<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" version="2.0"> 
	<channel>
		<title>Correio do Estado - Artigos e Opinião</title>
		
		<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/rss/</link>

		<atom:link href="https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/rss/" rel="self" type="application/rss+xml" />
		
		<description></description>
		
		<language>pt-BR</language>
		
		<copyright>© Todos os direitos reservados.</copyright>
		
		<lastBuildDate>Sat, 18 Apr 2026 07:45:00 -0400</lastBuildDate>
		
		<generator>Correio do Estado - Artigos e Opinião</generator>
		
					<item>
				<title><![CDATA[Mato Grosso do Sul em estado de graça]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/mato-grosso-do-sul-em-estado-de-graca/465257/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/mato-grosso-do-sul-em-estado-de-graca/465257/</guid>
				<description><![CDATA[Notícias boas são sempre bem-vindas, e o nosso querido Mato Grosso do Sul tem recebido ótimas novidades vindas de Brasília, conforme já publicou o Correio do Estado.

Por isso mesmo, a nossa população estampa aquele sorriso de satisfação, eis que há tempos não éramos contemplados com importantes recursos liberados pelo governo federal. Corumbá, a capital do Pantanal, foi agraciada com recursos para a execução de um projeto que deverá embelezar a orla fluvial, notadamente seu histórico Porto Geral.

O anúncio da liberação de recursos para a reestruturação da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, a nossa querida NOB, hoje sucateada e abandonada, prevê sua revitalização desde Bauru (SP) até Corumbá.

Uma obra mais do que necessária e que certamente possibilitará aos moradores das pequenas comunidades no entorno dos trilhos da ferrovia a esperada melhoria na qualidade de suas vidas, além do retorno às suas atividades, abandonadas por total falta de mobilização de pessoas que utilizavam rotineiramente esse meio de transporte, que fazia conexão com a ferrovia boliviana.

Porém, a mais bombástica notícia para as classes políticas e econômicas do nosso estado foi a retomada da obra da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN3), na cidade de Três Lagoas. Tal anúncio foi feito pela Petrobras e, o mais importante, o reinício dessa obra, paralisada há 12 anos, deverá ocorrer até o final do mês de junho.

Fato que exigirá a absorção de cerca de oito mil empregos, apenas na construção, e, com isso, as cidades circunvizinhas também serão beneficiadas. Espera-se uma radical mudança na economia regional como um todo.

A reestruturação da ferrovia, aliada ao reinício das obras da UFN3, deverá merecer um acompanhamento responsável e transparente por parte dos órgãos fiscalizadores, até porque recursos públicos estarão sendo consumidos na execução desses dois grandes empreendimentos, que se transformarão em uma segurança econômica para o País, hoje dependente de fertilizantes produzidos no exterior.

Podemos afirmar que a soberania produtiva do Brasil estará garantida.

Hoje, a nossa demanda por fertilizantes é muito grande, razão pela qual a reestruturação da ferrovia é extremamente importante, ainda mais considerando que a nossa principal rodovia, a BR-262, encontra-se saturada.

A vizinha Bolívia exporta fertilizantes, porém a logística para o transporte do produto também se encontra sucateada. Contudo, a Rota Bioceânica levou o presidente daquele país a investir tanto na ferrovia quanto na rodovia, o que indiretamente beneficiará o nosso estado, que, como dito, está em estado de graça.

Um conhecido jargão popular preconiza que as eleições operam milagres, mas o Brasil é reconhecido como o maior país católico do mundo. Por isso mesmo, costuma-se dizer que Deus é brasileiro, e nós temos muita fé Nele, para que esses “milagres” aconteçam para a nossa felicidade. Amém!
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 18 Apr 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Rene Siufi: o legado de uma advocacia que atravessa o tempo]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/rene-siufi-o-legado-de-uma-advocacia-que-atravessa-o-tempo/465256/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/rene-siufi-o-legado-de-uma-advocacia-que-atravessa-o-tempo/465256/</guid>
				<description><![CDATA[Rene Siufi é um nome que se tornou sinônimo de uma advocacia que atravessa o tempo sem perder a identidade e o respeito. Em um cenário jurídico marcado pela busca incessante por visibilidade, a trajetória de Siufi impõe-se pela permanência.

São mais de 40 anos de exercício ininterrupto na advocacia criminal, construídos não em torno de holofotes, mas no cotidiano dos tribunais, na consistência técnica das sustentações orais e na confiança sedimentada ao longo de décadas.

Sua atuação, especialmente no Tribunal do Júri, consolidou um estilo inconfundível. Distante de excessos retóricos ou teatralizações desnecessárias, a advocacia de Rene é marcada pela firmeza, pela clareza de raciocínio e por uma presença que se impõe pela substância dos argumentos.

Ele compreende que o convencimento não reside no espetáculo, mas na coerência entre a tese jurídica, a ética e a credibilidade pessoal.

Nesta longa jornada, a lealdade é um pilar fundamental. Ao lado de Rene Siufi, destaca-se Honório Suguita, seu fiel escudeiro e advogado que trabalha ao seu lado há vários anos.

A parceria entre ambos transcende a relação meramente profissional, baseando-se em uma confiança mútua e em uma visão compartilhada em que a discrição e o rigor técnico são inegociáveis.

Enquanto Rene conduz os grandes embates, Honório atua com a precisão de um estrategista, sendo peça fundamental na manutenção desse padrão de excelência que marca a trajetória do escritório.

Essa solidez profissional reflete a essência do homem por trás da toga. Discreto e culto, Rene Siufi prefere a profundidade dos vínculos verdadeiros à superficialidade das relações sociais amplas.

Sua vida pessoal é um pilar de estabilidade: ao lado da esposa, Olga Siufi, construiu uma trajetória de cumplicidade que se estende aos filhos, o promotor de justiça Renzo Siufi e a professora de redação Raquel Siufi, exemplos de seriedade e decência, além da alegria trazida pelos netos.

A atuação de Rene também deixou marcas na esfera institucional. Como ex-presidente da OAB-MS, ele assumiu a missão de guardião de princípios como a ética e as prerrogativas profissionais, compreendendo que o advogado é um pilar essencial para o equilíbrio democrático.

Para as novas gerações, a história de Rene Siufi, amparada pela lealdade de Honório Suguita, funciona como um verdadeiro norte. Ela prova que a relevância não reside na exposição efêmera, mas na solidez da reputação.

Celebrar Siufi é reconhecer que a excelência não se improvisa; é fruto de uma construção diária, feita de escolhas éticas e respeito sagrado pela justiça. Enquanto muitos buscam atalhos, essa trajetória reafirma que a advocacia, exercida com rigor, propósito e retidão, é um legado que resiste ao tempo.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 18 Apr 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Enfim, um aeroporto à altura da Capital]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/enfim-um-aeroporto-a-altura-da-capital/465255/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/enfim-um-aeroporto-a-altura-da-capital/465255/</guid>
				<description><![CDATA[Aconclusão das obras de ampliação do terminal de passageiros do Aeroporto Internacional de Campo Grande, nesta semana, pela concessionária Aena, marca um avanço importante – e há muito esperado – para a capital de Mato Grosso do Sul.

Mais do que uma obra física, trata-se de uma correção de rumo em uma infraestrutura essencial que, por anos, ficou aquém das necessidades de uma cidade estratégica no Centro-Oeste brasileiro.

Durante muito tempo, Campo Grande figurou entre as poucas capitais do País sem um aeroporto com padrão compatível ao seu porte. A reforma anterior, iniciada no fim da década passada e concluída apenas após a pandemia de Covid-19, ilustra bem essa defasagem.

Apesar de intervenções internas e troca de pisos, faltou o principal: a ampliação efetiva do terminal e a instalação de pontes de embarque, estrutura básica para garantir mais conforto, agilidade e segurança aos passageiros.

A nova etapa, enfim, supre essas lacunas. Com um terminal ampliado e a implantação das pontes de embarque, o aeroporto passa a oferecer uma experiência mais digna ao usuário, além de melhorar a eficiência operacional.

O impacto é direto não apenas para quem embarca e desembarca, mas para toda a dinâmica econômica da cidade.

Os benefícios se espalham por diferentes setores. No ambiente de negócios, a melhoria da infraestrutura aeroportuária fortalece a imagem de Campo Grande como polo regional, facilitando a chegada de investidores e executivos.

No turismo, representa um salto de qualidade na recepção de visitantes, funcionando como um cartão de visitas mais condizente com as belezas e potencialidades do Estado.

É preciso reconhecer o mérito da Aena, que entrega uma obra aguardada há anos pela população. Trata-se de um investimento que não apenas atende a uma demanda reprimida, mas também sinaliza confiança no crescimento da cidade.

Ao oferecer um aeroporto mais moderno e funcional, a concessionária contribui para reposicionar Campo Grande no mapa da aviação regional.

Ainda que tardia, a entrega chega em momento oportuno. A capital sul-mato-grossense vive um processo de transformação e busca ampliar sua relevância econômica. Ter um aeroporto à altura é condição básica para sustentar esse movimento.

O desafio, a partir de agora, é não interromper esse ciclo de avanços. A modernização do aeroporto deve ser acompanhada por outras melhorias estruturais e por políticas que estimulem o desenvolvimento. Campo Grande dá um passo importante.

Cabe agora garantir que ele seja apenas o início de uma trajetória mais consistente de crescimento.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 18 Apr 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O papel do pertencimento na prevenção da violência]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-papel-do-pertencimento-na-prevencao-da-violencia/465200/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-papel-do-pertencimento-na-prevencao-da-violencia/465200/</guid>
				<description><![CDATA[A evasão escolar raramente começa dentro da escola. Ela começa antes, quando o jovem deixa de enxergar sentido em estar ali. 
Quando falta perspectiva, a sala de aula deixa de ser caminho e passa a ser apenas obrigação e é nesse momento que o risco aumenta.

Não porque a ausência do ensino empurre diretamente para o crime, mas, porque ela derruba uma das principais barreiras de proteção que esse jovem possui. 

Na prática, o que se observa é que o crime não surge do nada: ele ocupa espaços. Onde faltam oportunidades, presença constante e vínculos reais, alguém (ou algo) acaba preenchendo esse vazio. E o jovem, especialmente aquele que já se sente invisível, torna-se um “alvo fácil”. 

Existe, no entanto, um ponto que ainda recebe pouca atenção nessa discussão: o pertencimento. Todo indivíduo precisa sentir que faz parte de algo.

Quando esse sentimento não vem da escola, da família ou da comunidade, ele tende a surgir em outros lugares e o crime organizado entende isso com muita clareza. 

Por outro lado, quando o jovem encontra um espaço em que é visto, cobrado e valorizado, o cenário começa a mudar. É nesse contexto que o esporte se apresenta como uma ferramenta relevante. 

Mais do que ensinar técnica, o esporte constrói disciplina, rotina, referência e identidade. Em muitos casos, é o primeiro ambiente em que esses jovens percebem que têm valor, que podem evoluir e que alguém acredita neles. Isso, por si só, não resolve o problema – mas é um ponto de partida. 

Não existem soluções simples para questões complexas. Segurança pública, educação e políticas sociais precisam caminhar juntas, de forma contínua e integrada. 

Ignorar o pertencimento, no entanto, é ignorar uma parte essencial dessa equação. 

No fim, a questão não é apenas evitar que o jovem entre no crime. É garantir que ele tenha outras possibilidades antes mesmo de precisar escolher – e isso começa no momento em que ele deixa de ser invisível. 
 

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 17 Apr 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Da inteligência artificial à evasão universitária, os desafios da Educação Superior no Brasil]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/da-inteligencia-artificial-a-evasao-universitaria-os-desafios-da/465199/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/da-inteligencia-artificial-a-evasao-universitaria-os-desafios-da/465199/</guid>
				<description><![CDATA[Mais da metade dos estudantes universitários no Brasil abandona o curso antes da formatura em diversas áreas do Ensino Superior.

Em alguns cursos, as taxas de evasão chegam a ultrapassar 50%, revelando um dos maiores desafios estruturais da Educação Superior no País.

O dado se torna ainda mais preocupante quando confrontado com outra realidade: o Brasil precisa ampliar rapidamente a sua capacidade de inovação, produtividade e competitividade.

Para isso, depende cada vez mais de profissionais qualificados em diferentes áreas do conhecimento – da tecnologia à saúde, da gestão às ciências humanas.

Temos, portanto, uma contradição evidente. O País precisa fortalecer sua formação profissional justamente quando enfrenta dificuldades para manter os estudantes na universidade e prepará-los para um mercado de trabalho em transformação.

Ao mesmo tempo, o mundo do trabalho passa por mudanças profundas. Inteligência artificial, digitalização de processos e cadeias produtivas globais estão redesenhando atividades profissionais em praticamente todos os setores da economia.

Sistemas automatizados já executam tarefas antes restritas a especialistas, enquanto novos desafios exigem soluções cada vez mais complexas.

Nesse cenário, dominar conhecimentos técnicos continua essencial – mas já não é o suficiente. Profissionais do século 21 precisam combinar formação acadêmica com competências humanas sofisticadas.

Pensamento crítico, criatividade, capacidade de adaptação e tomada de decisão tornaram-se habilidades cada vez mais valorizadas.

O relatório Future of Jobs, do Fórum Econômico Mundial, indica que quase metade das competências profissionais atuais deverá mudar até o fim da década.

Organizações buscam cada vez mais profissionais capazes de aprender continuamente e atuar em contextos de rápida transformação tecnológica.

É nesse ambiente que ganha força o conceito de Educação 5.0. Diferentemente dos modelos tradicionais, centrados na transmissão de conteúdo, essa abordagem coloca o estudante no centro do processo formativo.

Mais do que incorporar tecnologia às salas de aula, propõe integrar inovação digital, metodologias ativas e desenvolvimento socioemocional.

O objetivo deixa de ser apenas transmitir conhecimento e passa a ser formar profissionais capazes de compreender problemas complexos e construir soluções relevantes para a sociedade.

Essa mudança exige repensar profundamente a formação universitária. Currículos excessivamente fragmentados e distantes da realidade profissional contribuem para a evasão e, muitas vezes, formam profissionais pouco preparados para enfrentar os desafios contemporâneos.

Hoje, organizações e projetos profissionais envolvem equipes multidisciplinares, integração digital de processos e decisões tomadas em ambientes de alta incerteza.

Nesse contexto, profissionais de diferentes áreas precisam dominar conhecimentos técnicos – mas também liderar equipes, comunicar ideias com clareza e tomar decisões estratégicas.

Reformular a formação universitária deixou de ser apenas uma necessidade educacional. É uma escolha sobre o tipo de país que o Brasil pretende ser no futuro.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 17 Apr 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Quando a informação gera consequência]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/quando-a-informacao-gera-consequencia/465198/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/quando-a-informacao-gera-consequencia/465198/</guid>
				<description><![CDATA[Em um ambiente saturado por desinformação, versões interessadas e ruído permanente, a utilidade do jornalismo profissional deixou de ser uma abstração. Ela se mede pela sua capacidade de produzir efeitos concretos. Não basta informar. É preciso gerar consequência.

Nos últimos dias, dois episódios deixam isso evidente para o leitor.

Após a publicação de reportagens que cobravam explicações técnicas e transparência na atuação da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg), o tema deixou de ser tratado como questão interna.

A pressão pública se consolidou – e, no dia seguinte, a prefeita de Campo Grande decidiu pela demissão do então presidente da autarquia. Não se trata de coincidência, mas de dinâmica institucional: quando a informação expõe fragilidades de gestão, a inércia se torna insustentável.

O mesmo se repete em outra escala. Questionamentos formais feitos à Polícia Federal sobre a morosidade no andamento da Operação Ultima Ratio contribuíram para trazer à esfera pública desdobramentos que até então permaneciam sem esclarecimento.

Quando a informação circula, o espaço para o silêncio institucional diminui.

Os dois casos têm um ponto em comum: respostas só surgiram após a exposição consistente dos fatos – como demonstraram as reportagens publicadas pelo Correio do Estado.

Esse é o papel central do jornalismo. Não o de protagonizar os acontecimentos, mas o de impedir que eles permaneçam ocultos ou sem resposta. Quando há transparência, há reação. Quando há reação, há correção de rumo – ainda que tardia.

A democracia não se sustenta apenas por normas e estruturas formais, mas pela tensão permanente entre quem exerce o poder e quem o fiscaliza. Sem essa tensão, prevalece a acomodação. E a acomodação, na gestão pública, quase sempre custa caro à sociedade.

Por isso, mais do que narrar fatos, o jornalismo cumpre sua função quando torna a omissão inviável.

Porque quando a informação circula com rigor, a consequência deixa de ser exceção – e passa a ser regra.

“O jornalismo é o que alguém não quer que seja publicado; todo o resto é publicidade”. A frase, frequentemente atribuída a George Orwell, nunca foi tão atual.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 17 Apr 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Saneamento nas eleições de 2026]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/saneamento-nas-eleicoes-de-2026/465145/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/saneamento-nas-eleicoes-de-2026/465145/</guid>
				<description><![CDATA[Estamos em mais um ano eleitoral e, ainda que as campanhas políticas não estejam ocorrendo de forma oficial, os pré-candidatos aos cargos de presidente da República, governador, senador e deputado federal, estadual e distrital (para o caso do Distrito Federal) já estão se posicionando sobre diversos temas considerados relevantes para o eleitorado.

No entanto, praticamente em todas as eleições, inclusive as municipais, um assunto de extrema importância para toda a população brasileira é frequentemente ignorado e fica de fora dos debates políticos: saneamento básico (ou a falta de).

Hoje, aproximadamente 43% dos brasileiros vivem sem coleta de esgoto e 16% ainda não têm acesso à água potável. Além disso, quase metade do esgoto gerado no País não é tratado. Isso significa que mais de 5 mil toneladas de dejetos são despejadas diariamente nos corpos de água pelo País.

A situação ilustra um problema com graves consequências para o nosso desenvolvimento econômico, ao meio ambiente e para a saúde da nossa população: em 2024, o Brasil registrou mais de 350 mil internações hospitalares por doenças relacionadas à falta de saneamento.

Ou seja, é de extrema importância o eleitor saber o que os candidatos pensam a respeito e o que pretendem fazer para melhorar o acesso da população a serviços adequados para o fornecimento de água limpa e para a coleta e tratamento de esgoto.

Desde que o Marco Legal do Saneamento passou a vigorar, os investimentos no setor cresceram consideravelmente, mas em alguns estados pouco se avançou, especialmente nas Regiões Norte e Nordeste.     

O Marco Legal do Saneamento estabelece como meta que 99% da população tenha acesso à água potável e 90% seja atendida com serviço de coleta e destinação correta do esgoto até o ano de 2033. Porém, pelo que se observa, os esforços até aqui não estão sendo suficientes.

Para alcançar esse objetivo, o País deveria investir, em média, R$ 225 por habitante. Mas levantamento realizado pelo Instituto Trata Brasil aponta que em localidades com os piores índices de saneamento a média de investimentos entre 2020 e 2024 foi de R$ 77,58, 66% abaixo do indicado.

Investir em saneamento é deixar o atraso no passado e acreditar em um Brasil mais moderno e com desenvolvimento social e econômico, permitindo à população mais pobre uma vida digna.

Portanto, neste ano de eleições, caberá a nós eleger quem de fato esteja comprometido com políticas públicas de saneamento que saiam do discurso e se convertam em programas, metas, orçamento, cronograma e entregas.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 16 Apr 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Dia Mundial da Voz reforça a importância dos cuidados com a saúde vocal]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/dia-mundial-da-voz-reforca-a-importancia-dos-cuidados-com-a-saude/465144/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/dia-mundial-da-voz-reforca-a-importancia-dos-cuidados-com-a-saude/465144/</guid>
				<description><![CDATA[Celebrado em 16 de abril, o Dia Mundial da Voz é uma data dedicada à conscientização sobre a importância desse instrumento tão essencial à vida humana.

Muito mais do que um simples meio de comunicação, a voz é uma das expressões mais marcantes da identidade de cada pessoa, revelando emoções, intenções e até traços da personalidade.

A comunicação é vital para a convivência em sociedade, e a voz ocupa lugar central nesse processo. É por meio dela que compartilhamos conhecimentos, experiências, sentimentos e ensinamentos, construindo relações pessoais, profissionais e afetivas.

A voz acompanha o ser humano em todos os momentos da vida, tornando-se um elemento indispensável para a interação social.

Para muitas pessoas, a voz é também o principal instrumento de trabalho. São os chamados profissionais da voz, grupo que inclui professores, jornalistas, advogados, radialistas, dubladores, cantores, cerimonialistas, atendentes, palestrantes, entre outros.

Nesses casos, a preservação da saúde vocal é ainda mais importante, uma vez que alterações na voz podem comprometer diretamente o desempenho profissional e a qualidade de vida.

A voz, no entanto, não é sempre a mesma. Existe a voz do ambiente de trabalho, a voz utilizada em família, entre amigos, em situações formais ou descontraídas.

Ela também se modifica de acordo com o estado emocional: a voz da tristeza, da alegria, da euforia, do desânimo ou da irritação. Essas variações são naturais e refletem a flexibilidade vocal do ser humano.

Nesse contexto, a psicodinâmica vocal é a área que estuda a relação entre emoções, personalidade e produção vocal.

Essa análise observa como o estado emocional influencia características acústicas da voz, como timbre, intensidade, velocidade e entonação, além do impacto que a voz do profissional – seja narrador, repórter, professor ou cantor – exerce sobre quem a escuta.

O acompanhamento de profissionais especializados é fundamental para a manutenção da saúde vocal. Fonoaudiólogos atuam tanto na prevenção quanto no tratamento de alterações da voz, enquanto, para os cantores, o apoio de professores de canto também é essencial para o uso técnico e seguro da voz.

É importante estar atento a sinais de alerta como rouquidão persistente, voz soprosa, falhas na fala, dor ao falar ou sensação frequente de garganta irritada.

Nessas situações, a recomendação é procurar um profissional de saúde, como otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo, para avaliação adequada.

A prevenção, contudo, ainda é o melhor caminho. Pequenos hábitos diários, conhecidos como higiene vocal, ajudam a preservar a qualidade da voz.

Entre os principais cuidados estão a hidratação constante, com ingestão regular de água, evitar choques térmicos, especialmente com bebidas muito geladas ou exposição excessiva ao ar-condicionado, não falar em ambientes ruidosos, para evitar esforço vocal, evitar pigarrear, hábito que pode provocar lesões nas pregas vocais, manter alimentação equilibrada, reduzindo alimentos gordurosos, não fumar nem consumir bebidas alcoólicas em excesso e respeitar períodos de repouso vocal, evitando gritos, cochichos e falas prolongadas.

Cuidar da voz é cuidar da própria saúde, da comunicação e da forma como cada indivíduo se apresenta ao mundo. Neste Dia Mundial da Voz, a orientação é clara: ouvir os sinais do corpo e valorizar esse instrumento único e insubstituível.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 16 Apr 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Avanço estratégico para o Brasil]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/avanco-estrategico-para-o-brasil/465143/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/avanco-estrategico-para-o-brasil/465143/</guid>
				<description><![CDATA[Mato Grosso do Sul recebeu nesta semana uma boa notícia e tem perspectiva de receber uma ainda melhor nos próximos meses. A primeira foi o anúncio da Petrobras de que as obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN3), em Três Lagoas, serão retomadas. A segunda, conforme detalhado nesta edição, é a previsão de que os trabalhos sejam efetivamente reiniciados até o fim de junho.

Depois de anos de paralisação e incertezas, trata-se de um sinal concreto de que o projeto pode, enfim, sair do papel e cumprir o papel estratégico para o qual foi concebido.

A relevância da UFN3, no entanto, vai muito além das fronteiras de Mato Grosso do Sul. Trata-se de uma planta com capacidade para atender cerca de 15% da demanda nacional por fertilizantes, o que a coloca como peça importante na engrenagem do agronegócio brasileiro.

Em um país cuja economia depende fortemente da produção agrícola, garantir insumos essenciais em escala nacional não é apenas desejável, é uma questão de segurança econômica.

O momento internacional reforça essa percepção. Em tempos de instabilidade geopolítica, conflitos regionais e rupturas nas cadeias globais de suprimentos, a dependência externa de fertilizantes se torna um risco evidente.

O Brasil, que importa parcela significativa desses insumos, fica exposto a variações de preço, disponibilidade e condições logísticas. Investir na produção interna, portanto, é uma estratégia que dialoga diretamente com a ideia de soberania produtiva.

Mais do que isso, há uma dimensão estrutural nesse movimento. O Brasil se consolidou como uma potência mundial na exportação de alimentos, mas ainda carrega vulnerabilidades importantes em etapas fundamentais da cadeia produtiva.

Reduzir essa dependência não significa isolamento, mas sim maior capacidade de enfrentar oscilações externas com menos impacto interno. Em um cenário global cada vez mais imprevisível, essa resiliência faz diferença.

Para Mato Grosso do Sul, os efeitos são ainda mais diretos. A retomada das obras da UFN3 representa a perspectiva de geração de emprego em larga escala – são mais de 8 mil postos de trabalho previstos apenas na fase de construção –, além da dinamização de cadeias produtivas locais e da agregação de valor à economia regional.

Não se trata apenas de um empreendimento industrial, mas de um vetor de desenvolvimento com potencial para transformar a realidade econômica de Três Lagoas e de seu entorno.

Ainda assim, é impossível ignorar o histórico do projeto. A UFN3 tornou-se, ao longo dos anos, símbolo de promessas interrompidas e expectativas frustradas.

Por isso, o anúncio da retomada precisa ser acompanhado de execução consistente, prazos cumpridos e transparência na condução das obras.

A expectativa, desta vez, é clara: que o projeto avance sem novos sobressaltos e que, finalmente, seja concluído. Porque, mais do que uma boa notícia, o Brasil precisa de resultados concretos.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 16 Apr 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Sobre a redução do salário da magistratura]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/sobre-a-reducao-do-salario-da-magistratura/465087/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/sobre-a-reducao-do-salario-da-magistratura/465087/</guid>
				<description><![CDATA[É um verdadeiro show assistir aos microssistemas das instituições digladiarem-se internamente, como franca demonstração de força e poder, só para o vencedor desfilar ao lado do chefe máximo e ser alçado publicamente como o maioral.

De fato, isso invariavelmente acontece no mundo corporativo em que os péssimos líderes criam um verdadeiro inferno entre os seus, como forma de despertar a ira, a competitividade e, claro, terem mais poder.

A desgraça começa quando o assunto da competitividade de poder atinge a coisa pública, ou melhor, a res publica, em que os seus digladiadores, ou melhor, seus agentes são ludibriados, começam a competir entre si e se esquecem de que são apenas gerentes de um bem maior que não pertence a eles, mas sim ao povo. 

A etimologia da palavra graça ironicamente é engraçada, porque a sua origem é grega (charis) e significa “favor imerecido”, então, a desgraça acaba sendo a pena merecida a quem não teve capacidade de fazer por merecer o seu favor que lhe outorgaram.

Mas não quero parar por aqui, porque quando assistimos a medição de força entre os poderes da República, a cada dia que passa assistimos à República ir de mal ao péssimo. 

Dentro de cada poder da República existem as disputas internas como forma de sacudir os discursos e enaltecer quem vence a dialética, porém o único poder republicano que sempre funcionou como o seu bastião era a Justiça.

Não falo aqui apenas do Poder Judiciário, mas sim em todo o sistema que faz o seu funcionamento: advocacia, Ministério Público, Magistratura, defensorias públicas e procuradorias de autarquias.

Nunca se viu na história da República brasileira tamanha exposição da Justiça e de seus membros (propositalmente ou não), e agora a própria magistratura passa a ser um sensor dos seus membros e como forma de querer acalmar os ânimos do povo, o Supremo Tribunal Federal, em autossalvação (assim como Jesus foi tentado pelo diabo) decidiu fazer um ataque onde dói mais: no bolso, com a redução dos salários da magistratura e por conseguinte de toda carreira pública da Justiça.

Há algumas décadas a advocacia privada vem reclamando daquilo que se chama de uniformização das decisões e o Poder Judiciário acaba não distinguindo, ou melhor, confunde aquelas ações chamadas de demandas de massa, das ações propriamente particulares e individualizadas que merecem a análise caso a caso, isto por uma criação do Poder Legislativo, como forte atuação do Executivo, do Conselho Nacional de Justiça, pela Emenda nº 45, no ano de 2004, que visava dar transparência ao Poder Judiciário, mas que duas décadas depois de sua criação o que se vê é a diminuição da livre consciência das decisões da magistratura, justamente por receio de alguma advertência ou punição de seus membros por não seguirem uma orientação já (pré) concebida.

De fato, a Justiça é um organismo vivo e essa diminuição da livre consciência para uniformizar as decisões que era considerada um remédio, já era um veneno anunciado pela advocacia privada.

Hoje, o efeito colateral bateu no bolso e está doendo na alma das carreiras do funcionarismo público da Justiça, e como consequência o afugentamento de profissionais com excelência.

Quem perde com tudo isso? O povo. 

Realmente, por um discurso maniqueísta lá nos anos de 2004 em que Legislativo e Executivo diziam que precisavam dar transparência ao Poder Judiciário, acabaram colocando “fogo no parquinho” e conseguiram enfraquecer o único poder da República que tinha função precípua de julgar e eventualmente de legislar. E hoje parece que essas funções do Poder Judiciário se inverteram com a quase obrigação da uniformização jurisprudencial.

Resumo da ópera: com a redução do salário da magistratura ou se devolve a livre consciência plena às decisões dos membros do Poder Judiciário, sem nenhuma interferência da opinião pública, ou além de termos a debandada dos profissionais com excelência da magistratura, teremos o nivelamento por baixo das carreiras do funcionarismo público da Justiça que estão por vir.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 15 Apr 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Infraestrutura, crédito e responsabilidade]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/infraestrutura-credito-e-responsabilidade/465086/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/infraestrutura-credito-e-responsabilidade/465086/</guid>
				<description><![CDATA[A decisão do governo de Mato Grosso do Sul de recorrer a um novo empréstimo internacional para financiar a manutenção de estradas recoloca no centro do debate um tema recorrente na gestão pública: o delicado equilíbrio entre investimento e responsabilidade fiscal.

Desta vez, o financiamento de R$ 1,2 bilhão com o Banco Mundial se soma a um conjunto já expressivo de operações de crédito voltadas à infraestrutura rodoviária, incluindo mais de R$ 3 bilhões contratados com o BNDES e quase R$ 1 bilhão com o Banco do Brasil.

Sob a ótica econômica, a estratégia não deve ser descartada. Em cenários de restrição orçamentária, recorrer ao crédito pode ser um caminho legítimo para manter o ritmo de investimentos, especialmente em áreas estruturantes.

A manutenção adequada das rodovias, por exemplo, tende a reduzir custos logísticos, melhorar a segurança viária e ampliar a competitividade da produção local.

Em um estado com forte vocação agropecuária e dependente do transporte rodoviário, esses efeitos não são marginais – eles impactam diretamente o preço final dos produtos, o escoamento da produção e a integração regional.

Além disso, há um argumento técnico relevante: investir na conservação pode ser mais barato do que arcar com os custos de reconstrução no futuro.

Estradas bem mantidas exigem menos intervenções emergenciais, o que, em tese, racionaliza o gasto público ao longo do tempo.

Nesse sentido, o novo empréstimo pode representar não apenas uma solução imediata, mas também uma tentativa de planejamento mais eficiente.

Ainda assim, é preciso cautela. O cenário fiscal atual está longe de ser confortável. Com sinais de desaceleração na arrecadação e aumento das despesas, a ampliação do endividamento exige critérios rigorosos.

Empréstimos são instrumentos úteis, mas não neutros: implicam compromissos de longo prazo que pressionam o caixa do Estado nos anos seguintes.

O desafio, portanto, não está apenas em contratar crédito, mas em garantir capacidade de pagamento sem comprometer áreas essenciais como saúde, educação e segurança.

Outro ponto central é o impacto concreto dessas obras no cotidiano da população. Infraestrutura de qualidade precisa se traduzir em ganhos perceptíveis – seja na redução do tempo de deslocamento, na diminuição de custos ou na melhoria das condições de tráfego.

Sem essa conexão direta com a vida real, o investimento corre o risco de se tornar apenas um dado contábil positivo, sem reflexo efetivo no bem-estar coletivo.

Há ainda o componente político, inevitável em um ano eleitoral. Obras públicas ganham visibilidade e passam a ser disputadas como ativos de imagem por diferentes atores. A paternidade dos projetos será reivindicada, direta ou indiretamente, em discursos e campanhas.

Nesse ambiente, cabe ao cidadão ir além da superfície: mais importante do que saber quem inaugura ou anuncia uma obra é compreender como ela foi financiada e quais benefícios concretos ela entrega.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 15 Apr 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[CIB e planejamento tributário: A era da rastreabilidade imobiliária.]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/cib-e-planejamento-tributario-a-era-da-rastreabilidade-imobiliaria/465035/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/cib-e-planejamento-tributario-a-era-da-rastreabilidade-imobiliaria/465035/</guid>
				<description><![CDATA[A criação do Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB), no âmbito da reforma tributária, foi apresentada como medida de modernização administrativa e integração de dados.

De fato, não se trata da instituição de novo tributo, nem da alteração formal de alíquotas. Contudo, seus efeitos práticos ultrapassam o campo meramente cadastral e atingem, de forma sensível, a tributação dos aluguéis no Brasil.

Ao conferir a cada imóvel um identificador único nacional e integrar informações oriundas de cartórios, municípios, Receita Federal e órgãos fundiários, o CIB inaugura um novo patamar de transparência patrimonial.

A fragmentação informacional, que historicamente dificultava o cruzamento entre propriedade, contratos e rendimentos declarados, tende a ser progressivamente superada. O resultado é inequívoco: a capacidade de fiscalização sobre receitas locatícias será substancialmente ampliada.

Hoje, os aluguéis percebidos por pessoas físicas submetem-se à tributação progressiva do Imposto de Renda, podendo alcançar as alíquotas mais elevadas da tabela.

Já na pessoa jurídica, especialmente em estruturas de administração patrimonial, é possível, a depender do regime adotado, alcançar carga efetiva inferior e maior previsibilidade tributária. Essa diferença sempre estimulou debates sobre reorganização patrimonial e eficiência fiscal.

O CIB não altera essa estrutura normativa. O que ele modifica é o ambiente de controle. A partir da consolidação nacional de dados imobiliários, torna-se mais simples para o Fisco confrontar titularidade do bem, existência de contratos, valores de mercado e rendimentos efetivamente declarados.

A informalidade, que antes se beneficiava de lacunas cadastrais e da dispersão de informações, passa a conviver com risco fiscal significativamente maior.

Nesse contexto, ganha centralidade o planejamento tributário lícito e estruturado. Não se trata de evasão, mas de organização patrimonial racional. A definição entre manter imóveis na pessoa física ou integralizá-los em sociedade patrimonial, a escolha do regime tributário mais adequado, a formalização contratual compatível com a realidade econômica e a adequada escrituração dos recebíveis deixam de ser decisões secundárias e passam a integrar a estratégia essencial do investidor imobiliário.

A nova lógica é clara, quanto maior a integração informacional, menor a margem para improviso. O contribuinte que aufere renda de aluguéis precisa antecipar-se ao ambiente de rastreabilidade ampliada, ajustando sua estrutura jurídica à legislação vigente e avaliando impactos de curto e longo prazo.

Em síntese, o CIB não cria o imposto sobre aluguéis, mas fortalece o sistema que o fiscaliza. Se antes a desorganização patrimonial era tolerada pela dificuldade operacional de controle, agora a transparência estrutural impõe profissionalização. A tributação permanece a mesma; o grau de exposição, não.

Em razão do novo panorama, é impositivo que o investidor organizado possua não só imóveis sólidos e bem construídos materialmente mas, igualmente, no campo formal, é necessário um planejamento patrimonial estruturado sob pilares consistentes e construído com inteligência.

Em razão desse novo panorama, impõe-se ao investidor organizado não apenas a constituição de um portfólio imobiliário sólido sob o aspecto material, mas, sobretudo, a estruturação formal de seu patrimônio com rigor técnico.

A solidez física do ativo já não é suficiente; exige-se, igualmente, arquitetura jurídica consistente, planejamento tributário racional e governança patrimonial construída com inteligência estratégica.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Feminicídio: um desafio coletivo?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/feminicidio-um-desafio-coletivo/465034/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/feminicidio-um-desafio-coletivo/465034/</guid>
				<description><![CDATA[Se soubéssemos as respostas, provavelmente não começaríamos este texto com uma pergunta. Mas é justamente a ausência de soluções definitivas que impõe à sociedade o dever de buscá-las de forma permanente e responsável.

Diante de um problema tão grave quanto o feminicídio, insistir apenas em velhas fórmulas, baseadas na tentativa e erro, revela-se não apenas insuficiente, mas perigoso.

É preciso ciência. Compreender o fenômeno exige dados consistentes, estudos aprofundados e análises que revelem suas causas, padrões e fatores de risco.

O feminicídio não é um ato isolado, mas o resultado de uma cadeia de violências que se acumulam ao longo do tempo, muitas vezes ignoradas ou naturalizadas.

Combater esse crime sem viés – seja ideológico, político ou institucional – é condição essencial para que políticas públicas sejam efetivas e duradouras.

Também é necessário adotar a transversalidade. O enfrentamento não pode ficar restrito às forças de segurança ou ao sistema de Justiça, que, em geral, atuam quando a violência já atingiu seu estágio mais extremo.

É preciso agir antes, nos espaços em que comportamentos são formados e reproduzidos, como a escola, a família, os ambientes de trabalho e a convivência social.

Prevenção exige presença contínua e ação coordenada.

O combate ao feminicídio envolve toda a sociedade. Não se trata de uma responsabilidade exclusiva do Estado, embora o poder público tenha papel central na formulação e execução de políticas.

Trata-se de uma transformação cultural profunda, que exige revisão de valores, práticas e discursos que ainda hoje relativizam ou silenciam a violência contra a mulher.

Nesse contexto, é inevitável discutir o papel das instituições que influenciam diretamente a formação desses valores. As igrejas, por exemplo, poderiam contribuir de forma mais incisiva para a promoção do respeito à mulher e de sua autonomia. No entanto, esse é um terreno sensível.

Ao mesmo tempo em que preservam valores associados à família, muitas dessas instituições acabam, ainda que indiretamente, reforçando padrões que mantêm a mulher em posição de subordinação, insistindo em valores que mantém as mulheres em posição de subjugação perante a sociedade.

Esse é apenas um dos muitos desafios que precisam ser enfrentados com seriedade. Frear os índices de feminicídio exige reconhecer a complexidade do problema e abandonar respostas simplistas.

Não haverá solução única ou imediata. Mas há um caminho possível: investir em conhecimento, integrar esforços e assumir, como sociedade, a responsabilidade de enfrentar uma realidade que já não pode ser ignorada nem tolerada.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Nem "patience" garantiu a chegada ao show do Guns N' Roses em Campo Grande]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/nem-patience-garantiu-a-chegada-ao-show-do-guns-n-roses-em/464990/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/nem-patience-garantiu-a-chegada-ao-show-do-guns-n-roses-em/464990/</guid>
				<description><![CDATA[Saí às 17h45min. Os portões foram abertos às 16h, grande parte do público já estava no Autódromo Internacional Orlando Moura. Ia ter trânsito, claro. Um pouco mais de uma hora para completar o trajeto do centro da cidade até o local do show. Quem dera. O trânsito parado na Avenida Ministro João Arinos e a fila de veículos a perder de vista eram um mau sinal. Para quem ia ao show e para quem pegaria a próxima saída para chegar em casa.

Às 19h40min soube que ia atrasar. Pessoas desciam dos carros a mais de 12 quilômetros do autódromo, temerosas de não chegarem a tempo. Vi três pessoas, duas mulheres e um homem, descerem de um sedã preto xingando e gesticulando. Farinha foi jogada por uma das mulheres dentro e sobre o carro.

O quilo do ingresso solidário. Não houve solidariedade entre os que não tinham culpa da situação, um trabalhador querendo garantir seu rendimento, três passageiros querendo seguir.

Motociclistas por todos os lados às 20h, muitas pessoas chamando. De carro ou ônibus, como os 30 que foram fretados por empresário, não ia dar para chegar. Muitos desistiram.

Faltavam 30 minutos para o show. Nas redes, trechos do show do Raimundos. Chamava atenção o espaço que deveria estar ocupado pelos milhares no engarrafamento.

As primeiras notícias sobre o atraso do Guns N’ Roses chegaram às 21h. Queriam esperar por quem seguia a pé. Próximo do pontilhão, vi a primeira viatura do Detran-MS, perto de uma das alças de acesso, pela qual desciam duas carretas.

Achei ter ouvido da organização do evento, da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Detran-MS que caminhões não iam circular das 18h às 22h. Devo ter ouvido errado. Trabalhadores que desceram do coletivo preso no engarrafamento caminhavam ao lado da avenida.

Às 22h30min chegaram as notícias de que o show tinha começado. Motociclistas faziam rali pelas ruas paralelas à João Arinos: desciam barrancos e buzinavam pedindo passagem.

Ofereciam aos motoristas seus serviços, alguns até encontraram lugar para estacionar seus carros e seguiram de moto.

Só às 23h que vi a primeira viatura da PRF, no ponto em que a João Arinos perde seu “canteiro central”. A ação das autoridades era tão sutil que apenas os inteligentes podiam ver.

Milhares sentiam isso na pele. Cinco horas em um carro, o show tinha começado há mais de meia hora. Talvez desse para ver uma ou duas músicas.

Quase 0h. Um posto em frente a um condomínio. Longe ainda. O corpo quase travou ao descer do carro. No banheiro, era tanto cansaço que esvaziar a bexiga nem foi tão prazeroso assim.

