superioridade.

Quem ocupa postos de mando deve compreender que a autoridade não emana da capacidade de silenciar críticos por meio de sentenças, mas da solidez de um caráter que entende que a verdadeira honra, por ser inalienável, jamais deveria ser objeto de compensação pecuniária.

Quem dá preço à sua honra é porque, realmente, a ela não dá muito valor.
]]></description>
				
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 01 May 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Trabalhar para viver - não viver para trabalhar]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/trabalhar-para-viver-nao-viver-para-trabalhar/465927/</link>
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				<description><![CDATA[Quando debatemos o fim da escala 6×1 no Brasil, estamos, no fundo, discutindo o tempo: o tempo dedicado ao trabalho, ao descanso e, sobretudo, à vida. Trata-se de uma escolha sobre o tipo de país que queremos construir – um país que valoriza o trabalho digno ou que mantém um modelo ultrapassado, herdado do século passado, que já não se sustenta.

A escala 6×1 surgiu em um contexto de baixa tecnologia aplicada ao mundo do trabalho, em que a produtividade dependia da presença contínua do trabalhador e da trabalhadora.

Hoje, essa lógica não se aplica. O resultado é outro: exaustão e adoecimento. É um sistema que drena energia, patrocina a perda de tempo de convivência familiar, reduz a qualidade de vida e limita o potencial produtivo.

Os dados são claros. Análise do eSocial em dezembro de 2025, com base em 50,3 milhões de vínculos, mostra que, embora 74% dos trabalhadores formais tenham contratos de 44 horas semanais, 66,8% já operam no regime 5x2, enquanto 33,2% ainda estão presos à escala 6×1.

Ou seja, não se trata de necessidade econômica – é uma escolha cultural. E mais: essa incidência praticamente não varia entre médias e grandes empresas, o que reforça que não é o tamanho do negócio que determina essa prática.

Manter a 6×1 gera custos ocultos. Jornadas longas aumentam o estresse, reduzem o sono e elevam riscos de acidentes. Trabalhadores mais cansados faltam mais, produzem menos e têm maior dificuldade de aprendizado.

A rotatividade cresce, elevando custos com demissões, contratações e treinamento. Descansar não é o oposto de produzir – é condição para produzir melhor, com mais qualidade e mais eficiência.

A transição é possível e responsável. O impacto direto estimado é de 4,7% na massa salarial, valor plenamente absorvível pela economia brasileira.

O risco de aumento expressivo de horas extras é limitado: mais da metade dos trabalhadores não recebe horas extras e, entre os que recebem, a média é de apenas três horas semanais.

E os ganhos são concretos: estudo da Fundação Getúlio Vargas, também de 2025, com 19 empresas mostra que 72% aumentaram a receita e 44% melhoraram o cumprimento de prazos após reduzir a jornada.

O mundo já avançou. A Islândia registrou crescimento econômico com redução da jornada. No Japão, a Microsoft teve aumento de 40% na produtividade com semana de quatro dias. Na América Latina, Chile e Equador lideram esse movimento, demonstrando que é possível conciliar competitividade com qualidade de vida.

O presidente Lula já enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei com urgência constitucional para enfrentar essa questão. A proposta representa um passo decisivo para retirar a escala 6×1 como padrão e valorizar o descanso, fortalecendo a negociação coletiva e modernizando as relações de trabalho no Brasil.

Estamos falando de um projeto de país. Um Brasil que cresce com pessoas inteiras, não exauridas. Um país que entende que tempo livre também movimenta a economia, fortalece vínculos sociais e melhora a vida em comunidade.

O tempo de viver é agora. Trabalhar não pode significar abrir mão da vida. Os parlamentares aprovarem essa proposta representa dar um passo necessário rumo a um país mais justo, mais produtivo e mais humano.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 01 May 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[A beleza da democracia]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-beleza-da-democracia/465924/</link>
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				<description><![CDATA[Na manhã de ontem, um dia depois da derrota histórica imposta ao presidente Lula durante votação no Senado que rejeitou o nome indicado por ele para uma vaga ao Supremo Tribunal Federal, dois dos 42 senadores que votaram contra Jorge Messias participaram, em Campo Grande, do anúncio de um pacote de obras estimado em R$ 350 milhões para pavimentações em dezenas de bairros da cidade.

Do evento participaram também deputados federais, o governador, a prefeita e representantes da Câmara Municipal. Mesmo sem explicitarem, todos, sem exceção, comemoravam a derrota sofrida pelo presidente, já que deixaram claro que a meta eleitoral deste ano é derrotar o atual mandatário nacional.

