Artigos e Opinião

OPINIÃO

Pedro Pedrossian Filho: "Educação no Brasil - desconstruir para constriur"

Graduado em filosofia e ex-deputado federal

Redação

09/09/2015 - 00h00
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Quando pensamos numa transformação do país, nos vem logo à cabeça que a educação é o caminho, mas de qual educação estamos falando? A escola e a universidade em tese deveria ser um ambiente pluralista. Ocorre que não é o que acontece no Brasil. Atualmente o que assistimos é um ultraje à educação, onde prevalece uma visão maniqueísta da história e  uma seleção de teorias e autores. 

Sob a orientação de Antônio Gramsci - teórico engajado na revolução socialista - a educação brasileira se tornou um verdadeiro centro de doutrinação  e propagação ideológica. Grosso modo, na concepção Leninista era preciso conquistar o poder para depois conquistar a hegemonia cultural; ao contrário, Gramsci propõe conquistar psicológica e culturalmente para depois inserir-se no poder de modo imperceptível , sem resistência e principalmente com apoio popular.

Assim, as escolas e universidades que deveriam primar pela imparcialidade e pluralidade de ideias, fomentar o debate, suscitar a reflexão crítica e apresentar diversas teorias, fazem o contrário: sorrateiramente apresentam conteúdos e autores como verdades máximas e absolutas.

Um conceito muito caro às Ciências Humanas, o relativismo, tem sido posto de lado  nos bancos das escolas e universidades;  não se sustentam na práxis pedagógica, pois, as convicções políticas e econômicas são apresentadas como verdades absolutas e inquestionáveis. Não há espaço para o contraditório, para a antítese, pois, autores críticos ou de correntes diversa, não são  estudados ou se são, o são de forma superficial e muitas vezes demonizados.

A consequência disso foi a formação de gerações das mais diversas áreas do conhecimento, que detêm apenas uma visão de mundo, com discursos e ideias pré-estabelecidas, cujo objetivo é um projeto ideológico de poder.

É nesse cenário que muitos profissionais brasileiros foram e são formados e por que não dizer, doutrinados numa ideologia? São jornalistas, professores, cineastas, psicólogos, biólogos, advogados, dentre tantas outras áreas que acabam se tornando os formadores de opinião do país. É preciso que a sociedade repense o modelo educacional, é preciso questioná-lo, confrontá-lo.

A educação não deve servir a interesses de um único grupo, ela deve ser coerente com a proposta de liberdade intelectual,  em que o educador, a escola e o projeto pedagógico seja alicerçado num ambiente intelectualmente democrático, onde devem ser apresentados a tese e antítese, sem o direcionamento político-ideológico  de nenhum dos lados. Uma educação verdadeiramente democrática deve permitir que Adam Smith e Alex Tocqueville possam ser exaustivamente estudados da mesma forma como  são estudados Karl Marx e  a escola de Frankfurt. Do contrário, não podemos dizer que se trata de educação, mas de um proselitismo, em que o estudante catecúmeno entra na universidade sem nenhuma referência teórica a não ser o seu conhecimento de mundo e sai achando que aquilo que lhe foi imposto como verdade do mundo, seja de fato, uma verdade, a única verdade. 

ARTIGOS

Caminhos da vida

20/07/2024 07h30

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Se alguém quiser se propor alguma iniciativa, seja qual for a dimensão, saiba que irá enfrentar algumas exigências. Terá que saber o custo, certos objetivos, alguém que entenda de administração e tantas outras exigências.

Certamente não poderá pensar apenas em si e em seus conhecimentos, mesmo que seja alguém já experimentado na vida. Não poderá aventurar. Por mais simples que pareça ser a iniciativa sempre exigirá certos cuidados e certa prudência. Caso contrário, poderá provocar decepção e fracasso.

Nos caminhos do Espirito também haverá espaço para quem queira se aprimorar nos conhecimentos da fé, no aprofundamento da doutrina e na realização de algo que consiga sentir o quanto é bom e belo caminhar pelos caminhos da vida, o quanto seja nobre e sublime penetrar nos prazeres de poder conhecer e amar mais ao Deus criador.

Deus, na pessoa de Jesus Cristo, se apresentou a toda a humanidade com a missão de revelar seu Reino com suas leis e com seus preceitos. Veio e transmitiu tudo quanto fosse necessário cumprir a fim de conquistar o Reino da glória eterna.

Segundo o evangelista Marcos (3,30-44), chamou junto a si doze homens, denominados Apóstolos, e, os enviou dois a dois a pregarem o Novo Reino. Eles foram e cumpriram a ordem dada. Finalizada a  missão, retornaram alegres e satisfeitos. Cansados, mas contentes.

Nessa hora, o Mestre, ungido do Pai, os convida a se retirarem com ele para descansarem e realizarem a revisão da missão. Momento rico em amor e em comunhão de alegrias e de partilhas. Chamados ao aprofundamento e comunhão da fé.

Assim deveria acontecer conosco. Seria maravilhoso se, no dia a dia de nossas atividades, encontrássemos tempo para um retiro. Reservar um dia para recolher, cultivar o amor à leitura bíblica acompanhada da meditação e contemplação.

Parece existirem pessoas que tenham medo de Deus. Tenham medo de se retirar e conversar com ele, ouvir algo que queira dizer, confidenciar e partilhar, na simplicidade e na confiança algo guardado no íntimo.

Jamais ter medo de Deus. Jamais duvidar de sua bondade. Jamais querer esconder sua fé, suas atitudes de manifestar de expressar suas devoções e suas práticas devocionais. