Artigos e Opinião

ARTIGO

Maria Luiza Azzallini Medeiros: "País desindustrializado, herança pouco saudável"

Professora

Redação

09/12/2015 - 00h00
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Como um crochê, a corrupção corporativista contaminou pilares da nação, já que a Lava Jato investigou empreiteiros, políticos, doleiros. Mas, e a ponta da linha? Segundo a mídia a PF, o MP, os juízes da Lava Jato, enfim, todos, sabem qual é. Então, por que ainda perdura essa lenga-lenga?

Quando convocados vão às CPIs, chegam já instruídos e se dizem com direito de ficar calados e com defesas renomadas a tiracolo. O povo consciente quer saber, por que, em nosso país, as coisas acontecem assim? Sabem com profundidade as manobras e estratégias para saírem ilesos de seus desvios de caráter, porque sabem que aqui é fácil lobos serem confundidos com cordeiros e tudo ficar por isso mesmo, numa tamanha desfaçatez. Tempos atrás, Rui Barbosa já afirmava: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”, em parte significativa dessa sociedade fisiológica, hipócrita, corrompida, em que se chamam os outros de fascistas, há sentimentos primitivos, só se quer demarcação de terras da União porque sabe-se muito bem que espaço é poder, e não se desiste do intento de edificar o império daquela ideologia associada a esse bolivarianismo incrustrado com forças que o apoiam e o protegem.

O nosso país está mergulhado mesmo num marasmo, o futuro governo pegará um país lesado na sua infraestrutura e em seu desenvolvimento, com essa burocracia (burrocracia) que só atrapalha a vida brasileira e nos coloca num contínuo atraso, no qual legendas partidárias se apoiam e, assim, a vida política continua  marcando passo. Não temos que fazer acordo nenhum, porque não fomos nós que criamos essa crise, quando se espera que o tempo se encarregue de fazer o povo esquecer dos malfeitos; é uma vergonha poderes inchados, são tantas manobras que ficamos atordoados. Como pode, em nosso país, poderes tão focados em poder, fugas às responsabilidades, ocultamentos de malfeitos e salvação de suas próprias feias peles, criou-se a crise e não se demonstra a menor intenção de sacrificar o seu caviar. E quem é honesto só leva aumento de carga tributária; alguns só saem pela tangente, segundo a mídia, trocar titular por vice é como trocar 6 por meia dúzia. Os brasileiros conscientes merecem uma mudança radical, como aconteceu na Argentina. Na Operação Lava Jato, embora tenta-se  anular com manobras articulatórias e macular uma investigação séria, pensa-se que os brasileiros conscientes são ingênuos, vergonha mesmo é a falta de ética. A Lava Jato não investiga pessoas, mas sim fatos. Parabéns a Veja, pela reportagem “Golpe internacional”; com tanta blindagem, articulações, manobras, o foro privilegiado é uma excrescência em corrupção. Não se pode poupar corruptos e corruptores, instituições têm que estar acima das picuinhas políticas, pela moral e pela ética. Também segundo a mídia, palestras rentáveis nada mais são do que dicas de informações relevantes do País.

Certa feita, Henfil escreveu a seguinte charge: “uma mãe perguntou ao seu pequeno filho: - Que que você quer ser quando crescer? O pequeno filho responde: - Ladrão. A mãe, espantada com a resposta dele, prossegue a conversa: - Ah, meu filho... mas pra chegar lá, tem que estudar muito!”.

A catástrofe que aconteceu em Mariana–MG é uma das mais danosas do mundo, ceifando vidas humanas e exterminando fauna e flora nas águas do Rio Doce até o mar. Temos legendas ambientalistas que dizem, agora, que temos ainda 800 barragens pelo Brasil. 