Dava para ouvir “November Rain”, mas a distância podia estar pregando peças. Era tentador seguir, no entanto, o destino agora estava no sentido contrário. Na pista vazia.

Muitos que não chegaram ao show poderiam contar experiências como essas ou até piores. Houve amadorismo, promessas de planejamento vazias, descuido e desrespeito.

Uma grande estrutura para o show, instalada em um local inacessível sem organização e autoridades fazendo seu trabalho.

Mas a PRF foi rápida em responder a isso e jogar a responsabilidade apenas nas costas dos organizadores, que venderam ingressos até para o estacionamento e não entregaram os acessos que prometeram.

Assim, a PRF se esquivou da responsabilidade de não ter conseguido resolver o problema de três faixas que viram duas, duas faixas que viram uma, enquanto a faixa no sentido contrário permaneceu livre o tempo todo.

A organização do evento não conseguiu atender os que acreditaram em um produto bem vendido, que se prepararam por meses para estar presentes, que saíram do trabalho mais cedo, que não imaginaram que enfrentariam mais de cinco horas de congestionamento, que abandonaram o carro e foram a pé ou de moto, que conseguiram chegar a tempo e depois ficaram presos por mais cinco horas tentando voltar para casa.

No entanto, não há “patience” que consiga mudar a realidade do amadorismo da organização do show do Guns N’ Roses e a falta de ação das autoridades no alardeado maior evento internacional de todos os tempos em Campo Grande.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Endividamento expõe falhas no sistema ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/endividamento-expoe-falhas-no-sistema/464989/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/endividamento-expoe-falhas-no-sistema/464989/</guid>
				<description><![CDATA[Nesta edição, apresentamos um dado que merece atenção redobrada: o avanço do número de empresas endividadas em Mato Grosso do Sul. Mais do que um indicador isolado, o fenômeno sinaliza um desarranjo mais amplo na economia, com potenciais efeitos em cadeia sobre investimentos, empregos e consumo.

O aumento do endividamento empresarial não é apenas um problema restrito às empresas. Quando muitos negócios passam a operar sob pressão financeira, a consequência natural é a retração de investimentos e a dificuldade de honrar compromissos, o que pode desencadear um problema de liquidez. Em outras palavras, o dinheiro circula menos, o crédito encarece ainda mais e a economia perde dinamismo.

É evidente que os juros elevados ocupam papel central nesse cenário. São, de fato, o vilão mais visível e imediato. No entanto, reduzir a análise apenas a esse fator seria simplificar um problema que é estrutural.

O custo do dinheiro no Brasil vai além das taxas bancárias, ele está diluído em uma engrenagem complexa e cada vez mais financeirizada.

Hoje, o acesso ao capital envolve uma série de intermediações que impõem custos adicionais ao empresário. Não se trata apenas do crédito tradicional, mas de um conjunto de “pedágios” embutidos nas operações cotidianas.

Taxas de administradoras de cartão, tarifas para uso de plataformas digitais, comissões em marketplaces e aplicativos de serviços, tudo isso compõe um sistema que drena margens e compromete a sustentabilidade dos negócios.

Há, portanto, um excesso de atravessadores que encarece a atividade produtiva sem necessariamente agregar valor proporcional. Esse é um ponto que precisa entrar no radar das discussões regulatórias.

A modernização da economia digital não pode significar apenas mais eficiência para intermediários, mas também melhores condições para quem produz e gera riqueza.

Nesse contexto, a existência de ferramentas como o Pix surge como um contraponto positivo. Ao reduzir custos de transação e eliminar parte das intermediações, o sistema trouxe alívio para empresas e consumidores que antes dependiam quase exclusivamente das operadoras de cartão e de maquininhas.

É um exemplo de como a inovação, quando bem direcionada, pode corrigir distorções.

Ainda assim, o desenho geral do sistema econômico parece, muitas vezes, operar na lógica do endividamento contínuo. Seja para o cidadão, seja para o empresário, a dependência do crédito caro se torna regra, não exceção.

Romper esse ciclo é possível, mas exige disciplina financeira, planejamento e, sobretudo, consciência sobre os custos invisíveis que permeiam cada operação.

Em um ambiente assim, a busca por capitalização própria e menor dependência de intermediários não é apenas uma estratégia de gestão, é um caminho para a autonomia.

Afinal, como já diria Renato Russo, disciplina é liberdade. E, no atual cenário, ela pode ser também a diferença entre sobreviver e sucumbir às distorções do sistema.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O crime como espetáculo, o bem jurídico violado e o desrespeito às vítimas]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-crime-como-espetaculo-o-bem-juridico-violado-e-o-desrespeito-as/464928/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-crime-como-espetaculo-o-bem-juridico-violado-e-o-desrespeito-as/464928/</guid>
				<description><![CDATA[O caso Suzane von Richthofen à luz da mais nova série da Netflix suscita questões relevantes para o Direito Penal, para a Vitimologia, para a Política Criminal e, não menos importante, para a aplicação do Estatuto da Vítima – Projeto de Lei (PL) 3890/2020.

A análise jurídica deve considerar o impacto social da representação midiática de crimes graves e a necessidade de se preservar a dignidade das vítimas, conforme diretrizes constitucionais e internacionais.

Afinal, Suzane, personagem da produção anunciada pela plataforma de streaming, vale destacar, foi condenada a 39 anos e 6 meses pelo assassinato (a pauladas) dos pais, a psiquiatra Marísia von Richthofen e o engenheiro Manfred von Richthofen.

Cometido em outubro de 2002, o crime entrou para a lista dos mais chocantes da crônica policial brasileira.

Do ponto de vista dogmático, o “culto ao criminoso” pode ser compreendido pela Criminologia como um desdobramento da criminalidade midiática – fenômeno no qual a espetacularização do delito altera padrões da percepção social, podendo gerar distorções acerca da função preventiva e retributiva da pena.

A estetização de Suzane, importante frisar, autora confessa e condenada pela execução dos pais, e figura central em outras adaptações audiovisuais, tende a deslocar o foco da ilicitude para aspectos biográficos da ré, diluindo, assim, a gravidade do bem jurídico violado: a vida.

Ao mesmo tempo, se idolatra a mentora do homicídio dos pais, tendo como executores o namorado à época e o irmão deste.

A Vitimologia, especialmente em sua vertente de terceira geração, alerta para a necessidade de proteção da memória e da integridade moral das vítimas indiretas.

Em apreciação no Senado, o Estatuto da Vítima, por seu turno, consagra, entre outros direitos, a salvaguarda contra exposições midiáticas que acarretem revitimização, reconhecendo o direito à preservação da memória e a não banalização do sofrimento.

O que significa que, narrativas que privilegiam a autora do crime podem violar tal princípio, promovendo o apagamento simbólico de Manfred e de Marísia, mortos dentro de casa, enquanto dormiam, e sujeitos centrais da tutela penal.

No campo constitucional, o artigo 5º, parágrafos 25 e 59, combinado ao artigo 1º, parágrafo 3, estabelece o dever estatal de assegurar justiça, dignidade e respeito às vítimas. Logo, gerar Ibope, likes e visualizações por meio da memória de quem teve a vida ceifada brutalmente não nos parece razoável e aceitável.

Pior ainda se o que a imprensa reproduziu, nas últimas horas, for verdade: para contar sua versão da chacina à Netflix, Suzane teria recebido um cachê de R$ 500 mil – ou seja, a condenada fatura, enquanto sapateia no túmulo de seus genitores.

No plano internacional, a Declaração das Nações Unidas sobre Princípios Fundamentais de Justiça para Vítimas de Crime e Abuso de Poder (1985) impõe a necessidade de que vítimas e familiares tenham preservadas suas identidades e esfera moral.

A Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher (Belém do Pará) não tem orientação diferente. Ela defende que representações midiáticas não reproduzam estigmas ou discursos que normalizem a violência.

A reiteração narrativa da série da Netflix centrada na ré, Suzane, se não adequadamente contextualizada, pode configurar forma indireta de revitimização, contrariando, indiscutivelmente, o movimento contemporâneo de fortalecimento das garantias das vítimas.

A Política Criminal moderna exige que, mesmo em manifestações culturais, a memória daqueles que sofreram a violência seja respeitada como elemento essencial da justiça restaurativa e da ética pública.

O Direito, a Vitimologia e o Estatuto da Vítima, portanto, convergem no tocante que, nenhum enredo sobre o caso Richthofen pode transformar o crime em espetáculo, sem preservar, antes de tudo, as vítimas – diretas ou indiretas.

Que fique claro: não estamos tratando, aqui, de censura. A representação artística é legítima, mas não está imune ao dever moral de não desumanizar aqueles que, afinal, tiveram suas vidas interrompidas de forma assustadoramente brutal.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 11 Apr 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Sucesso no palco, fracasso logístico]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/sucesso-no-palco-fracasso-logistico/464926/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/sucesso-no-palco-fracasso-logistico/464926/</guid>
				<description><![CDATA[Campo Grande viveu, nesta semana, um momento histórico ao receber, no Autódromo Internacional, um dos maiores nomes da música mundial.

A apresentação do Guns N’ Roses representou não apenas um espetáculo para milhares de fãs, mas também a quebra de uma barreira simbólica: a de que eventos de grande porte não teriam espaço na Capital sul-mato-grossense. Nesse aspecto, é preciso reconhecer a coragem da organização.

Poucos empreendedores se dispõem a assumir os riscos financeiros e logísticos de trazer uma atração dessa magnitude. O gesto foi ousado e a cidade mostrou que tem público e interesse para eventos desse nível.

Entretanto, se a iniciativa foi épica, a execução deixou lições importantes. A experiência de quem conseguiu passar pelas catracas foi, em grande parte, positiva. Mas, do lado de fora, o cenário foi bem diferente. O acesso ao autódromo se transformou em um verdadeiro teste de paciência.

Longas filas, congestionamentos e dificuldades para chegar ao local marcaram a noite de muitos que, apesar de terem ingressos, não conseguiram assistir ao show. A principal razão é evidente: o acesso ao autódromo se dá praticamente por um único eixo, a BR-262, criando um funil inevitável em eventos com grande público.

A falha, nesse caso, foi de planejamento. Faltou controle de fluxos, faltaram planos de contingência e, sobretudo, faltou uma estratégia que priorizasse o deslocamento coletivo.

Grandes eventos em outras capitais já demonstraram que o incentivo ao transporte público é uma das soluções mais eficazes para evitar o colapso da mobilidade.

Linhas especiais de ônibus, corredores dedicados, estacionamentos remotos com traslado e horários escalonados de chegada são práticas comuns e eficientes. Nada disso foi visto com a intensidade necessária.

Havia alternativas possíveis. A locação de um grande terreno para estacionamento, com ônibus e vans fretados para transportar o público até o autódromo, poderia ter reduzido significativamente o volume de veículos individuais.

O deslocamento controlado, iniciado ainda no período da tarde, também ajudaria a diluir o fluxo. Outra possibilidade seria a criação de uma programação ampliada, com bandas locais, atividades culturais e opções de alimentação, incentivando o público a chegar mais cedo e evitar a concentração de entrada em um curto intervalo de tempo.

Além disso, a organização e o poder público, por meio da Agetran, poderiam ter estruturado linhas especiais de transporte coletivo, conectando pontos estratégicos da cidade ao local do evento.

Essa medida, comum em grandes centros, não apenas facilita o acesso, como também reduz a dependência do transporte individual. A ausência dessa estratégia expôs, mais uma vez, uma fragilidade conhecida da Capital.

O episódio revela algo maior: o desafio estrutural da mobilidade urbana de Campo Grande. A dependência do carro particular e a falta de prioridade ao transporte coletivo tornam eventos de grande porte um teste difícil.

Se a cidade deseja continuar atraindo atrações desse porte, será preciso aprender com os erros e investir em soluções que privilegiem a visão coletiva.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 11 Apr 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Tudo o que fazer para não cair na malha fina do IR]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/tudo-o-que-fazer-para-nao-cair-na-malha-fina-do-ir/464876/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/tudo-o-que-fazer-para-nao-cair-na-malha-fina-do-ir/464876/</guid>
				<description><![CDATA[O calendário do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) deste ano já está em pleno vigor e traz datas decisivas: o prazo para o envio da declaração encerra-se no dia 29 de maio. Para evitar erros, recomendo que o contribuinte entenda as minúcias das fichas de bens e direitos, além das regras específicas para dependentes e alimentandos.

Neste artigo, apresento as principais orientações sobre o uso da declaração pré-preenchida, os novos limites de obrigatoriedade e como a escolha da chave Pix pode ajudar a antecipar a sua restituição.

Dentre esses fatos geradores citam-se os seguintes: 

a) Obteve um montante de rendimentos tributáveis em 2025 em valor superior a R$ 35.584,00; as informações sobre as remunerações e retenções de tributos das pessoas físicas são aquelas escrituradas pela fonte pagadora nas seguintes declarações “digitais”: Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial) e Escrituração Fiscal Digital de Retenções e Outras Informações Fiscais (EFD-Reinf).

b) Recebeu um montante de rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte cuja soma total, em 2025, tenha sido superior a R$ 200.000,00.

c) Obteve em qualquer mês de 2025 um ganho de capital na alienação de bens e direitos sujeitos à incidência do imposto sobre a renda.

d) Tenha realizado em 2025 operações de alienação em Bolsas de Valores, Bolsas de Mercadorias e Futuros, ou quaisquer assemelhadas, cuja soma total foi superior a R$ 40.000,00, ou com apuração de ganhos líquidos sujeitos à incidência do imposto sobre a renda.

e) Tinha em 31 de dezembro de 2025, a posse ou propriedade de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a
R$ 800.000,00.

f) Teve isenção de imposto sobre o ganho de capital na venda de imóveis residenciais, seguido de aquisição de outro imóvel residencial no prazo de 180 dias.

g) Teve, em 2025, receita bruta em valor superior a R$ 177.920,00 em atividade rural.

h) Passou para a condição de residente no Brasil em qualquer mês e se encontrava nessa condição em 31 de dezembro de 2025.

i) Optou por declarar os bens, direitos e obrigações detidos pela entidade controlada, direta ou indireta, no exterior como se fossem detidos diretamente pela pessoa física; tem “trust” no exterior ou deseje atualizar bens no exterior.

j) Auferiu lucros ou dividendos de entidades estabelecidas no exterior, nos termos dos artigos 2º e 5º a 6º-A da Lei nº 14.754, de 12 de dezembro de 2023.

A declaração pelo contribuinte pode ser feita no portal Gov.br (acesso com conta de nível ouro ou prata) por meio do Programa IRPF 2026, disponibilizado para download diretamente no sítio da internet da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB).

Não havendo vedações de uso ao contribuinte enquadrado em situações específicas enumeradas no art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 2.312/2026, é possível também elaborar a declaração de forma on-line no portal e-CAC ou pelo aplicativo Meu Imposto de Renda. Esse aplicativo está disponível para dispositivos móveis, nos sistemas operacionais Android e iOS.

Recomendo também a utilização da declaração pré-preenchida, pois ela já contém uma ampla gama de informações fiscais da pessoa física, seja titular ou dependente, para uso na Declaração de Ajuste Anual do IRPF, estando devidamente identificadas na base de dados da RFB.

Outro cuidado que o contribuinte deverá ter é no preenchimento dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas, conforme foi apurado no carnê-leão ao longo do ano de 2025, bem como atentar aos dados exigíveis na ficha de Bens e Direitos, incluindo por exemplo, seus criptoativos, informando o código dos ativos, caso existentes.

Ao final, deve-se preencher a melhor linha de ação na opção da tributação: se de forma completa, tendo sido observadas todas as deduções legais, ou mediante o desconto simplificado, correspondente à dedução de 20% do valor dos rendimentos tributáveis constantes na Declaração de Ajuste Anual, limitado ao valor de R$ 16.754,34.

Outra atenção requisitada do contribuinte é no preenchimento da ficha de alimentandos para os declarantes que tiveram despesas com pensão alimentícia, instrução ou médicas.

Além da obrigatoriedade de colocar o CPF do alimentando, o declarante também precisará informar as datas relativas ao tipo de processo – por exemplo, no tocante à escritura pública, a respectiva data de lavratura, dados do cartório, livro e folhas e, quando for por decisão judicial, a respectiva data, o número do processo, a Comarca e a Vara Judicial, e situações específicas de tributação, como a dos Microempreendedores Individuais (MEI) que tenham obtido um lucro tributável acima de R$ 35.584,00 em 2025, também requerem atenção desses contribuintes.

A Receita Federal publicou o calendário de restituições de 2026. O 1º lote de restituições começará no dia 29 de maio e o último (4º lote) será pago em 28 de agosto.

Para quem perder o prazo de entrega, a multa pelo atraso será de 1% ao mês ou fração mensal de atraso, calculada sobre o valor do imposto devido, limitada a 20%, porém tendo um valor mínimo de R$ 165,74, independentemente de haver (ou não) restituição. Isso requer muita atenção do contribuinte.

Têm prioridade na restituição do IRPF, nesta ordem: idosos acima de 80 anos; idosos entre 60 e 79 anos; contribuintes com alguma deficiência física ou mental ou moléstia grave; contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério; e contribuintes que adotarem a declaração pré-preenchida e optarem por receber a restituição via Pix.

E fica o alerta para quem vai receber via Pix: é preciso que a chave informada no momento da declaração seja o CPF do contribuinte. 

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 10 Apr 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Equilíbrio no mercado vem pela fiscalização ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/equilibrio-no-mercado-vem-pela-fiscalizacao/464875/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/equilibrio-no-mercado-vem-pela-fiscalizacao/464875/</guid>
				<description><![CDATA[A nova ofensiva dos órgãos de fiscalização sobre os preços do gás e dos combustíveis, destacada nesta edição, recoloca em evidência um debate recorrente, mas sempre atual: a importância do acompanhamento rigoroso do mercado em setores sensíveis à economia e ao cotidiano da população.

Trata-se de um tema que exige equilíbrio, mas que, acima de tudo, reforça um princípio básico de qualquer ambiente econômico saudável: a liberdade deve caminhar lado a lado com o cumprimento das regras.

Fiscalizar é, portanto, não apenas legítimo, como necessário. Não há motivo para condenar ações que busquem garantir transparência e evitar abusos, especialmente quando se trata de produtos essenciais. Combustíveis e gás de cozinha impactam diretamente o custo de vida, o transporte, a produção e os serviços.

Qualquer variação injustificada nos preços se espalha rapidamente por toda a cadeia econômica, pressionando o orçamento das famílias e elevando custos para empresas.

Nesse cenário, a presença do poder público como agente fiscalizador não é uma interferência indevida, mas um instrumento de proteção do interesse coletivo.

É importante destacar que liberdade econômica não significa ausência de regras. Pelo contrário, a própria existência de um mercado livre depende de parâmetros claros e de mecanismos que garantam sua observância. Sem fiscalização, abre-se espaço para distorções, práticas abusivas e concorrência desleal.

Quando alguns agentes elevam preços sem justificativa plausível ou adotam condutas que fogem à lógica do mercado, prejudicam não apenas o consumidor, mas também os empresários que atuam corretamente. A fiscalização, nesse contexto, é o que assegura que todos joguem conforme as mesmas regras.

Os abusos noticiados recentemente, especialmente no mês passado, evidenciam justamente esse ponto. Em muitos casos, a prática de preços considerados excessivos nasce da percepção equivocada de que não haverá consequências.

A sensação de impunidade é um dos principais estímulos para condutas irregulares. Quando o controle é frouxo ou inexistente, cresce o risco de distorções que acabam sendo repassadas ao consumidor.

Por isso, operações de fiscalização têm também um efeito pedagógico: sinalizam que há monitoramento e que eventuais irregularidades serão apuradas.

Não se trata de demonizar o setor, tampouco de interferir na dinâmica legítima do mercado. A maioria dos empresários atua dentro das normas e depende de um ambiente equilibrado para continuar operando.

A fiscalização, ao coibir abusos pontuais, fortalece esse ambiente e contribui para a estabilidade dos preços, dentro das variações naturais da economia.

O objetivo não é punir indiscriminadamente, mas assegurar que o funcionamento do mercado se dê com transparência e respeito ao consumidor.

Diante disso, ações como as que vêm sendo realizadas devem ser vistas com naturalidade e até com expectativa positiva. Elas reforçam a confiança nas instituições e ajudam a preservar a lógica concorrencial.

Em um cenário econômico ainda marcado por incertezas, manter a vigilância sobre setores estratégicos é uma forma de proteger a sociedade e garantir que a liberdade econômica continue sendo exercida com responsabilidade.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 10 Apr 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O futuro das canetas emagrecedoras e a guerra regulatória contra as farmácias de manipulação]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-futuro-das-canetas-emagrecedoras-e-a-guerra-regulatoria-contra-as/464821/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-futuro-das-canetas-emagrecedoras-e-a-guerra-regulatoria-contra-as/464821/</guid>
				<description><![CDATA[A coletiva realizada na segunda-feira pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre os medicamentos análogos de GLP-1, com especial atenção à tirzepatida, não foi apenas um evento informativo. Foi, na prática, o anúncio de uma operação de guerra regulatória contra o modelo de negócio hoje adotado por parte do setor magistral e por clínicas especializadas.

A Agência apresentou um plano estruturado em seis eixos, que vão do aprimoramento regulatório à governança internacional.

Mas, para quem lê as entrelinhas do Direito Sanitário, o recado é claro: trata-se de um movimento de sufocamento operacional das farmácias de manipulação estéreis, especialmente daquelas que produzem versões análogas das chamadas “canetas emagrecedoras”. As novas diretrizes serão discutidas na próxima Reunião Ordinária Pública da Anvisa, no dia 15.

O que se viu é o fim da chamada “carga em confiança”. Com a criação da Nota Técnica nº 200, em 2025, a Anvisa passou a exigir testes mais rigorosos de controle de qualidade no Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) antes da liberação aduaneira.

Historicamente, o modelo permitia maior agilidade na importação, com liberação condicionada à análise documental.

A nova postura impõe um verdadeiro freio logístico. A retenção dos insumos em recinto alfandegado até a liberação sanitária efetiva deixa de ser apenas uma medida de segurança e passa a funcionar como barreira de entrada, com impacto direto em custos, prazos e, inevitavelmente, na seleção dos agentes econômicos que permanecerão no mercado.

Em paralelo, observa-se o que pode ser descrito como a morte silenciosa do chamado estoque assistencial. O endurecimento do discurso regulatório tenta empurrar a manipulação para um modelo de individualização absoluta.

Contudo, aqui reside o ponto mais sensível da discussão jurídica: a RDC 67/2007, em seu item 5.10, autoriza expressamente o atendimento não individualizado para suprir estabelecimentos de saúde, como clínicas e hospitais.

Essa prerrogativa permanece vigente. Para que a Agência impeça esse modelo, não basta reinterpretar a norma por meio de notas técnicas ou comunicados. É necessária uma alteração formal da regulamentação. Sem isso, eventual proibição pode configurar extrapolação do poder regulamentar. Passível, portanto, de questionamento judicial.

Outro eixo relevante é o da vigilância digital. A Anvisa deixou claro que o monitoramento de redes sociais já integra sua rotina fiscalizatória. Termos como “caneta emagrecedora” e a divulgação de protocolos terapêuticos tornaram-se marcadores para identificação de alvos de inspeção.

Não se trata de capacidade hipotética. Desde 2023, a Agência participa de iniciativas com a ONU que utilizam ferramentas automatizadas para rastrear publicidade irregular na internet. Ou seja, o marketing digital, antes vetor de crescimento, passa a funcionar como mapa de risco regulatório.

Por fim, a rastreabilidade desponta como o principal desafio técnico. A tendência é que novas exigências imponham um vínculo documental direto entre cada miligrama de tirzepatida importada e uma prescrição específica. Na prática, trata-se de um mecanismo indireto de esvaziamento do próprio item 5.10, antes mesmo de sua eventual revisão formal.

O cenário em construção é claro: o risco sanitário vem sendo utilizado como fundamento para ampliar o controle estatal sobre a atividade, tensionando limites da autonomia profissional e da liberdade econômica no setor magistral.

O mercado que emergirá após o dia 15 será substancialmente distinto. Entre o endurecimento regulatório e a vigilância ativa de eventos adversos, a conformidade deixa de ser diferencial competitivo para se tornar condição de sobrevivência.

A norma vigente ainda funciona como escudo. Mas a Agência já empunha a caneta para redesenhá-la.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O renascimento da Expogrande]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-renascimento-da-expogrande/464820/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-renascimento-da-expogrande/464820/</guid>
				<description><![CDATA[Há alguns anos, este espaço registrava com preocupação a perda de protagonismo de uma das mais tradicionais feiras agropecuárias do País.

A Expogrande, que já figurou entre os principais eventos do setor no Brasil, enfrentava dificuldades que ameaçavam não apenas sua relevância econômica, mas também seu papel simbólico para Campo Grande e para o agronegócio sul-mato-grossense.

O cenário era de incerteza, com público reduzido, menor participação de expositores e questionamentos sobre o futuro de um evento que sempre fez parte da identidade local.

O tempo, porém, trouxe um movimento diferente e digno de reconhecimento. Voltamos a este espaço agora para destacar o esforço conjunto de representantes do agronegócio, da organização do evento e do poder público na tentativa de resgatar a força da feira.

Trata-se de um trabalho que exige planejamento, investimento e, sobretudo, compromisso com a história. A Expogrande não é apenas uma exposição agropecuária; é um patrimônio cultural e econômico que atravessa gerações, reunindo produtores, empresários, investidores e a população em torno de uma atividade que é base da economia regional.

Os sinais de retomada são animadores. A perspectiva de movimentação financeira recorde nesta edição indica que a feira volta a ocupar o espaço que lhe é devido. Esse resultado não surge por acaso. Ele reflete a confiança do setor produtivo, o retorno de expositores e o interesse renovado do público.

Mais do que números expressivos, esse cenário representa o fortalecimento de cadeias produtivas, a geração de negócios e a consolidação de oportunidades que se espalham por diferentes segmentos da economia.

Mas a importância da Expogrande vai além do volume financeiro. Um calendário robusto de eventos, leilões, palestras e atrações culturais amplia o alcance da feira e transforma o evento em um polo de entretenimento e turismo.

A cidade ganha dinamismo, hotéis e restaurantes registram maior movimento, e a população encontra opções de lazer que valorizam a cultura local. O impacto, portanto, extrapola os limites do parque de exposições e se estende por toda a economia urbana.

O mérito desse renascimento deve ser compartilhado. Entidades ligadas ao agronegócio, a organização do evento, liderada pela Acrissul, e órgãos públicos demonstraram capacidade de diálogo e articulação. O resultado é uma feira que volta a crescer e a se posicionar como referência regional.

Esse esforço conjunto mostra que, quando há convergência de interesses e planejamento, é possível recuperar tradições e transformá-las em instrumentos de desenvolvimento.

Que a Expogrande continue nesse caminho. Mais do que celebrar a retomada, é preciso consolidá-la, garantindo que o evento mantenha qualidade, inovação e capacidade de atrair novos públicos.

Cuidar da feira é preservar parte da história de Campo Grande e, ao mesmo tempo, investir no futuro de uma economia que tem no agronegócio um de seus pilares mais sólidos.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Qual é o significado do voto?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/qual-e-o-significado-do-voto/464757/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/qual-e-o-significado-do-voto/464757/</guid>
				<description><![CDATA[Quando um eleitor opta por um candidato, que fatores balizam sua decisão? Esta é uma das mais instigantes questões das campanhas eleitorais.

A resposta abriga componentes relacionados ao conceito representado pelo candidato e ao ambiente social e econômico que cerca os eleitores.

No primeiro caso, o eleitor leva em consideração valores como honestidade/seriedade, simplicidade, competência/preparo, capacidade de comunicação, entendimento dos problemas, arrogância/prepotência e simpatia.

Sob outra abordagem, o voto quer significar protesto, um castigo aos atuais governantes e a candidatos identificados com eles, vontade de mudar ou mesmo aprovação às ideias dos perfis situacionistas.

Neste caso, os pesos da balança assumem o significado de satisfação e insatisfação ou de confiança e desconfiança. 

A questão seguinte é saber qual a ordem em que o eleitor coloca essas posições na cabeça e por onde começa o processo decisório. Não há uma ordem natural.

O eleitor tanto pode começar a decidir por um valor representado pelo candidato – simpatia, preparo, capacidade de comunicação – como pelo cinturão social e econômico que o aperta: carestia, violência, desemprego, insatisfação com os serviços públicos precários, etc. Os dois tipos de fatores tendem a formar massas conceituais – boas e ruins – na cabeça do eleitor.

A exposição dos candidatos na mídia vai criando impressões no eleitorado. E as impressões serão mais positivas ou mais negativas, de acordo com a capacidade de o candidato formular pensamentos e apresentar respostas aprovadas ou desaprovadas pelo sistema de cognição dos eleitores.

E daí, qual a lógica para a priorização que o eleitor confere às ideias dos candidatos? Nesse ponto, cabe uma pontuação de natureza psicológica.

As pessoas tendem a selecionar coisas (fatos, ideias, eventos, perfis) de acordo com os instintos natos de conservação do indivíduo e preservação da espécie.

Ou seja, o discurso mais impactante e atraente é o que dá garantias às pessoas de que elas estarão a salvo, tranquilas, alimentadas. O discurso voltado ao estômago do eleitor, ao bolso, à saúde é prioritário.

Tudo que diz respeito à melhoria das condições de vida desperta a atenção. Depois, as pessoas são atraídas por um discurso mais emotivo, relacionado à solidariedade, ao companheirismo, à vida familiar. 

Esses apelos disparam os mecanismos de escolha. Se a insatisfação social for muito alta, os cidadãos tendem a se abrigar no guarda-chuva de candidatos da oposição.

Se candidatos com forte tom mudancista provocarem medo, as pessoas recolhem-se na barreira da cautela, temendo que um candidato impetuoso vire a mesa abruptamente.

Assim, mesmo com certa raiva de candidatos apoiados pela situação, os eleitores assumem a atitude dos três macaquinhos: tampam a boca, os ouvidos e os olhos e acabam votando em candidatos situacionistas.

O maior desafio de um candidato de oposição, dentro dessa lógica, é o de convencer o eleitorado de que garantirá as conquistas dos seus antecessores, promovendo mudanças que melhorarão a vida das pessoas. Simples promessa não adianta: é preciso comprovar tim-tim por tim-tim como executará as propostas.

Por isso mesmo, quando o candidato agrega valores positivos, a capacidade de convencimento do eleitor será maior. Não se trata apenas de fazer marketing, mas de expressar caráter, personalidade, a história do candidato.

Uma história amparada na coerência, na experiência, na lealdade, na coragem e determinação de cumprir compromissos. Proposta séria e factível transmitida por candidato desacreditado não colará.

Os dois tipos de componentes que determinam as decisões do eleitor – as características pessoais dos candidatos e o quadro de dificuldades da vida cotidiana – caminham juntos, amalgamando o processo de decisões dos cidadãos.

Marketing bem-feito é aquele que procura juntar essas duas bandas, costurando os aspectos pessoais com os fatores conjunturais, conciliando posições, arrumando os discursos, analisando as demandas das populações, criando ênfases e alinhando as prioridades.

O que o marketing faz, na verdade, é acentuar os estímulos para que o eleitor possa, a partir deles, tomar decisões. E os estímulos começam com a apresentação pessoal dos candidatos, a maneira de se expressar, de se vestir.

Os cenários aguçam ou atenuam a atenção. A fluidez de comunicação, a linguagem mais solta e coloquial cria um clima de intimidade com o eleitor. As propostas precisam ser objetivas, claras e consistentes.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Incertezas não abalam exportações ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/incertezas-nao-abalam-exportacoes/464756/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/incertezas-nao-abalam-exportacoes/464756/</guid>
				<description><![CDATA[O desempenho das exportações de Mato Grosso do Sul em março merece destaque. O Estado registrou o melhor resultado de sua história para o período, acompanhando um movimento semelhante ao observado no cenário nacional.

O Brasil também apresentou volume expressivo de vendas ao exterior, mesmo em um contexto marcado por incertezas no comércio global, tensões geopolíticas e desaceleração em algumas das principais economias do mundo.

Em tempos como os atuais, alcançar números positivos não é apenas um dado estatístico: é um sinal de resiliência e de competitividade.

Há, portanto, razões para comemorar. Poucos países têm conseguido manter desempenho macroeconômico consistente diante de um ambiente internacional instável.

O avanço das exportações demonstra que o setor produtivo, especialmente o agronegócio e a indústria de base, segue respondendo de forma eficiente à demanda externa.

No caso de Mato Grosso do Sul, esse resultado reforça a importância estratégica do Estado na pauta exportadora brasileira, consolidando sua posição como fornecedor relevante de alimentos e insumos para o mercado internacional.

Um saldo positivo na balança comercial representa mais do que números favoráveis, significa crescimento econômico, entrada de recursos externos e maior circulação de renda.

Esses fatores contribuem para fortalecer a economia local, estimular investimentos e gerar empregos.

Além disso, a entrada de divisas ajuda a sustentar a moeda nacional, reduzindo pressões cambiais e criando condições mais estáveis para o planejamento econômico.

O impacto, portanto, se espalha por diferentes setores e beneficia tanto o ambiente produtivo quanto o consumidor.

Outro aspecto relevante é a resiliência do comércio exterior. Mesmo com oscilações no cenário internacional, Mato Grosso do Sul e outras unidades da Federação continuam encontrando espaço para seus produtos.

Esse comportamento indica que há competitividade, qualidade e capacidade logística suficientes para manter o fluxo de exportações.

Em um mundo cada vez mais marcado por disputas comerciais e rearranjos geopolíticos, essa consistência é um diferencial importante.

Também chama atenção a diversificação dos parceiros comerciais. Ampliar mercados reduz a dependência de um único destino e aumenta a segurança das exportações.

Ao fortalecer relações com diferentes países, o Estado demonstra confiabilidade e capacidade de atender demandas variadas.

Esse movimento sinaliza ao mundo que Mato Grosso do Sul é um parceiro estável, capaz de manter boas relações comerciais e cumprir compromissos mesmo em cenários adversos.

Manter esse ritmo é fundamental. O comércio exterior tem sido um dos motores do crescimento econômico e um indicador de que, apesar das incertezas, o Estado continua avançando. Exportar mais significa produzir mais, gerar renda e consolidar a presença no mercado internacional.

Em tempos de volatilidade global, resultados como o de março reforçam a confiança de que seguimos no caminho certo, com uma economia que se mostra preparada para enfrentar desafios e aproveitar oportunidades.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Saúde e inclusão social ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/saude-e-inclusao-social/464708/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/saude-e-inclusao-social/464708/</guid>
				<description><![CDATA[A saúde, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS) é um estado de bem-estar físico, mental e social. Ou seja, saúde vai muito além da doença! Essa definição é decisiva, porque nos obriga a enxergar mais do que apenas o corpo: ninguém adoece ou floresce sozinho.

A vida humana é tecido de vínculos!

Por isso, quando falamos em saúde social, falamos da qualidade das relações que sustentam a existência – confiança, pertencimento, cooperação, proteção e reconhecimento.

É por isso que precisamos atuar ativamente contra a miséria, a marginalidade e a desigualdade. A pobreza não é apenas falta de renda. É falta de oportunidade, de escuta, de acesso, de horizonte.

A marginalização empurra pessoas para fora da escola, do trabalho, da cidade e da dignidade. E a desigualdade, quando naturalizada, corrói as bases da convivência e transforma diferença em hierarquia.

Do mesmo modo, a Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência – chamada, informalmente, de Convenção de Nova Iorque – também nos ensina algo fundamental: pessoa com deficiência é aquela que possui impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade.

Ou seja, a deficiência não se explica pela condição individual; ela se agrava, se expande e muitas vezes se torna sofrimento social quando encontra muros de exclusão.

No fim, tudo isso gera severos danos à saúde de todos: a exclusão social é também uma forma de violência contra a saúde.

Os dados confirmam o tamanho do problema. A UNICEF estima que quase 240 milhões de crianças no mundo vivem com alguma deficiência. Essas crianças e adolescentes enfrentam, com frequência desproporcional, preconceito, barreiras e bullying.

Diversos estudos internacionais mostram que estudantes com deficiência têm maior risco de sofrer agressões verbais, isolamento e rejeição no ambiente escolar.

Não se trata de “brincadeira”: é uma violência que fere a autoestima, a aprendizagem e o desenvolvimento.

Por isso, a Educação Inclusiva é muito mais do que matrícula em sala comum. Inclusão é aprender a conviver com as diferenças.

É reconhecer que a escola não existe para padronizar pessoas, mas para formar cidadãos capazes de viver juntos em uma democracia real.

Quando a escola acolhe a diversidade, ela ensina algo que nenhuma cartilha possui: ninguém se desenvolve plenamente sozinho. O ser humano amadurece na relação, no vínculo, na experiência de ser visto e respeitado.

Combater o bullying, portanto, é compromisso ético. É preciso formação de professores, cultura escolar de respeito, acessibilidade, apoio pedagógico e protocolos claros de prevenção e enfrentamento à violência. Onde há humilhação tolerada, há falha institucional. Onde há bullying, há adoecimento coletivo.

A saúde social depende da confiança entre as pessoas. Onde a exclusão avança, a confiança recua. Onde o preconceito se instala, a cooperação enfraquece. E no lugar do cuidado surge o egoísmo, essa deformação que faz o indivíduo acreditar que pode prosperar sozinho.

Não pode. A vida humana é interdependência. Cada pessoa carrega potências e limites; e é justamente na comunidade que superamos obstáculos, produzimos sentido e construímos futuro.

Sem inclusão social, não há saúde social. Sem saúde social, a saúde mental enfraquece!

E sem combater a miséria, a marginalidade e a desigualdade, qualquer discurso de saúde permanece incompleto. E essa luta se faz com a escola inclusiva, a política pública séria e a cultura do respeito!

No fim, essa é o dever da Civilização: a construção de estruturas sociais em que cada pessoa possa pertencer sem pedir licença para existir.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 07 Apr 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Ler melhor é respeitar o seu tempo]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/ler-melhor-e-respeitar-o-seu-tempo/464707/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/ler-melhor-e-respeitar-o-seu-tempo/464707/</guid>
				<description><![CDATA[Em um mundo saturado de ruído e letras miúdas, a clareza deixou de ser detalhe – tornou-se valor. Nunca se escreveu tanto. Nunca se leu tão pouco.

Diante desse cenário, o jornalismo precisa fazer uma escolha: disputar atenção pelo volume ou conquistar relevância pela compreensão. O Correio do Estado sabe de que lado está. 

A partir desta edição, nossas páginas de Opinião e Entrevista, aos sábados, passam por uma mudança que é gráfica, mas reafirma nosso compromisso com a verdade e com a qualidade da informação.

Ampliamos fontes, ajustamos espaçamentos, criamos respiro. Pode parecer forma. É conteúdo. É escolha editorial.

É a afirmação de um princípio: respeitar o leitor começa por respeitar o seu tempo – valor essencial para nós – e também o seu olhar. 

Durante décadas, parte do jornalismo mediu sua força pela quantidade – mais texto, mais informação, hoje, essa lógica se esgota.

O excesso, muitas vezes, não informa: afasta, cansa, dispersa. Em um ambiente de atenção fragmentada, clareza não é simplificação. É rigor. É método. É responsabilidade.

Ao optar por uma página que respira, fazemos também uma escolha mais exigente. Síntese passa a ser compromisso permanente. Cada palavra precisa justificar sua presença.

Cada linha deve conduzir, e não dificultar. Em nossas editorias, o valor não está na quantidade, mas na utilidade, no que efetivamente informa, explica e permanece.

Não se trata de uma decisão isolada. Em todo o mundo, veículos consolidados compreenderam que, diante da saturação digital, o impresso precisa oferecer algo distinto: organização, legibilidade, foco. Mais do que informar, é preciso ser compreendido e respeitado na experiência de leitura.

A ciência da leitura é clara: o esforço para decifrar fontes pequenas gera fadiga e afasta o leitor. Queremos o contrário, que as ideias fluam naturalmente do papel para a sua mente. Esta é uma mudança voltada à longevidade da nossa relação com você.

Em diferentes partes do mundo, jornais como The Guardian e Financial Times vêm redesenhando a experiência de leitura para acompanhar as mudanças do tempo. Atento a esse cenário, o Correio do Estado se alinha a essa evolução, sem renunciar aos seus princípios editoriais.

Ao fazer essa escolha, o Correio do Estado se posiciona com clareza. Não seguimos a lógica do ruído fácil nem da informação empilhada – muito menos da desinformação. Apostamos no essencial. No que merece ser lido. No que ajuda a compreender o presente e a pensar o futuro.

Em tempos de pressa e dispersão, oferecer uma página que convida à leitura é também um convite à reflexão.
Ao longo desta semana, convidamos você a participar e compartilhar sua opinião.

Um jornal não se impõe, se constrói na escuta. E é essa escuta que nos move, aprimora e mantém vivos, edição após edição.

Boa leitura.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 07 Apr 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Dinheiro não basta para uma longevidade completa]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/dinheiro-nao-basta-para-uma-longevidade-completa/464654/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/dinheiro-nao-basta-para-uma-longevidade-completa/464654/</guid>
				<description><![CDATA[A preparação financeira deve ser, sim, um dos pilares de sustentação para quem busca uma transição segura para o pós-carreira. Considerar gastos futuros, prever os impactos inflacionários e estruturar um fluxo de caixa que suporte o estilo de vida desejado continua sendo a base de qualquer plano de acumulação e previdência.

No entanto, após décadas analisando riscos, percebo que o caminho para uma longevidade plena não pode ser limitado a uma única cifra bancária. O sucesso financeiro, isolado, é insuficiente para garantir relevância e bem-estar após os 50 anos ou 60 anos.