A derrota histórica no Senado é um indicativo importante de que ele está enfraquecido e de que existe, segundo a avaliação destes, a possibilidade real de derrotá-lo em uma votação feita nas tão questionadas urnas eletrônicas.

O pacote de obras de pavimentação será composto por cerca de R$ 100 milhões provenientes das emendas de deputados federais e senadores. Ou seja, é dinheiro do governo federal.

Outros R$ 143 milhões, que no evento foram apresentados como sendo recursos da prefeitura, serão, na realidade, do programa Avançar Cidades, também bancado com recursos federais (FGTS).

Os outros R$ 100 milhões serão repassados pelo governo do Estado, que somente está com alguma capacidade de investimentos porque buscou empréstimos da ordem de R$ 4,3 bilhões com o governo federal ou conseguiu o aval deste para ter o crédito internacional.

Além disso, teve parlamentar anunciando mais R$ 45 milhões para serviços de recapeamento. O dinheiro também terá origem federal.

O fato de serem recursos federais não significa, de forma alguma, que o dinheiro pertença ao presidente ou a determinado ministro. Eles não fazem mais que sua obrigação ao liberarem o dinheiro proveniente dos impostos pagos pelos contribuintes.

Porém, não são raros os casos em que políticos priorizam seus aliados na hora de liberarem os recursos. E isso mesmo em regimes democráticos.

E é exatamente essa uma das mais importantes características da democracia. É permitido ser adversário, e dos mais ferrenhos, e mesmo assim manter o direito de ser tratado da mesma forma como são tratados aqueles que fazem questão de manifestar seu apoio aos detentores do poder do momento.

A quantidade de recursos federais liberados tanto para Campo Grande quanto para o governo do Estado evidencia que a democracia está funcionando normalmente, embora parcela dos políticos e dos eleitores faça questão de deixar transparecer que o País vive sob a ditadura da toga.

E sob este argumento é que a derrota do presidente ocorreu e foi aplaudida no caso da vaga ao STF.

Porém, a partir do momento em que só é aceito o resultado das urnas que me é favorável ou a partir do momento em que determinado candidato diz com todas as letras que a eleição só será limpa e justa se ele for o vencedor, esta democracia que permite a rivalidade fatalmente estará com os dias contados.

Alguém que não aceita derrota, efetivamente, não pode ser considerado democrata. Mas, se mesmo assim ele é o predileto, seus seguidores tendem a ter índole parecida.
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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 01 May 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Hospital Nosso Lar na história de Campo Grande]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/hospital-nosso-lar-na-historia-de-campo-grande/465829/</link>
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				<description><![CDATA[No dia 27 de janeiro de 1966, foi inaugurado em Campo Grande, hoje Mato Grosso do Sul, o Sanatório Mato Grosso, especializado no tratamento de pessoas com sofrimento mental grave.

Alguns anos depois, a instituição teve sua denominação alteração para Hospital Nosso Lar, que continua sendo referência na prestação de serviços psiquiátricos para toda a região.

A construção do prédio e a instalação dos equipamentos levaram duas décadas de campanhas realizadas sob a perseverante liderança de Maria Edwiges de Albuquerque Borges, com apoio da comunidade espírita e da população campo-grandense. 

Após fixar residência em Campo Grande, em 1942, Maria Edwiges e seu esposo, Gumercindo Borges, oficial do Exército Brasileiro, empenharam-se para retomar a ideia de construir um hospital psiquiátrico.

Desde a fundação do Centro Espírita Discípulos de Jesus, ocorrida em 1934, havia a intenção de construir um sanatório, conforme consta na imprensa local.

Maria Edwiges dirigiu a instituição por mais de três décadas, até 1997, quando transferiu o cargo para o senhor Jerônimo Gonçalves da Fonseca.

Conforme ficou na memória local, dona Edwiges, como era mais conhecida, atuou em outras instituições sociais, incluindo creches, escolas e de assistência às pessoas com hanseníase, que eram atendidas no Hospital São Julião.

Além das contribuições da população campo-grandense, a finalização da obra contou com o imprescindível apoio do ex-ministro da Saúde Wilson Fadul, que chegou à cidade de Campo Grande como médico da Aeronáutica.

Após tornar-se conhecido na cidade, começou carreira política como vereador, prefeito, deputado federal e, depois, foi nomeado titular da pasta do Ministério da Saúde, do governo de João Goulart, no fim de 1963, em momento de turbulência política nacional.

No exercício da Pasta, Fadul providenciou condições para que 15 jovens indicados por Maria Edwiges recebessem treinamento especial em enfermagem psiquiátrica no Rio de Janeiro, o que era uma das exigências para a inauguração do hospital. 