Que transparência é essa que quer votação secreta no Congresso? Não é uma incoerência? Que parcela significativa da política brasileira não está saudável, todos os brasileiros conscientes sabem que os mandatos foram criados para ser honrados e éticos, assim como também a nossa Constituição não pode ser modificada ou adaptada ao sabor de interesses escusos, existem joios grudados nos trigos; que Democracia é  essa em que só o povo pode ser enganado? E, ainda, surge a Lei nº 13.188/2015, que põe no mesmo patamar o bom e o mau jornalismo, aquele que observa os preceitos éticos da atividade e aquele que os ignora, o que é lamentável. A Constituição Federal, ao proteger a liberdade de imprensa, não admite que a lei trate de forma equivalente o agravo justo e o agravo injusto. Admitir ao contrário é tornar a atividade jornalística somente livre para elogiar – o que não significa liberdade alguma – Luis Felipe Dalmedico Silveira. Segundo a mídia, podemos concluir que tempos de censura não foram aqueles, mas estes. Com toda distorção de valores, que tipo de sociedade estamos construindo? Os conscientes não querem mais pseudas mudanças com suas expertises.  

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Como identificar relações amorosas abusivas

08/06/2024 08h30

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O Dia dos Namorados está chegando e se tornou muito comum trocar presentes e fazer declarações amorosas. Se por um lado essa prática apresenta expressões de afetividade, carinho e dedicação, por outro, pode ocultar traços de algo muito frequente na nossa cultura: as relações abusivas.

Viver um relacionamento abusivo é um processo mais complexo do que se pode supor à primeira vista. Raramente um relacionamento já se inicia evidenciando as características abusivas. Normalmente, trata-se de um processo que vai se aprofundando ao longo do tempo de convivência a partir de um domínio psicoemocional de uma das partes sobre a outra. 

Esse é um assunto sério e que merece absoluta atenção e cuidado de todos os segmentos sociais. De acordo com dados do relatório publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), somente em 2023 foram registrados 1.463 casos de feminicídio no Brasil, cerca de um caso a cada seis horas. Esse é o maior número registrado desde que a lei contra feminicídio foi criada, em 2015.

A pesquisa apontou que 18 estados apresentaram uma taxa de feminicídio acima da média nacional, de 1,4 mortes para cada 100 mil mulheres. Entre eles, o estado de Mato Grosso apresentou a maior taxa no ano passado, com 2,5 mulheres mortas por 100 mil. Entre 2015 e 2023, um total de 10,65 mil mulheres foram vítimas de feminicídio.

Afinal, por que esse é um problema que atinge muito mais as mulheres do que os homens no Brasil? A resposta é um tanto quanto óbvia, somos um País de bases extremamente patriarcais e machistas, o que significa dizer que, simbolicamente, as mulheres tendem a ocupar um lugar de inferioridade no tecido social e, por isso, são mais vulneráveis a todo tipo de violência. É pelo mesmo motivo que se torna, frequentemente, mais difícil para elas saírem ou evitarem situações de violência.

O psiquiatra austríaco Viktor Frankl fala de dois comportamentos humanos que favorecem a perpetuação de situações de violência: o conformismo e o totalitarismo. O primeiro (conformismo) é caracterizado pela aceitação sem oposição do que fazem conosco por não sabermos o que fazer. Já no segundo (totalitarismo), há uma imposição da vontade de um dos parceiros, desconsidera-se completamente a outra pessoa e suas as diferenças, não há empatia.

Assim, uma relação abusiva é necessariamente totalitária, já que uma das partes desconsidera deliberadamente a outra e a subjuga às suas vontades. É importante frisar que uma relação abusiva não começa declaradamente abusiva, ela vai construindo um domínio sobre o outro.

Inicialmente, há uma tendência ao encantamento, movimentos sedutores com elogios, agrados e dedicação quase exclusiva à pessoa. Posteriormente, vai-se havendo um controle em todas as instâncias da vida do outro: rede de relacionamento, vestimenta, lugares aonde vai, atividades de lazer, etc. Por fim, surgem as críticas, o menosprezo e os xingamentos, proibições no ir e vir, exclusão da convivência com amigos e familiares e agressões que podem escalar de humilhações psicológicas para físicas.

Há na vítima um sentimento em níveis variados de insegurança e inferioridade, além da baixa estima e da percepção distorcida da relação consigo, da relação e da realidade. O agressor costuma se manter em um patamar de alguém que “não faz por mal” ou “que exerce um cuidado além da conta” ou “que mudará”. 

Mesmo tendo a percepção do que está acontecendo, são muitos os fatores que podem dificultar para que a vítima saia de um relacionamento abusivo, tais como a dependência financeira, a dependência emocional, a pressão familiar, a pressão religiosa, o medo do que pode acontecer se denunciar e a falta de apoio social para sua emancipação.