Muitos executivos e profissionais chegam ao topo da pirâmide corporativa com um patrimônio sólido e meticulosamente planejado, mas, quando retiram o crachá, enfrentam uma lacuna existencial.

Existem dimensões que fogem ao controle das planilhas de investimentos e que têm um impacto direto na saúde e na percepção de valor próprio. Para uma longevidade dita completa, precisamos falar sobre a gestão de outros ativos fundamentais.

Saúde e qualidade de vida: ter recursos para acessar os melhores planos de saúde é um privilégio, mas o verdadeiro ativo de longevidade é a funcionalidade do corpo. Alimentação e exercícios físicos durante a vida e na maturidade são uma questão de autonomia.

Conforme as diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS), recomenda-se de 150 minutos a 300 minutos de atividade física aeróbica moderada ou 75 minutos a 150 minutos de atividade vigorosa por semana para adultos e idosos.

Sem saúde funcional, o patrimônio financeiro torna-se apenas um fundo de reserva para remediar perdas, em vez de financiar experiências e novas vivências.

Socialização e networking: cultivar amizades e conexões fora do ambiente de trabalho deve ser um exercício constante ao longo da vida. Quando as companhias sociais são baseadas somente no ambiente corporativo, muitos indivíduos perdem sua principal rede de conexões ao deixar a empresa.

Um estudo da Universidade da Carolina do Norte aponta que relações sociais sólidas na longevidade reduzem os riscos de hipertensão e isolamento, além de estimular a memória.

Na longevidade, o networking deixa de ser prioritário para fechar negócios, mas colabora para sustentar a identidade e a vitalidade cognitiva.

Propósito e hobbies: ocupar a mente com atividades prazerosas, espiritualidade e novos projetos. Em muitos casos, inclusive, hobbies e propósitos podem até se transformar em fontes de renda, além da realização pessoal.

No meu caso, por exemplo, mesmo no pós-carreira, sigo envolvido com temas ligados à economia prateada e longevidade. Além do ambiente de negócios, participo de palestras, podcasts e projetos sociais conectados a esse universo.

Também não desperdiço as oportunidades de velejar com mais frequência, meu hobbie preferido, em que junto a família e amigos.

Esse tipo de envolvimento é essencial para preservar o senso de utilidade e pertencimento, além de manter a pessoa contemporânea, ou seja, ativa e conectada com o mundo atual. Isso ajuda a evitar aquela sensação de obsolescência, que pode ser perigosa quando alimentada.

O dinheiro pode proporcionar a liberdade do tempo, mas é o propósito que dá significado a esse tempo. Com o equilíbrio certo, o planejamento para o pós-carreira se torna uma nova fase de vitalidade e realização.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Perestroika tropical ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/perestroika-tropical/464652/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/perestroika-tropical/464652/</guid>
				<description><![CDATA[Se o Estreito de Ormuz retém hoje o fôlego da geopolítica global, o Palácio de Miraflores exige um olhar muito mais cirúrgico. Ali, testemunhamos uma metamorfose estrutural profunda: a saída de Nicolás Maduro e a ascensão de Delcy Rodríguez.

A Venezuela deixou de ser um laboratório de resistência ideológica para se tornar o epicentro de um experimento de sobrevivência pragmática. Delcy é a arquiteta de uma “normalização autoritária” que desafia as leituras convencionais da diplomacia regional.

A demissão de Vladimir Padrino López do Ministério da Defesa e de Samuel Moncada da Embaixada nas Nações Unidas é o marco zero desta era. Ao remover a ponte entre o chavismo originário, as Forças Armadas e a diplomacia, os irmãos Rodríguez – Delcy e Jorge – consolidam um controle civil repressivo, substituindo a lealdade ideológica por uma tecnocrática.

O regime transmutou-se de monolito militar em corporação política. É a “Perestroika tropical”: uma reestruturação econômica desenhada para garantir a longevidade do grupo no poder, sem nenhuma concessão à transparência política.

A mudança mais radical reside na nova Lei de Hidrocarbonetos. Ao permitir que petroleiras estrangeiras operem com controle majoritário, Delcy transformou a PDVSA em um ativo de segurança nacional para potências externas.

É o “capitalismo de Estado” como escudo humano diplomático. Para o governo Trump, o realismo energético carrega o potencial de distensão.

O petróleo fluindo com eficiência é a moeda de troca pelo silêncio internacional sobre o ainda deficit democrático interno, mesmo que esteja em processo de distensionamento.

A geopolítica venezuelana migrou do dogmático “eixo da resistência” para um pragmático “eixo da conveniência”. À China, mesmo que mais distante, Delcy oferece ordem operacional e previsibilidade de pagamentos. Paralelamente, os laços com Cuba e Irã sofreram uma mutação fria, com o subsídio ideológico cedendo espaço à eficiência pura.

Havana agora é tratada como uma prestadora de serviços em declínio, enquanto a presença iraniana se enfraquece para sinalizar ao Ocidente a disposição do regime em mitigar influências indesejadas em troca de reconhecimento.

O triângulo com os EUA é estritamente transacional. Washington tende a preferir uma Venezuela estável e aberta a negócios do que uma democracia incerta.

Assim, a libertação seletiva de prisioneiros políticos funciona como válvula de escape diplomática para arrefecer pressões sem que os Rodríguez renunciem ao controle absoluto.

A inovação de Delcy é o descarte da estética revolucionária em favor da gerencial. Ela compreendeu que a comunidade internacional, exausta de crises, aceita um autoritarismo funcional.

Para o Brasil e a região, o desafio é complexo: lidamos com uma liderança que domina as ferramentas da política global. Delcy criou um ambiente onde o custo de derrubar o regime é maior do que o de mantê-lo.

Se estabilizar a inflação e a produção petrolífera em 2026, ela terá inventado a autocracia do século 21: aquela que não se isola, mas convida o mundo para ser sócio da sua própria permanência.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Agereg e a falha na regulação de serviços]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/agereg-e-a-falha-na-regulacao-de-servicos/464651/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/agereg-e-a-falha-na-regulacao-de-servicos/464651/</guid>
				<description><![CDATA[É lamentável que a Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg) de Campo Grande ainda não tenha aplicado a lei municipal que prevê desconto na tarifa de água para famílias de baixa renda.

Trata-se de uma medida simples, com impacto direto no orçamento de quem mais precisa, e cuja efetivação não depende de grandes obras ou investimentos complexos.

Ainda assim, a norma permanece, na prática, sem produzir efeitos concretos. O atraso não é apenas burocrático, ele revela uma falha de gestão que atinge justamente a parcela mais vulnerável da população.

Mais preocupante do que o descumprimento da lei é o simbolismo dessa omissão. Uma agência reguladora existe para garantir eficiência, equilíbrio contratual e qualidade na prestação dos serviços públicos.

Quando a instituição responsável por fiscalizar e cobrar resultados demonstra ineficiência, instala-se uma contradição que enfraquece sua credibilidade.

Em vez de atuar como instrumento de aprimoramento da gestão pública, a agência acaba sendo percebida como mais um entrave para que políticas públicas saiam do papel.

Enquanto a Agereg parece não estar interessada em regular de fato o serviço público com a agilidade necessária, milhares de famílias carentes continuam sem acesso a um benefício que poderia aliviar despesas básicas.

Em um cenário de aumento do custo de vida, cada desconto na conta de água faz diferença no orçamento doméstico.

Não se trata apenas de números, mas de garantir condições mínimas de dignidade para quem já enfrenta dificuldades para arcar com alimentação, transporte e energia.

Essa não é a primeira vez que a agência é alvo de críticas por sua atuação. A fiscalização do transporte público urbano de Campo Grande, cuja qualidade é questionada há anos, também evidencia limitações na capacidade de regulação.

Linhas insuficientes, demora excessiva e veículos em condições inadequadas são problemas que persistem, apesar da existência de um órgão regulador.

Quando as falhas se repetem em áreas distintas, reforça-se a percepção de que o modelo atual não está funcionando como deveria.

Agências reguladoras devem cumprir seu propósito institucional. Precisam ter independência técnica, autonomia e compromisso com o interesse público.

Seu papel é equilibrar a relação entre concessionárias e usuários, garantindo que contratos sejam respeitados e que serviços essenciais sejam prestados com qualidade.

No entanto, quando não conseguem sequer dar efetividade a uma lei já aprovada, como no caso do desconto na tarifa de água, surge uma dúvida legítima: quem regula o regulador?

A resposta passa por cobrança institucional e transparência. É necessário que a Agereg apresente prazos, justificativas e soluções concretas. O cidadão não pode esperar indefinidamente por um direito já estabelecido.

Regulamentar e fiscalizar não são tarefas acessórias, mas a própria razão de existir de uma agência. Cumprir a lei, nesse caso, é o mínimo esperado

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O país que reconhece o vicaricídio também precisa revogar a Lei de Alienação Parental]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-pais-que-reconhece-o-vicaricidio-tambem-precisa-revogar-a-lei-de/464578/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-pais-que-reconhece-o-vicaricidio-tambem-precisa-revogar-a-lei-de/464578/</guid>
				<description><![CDATA[O Brasil avançou no combate à violência contra as mulheres com a aprovação de um texto substitutivo ao Projeto de Lei (PL) nº 3.880/2024, na Câmara dos Deputados e no Senado, em Brasília (DF).

A matéria criminaliza o vicaricídio – tipificação penal do assassinato de filhos, de familiares ou de pessoas próximas a uma mulher, cometido com o objetivo claro de causar sofrimento emocional intenso a ela, ou puni-la, ou controlá-la.

Além disso, a proposta incluiu a violência vicária na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006). Com a norma, o autor deste crime hediondo pode pegar de 20 a 40 anos de prisão.

Estamos, desta maneira, diante do reconhecimento da Justiça ao uso dos filhos para atingir a mulher no contexto da agressão doméstica. A nova lei, vale lembrar, vem na esteira de um caso que chocou o País, em fevereiro deste ano.

O secretário de Governo da Prefeitura de Itumbiara (GO), Thales Machado, matou seus dois filhos – Miguel, de 12 anos, e Benício, de 8 anos – com disparos de arma de fogo na cabeça, com o intuito de produzir martírio e constrangimento à esposa, Sarah Araújo, filha do prefeito da cidade e de quem, segundo consta, estava se divorciando.

Para não restar dúvidas, o pai assassino deixou uma carta informando sua motivação. Nas linhas e entrelinhas, admitiu que estava fazendo aquilo porque não aceitava ser rejeitado. Logo após tirar a vida das crianças, de forma cruel, torpe e com frieza, o algoz se suicidou.

O texto aprovado no Congresso Nacional sobre o vicaricídio na conjuntura da violência de gênero, agora, aguarda sanção presidencial para entrar em vigor. Sublinho: trata-se de avanço de grande relevo na legislação brasileira e que dialoga diretamente com os debates travados na 70ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW70), realizada em março deste ano pela Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos.

Em seu relatório final, a CSW70 afirma que, “o acesso à Justiça é uma força transformadora”, essencial para enfrentar tirania, desrespeito e opressão ao público feminino e fortalecer a confiança nas instituições.

O texto, inclusive, convoca os Estados a reverem e a emendarem leis discriminatórias, passando, como não poderia deixar de ser, pelo Direito de Família.

Ao reconhecer delitos de natureza vicária como violência doméstica, o Brasil sintoniza seu arcabouço legal com a agenda internacional que exige sistemas jurídicos inclusivos e resposta efetiva às várias formas de violência que vitimam mulheres e meninas.

A partir deste novo marco, há uma outra questão subjacente, e não menos importante, ao meu ver, a ser considerada. Trata-se da Lei de Alienação Parental (Lei nº 12.318/2010), utilizada, muitas vezes, para deslegitimar denúncias.

Ora, quando o agressor instrumentaliza crianças para punir a mãe, não testemunhamos tão somente um conflito ou desentendimento familiar, mas, sim, um crime de violência doméstica.

Ao reafirmar a necessidade de se eliminar leis, políticas e práticas discriminatórias e de garantir medidas de responsabilização e serviços de apoio às sobreviventes de crimes cometidos dentro de um relacionamento, a CSW70 reforça que o foco deve sair da retórica da “disputa parental” e recair sobre a proteção integral de mulheres e de crianças.

No plano interno, ao meu juízo, tal medida exige releitura urgente e restritiva quanto à alienação parental, além de compromisso institucional de não se permitir que tal lei seja acionada para silenciar vítimas.

O Senado tem em mãos uma nova tarefa e oportunidade histórica: revogar a Lei de Alienação Parental e harmonizar o ordenamento à definição de violência vicária recém-aprovada.

Ao fazê-lo, o Brasil atenderá ao chamado da CSW70 por “responsabilização” e por marcos legais que previnam, de fato, novas violações e alinhem o Direito de Família à proteção de direitos humanos da população feminina, de adolescentes e do público infantil.

Em síntese: revogar a Lei de Alienação Parental não é negar a convivência familiar, é impedir que um instrumento jurídico tantas vezes desvirtuado continue servindo ao agressor, e não às vítimas que o sistema deve, por prerrogativa e dever, proteger.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 04 Apr 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Páscoa. Somos merecedores?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/pascoa-somos-merecedores/464577/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/pascoa-somos-merecedores/464577/</guid>
				<description><![CDATA[Dentro do calendário cristão estamos vivenciando intensamente a Semana Santa, cujo desfecho maior é a Páscoa, com a morte e a ressurreição do Cristo, que peregrinou nesta caminhada terrena pregando o amor, o perdão e assegurando-nos a vida eterna.

A história ainda não registrou um gesto de grandeza maior para toda a humanidade. Foi um gesto que o homem não conseguiu interpretar na sua essência a sua importância. Deixaram de lado esse legado precioso.

Marcharam na direção contrária à dos ensinamentos divinos. Esse indicativo é bíblico. 

Retrata com absoluta fidelidade e exatidão o comportamento do ser humano em todos os quadrantes do nosso planeta. Pessoas próximos do Cristo que o acompanharam em toda a sua peregrinação terrena, almoçando com ele, jantando com ele, assistindo e dando o testemunho dos seus milagres foram os primeiros a exteriorizarem a traição e dúvidas.

Algo inacreditável! A ganancia desenfreada pelo dinheiro sujo, aliado a outras tantas vertentes estarrecedoras, podem muito bem sintetizar essa brutalidade de cometimentos.

Caifás, o sumo sacerdote dos judeus foi o seu protagonista maior. Temendo perder o seu poder e a regalia da sua função entregou o Cristo para Pilatos.

Aqueles que se regozijaram com a entrada triunfal do Cristo em Jerusalém no domingo de ramos, foram os mesmos que gritaram pela sua condenação. Nunca vimos uma hipocrisia tão grande!

Se alegraram com os lábios mas com as mãos estendidas para levá-lo à morte. Suas fotografias estão esparramadas por todos os quadrantes da Terra. Em nosso país a realidade não é diferente. As atrocidades que se praticam mostram o desamor e a insensatez do ser humano. 

A matança indiscriminada das nossas mulheres todos os dias, a pedofilia, os roubos, os assaltos à luz do dia, a corrupção, a impunidade e outras tantas ações sórdidas agora alcançam as nossas instituições, bem como os Poderes constituídos da nossa República na feliz expressão do jornalista, Eduardo Oinegue, ancora do Jornal da Band, em um dos seus mais lúcidos comentários a respeito desses fatos.

A verdade resulta cristalina. De se aliar a esse quadro tenebroso temos as guerras insanas que matam inocentes numa sequência interminável. Abalam a estrutura econômica dos países em todos os nossos continentes.

Mostram a inexistência do amor, da compaixão, do perdão e a importância nenhuma das mensagens que foram entregues pelo Cristo. Isso está ocorrendo no mesmo sítio geográfico em que ele mesmo peregrinou e cumpriu seu plano temporal, o Oriente Médio. 

Um território santo que tinha tudo para se constituir em um luminar para auxiliar a humanidade a vencer os desafios da vida diária, suas vicissitudes, suas dificuldades. Sim, porque lá surgiram as três principais religiões monoteístas mais importantes que a humanidade construiu, o primeiro Código de Leis foi ali oferecido aos homens, o Código de Hamurabi, o casamento foi ali instituído, o primeiro templo religioso foi erguido e o homem aprendeu a rezar e a perdoar, a terra foi arada por primeiro e logo em seguida colhido os alimentos.

Exatamente nesse território a humanidade assistiu ao longo dos milênios a imbecilidade do ser humano. Tinha que se constituir em um lugar de luz para a humanidade encontrar e difundir o amor, o perdão e a própria vida eterna que nos foi presenteada.

Virou um lugar sombrio.

Agora a maior potência econômica e militar do planeta, que tinha que se constituir em outro farol a iluminar a caminhada das nações civilizadas para oferecer essa grandeza, mostrou a sua face mais amarga. A Ucrânia vive um pesadelo com o seu vizinho imprevisível.

A faixa de Gaza foi transformada em escombros, onde as famílias que resistiram aos bombardeios vivem sem o respeito e a dignidade que o ser humano merece.

O Líbano está na bancarrota. Sua economia destruída. Parte do seu território anexado e que nunca mais lhe será devolvido. A África arde em guerra ao longo de décadas por disputa de poder e dinheiro.

Tudo isso sob a impotência da ONU. Israel já tem o seu território. Precisam mostrar sua generosidade construindo políticas sadias para a construção do estado da Palestina. Mas isso está longe de acontecer. Não é mais possível conviver com esse espetáculo belicoso por questão religiosa. 

Todos os anos comemoramos a Páscoa. Data preciosa para a renovação da nossa fé e da nossa esperança para um mundo melhor. Os ensinamentos do Cristo continuam vivos em nossos corações, sempre solícitos para o amor e o perdão. É a nossa melhor esperança. Não podemos perder esse presente valioso. Será que somos merecedores? 

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 04 Apr 2026 07:31:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Superendividamento exige mudança cultural]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/superendividamento-exige-mudanca-cultural/464576/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/superendividamento-exige-mudanca-cultural/464576/</guid>
				<description><![CDATA[O superendividamento das famílias brasileiras não pode ser tratado apenas como um problema de governo. Trata-se, sobretudo, de um desafio que envolve toda a sociedade. Quando milhões de pessoas enfrentam dificuldades para honrar compromissos financeiros, o sinal que se acende vai além da economia: revela um padrão de comportamento coletivo que precisa ser repensado.

Uma sociedade mais consciente não se superendivida na proporção observada no Brasil atual.

É evidente que os juros exorbitantes têm papel central nesse cenário. As taxas cobradas em linhas de crédito rotativo – aquelas concedidas com pouca ou nenhuma garantia – são elevadíssimas e, muitas vezes, inviabilizam qualquer planejamento financeiro.

Não há dúvida de que esse custo financeiro é um dos principais fatores do superendividamento. Contudo, ele não atua sozinho. Existe um outro componente igualmente relevante: o imediatismo do consumo.

Os juros elevados persistem também porque há forte demanda por esse tipo de crédito. A lógica da oferta e da demanda, tão presente em outros setores da economia, reproduz-se nas finanças. Quanto maior a procura por crédito fácil, mais espaço existe para a manutenção de taxas elevadas.

O problema, portanto, não se limita à falta de educação financeira, embora ela seja, sem dúvida, uma realidade. O motor dessa demanda vai além: está no desejo constante de adquirir aquilo que não se tem.

Esse impulso de consumo é frequentemente alimentado pela falsa impressão de que a aquisição de um bem trará satisfação imediata, ainda que passageira. Muitas vezes, essa sensação dura apenas alguns dias, ou até mesmo minutos, enquanto a dívida permanece por meses ou anos.

O resultado é um ciclo que se retroalimenta: compra-se para atender a uma expectativa emocional, recorre-se ao crédito caro e, posteriormente, o orçamento fica comprometido, exigindo novas operações financeiras para equilibrar as contas.

Nesse contexto, torna-se necessário discutir valores. Uma sociedade menos consumista tende a se endividar menos e a adotar uma relação mais equilibrada com o dinheiro.

Isso implica, também, desacelerar diante de um ambiente marcado pela comparação constante e pela valorização da aparência, intensificada pelas redes sociais. A pressão por exibir conquistas materiais, muitas vezes, incentiva decisões financeiras precipitadas.

Combater o superendividamento exige políticas públicas, regulação do crédito e fiscalização, mas também requer mudança cultural. Reduzir o consumo impulsivo, valorizar o planejamento e priorizar a estabilidade financeira são passos fundamentais.

Afinal, mais do que equilibrar contas, trata-se de recuperar autonomia e qualidade de vida em uma sociedade que precisa aprender a consumir com responsabilidade.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 04 Apr 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Como a física explica a ressurreição de Cristo]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/como-a-fisica-explica-a-ressurreicao-de-cristo/464548/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/como-a-fisica-explica-a-ressurreicao-de-cristo/464548/</guid>
				<description><![CDATA[O cético olha para a ressurreição e diz que ela é impossível, porque a física não deixa. O crente olha e diz que Deus passa por cima da física quando quer. Eu digo que os dois estão errados, tratando a ressurreição como algo que pertence ao domínio da termodinâmica.

A física tem um sério problema com o tempo, que se vê em todas as equações fundamentais. Se alguém mostrar um reels com uma colisão entre duas bolas de sinuca, ninguém vai perceber quem está batendo em quem se colocarmos aquele efeito de vai e volta, e isso ocorre em razao do que chamamos de reversão temporal.

Newton, Maxwell, Schrödinger, todos produzem equações que funcionam igualmente bem para frente e para trás. A única exceção é a Segunda Lei da Termodinâmica, que acusa que a entropia de um sistema isolado não decresce, e ajusta a seta do tempo.

Pense na entropia como o tanto que as coisas ficam bagunçadas quando ninguém arruma, culpada pelos ovos que quebram e não se reconstituem, pelo café que esfria sozinho e nunca esquenta e afins. Clausius resumiu em 1865 dizendo que a entropia do universo tende a um máximo, e depois Boltzmann explicou que sistemas evoluem para estados mais prováveis, porque esses correspondem a um número muito maior de configurações possíveis.

Um organismo vivo é uma ilha de ordem num oceano de desordem, que se mantém organizado à custa de energia, importando organização e exportando entropia. No estilo da analogia anterior, pense um ser vivo como um quarto que alguém está sempre arrumando. Enquanto tem alguém arrumando, o quarto fica em ordem, mesmo que tudo ao redor seja bagunça. Mas arrumar dá trabalho, gasta energia.

A morte é quando alguém para de arrumar e aí as coisas começam a se espalhar, a se misturar, a se desfazer e o quarto vira aquela zona. A chance de tudo isso se reorganizar sozinho é tão pequena que na prática, não acontece nunca. Até aqui, eu acho que nenhum físico discordaria. Agora começa a parte boa, que todo mundo erra.

É como discutir se uma música é bonita usando só as leis da acústica. A acústica explica como o som viaja, não se a música o emociona. A ressurreição, do jeito que o cristianismo a entende, não é um problema de física.

A própria Bíblia já separa as coisas. Lázaro voltou a viver, sim, mas voltou a morrer também, com efeito de uma reanimação. O corpo dele era o mesmo corpo de antes, funcionando do mesmo jeito. A ressurreição de Cristo já é outra história, literalmente.

Paulo faz questão de explicar isso em 1 Coríntios 15, quando fala que o que se planta não é o que nasce. O corpo que morre é biológico, mas o que ressuscita é outra coisa, que os próprios relatos deixam claro sem tentar esconder a estranheza as aparições que deram material para gasparzinho e Cia. O ressurreto que comia peixe, também atravessava paredes; é reconhecido e não é reconhecido. Aqui, os autores dos Evangelhos estão tentando descrever algo que não cabe nas palavras que eles têm e não fingem que cabe.

A teologia chama isso de descontinuidade ontológica, que em uma linguagem simples, significa que a ressurreição não é esse nosso corpo antigo religado, mas uma passagem para um tipo de existência que não joga pelas mesmas regras, incluindo as regras da termodinâmica. Não é que a física esteja errada, mas é que ela não foi feita para falar sobre isso.

Voltemos aos dois lados, que erram da mesma forma. O cientificista acha que a termodinâmica tem autoridade para barrar a ressurreição, e não tem. Essa transição ontológica não aparece em nenhuma equação. O fideísta acha que Deus precisa quebrar as leis da física para provar alguma coisa, mas um Deus que reverte entropia pontualmente não passa de um ilusionista muito bom. O que a tradição cristã afirma é muito mais radical e bonito do que isso. Não é consertar o que estragou; é inaugurar algo que não existia.

A Segunda Lei da Termodinâmica faz seu trabalho e termina na decomposição do cadáver, quando a entropia bate no máximo e a física simplesmente não tem mais nada para dizer. Neste momento exato é que a teologia começa, no silêncio da física. Se ela está certa ou errada, como Kierkegaard já sabia, isso não se resolve com argumento, se resolve com decisão. Mas, pelo menos, a gente sabe sobre o que está decidindo, porque não é sobre termodinâmica.

 

*Saiba

Daniel Guimarães Tedesco é Doutor em Física pela UERJ e Professor da Escola Superior de Educação, Humanidades e Línguas e do Programa de Pós-Graduação em Educação e Novas Tecnologias no Centro Universitário Internacional UNINTER.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 03 Apr 2026 08:31:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Investimento virou pó e o assessor sumiu: a responsabilidade é da corretora]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/investimento-virou-po-e-o-assessor-sumiu-a-responsabilidade-e-da/464546/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/investimento-virou-po-e-o-assessor-sumiu-a-responsabilidade-e-da/464546/</guid>
				<description><![CDATA[Você confiou no seu assessor de investimentos. Ele trabalhava para uma grande e renomada corretora, utilizava e-mail institucional e, amparado pela credibilidade daquela marca, apresentou uma oportunidade “imperdível”. Meses depois, o investimento virou pó e o patrimônio desapareceu. Ao procurar a corretora, a resposta foi direta e frustrante: “O assessor agiu por conta própria, esse produto não era da nossa plataforma, não temos responsabilidade”. A cena tem se repetido com frequência, mas a justificativa, embora previsível, está longe de se sustentar juridicamente.

Há um ponto essencial que não pode ser ignorado: ninguém entrega as economias de uma vida a um estranho. Quando um investidor aceita uma recomendação, ele não confia apenas na pessoa física do assessor, mas na estrutura institucional que ele representa. É a marca que valida, é a instituição que transmite segurança, são os mecanismos ou, ao menos, a promessa deles de controle que legitimam a relação. Essa confiança não nasce do nada; ela é construída e explorada pela corretora.

É justamente por isso que não faz sentido jurídico permitir que a instituição se beneficie dessa confiança na captação e, depois, tente se eximir quando o resultado é prejuízo. O assessor só teve acesso ao cliente, porque ocupava aquela posição, utilizando estrutura, prestígio e identidade vinculados à empresa. Sem esse contexto, dificilmente a relação sequer existiria.

Do ponto de vista legal, a responsabilidade é clara. O Código Civil estabelece que empregadores e empresas respondam pelos atos de seus prepostos no exercício de suas funções. No mercado financeiro, essa lógica é ainda mais rigorosa. Corretoras e instituições têm deveres regulatórios de supervisão, controle e monitoramento sobre a atuação de seus agentes. Quando um assessor oferece, de forma reiterada, produtos fora da plataforma, isso não aponta para um desvio isolado, indica falha de fiscalização.

Há ainda um elemento decisivo: a chamada teoria da aparência. Para o investidor comum, não existe distinção técnica entre assessor e corretora. Se ele se apresenta com e-mail corporativo, vínculo formal e identidade visual da empresa, ele é percebido, legitimamente, como extensão direta da instituição. E o Direito protege essa confiança. Não se pode exigir do investidor que investigue a arquitetura interna da empresa para saber onde termina a responsabilidade de um e começa a do outro.

Aceitar a negativa automática das corretoras, portanto, é aceitar uma versão conveniente dos fatos – mas juridicamente frágil. O selo institucional não é um detalhe de marketing; é o que torna possível a relação de confiança. E confiança, no Direito, não é um ativo descartável.

No fim, a regra é simples e antiga: quem se beneficia da confiança, responde por ela.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 03 Apr 2026 08:20:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Água tratada leva dignidade às aldeias]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/agua-tratada-leva-dignidade-as-aldeias/464545/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/agua-tratada-leva-dignidade-as-aldeias/464545/</guid>
				<description><![CDATA[O investimento superior a R$ 50 milhões para levar água tratada às aldeias Bororó e Jaguapiru, em Dourados, representa um passo civilizatório que merece ser reconhecido. Trata-se de uma iniciativa que vai além da infraestrutura básica: é uma ação que dialoga diretamente com a dignidade humana, com a saúde pública e com o respeito a uma população que, por décadas, viveu à margem de serviços essenciais. A decisão de implantar um sistema estruturado de abastecimento atende a uma demanda histórica e corrige uma lacuna que não deveria ter persistido por tanto tempo.

A direção da Sanesul e os parlamentares federais que destinaram recursos de emendas para viabilizar a obra estão de parabéns. A articulação institucional demonstrou que, quando há vontade política e coordenação entre diferentes esferas, é possível avançar em soluções concretas. Mais do que anunciar programas ou intenções, a aplicação efetiva dos recursos públicos em obras estruturantes é o que transforma realidades. E, nesse caso, o impacto será direto na vida de milhares de pessoas.

As aldeias Bororó e Jaguapiru, formadas majoritariamente por indígenas das etnias guarani-kaiowá, existem há mais de 40 anos. Quando foram criadas, situavam-se em área rural, distante da expansão urbana. Com o crescimento de Dourados, porém, essas comunidades foram praticamente engolidas pela cidade, tornando-se parte de seu entorno urbano. Ainda assim, permaneceram sem acesso a um serviço básico como a água tratada, um contraste que evidencia desigualdades históricas e a necessidade de políticas públicas mais inclusivas.

É difícil compreender que um espaço onde vivem mais de 14 mil pessoas – população superior à de muitos municípios de Mato Grosso do Sul – tenha permanecido por tanto tempo sem abastecimento adequado. A ausência de água tratada impacta diretamente a saúde, a alimentação e as condições mínimas de higiene. Ao longo dessas décadas, os moradores enfrentaram períodos de fome, dificuldades estruturais e, mais recentemente, lidam com um surto de febre chikungunya, que expõe ainda mais a vulnerabilidade sanitária da região.

Nesse contexto, o investimento não deve ser visto apenas como uma obra de saneamento, mas como uma medida preventiva de saúde pública. O acesso à água tratada reduz a incidência de doenças, melhora a qualidade de vida e cria condições para o desenvolvimento social. Trata-se de uma intervenção que dialoga com o presente, mas também com o futuro dessas comunidades, que passam a ter melhores condições para superar desafios históricos.

Pela dimensão do impacto social, este certamente figura entre os maiores e mais relevantes investimentos em infraestrutura já realizados em Mato Grosso do Sul. Não apenas pelo volume de recursos, mas pelo alcance humano e simbólico da iniciativa. Garantir água tratada a milhares de indígenas é promover dignidade, reduzir desigualdades e reconhecer que todos os sul-mato-grossenses têm direito aos mesmos serviços básicos.

Que essa obra seja concluída com celeridade e que sirva de exemplo. Investimentos desse porte demonstram que políticas públicas bem direcionadas podem, de fato, transformar realidades e corrigir injustiças históricas. 

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 03 Apr 2026 08:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Multas milionárias não impedem renovação da concessão da Energisa MS]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/economia/multas-milionarias-nao-impedem-renovacao-da-concessao-da-energisa-ms/464457/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/economia/multas-milionarias-nao-impedem-renovacao-da-concessao-da-energisa-ms/464457/</guid>
				<description><![CDATA[A Energisa MS recebeu aval do Tribunal de Contas da União (TCU) para renovar por mais 30 anos a concessão de energia em 74 municípios de Mato Grosso do Sul, mesmo com multas que somam R$ 53,122 milhões por falhas na prestação do serviço a 1,15 milhão de consumidores. Desse total, R$ 47,9 milhões estão em discussão por meio de recursos administrativos e outros
R$ 5,132 milhões têm a cobrança suspensa por decisão judicial.

A preocupação com multas não pagas foi levantada pela diretora da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Agnes da Costa, em um processo analisado pela autarquia no ano passado sobre a prorrogação das concessões de 19 distribuidoras em todo o País.

Segundo ela, naquele momento, o setor acumulava R$ 944 milhões em multas não quitadas, muitas delas discutidas na Justiça, o que, na avaliação apresentada ao TCU, criava uma percepção de impunidade.

O relator do caso no Tribunal, Jorge Oliveira, mencionou esse cenário em voto aprovado no dia 11 de março, que resultou no acórdão autorizando a prorrogação das concessões da Energisa Paraíba, da Energisa Mato Grosso do Sul e da RGE Sul.

Em outro processo, o ministro Antonio Anastasia analisou uma denúncia do Instituto Nacional de Energia Limpa (Inel), apresentada em agosto do ano passado, que questionava a renovação das concessões de distribuidoras com pendências junto à Aneel. No relatório, ele destacou que a agência realizou consulta pública para discutir mudanças nos termos da prorrogação.

Inicialmente, uma nota técnica sugeria exigir que as empresas quitassem multas definitivas e desistissem das ações judiciais relacionadas com elas antes de renovar os contratos.

A ideia era evitar que concessionárias renovassem a concessão enquanto contestavam as próprias regras da renovação na Justiça. Durante a consulta pública, porém, parte dos participantes pediu a retirada dessa exigência.

A Procuradoria da Aneel avaliou então que o decreto que trata das renovações não prevê a obrigatoriedade de pagamento das multas como condição para a prorrogação. Segundo o parecer, a agência não teria autorização legal para impor essa exigência nem para obrigar as empresas a desistirem de ações judiciais.

Caso Enel em SP

No processo, Agnes da Costa argumentou que as multas são um instrumento para incentivar a melhoria do serviço e alertou que a judicialização frequente suspende a cobrança das penalidades, reforçando a sensação de impunidade.

Ela citou como exemplo o desempenho considerado insatisfatório da Enel São Paulo em 2023 e 2024. Diante disso, a diretoria da Aneel chegou a recomendar que o governo avaliasse incluir a obrigação de quitar multas em até 180 dias.

Sem respaldo legal

A Procuradoria da Aneel, porém, voltou a afirmar que não há base legal para condicionar a renovação ao pagamento das multas. Com isso, a exigência foi retirada das minutas dos termos aditivos.

Posteriormente, a diretora sugeriu novamente a inclusão dessa obrigação, mas o Ministério de Minas e Energia concluiu que isso não seria possível, visto que a exigência não está prevista na Lei nº 9.074/1995 nem no Decreto nº 12.068/2024.

Com base nesses entendimentos, o TCU considerou que concessões podem ser prorrogadas mesmo com multas não quitadas, incluindo a da Energisa MS.

O relator destacou que, como as penalidades estão com cobrança suspensa por recursos administrativos ou decisões judiciais, as empresas não são consideradas inadimplentes.

O tribunal também avaliou que seria possível exigir o pagamento das multas, mas apenas com alteração do decreto vigente. Além disso, apontou que mudar as regras durante o processo de renovação poderia gerar insegurança jurídica.

No caso específico da Energisa MS, há uma autuação de 2010 com cobrança suspensa pela Justiça. O valor atualizado soma R$ 5,132 milhões, incluindo multa e juros. Outros R$ 47,990 milhões estão em discussão administrativa, totalizando R$ 53,122 milhões ainda não pagos.

Como contrapartida, o TCU recomendou que os novos termos da concessão incluam exigências como modernização das cláusulas contratuais, criação de indicadores de qualidade, digitalização das redes, maior transparência e mecanismos para áreas com restrições operacionais.

Também foram previstas medidas para aumentar a resistência das redes a eventos climáticos extremos e a possibilidade de mudança no modelo de regulação.

Embora o TCU tenha autorizado a prorrogação, a decisão final cabe à Aneel. A agência ainda deverá votar o parecer em reunião da diretoria colegiada antes do término da concessão atual, em 4 de dezembro de 2027. O novo contrato terá validade de 30 anos.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2026/04/energisa.jpg" medium="image"/>
				
				<category>Economia</category>
				<pubDate>Thu, 02 Apr 2026 08:05:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O custo invisível da IA]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-custo-invisivel-da-ia/464451/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-custo-invisivel-da-ia/464451/</guid>
				<description><![CDATA[Entre ganhos e perdas, o uso de inteligência artificial (IA) pelas empresas tem sido muito discutido a partir do viés financeiro. Alguns levantamentos reforçam um cenário multifacetado, como a pesquisa global da KPMG, que mostra que 57% dos líderes afirmam que o retorno sobre investimento com IA supera as expectativas, enquanto um estudo do MIT indica que 95% das implementações de IA generativa nas companhias ainda não revelam impacto mensurável no lucro e prejuízo.

Números como esses ressaltam que, mesmo com muitas organizações percebendo valor na adoção da tecnologia, a captura plena de benefícios financeiros ainda não está acontecendo.

Se por um lado a IA reduz gastos ao automatizar tarefas repetitivas, otimizar processos e aumentar a eficiência operacional, por outro também gera custos relevantes com infraestrutura tecnológica, processamento em nuvem, governança de dados, adequação regulatória e capacitação contínua das equipes.

A mensuração da sua eficácia, portanto, não pode ser feita levando em consideração as economias imediatas, sendo necessário analisar o valor estratégico gerado ao longo do tempo, seja na melhoria da qualidade das decisões, aceleração de ciclos de inovação, redução de riscos operacionais ou capacidade de escalar o negócio com maior previsibilidade.

Em outras palavras, o retorno da IA não se mede apenas no corte de despesas, mas na vantagem competitiva construída com seu uso. Por isso, os debates deveriam focar no quanto se transforma a partir dela – além de, é claro, seus custos invisíveis.

O primeiro deles ocorre antes mesmo do modelo entrar em produção, ao preparar, integrar e qualificar dados, tarefas que exigem das organizações um compromisso estratégico com governança de dados e maturidade analítica desde o início e não apenas quando surgem resultados tangíveis.

Outro impacto pouco comentado é o custo operacional contínuo dos sistemas de IA. Ao contrário de aplicações tradicionais, os modelos de IA exigem monitoramento constante, retraining para lidar com deriva de dados, ferramentas de observabilidade e atualizações de segurança.

Todas essas despesas podem corresponder a uma boa parcela do custo inicial anualmente, transformando a IA de um ativo estático em um sistema vivo que precisa de atenção contínua.

Há também gastos que surgem indiretamente, como a complexidade de governança e compliance. A ausência dessas estruturas pode comprometer confiança, exposição ao risco regulatório e até valuation corporativo, o que, paradoxalmente, pode custar mais caro do que a tecnologia em si.

Portanto, é preciso entender que governança de IA não é um “extra”, mas sim parte integrante da sustentabilidade tecnológica de longo prazo.

Ainda assim, não devemos focar apenas nos custos e ignorar as oportunidades trazidas pela tecnologia: quando bem planejada e integrada à estratégia corporativa, ela tem potencial para desbloquear valor exponencial.

Um relatório da Deloitte estima que a IA pode evitar cerca de US$ 70 bilhões em perdas anuais com desastres naturais até 2050, ao aumentar a resiliência das infraestruturas críticas.

Acredito que o verdadeiro desafio hoje é saber escolher quando vale a pena usar a inteligência artificial para ganhar vantagem competitiva. Para isso, as empresas precisam priorizar iniciativas que resolvam problemas centrais dos negócios, em vez de se deixar levar por todo novo “hype tecnológico”.

A discussão sobre o custo invisível nos leva, portanto, a uma conclusão prática: não existe IA barata, mas existe IA valiosa, e quem compreender e internalizar essa visão poderá verdadeiramente aproveitá-la de forma positiva e sustentável.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 02 Apr 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Às portas do Judiciário  transferência da responsabilidade sobre veículos]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/as-portas-do-judiciario-transferencia-da-responsabilidade-sobre/464450/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/as-portas-do-judiciario-transferencia-da-responsabilidade-sobre/464450/</guid>
				<description><![CDATA[Entre as demandas que têm empanturrado o Judiciário, especialmente nas varas e nos juizados da Fazenda pública, estão os casos de cobranças de multas e de tributos, após a venda de veículos.

Nesse cenário, têm-se algumas variáveis que devem ser consideradas, para não se incorrer no risco de se formular uma conclusão genérica, pois tudo tende a impactar a relação do antigo ou do novo proprietário do bem com o Estado.

Em um primeiro momento, temos a situação mais comum, consistente naquela transação realizada entre comprador e vendedor, em que praticamente só se tem o céu por testemunha. Trata-se da velha situação, hoje inadmissível, em que se transfere a posse de um veículo, sem que se formalize, minimamente, a compra e venda. 

É a famosa situação do “dinheiro para cá, veículo para lá”, em que o interesse imediato do vendedor é o recebimento do valor, e o do comprador é o bem entregue.

Nessa hora, a pressa em fechar o negócio acaba deixando em segundo plano a diligência de se comunicar a venda ao órgão de trânsito, o que, embora não tenha o condão de invalidar o negócio celebrado entre as partes, é o motivo alegado para se responsabilizar o antigo dono. 

Essa conduta poderá tornar o sonho da compra e venda em um indesejável pesadelo, que se perpetuará por noites em claro.

A legislação de trânsito impõe ao antigo proprietário a obrigação de ele proceder com a comunicação de venda do veículo, ao órgão de trânsito, dentro do prazo de 30 dias. 

Essa exigência está disposta tanto no art. 134 do Código de Trânsito Brasileiro, como na Resolução nº 398, de 13 de dezembro de 2011, do Contran.

Na prática, quem fecha o negócio está mais preocupado em seguir a vida, a partir dali, olvidando que a tradição de um bem veicular não se assemelha a de um objeto qualquer. 

No entanto, pode subsistir a responsabilidade solidária do vendedor pelas multas e demais encargos incidentes sobre o veículo, excetuando-se o IPVA, conforme entendimento assim sumulado (nº 385), pelo Superior Tribunal de Justiça: “A responsabilidade solidária do ex-proprietário, prevista no art. 134 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), não abrange o IPVA incidente sobre o veículo automotor, no que se refere ao período posterior à sua alienação”.