Esse treinamento foi interrompido em razão do movimento de 1964. Mas, após os jovens retornarem à cidade, o treinamento teve continuidade em um outro hospital do interior de São Paulo.

Quando foi prefeito, Wilson Fadul sempre contribuiu com as campanhas promovidas pela comunidade espírita local. Em visita à cidade como ministro, foi conhecer as obras de construção do sanatório, acompanhado do diretor do Serviço Nacional de Saúde Mental.

Como resultado dessa visita, anunciou que o Ministério da Saúde providenciaria, como de fato ocorreu, o envio de camas, mesas, cozinha, gabinete dentário, entre outros equipamentos, para viabilizar a inauguração da instituição.

Falecida em 5 de julho de 2000, Maria Edwiges recebeu homenagem póstuma no Senado, proposta pelos senadores Ramez Tebet e Lúdio Coelho. Teve sua trajetória de vida registrada no livro do médico Alex Leite de Melo, intitulado “A Missionária do Amor”, assim como em obituário publicado na revista Reformador, de autoria de Jerônimo Gonçalves Fonseca.

Por todos esses e muitos outros motivos, nossas reverências históricas à benemérita senhora que liderou a construção do Sanatório Mato Grosso. 

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Amor caro aos pets em um país endividado]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/amor-caro-aos-pets-em-um-pais-endividado/465828/</link>
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				<description><![CDATA[O Brasil está mais cheio de animais de estimação do que nunca. Eles estão nas salas, nos quartos, nos apartamentos apertados e nas casas improvisadas.

Chegam por adoção, por impulso, por presente, por solidão. Tornam-se companhia, refúgio emocional, alívio silencioso para uma população cada vez mais pressionada.

E não é pouca coisa. O País já soma cerca de 160 milhões de pets e ocupa uma das primeiras posições no mundo nesse mercado.

Mais do que números, há uma mudança de comportamento. O animal deixou de ser apenas um animal. Virou membro da família. Em muitos casos, virou o único vínculo afetivo estável.

Até aqui, tudo parece humano. Sensível. Necessário. O problema começa quando o afeto encontra a realidade econômica.

O mesmo Brasil que abraça seus pets é o Brasil onde mais da metade da população está endividada. Um país onde milhões vivem com o salário mínimo, tentando equilibrar contas básicas.

Um país onde a renda não cobre o essencial, mas, ainda assim, precisa cobrir ração, vacina, remédio, banho, consulta. E cobre. Ou tenta.

Os dados mostram que 80% dos tutores afirmam gastar o que for necessário para manter o pet seguro e saudável . Essa frase, que poderia soar como cuidado, também revela outra coisa. Um sacrifício silencioso. Uma escolha difícil. Um tipo de prioridade que não nasce do conforto, mas da carência.

Não se trata de luxo. Trata-se de necessidade emocional. Em um cenário de insegurança, solidão e pressão psicológica, o animal vira apoio. Vira companhia onde falta gente. Vira presença onde falta estabilidade. Vira afeto onde o sistema não entrega dignidade.

Mas há um custo. E esse custo cresce. Alimentação, saúde, higiene, adaptação da casa. O mercado pet se expande porque existe demanda real.

Uma demanda movida por sentimento, não por sobra financeira. O brasileiro não está gastando porque pode, está gastando porque precisa sentir que não está sozinho.

E é aqui que o retrato se torna mais duro. Um país endividado, com renda comprimida, sustentando um dos maiores mercados pet do mundo.

Uma população que mal consegue manter a própria estabilidade financeira assumindo responsabilidades afetivas que também são econômicas. Não por irresponsabilidade, mas por sobrevivência emocional.

É uma manobra inédita. Nunca se viu, em escala tão grande, tanta gente vivendo no limite e, ao mesmo tempo, sustentando outra vida. Alimentando, cuidando, protegendo. Não por sobra, mas por necessidade de sentido.

O problema não está no afeto. Está na ausência de estrutura. Enquanto o Estado não resolve o básico e o mercado não distribui renda de forma justa, as pessoas criam suas próprias formas de equilíbrio. E muitas vezes esse equilíbrio vem com quatro patas, olhar fiel e silêncio compreensivo.

Só que o amor não paga boletos. E quando a conta aperta, quem sofre não é apenas o tutor. É o animal também. Crescem os abandonos, cresce a informalidade no cuidado, cresce a precarização até no afeto.

O Brasil está mais sensível, mas continua desigual. O aumento dos pets nos lares não é apenas tendência de consumo. É sintoma. Sintoma de um país que oferece pouco suporte humano e vê as pessoas buscarem abrigo onde conseguem.