Trata-se de uma problemática cultural no Brasil que deve implicar a todos nós, uma vez que estamos educando os nossos filhos e filhas a partir de como nos relacionamos em sociedade e da maneira como desenvolvemos e exercemos a nossa cidadania.

Políticas públicas de apoio a vítimas de abuso têm crescido no Brasil, contribuindo para a conscientização social e a introdução de novas perspectivas em nossa cultura. Graças a essas ações, cada vez mais pessoas têm buscado ajuda por meio dos serviços de saúde mental públicos e privados para construir novas relações e romper com o ciclo da violência.

Ainda assim, é preciso mais. Mais conscientização, mais políticas de educação e promoção social, mais iniciativas que nos aproximem pela via do afeto, da convivência com as diferenças, em que a perspectiva totalitária de um indivíduo ser subjugado pelo outro não faça mais sentido.

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Caminho da vida

08/06/2024 08h00

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Sabemos por meio das lições diárias que a vida nos oferece que, apesar das limitações intelectuais, nos encontramos sempre a caminho. Nada é definitivo. Tudo é passageiro. Tudo é vulnerável. Tudo em seus limites. E nós, míseros humanos, nos sentimos insaciáveis. Isso significa busca permanente de maneiras de viver.

Buscamos sempre caminhos possíveis. Buscamos sempre verdades que preencham o vazio da alma. Buscamos algo que consiga saciar a sede do eterno. Buscamos algo além do comum que consiga saciar a fome de amar e de ser amado, confiar e encontrar confiança, acreditar e ser acreditado.

Por esses assim chamados caminhos, ter a surpresa agradável de encontrar Deus e saborear sua grandeza de alma, sua generosidade no coração e sua misericórdia em suas mãos. Esse Deus de poucas palavras e de muito amor. Esse Deus de nada exigir e tudo doar na gratuidade. Esse Deus que não perturba, mas tudo renova.

Essa seria a imagem que todos e todas deveriam contemplar em seu interior. E deveria comunicar a tanta gente perdida nesse mundo por lhe faltar alguém que console na tristeza e lhe devolva a serenidade nos momentos amargos.

O Mestre dos mestres tantas vezes, em sua caminhada missionária, alertou a todos quantos quisessem segui-lo que não tivessem medo. O caminho, por vezes, se tornaria íngreme, o caminhar seria cansativo e desgastante. Era preciso coragem e confiança naquele que se encontrava no mesmo caminho.

A felicidade se encontra justamente nesse caminhar. Mas, apesar desse alerta, muitos desistiram e o abandonaram. Outros negaram reconhecê-lo e seguiram por outros caminhos. Outros o traíram e o condenaram. Outros juraram contra ele, o condenando à morte e morte de cruz.

A fidelidade de Deus viu-se transgredida e destruída. Mas ele não pensa em vingança, pensa em perdão e misericórdia, porque os humanos não entendem o amor divino. E isso poderia causar dificuldades, sem contar que Deus pode se aproximar da humanidade. Mas ele continua acreditar em uma convivência fiel.

O evangelista Marcos, em seus ensinamentos, mostra muito claramente as dificuldades que o Mestre estava encontrando para atender a tantos necessitados. Eram tantos que não sobrava espaço para o descanso e a alimentação. Revela o tanto que se dedicava e o tanto de desgaste por atender.

Mostra o tanto que seus seguidores deveriam aprender em esforço por acolher, atender e servir. Assim, hoje essas necessidades continuam e desafiam a generosidade dos também seguidores do Mestre dos mestres.

Mas o mundo de hoje tem maneiras diferentes de olhar as necessidades dos irmãos e das irmãs. Alegam que não sobra tempo para a caridade, não sobra tempo para a oração, não sobra tempo para a generosidade, não sobra tempo para a misericórdia. Não sobra tempo para Deus.

Entendemos que Deus terá que se contentar com as sobras de tempo. Terá que se contentar com as sobras de amor. Terá que se contar apenas com as sobras de bens a serviço da vida e da dignidade desses seres marginalizados e condenados a sobreviver com humanos e divinos.

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