Afora esse caso mais comum que envolve responsabilidade tributária na compra e venda de veículo, existem situações em que, por força da própria legislação, não mais deve incidir a cobrança de IPVA, para veículos com mais de 20 anos de fabricação, conforme a novel redação da Emenda Constitucional nº 137, promulgada em dezembro de 2025.

Essa alteração constitucional uniformizou a legislação pertinente, que variava, conforme o estado da Federação.

Em outros casos, como quando a transação já se dera há remotos tempos, em que não eram exigíveis formalidades legais, não se torna mais razoável a incidência dos encargos tributários, seja porque o veículo se encontra formalmente como “frota desativada”, seja por estar em situação em que assim se presuma.

De toda forma, não vivemos mais naqueles saudosos tempos de nossos avós, em que a palavra de homem era cláusula pétrea, tampouco os negócios hoje celebrados geram efeitos intrínsecos e inofensivos às partes. 

Daí a importância de se formalizarem as transações de compra e venda, pois o veículo pode até morrer de velho, mas o seguro, como consagrado na experiência popular, não pode, nem deve morrer jamais.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 02 Apr 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Mercado precisa de regras e fiscalização ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/mercado-precisa-de-regras-e-fiscalizacao/464449/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/mercado-precisa-de-regras-e-fiscalizacao/464449/</guid>
				<description><![CDATA[O anúncio feito nesta semana pelo governador de Mato Grosso do Sul, de que o Estado intensificará a fiscalização sobre distribuidoras e postos de combustíveis para evitar abusos nos preços do óleo diesel, da gasolina e do etanol, vai na direção correta.

Em um cenário de constante oscilação nos valores e forte impacto sobre o custo de vida da população e sobre a cadeia produtiva, sobretudo o transporte e o agronegócio, a atuação do poder público como agente fiscalizador torna-se não apenas legítima, mas necessária.

A medida ganha ainda mais relevância no momento em que o governo estadual já sinalizou adesão à proposta do governo federal de reduzir a tributação sobre o óleo diesel importado.

A redução de impostos, por si só, não garante que o consumidor final será beneficiado. Sem acompanhamento rigoroso, há o risco de que a diminuição de custos fique concentrada nos intermediários, sem refletir nas bombas.

Daí a importância de combinar políticas tributárias com fiscalização efetiva, garantindo que eventuais benefícios cheguem de fato à população.

No entanto, considerando o peso institucional do Estado, essa vigilância deveria ser uma prática permanente, e não apenas uma reação pontual.

A atuação precisa ser contínua, não apenas por parte do Procon de Mato Grosso do Sul, mas também dos demais órgãos de defesa do consumidor e do Ministério Público.

A fiscalização sistemática cria previsibilidade, reduz distorções e sinaliza ao mercado que práticas abusivas não serão toleradas. É a presença constante do Estado que assegura o cumprimento das regras.

Há, é verdade, uma infinidade de teses – muitas delas conflitantes – sobre o papel do Estado na economia. Contudo, independentemente da corrente ideológica, é preciso reconhecer que uma fiscalização firme não sufoca o mercado; ao contrário, estimula a livre concorrência.

Quando os agentes econômicos sabem que há controle, transparência e regras claras, as disputas se tornam mais equilibradas e os preços tendem a refletir melhor a dinâmica real de custos e oferta.

Uma analogia ajuda a compreender esse ponto: imagine uma partida de futebol sem árbitro, na expectativa de que as duas equipes se autorregulem. Quem mediará os conflitos? Quem fará cumprir as regras? Quem impedirá as faltas mais duras? No mercado, a lógica é semelhante.

O poder público atua como árbitro, garantindo que a competição ocorra dentro dos limites estabelecidos e que nenhum agente abuse de sua posição.

Quando poucas empresas – como ocorre com as grandes distribuidoras de alcance nacional – concentram a capacidade de formar preços, o risco de distorções aumenta.

Nesses casos, o discurso de livre mercado perde força e surgem suspeitas de alinhamentos que prejudicam a concorrência.

A fiscalização, portanto, torna-se ferramenta essencial para evitar que a concentração se transforme em prática cartelizada, com prejuízos diretos ao consumidor.

Que o anúncio não seja apenas pontual. Que a fiscalização se intensifique, torne-se permanente e seja ampliada. A presença ativa do Estado, nesse caso, não representa intervenção indevida, mas sim a garantia de um mercado mais justo, competitivo e transparente.

Quem ganha é a população, que depende do combustível não apenas para se locomover, mas para sustentar toda a dinâmica econômica do Estado.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 02 Apr 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Na democracia, a alternância no poder é salutar]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/na-democracia-a-alternancia-no-poder-e-salutar/464396/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/na-democracia-a-alternancia-no-poder-e-salutar/464396/</guid>
				<description><![CDATA[Tanto salutar como necessária, pois somente assim a participação do povo, que escolhe seus representantes, pode ser sentida, evitando a continuidade de um grupo dominante, em que o vício na administração se torne caminho fértil à corrupção, que compromete os recursos pagos pelos cidadãos, que não têm o respectivo retorno nas necessidades básicas da população, como na educação, na saúde, na segurança, como também na construção e na melhoria das vias públicas e rodovias.

A democracia pode não ser um sistema perfeito de governo, porém, ainda é o melhor. Sua origem se deu por volta do século 5 a.C. A palavra democracia vem do grego “demos”, que significa povo, e “kratos”, que significa “poder”. Tudo teve origem em Atenas, onde, no ano 508 a.C., Clístenes implementou reformas que levaram à criação da democracia ateniense, em que cidadãos (homens livres, nascidos em Atenas) tinham direito a participar das decisões políticas da cidade.

A ideia de democracia evoluiu ao longo da história, influenciando a Revolução Francesa, a independência dos Estados Unidos e a criação de democracias modernas. É bom ressaltar que a democracia moderna se desenvolveu principalmente a partir das ideias iluministas do século 18, com a Revolução Francesa, em 1789, e a Revolução Americana, em 1776, sendo consideradas marcos importantes.

As democracias modernas são caracterizadas pelo sistema representativo, em que os cidadãos elegem representantes para tomar decisões em seu nome.

Apesar de frequentes reformas constitucionais, o sistema eleitoral ainda carece de algo que possa inibir o continuísmo no poder, algo que está enraizado na cultura política do País desde os tempos das capitanias hereditárias, ainda no Brasil colonial.

Os senhores políticos experientes se utilizam de mecanismos legais para se perpetuarem no poder e, ao se aposentarem, já têm seus sucessores devidamente escolhidos, sem que tal prática seja considerada ilegal e, muito menos, imoral.

Por que não limitar os mandatos dos vereadores, deputados e senadores a apenas uma reeleição?

Refletindo melhor, política não é profissão; além do mais, propicia a criação de novas leis, novos regulamentos que sempre se tornam benefícios em causa própria.

Estamos em ano eleitoral, eis aí uma excelente oportunidade para desalojar os políticos profissionais, que sequer apresentam projetos, emendas ou indicações que visem à melhoria da condição de vida das pessoas carentes.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 01 Apr 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Após a COP15, a sombra das hidrovias põe à prova os compromissos do Brasil com a natureza]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/apos-a-cop15-a-sombra-das-hidrovias-poe-a-prova-os-compromissos-do/464393/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/apos-a-cop15-a-sombra-das-hidrovias-poe-a-prova-os-compromissos-do/464393/</guid>
				<description><![CDATA[Enquanto delegados de dezenas de países participaram da COP15 sobre Espécies Migratórias, discutindo, entre outras pautas, diretrizes internacionais para infraestruturas compatíveis com a biodiversidade, a realidade fora dos auditórios impunha um teste imediato. Avança a passos largos a proposta de uma hidrovia que pode comprometer o pulso de inundação que sustenta o Pantanal.

O momento é crítico. Nas últimas décadas, o Pantanal secou e queimou mais do que qualquer outro bioma brasileiro. Houve perda significativa de superfície de água e incêndios sem precedentes, como em 2020 e, novamente, em 2024. Diante desse cenário, surge uma questão incontornável: como avançar com um projeto dessa magnitude justamente quando reconhecemos a crescente vulnerabilidade do bioma?

Assim como no Tapajós, os interesses por trás da hidrovia estão ligados à expansão logística de grandes cadeias produtivas. Enquanto na Amazônia o foco das hidrovias é o escoamento de grãos, no Pantanal o foco recai sobre o escoamento de minério de ferro extraído em Corumbá, com um agravante: ainda que os ritos de um processo de concessão desta magnitude, com leilão e licenciamento ambiental, as peças do tabuleiro movimentam-se como se o projeto fosse uma certeza.

No fim do ano passado, o BNDES aprovou R$ 3,7 bilhões para apoiar a mineradora LHG Mining, do grupo J&F, na construção de embarcações destinadas ao transporte de minério de ferro.

O objetivo declarado é explícito: eliminar gargalos logísticos e ampliar a capacidade de exportação mineral. Ou seja, não se trata apenas de uma proposta em debate, trata-se de uma cadeia de infraestrutura já em curso, financiada com recursos públicos.

O volume de recursos chama atenção não apenas pelo montante, mas pela prioridade política que revela. Para efeito de comparação, os R$ 3,7 bilhões destinados a esse projeto superam o orçamento anual de instituições fundamentais para o País, como o Ibama ou o CNPq.

A assimetria é evidente: bilhões para acelerar corredores de exportação, enquanto órgãos encarregados de proteger os ecossistemas e produzir conhecimento operam sob restrições.

A pergunta, então, é direta: a quem serve esse modelo de desenvolvimento?

A questão se agrava diante do escândalo recente envolvendo a J&F sobre transações financeiras suspeitas com parentes de parlamentares, reforçando preocupações sobre a influência de interesses privados em decisões públicas estratégicas.

Ainda que os casos sigam em apuração, eles reforçam um alerta já conhecido no Brasil: grandes projetos de infraestrutura frequentemente avançam em ambientes onde os limites entre interesse público e privado se tornam perigosamente difusos.

Transformar rios naturais em canais de navegação exige intervenções profundas com impactos irreversíveis. Em 2024, mais de 40 especialistas publicaram um artigo em um prestigiado jornal científico alertando sobre os impactos catastróficos da hidrovia, que seria, potencialmente, o fim do Pantanal.

De acordo com especialistas, as mudanças previstas no projeto alteram o funcionamento dos rios, encurtando e reduzindo as cheias sazonais, o pulso que regula a vida no Pantanal. Esse ciclo sustenta a reprodução de peixes, a fertilidade do solo e a diversidade de habitats.

Espécies migratórias e comunidades locais dependem diretamente dele. Alterá-lo não é apenas uma questão ambiental, mas também social e econômica.

Há ainda efeitos indiretos: cheias mais curtas favorecem o ressecamento precoce da vegetação, aumentando o risco de incêndios. A aceleração do fluxo da água a partir do aprofundamento do canal intensifica a erosão e o transporte de sedimentos, ampliando o assoreamento a montante do rio e exigindo intervenções contínuas.

Para o escoamento de minérios no Pantanal, a própria sociedade civil defende a existência de uma alternativa mais barata, com menor impacto ambiental e que atende a outros anseios sociais de mobilidade e impulsionamento do ecoturismo na região: a reativação da ferrovia e do famoso Trem do Pantanal.

No mês passado, o governo federal ouviu as vozes dos povos da Amazônia. No Pantanal, ainda não. Mas o debate ganha força.

Durante a COP15, pesquisadores, representantes da sociedade civil e comunidades foram ouvidos em audiência pública na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, proposta pelo deputado Pedro Kemp, que atendeu aos anseios e pedidos da sociedade civil.

Durante a ocasião, o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, recebeu uma carta assinada por mais de 150 organizações e pesquisadores solicitando a suspensão do projeto e demandando também participação social nos processos decisórios.

Ainda durante a COP15, representantes se reuniram com o vice-ministro, sr. João Paulo Capobianco, também para entrega formal da carta com a mesma demanda.

Decisões sobre infraestrutura não são neutras. Elas redesenham territórios, reorganizam economias e moldam o futuro. Em um bioma que já seca e queima em ritmo alarmante, nossos esforços e investimentos deveriam garantir a preservação e a recuperação do bioma.

A credibilidade dos compromissos feitos pelo governo brasileiro na COP15 e além será medida nas decisões concretas. Proteger os rios do Pantanal não é apenas uma questão local, é um teste direto de coerência entre discurso e ação.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 01 Apr 2026 07:35:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Transparência nas emendas é essencial]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/transparencia-nas-emendas-e-essencial/464390/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/transparencia-nas-emendas-e-essencial/464390/</guid>
				<description><![CDATA[A decisão do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) de exigir que as prefeituras prestem contas da aplicação de recursos provenientes de emendas parlamentares é não apenas acertada, mas necessária.

Trata-se de uma medida que reforça um princípio básico da administração pública: todo dinheiro público precisa ser acompanhado de transparência, controle e resultados.

Em um cenário no qual as emendas têm ganhado cada vez mais peso nos orçamentos municipais, o acompanhamento rigoroso desses recursos deixa de ser opcional e passa a ser indispensável.

A iniciativa do órgão de controle também aponta para uma direção que deveria ser regra em todos os níveis da federação: a transparência na aplicação de emendas deve ser adotada de cima para baixo.

Não faz sentido exigir rigor apenas na ponta, enquanto outras esferas permanecem com níveis distintos de prestação de contas.

Se o recurso é público, independentemente de sua origem, deve estar sujeito aos mesmos critérios de publicidade, rastreabilidade e avaliação. A sociedade precisa saber quanto foi destinado, onde foi aplicado e quais benefícios efetivos foram gerados.

Lamentavelmente, ainda há resistência quando o assunto é prestar contas. E essa resistência levanta uma pergunta inevitável: quem não gosta de transparência prefere o quê? O questionamento é duro, mas necessário.

A ausência de controle abre espaço para distorções, desperdícios e, em casos mais graves, práticas que ferem a ética e a legalidade.

Não se trata de suspeitar previamente de gestores, mas de criar mecanismos que previnam irregularidades e fortaleçam a confiança da população.

Mais do que divulgar números, é fundamental avançar para a avaliação da eficiência. Não basta informar que determinada emenda foi aplicada; é preciso demonstrar o que mudou com aquele investimento.

Houve melhoria no atendimento à população? O serviço público foi ampliado? A obra entregue atende às necessidades da comunidade? O dinheiro público não pode ser medido apenas pela execução orçamentária, mas pelos resultados concretos que produz.

Espera-se, portanto, que as prefeituras sul-mato-grossenses – mais da metade dos municípios do Estado – se adaptem às determinações do órgão de controle.

O cumprimento das exigências não deve ser visto como obstáculo burocrático, mas como oportunidade de aprimorar a gestão e fortalecer a credibilidade das administrações locais. Transparência não é punição; é instrumento de boa governança.

Ao estabelecer parâmetros mais claros para a prestação de contas das emendas parlamentares, o TCE-MS cumpre seu papel e sinaliza que a gestão pública precisa avançar em qualidade e responsabilidade.

Quem ganha com isso é a população, que tem o direito de saber como cada centavo do dinheiro público é aplicado e, sobretudo, quais benefícios reais são entregues à sociedade.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 01 Apr 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[China captura a OMC  avanço autoritário contamina estruturas multilaterais]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/china-captura-a-omc-avanco-autoritario-contamina-estruturas/464327/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/china-captura-a-omc-avanco-autoritario-contamina-estruturas/464327/</guid>
				<description><![CDATA[A diplomacia, em sua essência, sempre foi o terreno da palavra empenhada e do reconhecimento mútuo como bases para a prosperidade. Contudo, o que testemunhamos na 14ª Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), sediada em Yaoundé, Camarões, sugere uma era sombria, em que a hospitalidade multilateral deu lugar à “geopolítica de guichê”.

A retirada da delegação de Taiwan, após a tentativa deliberada do país-sede de designar a ilha como uma “província da China”, não é um erro burocrático; é o sintoma da erosão institucional frente a pressão do capital autocrático.

Como alguém que liderou diretrizes estratégicas no comando da ApexBrasil, vejo este episódio com gravidade. Taiwan não é um ator periférico que pode ser apagado por conveniência de uma potência autoritária. Membro da OMC desde 2002, o país consolidou-se como um “membro modelo”, adotando padrões de transparência e propriedade intelectual que muitos de seus detratores ainda relutam em seguir. Tentar silenciá-lo é agredir o mérito comercial que a organização deveria proteger.

A hostilidade de Camarões explica-se pelos balanços financeiros de Yaoundé. Trata-se de uma “captura de Estado” via endividamento. Em 2025, os investimentos chineses na África atingiram US$ 61 bilhões – do Porto de Kribi à infraestrutura digital –, a soberania camaronesa foi dada como garantia.

Em Yaoundé, Camarões não exerceu soberania, mas pagou um “juro político” a Pequim, oferecendo a cabeça de um ator legítimo no xadrez global em troca da rolagem de sua dívida externa. Tem método.

Esta manobra ignora a realidade incontestável deste ano: os semicondutores são o motor do mundo. Com exportações superiores a US$ 640 bilhões e o domínio de 90% da produção de chips de última geração (2nm e 3nm), Taipei detém a “soberania do silício”.

Discutir cadeias de suprimentos ou inteligência artificial em uma mesa onde o principal produtor é impedido de negociar é uma encenação de absoluta irrelevância técnica. Sem Taiwan, os debates da OMC tornam-se conversas irrelevantes.

O prejuízo é sistêmico. Ao permitir que um país-sede manipule designações para satisfazer credores, a OMC deixa de ser regida por regras e torna-se um feudo de influência.

Esse “gaslighting institucional” acelera a fragmentação do comércio global, empurrando as democracias liberais para fóruns paralelos e esvaziando a utilidade das organizações multilaterais.

É imperativo que lideranças, especialmente no Brasil, reconheçam Taiwan e casos como o de Kosovo pelo que são: nações soberanas na prática e parceiras indispensáveis na teoria.

A soberania moderna se mede pela essencialidade na estrutura produtiva. Enquanto Taipei é soberana, porque o mundo não funciona sem sua inovação e tecnologia, Camarões mostrou que sua política externa está à venda.

Exclusões diplomáticas são o maior erro estratégico da atualidade. Ao tentar apagar a ilha do mapa institucional, Pequim e seus prepostos não unificam territórios, apenas submetem fóruns internacionais aos desejos de autocracias em detrimento de democracias prósperas.

O comércio exige pragmatismo e clareza. Sob o sol deste ano, a independência de democracias robustas brilha com uma intensidade que nenhuma burocracia financiada por bancos chineses será capaz de obscurecer.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 31 Mar 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Receber bem: eis uma regra básica de sobrevivência]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/receber-bem-eis-uma-regra-basica-de-sobrevivencia/464326/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/receber-bem-eis-uma-regra-basica-de-sobrevivencia/464326/</guid>
				<description><![CDATA[A COP15 de Espécies Migratórias, realizada na última semana em Campo Grande, nos trouxe orgulho, mas também preocupações e importantes reflexões sobre a sobrevivência das espécies migratórias.

O Pantanal é um dos ambientes utilizados por mais de 200 espécies em seus ciclos de migração, colorindo céus e terras em verdadeiros espetáculos da natureza.

No entanto, a redução do espelho d’água no bioma, estimada em mais de um milhão de hectares, vem colocando em risco inúmeras espécies, pela interrupção de processos ecológicos fundamentais à sua sobrevivência.

Um símbolo de ambiente saudável, a ariranha, foi anunciada durante o evento como espécie ameaçada de extinção. Em regiões como o Rio Negro, no Pantanal, suas populações já reduziram em mais de 50%.

Animal amplamente caçado no século passado pela beleza de sua pele, teve suas populações recuperadas entre as décadas de 1960 e 1990. Tive a honra de percorrer o Pantanal com o médico Jorge Schweizer, um apaixonado por essa espécie, avaliando seu status naquele período.

Hoje, o Pantanal está enfraquecido pela redução das águas. Nesse contexto, inspirado na sabedoria de Manoel de Barros, que nos disse:

“Louvo, portanto, esta fonte de todos os seres e de todas as plantas. Vez que todos somos devedores destas águas.”

Devemos nos colocar em estado de atenção e alerta – não apenas pela ariranha, mas por nós mesmos. 

Negar ou subestimar as mudanças climáticas, somadas à ambição humana, pode nos levar a um ponto sem retorno. Pode não haver para onde migrar.

Mas ainda há tempo.

Precisamos reagir. Investir no diálogo, como vimos neste importante encontro em nossa Capital. Avançar na restauração de áreas degradadas, no plantio de mudas e na proteção das nascentes.

“As águas são a epifania da criação.”

São também a esperança da nossa espécie.

O tempo das atitudes precisa ganhar escala. As empresas precisam olhar para as externalidades como parte do problema e da solução. O lucro precisa dialogar com a sociedade e com os desafios impostos pelas mudanças climáticas e pela escassez de recursos naturais.

E, como indivíduos, cada um pode e deve participar. Contribuir. Praticar gestos de civilidade.

Essa não pode ser uma sobrecarga.

É uma regra.

E uma necessidade para a nossa sobrevivência.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 31 Mar 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Diesel subsidiado exige fiscalização]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/diesel-subsidiado-exige-fiscalizacao/464325/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/diesel-subsidiado-exige-fiscalizacao/464325/</guid>
				<description><![CDATA[A decisão do governo federal de ampliar a subvenção ao óleo diesel, em meio à escalada de tensões provocada pela guerra no Oriente Médio, surge como uma resposta emergencial a um problema que costuma ter efeitos rápidos e profundos na economia.

O leitor saberá com mais detalhes nesta edição que a medida também deverá ser acompanhada pelo governo de Mato Grosso do Sul, por um período de dois meses, numa tentativa de amortecer os impactos imediatos da alta internacional dos combustíveis.

O efeito prático é claro: trata-se de uma desoneração do produto, com a intenção explícita de que a redução de tributos seja repassada integralmente ao consumidor final.

O diesel tem papel estratégico, pois influencia diretamente o custo do transporte de cargas, a produção agrícola e, consequentemente, o preço dos alimentos.

Ao aliviar esse componente, busca-se conter a inflação no curto prazo e evitar que a escalada internacional contamine ainda mais os índices domésticos.

No entanto, a experiência brasileira recomenda cautela. Medidas dessa natureza, embora bem-intencionadas, podem se transformar em armadilhas se não forem acompanhadas de fiscalização rigorosa.

O histórico recente mostra que, em muitos casos, quando governos reduzem tributos, parte da cadeia de distribuição e revenda amplia suas margens, absorvendo o benefício que deveria chegar ao consumidor. É justamente esse o risco que precisa ser combatido desde o primeiro momento.

Os órgãos de fiscalização devem atuar de forma firme e coordenada para evitar distorções. Procons, agências reguladoras e demais instâncias de controle precisam monitorar preços, margens e comportamento do mercado.

Sem essa vigilância, a política pública perde sua eficácia e ainda gera a percepção de que o Estado abriu mão de receita sem garantir o retorno social pretendido.

Há também outro perigo, talvez ainda mais relevante: o chamado efeito rebote. Ao fim dos dois meses, caso os subsídios sejam retirados, nada garante que o preço do combustível retornará ao patamar anterior.

Mesmo sem alterações nas refinarias, a cadeia pode manter margens mais elevadas, consolidando aumentos que deveriam ser temporários.

O resultado seria uma pressão inflacionária tardia, possivelmente mais intensa do que aquela que se buscou evitar.

A única vantagem inequívoca é a contenção da inflação no curto prazo, especialmente em um momento de incerteza internacional.

Ainda assim, trata-se de um alívio temporário, que exige planejamento para a saída. Sem isso, a medida pode apenas adiar o problema e ampliá-lo adiante.

Por isso, é essencial que a subvenção venha acompanhada de fiscalização efetiva e transparência. Caso contrário, o consumidor poderá enfrentar, em breve, um cenário ainda mais adverso, com preços elevados e inflação pressionada – exatamente o oposto do que se pretende agora.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 31 Mar 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Crédito, confiança e risco: o caso Master ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/credito-confianca-e-risco-o-caso-master/464278/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/credito-confianca-e-risco-o-caso-master/464278/</guid>
				<description><![CDATA[O funcionamento do sistema financeiro depende de um ativo invisível, mas essencial: a confiança. Sem ela, não há crédito, e sem crédito, a economia perde dinamismo. Episódios recentes envolvendo o Banco Master trouxeram à tona discussões importantes sobre os limites da expansão do crédito, a gestão de riscos e o papel das instituições financeiras em um ambiente cada vez mais complexo.

O crescimento acelerado de operações estruturadas e de produtos financeiros mais sofisticados, muitas vezes voltados a nichos específicos, tem ampliado o acesso ao crédito no Brasil. Isso é positivo sob a ótica da inclusão financeira e do fomento à atividade econômica.

No entanto, também impõe um desafio adicional: garantir que esse crescimento seja sustentado por fundamentos sólidos de governança, transparência e avaliação de risco.

O caso recente evidencia justamente essa tensão. De um lado, há a busca por rentabilidade em um mercado altamente competitivo, pressionado por margens mais estreitas e pela inovação constante. De outro, a necessidade de preservar a solidez do sistema, evitando excessos que possam gerar distorções ou, no limite, crises de confiança.

É nesse ponto que a estrutura jurídica das operações de crédito ganha protagonismo. Contratos bem elaborados, garantias adequadas e mecanismos eficazes de recuperação são elementos que deixam de ser meramente técnicos e passam a ser estratégicos.

Em um cenário de maior sofisticação financeira, o direito não apenas acompanha o mercado – ele se torna peça central na sua sustentação.

Outro aspecto relevante é a percepção de risco por parte dos investidores e do mercado. Casos como esse tendem a provocar uma reavaliação generalizada, ainda que pontual, elevando o nível de exigência em relação à transparência das instituições. Isso pode resultar, no curto prazo, em maior seletividade na concessão de crédito e em custos mais elevados para determinadas operações.

Por outro lado, há um efeito positivo de médio e longo prazo: o fortalecimento das boas práticas. Momentos de tensão costumam funcionar como catalisadores para aprimoramentos regulatórios e institucionais, além de reforçarem a importância de uma atuação preventiva – tanto por parte das instituições financeiras quanto das empresas que recorrem ao crédito.

Para os tomadores, a lição é clara: não basta buscar acesso a recursos financeiros; é fundamental compreender a estrutura das operações, seus riscos e implicações jurídicas. Já para as instituições, o desafio está em equilibrar inovação e prudência, crescimento e segurança.

O sistema financeiro brasileiro é historicamente resiliente, mas não está imune a episódios que testam seus limites. O importante é que essas situações sirvam como aprendizado coletivo. Afinal, em um ambiente em que o crédito é motor da economia, preservar a confiança não é apenas desejável – é indispensável.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 30 Mar 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A morte da esfera pública ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-morte-da-esfera-publica/464277/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-morte-da-esfera-publica/464277/</guid>
				<description><![CDATA[Os últimos 10 anos de vida de Jürgen Habermas, filósofo alemão que faleceu há pouco tempo, aos 96 anos de idade, não devem ter sido fáceis. Ver o mundo ocidental se transformar novamente em um palco de propaganda, com a utilização de recursos comunicativos avançadíssimos e com roupagem de diálogo, como as redes sociais, e o consequente aparelhamento da esfera pública para fins privados, escusos e fortemente questionáveis do ponto de vista ético, deve ter sido difícil.

Assistir ao quão facilmente as democracias do mundo são cooptáveis e corruptíveis, tomadas por congressistas e presidentes autocráticos em prol de grandes corporações e de interesses nada republicanos, em uma estrutura de “Lobbycracia”, como muito bem descrito pelo ilustre jurista e professor Miguel Reale Júnior em artigo recente, deve ter sido angustiante.

Contemplar o (re) fortalecimento de discursos xenófobos, racistas e segregadores ao longo do mundo todo, propagados levianamente como “liberdade de expressão”, e assistir ao enraizamento desses discursos em instituições de Estado e de governo, com servidores públicos de todos os escalões e poderes utilizando-se das prerrogativas a eles atribuídas sem qualquer tipo de responsabilidade pública e impondo visões de mundo retrógradas e egocêntricas, deve ter sido sufocante.

Justo ele, assistir a tudo isso. Ele, que gastou mais de quarenta anos de sua vida examinando e tentando entender e desenvolver reflexões e métodos que poderiam auxiliar a esfera pública a ter uma abertura maior às demandas sociais e, pelo diálogo, buscar elementos que pudessem contemplar todas as pessoas que, em determinada sociedade civil, coexistissem.

A ação comunicativa, antes de mais nada, propunha-se como um escrutínio identificador de demandas sociais válidas que tinha como pauta o diálogo e a abertura pessoal (Persönliche Offenheit) entre seus interlocutores; nada mais distante da realidade social que se avizinha: narcisista, egocêntrica e míope à alteridade.

Estudei suas obras incessantemente por 20 anos. Como em tantas outras, seu nome estava estampado em minha dissertação de mestrado e também em minha tese de doutorado, ainda que de forma mais contida. Todos os debates acadêmicos que se prezam, ao longo desse período, no mundo todo e no Brasil, falavam sobre sua obra. Uns apoiando, outros criticando. Em qualquer espectro, sua relevância era consenso.

Tive o prazer de conversar pessoalmente com ele de forma muito breve, em meu primeiro congresso internacional, ainda como mestrando, lá pelos idos da primeira década do século 21. Ele era o palestrante principal e eu, um aspirante apresentando meu primeiro artigo científico internacional (que estava péssimo).

A sorte me fez encontrá-lo na fila do café e me propiciou trocar poucas palavras com ele. Sua atenção àquela figura insignificante ao evento me chamou a atenção. Foi atento e empático às minhas palavras, e isso me marcou profundamente. Foi como um acolhimento, um aval de pertencimento a quem estava chegando àquele mundo naquele momento.

O que lamento é ele ter partido sem sequer ter visto alguém tentar colocar em prática parte de sua teoria. Ele, que era um filósofo social, da práxis, ainda que afastado das premissas marxianas, não foi capaz de ver ninguém – nenhum Estado, nenhum político, nem um professor sequer – tentar implementar a ação comunicativa como processo deliberativo e consensual.

E agora? Com a morte de Habermas e de sua teoria na prática, o que resta para a esfera pública? Existe salvação ou a “Lobbycracia” venceu definitivamente?

Se o diagnóstico de sua partida for, de fato, o desânimo diante de um mundo surdo, o luto acadêmico não pode ser apenas protocolar. Enterrar Habermas sem resgatar a urgência da ética comunicativa é aceitar que a “lobbycracia” e o narcisismo digital venceram definitivamente. Mais do que lamentar o silêncio do filósofo, cabe agora àqueles que ainda acreditam na alteridade a tarefa hercúlea de reabilitar a esfera pública.

O diálogo não é um luxo intelectual, mas a única barreira que nos separa do abismo da barbárie. Que o seu desgosto não seja o nosso fim, mas o nosso último alerta.

Sua teoria foi esquecida e subutilizada em meio a curtidas, comentários, “hashtags” e retrocesso, todos mascarados no futuro. Ao imaginar Jürgen Habermas, com sua alta perspicácia, compreendendo o que o mundo estava criando, produzindo e se tornando, só posso imaginar que sua morte não tenha sido fruto de complicações de sua idade avançada, mas sim por cansaço. Acho que Habermas morreu de desgosto...

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 30 Mar 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O peso do voto para o Legislativo]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-peso-do-voto-para-o-legislativo/464276/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-peso-do-voto-para-o-legislativo/464276/</guid>
				<description><![CDATA[A recente divulgação de estimativas sobre os coeficientes eleitorais necessários para eleger deputados estaduais e federais cumpre um papel importante: lembrar ao eleitor que a escolha de um parlamentar está longe de ser simples.

Mais do que um cálculo matemático, esses números evidenciam como o voto individual, muitas vezes tratado com menor atenção, tem impacto direto na formação das casas legislativas e, consequentemente, nos rumos da sociedade.

Não é raro que o eleitor decida seu voto para deputado com base em critérios superficiais. A proximidade pessoal, a indicação de um amigo, o pedido de um líder religioso ou mesmo a simpatia por alguém “boa praça” acabam pesando mais do que a análise do histórico e das propostas do candidato.

Essa prática, embora comum, enfraquece a representação política e contribui para a eleição de parlamentares que nem sempre refletem os interesses e valores de quem os escolheu.

O voto para deputado deve estar alinhado com a visão de mundo do eleitor. Isso significa avaliar posições sobre temas relevantes, observar a coerência das ideias, conhecer a trajetória política e profissional e entender como o candidato pretende atuar no exercício do mandato.

Afinal, são os parlamentares que discutem e aprovam leis que interferem diretamente no cotidiano da população, desde políticas públicas essenciais até regras econômicas e sociais que moldam o futuro do País e dos estados.

Muitos eleitores não percebem, mas o voto para o Legislativo é tão ou mais importante do que o destinado ao Executivo. Governadores e presidentes executam políticas, mas dependem do Congresso Nacional e das assembleias legislativas para viabilizar projetos, aprovar orçamentos e alterar leis.

Sem o respaldo parlamentar, propostas não avançam, reformas não se concretizam e decisões estratégicas ficam travadas. É no Legislativo que se pautam debates fundamentais que impactam a vida diária da população.

Por isso, a escolha de um deputado deve levar em conta convicções, formação e expectativas não apenas individuais, mas também coletivas. O eleitor precisa refletir sobre quais ideias deseja ver defendidas, quais prioridades considera urgentes e qual modelo de sociedade pretende construir.

Esse alinhamento entre representado e representante fortalece a democracia e melhora a qualidade das decisões públicas.

Na hora de votar, portanto, não basta avaliar se o candidato é simpático ou acessível. O mais importante é perguntar como ele votará nas pautas que interessam à comunidade, qual será sua postura diante de temas sensíveis e como pretende contribuir para o desenvolvimento social e econômico.

O voto consciente para deputado não é apenas um direito; é uma responsabilidade que define, em grande medida, os caminhos do País.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 30 Mar 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Extradição de Carla Zambelli testa limites entre Direito e política]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/extradicao-de-carla-zambelli-testa-limites-entre-direito-e-politica/464204/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/extradicao-de-carla-zambelli-testa-limites-entre-direito-e-politica/464204/</guid>
				<description><![CDATA[A decisão da Justiça italiana de autorizar a extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) ao Brasil, para cumprimento de pena decorrente de duas condenações, projeta o caso para além do embate político doméstico e o insere em um terreno mais técnico e, por isso mesmo, mais revelador do Direito Penal Internacional.

Ao chancelar o pedido brasileiro, a Corte de Apelação de Roma sinalizou que não identificou, ao menos em juízo preliminar, nenhum dos obstáculos clássicos à extradição previstos no tratado bilateral firmado entre Brasil e Itália em 1989. Trata-se de um ponto central: a cooperação internacional em matéria penal não se orienta por simpatias ideológicas, mas por critérios jurídicos objetivos.

Cabe ressaltar que a Justiça da Itália aceitou a extradição porque, em tese, não estão presentes as causas de recusa previstas no tratado, como a natureza política do crime, o risco de pena de morte ou a prescrição da pena. Em outras palavras, o caso não se sustenta, sob o olhar técnico, como uma perseguição política, ao menos não nos termos exigidos pelo Direito Internacional para barrar uma extradição.

Esse ponto é particularmente sensível. A invocação de “crime político” como escudo contra a extradição exige requisitos rigorosos, sob pena de banalização do instituto.

No caso, os delitos atribuídos, invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica, dificilmente se encaixam nessa categoria, o que esvazia um dos principais argumentos da defesa no plano jurídico internacional.

Isso não significa, contudo, que o desfecho esteja próximo. A defesa ainda poderá recorrer à Corte de Cassação e, eventualmente, ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos.

Ambos os caminhos têm efeito suspensivo, o que pode postergar a entrega da ex-deputada ao Brasil por meses ou até anos.

Mais relevante do que o tempo do processo, porém, são os argumentos que tendem a emergir nas próximas etapas. A estratégia defensiva deve migrar do terreno político para o campo das garantias fundamentais, com foco em dois eixos: as condições do sistema prisional brasileiro e o princípio da dupla incriminação.

No primeiro caso, sustenta-se que o Brasil não ofereceria condições dignas de cumprimento de pena , tese recorrente em tribunais europeus, ainda que de acolhimento restrito.

No segundo, questiona-se se as condutas imputadas encontram correspondência típica no ordenamento italiano, requisito indispensável para a extradição.

O episódio, portanto, ultrapassa a figura de Zambelli. Ele expõe, com nitidez, o funcionamento das engrenagens da cooperação jurídica internacional e evidencia que, fora do calor das disputas políticas nacionais, prevalece uma lógica menos retórica e mais normativa.

Se confirmada ao fim do processo, a extradição representará uma vitória jurídica do Estado brasileiro e também um recado claro: a internacionalização de disputas políticas não é, por si só, suficiente para afastar a aplicação de regras consolidadas do

Direito Internacional. Por outro lado, se a extradição for barrada em instâncias superiores, o caso poderá reacender o debate sobre os limites do sistema prisional brasileiro à luz dos padrões europeus de direitos humanos.

Entre técnica e narrativa, o destino de Carla Zambelli será decidido menos pelos discursos e mais pela consistência jurídica de cada argumento apresentado. E isso, em tempos de polarização, não deixa de ser um sinal de maturidade institucional.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 28 Mar 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Entre a posse e a razão: os limites da atuação nos leilões imobiliários]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/entre-a-posse-e-a-razao-os-limites-da-atuacao-nos-leiloes/464203/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/entre-a-posse-e-a-razao-os-limites-da-atuacao-nos-leiloes/464203/</guid>
				<description><![CDATA[Os leilões imobiliários, especialmente aqueles decorrentes de execuções judiciais por dívida tributária ou da consolidação da propriedade em alienações fiduciárias, tornaram-se cada vez mais frequentes no cenário jurídico e econômico brasileiro.

Trata-se de instrumento legítimo, previsto em lei, que viabiliza a circulação de bens, a recomposição do crédito – inclusive público – e a segurança das relações negociais.

Por trás, contudo, da aparente frieza dos editais, das matrículas e dos procedimentos formais, existe uma dimensão que os autos não revelam: a realidade humana dos conflitos possessórios.

Quem milita há anos no Direito Imobiliário sabe que a retomada de imóveis, sobretudo quando ainda ocupados por antigos proprietários ou ex-mutuários, é, não raras vezes, marcada por tensão, resistência e forte carga emocional.

Não se trata apenas de um ativo patrimonial, mas, frequentemente, de um espaço que carrega história, identidade e expectativas frustradas.

O ordenamento jurídico estabelece caminhos claros. Nos casos de dívida fiscal, como aqueles relacionados ao IPTU, a alienação do imóvel se dá, em regra, por meio de execução judicial promovida pelo município, com a consequente expropriação do bem para satisfação do crédito tributário.

Já nas hipóteses de alienação fiduciária, a consolidação da propriedade e o leilão seguem rito próprio, de natureza extrajudicial.

Em qualquer dessas situações, a aquisição do bem não autoriza a tomada direta da posse. A transição deve observar rigorosamente o devido processo legal, com o manejo das ações cabíveis e, quando necessário, o apoio da força estatal.

É exatamente nesse ponto que reside a delicadeza do tema.

Quando as partes, imersas na tensão do conflito, afastam-se da racionalidade jurídica, abre-se espaço para condutas que extrapolam os limites do Direito. O que deveria ser resolvido nos autos desloca-se para o campo da força, com consequências que podem ser irreversíveis.

A experiência prática demonstra que não são incomuns situações de resistência à desocupação, deterioração deliberada do imóvel e comportamentos que evidenciam o grau de desgaste emocional envolvido.

Tais episódios reforçam a importância de uma atuação técnica, estratégica e, sobretudo, prudente por parte de todos os envolvidos.

O Estado de Direito não admite atalhos.

A efetivação da posse, assim como a sua defesa, deve sempre se dar pelos meios legalmente previstos, com observância estrita do devido processo legal.

É essa estrutura que garante não apenas a ordem jurídica, mas a própria preservação da convivência social.

Quando essa lógica é abandonada, o conflito deixa de ser jurídico e passa a ser humano em sua forma mais primitiva – e, nesse estágio, perde-se o controle das consequências.

A reflexão que se impõe é clara: em um ambiente sensível como o dos leilões imobiliários, é indispensável que todos compreendam que o direito à posse, embora legítimo, não autoriza condutas precipitadas ou desproporcionais. Do mesmo modo, a resistência à perda do imóvel não pode se sobrepor aos limites legais.

Portanto, mais do que nunca, é preciso reafirmar um princípio que transcende o próprio Direito: os conflitos da vida, sejam eles patrimoniais, profissionais ou pessoais, exigem serenidade, parcimônia e razão.

É nesse equilíbrio que se preserva não apenas o patrimônio, mas, sobretudo, a dignidade das relações humanas e a própria civilidade.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 28 Mar 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Queda de Bernal: o fim das narrativas ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/queda-de-bernal-o-fim-das-narrativas/464202/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/queda-de-bernal-o-fim-das-narrativas/464202/</guid>
				<description><![CDATA[“Deixa o homem trabalhar”, era o mantra repetido à exaustão quando Alcides Bernal foi prefeito. O fim é, de fato, melancólico, mas é, acima de tudo, o resultado inevitável de quem fez da dissimulação o seu principal instrumento de vida.

A política, em sua essência, deveria ser o espelhamento da ética pública e da retidão pessoal. No entanto, a trajetória de Alcides Bernal, ex-prefeito de Campo Grande, deveria se converter em um estudo de caso sobre como a mentira contumaz e a desordem privada podem implodir uma vida pública que um dia prometeu ser renovação.

