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Luiz Fernando Mirault Pinto: "Spoiler, troller, hackers"

Luiz Fernando Mirault Pinto: "Spoiler, troller, hackers"

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A Beatriz de cinco anos contou que foi surpreendida por um “spoiler” “trolando” – um colega de colégio que contou o destino reservado aos Vingadores ao relatar as cenas inéditas do filme.
Disse que lhe deu um passa-fora pela intenção de estragar a história surpresa ou a expectativa gerada pelo lançamento do momento nos cinemas.

Pra mim, o termo incomum de origem inglesa mereceu uma busca na web, definido num sentido diferente e de tradução inusitada como “espoliador”: aquele que pratica a ação de privar alguém de alguma coisa que lhe pertence ou se julga no direito por meio de fraude, violência ou força. O verbo TO SPOIL seria a origem do termo: estragar, desmanchar, destruir.

Caracteriza-se como bullying inocente e universal que cotidianamente nos submete essa “era dos spoilers”, dos desmancha-prazeres – agora dos usurpadores e dos destruidores, não só brincando, mas com sentimentos negativos, como raiva, ódio, ciúme, inveja e desprezo.

O outro termo dito e empregado na web – na vida real, extensivo e exclusivo aos jovens – é importado das conversas nas redes sociais, em que um integrante (TROLL) se intromete apenas para provocar desavenças nas discussões de fóruns, argumentando seriamente embora fora do contexto, criando temas paralelos ou de forma jocosa, esvaziando e depreciando o consenso. É o retrato de um indivíduo que se presta a enganar (trolar), fazer piadas, pegadinhas ou simplesmente alimentar seu ego sendo desprezível ao interferir no alheio. 

Confesso que essa modernidade não me toca, continuo conceituando um de “chato” e o outro de “sacana”; um inconveniente e outro, cafajeste. Trazendo para o nosso trivial, também tenho dúvidas em enquadrar certas situações nas categorias dos Spoilers e dos Trolls enumerando fatos, elocuções, eventos ou ocorrências para que possamos nos exercitar com os vocábulos, já que um trata de adiantar fatos surpreendentes e ao outro, o que importa é trolar, com fakes ou indícios reais, desde que, no fim, tenha obtido seu intento de fazer uma pegadinha inocente ou em prejuízo de alguém. 

Aí eu me pergunto: seriam as revelações do site The Intercept divulgadas na mídia – uma forma de contar à sociedade conversas ditas reprováveis e, portanto, ilegais entre o julgador e acusadores ao meio de processos condenatórios da Lava Jato – um exemplo de spoiler, ou seja, a maneira de antecipar (embora em doses homeopáticas) fatos adventícios que resultaram em condenações seletivas, já antevendo um fim para as estórias e o mérito (o cerne sobre um assunto) ou a superficial trolagem por meio de chamados “assuntos ‘hackeados’ e ilegalmente obtidos” por um grupo de “criminosos”, com o objetivo de atrapalhar o andamento das operações de combate à corrupção, com base em “supostos falsos” diálogos obtidos no aplicativo (Telegran) que permitiram a reprodução de conteúdos de textos, vídeos, áudios e imagem por meio de um pacote de dados ou de uma conexão livre da internet entre o ambiente jurídico em plenos processos condenatórios? 

Estaria a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, ao interrogar o ministro, fazendo papel de “spoiler” com seus inscritos da base governamental ao privar a sociedade da expectativa sobre o andamento dos vazamentos em causa deixando de questionar o convidado e fazer continência a sua presença; ou a oposição que se apresentava como “troller”, de modo a subverter com afirmativas supostamente fora de contexto no sentido de reforçar a seriedade das denúncias veiculadas.

O hacker ou o cracker sempre estarão presentes quando for necessário justificar o malfeito. Apesar da expertise em telemática, um tem por objetivo cortar (hack), modificar programas adaptando-os às novas necessidades. Aos outros, cabe adulterar, inverter informações, tornando-as inverídicas após a quebra (crack) da segurança e serão incursos penalmente, pois suas ações jamais são bem-vindas sempre que autoridades envolvidas são atingidas.

Preparemo-nos, pois esses personagens “modernosos” estarão presentes no cotidiano. De um lado, as denúncias sobre ações aviltantes contra a sociedade; do outro, fatos, fakes, “descuidos” e desculpas repugnantes em suas defesas, já que estavam a mercê do acesso a informações sigilosas, mas sujeitas a serem “crackeadas” em seus equipamentos funcionais. Eu, no entanto, continuarei aguardando ansiosamente a divulgação dos futuros áudios capazes de deslindar essas vazaduras em módicas prestações!

EDITORIAL

Operações do MPMS e o recado às prefeituras

MPMS, sociedade e imprensa seguem atentos. Transparência não é concessão; é obrigação. E controle não é perseguição; é instrumento de proteção ao interesse público

13/02/2026 07h15

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Desde o ano passado, mais de uma dezena de prefeituras em Mato Grosso do Sul foram alvo de operações conduzidas pelos grupos especializados no combate aos crimes do colarinho branco e ao crime organizado, em ações do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

Muitas delas com cumprimento de mandados de busca e apreensão e afastamento de agentes públicos, escancararam um cenário preocupante: indícios de conluios envolvendo integrantes do primeiro escalão municipal e fornecedores com a finalidade de desviar recursos públicos.