No fim, a pergunta que fica não é sobre quantos animais cabem nas casas brasileiras. É sobre quantas pessoas estão sobrevivendo no limite e transformando o afeto em resistência diária.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Doação que virou caso de polícia]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/doacao-que-virou-caso-de-policia/465827/</link>
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				<description><![CDATA[A prática de aprovar no afogadilho uma infinidade de projetos no fim do ano faz parte da tradição do Legislativo, seja ele municipal, estadual ou federal. É tradicional, também, a inclusão dos chamados “jabutis” em meio a esses projetos.

Pelo menos é esta a justificativa dos legisladores depois que descobrem que aprovaram algo estranho ou que provoca algum tipo de repercussão. Isso porque é mais cômodo dizer que foram enganados do que admitir que segundas intenções estavam em jogo. 

Esta vergonhosa tradição não pode ser jogada somente no colo dos legisladores. Os chefes do Executivo têm parte desta culpa. Mas, levando em consideração que são todos farinha do mesmo saco e que em determinado momento um deles têm mais poder que os demais, o fato é que esta tradição revela que a classe política trata a coisa pública com total desdém.

A liberação que os vereadores de Campo Grande deram no fim de 2024 para que uma incorporadora usasse uma área pública federal para construir o acesso a um condomínio de luxo é somente mais um exemplo de que existe explícita irresponsabilidade na hora de aprovar determinados projetos.

Enquanto eles brincavam de legislar, empresários apostaram milhões de reais em um projeto imobiliário de alto padrão, e esta mesma falta de seriedade fez com que centenas de investidores apostassem parte de suas economias em algo que estava sendo feito com o aval das autoridades municipais.

Ao que tudo indica, nem Executivo nem Legislativo se aprofundaram no assunto e simplesmente cederam em torno de 1,7 quilômetro de ferrovia, o que equivale a cerca de 51 mil metros quadrados, em uma região onde terrenos nos condomínios são vendidos por cerca de 2,5 mil por m².

Por mais que esta área tenha ficado na parte externa do novo condomínio de luxo, a investigação do Ministério Público Federal, que questiona a competência para que a área fosse cedida, tende a provocar um imbróglio legal que pode ser arrastar por anos.

Enquanto isso, o empreendimento corre o risco de ficar paralisado e todo o projeto ter de ser refeito. 

O trecho de trilho invadido e retirado com autorização dos vereadores e da prefeita de Campo Grande faz parte do antigo traçado da ferrovia.

Depois da construção do contorno ferroviário, ativado no fim de 2006, o traçado da ferrovia efetivamente utilizável passou a ficar longe da área urbana de Campo Grande.

Mesmo assim, as terras nas quais estão os antigos trilhos continuam nas mãos da empresa responsável pela concessão, a Rumo, e pertencem ao governo federal, verdadeiro proprietário do imóvel. A Rumo foi à Polícia para exigir a devolução da área. 

Caso a Justiça entenda que aquele trecho de ferrovia tenha de ser reconstruído, como agora deseja a Rumo, uma vez que dá acesso a uma antiga estação ferroviária, os custos serão bancados por quem?

Os vereadores certamente não vão querer colocar a mão no bolso e a incorporadora responsável pelo condomínio, também não. Ou seja, quem terá de pagar a conta será o contribuinte de Campo Grande. 

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Por que trocar o prazer das telas do celular pelo prazer da leitura]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/por-que-trocar-o-prazer-das-telas-do-celular-pelo-prazer-da-leitura/465771/</link>
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				<description><![CDATA[Minha desconfiança com o entretenimento instantâneo começou numa manhã de sexta-feira, a caminho do trabalho. A situação trivial, naquele vagão de metrô, teria sido há muito esquecida, salvo por um detalhe curioso: todas as pessoas sentadas, dentro do meu campo visual, tinham a cabeça inclinada e os olhos pregados em seus respectivos celulares.

Havia, entre elas, rostos curiosos e concentrados; alguns pareciam divertidos e outros, tristes. O único traço comum a todos era o isolamento social.

Vivenciamos, com o advento dos modernos aparelhos celulares, uma era de conforto, comunicação e acesso à informação sem precedentes.

Informação no sentido mais amplo possível: da singela música infantil ao esquema de funcionamento de um artefato bélico nuclear, passando por toda a sorte de conteúdo pensado para capturar a atenção do usuário pelo maior período de tempo possível.

Onipresentes na rede, algoritmos eficientes identificam preferências individuais, realimentando o usuário em um interminável carrossel de novidades afins.