O que se vê hoje não é apenas o ostracismo de um ex-líder, mas o desmoronamento melancólico de um homem que se perdeu entre o que pregava nos microfones e o que praticava nas sombras.

Durante anos, Bernal utilizou a narrativa do “perseguido pelas elites”. Entretanto, o tempo – esse senhor da razão – cuidou de mostrar que seus maiores adversários nunca foram externos, mas sim seus próprios atos.

A imagem do paladino da moralidade caiu por terra diante de uma gestão caótica e, mais grave ainda, de uma vida pessoal marcada pelo descaso.

A perda de sua mansão em área nobre para a Caixa Econômica Federal, por falta de pagamento, e respondendo por não pagar pensão alimentícia a um filho com quem não mantém relação não são apenas “problemas privados”, são o retrato de um homem que viveu ou vive de aparências enquanto o alicerce de sua dignidade é corroído pela inadimplência moral e financeira.

Mas o rastro de destruição de Bernal não se limitou ao seu CPF. O maior monumento da sua arrogância administrativa ainda está por vir. Por pura teimosia ideológica e uma tentativa desastrosa de romper contratos sem o devido amparo legal, Bernal mergulhou o Município em uma insegurança jurídica sem precedentes.

O resultado dessa “guerra particular” é uma fatura que agora bate à porta do contribuinte, sendo uma dívida que hoje beira os R$ 150 milhões.

Enquanto o ex-prefeito bradava moralidade, pavimentava o caminho para um rombo astronômico que as próximas gerações de campo-grandenses terão de quitar. Não se tratou de economia de recursos, mas de um capricho político que custou caro.

O dinheiro que deveria estar sendo investido em postos de saúde ou asfalto será drenado para pagar as consequências de uma gestão que preferiu o embate infrutífero à eficiência administrativa.

O capítulo mais sombrio e definidor desse declínio, contudo, é o trágico episódio que resultou na morte de um pai de família. A tese de legítima defesa, exaustivamente repetida por Bernal, tem sido contestada pelo peso das evidências e a frieza das circunstâncias.

O que ele tenta vender como um ato de preservação pessoal ganha, sob o olhar atento da Justiça e da sociedade, contornos de um crime de execução.

Quando a narrativa de sobrevivência não encontra eco na dinâmica dos fatos, o que resta é o silêncio ensurdecedor da culpa. Assassinar um cidadão é o ponto de não retorno.

Ali, morreu não apenas a carreira política de Bernal, mas qualquer resquício de autoridade moral que ele pudesse reivindicar.

Campo Grande assiste atualmente ao capítulo final de uma biografia manchada pela mentira e, agora, com as mãos de seu protagonista sujas de sangue. Bernal não caiu por conspirações políticas mirabolantes, ele ruiu sob o peso de suas próprias escolhas.

O político que falava em nome do povo agora deve terminar seus dias isolado numa cela, respondendo a um processo por homicídio.

A mentira, por mais que seja repetida com a veemência de um radialista experiente, tem prazo de validade. No caso de Alcides Bernal, a máscara não apenas caiu, ela se estilhaçou, revelando um homem que, ao tentar fugir de suas responsabilidades, acabou atropelado pela própria história. 

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 28 Mar 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Nova leitura da Receita Federal fortalece segurança jurídica para premiar talentos]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/nova-leitura-da-receita-federal-fortalece-seguranca-juridica-para/464152/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/nova-leitura-da-receita-federal-fortalece-seguranca-juridica-para/464152/</guid>
				<description><![CDATA[A Receita Federal deu um recado importante ao mercado ao publicar a Solução de Consulta Cosit nº 10/2026. Na prática, ela revisa o entendimento anterior (Cosit nº 151/2019) sobre a cobrança de contribuição previdenciária sobre prêmios por desempenho. Pode parecer um tema técnico, mas a mudança mexe diretamente com a forma como as empresas estruturam seus programas de reconhecimento, organizam a gestão de pessoas e desenham a remuneração variável.

O entendimento principal foi mantido. Desde a Reforma Trabalhista de 2017, prêmios pagos por liberalidade do empregador, em dinheiro, bens ou serviços, para reconhecer desempenho acima do esperado não integram o salário de contribuição, mesmo quando pagos com frequência. Isso mantém segurança jurídica para empresas que adotam programas de incentivo, desde que o pagamento não seja contratual nem obrigatório.

A principal evolução trazida pela nova solução de consulta está na abordagem dos regulamentos internos. A orientação anterior sustentava que a simples previsão do prêmio em norma interna poderia afastar a liberalidade, ao transformar o pagamento em obrigação.

A Cosit nº 10/2026 aperfeiçoa essa leitura ao admitir que a empresa pode estabelecer critérios objetivos, metas claras e parâmetros formais de elegibilidade, desde que tais regras não decorram de negociação coletiva, cláusula contratual ou compromisso prévio que retire a autonomia decisória do empregador.

Em outras palavras, a existência de governança e previsibilidade não descaracteriza, por si só, a liberalidade, o que a descaracteriza é a obrigatoriedade.

Essa distinção aproxima o entendimento fiscal de uma visão mais contemporânea de gestão. Estudos da consultoria global McKinsey & Company indicam que organizações que combinam metas claras com reconhecimento diferenciado de performance apresentam maior engajamento e melhores resultados operacionais.

Da mesma forma, pesquisas da Harvard Business School apontam que sistemas de recompensa baseados em desempenho excepcional, quando bem desenhados e percebidos como justos, contribuem para aumento consistente de produtividade e retenção de talentos.

Ao admitir regulamentos internos com critérios objetivos, a Receita alinha-se, ainda que indiretamente, a essa lógica de gestão baseada em métricas e meritocracia estruturada.

Outro aspecto enfatizado pela nova solução é a necessidade de comprovação do desempenho superior. A Receita deixa claro que o empregador deve ser capaz de demonstrar qual era o padrão ordinário esperado e de que forma o trabalhador o superou de maneira efetiva.

A exigência não é nova, mas ganha densidade técnica: não basta afirmar a excepcionalidade; é preciso evidenciá-la. Essa ênfase dialoga com práticas modernas de compliance e governança corporativa, nas quais decisões estratégicas são sustentadas por dados, indicadores e registros auditáveis.

O prêmio legítimo é aquele que decorre de resultado objetivamente mensurável, não de liberalidade genérica ou política informal de remuneração complementar.

A solução também resgata a questão intertemporal relativa à MP 808/2017, lembrando que, no período entre 14 de novembro de 2017 e 22 de abril de 2018, a não incidência previdenciária estava condicionada ao limite de até duas concessões por ano.

Para fatos geradores ocorridos nesse intervalo, a restrição permanece aplicável, o que pode impactar revisões de passivo e auditorias internas.

No conjunto, a Cosit nº 10/2026 sinaliza um amadurecimento interpretativo. A Receita não restringe o uso de prêmios como instrumento de incentivo, mas deixa claro que a linha divisória entre reconhecimento legítimo e remuneração disfarçada será definida pela coerência entre discurso e prática.

Programas que preservem a facultatividade, evitem compromissos prévios e mantenham documentação consistente tendem a ser reconhecidos como válidos.

Por outro lado, estruturas que transformem o prêmio em parcela previsível, automática ou contratualmente assegurada poderão sofrer requalificação.

Para empresas que disputam talentos em um ambiente de alta competitividade, a atualização representa uma oportunidade estratégica. Revisar regulamentos internos, alinhar critérios de avaliação, fortalecer a documentação de resultados e integrar áreas jurídica, fiscal e de recursos humanos tornam-se medidas não apenas recomendáveis, mas essenciais.

Um programa de prêmios bem estruturado permanece um instrumento legítimo de diferenciação e estímulo à alta performance, agora sob parâmetros mais claros, que exigem técnica, governança e consistência.

Assine o Correio do Estado 
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 27 Mar 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Guerra pressiona custos no campo]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/guerra-pressiona-custos-no-campo/464150/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/guerra-pressiona-custos-no-campo/464150/</guid>
				<description><![CDATA[A economia globalizada faz com que conflitos distantes tenham efeitos imediatos em diferentes regiões do planeta. A guerra no Oriente Médio é mais uma prova disso. Ainda que o cenário bélico se concentre a milhares de quilômetros, seus reflexos já começam a ser sentidos no Brasil e, de forma particular, em Mato Grosso do Sul.

Não se trata de uma hipótese distante, mas de impactos concretos que atingem custos de produção, logística e, inevitavelmente, o bolso do consumidor.

Há duas razões principais para essa repercussão imediata. A primeira é a interconexão da economia mundial, que faz com que preços de energia, transporte e insumos reajam rapidamente a qualquer instabilidade geopolítica. A segunda é a característica produtiva do Estado.

Mato Grosso do Sul é um grande polo agrícola e, portanto, altamente sensível a oscilações no custo de combustíveis e fertilizantes. Quando esses itens sobem, o impacto não é apenas contábil, ele se espalha por toda a cadeia produtiva.

Os primeiros sinais já aparecem no preço do óleo diesel. O combustível é essencial para o transporte de insumos, para o funcionamento de máquinas agrícolas e para a logística da produção.

Qualquer elevação repercute diretamente nos custos do campo e do transporte. Em seguida, surge a pressão sobre os fertilizantes, cuja dependência do mercado internacional é elevada.

A instabilidade no fornecimento global e a valorização desses produtos já indicam que os produtores terão de arcar com despesas maiores na próxima safra.

O aumento no preço dos alimentos, entretanto, tende a levar mais tempo para se materializar. Esse intervalo cria uma situação delicada: os custos sobem agora, mas a remuneração do produtor demora a acompanhar.

Nesse período, o campo fica pressionado, absorvendo parte do impacto e assumindo riscos maiores. Caso o cenário se prolongue, a inflação dos alimentos se torna praticamente inevitável, com reflexos diretos para toda a população.

Diante desse quadro, o poder público precisa agir com prudência e antecipação. O primeiro passo é a responsabilidade fiscal e a economia de recursos, algo que não se constrói de um dia para o outro, mas exige planejamento e disciplina.

Ao mesmo tempo, é necessário preparar políticas para um possível cenário inflacionário, que pode exigir medidas de contenção e apoio a setores estratégicos.

No campo, a palavra-chave passa a ser gestão. Medidas preventivas, planejamento de compras, eficiência no uso de insumos e estratégias de redução de custos se tornam fundamentais.

Ainda assim, há um fator que foge ao controle humano: o clima. Uma safra favorecida por boas condições climáticas pode amenizar parte dos efeitos negativos; o contrário ampliaria ainda mais os desafios.

Os sinais vindos do exterior deixam claro que este será um ano exigente. A guerra distante já mostra que seus impactos são próximos.

Antecipação, prudência e boa gestão serão essenciais para atravessar um período em que as variáveis externas terão peso crescente sobre a economia regional. Os desafios estão postos – e ignorá-los não é uma opção.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 27 Mar 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Quando a fome tem pressa: o que está acontecendo com as crianças em Madagascar, e nós com isso?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/quando-a-fome-tem-pressa-o-que-esta-acontecendo-com-as-criancas-em/464098/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/quando-a-fome-tem-pressa-o-que-esta-acontecendo-com-as-criancas-em/464098/</guid>
				<description><![CDATA[Há realidades que desafiam qualquer tentativa de compreensão. Não pela falta de dados – eles existem –, mas pela dificuldade de aceitarmos que, em pleno século 21, ainda há crianças lutando diariamente para sobreviver por falta de algo tão essencial quanto o alimento.

No sul de Madagascar, essa não é uma exceção. É rotina.

Nos centros nutricionais da Fraternidade Sem Fronteiras (FSF), crianças entre 1 e 5 anos chegam todos os dias em estado severo de desnutrição. Algumas, com apenas um ano de idade, pesam menos de 3 quilos. Corpos frágeis, olhares silenciosos e uma urgência que não pode esperar.

A média é de 15 novas crianças por dia buscando atendimento. Não há fila organizada, nem sistema de agendamento. Há presença. Há insistência. Há famílias que caminham até onde podem, todos os dias, na esperança de encontrar cuidado para seus filhos.

Hoje, mais de 5 mil crianças em estado grave recebem tratamento nutricional especializado – com fórmulas, medicação, soro e acompanhamento contínuo. Outras 11 mil são alimentadas diariamente nos 14 centros nutricionais da organização.

Mas o cenário se agrava.

Sem chuvas há cerca de dois meses, a escassez de alimentos se intensificou. O que era vulnerabilidade tornou-se emergência. Muitas dessas crianças começaram a ser atendidas em 2024. Em 2025, o número cresceu. Agora, cresce ainda mais – dia após dia.

Diante disso, uma pergunta inevitável surge, quase como um incômodo necessário: quanto custa, hoje, sustentar conflitos ao redor do mundo? Quanto custa um míssil, um drone, uma bomba?

Porque, na mesma medida, um único dia de guerra poderia levar alimento, educação e dignidade para centenas de comunidades extremamente pobres. Poderia mudar histórias inteiras – como as que hoje lutam silenciosamente para continuar existindo.

Enquanto essa conta não fecha, há quem escolha agir.

A Fraternidade Sem Fronteiras atua como ponte – conectando pessoas que desejam ajudar iniciativas sérias, que estão no território, fazendo o que é possível com o que têm. Não se trata apenas de assistência, mas de confiança: no trabalho local, na dedicação de quem cuida, na força de pequenas ações contínuas.

Há uma frase que orienta esse trabalho e que, talvez, resuma o momento com precisão:

“Enquanto o sol não vem, acendemos uma vela na escuridão”.

No sul de Madagascar, essa vela hoje tem nome, tem rosto – e tem urgência.

E, sobretudo, depende de quantos estão dispostos a mantê-la acesa.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Janela (porta) partidária  fidelidade]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/janela-porta-partidaria-fidelidade/464097/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/janela-porta-partidaria-fidelidade/464097/</guid>
				<description><![CDATA[A chamada “janela partidária” – regulamentada pela legislação eleitoral, Lei nº 13.165/2015, e ainda pela EC nº 91/2016 – é na verdade “uma porta” para a troca partidária.

Após a decisão do TSE de que o mandato pertence ao partido, e não ao candidato eleito, estabeleceu-se um novo momento para aqueles que, sem qualquer tipo de pudor, se elegessem por um partido e ao fim de cada mandato fizessem um verdadeiro périplo pelas demais agremiações.

Fora desse momento chamado de “janela”, mas que a bem da verdade se trata de uma porta, porque não exige qualquer esforço ou justificativa para a mudança de sigla, a desfiliação partidária exige comprovada “justa causa”, conforme preceitua o art. 22-A, caput, da Lei nº 9096/95.

Destaque-se que a mencionada “janela” tem duração de 30 dias – neste ano até o dia 3 de abril – e está disponível apenas para os deputados federais, estaduais e distritais.

Uma pergunta cabível é: a fidelidade partidária é mesmo necessária? Responder se afigura algo um tanto complexo porque vivemos em um país em que a “fidelidade”, em toda extensão da palavra, é algo que rememora compromisso, cumprimento de obrigações, lealdade ou ainda simplesmente “ser fiel”.

Assim, como estamos falando de políticos detentores de mandatos eletivos, essa “fidelidade” deveria ser muito mais direcionada ao relacionamento entre o eleitor e o eleito, porque o primeiro é o único a possibilitar o ingresso do segundo no mandato.

De nada adianta o partido, seu programa, se não houver o eleitor para que o sufrágio possa existir, mas a legislação eleitoral, como dito, afirma que o mandato pertence ao partido, exceto quando o exercente desse mandato resolve trocar de partido na citada “janela”.

Neste caso, o mandato deixa de ser do partido por 30 dias. Simples assim.

Voltando ao tema da “janela partidária”, resta claro que acaba por ser uma porta para que os interessados possam, em seus pessoais e exclusivos interesses, procurar uma outra agremiação na qual tenham melhores chances de buscar uma reeleição, em que o chamado Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos, denominado Fundo Partidário, e ainda o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) asseguram vultosa quantia (R$ 4,9 bilhões), para partidos, campanhas e eleições, retirada do Orçamento da União e de outras origens.

Estamos a ouvir as mais diversas “justificativas” para o uso da “janela”, mas é importante lembrar que o aval a tais mudanças terá de ser dado pelos eleitores no dia 4 de outubro, primeiro turno, e no dia 25 de outubro, o segundo.

Temos então, como eleitores, a responsabilidade, se eleito/reeleito o nosso candidato, de o acompanhar no exercício do mandado, e mais, temos o dever de exigir fidelidade ao nosso voto, ainda que uma possível justa causa possa advir e que uma nova “janela” um dia vá se abrir.

A novidade das próximas eleições se refere à data da posse do presidente eleito, que acontecerá em 5 de janeiro de 2027, e dos governadores eleitos, no dia seguinte.

Enfim, essa verdadeira porta está quase a fechar e são grandes os movimentos de mudança de partido, e sem dúvidas é um grande “vai e vem” e são conhecidas muitas “verdades” político-partidárias, com muita ênfase nas federações partidárias que se destinam a salvar os chamados partidos nanicos de seu total desaparecimento, ante a chamada cláusula de barreira.

Viveremos neste ano mais um período em que os discursos dos detentores de mandatos eternos serão no sentido de que foram, são e continuarão sendo os melhores, quando, a bem da verdade, deveriam ter a consciência de que a renovação é um dos pilares da democracia e que o continuísmo é retrocesso inquestionável.

Assim, uma reforma política visando não permitir as reeleições reiteradas é necessidade imperiosa, mas difícil, pois quem tem competência para propô-la é exatamente quem não quer deixar que o continuísmo seja interrompido.

A responsabilidade, volto a dizer, é transferida diretamente para cada um de nós, eleitores, que precisamos decidir com nosso voto se reelegeremos aqueles que insistem em transformar mandatos eletivos em profissão.

Como sabemos, para transpor uma janela é preciso mais esforço, já uma porta…
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Gestão da Saúde sob novo teste]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/gestao-da-saude-sob-novo-teste/464096/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/gestao-da-saude-sob-novo-teste/464096/</guid>
				<description><![CDATA[A decisão de Campo Grande de transferir a gestão dos Centros Regionais de Saúde 24 horas para organizações sociais inaugura um novo capítulo na administração pública municipal. Trata-se de uma medida que desperta debates legítimos, tanto pela sensibilidade do tema quanto pela importância estratégica dessas unidades para a população.

Ainda assim, é preciso reconhecer que a proposta, se bem estruturada, pode representar uma oportunidade concreta de melhoria no atendimento.

A rede de saúde pública enfrenta desafios conhecidos: filas, demora, falta de profissionais, problemas de gestão e dificuldade para garantir atendimento digno e eficiente. Esses obstáculos não são exclusivos da capital sul-mato-grossense, mas atingem boa parte do País.

Diante desse cenário, testar novos modelos administrativos deixa de ser apenas uma alternativa e passa a ser uma necessidade. A população merece serviços mais ágeis, humanizados e resolutivos, sobretudo nas unidades de atendimento 24 horas, que funcionam como porta de entrada para milhares de cidadãos.

A experiência com organizações sociais já foi adotada em diferentes localidades, com resultados variados. Há casos de sucesso, com ganho de eficiência, maior flexibilidade na contratação de profissionais e melhor organização dos serviços.

Contudo, também existem exemplos negativos, marcados por falta de controle, desperdício de recursos e até denúncias de irregularidades. Por isso, o êxito da iniciativa não depende apenas do modelo escolhido, mas da forma como ele será implantado e fiscalizado.

É justamente nesse ponto que reside a principal atenção. O Município precisa estabelecer mecanismos rigorosos de controle, com metas claras, indicadores de desempenho e avaliação permanente dos resultados.

A transparência deve ser total, com divulgação de contratos, custos, metas e relatórios de desempenho. A sociedade tem o direito de saber como os recursos públicos são aplicados e quais melhorias estão sendo efetivamente alcançadas.

Outro aspecto essencial é a atuação dos órgãos de controle. O acompanhamento próximo do Ministério Público será fundamental para garantir que o modelo não se desvie de seu objetivo principal: melhorar o atendimento à população. A fiscalização preventiva evita distorções e fortalece a credibilidade da iniciativa.

No fim das contas, o debate não deve se limitar à forma de gestão, mas ao resultado entregue ao cidadão. Se o novo modelo for capaz de ampliar o acesso, reduzir filas e qualificar o atendimento, terá cumprido seu papel.

O mais importante é assegurar que os bilhões destinados à Saúde sejam aplicados com eficiência, responsabilidade e foco em quem mais precisa. A população não espera apenas mudanças administrativas, mas melhorias concretas no cuidado com a vida.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[TEA em adultos: por que o diagnóstico tardio mistura alívio e dúvidas?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/tea-em-adultos-por-que-o-diagnostico-tardio-mistura-alivio-e-duvidas/464048/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/tea-em-adultos-por-que-o-diagnostico-tardio-mistura-alivio-e-duvidas/464048/</guid>
				<description><![CDATA[O diagnóstico tardio do transtorno do espectro autista (TEA) em adultos costuma provocar uma mistura de sentimentos como alívio, dúvidas e interpretações equivocadas, como associação com inteligência. A condição segue cercada de desinformação, independentemente da idade. O que acaba gerando muitas dúvidas.

O TEA é uma das principais condições neurodivergentes, caracterizado por diferenças na comunicação social, comportamento e processamento sensorial. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70 milhões de pessoas vivem com o transtorno no mundo. No Brasil, o Censo Demográfico de 2022 aponta 2,4 milhões de diagnósticos, o equivalente a 1,2% da população.

Entre adultos, é comum que o diagnóstico ocorra tardiamente, especialmente em casos com menor prejuízo funcional. Essas pessoas, muitas vezes classificadas no nível 1 de suporte, conseguem estudar, trabalhar e se relacionar, o que contribui para que sinais passem despercebidos.

Ainda assim, é frequente o relato de sensação de desconexão e dificuldade de pertencimento, que leva à busca por ajuda psicológica.

Em muitos casos, o TEA aparece inicialmente associado a quadros como ansiedade, depressão ou fobia social. Também há confusão diagnóstica com transtorno do deficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e altas habilidades, além da possibilidade de comorbidades.

Quando o diagnóstico é tardio, o prognóstico tende a ser mais desfavorável, e o nível de incompreensão aumenta – tanto por parte das pessoas ao redor quanto da própria pessoa em relação ao seu funcionamento.

Com frequência, observo pacientes relatarem que percebem e sentem o mundo de forma diferente, além de enfrentarem dificuldades para manter o convívio social. Diante disso, muitos iniciam tratamento para depressão ou fobia social e, apenas posteriormente, recebem o diagnóstico de TEA.

O momento do diagnóstico pode gerar reações diversas. Há quem sinta alívio ao se compreender, enquanto familiares podem expressar sentimento de culpa por não terem percebido alguns sinais. A falta de informação também faz com que alguns adultos resistam a se reconhecer como neurodivergentes.

É importante destacar que o TEA, assim como o TDAH e outros transtornos, não tem relação com nível de inteligência. Quando se fala de TEA, estamos falando de um cérebro neurodivergente que tem uma alteração no funcionamento cerebral, que pode coexistir tanto com deficits quanto com altas habilidades.

Sem diagnóstico, as experiências podem parecer incoerentes e gerar culpa. Com a identificação adequada, a psicoterapia se torna além de um espaço de escuta, um espaço de construção de estratégias práticas, transformando dificuldades difusas em caminhos possíveis de adaptação, estratégias concretas e qualidade de vida.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 25 Mar 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Onze mulheres no STF: um desafio à histórica desigualdade de gênero nas esferas de poder]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/onze-mulheres-no-stf-um-desafio-a-historica-desigualdade-de-genero/464044/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/onze-mulheres-no-stf-um-desafio-a-historica-desigualdade-de-genero/464044/</guid>
				<description><![CDATA[Imaginar um Supremo Tribunal Federal (STF) formado por 11 mulheres parece utópico. A reação de espanto, porém, diz menos sobre a hipótese em si e mais sobre a normalização histórica do seu oposto. Durante mais de um século, a Alta Corte foi quase que exclusivamente masculina, sem que tal condição despertasse qualquer desconforto coletivo. O estranhamento diante da inversão expõe padrões de poder profundamente arraigados nas instituições brasileiras.

Desde a criação do Supremo, no fim do século 19, até os dias de hoje, apenas três juristas chegaram a uma das 11 cadeiras de ministros: Ellen Gracie, Rosa Weber e Cármen Lúcia. A presença feminina no STF, desta forma, sempre foi exceção, nunca regra.

Atualmente, as mulheres representam cerca de 36,8% da magistratura do Brasil, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O dado nem de longe é animador. Além do que, a medida em que se avança na hierarquia, o porcentual diminui consideravelmente.

E, mais: negras e indígenas que escolheram o Direito como carreira permanecem praticamente invisíveis nos postos de comando do sistema de Justiça brasileiro.

Nos últimos anos, alguns avanços, mesmo que tímidos, começaram a se consolidar no País quanto a várias vertentes do assunto em tela. A lei federal nº 14.245/2021 – Lei Mariana Ferrer – reforçou a proteção da dignidade de vítimas e de testemunhas no processo penal e enfrentou práticas deploráveis de revitimização institucional – encabeçadas, em sua maioria, nas últimas décadas, por operadores do Direito do sexo masculino. 

No âmbito do Judiciário, resoluções do CNJ passaram a incorporar a perspectiva de gênero nos julgamentos e a estimular ações afirmativas, a fim de se ampliar o acesso de magistradas aos Tribunais.

Já no Superior Tribunal Militar (STM), a ministra Maria Elizabeth Rocha tornouse a primeira mulher a integrar e a presidir o colegiado, rompendo uma tradição longínqua, machista e discriminatória de exclusão. Recentemente, a nomeação da ministra

Verônica Sterman consolidou ainda mais a participação feminina na Corte. 

No cenário internacional, o tema voltou ao debate durante a 70ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW70) da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada entre 9 e 19 de março deste ano, em Nova Iorque, nos Estados Unidos.

A ONU, importante destacar, criada em 1945 com o compromisso de promover a igualdade de direitos, jamais teve uma mulher no cargo máximo.

Entre os assuntos discutidos na CSW70 estiveram o acesso do feminino a posições de liderança, os obstáculos institucionais à participação de mulheres nas estruturas decisórias do Estado e, novamente, a ausência delas no comando da ONU.

A pergunta que se impõe: por que parece natural que as representações mais poderosas do mundo sejam comandadas quase que exclusivamente por homens? Ora, a igualdade formal, consagrada em constituições e em tratados internacionais, mostra-se ainda insuficiente para alterar estruturas de poder.

A provocação nas linhas iniciais sobre um STF composto por 11 mulheres, portanto, não é retórica vazia. Ela escancara o quanto ainda estamos distantes de uma paridade institucional efetiva. 

Avançar nesta agenda não significa substituir uma hegemonia por outra, mas, sim, reconhecer que a Democracia se enfraquece quando os espaços de decisão permanecem fechados à pluralidade social.

Enquanto a presença feminina continuar sendo ressalva nos centros máximos de poder, a igualdade no Brasil seguirá existindo mais como teoria e promessa, do que como realidade e necessidade.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 25 Mar 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Hidrovia exige equilíbrio e fiscalização]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/hidrovia-exige-equilibrio-e-fiscalizacao/464043/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/hidrovia-exige-equilibrio-e-fiscalizacao/464043/</guid>
				<description><![CDATA[O debate sobre a hidrovia do Rio Paraguai expõe, mais uma vez, um dilema recorrente no Brasil: como conciliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental.

No caso específico da região Pantaneira, essa equação é ainda mais sensível. O avanço de um projeto dessa magnitude exige cautela, planejamento e, sobretudo, transparência.

Mas é preciso deixar claro: desenvolvimento e proteção ambiental não são objetivos incompatíveis. Com regras bem definidas e fiscalização efetiva, é possível avançar de forma responsável.

Nesta edição, mostramos que a COP15 tem sido utilizada como palco para questionamentos à concessão da hidrovia à iniciativa privada. Trata-se de uma manifestação pública legítima e pertinente.

Grandes projetos de infraestrutura, especialmente em áreas ambientalmente sensíveis, precisam ser amplamente discutidos.

O escrutínio da sociedade civil, da comunidade científica e de organizações ambientais é parte essencial de qualquer processo democrático.

Esse debate é, inclusive, saudável. Em uma concessão desse porte, é fundamental que o edital de licitação não deixe brechas que possam comprometer o meio ambiente ou a segurança da operação. Da mesma forma, a fiscalização precisa ocorrer de fato, e não apenas no papel.

Sem mecanismos rigorosos de controle, qualquer promessa de equilíbrio entre crescimento e preservação perde credibilidade. A transparência, nesse contexto, é tão importante quanto o projeto.

Os ambientalistas têm razão ao demonstrar preocupação. O Pantanal é um dos biomas mais frágeis e valiosos do planeta, e qualquer intervenção deve considerar seus limites naturais.

Ignorar esses alertas seria irresponsável. No entanto, também não se pode desconsiderar a necessidade de desenvolvimento econômico da região, que enfrenta desafios históricos de infraestrutura, de logística e de oportunidades.

A população pantaneira merece crescer com qualidade de vida, geração de emprego e melhores condições de integração econômica. Esse desenvolvimento, porém, precisa ocorrer de forma responsável, planejada e sustentável.

O caminho não está na paralisação de projetos nem na sua execução apressada, mas no equilíbrio. Conciliar progresso e preservação não é apenas possível – é uma obrigação. Essa é a nossa posição.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 25 Mar 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Quebrar criptografia não é mágica: o papel da tecnologia forense em investigações]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/quebrar-criptografia-nao-e-magica-o-papel-da-tecnologia-forense-em/463996/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/quebrar-criptografia-nao-e-magica-o-papel-da-tecnologia-forense-em/463996/</guid>
				<description><![CDATA[A CNN Brasil noticiou recentemente que a Polícia Federal conseguiu quebrar a criptografia e acessar os dados de um celular pertencente a Daniel Vorcaro, no contexto do caso do Master. Segundo a reportagem, o conteúdo do aparelho já foi acessado e os dados serão compartilhados com a investigação.

Notícias como essa chamam atenção porque reforçam uma percepção comum, e muitas vezes equivocada, de que dados protegidos por criptografia são, por definição, inacessíveis.

Na prática, o acesso a informações criptografadas não é simples nem trivial. Trata-se de um trabalho altamente técnico, que só se torna viável com o uso de tecnologia forense avançada, combinada a método, conhecimento especializado e procedimentos rigorosamente definidos.

É essa combinação que permite transformar informações aparentemente inacessíveis em dados passíveis de análise, preservando integridade, contexto e valor probatório.

No caso citado pela reportagem, há um ponto tecnicamente relevante: mesmo sem a colaboração do investigado no fornecimento da senha do dispositivo, a Polícia Federal conseguiu acessar os dados armazenados no aparelho e superar uma camada adicional de proteção criptográfica.

Esse cenário ilustra o nível de sofisticação das ferramentas forenses disponíveis atualmente quando aplicadas de forma adequada, com base em conhecimento técnico aprofundado e processos bem estruturados.

Ferramentas forenses especializadas, como as desenvolvidas pela empresa israelense Cellebrite, ou soluções como o Verakey, da Magnet Forensics, existem justamente para lidar com cenários complexos: dispositivos protegidos por senha, criptografia ativa, dados excluídos intencionalmente e situações em que não há cooperação do usuário para acesso ao conteúdo.

Diferentemente do imaginário popular, esse acesso não ocorre por tentativa e erro, mas por meio de técnicas avançadas de extração e análise, capazes de identificar registros internos, artefatos digitais e informações residuais que permanecem no dispositivo.

Todo esse processo precisa ser conduzido de forma documentada e tecnicamente defensável. Princípios como integridade da evidência, rastreabilidade e cadeia de custódia são fundamentais para garantir que os dados recuperados possam ser corretamente analisados, contextualizados e, quando necessário, utilizados em processos administrativos ou judiciais. Sem esse rigor, a informação perde valor técnico e jurídico.

Há, naturalmente, diferenças entre o uso dessas tecnologias no setor público e no setor privado, mas essas diferenças não estão na tecnologia em si. No âmbito público, órgãos de investigação utilizam essas ferramentas com base em autorizações judiciais e dentro de procedimentos legais específicos.

Algumas funcionalidades mais sensíveis são restritas às forças de lei, por envolverem prerrogativas próprias da atividade policial.

No setor privado, por sua vez, a tecnologia forense é amplamente utilizada em investigações internas, apurações de fraude, incidentes de segurança da informação, disputas corporativas, atividades de compliance e auditoria.

Na Protiviti, por exemplo, contamos com plataformas forenses amplamente reconhecidas e utilizadas globalmente, operadas por profissionais qualificados, para apoiar empresas na apuração de fatos, identificação de irregularidades e tomada de decisões baseadas em evidências técnicas, sempre em conformidade com os limites legais e as melhores práticas de governança.

Casos amplamente divulgados pela imprensa, como o de Vorcaro, reforçam uma realidade cada vez mais presente no ambiente corporativo: dados digitais deixam rastros. Saber lidar com esses rastros de forma responsável, técnica e estruturada é um diferencial estratégico.

A tecnologia forense digital cumpre justamente esse papel, trazer clareza, confiabilidade e sustentação técnica para decisões críticas, fortalecendo a integridade dos processos investigativos e a confiança das organizações em suas próprias respostas.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 24 Mar 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O Direito e a percepção da opinião pública]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-direito-e-a-percepcao-da-opiniao-publica/463995/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-direito-e-a-percepcao-da-opiniao-publica/463995/</guid>
				<description><![CDATA[Causou grande espanto na comunidade jurídica nacional a decisão liminar do ministro Gilmar Mendes que suspendeu e anulou a quebra de sigilo dos dados bancário, fiscal e telemático envolvendo o ministro Dias Toffoli, proferida em 27 de fevereiro de 2026, e a empresa Maridt Participações, uma companhia ligada à família do ministro.

A decisão foi tomada em outro processo, com outras partes, sem nenhuma relação com o pedido formulado pela empresa requerente.

Causa espécie que o ministro Gilmar possa aproveitar um pedido arquivado para tomar uma providência dessa gravidade sem nenhuma conexão processual com o pedido formulado pela ora requerente.

Difícil superar essa anomalia processual não conhecida em nenhum manual de Direito Processual Civil brasileiro. Mas mesmo que pudéssemos, por um instante, aceitar esse vício insuperável e absolutamente abusivo, também a decisão em si não atende ao mínimo de razoabilidade.

As Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) foram extremamente fortalecidas e prestigiadas pela Constituinte de 1988, a ponto de receberem poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos internos das respectivas Casas do Congresso.

É absolutamente natural que, de acordo com o andamento das investigações de uma CPI, no caso, a do Crime Organizado, encontre-se várias conexões e elos no processo de investigação que só podem ser aprofundados após a quebra de sigilos bancários e fiscal. Nada de novo nisso.

A referida empresa, conforme tem noticiado amplamente a imprensa nacional até o momento, manteve conexões empresariais duvidosas. Há indícios fortes até o momento de operações empresariais descoladas da boa prática de compliance envolvendo seus sócios anteriores.

Apesar de o direito ao sigilo ser a regra, não tem ele caráter absoluto, admitindo-se a sua quebra para atendimento a uma finalidade pública.

E condição para a violação do sigilo é a demonstração da existência de um motivo relevante, em um processo investigatório, dado o seu caráter de excepcionalidade.

De qualquer maneira, a CPI é apenas uma peça na engrenagem do sistema de Justiça. A autoridade policial e o Ministério Público podem e devem investigar, nos limites de suas competências, a existência de fatos que se apresentem suspeitos de atividades suspeitas, ilícitas ou criminosas.

Por fim, é inevitável a interpretação de que o ministro Gilmar Mendes teria “blindado” e “protegido” seu colega de Tribunal, impedindo que a investigação parlamentar avance sobre fatos que envolvam indiretamente um ministro daquele Tribunal.

Para esses críticos, a decisão alimenta a percepção de que os membros do STF, diante de investigações que tangenciam colegas, podem adotar posições corporativistas e descoladas da formalidade jurídica ou que inibem a atuação do Legislativo investigativo. Trata-se de uma leitura política legítima da sociedade civil que não pode ser condenada.

Nesse momento de crise e de tensão por que passa o STF, essa decisão agrava ainda mais a difícil relação entre os Poderes da República. A crise aparentemente não dá sinais de enfraquecimento. Pior para o Brasil e para os brasileiros.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 24 Mar 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Trânsito violento e a saúde pública]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/transito-violento-e-a-saude-publica/463994/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/transito-violento-e-a-saude-publica/463994/</guid>
				<description><![CDATA[O trânsito de Mato Grosso do Sul transformou-se, silenciosamente, em um dos mais graves problemas de saúde pública do Estado. Nesta edição, mostramos que MS lidera o envio de vítimas de acidentes para hospitais, um dado que, por si só, já deveria soar como um alerta contundente.

Por trás dessa estatística estão histórias de sofrimento, vidas interrompidas, famílias impactadas e uma realidade que evidencia um trânsito mais violento do que o desejável e, ao que tudo indica, menos fiscalizado do que o necessário.

A dimensão do problema vai além dos números frios. Acidentes graves são, muitas vezes, consequência de um conjunto de fatores conhecidos: imprudência, condução por pessoas sem habilitação, uso irregular de motocicletas, excesso de velocidade e falhas na infraestrutura viária.

Quando esses elementos se combinam, o resultado é previsível: mais colisões, mais feridos e mais mortes. A constatação de que o trânsito se tornou um fator de risco maior do que em outras regiões reforça a necessidade de políticas públicas mais firmes e coordenadas.

Mas o impacto dessa realidade não se limita às ruas e rodovias. Ele se estende aos corredores dos hospitais. Cada vítima atendida representa uma vaga ocupada, equipes mobilizadas, recursos direcionados.

O efeito cascata é inevitável: o aumento dos gastos com saúde pública, a sobrecarga das unidades hospitalares e a redução de leitos disponíveis para pacientes com doenças de causas naturais.

Em outras palavras, o custo da violência no trânsito não recai apenas sobre quem se envolve diretamente em acidentes, mas sobre toda a sociedade, que passa a disputar um sistema de saúde já pressionado.

Diante desse cenário, investir em segurança viária deixa de ser apenas uma medida de mobilidade e passa a ser uma estratégia inteligente de gestão da saúde pública.

Fiscalizar motocicletas irregulares, impedir que motoristas sem habilitação circulem, intensificar o combate à imprudência e garantir a manutenção adequada das vias são ações que exigem recursos, mas cujo retorno é imediato e abrangente.

Cada acidente evitado representa menos gastos hospitalares, menos sobrecarga do sistema e, principalmente, menos sofrimento humano.

É preciso compreender que a prevenção no trânsito é, também, prevenção na saúde. Ao priorizar políticas que reduzam acidentes, o Estado não apenas economiza, como preserva vidas e melhora a qualidade do atendimento para toda a população.

Em um contexto de recursos limitados, talvez poucos investimentos sejam tão eficazes quanto aqueles destinados a tornar as ruas e estradas mais seguras.

O resultado será sentido não apenas nos indicadores, mas naquilo que realmente importa: menos mortes, menos dor e mais dignidade para quem precisa do sistema público de saúde.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 24 Mar 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A lição de Habermas para o compliance]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-licao-de-habermas-para-o-compliance/463949/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-licao-de-habermas-para-o-compliance/463949/</guid>
				<description><![CDATA[O recente falecimento do filósofo alemão Jürgen Habermas, um dos pensadores mais influentes da teoria social do século 20, traz à reflexão um tema central de sua obra: a legitimidade das normas que organizam a vida coletiva.

Ao longo de décadas, Habermas procurou responder a uma pergunta central: em que condições normas sociais e jurídicas podem ser consideradas legítimas pelos próprios cidadãos a quem se destinam?

Embora desenvolvida no campo da filosofia política e da teoria social, sua obra oferece uma lente poderosa para compreender um desafio central das organizações: como tornar programas de compliance verdadeiramente eficazes.

No centro da obra de Habermas está a racionalidade comunicativa. Normas tendem a ser consideradas legítimas quando resultam de processos nos quais os participantes podem apresentar argumentos, questionar razões e participar da formação das decisões.

A legitimidade, portanto, não deriva apenas da autoridade formal ou do poder hierárquico. Ela nasce da percepção de que as regras foram produzidas por processos justos, transparentes e abertos à argumentação.

Essa perspectiva ajuda a iluminar um limite recorrente dos programas tradicionais de compliance. Em muitas organizações, esses programas ainda são estruturados de forma vertical, com normas estabelecidas pela alta administração sem que os seus destinatários participem de sua formação.

Sob essa lógica, as regras são impostas hierarquicamente. Para Habermas, porém, normas tendem a ser mais estáveis e eficazes quando são percebidas como legítimas, e essa legitimidade nasce justamente da participação, argumentação e debate no processo de sua construção.

É nesse ponto que o diálogo entre Habermas e as pesquisas de Tom R. Tyler se torna particularmente revelador. Em estudos conduzidos com milhares de trabalhadores, Tyler demonstrou que o principal fator que explica a adesão às regras não é o medo da sanção, mas a percepção de legitimidade das autoridades e das normas organizacionais.

Quando os empregados acreditam que a organização age de maneira justa e que suas regras são moralmente apropriadas, eles tendem a cumpri-las voluntariamente, inclusive em situações nas quais a violação dificilmente seria detectada.

As pesquisas também mostram que essa percepção de legitimidade nasce, sobretudo, da chamada justiça procedimental: a forma como decisões são tomadas dentro da organização. Processos transparentes, tratamento respeitoso e oportunidade de participação fortalecem a confiança nas instituições e aumentam o compromisso com as regras.

A convergência entre Habermas e Tyler aponta, assim, para uma conclusão estratégica para o mundo corporativo: programas de compliance eficazes não são apenas sistemas de controle, são sistemas de legitimidade.