Não é a primeira vez que este espaço elogia a atuação cirúrgica do MPMS. E reiteramos: se há crime, deve haver investigação e punição. O dinheiro público não pertence a gestores, partidos ou grupos políticos. Pertence à população.

Cada centavo desviado representa menos remédio nos postos de saúde, menos qualidade na merenda escolar, menos infraestrutura nas cidades. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul cumpre o seu papel constitucional ao fiscalizar, investigar e denunciar.

O que chama a atenção, contudo, é a reação do outro lado – o político. Nesta edição mostramos que, ao que tudo indica, parte da classe política ainda não compreendeu a gravidade do momento.

Ou, se compreendeu, tem demonstrado dificuldade em assimilar o recado. As operações não são fatos isolados. Não se trata de um episódio pontual, mas de um padrão que precisa ser interrompido.

É preciso ampliar os mecanismos de controle sobre o gasto público. E isso só se faz com transparência absoluta. Portais de transparência atualizados, processos licitatórios claros, contratos acessíveis, fiscalização social estimulada.

Quem age com clareza, quem expõe seus atos à luz do dia, tende a ter menos problemas com investigações. E, quando ocorre algum equívoco de procedimento, pode demonstrar que agiu de boa-fé, sem dolo, sem intenção de lesar os cofres públicos.

O que não é admissível é que, depois de sucessivas operações, de denúncias envolvendo esquemas estruturados para fraudar contratos e desviar dinheiro, tudo continue como se nada tivesse acontecido. Não é normal. Não pode ser tratado como rotina administrativa.

A naturalização do desvio corrói a confiança da população nas instituições e enfraquece a democracia.

Mais do que nunca, é preciso seriedade na gestão pública. Seriedade com o dinheiro do contribuinte, com os contratos assinados, com as prioridades definidas. A mensagem das operações é clara: há fiscalização, há investigação e haverá responsabilização.

Assim como o MPMS cumpre sua função, a imprensa seguirá atenta e a sociedade também. Transparência não é concessão; é obrigação. E controle não é perseguição; é instrumento de proteção ao interesse público. Quem administra recursos coletivos deve estar preparado para prestar contas – sempre.

ARTIGOS

Afeto em modo on-line

A proximidade construída, esse acesso aos bastidores da vida cotidiana, cria uma poderosa ilusão de que a conexão é mútua

12/02/2026 07h45

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Sabe aquela sensação de que você realmente conhece seu podcaster favorito, a ponto de antecipar as piadas e opiniões dele? Ou aquele leve orgulho que você sente quando um influenciador que você acompanha atinge uma nova meta, como se fosse um amigo próximo celebrando uma conquista?

Talvez você já tenha se visto defendendo um youtuber em uma seção de comentários ou sentindo uma tristeza genuína com o término de um casal famoso. Se alguma dessas situações parece familiar, você já vivenciou a essência de um comportamento que define a nossa era.

Essa conexão tão particular tem nome: relacionamento parassocial. O termo, que descreve um vínculo de mão única que uma pessoa desenvolve com uma figura pública, foi eleito a Palavra do Ano de 2025 pelo Dicionário Cambridge.

Essa escolha não foi por acaso, ela oficializa a importância de um fenômeno que, embora antigo, foi intensificado de forma radical pela era digital, deixando de ser um assunto de especialistas para fazer parte do vocabulário popular, muito em função da estrutura proposta pelas redes sociais.

No passado, nossos avós admiravam estrelas de cinema distantes, projetadas em telas e envoltas em mistério. Hoje, por outro lado, um criador de conteúdo compartilha sua rotina nos stories, desabafa sobre seu dia em um post e interage com seus seguidores.

Essa proximidade construída, esse acesso aos bastidores da vida cotidiana, cria uma poderosa ilusão de que a conexão é mútua. O fenômeno, no entanto, é interessante não apenas pelo comportamento que descreve, mas também pela forma como a própria palavra se popularizou.

Nesse ponto, a internet é a grande protagonista, pois funciona como um acelerador de novas palavras. Ela captura conceitos complexos e os transforma em termos de uso massivo.

Palavras como “cringe” (algo que causa vergonha alheia), “shippar” (torcer por um casal) ou “biscoiteiro” (alguém que busca validação on-line), por exemplo, nasceram ou ganharam força nesse ambiente, sendo rapidamente integradas à nossa língua.

A internet, portanto, não apenas cria fenômenos sociais, ela também nos fornece, em tempo real, as ferramentas para nomeá-los.

Fica claro, dessa forma, o papel duplo e central das redes sociais. Por um lado, elas moldam nosso comportamento, criando novas formas de interação, como os laços parassociais. Por outro, contribuem ativamente para a renovação do nosso vocabulário, popularizando termos que nos ajudam a dar sentido a essa realidade cada vez mais digital.

A ascensão da palavra “parassocial” é, nesse sentido, o exemplo perfeito dessa dinâmica: um reflexo de como nossas vidas mudaram e, ao mesmo tempo, de como nossa linguagem corre para acompanhar essa mudança.

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