É sabido que o cérebro humano tende a repetir ações que ativem o sistema de recompensa baseado nos chamados “hormônios do prazer”, cuja finalidade é o reforço de comportamentos favoráveis à sobrevivência do indivíduo, como o estresse da caça, a concentração do aprendizado ou o esforço físico produtivo.

Como não há dilemas de sobrevivência envolvidos na interminável rolagem da telinha, temos, nesse caso, o reforço de um hábito que leva o usuário a consumir horas do seu tempo numa atividade absolutamente estéril, tudo pelas endorfinas “baratas” e instantâneas proporcionadas pelo celular.

Este apego moderno tem substituído hábitos antigos mais saudáveis, como o da leitura. Ler exige, contrariamente ao entretenimento instantâneo, investimento de longo prazo.

Adiando a recompensa, comunicamos ao nosso cérebro que coisas boas exigem esforço, investimento e participação. Ler demanda esforço intelectual, disciplina e comprometimento. É treino mental.

Treino que abre portas para a satisfação da tarefa cumprida, do trabalho bem-feito, do aprendizado e da realização pessoal.

Se o usuário compulsivo das telas tende à preguiça e à procrastinação – pois está viciado em recompensas imediatas –, o leitor assíduo treina sua mente para as demandas da vida e para a ação.

E aí, de qual lado você quer ficar?

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 29 Apr 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Geopolítica da pressão]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/geopolitica-da-pressao/465770/</link>
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				<description><![CDATA[No cenário das relações internacionais, a logística de uma viagem de Estado raramente ocupa as manchetes, a menos que se torne o epicentro de uma crise de soberania. Recentemente, a visita oficial do presidente de Taiwan, Lai Ching-te, ao Reino de Eswatini – aliado estratégico na África – foi interrompida por uma manobra geopolítica coordenada.

Ao revogar permissões de sobrevoo sem aviso prévio, Seychelles, Maurício e Madagascar fecharam seus espaços aéreos à comitiva taiwanesa, expondo a face mais agressiva da influência de Pequim sobre nações em desenvolvimento.

Este episódio sinaliza como a segurança da aviação civil e o Direito Internacional estão sendo subjugados por táticas de coerção econômica.

A análise dos dados revela que a decisão dessas três nações não foi um ato de soberania, mas uma concessão necessária diante de uma exposição financeira sem precedentes.

Em Seychelles, a influência de Pequim manifesta-se por meio da dependência direta. Em março de 2026, o governo chinês liberou um subsídio de US$ 14,5 milhões para projetos de habitação e saúde.

Com as importações da China crescendo 164% entre 2025 e 2026, o país tornou-se dependente desse fluxo para manter sua estabilidade social. O custo político de autorizar o voo de Taiwan superava o risco de comprometer o capital essencial para suas obras públicas.

No caso de Maurício, a alavancagem é comercial. Primeiro país africano a firmar um acordo de livre comércio (FTA) com a China, a ilha viu as importações de tecnologia chinesa saltarem 170% em fevereiro de 2026.

A integração das cadeias de suprimento e a presença maciça de bancos chineses transformaram o país em um hub financeiro para Pequim. A revogação da permissão de sobrevoo reflete um alinhamento imposto pelo peso das relações que hoje sustentam a economia mauriciana.

Madagascar apresenta o cenário mais crítico de assimetria. O país enfrenta um deficit comercial em que as importações chinesas superam as exportações em uma razão de 10 para 1.

Sem alternativas imediatas de crédito, o governo malgaxe encontra-se em uma posição de vulnerabilidade que permite a Pequim ditar termos que extrapolam o comércio, interferindo diretamente na gestão de seu espaço aéreo.

Este incidente expõe a transformação de protocolos globais em ferramentas de chantagem. Ao forçar nações terceiras a descumprirem permissões de voo, Pequim ignora convenções de aviação civil e subverte o princípio da soberania nacional.

Isolar uma democracia como Taiwan fere a dignidade de seus 23 milhões de cidadãos e estabelece um precedente perigoso: quando espaços aéreos são “armados” para servir a interesses expansionistas, a previsibilidade institucional deixa de existir.

Este episódio deve servir como um alerta urgente para a comunidade internacional: a dependência econômica absoluta em relação à China tem se mostrado, na prática, uma renúncia gradual à soberania nacional.

Se as democracias globais não fortalecerem sua resiliência institucional e buscarem alternativas viáveis à “diplomacia da dívida”, a ordem internacional baseada em regras será irremediavelmente substituída por um sistema de vassalagem financeira em que o direito de ir e vir é ditado por quem detém o crédito.

A segurança de chefes de Estado e a integridade das rotas globais não podem permanecer reféns de interesses autocráticos expansionistas.

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				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 29 Apr 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
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