Eles dependem menos da vigilância constante e mais da qualidade dos processos decisórios, da justiça percebida nas relações organizacionais e da capacidade da liderança de construir normas que façam sentido para as pessoas.

No fundo, a lição é simples e profunda: regras são mais fortes quando são reconhecidas como justas. Essa legitimidade não nasce apenas de códigos e políticas, mas da forma como as organizações dialogam, decidem e tratam as pessoas no cotidiano.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 23 Mar 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Combustíveis sobem e consumidor desconfia]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/combustiveis-sobem-e-consumidor-desconfia/463947/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/combustiveis-sobem-e-consumidor-desconfia/463947/</guid>
				<description><![CDATA[A disparada recente nos preços dos combustíveis em Campo Grande, verificada ao longo do fim de semana, levanta questionamentos difíceis de ignorar. A gasolina comum, cujo preço foi mantido nas refinarias, e o etanol, biocombustível produzido em larga escala e que não depende diretamente do petróleo, registraram aumentos quase simultâneos.

O movimento expõe uma dinâmica do mercado atacadista e varejista que, para o consumidor, permanece pouco transparente e de difícil compreensão.

Se há algo que o cidadão campo-grandense tem entendido com clareza é que os preços continuam subindo. E, diferentemente de outros momentos, há agora uma percepção mais aguçada sobre quem, de fato, está promovendo esses reajustes.

Quando o preço não sobe na refinaria e ainda assim chega mais alto à bomba, o olhar naturalmente se volta aos intermediários.

Distribuidoras e postos passam a ocupar o centro das suspeitas, ainda que explicações formais insistam em citar custos diversos e variáveis pouco detalhadas.

Nesse contexto, chama atenção a postura adotada pela Secretaria-Executiva de Orientação e Defesa do Consumidor (Procon-MS). Desde a semana passada, o órgão afirma tentar “entender” a formação dos preços.

Embora seja legítimo buscar informações e ouvir o setor, a atitude soa excessivamente cautelosa diante de um cenário em que os aumentos se sucedem rapidamente.

Enquanto os preços nas refinarias permanecem estáveis, distribuidoras e postos continuam elevando os valores, o que sugere que as justificativas apresentadas podem não ter sido suficientemente esclarecedoras.

Ao consumidor, resta a impressão de que a explicação oferecida foi mais uma conversa protocolar do que um esclarecimento efetivo.

Não se trata de negar a complexidade do mercado de combustíveis, que envolve custos logísticos, variações cambiais e margens comerciais. Tampouco se questiona o direito de empresas obterem lucro.

O que não se mostra legítimo é a prática de aumentos sem explicação convincente, muito menos a cobrança de preços que possam ser considerados abusivos. Transparência é condição básica para que o mercado funcione com equilíbrio e confiança.

Diante disso, o consumidor precisa manter a atenção redobrada. A comparação de preços, a observação dos movimentos e a disposição para questionar são instrumentos importantes para evitar distorções.

Quanto maior a vigilância social, menor o espaço para abusos. O próprio comportamento do público, ao escolher onde abastecer, pode influenciar a dinâmica do mercado.

Há, contudo, um sinal positivo nesse cenário. O consumidor parece mais consciente e atento. A percepção de que nem todo aumento tem origem nas refinarias fortalece o senso crítico e estimula a cobrança por explicações. Em momentos como este, a informação se torna aliada fundamental.

A cidade ganha quando o mercado é transparente e quando o consumidor exerce seu papel com responsabilidade. Afinal, lucrar é legítimo, o que não é aceitável é elevar preços sem justificativa clara e penalizar, mais uma vez, quem está do outro lado da bomba.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 23 Mar 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Trânsito muito louco]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/transito-muito-louco/463948/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/transito-muito-louco/463948/</guid>
				<description><![CDATA[Desde a popularização da compra de veículos, impulsionada pelas “facilidades” que o mercado passou a oferecer na década de 1990, o número de carros, motos e congêneres que são lançados para circulação nas ruas passou dos limites do humanamente razoável.

Esse desenfreado aumento trouxe, consequentemente, graves problemas de mobilidade e de circulação em geral, os quais, presentemente, impõem o desafio de uma solução por demais complexa, mas que passa, necessariamente, pelo campo das políticas de educação, tão desejáveis.

Comparando-se o cenário econômico hodierno com os anos da década de 1990, percebe-se que o mercado do ramo automobilístico abriu espaço para a comercialização em massa, o que atingiu, consideravelmente, a frota de veículos em circulação. 

No ano de 2024, por exemplo, o País atingiu o alarmante número de 123,9 milhões de unidades em circulação, incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. 

Proporcionalmente a esse licenciamento concedido aos automóveis, as licenças (permissões para dirigir) também foram flexibilizadas ainda mais recentemente, dada a supressão de etapas para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação.

Essa política de incentivo (unilateral) à proliferação de veículos e de “motoristas”, desacompanhada de medidas que visem promover a inarredável educação que se deve ter no trânsito, só agrava mais os problemas de circulação, que a todos põe em risco.

Não é mais possível dirigir como há algumas décadas, quando não só a frota de veículos em circulação nas ruas era razoável, mas a própria estrutura das cidades e o estilo de vida passada proporcionavam que se andasse mais livremente e em paz.

Presentemente, “acerta na loteria” quem consegue sair de um canto para outro sem que esbarre com ao menos uma situação que cause, no mínimo, um transtorno ou perigo, quando não seja caso de maior gravidade.

A preocupação com o risco de acidentes é tanta e vem tanto da parte dos motoristas, como de (moto) ciclistas e de pedestres em geral.

Quase todo mundo está errado em algum ponto e todos querem estar certos em tudo, gerando uma zorra total no trânsito.

Até mesmo daqueles de quem mais se espera segurança na direção, como motoristas profissionais (de transportes coletivos, de aplicativos e taxistas), há probabilidade de perigo, justamente pelo excesso de confiança que alguns detêm.

Calçadas e faixas, que antes eram destinadas exclusivamente a pedestres (os mais vulneráveis neste cenário), são hoje, violentamente, utilizadas por motociclistas e ciclistas, sem que o poder público nada faça para conter essas práticas.

Não é mais confiável sequer atravessar uma rua sem olhar para todos os lados, até mesmo para o sentido de onde não deveria surgir nenhum veículo. 

Não se trata tão somente de falta de educação, mas da colocação em pratica do maléfico instinto humano de achar que pode tudo e todo o resto que se dane, pois, ao menor sinal de reação da vítima desses abusos, ainda se corre o risco de acontecer algo pior.

Por essa razão, devem os órgãos de trânsito intensificar a fiscalização, adotando medidas que não só sejam eficazes em termos de exação, mas do próprio exercício do poder de polícia, que é atributo dos atos administrativos, sob pena de que mais e mais tragédias aconteçam.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 23 Mar 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Soberania em xeque]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/soberania-em-xeque/463872/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/soberania-em-xeque/463872/</guid>
				<description><![CDATA[A soberania de uma nação é tradicionalmente medida pela rigidez de suas fronteiras e pela solidez de suas instituições. No entanto, o cenário contemporâneo impôs ao Brasil um desafio peculiar: uma erosão silenciosa das estruturas de governança promovida pelo crime organizado.

Grupos como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) atravessam uma profunda metamorfose, afastando-se da delinquência comum para consolidar um perigoso modelo de poder paraestatal que se infiltra nas veias do Estado e na economia formal, desafiando as ferramentas jurídicas tradicionais.

Observa-se hoje um processo de camuflagem institucional. Organizações criminosas utilizam a estrutura estatal para expandir seus domínios, gerindo serviços essenciais – como transporte público, coleta de resíduos e até unidades de saúde – para converter verbas públicas em capital de giro ilícito.

Controlam municípios em sua totalidade e ampliaram sua atuação para os três poderes e esferas institucionais, infiltrados nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Este fenômeno aponta para um risco iminente de ‘mexicanização’.

Diante deste cenário, a integridade da democracia é posta em xeque, exigindo análise que transcenda a segurança pública e alcance a defesa nacional.

Essa complexidade se agrava com a transformação do território nacional em um entreposto logístico global, atraindo redes criminosas internacionais. A convergência entre o narcotráfico doméstico e presença de células terroristas extrarregionais altera a percepção de risco sobre o País.

Como confirmado pela Operação Carbono Oculto, grupos internacionais utilizam a capilaridade das facções brasileiras para operações de financiamento e suporte logístico, acredite, conectando o crime urbano às instabilidades do Oriente Médio.

Um pilar central dessa vulnerabilidade é a arquitetura financeira. O Brasil carece de uma lei robusta de triagem de investimentos estrangeiros, similar ao modelo de economias centrais. A inexistência de filtros que escrutinem ‘investimentos’ mantém as portas abertas para ativos perigosos.

Por meio de engenharias societárias em paraísos fiscais, o capital do crime e do terrorismo é reciclado na economia real, como na infraestrutura, agronegócio, portos, indústria, terras raras, atingindo nossa soberania ao financiar desestabilização institucional, expondo o sistema bancário a graves riscos reputacionais.

É neste vácuo jurídico que surge uma estratégia de defesa contemporânea: a convergência com a classificação de Organização Terrorista Estrangeira (FTO) proposta pelos EUA. Sob a ótica da Realpolitik, o apoio a essa medida não é submissão, mas a adoção de um multiplicador de forças indispensável.

Ao integrar PCC e CV a este regime, o Brasil ganha acesso a um arsenal de sanções financeiras e inteligência de alta tecnologia que isoladamente levaria décadas para desenvolver. A classificação retira as facções da zona de conforto do direito penal comum, permitindo que o Estado promova higidez nos capitais empresarial e financeiro.

A verdadeira soberania manifesta-se na capacidade de reconhecer ameaças e buscar alianças que potencializem a autoridade estatal. O apoio à iniciativa americana e a implementação de leis rigorosas de triagem de investimentos são as faces de uma mesma moeda.

O enfrentamento ao narcoterrorismo exige um pragmatismo soberano que infelizmente tem faltado ao nosso país.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 21 Mar 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O Pantanal nas rotas do mundo: por que Mato Grosso do Sul sedia a COP15 das espécies migratórias?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-pantanal-nas-rotas-do-mundo-por-que-mato-grosso-do-sul-sedia-a/463871/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-pantanal-nas-rotas-do-mundo-por-que-mato-grosso-do-sul-sedia-a/463871/</guid>
				<description><![CDATA[O Pantanal sempre foi mais do que uma paisagem. É um território onde o voo das aves desenha caminhos invisíveis no céu e onde a natureza ensina que liberdade e equilíbrio caminham juntos. Manoel de Barros, o grande poeta do Pantanal, transformou aves em palavras e palavras em asas.

Em sua poesia, os pássaros não são apenas parte da paisagem: são expressão da vida e da liberdade da natureza.

Essa imagem ajuda a compreender por que Campo Grande sedia dos dias 23 a 29 de março a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15).

A escolha da capital sul-mato-grossense reflete o papel estratégico do Pantanal nas rotas migratórias das Américas e coloca Mato Grosso do Sul no centro da agenda internacional da biodiversidade.

Espécies migratórias são aquelas que cruzam fronteiras nacionais de forma previsível ao longo de seus ciclos de vida. Não pertencem a um único território. São patrimônio natural compartilhado entre países, o que exige cooperação internacional para sua proteção.

O Pantanal é um dos principais elos dessa rede ecológica continental. Com mais de 610 espécies de aves registradas, abriga cerca de 190 espécies migratórias, que representam aproximadamente 30% de sua avifauna.

Aves que partem do Ártico e da América do Norte encontram nos campos inundáveis do Pantanal áreas fundamentais de parada e alimentação. Outras, vindas da Argentina, do Uruguai e do sul do Brasil, utilizam a planície pantaneira em seus deslocamentos sazonais.

Essas rotas conectam o Pantanal à Amazônia, ao Cerrado, ao Chaco e aos sistemas austrais da América do Sul. O que acontece aqui repercute em escala continental.

Quando Manoel de Barros humanizava as aves em seus versos, revelava uma verdade profunda: a natureza não é cenário, é sujeito. Aves migratórias que utilizam o Pantanal em seus deslocamentos, como os maçaricos vindos do Hemisfério Norte, os talha-mares e as andorinhas, são indicadores da saúde dos ecossistemas.

Ao sediar a COP15, Mato Grosso do Sul recebe especialistas de todo o mundo para discutir estratégias de conservação dessas espécies e fortalecer a cooperação internacional.

Nos últimos anos, o Estado vem consolidando uma agenda ambiental consistente. Desde o anúncio da meta de neutralidade de carbono até 2030, estruturamos políticas públicas que integram produção, conservação e inovação.

A proteção das rotas migratórias depende da integridade dos habitats. No Pantanal, isso significa preservar áreas úmidas, manter o pulso natural das águas e garantir conectividade entre paisagens.

Programas como o Pacto Pantanal, o Pagamento por Serviços Ambientais e o monitoramento da biodiversidade com tecnologias avançadas reforçam essa estratégia. Segurança alimentar, transição energética e conservação ambiental caminham juntas.

Ao fortalecer a agropecuária sustentável e ampliar o uso de energias limpas, reduzimos emissões e ampliamos a resiliência dos ecossistemas.

Ao sediar a COP15, Mato Grosso do Sul reafirma que o Pantanal é um território estratégico para a biodiversidade global. Um lugar onde as aves encontram abrigo em suas longas viagens e onde o mundo pode enxergar que desenvolvimento e conservação podem caminhar juntos.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 21 Mar 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Campo Grande pode reter mais turistas]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/campo-grande-pode-reter-mais-turistas/463870/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/campo-grande-pode-reter-mais-turistas/463870/</guid>
				<description><![CDATA[Em tempos de um evento de magnitude global como a COP15, que começa na segunda-feira e segue até o dia 29, abre-se para Campo Grande uma oportunidade rara de reflexão e, sobretudo, de ação.

Receber visitantes de diferentes países não é apenas uma questão logística ou econômica, mas também um convite para repensar o papel da cidade no mapa do turismo e da hospitalidade.

Próxima de patrimônios naturais, como o Pantanal, e de destinos consagrados do ecoturismo, como Bonito, Campo Grande muitas vezes é vista apenas como ponto de passagem. No entanto, essa condição não precisa – e não deve – ser definitiva.

Ainda que suas belezas naturais não sejam equiparáveis às desses ícones, a Capital tem potencial para reter turistas e oferecer experiências próprias, autênticas e memoráveis.

Para isso, é preciso valorizar aquilo que já existe. Espaços como a Feira Central de Campo Grande são exemplos claros de identidade cultural e gastronômica. Museus, centros culturais e iniciativas como o Bioparque Pantanal reforçam a vocação da cidade para o conhecimento, a conservação e o turismo educativo.

Não se trata de competir com outros destinos, mas de afirmar uma identidade própria, baseada em originalidade e diversidade.

A culinária, aliás, é um capítulo à parte. Campo Grande tem muito a oferecer nesse aspecto, com sabores que refletem a mistura de influências regionais e culturais. Explorar melhor essa riqueza, promovendo-a de forma mais estratégica, pode ser um diferencial importante para atrair e fidelizar visitantes.

O turismo gastronômico é, hoje, um dos mais valorizados no mundo, e a capital sul-mato-grossense tem plenas condições de se inserir nesse cenário.

Outro ponto essencial é a qualificação dos prestadores de serviço. Em um contexto internacional, a capacidade de comunicação faz diferença. Quanto mais pessoas preparadas para interagir com estrangeiros – em hotéis, restaurantes, transporte ou mesmo nas ruas –, maior será a sensação de acolhimento.

Falar idiomas como espanhol e inglês deixa de ser um diferencial e passa a ser uma necessidade. E não se trata apenas de profissionais do setor: um cidadão comum, ao orientar um visitante com cordialidade, contribui diretamente para a imagem da cidade.

Além disso, há espaço para avanços na infraestrutura e na sinalização urbana. Tornar a cidade mais intuitiva, acessível e amigável para quem chega de fora é um passo fundamental. Pequenas melhorias podem gerar grandes impactos na experiência do turista e, consequentemente, na percepção geral do destino.

A COP15 deve, portanto, ser mais do que um evento pontual. Deve servir como aprendizado. Campo Grande tem diante de si a chance de observar, ajustar e evoluir.

Se souber aproveitar esse momento, poderá transformar uma oportunidade passageira em um legado duradouro. O desafio está posto – e os caminhos, claramente, também.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 21 Mar 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Entenda por que condomínios eficientes gastam menos, mesmo investindo mais]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/entenda-por-que-condominios-eficientes-gastam-menos-mesmo-investindo/463820/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/entenda-por-que-condominios-eficientes-gastam-menos-mesmo-investindo/463820/</guid>
				<description><![CDATA[Existe um paradoxo na gestão condominial que ainda confunde síndicos e moradores: os condomínios mais eficientes costumam ser aqueles que mais investem. Ainda assim, no longo prazo, são justamente esses que gastam menos.

Essa aparente contradição revela uma mudança de mentalidade que o setor precisa amadurecer: eficiência não é sinônimo de cortar custos, mas de alocar recursos com inteligência.

Durante décadas, a lógica predominante foi a da economia imediata. Reduzir contratos, postergar manutenções, adiar investimentos. O problema é que condomínios são estruturas complexas, com ativos físicos, pessoas, obrigações legais e impactos patrimoniais.

Quando a gestão se orienta apenas por contenção de despesas, ela cria passivos invisíveis que aparecem mais tarde em forma de emergências, conflitos e desvalorização do patrimônio.

Condomínios eficientes investem em manutenção preventiva, planejamento de longo prazo, tecnologia e profissionalização da gestão. Isso significa trocar equipamentos antes de falhas críticas, revisar contratos com critérios técnicos, digitalizar processos financeiros e criar rotinas de governança.

Esses investimentos aumentam o orçamento no curto prazo, mas reduzem drasticamente despesas emergenciais, desperdícios e riscos jurídicos ao longo do tempo.

A lógica econômica é simples: manutenção preventiva custa menos do que manutenção corretiva. Um vazamento detectado cedo evita uma reforma estrutural; um contrato bem negociado gera economia recorrente por anos; um sistema de controle financeiro reduz a inadimplência e evita chamadas extras.

O condomínio que planeja substitui a cultura do improviso por previsibilidade.

Eficiência também é governança. Investir em transparência, comunicação estruturada e prestação de contas clara reduz conflitos, judicialização e desgaste político. Assembleias mais informadas geram decisões mais racionais. Moradores que confiam na gestão participam mais, pagam em dia e apoiam projetos de longo prazo.

Há ainda um fator patrimonial frequentemente ignorado. Condomínios bem cuidados, com infraestrutura atualizada e gestão organizada, preservam e ampliam o valor dos imóveis.

Em mercados urbanos competitivos, compradores e locatários já observam não apenas a unidade, mas o funcionamento do condomínio como um todo. Gestão eficiente se transforma, na prática, em valorização imobiliária.

O discurso de “gastar menos” costuma ser popular em assembleias, mas é enganoso quando não vem acompanhado de planejamento. Cortes lineares em manutenção, segurança ou gestão geram economias momentâneas, mas criam passivos ocultos que explodem no futuro. 

No universo condominial, o barato raramente sai barato de fato. Eficiência, portanto, não é austeridade cega. É estratégia. É compreender o condomínio como uma organização viva, com ciclo de ativos, riscos legais, fluxo de caixa e impacto social.

Investir mais, quando feito com inteligência, é o caminho mais curto para gastar menos no longo prazo.

Por fim, a maturidade do setor condominial passa por essa virada de chave. Condomínios eficientes não são os que cobram menos taxa, mas os que entregam mais valor por cada real investido.

Em um País cada vez mais verticalizado, essa diferença deixará de ser um detalhe administrativo para se tornar um fator central de qualidade de vida e de preservação de patrimônio.

Assine o Correio do Estado 
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 20 Mar 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Governança e compliance para o agronegócio ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/governanca-e-compliance-para-o-agronegocio/463818/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/governanca-e-compliance-para-o-agronegocio/463818/</guid>
				<description><![CDATA[O agronegócio brasileiro é hoje uma das maiores forças econômicas do País, representando atualmente cerca de 25% do PIB nacional, podendo representar 30% do PIB do Brasil no final do ano.

Nos últimos anos, tornou-se tendência no meio rural o planejamento sucessório por meio da criação de holdings familiares. Trata-se de um passo importante para organizar o patrimônio e reduzir conflitos entre gerações. Contudo, governança é mais ampla do que estrutura societária. 

À medida que o setor se consolida como protagonista global, cresce também a exigência por transparência, sustentabilidade e integridade corporativa. Nesse contexto, os sistemas de governança e compliance tornaram-se instrumentos essenciais não apenas de conformidade, mas de vantagem competitiva sustentável e de credibilidade.

A aplicação de boas práticas de governança corporativa no agronegócio vai muito além do planejamento patrimonial-tributário, controle contábil ou da gestão de riscos. É alinhar o negócio rural à agenda Environmental, Social and Governance (ESG), que orienta decisões de investimento, crédito e comércio internacional.

Produtores, empresas rurais, cooperativas e agroindústrias têm sido avaliadas não apenas por sua produtividade, mas por sua gestão ambiental responsável, relações trabalhistas éticas e práticas de governança transparentes.

A pressão, no bom sentido, vem de todos os lados: investidores estrangeiros, bancos, grandes redes de varejo e organismos internacionais condicionam negócios a padrões de integridade e sustentabilidade. Outro fator de pressão vem do avanço das operações da Receita Federal e de órgãos de controle sobre o setor.

As ações de cruzamento de dados fiscais e de combate à elisão e evasão tributária no agronegócio se tornaram cada vez mais sofisticadas, exigindo dos produtores e empresas rurais cada dia mais governança tributária e compliance fiscal estruturados.

Assim, adotar mecanismo de governança e compliance deixou de ser uma opção e tornou-se instrumento para se atingir uma boa gestão no ambiente do agronegócio.

O mercado global também impõe seus filtros. Importadores europeus, norte-americanos e asiáticos exigem comprovação de práticas de conformidade socioambiental como condição para fechar contratos.

A rastreabilidade da origem da produção, o respeito às normas trabalhistas e ambientais, e a aderência a políticas anticorrupção são cláusulas cada vez mais frequentes nas compras internacionais de commodities brasileiras.

Sem estrutura de governança, o produtor ou empresa simplesmente fica fora do jogo.

O produtor rural moderno precisa compreender que governança e compliance são o novo alicerce da competitividade. Planejar sucessões e estruturar holdings é importante, mas é apenas o início.

O futuro do setor dependerá cada vez mais da capacidade de alinhar produtividade com integridade, tecnologia com transparência, e crescimento com sustentabilidade.

O produtor rural que compreender que compliance e ESG não são custos, mas investimentos estratégicos, estará um passo à frente. 

Afinal, no mercado global contemporâneo, quem plantar a cultura da governança e compliance colherá credibilidade e resultado com sustentabilidade.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 20 Mar 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Evento global e falhas de articulação]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/evento-global-e-falhas-de-articulacao/463817/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/evento-global-e-falhas-de-articulacao/463817/</guid>
				<description><![CDATA[Nos próximos dias, Campo Grande estará no centro de uma discussão global de grande relevância ao sediar a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Selvagens (COP15), um dos mais abrangentes eventos internacionais já realizados em sua história recente.

Serão milhares de participantes vindos de diversas partes do mundo, ocupando hotéis da Capital e circulando por espaços como o Bosque Expo e o Bioparque Pantanal, em uma intensa agenda dedicada à preservação da fauna e da biodiversidade.

Se as grandes conferências climáticas – como a COP30 – concentram esforços nas mudanças do clima, a COP15 direciona o foco para a proteção das espécies, dos habitats naturais e do equilíbrio ecológico, temas igualmente urgentes e estratégicos para o futuro do planeta.

Trata-se de um encontro de alto nível, promovido sob a chancela da Organização das Nações Unidas, que coloca Mato Grosso do Sul e o Brasil em evidência no cenário ambiental internacional.

É uma oportunidade rara de projeção, intercâmbio de conhecimento, atração de investimentos e fortalecimento de políticas públicas voltadas à conservação.

Mais do que isso, abre espaço para que experiências locais e regionais sejam apresentadas ao mundo, consolidando a imagem do Estado como referência em biodiversidade.

No entanto, chama a atenção – e causa preocupação – a aparente falha na comunicação entre os entes federativos responsáveis por viabilizar o evento.

Conforme apuração do Correio do Estado, até ontem, o governo federal repassava poucas informações de bastidores a atores fundamentais para a organização, como órgãos municipais e estaduais que terão papel decisivo na recepção, no suporte logístico e na segurança dos participantes.

A ausência de alinhamento mais claro compromete não apenas a eficiência da operação, mas também a imagem da cidade anfitriã. Eventos dessa magnitude exigem planejamento integrado, fluxo contínuo de informações e cooperação efetiva entre todas as esferas de poder.

Não se trata apenas de cumprir protocolos formais, mas de garantir que visitantes internacionais encontrem uma cidade preparada, organizada e à altura da importância do encontro.

É imprescindível que esse diálogo seja rapidamente ajustado. A partir de hoje, com a chegada dos primeiros participantes amanhã, espera-se que as informações circulem com mais clareza e que as responsabilidades estejam devidamente pactuadas entre União, Estado e município.

Campo Grande tem plenas condições de sediar um evento desta dimensão com excelência, mas, para isso, é necessário que a coordenação institucional funcione de forma harmônica, eficiente e transparente.

Receber bem é mais do que uma questão de hospitalidade; é também um gesto político e estratégico. O mundo estará olhando, e a impressão deixada agora poderá ecoar por muitos anos.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 20 Mar 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Da potência do desamparo]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/da-potencia-do-desamparo/463766/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/da-potencia-do-desamparo/463766/</guid>
				<description><![CDATA[Um dos motes mais famosos da política das últimas décadas envolveu duas palavras siamesas: medo e esperança. Acostumamo-nos a enxergar esses dois horizontes como diversos e contrários: o medo sendo tudo aquilo que a gente não quer que aconteça; a esperança, como aquele futuro que a gente quer que se realize.

E, como um pêndulo, percorrermos as trilhas do tempo fugindo de um em busca do outro, como o burro que, simultaneamente, sente a espora a lhe golpear o flanco e a cenoura a encher seus olhos.

O que não parece claro para a maioria de nós é que tanto o medo quanto a esperança sugam nossa potência de estar no mundo, antecipando o roteiro de nossa existência, determinando as falas e as ações que devemos desempenhar.

Se enfrentamos o medo, somos heroicos; se perdemos a esperança, fracos; se sucumbimos ao medo, trágicos; se alcançamos o que esperávamos, apesar das dificuldades, resilientes. Tudo pronto, tudo preparado, como uma festa de criança que ignora, sempre, a entropia.

Kierkegaard foi o primeiro a desafiar a lógica dos papéis sociais e apostar no “salto na fé”. Nietzsche vai chamar esse rompimento com os padrões de expectativas para a vida de “amor fati”; Heidegger vai ligar a ideia de uma vida autêntica a uma consciência para a morte.

Não estavam dizendo a mesma coisa, é lógico, mas estavam sendo movidos pela mesma percepção: o que nos move, o que nos torna autenticamente humanos é estarmos desprovidos dos scripts sobre como é viver. Estamos por conta, livres e soltos, sem lenço e sem documento, com uma mão na frente e outra atrás.

Largados no mundo. Desamparados. Não há medo, porque não há o que perder; não há esperança, porque não se sabe o que há para ganhar. Há somente o que somos e o mundo como caixa de ferramenta.

Em uma das séries de TV mais desconcertantes dos últimos tempos, “Pluribus”, uma escritora se vê, repentinamente, cercada por uma humanidade transformada em uma mente coletiva que tenta atender a todos os seus desejos.

Carol Sturka, a personagem, primeiro tenta negar o que está acontecendo; depois fica profundamente irritada com a passividade de todos, com aquele acolhimento absurdo; busca um jeito de desfazer aquela situação, o que afasta a humanidade dela. Fica, então, totalmente sozinha na sua cidade.

Depois de tentar se adaptar aos novos tempos, enfim, percebe-se desamparada. E aí começa a sua reconstrução.

O desamparo é a capacidade de se relacionar com o que não tem forma nem conteúdo previamente conhecido. Como não somos treinados para isso, sentimos o desespero quando o que nos acostumamos a ter e a ser falta-nos. Por isso dizemos: fiquei sem chão.

O desamparo, porém, é a única condição capaz de permitir criar a nossa posição contingente no mundo, isto é, a experiência, como aquilo que nos faz sair do nosso perímetro de conforto e segurança e nos lança para a aventura do viver, sem corrimões ou sinais indicadores.

É apavorante? É espetacular.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 19 Mar 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Revisão da vida toda: os embargos expõem que o Supremo pode ter decidido antes da hora]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/revisao-da-vida-toda-os-embargos-expoem-que-o-supremo-pode-ter/463765/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/revisao-da-vida-toda-os-embargos-expoem-que-o-supremo-pode-ter/463765/</guid>
				<description><![CDATA[A recente mudança de entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a chamada revisão da vida toda foi apresentada como o ponto final de uma das mais relevantes controvérsias previdenciárias do País.

Para muitos, tratou-se de um encerramento definitivo. Mas os embargos de declaração opostos no processo revelam um cenário mais complexo, e ainda mais inquietante.

Longe de representar apenas um ajuste técnico, os embargos sugerem que o julgamento pode não apenas estar incompleto, mas ter sido precipitado.

A decisão que alterou a orientação da Corte foi construída sobre fundamentos que ainda não se encontram plenamente consolidados. Em especial, a reviravolta se apoia diretamente nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) nº 2.110 e nº 2.111.

Ocorre que, no caso da ADI nº 2.111, a controvérsia permanece em aberto, com embargos de declaração pendentes e pedido de vista justamente sobre um ponto crucial: a modulação dos efeitos da decisão.

E isso muda tudo.

A definição da eficácia temporal não é um detalhe periférico. Trata-se de elemento essencial do próprio conteúdo decisório. Sem ela, não há decisão completa. Há, no máximo, um julgamento em formação.

Nesse contexto, emerge um risco institucional relevante: o de tratar como definitivo aquilo que ainda está em construção.

Os embargos escancaram essa contradição. O Supremo utilizou como fundamento uma decisão ainda não finalizada para alterar entendimento previamente consolidado, levantar a suspensão nacional dos processos e permitir a aplicação imediata da nova tese.

Há, aqui, um evidente desalinhamento. Se o próprio fundamento invocado depende de definição quanto aos seus efeitos, como justificar sua aplicação imediata e irrestrita? Essa questão, ao que tudo indica, não foi devidamente enfrentada no julgamento.

É precisamente essa omissão que os embargos trazem à tona e que compromete a coerência da decisão.

Mais do que um instrumento formal, os embargos cumprem, neste caso, uma função estrutural: apontam lacunas que afetam a integridade do julgamento.

Entre elas, destacam-se a ausência de definição sobre a modulação dos efeitos nas ADIs utilizadas como fundamento, o impacto dessa indefinição na validade da aplicação imediata da nova tese e a necessidade de preservar coerência entre decisões interdependentes do próprio Supremo.

Ignorar tais pontos não representa apenas uma falha técnica. Representa um risco à própria estabilidade do sistema jurídico.

Há, no senso comum jurídico, uma tendência de reduzir os embargos de declaração a instrumentos de menor relevância, destinados a correções marginais. Mas esse não é o caso. Quando omissões relevantes comprometem o próprio resultado do julgamento, a jurisprudência da Corte admite, inclusive, a atribuição de efeitos infringentes.

E esse cenário está posto.

Se a decisão foi construída sobre uma base ainda incompleta, sua eventual revisão não configura reabertura indevida do mérito, mas sim um gesto de coerência institucional.

O que está em jogo, portanto, vai além da própria revisão da vida toda. Trata-se da forma como o STF lida com a consistência interna de suas decisões.

A Corte tem diante de si uma escolha clara: consolidar um entendimento apoiado em fundamentos ainda não finalizados ou reconhecer que a própria estrutura do julgamento exige complementação e, eventualmente, revisão.

Rever uma decisão, quando necessário, não diminui a autoridade do Tribunal. Ao contrário, fortalece sua credibilidade.

Ainda há tempo para corrigir o percurso. Os embargos apresentados não traduzem mero inconformismo. São, sobretudo, um alerta técnico. Indicam que a decisão que redefiniu os rumos da revisão da vida toda pode ter sido edificada sobre uma base ainda em construção e que isso compromete sua legitimidade.

O Supremo ainda pode decidir de forma mais completa. E, ao fazê-lo, não estará voltando atrás, mas avançando na direção mais responsável que se espera de uma Corte Constitucional.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 19 Mar 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Quando a lei alcança quem deve cumpri-la]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/quando-a-lei-alcanca-quem-deve-cumpri-la/463764/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/quando-a-lei-alcanca-quem-deve-cumpri-la/463764/</guid>
				<description><![CDATA[O trabalho recente da Polícia Federal do Brasil no combate ao tráfico e ao contrabando merece reconhecimento. Em mais uma operação relevante, a corporação não apenas avançou contra organizações criminosas, como também revelou um aspecto ainda mais sensível: o envolvimento de policiais civis no auxílio a esses esquemas ilegais.

Trata-se de um episódio que chama a atenção não apenas pelo crime em si, mas pelo simbolismo de ver agentes públicos, cuja missão é proteger a sociedade, atuando no sentido oposto.

O leitor encontrará, ao longo desta edição, os detalhes da investigação. Mas, desde já, fica uma lição que não pode ser ignorada: o controle, a fiscalização e o combate ao crime precisam ser permanentes, inclusive dentro das instituições responsáveis por garantir a ordem.

Não há espaço para complacência quando se trata da integridade do sistema de segurança pública.

Essas ações, próprias do trabalho policial, são fundamentais para a saúde de uma democracia. É a aplicação da lei, de forma contínua e imparcial, que sustenta o convívio social e assegura que direitos e deveres sejam respeitados.

Sem esse compromisso, o risco é evidente: uma sociedade em que prevalece a lógica do “cada um por si”, onde normas deixam de existir na prática e a insegurança se torna a regra.

Por isso, talvez um dos aspectos mais louváveis deste tipo de operação seja, justamente, a disposição de investigar e punir desvios dentro das polícias.

Quando há falhas internas, ignorá-las seria o caminho mais fácil – e o mais perigoso. Enfrentá-las, por outro lado, exige coragem institucional e compromisso com valores que vão além de interesses corporativos.

As forças de segurança têm o dever de combater o crime, mas também carregam a responsabilidade de dar o exemplo. A credibilidade dessas instituições depende, em grande medida, da capacidade de agir com transparência e rigor, inclusive quando seus quadros estão sob suspeita.

É assim que se constrói confiança pública: com ações firmes, coerentes e sem distinção de quem esteja do outro lado da investigação.

No fim das contas, o recado que fica é claro. O combate ao crime não pode parar – e isso vale, sobretudo, quando ele se infiltra onde menos se espera. Em uma democracia sólida, ninguém está acima da lei. E é exatamente assim que deve ser.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 19 Mar 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Lavagem de dinheiro não é problema só de bancos e as empresas precisam se preparar]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/lavagem-de-dinheiro-nao-e-problema-so-de-bancos-e-as-empresas-precisam/463709/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/lavagem-de-dinheiro-nao-e-problema-so-de-bancos-e-as-empresas-precisam/463709/</guid>
				<description><![CDATA[Nos últimos meses, operações da Polícia Federal (PF) voltaram a evidenciar como estruturas empresariais legítimas podem ser instrumentalizadas para ocultar e movimentar recursos ilícitos.

A chamada Operação Carbono Oculto revelou um esquema bilionário ligado ao crime organizado no setor de combustíveis, com indícios de uso de estruturas societárias complexas e veículos de investimento para dissimular a origem de valores.

Outras reportagens também destacaram investigações sobre a possível infiltração de organizações criminosas em fundos com patrimônio expressivo. O alerta que emerge desse cenário é claro para o mundo corporativo: a lavagem de dinheiro não se restringe ao sistema financeiro.

Na prática, qualquer setor que lide com fluxo relevante de recursos, contratos sofisticados, cadeias extensas de fornecedores ou estruturas societárias pouco transparentes pode estar exposto.

À medida que práticas ilícitas se tornam mais sofisticadas, também cresce a necessidade de que empresas adotem mecanismos preventivos mais estruturados e inteligentes.

Nesse contexto, legislações e diretrizes do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) ganham relevância estratégica.

A Lei nº 9.613/1998 estabelece o dever de identificar, registrar e comunicar operações suspeitas pelas chamadas “pessoas obrigadas”, formando a espinha dorsal do sistema brasileiro de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo (PLDFT).

Mais recentemente, a Resolução Coaf  nº 41/2022 reforçou esse arcabouço ao consolidar um modelo baseado em risco.

A norma exige que organizações desenvolvam políticas estruturadas de PLDFT, incluindo procedimentos de identificação de clientes e beneficiários finais, monitoramento contínuo e comunicação de transações suspeitas quando necessário.

Um dos pontos mais relevantes da resolução é a obrigação de comunicação automática ao Coaf de operações em espécie iguais ou superiores a R$ 50 mil, independentemente de juízo subjetivo de suspeita. Além disso, a norma descreve sinais de alerta que devem orientar a diligência reforçada por parte das empresas.

Entre elas estão o fracionamento de pagamentos para evitar limites de reporte; incompatibilidade entre perfil econômico e volume ou natureza das operações, uso de estruturas societárias complexas sem justificativa econômica, dificuldade de identificar o beneficiário final, interposição de terceiros sem vínculo claro e transações sem propósito econômico aparente.

A presença de pessoas politicamente expostas (PEPs) ou a atuação em jurisdições classificadas como alto risco também exige monitoramento intensificado.

É nesse ponto que o Know Your Customer (KYC) ganha protagonismo. Mais do que a simples coleta formal de documentos, KYC pressupõe a compreensão aprofundada de quem é o cliente, qual a origem dos recursos envolvidos, quem são os beneficiários finais e se existe coerência entre o perfil econômico e as transações realizadas.

O processo também envolve avaliar riscos futuros no relacionamento e manter mecanismos contínuos de monitoramento.

Ferramentas tecnológicas disponíveis no mercado já permitem realizar processos robustos de due diligence, acompanhar alterações societárias, identificar mudanças na estrutura de beneficiários e detectar indícios de operações atípicas.

Esses mecanismos podem, e devem, ser parametrizados conforme a matriz de riscos da organização, garantindo proporcionalidade na alocação de recursos de compliance e controles internos.

Quando integrados a uma política consistente de PLDFT, processos estruturados de KYC e auditorias in loco, esses controles funcionam como uma linha de defesa preventiva. Eles permitem classificar riscos, documentar decisões, escalar situações sensíveis e evitar que exceções sem justificativa técnica se tornem práticas normalizadas.

Empresas que tratam PLDFT e KYC como instrumentos estratégicos não apenas reduzem o risco regulatório, mas também mitigam riscos na reputação, além dos riscos contratuais e societários, muitas vezes com impacto direto na continuidade dos negócios.

Por isso, a discussão que precisa estar na pauta de conselhos de administração e diretorias vai além da classificação formal como “pessoa obrigada”.

A pergunta central é outra: os processos internos são suficientemente robustos para identificar quando alguém tenta utilizar a estrutura corporativa como veículo para ocultar recursos ilícitos?

Em um ambiente de crescente sofisticação das práticas criminosas e pela integração cada vez maior entre órgãos de investigação, fiscalização e unidades de inteligência financeira, PLDFT e KYC deixaram de ser meras exigências normativas e passaram a integrar o núcleo da gestão de riscos e da sustentabilidade empresarial.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 18 Mar 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Como o hábito da leitura pode ajudar a democracia?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/como-o-habito-da-leitura-pode-ajudar-a-democracia/463708/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/como-o-habito-da-leitura-pode-ajudar-a-democracia/463708/</guid>
				<description><![CDATA[Nossa democracia vive uma inegável crise de representatividade, principalmente pelo crescente sentimento de descolamento entre as expectativas do cidadão e os atos de seus representantes eleitos. Apesar de perfeitamente compreensível, esse sentimento parece um tanto contraditório já que os cidadãos são os responsáveis pela escolha dos representantes, por meio do voto.

Nesse cenário, no qual o cidadão não aprova as próprias escolhas, fica a pergunta incômoda acerca dos motivos que nos conduziram a este quadro e, principalmente, como sair dele. Apesar de não existir uma resposta única e fácil – respostas fáceis fatalmente apontam para caminhos não democráticos – uma coisa é certa: escolhas bem-feitas necessitam de informação e avaliação.

Em qualquer situação da vida é preciso informação e análise para escolher bem. Mesmo quem pretende simplesmente ir a algum lugar não sai andando a esmo na esperança de chegar, mas se informa sobre o caminho, a distância, os meios de transporte, etc. e depois usa as informações para avaliar e decidir a melhor forma de alcançar o destino.

Em uma democracia não é diferente. O processo de escolha (eleição) é o mesmo. O cidadão precisa se informar, analisar as informações e decidir (votar). E é justamente aqui que o hábito da leitura pode exercer um papel importante na consolidação da democracia.

Uma forma inquestionável de melhorar as escolhas é ampliar a capacidade crítica. Quem cultiva o hábito da leitura fatalmente será capaz de aprimorar essa capacidade de receber informações, analisá-las e tomar decisões de maneira mais embasada, ainda que não haja garantias de acerto.

As escolhas em democracia não são simples e por isso não existem garantias de decisões acertadas. Mas um cidadão que não é capaz de interpretar e avaliar de maneira crítica e consciente as informações que recebe, fatalmente não será capaz de fazer escolhas verdadeiramente livres e conscientes.

Pois bem, ainda que não exista receita mágica e que a consolidação da democracia seja um caminho diário e incessante, o hábito da leitura pode ajudar a democracia formando cidadãos com mais capacidade crítica e preparados para ao menos tentar fazer escolhas verdadeiramente conscientes.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 18 Mar 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Desonestidade paira sobre as bombas]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/desonestidade-paira-sobre-as-bombas/463707/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/desonestidade-paira-sobre-as-bombas/463707/</guid>
				<description><![CDATA[A recente fiscalização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em Mato Grosso do Sul joga luz sobre um problema que há muito tempo paira sobre o mercado de combustíveis: a fragilidade na garantia de qualidade e transparência ao consumidor.

Nesta edição, mostramos que alguns postos em Campo Grande foram autuados por irregularidades que vão desde a venda de combustível fora das especificações técnicas até a ausência de informações básicas, como a identificação das distribuidoras responsáveis pelos produtos comercializados.

Trata-se de um trabalho louvável por parte da ANP, que, mesmo com limitações evidentes de pessoal e estrutura, segue cumprindo seu papel de fiscalizar um setor sensível da economia.

É preciso reconhecer o esforço da agência reguladora, sobretudo em um momento de alta nos preços dos combustíveis, em especial do óleo diesel, que impacta diretamente toda a cadeia produtiva e o custo de vida da população.

Ainda assim, é impossível ignorar que a atuação poderia ser mais abrangente caso houvesse reforço institucional. A participação de órgãos estaduais, como o Procon, e do Inmetro em ações conjuntas ampliaria o alcance das fiscalizações e aumentaria a segurança de quem depende diariamente desses produtos.

O cenário revelado pelas autuações também expõe uma face preocupante do setor. Nos últimos dois anos, enquanto oscilações internacionais e políticas internas influenciaram os preços, muitos postos e distribuidoras ampliaram suas margens sem repassar integralmente ao consumidor as eventuais quedas de custo.

Agora, a constatação de que parte desses estabelecimentos pode estar, além disso, comercializando combustível fora das especificações levanta suspeitas ainda mais graves sobre práticas que ferem não apenas o bolso, mas também a confiança do consumidor.

A venda de combustível irregular não é uma infração menor. Trata-se de uma conduta que pode causar danos mecânicos, aumentar a emissão de poluentes e comprometer a segurança. Mais do que isso, revela desrespeito com o cliente, que paga caro por um produto que deveria seguir padrões rigorosos de qualidade.

Diante desse quadro, é urgente que o setor reveja suas práticas. Distribuidoras e postos precisam agir com mais transparência e responsabilidade em todos os aspectos de sua atividade.

Ao mesmo tempo, cabe ao poder público fortalecer a fiscalização e garantir que irregularidades não sejam tratadas como exceção tolerável, mas como desvios inaceitáveis. Afinal, em um mercado tão essencial, honestidade não deveria ser diferencial, deveria ser regra.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 18 Mar 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A ficção científica salvará a humanidade]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-ficcao-cientifica-salvara-a-humanidade/463646/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-ficcao-cientifica-salvara-a-humanidade/463646/</guid>
				<description><![CDATA[A ficção científica sempre brinca sobre novas ciências, tecnologias e equipamentos. Não existe nada que possa impedir a imaginação humana de criar e de pensar em como será a sociedade humana daqui a séculos, seja esse futuro otimista ou pessimista. 

A ficção sempre imaginou como seria a evolução científica e tecnológica da sociedade e, em alguns momentos, até acertou. Temos vários exemplos de livros, séries e filmes que mostram um equipamento futurista que, anos depois, foi criado e virou parte do dia a dia. Mas também temos vários que não acertaram nada, nem de perto. 

Entre esses exemplos, “Star Trek” e “Tron” mostraram muitas inovações a frente do seu tempo e que estão no dia a dia da sociedade. Já “De volta para o Futuro” apresentou algumas inovações no ano de 2015, que até hoje o humano não tem ideia de como criar.

Os filmes “2001 – Uma Odisseia no Espaço” e “Exterminador do Futuro” mostravam inteligências artificias que todos viam como algo quase impossível e que hoje, nas devidas proporções, são usadas até por crianças. 

O importante é que essa imaginação pode, às vezes, criar um impulso, um despertar e uma nova forma de ver o problema, fazendo cientistas e até inventores tentarem criá-las e desenvolvê-las, ajudando na evolução humana.

Porém, a ficção, muitas vezes, mostra o resultado e as consequências dessas inovações, de forma extrapolada, supernegativa e até catastrófica, mas tenta conscientizar que, mesmo que a humanidade chegue nesse desenvolvimento, é preciso ter precauções. 

A literatura utiliza dessa imaginação para entreter, instigar e aguçar a curiosidade e o interesse, mas de modo proposital também tenta profetizar, pois, se acerta, a obra será lembrada para sempre. 

Por pura imaginação, por ego ou outro motivo qualquer, as criações da ficção científica podem, “sem querer”, ajudar, e por que não, até salvar a espécie humana. Quem sabe até o planeta, mostrando o que poderá vir e o que poderá acontecer, para que todos se preparem para o melhor ou para o pior. 
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 17 Mar 2026 07:42:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[ECA Digital: por um futuro mais humano para nossos filhos]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/eca-digital-por-um-futuro-mais-humano-para-nossos-filhos/463645/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/eca-digital-por-um-futuro-mais-humano-para-nossos-filhos/463645/</guid>
				<description><![CDATA[Nesta terça-feira, dia 17 de março, o Brasil celebra um marco histórico na proteção integral de crianças e adolescentes: a entrada em vigor do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital.

Trata-se de um verdadeiro salto civilizatório, que atualiza o Estatuto para os desafios e riscos próprios do ambiente digital, assegurando que os direitos conquistados há mais de três décadas se estendam plenamente às novas tecnologias, às plataformas e às formas contemporâneas de convivência on-line.

Mais do que uma atualização normativa, trata-se de um esforço coletivo para unir sociedade, Estado, academia e setor privado no apoio às famílias – hoje sobrecarregadas com os muitos desafios decorrentes da relação entre crianças, adolescentes e o ambiente digital.

Ao reconhecer que a vida social se expandiu para as redes sociais e plataformas digitais, o País afirma também que a cidadania deve ser plenamente exercida nesses espaços.

O ambiente digital não pode ser apenas um território de consumo e circulação de informações; ele precisa se consolidar como uma esfera de convivência democrática, de proteção de direitos e de promoção da cidadania.

Em um país em que a internet já faz parte do cotidiano de milhões de meninas e meninos, avançamos para garantir que o espaço digital também seja um ambiente seguro, ético e promotor de oportunidades.

Isso significa afirmar que a exploração comercial não pode se sobrepor ao princípio da prioridade absoluta dos direitos de crianças e adolescentes, previsto na Constituição brasileira.

Ao mesmo tempo, significa reconhecer que o espaço digital também pode e deve contribuir para o desenvolvimento, a aprendizagem, a participação social e o fortalecimento da cidadania das novas gerações.

A legislação que agora entra em vigor contribui para enfrentar riscos como o aliciamento, a exploração sexual, o assédio e outras formas de violência. Também busca proteger crianças e adolescentes do acesso a conteúdos inadequados – pornográficos, violentos ou potencialmente viciantes – especialmente quando se considera que suas capacidades biopsíquicas e sociais ainda estão em desenvolvimento.

Mais do que responder a desafios já identificados, o novo marco legal estabelece parâmetros claros sobre o que é aceitável no ambiente digital, adotando uma abordagem tecnologicamente neutra.

Dessa forma, projeta-se um futuro em que a inovação tecnológica caminhe lado a lado com a garantia de direitos, orientando políticas públicas, práticas institucionais e responsabilidades compartilhadas entre Estado, empresas e sociedade, como determina o artigo 227 da Constituição.

A aprovação do ECA Digital é resultado de um amplo esforço institucional conduzido pelo Governo Federal. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), por meio da Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (SNDCA), tem trabalhado em articulação com diversos ministérios, com o Congresso Nacional, com organismos internacionais, especialistas e a sociedade civil para consolidar uma agenda robusta de promoção dos direitos digitais da infância.

Esse trabalho inclui iniciativas como a realização de diagnósticos sobre violências digitais, a produção de conhecimento, a formação de profissionais da rede de proteção e o fortalecimento de políticas públicas voltadas ao uso seguro, responsável e cidadã da internet por crianças e adolescentes.

O decreto de regulamentação do ECA Digital institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Criança e do Adolescente no Ambiente Digital, conforme previsto nas resoluções do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda).

A política define princípios, objetivos, instrumentos e mecanismos de governança, estruturando uma ação intersetorial e federativa com forte ênfase na promoção de direitos.

Celebrar este 17 de março é, portanto, reafirmar um compromisso coletivo com o presente e o futuro das novas gerações. A proteção integral na era digital exige a mobilização de toda a sociedade: governos, empresas, academia, organizações da sociedade civil, famílias e comunidades.

O ECA Digital é mais do que uma lei. É a expressão de um pacto social renovado que reconhece que os direitos de crianças e adolescentes devem ser garantidos em todos os espaços em que suas vidas se desenvolvem.

Se hoje o ambiente digital é parte indissociável da experiência social, ele também deve ser um território de proteção, dignidade e exercício da cidadania.

Ao assegurar que esses direitos sejam plenamente protegidos também no mundo digital, o Brasil reafirma um princípio fundamental: nenhuma criança ou adolescente será deixada para trás – nem no mundo físico, nem no virtual.

Assim, protegemos aquilo que temos de mais precioso como sociedade: nossas crianças e nossos adolescentes.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 17 Mar 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Saúde pública como garantia de contrato?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/saude-publica-como-garantia-de-contrato/463644/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/saude-publica-como-garantia-de-contrato/463644/</guid>
				<description><![CDATA[A construção de um hospital municipal em Campo Grande é, sem dúvida, uma necessidade evidente. A capital sul-mato-grossense convive há anos com um sistema de saúde pressionado pela demanda crescente, filas de atendimentos e falta de leitos em momentos de maior procura.

Ampliar a estrutura pública de saúde, portanto, é uma meta legítima e urgente. O problema não está no objetivo, mas na forma como se pretende alcançá-lo.

Nesta edição, mostramos que a Prefeitura de Campo Grande lançou um novo edital para a construção do hospital municipal trazendo uma mudança relevante em relação ao documento anterior.

Desta vez, o município detalha a origem dos recursos que serão apresentados como garantia ao parceiro privado responsável pela obra.

Trata-se de um modelo conhecido como Built to Suit (BTS), no qual a empresa constrói o imóvel e depois o aluga ao poder público por um longo período.

À primeira vista, a transparência sobre a origem das garantias pode parecer um avanço. No entanto, o que chama a atenção – e causa perplexidade – é a natureza desses recursos.

O edital aponta que parte do dinheiro oferecido como garantia tem origem em verbas destinadas ao atendimento de saúde, inclusive recursos federais vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Em outras palavras, recursos que deveriam financiar consultas, exames, procedimentos e atendimento direto à população poderão servir como garantia financeira para um contrato de aluguel de um hospital que sequer pertencerá ao município.

Em vez de serem aplicados diretamente na assistência, esses valores passariam a assegurar pagamentos ao parceiro privado responsável pela construção.

Não se trata de uma discussão meramente técnica ou burocrática. A questão central é o uso de recursos públicos que têm finalidade específica e que, historicamente, são insuficientes para dar conta das necessidades da rede pública de saúde.

Desviar essas verbas de sua função principal – ainda que formalmente dentro de um contrato – levanta dúvidas legítimas sobre a prioridade dada ao atendimento da população.

Outro ponto que não pode ser ignorado é o histórico recente do processo. No certame anterior, houve apenas uma empresa interessada em assumir o projeto. Essa mesma empresa foi alvo de diversas investigações conduzidas pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) relacionadas ao mau uso de recursos públicos.

Ainda que investigações não representem condenação, o histórico exige cautela redobrada quando se trata de contratos de grande porte e de longo prazo.

Campo Grande precisa, sim, ampliar sua capacidade hospitalar. Disso não há divergência. O que está em debate é se o modelo escolhido – e as garantias apresentadas – são os mais adequados para um setor tão sensível quanto a saúde pública.

Por isso, é fundamental que os órgãos de fiscalização acompanhem com atenção este novo edital. Tribunal de Contas, MPMS e demais instâncias de controle têm papel essencial para assegurar que decisões dessa magnitude estejam alinhadas com o interesse público.

Afinal, quando se trata de saúde, cada real precisa ter como prioridade aquilo que mais importa: o atendimento da população.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 17 Mar 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Crimes no esporte e governança]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/crimes-no-esporte-e-governanca/463595/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/crimes-no-esporte-e-governanca/463595/</guid>
				<description><![CDATA[Os recentes, embora não inéditos, casos de crimes cometidos no âmbito esportivo, notadamente aqueles praticados por atletas e, sobretudo, por dirigentes, precisam de uma análise crítica à luz do sistema do futebol brasileiro.

O futebol, ao contrário do que ocorre em outros países e em outras áreas, caminha a curtos passos para uma real profissionalização. Reina, ainda, um ambiente próprio, informal.

É fato que programas de governança e de compliance devidamente estruturados tendem a reduzir a ocorrência de ilícitos, seja pela criação de um ambiente institucional de integridade e prevenção sistêmica, seja pela maior rapidez e eficiência na detecção de condutas irregulares.

Evidentemente, tais programas somente produzem efeitos concretos quando contam com o efetivo comprometimento da alta administração, condição sem a qual a governança inexiste.

No contexto de instituições esportivas informais, uma característica estrutural de grande parte do esporte brasileiro, a aderência a programas preventivos e de cumprimento normativo revela sério deficit de eficiência.

Mesmo grandes clubes ainda operam com programas de integridade incipientes, estruturas altamente personalistas ou padrões típicos do esporte amador. Soma-se a isso o volume expressivo de recursos financeiros que circulam nos clubes, especialmente no futebol brasileiro, e tem-se um cenário fértil para a prática de ilícitos.

Diante desse quadro, observa-se um movimento de retomada repressiva, com a intensificação de investigações e punições no âmbito do esporte. Contudo, emerge aqui um problema clássico do Direito Penal brasileiro: a possibilidade de ampliação excessiva de responsabilidades.

Na ausência de programas eficazes, com delimitação clara de funções e registros formais adequados dos atos praticados, as investigações tendem a alcançar um número significativamente maior de pessoas, frequentemente colocando culpados e inocentes sob o mesmo espectro de suspeição, com fundamento em figuras já conhecidas, como a cegueira deliberada ou a omissão, por exemplo.

Paralelamente, a legislação vigente não acompanha a complexidade do setor esportivo, deixando lacunas e zonas cinzentas de responsabilização, tema já por mim explorado em trabalhos anteriores sobre a Lei Geral do Esporte.

Essas arestas normativas acabam por agravar a insegurança jurídica e ampliar o risco de responsabilizações indevidas ou, até mesmo, de não responsabilizações em casos em que estas são necessárias.

Surge, então, a indagação: a transformação dos clubes em Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) solucionaria o problema? A resposta simplista afirmativa ignora o fato evidente de que sociedades anônimas também podem ser palco de crimes corporativos, fraudes e problemas de gestão. A mera alteração da forma jurídica não elimina, automaticamente, práticas ilícitas enraizadas.

Portanto, o debate não deve se reduzir ao falso binômio modelo associativo versus SAF. O cerne da questão reside em uma discussão técnica, séria e efetiva sobre governança, compliance e, sobretudo, sobre uma mudança radical de comportamento.

Sem isso, qualquer modelo jurídico continuará sendo apenas um modelo incapaz de conter decisões fraudulentas oriundas do topo da organização.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 16 Mar 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Resposta penal insuficiente e o desalinhamento civilizatório como fomentos ao estupro coletivo]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/resposta-penal-insuficiente-e-o-desalinhamento-civilizatorio-como/463593/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/resposta-penal-insuficiente-e-o-desalinhamento-civilizatorio-como/463593/</guid>
				<description><![CDATA[A violência sexual é um dos crimes mais graves e persistentes nas sociedades contemporâneas. No Brasil, episódios de estupro coletivo ganham, ocasionalmente, repercussão pública.

O recente caso ocorrido em Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ), envolvendo uma adolescente de 17 anos e cinco agressores (entre eles, um menor de idade) é apenas uma pequena parcela de um problema indiscutivelmente amplo e silencioso.

A literatura internacional demonstra que a violência sexual está profundamente relacionada a fatores culturais e estruturais. A antropóloga Peggy Reeves Sanday, referência mundial no tema, identificou, em pesquisas comparativas, que sociedades marcadas por desigualdade de gênero e por tolerância à opressão tendem a apresentar maior incidência deste tipo de crime.

No caso do estupro coletivo, a criminologia aponta para a chamada dinâmica de grupo. O que significa que, quando ocorre por meio da ação de vários abusadores, há frequentemente uma diluição da responsabilidade individual e o reforço de comportamentos agressivos de manada.

Outro elemento central é a subnotificação. A violência sexual é um dos crimes menos denunciados no mundo. Medo, vergonha, estigmatização e desconfiança das instituições afastam muitas vítimas do sistema de Justiça.

Como consequência, apenas algumas ocorrências extremamente violentas ou que ganham visibilidade midiática e nas redes sociais acabam sendo amplamente debatidas na esfera pública.

Nos últimos anos, o Brasil avançou na criação de delegacias especializadas e no fortalecimento de políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero.

A prevenção, no entanto, exige também iniciativas educacionais voltadas à igualdade entre homens e mulheres (a fim de minimizar a ideia de dominação do sexo masculino em face de meninas e mulheres), bem como campanhas permanentes de sensibilização e uma rede institucional preparada para acolher e proteger as vítimas.

Neste contexto, torna-se fundamental o País avançar na proteção jurídica de quem sofre crimes. A aprovação do Estatuto da Vítima – Projeto de Lei (PL) nº 3.890/2020 – representa passo essencial nesta esteira.

O texto segue em morosa tramitação no Senado, em Brasília (DF), após a aprovação na Câmara do Deputados em dezembro de 2024, quatro anos depois de seu protocolo na Casa de Leis.

Tal arcabouço legal, a exemplo de outros já em aplicação em países desenvolvidos, sobretudo na Europa, não se concentra apenas no réu, tratando a vítima tão somente como um número no processo.

Ele garante direitos a quem sofreu danos, como assistência psicológica, proteção contra a revitimização, participação mais efetiva no trâmite jurídico e reparação financeira.

O enfrentamento da violência sexual exige vigilância permanente da sociedade brasileira. Cada ocorrência revelada pela mídia não deve ser encarada como episódio isolado, mas, sim, como um alerta para a necessidade de se fortalecer as instituições, transformar padrões culturais e assegurar que vítimas sejam protegidas, e de forma efetiva, pelo Estado – sem falhas e sem que ele chegue tarde para cumprir o seu papel.

Combater o estupro coletivo no Brasil significa, em última instância, reafirmar um compromisso fundamental: que nenhuma forma de violência contra mulheres e meninas pode ser tolerada ou naturalizada numa sociedade democrática.

Antes de ser crime hediondo, o estupro coletivo releva um triste desalinhamento civilizatório entre homens e o sexo feminino – problema estrutural, histórico e que demanda investimentos em educação, na escola, na sociedade e dentro de casa, como já falado nas linhas acima. Enquanto isso não acontecer, a resposta penal, isoladamente, não será suficiente.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 16 Mar 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Quando investir vira desenvolvimento]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/quando-investir-vira-desenvolvimento/463592/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/quando-investir-vira-desenvolvimento/463592/</guid>
				<description><![CDATA[Nem todo desembolso feito por empresas e indústrias pode ser tratado simplesmente como gasto. Em muitos casos, trata-se de investimento, e investimento é aquilo que prepara o presente para gerar resultados no futuro.

Essa distinção é essencial para compreender determinados movimentos da economia, sobretudo em regiões que vivem ciclos de expansão industrial e modernização produtiva.

Nesta semana, mostramos que as compras de maquinário feitas pela empresa chilena Arauco para sua unidade em construção em Inocência atingiram um patamar expressivo.

O volume financeiro dessas aquisições foi tão elevado que, em determinado momento, superou as importações de gás natural da Bolívia, tradicionalmente um dos principais itens da pauta de compras externas de Mato Grosso do Sul. Trata-se de um dado simbólico e revelador da dimensão dos investimentos em curso.

É claro que esse cenário pode ser momentâneo. Muito provavelmente, ao longo deste mês, as importações de gás natural voltarão a ocupar a primeira posição na balança comercial estadual.

O consumo energético da indústria e da economia regional tende a manter essa commodity como item relevante nas estatísticas do comércio exterior.

Ainda assim, o fato de equipamentos industriais terem momentaneamente ultrapassado o gás natural revela algo importante sobre o momento econômico vivido pelo Estado.

Quando uma empresa importa máquinas e equipamentos, ela não está apenas realizando uma compra. Está modernizando sua estrutura produtiva, ampliando sua capacidade industrial e incorporando tecnologia.

Em outras palavras, está elevando o patamar de produtividade da economia. Investimentos desse tipo agregam valor ao Produto Interno Bruto (PIB) e criam condições para que a atividade econômica se torne mais eficiente e competitiva.

A unidade que a Arauco está construindo em Inocência, aliás, promete ser a maior planta processadora de celulose em linha única do mundo, o que exige uma estrutura industrial altamente sofisticada.

Equipamentos modernos não apenas ampliam a escala de produção, como também tornam os processos mais precisos, mais eficientes e, muitas vezes, menos dependentes de tarefas repetitivas e braçais.

Esse é um dos caminhos clássicos do desenvolvimento econômico. Quando uma economia investe em máquinas, tecnologia e qualificação de seus processos produtivos, o aumento de produtividade se torna mais provável.

E produtividade maior significa produzir mais e melhor com os mesmos recursos – ou até com menos. É assim que sociedades conseguem elevar renda, gerar empregos mais qualificados e reduzir a dependência de atividades de baixo valor agregado.

Por isso, é importante olhar para números como esses com a perspectiva correta. O que aparece nas estatísticas como importação de equipamentos industriais não deve ser visto apenas como saída de recursos, mas como sinal de confiança no futuro da produção.

Neste caso específico, o movimento também mostra a capacidade de Mato Grosso do Sul de atrair investimentos industriais de grande escala.

A presença de projetos dessa magnitude transforma cadeias produtivas, movimenta fornecedores, cria oportunidades e amplia o peso da indústria na economia regional.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 16 Mar 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A "caneta da vez" deve ser a consciência]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-caneta-da-vez-deve-ser-a-consciencia/463515/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-caneta-da-vez-deve-ser-a-consciencia/463515/</guid>
				<description><![CDATA[A recente passagem do Dia Mundial da Obesidade, no dia 4, traz um alerta importante: estamos diante de um problema crescente de saúde pública. Hoje, cerca de 20% dos adultos brasileiros vivem com obesidade, e mais de 50% apresentam excesso de peso.

Não se trata de uma questão estética, mas de uma doença crônica, complexa e multifatorial, associada a diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e vários tipos de câncer.

Nesse cenário, as chamadas “canetas emagrecedoras” ganharam destaque. Medicamentos como os análogos de GLP-1 e a tirzepatida atuam no controle do apetite, aumentam a saciedade e melhoram a resposta metabólica à glicose. São ferramentas modernas e eficazes, mas não são mágicas e nem indicadas para todos.

Essas medicações têm critérios claros de indicação: geralmente para pessoas com IMC ≥ 30 kg/m² ou ≥ 27 kg/m² associadas a comorbidades, sempre com avaliação médica. Usá-las apenas por motivação estética, sem acompanhamento, é um erro que pode custar caro.

Náuseas, vômitos, desidratação e alterações metabólicas são efeitos possíveis. Mais grave ainda é o risco de medicamentos falsificados.

Produtos sem controle de qualidade podem conter doses incorretas, contaminantes ou substâncias desconhecidas, levando a reações alérgicas severas, infecções, hipoglicemia, coma e até risco de morte.

É fundamental reforçar: todo procedimento ou medicamento para perda de peso aumenta a chance de emagrecimento, mas nenhum garante a manutenção do peso a longo prazo. Nem mesmo a cirurgia bariátrica impede o reganho se não houver mudança consistente no estilo de vida.

O tratamento da obesidade se sustenta em um tripé: atividade física regular (no mínimo de 150 minutos por semana), acompanhamento nutricional individualizado e seguimento médico contínuo, com ou sem medicamentos ou cirurgia.

Há ainda um pilar muitas vezes negligenciado: a saúde mental. Comer envolve emoções, rotina, estresse e relações. Sem cuidar da mente, qualquer intervenção tende a ser temporária.

No meu livro “Mente e Movimento”, abordo justamente essa conexão entre corpo, exaustão emocional e escolhas diárias.

A obesidade não é falta de força de vontade. É um reflexo de múltiplos fatores biológicos, sociais e psicológicos. Informação de qualidade, acompanhamento responsável e mudança de mentalidade são caminhos mais seguros do que soluções rápidas.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 14 Mar 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[E o Oscar vai para?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/e-o-oscar-vai-para/463514/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/e-o-oscar-vai-para/463514/</guid>
				<description><![CDATA[Enquanto Jorge Luís Borges, sempre imaginou que o paraíso fosse como uma espécie de biblioteca; para mim, desde tenra idade, imaginei que o Cinema também deveria ter cadeira cativa neste tão sonhado paraíso do poeta Argentino.

Sempre fui admirador confesso (e quase incondicional) da Sétima Arte, a ponto de nunca ter conseguido esconder (embora tenha tentado), que um dia contribuiria para um dos maiores espetáculos da Terra, nem que fosse atrás das câmeras.

Pretensões audazes ou quimeras à parte, ainda sou um entusiasta e cinéfilo de carteirinha e tal, mas com direito “a dar uma queixazinha”, tanto quanto Raul, quando questionou na clássica “Eu também vou reclamar”, por que “ Pra se fazer sucesso/Pra vender disco de protesto/Todo mundo tem que reclamar?”

É que dos anos 1980 para cá, mudou muita coisa, em matéria de Cinema, principalmente em relação a mais “badalada” das premiações, que não é a única no Mundo, mas continua sendo superestimada.

Entretanto, uma conclusão é fatal: chegando a 98ª edição, o Oscar é uma premiação campeã em cometer injustiças, seja com atores, diretores ou com filmes em geral.

Quem nunca questionou no dia seguinte à premiação, porque determinada indicação dada não foi contemplada com a cobiçada estatueta, que levante o braço.

Esse sentimento é “na real” (prosaicamente falando), um dos que mais contribuiu para retirar do evento aquele antigo sabor que ele tinha, de criar expectativas esfuziantes, em torno do favorito de cada um.

Claro que nem todas as produções podem concorrer e, mais óbvio ainda, é que nem todas as indicações poderão ser contempladas com o prêmio principal em cada categoria, mas já houve tanta indicação ou premiação absurdamente injusta, que a cerimônia acaba servindo, presentemente, apenas para se matar a saudade de alguns grandes nomes que por lá aparecem.

Para este ano, apesar da criação de categoria nova, não temos assim uma “superprodução” no páreo, capaz de suscitar a possibilidade de “humilhar” outras, no número de premiações, como por exemplo, um “Ben Hur”, de 1959; ou até mesmo um “Titanic”, de 1997.

Esses “filmaços” se destacaram não só pelas indicações, mas pelo custo e artesanato da produção, que hoje acaba sendo “ofuscada pelos recursos tecnológicos, em que o talento e outros elementos antes essenciais, ficam relegados a um segundo (ou último) plano.

Ainda assim, “para não dizer que não falei das flores” (feito Vandré), temos produções, digamos assim, razoáveis no mercado (em que se tornou o Cinema).

Se fosse por predileção, escolheria o trabalho norueguês “Valor sentimental”, em que Joachim Trier captura muito bem o drama vivido por um diretor de cinema e suas filhas Nora e Agnes, com todas as nuanças dos conflitos humanos.

Não deixaria de fora, também, os oníricos efeitos que “Sonhos de Trem” nos deixa, ao percorrer trilhas e trilhos imagéticos, que levam as digitais do competente brasileiro, Adolpho Veloso.

Entretanto, como minha predileção certamente não impera em detrimento da escolha dos jurados, deixo aqui, ao menos, a torcida para que trabalhos como esses não fiquem totalmente de fora da premiação, já que os tão falados “Pecadores” e “Uma Batalha Após a Outra” tendem a confirmar as especulações de premiações.

O Oscar não está para o Cinema na essência, como um título de campeão está para um clube de futebol, pois a finalidade de se fazer filme não deve ser a de obter premiação, mas a de criar um trabalho artístico.

Tampouco deve o Cinema servir como espaço para militância político-ideológica, pois isso retira a beleza artística.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 14 Mar 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O peso do diesel e o papel do consumidor]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-peso-do-diesel-e-o-papel-do-consumidor/463512/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-peso-do-diesel-e-o-papel-do-consumidor/463512/</guid>
				<description><![CDATA[A forte oscilação nos preços do petróleo voltou a ocupar o centro das atenções da economia mundial. Nos últimos meses, especialmente no caso do petróleo WTI – variedade amplamente associada à produção no Oriente Médio e considerada uma das mais adequadas para o refino de diesel –, as cotações têm apresentado grande volatilidade.

Esse movimento, como costuma ocorrer em mercados globais de energia, não demora a se refletir nos combustíveis consumidos em diferentes países.

O impacto já começa a ser percebido em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil. A elevação do preço do petróleo pressiona diretamente o valor do diesel, combustível fundamental para a economia brasileira, uma vez que movimenta grande parte do transporte de cargas e da produção agrícola.

Como o leitor poderá acompanhar em detalhes nesta edição, o mercado já sente os efeitos dessa nova rodada de aumentos.

Diante desse cenário, o governo federal optou por retirar alguns tributos federais incidentes sobre os combustíveis, numa tentativa de reduzir o impacto inflacionário decorrente da alta internacional do petróleo.

A medida busca amortecer parte da pressão sobre os preços finais e, consequentemente, evitar que o aumento do diesel se espalhe de forma ainda mais intensa por toda a cadeia de custos da economia.

Mesmo assim, do ponto de vista macroeconômico, o efeito parece difícil de ser completamente evitado.

Combustíveis mais caros tendem a pressionar o transporte, a produção e a logística. Em um país com dimensões continentais e forte dependência do transporte rodoviário, como o Brasil, qualquer alteração relevante no preço do diesel rapidamente se transforma em um fator de pressão inflacionária.

Em meio a essa turbulência, outro fenômeno também chama a atenção. Em muitos casos, postos de combustíveis já elevaram o preço do diesel antes mesmo de qualquer reajuste oficial nas refinarias nacionais, acompanhando as variações do mercado internacional.

Trata-se de um comportamento que, embora comum em mercados sensíveis às oscilações globais, levanta questionamentos e merece atenção.

Nesse ponto, entram dois atores importantes: os órgãos de defesa do consumidor e o próprio cidadão. Instituições responsáveis por fiscalizar práticas de mercado deveriam agir com mais firmeza para garantir que não haja abusos. Em Mato Grosso do Sul, esses órgãos já foram mais presentes e atuantes em momentos de instabilidade como o atual.

Ao consumidor, resta uma ferramenta simples, mas poderosa: pesquisar. Comparar preços entre postos, buscar alternativas mais baratas e evitar abastecer em estabelecimentos que praticam valores mais elevados é uma forma concreta de reagir ao aumento dos combustíveis.

Quem pesquisa mais, economiza. E mais do que isso: ajuda a criar um ambiente de concorrência que pode conter aumentos exagerados. Em tempos de pressão inflacionária, pequenas escolhas individuais também contribuem para empurrar a inflação para baixo.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Sat, 14 Mar 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Onde o Holocausto é negado, o antissemitismo encontra abrigo]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/onde-o-holocausto-e-negado-o-antissemitismo-encontra-abrigo/463462/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/onde-o-holocausto-e-negado-o-antissemitismo-encontra-abrigo/463462/</guid>
				<description><![CDATA[Durante muito tempo, mesmo sendo filha e neta de sobreviventes do Holocausto, o assunto parecia morar num cômodo mais silencioso da casa da memória. Não era segredo. Mas também não era conversa de mesa de jantar.

Eu estudei em escola judaica, sabia o essencial, conhecia as datas, os números, os fatos. Mas história de família não se aprende em livro. Ela se sente no jeito de falar, no olhar que desvia, no silêncio que pesa mais do que qualquer palavra.

Meus familiares, como tantos sobreviventes, quase não falavam sobre o que viveram. Não por esquecimento. O silêncio era um tipo de abrigo. Uma forma de continuar respirando, de construir amor onde antes só havia medo.

Só recentemente minha mãe começou a abrir pequenas janelas para essas lembranças. Nada de discursos longos ou dramáticos. Fragmentos. Um detalhe aqui, uma recordação ali. Sempre com cuidado, como quem toca numa ferida antiga.

E então vieram os objetos. Cartas. Documentos. Desenhos. Pequenos pedaços de uma infância interrompida pela violência, pelo preconceito, pelo absurdo.

Coisas simples, mas carregadas de um peso impossível de medir. Foi nesse momento que a história deixou de ser passado distante e virou presença. Memória viva.

A trajetória da minha mãe durante os horrores nazistas, que transformei em livro, não é só um registro histórico. É a prova de que a vida insiste. Que mesmo depois da escuridão mais profunda ainda existe caminho de volta para a luz.

Existem histórias que precisam de tempo. Elas não aceitam pressa. Pedem silêncio, maturidade e escuta. O Holocausto deixou milhões dessas histórias espalhadas pelo mundo. Para alguns, virou capítulo de livro. Para outros, continua sendo uma dor que mora dentro do corpo.

E, para o mundo inteiro, deveria ser um alerta permanente. O assassinato de seis milhões de judeus não foi um acidente da história. Não foi um surto coletivo nem um erro de cálculo. Foi um projeto frio, planejado, executado com método e eficiência. Uma máquina de morte construída para eliminar pessoas por sua origem, sua fé, seu sobrenome.

Como disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, junto com essas vidas foram enterrados sonhos, famílias inteiras, futuros que nunca aconteceram.

Mas o Holocausto não começou nas câmaras de gás. Ele começou muito antes. Nas palavras de ódio. Nas mentiras repetidas. Na desinformação. No silêncio de quem viu e preferiu não se envolver. E é por isso que ele não pode ser tratado como algo distante.

Porque, quando a mentira volta a circular, quando a intolerância vira opinião aceitável, quando o preconceito ganha espaço nas conversas e nas redes, os sinais estão ali outra vez. Talvez com outras roupas. Mas com o mesmo perigo.

Falar sobre o Holocausto não é viver preso ao passado. É garantir que o futuro não repita os mesmos erros. É honrar quem sofreu, mas também quem reconstruiu. Quem chegou sem nada e, ainda assim, escolheu acreditar.

Minha família é fruto dessa escolha. Da esperança teimosa dos que sobreviveram. Da coragem silenciosa de quem decidiu recomeçar em um país novo, com uma língua nova, com um mundo inteiro pela frente.

Contar histórias é um gesto de empatia. Quando partilhamos memórias, construímos juntos os valores que nos orientam e tecemos os sentimentos que nos ligam como sociedade. Um elo moral entre o que foi, o que é e o que nunca mais pode ser.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 13 Mar 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Cargo de confiança: quando a função é descaracterizada, quais são as consequências? ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/cargo-de-confianca-quando-a-funcao-e-descaracterizada-quais-sao-as/463460/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/cargo-de-confianca-quando-a-funcao-e-descaracterizada-quais-sao-as/463460/</guid>
				<description><![CDATA[A figura do cargo de confiança é uma das exceções mais relevantes, e também mais controvertidas, no tocante à jornada de trabalho. Essa modalidade contratual afasta o controle de jornada e o pagamento de horas extras, desde que requisitos legais sejam efetivamente observados.

O problema surge quando a empresa atribui o título, mas não concede os poderes reais de gestão exigidos pela lei. Nesses casos, ocorre a chamada descaracterização do cargo de confiança, com consequências expressivas para ambas as partes.

O que a legislação considera cargo de confiança? O cargo de confiança está previsto no art. 62, II, da CLT, que exclui do controle de jornada os empregados que exercem funções de gestão, como diretores, gerentes, chefes de departamento ou filial.

O parágrafo único do mesmo artigo exige o pagamento de uma gratificação mínima de 40% sobre o salário do cargo efetivo, justamente como compensação pela maior responsabilidade e pela ausência de controle de horário.

No entanto, o simples nome do cargo ou a gratificação isolada não são suficientes. A caracterização depende do conteúdo real das atividades exercidas.

Quais são os requisitos para a validade do cargo de confiança? A jurisprudência trabalhista é firme ao exigir a presença, por exemplo, dos seguintes elementos: poder de mando e gestão efetivos, com autonomia real, autoridade para admitir, dispensar ou aplicar sanções disciplinares, poder de representação do empregador, interna ou externamente, participação em decisões estratégicas ou relevantes da empresa e gratificação de, no mínimo, 40%, conforme exigência legal.

A ausência desses requisitos pode levar à descaracterização do cargo de confiança, ainda que o empregado receba a gratificação ou seja formalmente denominado “gerente” ou “coordenador”.

Quando ocorre a descaracterização do cargo de confiança e quais suas consequências? A descaracterização do cargo de confiança ocorre quando se verifica que, apesar da formal atribuição da função ou do pagamento da gratificação correspondente, o empregado não exerce, na prática, os poderes de gestão compatíveis com a fidúcia especial exigida pela legislação.

Situações como a submissão a controle rigoroso de jornada, a ausência de autonomia decisória, a mera execução de ordens superiores sem poder de deliberação ou o exercício predominante de atividades técnicas ou operacionais revelam a inexistência de poderes de gestão, descaracterizando o enquadramento excepcional previsto no art. 62, II, da CLT.

Nesses casos, prevalece o princípio da primazia da realidade, segundo o qual os fatos efetivamente ocorridos no curso da relação de trabalho se sobrepõem à forma ou à denominação atribuída pelas partes.

Importante destacar, ainda, que o ônus da prova quanto à caracterização do cargo de confiança é do empregador, por se tratar de fato impeditivo do direito ao pagamento de horas extras, nos termos do art. 818 da CLT e art. 373, inciso II, do Código de Processo Civil.

O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, em julgamento realizado recentemente (Proc. 1001495-42.2024.5.02.0066), descaracterizou o cargo de confiança, fundamentando que “para caracterização do cargo de confiança disposto no artigo 62, inciso II, da CLT, far-se-á necessária a presença de poderes para admissão, dispensa ou punição de empregados, bem como poderes de representação da empresa com relação a terceiros” e que “diante do depoimento pessoal do representante da reclamada, incontroverso que o reclamante não era autoridade máxima no local e, sequer, do setor, já que dividia atribuições com a preposta da reclamada. Igualmente incontroverso que o reclamante tinha de passar por validação no seu trabalho”.

O cargo de confiança é uma exceção legal que exige rigor, coerência e transparência. O uso inadequado dessa figura pode gerar grave passivo trabalhista, enquanto sua correta aplicação promove segurança jurídica e equilíbrio nas relações de trabalho.

Empresas devem estruturar funções de gestão de forma legítima e os empregados devem conhecer seus direitos para evitar abusos. Em ambos os casos, a orientação jurídica preventiva é a melhor estratégia para reduzir riscos e conflitos.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 13 Mar 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Uma janela para o mundo]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/uma-janela-para-o-mundo/463459/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/uma-janela-para-o-mundo/463459/</guid>
				<description><![CDATA[Campo Grande terá, ainda neste mês, uma oportunidade rara de se projetar para além de suas fronteiras. A capital de Mato Grosso do Sul sediará a COP15, encontro ligado à agenda ambiental das Nações Unidas e que ocorre na esteira da COP30, realizada no ano passado.

Embora seja um evento de menor dimensão que a grande conferência climática global, sua importância está longe de ser pequena.

A realização de um encontro internacional desse porte representa muito mais que uma agenda de debates técnicos, ela coloca a cidade no mapa de milhares de visitantes, pesquisadores, especialistas, representantes de governos e integrantes de organizações de diferentes países.

Pessoas que, durante alguns dias, vão circular pelas ruas, conhecer a cidade e formar suas próprias impressões sobre o que encontram.

Para Campo Grande, trata-se de uma oportunidade valiosa de visibilidade internacional. Muitas vezes, destinos turísticos se tornam conhecidos não apenas por grandes campanhas publicitárias, mas pela experiência direta de quem passa por eles.

Quando um visitante retorna ao seu país com boas lembranças ou compartilha nas redes sociais imagens positivas do local que conheceu, cria-se uma forma de divulgação espontânea extremamente poderosa.

É nesse contexto que setores importantes da economia local podem se beneficiar – e também evoluir. Restaurantes, hotéis, bares, serviços de transporte e atividades turísticas passam a lidar com um público mais diverso e exigente.

Essa convivência costuma impulsionar melhorias, profissionalização e aprimoramento dos serviços oferecidos. Em outras palavras, eventos internacionais funcionam também como estímulo para elevar padrões de atendimento e qualidade.

Se parte dos visitantes que virão à Capital sair daqui com boas impressões e decidir compartilhar essa experiência com amigos, familiares ou seguidores nas redes sociais, o impacto pode ser maior do que parece à primeira vista. No turismo, recomendações pessoais e relatos espontâneos frequentemente valem mais que qualquer campanha institucional.

Há ainda um aspecto que vai além da economia. Encontros internacionais promovem intercâmbio cultural. Pessoas de diferentes países, idiomas e visões de mundo passam a conviver, ainda que por poucos dias.

Esse contato amplia horizontes, estimula a troca de ideias e ajuda a construir sociedades mais abertas e conectadas.

Quanto maior o intercâmbio cultural, mais uma sociedade cresce. Cidades que se abrem ao mundo tendem a aprender mais, inovar mais e se desenvolver de forma mais dinâmica.

O contrário também é verdadeiro: quanto mais uma comunidade se fecha, menores se tornam suas oportunidades de evolução.

Naturalmente, há também os efeitos financeiros imediatos. Eventos desse tipo movimentam a economia local, geram faturamento para diferentes setores e ajudam a dinamizar o comércio e os serviços. Mas reduzir a importância da COP15 apenas ao impacto econômico seria limitar o alcance de uma oportunidade maior.

Para Campo Grande, o evento representa uma verdadeira janela para o mundo. Cabe à cidade aproveitá-la da melhor maneira possível.

Assine o Correio do Estado
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Fri, 13 Mar 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Os três "es" do agronegócio brasileiro]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/os-tres-es-do-agronegocio-brasileiro/463407/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/os-tres-es-do-agronegocio-brasileiro/463407/</guid>
				<description><![CDATA[O agro brasileiro, que exportou US$ 169 bilhões em 2025, tornou-se um gigante global, mas se depara com um desafio estratégico: a questão já não é apenas como produzir mais e de modo mais eficiente, mas como preservar mercados, diversificar riscos e capitalizar mais o potencial de um comércio global cada vez mais regulado e politizado. O sofisticado desafio passa por administrar um equilíbrio estratégico entre três “es”: escala, estabilidade e equidade de valor.

A escala, um ativo central do agro brasileiro, hoje tem nome: China, cujo mercado absorveu parcela desproporcional do crescimento das nossas exportações, concentradas em produtos com menor grau de processamento, como soja, milho, carnes e celulose. Em 2025, esse país respondeu por cerca de US$ 55 bilhões das exportações do setor (um terço do total) e por mais de 70% das compras brasileiras de soja em grão. Essa relação garante liquidez, escoamento rápido e previsibilidade de volume.

Preservar a estabilidade desse mercado exige estratégia. A China tem ampliado gradualmente suas expectativas regulatórias no comércio agropecuário, por meio de critérios técnicos e códigos de conduta definidos por compradores, ao passo em que avança na implementação de diretrizes corporativas ainda voluntárias. É uma regulação branda e customizada por cadeia.

O chamado Boi China é um exemplo desse modelo. Protocolos sanitários e operacionais negociados bilateralmente criaram um padrão diferenciado na cadeia bovina brasileira.

Quando muito concentrada, porém, a escala reduz o poder de barganha, amplia a exposição a choques sanitários e comerciais e transforma exportadores eficientes em tomadores de preço estruturais.

É a partir desse ponto que a estabilidade se torna estratégica. No comércio internacional, esse fator deriva da diversificação equilibrada entre mercados relevantes.

Nesse contexto, a União Europeia tem papel central, respondendo por cerca de US$ 25 bilhões das exportações do agro brasileiro (15% do total), e representa um mercado mais orientado a valor agregado.

O acordo entre Mercosul e União Europeia (UE) amplia essa relevância. O desafio de expansão do comércio é o regime regulatório da UE, um dos mais rigorosos do mundo e reforçado agora pelo Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (Cbam) e a Regulamento da União Europeia sobre

Desmatamento (EUDR). Vistos como barreiras não tarifárias e risco, esses mecanismos podem se converter em vantagem competitiva para cadeias capazes de se adaptar.

Os Estados Unidos permanecem como mercado premium, com exportações brasileiras do agro na faixa de US$ 12 bilhões por ano, mas com papel limitado na diversificação estratégica recente, em razão da volatilidade tarifária atrelada a ciclos políticos e decisões unilaterais.

Mas, continuam sendo um destino com alto potencial econômico para carnes de maior valor agregado, produtos com maior grau de processamento e nichos específicos como hortifrúti.

A diversificação completa-se com o Resto do Mundo (RoW), que já responde por cerca de 45% das exportações do agro brasileiro, algo entre US$ 75 bilhões e US$ 77 bilhões, na esteira da abertura de 500 novos mercados desde 2023, envolvendo carnes, grãos, produtos de origem animal, frutas e processados. Em valor agregado, o RoW é o principal bloco comercial para nosso agro.

África e Ásia do Sul, com destaque para Índia, Paquistão e Bangladesh, combinam crescimento populacional acelerado e pressão por segurança alimentar, sustentando demanda incremental por alimentos básicos e proteínas. O Oriente Médio apresenta elevada dependência de importações e maior previsibilidade contratual.

O Sudeste Asiático, com ênfase para Indonésia, Vietnã e Filipinas, registra expansão de renda per capita e mudança no padrão de consumo alimentar. A América Latina oferece proximidade logística e complementaridade produtiva e atua como elemento de diversificação do portfólio comercial, reduzindo risco geopolítico e amortecendo choques de demanda.

O terceiro eixo, a equidade de valor, é que viabiliza essa estratégia no longo prazo. O Brasil é muito eficiente no campo, mas sua cadeia de valor permanece fragmentada. Sem equidade de valor, adaptar-se aos critérios customizados da China, atender às exigências regulatórias da UE e capturar oportunidades no resto do mundo torna-se mais caro, lento e ineficiente.

É aqui que se abre um novo ciclo de transformação para o agro, com o uso estratégico de dados, automação e inteligência artificial para alinhar incentivos, antecipar exigências regulatórias e transformar complexidade em vantagem competitiva.

A essencial escala foi conquistada, mas, isoladamente, representa um risco. A estabilidade emerge da diversificação inteligente entre os mercados. A capacidade de sustentar essa estratégia dependerá da equidade de valor ao longo da cadeia.

No comércio global do agro, produzir bem deixou de ser a única vantagem competitiva. O diferencial passa a ser para quem se produz, como se produz e com que coordenação estratégica.

Assine o Correio do Estado 
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 12 Mar 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O eixo Pequim-Teerã ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-eixo-pequim-teera/463404/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-eixo-pequim-teera/463404/</guid>
				<description><![CDATA[A morte de Ali Khamenei, fruto de uma operação de precisão entre EUA e Israel, não é apenas uma decapitação política, é o ponto de inflexão de uma arquitetura geopolítica que vinha sendo desmontada pelo Ocidente nos últimos 13 meses. O que se observa é o colapso de uma relação promíscua que serviu como motor de desestabilização da ordem liberal: a aliança entre China e Irã.

A parceria entre Pequim e Teerã nunca foi ideológica – o ateísmo de Estado do PCCh e o fervor dos aiatolás habitam lados opostos. Tratou-se de conveniência: a China garantiu energia barata de um fornecedor desesperado, enquanto o Irã obteve um “pulmão financeiro” para sustentar seu expansionismo. O acordo entre ambos, assinado em 2021, simbolizou esse ápice.

Pequim acessou 1,5 milhão de barris diários via uma “frota fantasma” (bandeiras do Panamá e Palau) e sistemas de pagamento em yuan fora do alcance do sistema Swift, financiando tanto a repressão interna quanto redes de terrorismo regional.

Diante deste cenário, iniciou-se um cerco energético e um desmonte geoeconômico. Enquanto a diplomacia ocupava as manchetes, uma estratégia de atrito era implementada.

Os EUA tornaram-se o colchão de segurança energética global, atingindo a marca recorde de 13,6 milhões de barris por dia, superando Rússia e Arábia Saudita. Esse excedente permitiu absorver a remoção do petróleo iraniano sem choques.

A captura de Maduro interrompeu o envio de até 900 mil barris diários subsidiados para a China. Com os EUA assumindo a PDVSA e ajustando preços, a vantagem competitiva chinesa evaporou.

Além disso, o OFAC sancionou mais de 180 navios da frota fantasma, bloqueando 60% do suprimento das refinarias “teapot” de Shandong.

A morte de Khamenei ocorreu sob debilidade militar absoluta. Em junho de 2025, a Operação Midnight Hammer – com bombardeiros B-2 Spirit atingindo Fordow, Natanz e Isfahan – atrasou o programa nuclear em dois anos e provou que a China não ofereceria proteção real. O silêncio de Pequim diante do ataque foi um recado amargo para outros aliados de Xi Jinping.

Para além disso, internamente, o Irã é um Estado falido. O Rial perdeu 84% de seu valor em 2025 e a inflação de alimentos superou 70%. O colapso do Banco Ayandeh expôs os esquemas Ponzi da Guarda Revolucionária (IRGC), cujas elites agora movem fortunas para Dubai enquanto a população clama pelo fim da teocracia.

Pós Khamenei, o Irã pode tender a uma vassalagem de sobrevivência sob domínio do IRGC, dependente da vigilância chinesa para evitar o colapso total. Contudo, há uma alternativa na mesa: as lideranças militares podem buscar um acordo pragmático com Washington – nos moldes da distensão promovida por Delcy Rodriguez na Venezuela – para preservar seu poder e recursos, isolando a influência clerical em Qom.

A aliança sino iraniana revelou-se um eixo unido pela necessidade, não por valores. O fim da era Khamenei encerra o fôlego do sonho de hegemonia alternativa de Pequim, provando que a resiliência econômica e militar do Ocidente foi fatalmente subestimada.

Assine o Correio do Estado 
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 12 Mar 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Rede pública precisa avançar na Capital ]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/rede-publica-precisa-avancar-na-capital/463403/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/rede-publica-precisa-avancar-na-capital/463403/</guid>
				<description><![CDATA[A Prefeitura de Campo Grande tentou, mas não conseguiu, neste momento, levar adiante a licitação para a construção de um hospital municipal. O projeto, que envolvia tanto o modelo de construção quanto o de gestão da futura unidade, acabou não avançando.

Independentemente das razões que levaram ao insucesso da proposta apresentada, é fundamental que o tema não saia do radar da administração pública.

A capital sul-mato-grossense precisa, com urgência, ampliar sua estrutura hospitalar pública. Passa da hora de Campo Grande contar com mais um hospital para atender a população. Nos últimos 10 anos, os principais investimentos em saúde hospitalar ocorreram na rede privada.

É verdade que essa expansão tem ajudado a aliviar parte da pressão sobre o sistema público, ao ampliar a oferta de serviços e procedimentos. Ainda assim, ela não é suficiente para suprir o crescimento da demanda por atendimento.

A cidade cresceu. A população aumentou e, com ela, também a necessidade de serviços de saúde. No entanto, o número de leitos públicos praticamente não acompanhou essa expansão.

Essa defasagem acaba recaindo sobre as unidades já existentes, que trabalham frequentemente no limite de sua capacidade.

Não é difícil identificar onde essa pressão se concentra. Instituições como a Santa Casa, o Hospital Universitário e o Hospital Regional são exemplos de estruturas que recebem uma demanda elevada e constante.

Um hospital municipal poderia contribuir para redistribuir esse fluxo de pacientes, permitindo que o atendimento fosse feito de forma mais equilibrada e eficiente.

Vale ressaltar que o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul já passa por um processo importante de modernização de sua gestão. A parceria público-privada implantada na unidade representa um modelo que busca maior eficiência administrativa e melhor qualidade no atendimento.

A expectativa é de que os efeitos positivos dessa nova forma de gestão comecem a aparecer de maneira mais clara ao longo deste ano.

Esse exemplo demonstra que é possível buscar soluções modernas para enfrentar os desafios da saúde pública. Por isso mesmo, quando o projeto de um hospital municipal voltar à pauta – e ele precisa voltar –, será importante que venha acompanhado de um modelo bem estruturado, que combine sustentabilidade financeira, boa gestão e capacidade real de ampliar o atendimento à população.

O fracasso de uma tentativa não pode significar o abandono de uma necessidade evidente. Campo Grande precisa de mais leitos, de mais estrutura e de mais capacidade de atendimento no sistema público. O hospital municipal continua sendo uma peça importante para alcançar esse objetivo.

Assine o Correio do Estado  
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2024/03/1658489243534-690x345_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Thu, 12 Mar 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Acordo Mercosul e União Europeia: mais mercado e novas exigências para o agro brasileiro]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/acordo-mercosul-e-uniao-europeia-mais-mercado-e-novas-exigencias-para/463348/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/acordo-mercosul-e-uniao-europeia-mais-mercado-e-novas-exigencias-para/463348/</guid>
				<description><![CDATA[Com as mudanças geopolíticas tomando conta do noticiário, levantam-se questões sobre laços diplomáticos que podem ser desfeitos e novas parcerias internacionais que devem abrir novos capítulos históricos.

No entanto, enquanto a política ferve em busca de uma definição, o cenário econômico segue movimentando o mundo com mais um passo formal com a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia (UE). Aqui, no Brasil, assistiremos a diversos impactos dessa associação para o agronegócio.

Sob o ponto de vista jurídico, haverá mudanças gradativas nos níveis e formas de cobrança de tarifas para os países envolvidos nessa associação internacional.

A primeira delas é a redução e, posteriormente, a eliminação gradual de taxas aduaneiras para diversos produtos, inclusive os agrícolas. Outras alterações que o acordo apresenta dizem respeito aos procedimentos alfandegários, às barreiras técnicas e às medidas sanitárias, que poderão ser simplificados.

Fala-se também na desburocratização do processo de certificação por entidades autorizadas, com a introdução da autocertificação de origem e o cumprimento de padrões ESG nas relações comerciais com força vinculante.

Surgem, a partir daí, oportunidades e desafios ao agronegócio brasileiro, como a eliminação ou redução de tarifas para diversos produtos agrícolas comercializados pelo Brasil para todo o mundo, como laranja, café, arroz e carne, impulsionando ainda mais o volume e o valor das exportações.

Por outro lado, com a chegada de produtos europeus em terras brasileiras também com tarifas menores, haverá um aumento na concorrência no mercado interno para produtos brasileiros (vinhos e derivados, queijos e azeites, entre outros).

Até obter vantagens, haverá desafios burocráticos e mais custos envolvidos. Nem tudo é vantagem, já que nessa nova fase de relacionamento comercial haverá inevitavelmente um aumento nos custos.

Com a possível elevação das exportações, o Brasil precisará se adequar aos padrões ambientais e sanitários da União Europeia, com emissão de certificados de qualidade que poderão gerar mais gastos, que, consequentemente, serão repassados aos preços finais.

Em um cenário que se tornará mais exigente do ponto de vista jurídico e regulatório, os produtores rurais e empresas deverão se atentar e promover ajustes burocráticos.

Atenção especial deve ser dada, por exemplo, às conformidades regulatórias, como as normas sanitárias, a adoção de práticas de desenvolvimento sustentável e, principalmente, a obtenção de certificações internacionais reconhecidas pela UE.

Não menos importante são as rígidas regras aduaneiras e as questões tributárias que também deverão ser revistas, reavaliando a estrutura de custos e preços. Soma-se a isso a obrigação de registrar e proteger as marcas brasileiras no mercado europeu, garantindo exclusividade e a originalidade dos produtos brasileiros.

Com todas essas mudanças, os produtores rurais poderão ser afetados, especialmente aqueles menos competitivos e com dificuldade para se adaptar rapidamente aos novos padrões de qualidade exigidos pela assinatura do acordo.

Além disso, poderá haver um significativo aumento dos pedidos de recuperações judiciais, já que a concorrência europeia chegará em grande número.

Por outro lado, as empresas mais robustas do agronegócio brasileiro, aquelas com grande potencial de exportação, poderão acessar o mercado europeu com maior efetividade e aumentar significativamente suas receitas e escala de produção.

Essa vantagem, no entanto, precisa de profundas avaliações e planejamento, porque, apesar do aumento das exportações impulsionar toda a cadeia de valor do agronegócio, inclusive insumos, as novas exigências trazidas pelo acordo e os investimentos para toda adequação diante das exigências legais poderá gerar um endividamento inicial até que, de fato, os produtores rurais colham os frutos desse grande acordo internacional.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 11 Mar 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[A Rota Bioceânica e o barão do Rio Branco]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-rota-bioceanica-e-o-barao-do-rio-branco/463346/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/a-rota-bioceanica-e-o-barao-do-rio-branco/463346/</guid>
				<description><![CDATA[A ideia de uma ferrovia ligando o Brasil à Bolívia foi um projeto antigo, e o barão do Rio Branco teve papel importante na concepção desse projeto.

A Ferrovia Brasil–Bolívia, também conhecida como Ferrovia do Pantanal, foi um projeto que visava ligar o Porto de Santos, no Brasil, à cidade de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, passando pelo Pantanal. O objetivo era facilitar o comércio e a integração entre os dois países.

O barão do Rio Branco, José Maria da Silva Paranhos Júnior, foi um diplomata brasileiro que atuou na defesa dos interesses do Brasil em questões fronteiriças e de integração com países vizinhos.

Ele teve papel-chave nas negociações que envolviam a construção dessa ferrovia, especialmente no Tratado de Petrópolis (1903), quando era ministro das Relações Exteriores. Durante sua gestão, fortaleceu a imagem internacional do Brasil e consolidou a tradição diplomática baseada na solução pacífica de conflitos.

O barão do Rio Branco foi um estadista na concepção da palavra, até porque ser um estadista é mais do que ocupar um cargo público.

É ter visão, liderança e habilidade de tomar decisões que beneficiem o bem comum, pensando no longo prazo e no futuro da nação. É ter visão estratégica e conseguir articular um projeto de país.

É ter a capacidade de unir pessoas e construir consensos em torno de objetivos comuns, além de tomar decisões difíceis, mas necessárias, para o bem da coletividade; é ser ético, transparente e responsável em suas ações.

A Rota Bioceânica, uma obra em andamento, quando terminada, bem poderia ser batizada como “Rota Bioceânica Barão do Rio Branco”, em homenagem a esse grande estadista brasileiro, hoje pouco lembrado, mas que teve a visão de um verdadeiro estadista na construção de uma importante ferrovia internacional que ligaria o Brasil ao resto do mundo por meio do Oceano Pacífico.

Quem diria que essa obra teve sua concepção há 120 anos?

O presidente da Bolívia, no momento em que anunciou o interesse de seu país em integrar a Rota Bioceânica, teve um papel de estadista, porque entendeu que essa integração beneficiará seu país, seu povo e os países com os quais a Bolívia faz fronteira, e que, unidos, poderão formar um bloco muito forte economicamente falando, tendo como liderança o nosso Brasil.

Felizes mesmo estamos nós, os sul-mato-grossenses, que teremos duas vias para exportar nossas riquezas: via Paraguai e, agora, via Bolívia.

As expectativas são altamente positivas para o Brasil, mas, particularmente, para a economia de Mato Grosso do Sul, com geração de milhares de empregos e aquecimento de todos os setores da economia.

Porém, isso exigirá dos gestores públicos a imediata melhoria das vias de acesso, tanto terrestres quanto das hidrovias, formando uma verdadeira rede logística que consolidará de vez a economia regional. Viva o barão do Rio Branco, o estadista!
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 11 Mar 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Segurança não pode ser negligenciada]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/seguranca-nao-pode-ser-negligenciada/463345/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/seguranca-nao-pode-ser-negligenciada/463345/</guid>
				<description><![CDATA[A notícia publicada hoje pelo Correio do Estado, revelando que o presídio federal de Campo Grande – unidade que abriga alguns dos criminosos mais perigosos do País, incluindo chefões do Comando Vermelho e figuras ligadas ao jogo do bicho – opera com equipe reduzida, deve acender um sinal de alerta nas autoridades.

Não se trata de um detalhe administrativo, mas de um tema sensível, diretamente ligado à segurança pública e à própria credibilidade do Sistema de Justiça brasileiro.

Os presídios federais foram concebidos justamente para isolar lideranças do crime organizado e impedir que continuem a comandar atividades ilícitas de dentro das cadeias.

São estruturas de segurança máxima, com rígidos protocolos e um modelo de funcionamento que, ao longo dos anos, conquistou reconhecimento por sua eficiência. De fato, o Sistema Penitenciário Federal é considerado um dos mais seguros do hemisfério sul.

Mas nenhum sistema, por mais robusto que seja, pode prescindir de pessoal suficiente e de investimentos constantes. Segurança de alto nível exige vigilância permanente, profissionais capacitados e estrutura adequada.

Trabalhar com equipe reduzida em um presídio desse porte não é apenas inadequado: é um risco que não deveria sequer ser cogitado.

A situação expõe, mais uma vez, uma falha recorrente na forma como o poder público trata a segurança pública. E aqui não se fala apenas do Executivo federal.

O Congresso Nacional, que todos os anos destina milhões de reais em emendas parlamentares para as mais diversas finalidades, também precisa compreender que essa área exige prioridade absoluta. Não pode faltar dinheiro – e muito menos pessoal – para uma unidade penitenciária federal.

Outro ponto que merece atenção é a conclusão da muralha prevista no projeto do presídio federal de Campo Grande. A obra, planejada justamente para reforçar a proteção do complexo, não pode se arrastar indefinidamente. O Ministério da Justiça deve tratar o tema com a urgência que ele exige.

É importante reconhecer que o modelo brasileiro de presídios federais já demonstrou ser eficaz. Contudo, isso não significa que ele deva permanecer estático.

Pelo contrário: sistemas de segurança precisam ser permanentemente aprimorados para acompanhar a evolução das ameaças e das estratégias do crime organizado. Um presídio federal pode ser seguro – mas sempre pode, e deve, tornar-se ainda mais seguro e impenetrável.

Já dissemos anteriormente neste espaço que investir em presídios não costuma render dividendos eleitorais. Não é uma obra vistosa, não gera inaugurações festivas nem discursos empolgados. Ainda assim, trata-se de um dos investimentos mais importantes para a segurança pública e para a correta aplicação da Justiça.

Ignorar essa realidade é abrir brechas perigosas. E, quando se trata de criminosos de alta periculosidade, qualquer brecha pode custar caro demais à sociedade.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Wed, 11 Mar 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Por que o Brasil afasta a inovação farmacêutica?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/por-que-o-brasil-afasta-a-inovacao-farmaceutica/463292/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/por-que-o-brasil-afasta-a-inovacao-farmaceutica/463292/</guid>
				<description><![CDATA[Quando um novo medicamento chega à farmácia, raramente o consumidor percebe o caminho percorrido até ali. Antes de um comprimido ser vendido, ele passa por anos de pesquisa, testes laboratoriais, estudos em animais e ensaios clínicos em seres humanos para comprovar segurança e eficácia.

Esse processo pode levar mais de uma década e custar bilhões de dólares. Todo esse esforço gera um conjunto valioso de informações técnicas, conhecido como dossiê de testes, que precisa ser obrigatoriamente entregue à autoridade sanitária para que o produto seja aprovado.

O problema é que, no Brasil, esses dados não contam com um prazo claro de proteção legal quando se trata de medicamentos de uso humano.

Na prática, isso permite que medicamentos genéricos e similares sejam aprovados com base nos testes realizados pelo inovador, sem que o responsável pelo investimento tenha qualquer controle ou compensação por esse uso.

Ou seja, quem assume o risco e o custo da inovação acaba financiando, involuntariamente, seus concorrentes.

Essa lacuna regulatória acaba por criar um ambiente persistente de insegurança jurídica, no qual empresas passam a reavaliar seus investimentos em estudos que promovam novas descobertas no País.

Pesquisadores veem enfraquecerem-se os incentivos à inovação, e o Brasil, como consequência, deixa de atrair projetos voltados ao desenvolvimento de medicamentos mais avançados.

Trata-se de um risco que não se limita à dimensão econômica, pois, na ausência de estímulos adequados à inovação, o acesso a novos tratamentos tende a ocorrer de forma mais lenta, o que reduz, no médio e longo prazo, as opções terapêuticas efetivamente disponíveis à população.

Curiosamente, o Brasil já protege esse tipo de dado em outros setores, como medicamentos veterinários e agrotóxicos, e a maioria dos países desenvolvidos adota prazos claros de exclusividade regulatória sem impedir a entrada de genéricos.

A pergunta que fica é simples e incômoda: até quando o País vai aceitar perder investimentos, inovação e competitividade por não enfrentar um problema regulatório que o resto do mundo já resolveu?
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 10 Mar 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Cassems 25 anos: o modelo de autogestão que mudou a geografia da saúde em MS]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/cassems-25-anos-o-modelo-de-autogestao-que-mudou-a-geografia-da-saude/463291/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/cassems-25-anos-o-modelo-de-autogestao-que-mudou-a-geografia-da-saude/463291/</guid>
				<description><![CDATA[Ao completar 25 anos em 2026, a Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul (Cassems) é reconhecida por ser a força propulsora de uma revolução que transformou o mapa assistencial do Estado.

Criada a partir da mobilização direta dos servidores públicos, a operadora evoluiu de um projeto coletivo para um dos pilares da medicina regional, detendo hoje 10 hospitais próprios e quase 30% dos leitos de UTI do Estado.

O diferencial do modelo reside na autogestão, afinal, é uma operadora administrada pelos próprios beneficiários e dedicada estritamente às demandas de quem a utiliza.

Ao longo dessas duas décadas e meia, essa governança permitiu a expansão estratégica, levando infraestrutura de ponta para além de Campo Grande e equilibrando o sistema estadual, ao reduzir gargalos no atendimento médico.

No interior, por exemplo, a estratégia de descentralização da alta complexidade tem salvado vidas ao evitar deslocamentos exaustivos, já que o Estado tem municípios a mais de 450 km de distância da Capital.

Os Hospitais Cassems em Dourados, Corumbá, Três Lagoas e Ponta Porã oferecem suporte intensivo que antes era restrito a grandes centros. Um marco dessa interiorização é a UTI neonatal de Três Lagoas, a primeira da rede hospitalar na região da Costa Leste, que já assistiu 864 recém-nascidos desde sua abertura.

O pioneirismo tecnológico também alcança o centro cirúrgico dos nossos hospitais. Após realizar 256 procedimentos cirúrgicos robóticos em 2025, neste ano, o Hospital Cassems de Campo Grande deu um passo histórico com a implementação da telecirurgia robótica, somando 42 intervenções pioneiras no primeiro bimestre do ano.

Em paralelo, a Cassems mantém exclusividades estratégicas no Estado, como o único serviço habilitado para transplante de medula óssea, com 15 procedimentos realizados em quatro anos, e a única estrutura da rede privada apta a realizar cirurgias cardíacas pediátricas de alta complexidade em Mato Grosso do Sul.

Antes mesmo de se tornar uma prioridade para operadoras de planos de saúde no Brasil que estão investindo na criação de clínicas próprias especializadas no tratamento do transtorno do espectro autista (TEA), conforme abordou o jornal O Globo, a Cassems expandiu seu olhar para o cuidado multidisciplinar.

O Espaço Somos Cassems – TEA, dedicado ao transtorno do espectro autista, iniciou suas atividades em Campo Grande e Dourados. Juntas, as unidades já ultrapassaram a marca de 40 mil atendimentos, tornando-se referência em neurodivergência no Centro-Oeste.

Se os primeiros 25 anos foram marcados pela construção de uma rede hospitalar sólida e pela interiorização da assistência, os desafios que se desenham para as próximas décadas exigem uma nova camada de planejamento estratégico.

O crescente envelhecimento da população, o aumento da incidência de doenças crônicas e o crescimento da demanda por cuidados especializados pressionam muito os custos do sistema de saúde.

Nesse contexto, a sustentabilidade do modelo passa cada vez mais pela repactuação do modelo de contribuição, ampliação de políticas de prevenção, diagnóstico precoce e promoção da saúde.

O avanço de doenças como o câncer, inclusive entre os mais jovens, e a crescente demanda por acompanhamento multidisciplinar em áreas como neurodivergência reforçam a necessidade de um sistema cada vez mais integrado, tecnológico e orientado ao cuidado contínuo.

Para a Cassems, o futuro da assistência em Mato Grosso do Sul passa pela consolidação de uma gestão profissionalizada, capaz de equilibrar inovação tecnológica, eficiência administrativa e compromisso humano com os beneficiários.

Mais do que manter a estrutura construída ao longo das últimas décadas, o desafio agora é seguir expandindo o acesso, antecipando demandas e fortalecendo um modelo que colocou o Estado no mapa da saúde de alta complexidade no Centro-Oeste.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 10 Mar 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O outro lado do agro "próspero"]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-outro-lado-do-agro-prospero/463290/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-outro-lado-do-agro-prospero/463290/</guid>
				<description><![CDATA[Nesta edição, mostramos que as recuperações judiciais no agronegócio de Mato Grosso do Sul dispararam. O crescimento, de 2023 para cá, é exponencial e acende um alerta que vai além da situação conjuntural do campo.

O aumento acelerado de pedidos de RJ indica que algo não vai bem não apenas na rentabilidade das atividades rurais, mas também na forma como muitos empreendimentos agrícolas têm conduzido sua gestão financeira.

É evidente que fatores de mercado pesam sobre o setor. Oscilações de preços, custos elevados de insumos, juros mais altos e riscos climáticos fazem parte da realidade de quem produz no campo.

No entanto, atribuir apenas ao preço baixo das commodities a enxurrada de recuperações judiciais seria simplificar demais um problema que parece mais estrutural. O que se vê, em muitos casos, é a fragilidade de modelos de gestão que ainda não acompanharam o grau de complexidade e de volume financeiro que hoje envolve o agronegócio.

A comparação com outros setores da economia ajuda a dimensionar essa questão. Indústria e comércio, por exemplo, enfrentam desafios semelhantes de mercado, mas contam com menos facilidades para acessar crédito.

O agronegócio, por sua vez, dispõe de instrumentos robustos de financiamento, que vão desde o Plano Safra e linhas do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) até mecanismos privados cada vez mais sofisticados, como letras de crédito do agronegócio e fundos de investimento nas cadeias produtivas, os chamados Fiagros.

Esse amplo acesso a recursos tem sido um dos pilares do crescimento do setor nas últimas décadas. Porém, ele também impõe responsabilidades. Um aumento expressivo de calotes bancários e de inadimplência em contratos não afeta apenas credores privados.

Parte relevante desses financiamentos conta com subsídios ou mecanismos públicos de apoio. Quando há desequilíbrio generalizado, uma parcela desse custo acaba sendo socializada – direta ou indiretamente – entre os cidadãos que financiam essas políticas por meio de impostos.

Outro ponto que precisa entrar no debate é a forma como muitos empreendimentos rurais ainda estruturam suas finanças.

Tradicionalmente, o agro brasileiro sempre foi muito focado na formação de patrimônio – terra, máquinas, estrutura produtiva. Isso ajudou a consolidar o setor. Mas, em muitos casos, faltou a mesma atenção à preservação de caixa, à capitalização e à gestão profissional do fluxo financeiro.

É, em certa medida, a velha mentalidade de pessoa física com fachada de pessoa jurídica. Enquanto o patrimônio cresce, a saúde financeira do negócio nem sempre acompanha.

Em períodos favoráveis, o modelo funciona. Mas, quando surgem turbulências de mercado, a fragilidade aparece – e o resultado, muitas vezes, é a recuperação judicial.

O agronegócio é um dos pilares da economia brasileira e da sul-mato-grossense. Justamente por isso, precisa avançar também em governança, planejamento e gestão. A profissionalização administrativa é um passo essencial para que o setor continue crescendo com solidez.

Espera-se que o aumento recente de recuperações judiciais sirva como sinal de alerta. Mais do que um fenômeno pontual, ele deve estimular uma reflexão necessária dentro do próprio campo: produzir bem é fundamental, mas gerir bem o negócio é igualmente indispensável. Só assim será possível evitar que a atual onda de RJs se transforme em um problema estrutural para o setor.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Tue, 10 Mar 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[IA: quem controla os controladores?]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/ia-quem-controla-os-controladores/463244/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/ia-quem-controla-os-controladores/463244/</guid>
				<description><![CDATA[Durante décadas, o conceito de inteligência artificial (IA) foi tratado como ficção e permeava nossa sociedade sob o prisma do imaginário. Hoje, em um salto de 4 anos, ela está silenciosamente incorporada ao cotidiano de toda a humanidade.

Algoritmos determinam o que vemos nas redes sociais, quais notícias chegam até nós, que músicas ouvimos e até mesmo quando alguém solicita um carro por aplicativo; o algoritmo decide com base em probabilidade de aceitação, tempo estimado e histórico de desempenho.

Eles não possuem consciência, mas possuem algo igualmente útil e poderoso: a capacidade analítica de prever o nosso comportamento.

Quando abrimos as redes sociais, não estamos navegando em um espaço neutro, estamos atravessando um filtro algorítmico que prioriza conteúdos com maior probabilidade de manter nossa atenção na tela. O que é apresentado como uma grande vantagem, carrega um efeito social mais complexo do que parece.

O algoritmo aprende nossas preferências, muitas das quais estão relacionadas ao nosso perfil psicológico e biológico. Nesse campo estão as nossas inclinações políticas, nossos problemas de saúde e fragilidades emocionais. Toda essa espiral de informações passa a reforçar padrões.

No mercado global, sistemas de IA já participam de decisões financeiras. Plataformas como a Amazon ajustam preços dinamicamente conforme demanda, localização e perfil de consumo.

Em 2018, no campo político, veio à tona o caso da Cambridge Analytica, que utilizou dados do Facebook para influenciar campanhas políticas, evidenciando como informações coletadas por meio das redes sociais podem ser usadas para segmentar mensagens eleitorais. O dado se tornou insumo de estratégia e micro direcionamento de massas.

Outro exemplo são as chamadas Big Techs, que concentram a capacidade de processamento e armazenamento de dados. Empresas como Meta, Google, Amazon e Microsoft monopolizam a controladoria de serviços essenciais: busca, nuvem, comunicação, armazenamento e publicidade.

A inteligência artificial é absoluta no gerenciamento em larga escala: quanto mais preciso, maior a vantagem competitiva. A discussão atual não é sobre máquinas conscientes dominando o mundo. É sobre sistemas automatizados influenciando decisões humanas globalmente.

E a grande reflexão que fica é: quem faz a regulação desses sistemas? Como proteger a privacidade e a autonomia individual? As leis referentes à IA que já vemos implementadas na União Europeia são suficientes?

O futuro aponta para sistemas cada vez mais integrados à estrutura social e eficientes, porém, invisíveis e difíceis de auditar. A tecnologia seguirá evoluindo e essa vigilância velada se enraizando cada vez mais nos dispositivos do dia a dia.

Vivemos um momento histórico em que a inteligência artificial não é mais hipótese distante e aqueles que detêm os dados, detêm capacidade de influenciar, modelar e definir o comportamento coletivo. A pergunta não é se a IA controla. A pergunta é: quem controla a IA? E, sobretudo, quem controla os controladores?
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 09 Mar 2026 07:45:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[Os supersalários e seus penduricalhos]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/os-supersalarios-e-seus-penduricalhos/463243/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/os-supersalarios-e-seus-penduricalhos/463243/</guid>
				<description><![CDATA[Não é de hoje que esse assunto está na mesa de discussão. Aliás, foi devidamente disciplinado no teor da Constituição de 1988, cujas Disposições Transitórias, no art. 17, assim explicitam a questão:

“Art. 17 – Os vencimentos, a remuneração, as vantagens e os adicionais, bem como os proventos de aposentadoria que estejam sendo percebidos em desacordo com a Constituição serão imediatamente reduzidos aos limites dela decorrentes, não se admitindo, neste caso, invocação de direito adquirido ou percepção de excesso a qualquer título”.

Veja você, leitor. As letras da lei maior abrangem tudo: remuneração, vantagens, adicionais. Só não querem entender. Falta definir o que pode ser considerado supersalário. Isso depende do grau de correlação entre a menor remuneração e a máxima, no âmbito do serviço público, em todas as esferas de poder.

Suponhamos que o piso salarial seja de, pelo menos, um salário-mínimo e o teto de vinte vezes esse valor.

Evidentemente, nas diferentes funções seria estabelecida uma escala de níveis, respeitados os dois limites. E, naturalmente, ninguém pode receber além do máximo que, no Brasil, corresponde ao subsídio do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

É indecente e imoral que a diferença entre o menor e o maior salário no serviço público seja, como constatou pesquisa realizada há algum tempo pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de 187 vezes.

O teto atual, fixado pela Constituição, é de pouco mais de R$ 46 mil, enquanto o piso, correspondente a um salário-mínimo para este ano, é de R$ 1.621,00.

Aqui já se constata a primeira anomalia: o teto ultrapassa em mais de 28 vezes o valor menor. Portanto, uma primeira conclusão se impõe: ou o salário-mínimo é minimorum, ou o teto já se pode considerar supersalário.

Ocorre que o teto não tem sido respeitado! Aliás, o teto tem sido deliberadamente violado, a fim de que o comando tão claramente exposto no artigo acima transcrito seja considerado letra morta.

A regra é clara, como diz aquele comentarista esportivo: não pode haver percepção de excesso a qualquer título: remuneração, vantagem ou adicional.

Portanto, podem criar diversas denominações para os tais “penduricalhos”. Por exemplo, um elemento bem antigo e conhecido: o adicional por tempo de serviço.

De novo, ninguém pode ignorar a regra. A soma do subsídio e do adicional de tempo de serviço não pode ultrapassar o teto constitucional, equivalente ao subsídio do ministro do STF. O mesmo se aplica a qualquer outro “penduricalho” que a inventiva humana conceba.

O teto é um limitador objetivo. Ninguém deve levar para casa quantia superior àquela claramente fixada. Ora, quem por primeiro deveria diligenciar para o cumprimento da Constituição seria, naturalmente, o Poder Judiciário. É o que intenta fazer, presentemente, o ministro Flávio Dino.

Mas todos sabem que os diferentes níveis de poder tudo farão para ignorar o comando constitucional e afrontar o teto. Criam, então, certa expressão genérica: indenizações; ou, como popularmente também são chamadas tais verbas: atrasados. Deixaram de pagar algum valor devido a alguém e, agora, é necessário efetuar o acerto.

Por que não se observa, então, o roteiro ao qual se sujeitam os segurados do Regime Geral de Previdência Social? São as chamadas Requisições de Pequeno Valor (RPVs). Tudo o mais deve seguir o rito normal dos débitos: o precatório.

Quem deveria fiscalizar as irregularidades, porém, fica em silêncio. É o caso dos tribunais de contas em todos os níveis de Governo. Por quê? Porque eles mesmos pagam além do teto. Estamos diante daquela velha questão que já se fazia Juvenal em uma das suas sátiras: quem fiscaliza os fiscais?

A resposta, no Estado de Direito, é elementar. O fiscal é o povo que, constatando tanta desordem, tem o poder de mudar os governantes pela via democrática do voto. A burla ao comando constitucional ressalta à evidência. Estamos diante de uma oportunidade única, criada pelos processos que serão julgados em breve.

Oxalá magistrados e governantes estejam a fim de cumprir a Constituição.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 09 Mar 2026 07:30:00 -0400</pubDate>
			</item>
					<item>
				<title><![CDATA[O desgaste da Casa da Indústria]]></title>
				<link>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-desgaste-da-casa-da-industria/463242/</link>
				<guid>https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-e-opiniao/o-desgaste-da-casa-da-industria/463242/</guid>
				<description><![CDATA[A gestão da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems) tem sido colocada sob suspeita nos últimos dias, em um cenário que levanta questionamentos importantes sobre governança e responsabilidade institucional.

A entidade, que representa um dos setores mais relevantes para a economia sul-mato-grossense, passou a ocupar o noticiário por motivos que pouco têm a ver com inovação, produção ou geração de empregos. Em vez disso, surgem investigações, denúncias e comportamentos que, no mínimo, merecem ser analisados com atenção pela sociedade.

Parte dessas preocupações ganhou corpo após mandados de busca e apreensão cumpridos em investigação conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

As medidas foram executadas por promotorias especializadas no combate à corrupção em Campo Grande e têm como foco contratos considerados suspeitos.

Ainda que a apuração esteja em curso e o direito à ampla defesa deva sempre ser preservado, o simples fato de uma entidade do porte da federação figurar nesse tipo de investigação já é motivo suficiente para acender um alerta.

Ao mesmo tempo, alguns integrantes ligados à estrutura da federação também têm aparecido no noticiário por episódios que reforçam a imagem negativa do momento.

Um ex-diretor da entidade, que também ocupa cargo de direção na Lide em Mato Grosso do Sul, figura como responsável pela segunda maior multa ambiental aplicada em 2025 pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Aurélio Rolim Rocha recebeu uma penalidade milionária sob suspeita de desmatamento ilegal – um episódio que, por si só, já traz repercussões relevantes em um período em que a sustentabilidade se tornou tema central para o setor produtivo.

Outro caso envolve o vice-presidente da Fiems, Régis Comarella. Conforme detalhado nesta edição, o empresário enfrenta questionamentos relacionados ao cumprimento do plano de recuperação judicial de seu frigorífico.

Entre os pontos levantados está o fato de que a dívida com o fisco federal não teria sido incluída no processo inicial, situação que, para alguns especialistas, poderia caracterizar tentativa de fraude.

Diante desse conjunto de episódios, torna-se inevitável a cobrança por explicações e transparência. A federação da indústria não é uma entidade qualquer.

Ela representa interesses econômicos relevantes, participa de debates estratégicos sobre desenvolvimento e exerce influência significativa nas decisões que impactam o ambiente de negócios no Estado.

É justamente por essa posição que a exigência de boas práticas deve ser ainda maior. Governança, integridade e compliance não podem ser apenas conceitos repetidos em discursos institucionais ou relatórios formais. Precisam ser demonstrados na prática, sobretudo por aqueles que ocupam posições de liderança.

Nesse contexto, ganha força na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) a discussão sobre a possível abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação da federação.

A iniciativa pode ser um instrumento legítimo de esclarecimento, desde que conduzida com responsabilidade e sem motivações meramente políticas.

A indústria sul-mato-grossense tem importância estratégica para o desenvolvimento do Estado. Justamente por isso, a entidade que a representa precisa estar acima de qualquer suspeita.

Transparência e responsabilidade institucional não são apenas desejáveis – são condições indispensáveis para preservar a credibilidade de quem fala em nome de um setor inteiro da economia.
]]></description>
				
									<media:content url="https://cdn.correiodoestado.com.br/img/c/300/300/dn_arquivo/2023/05/a-correio-do-estado_1.jpeg" medium="image"/>
				
				<category>Artigos e Opinião</category>
				<pubDate>Mon, 09 Mar 2026 07:15:00 -0400</pubDate>
			</item>
			</channel>
</rss>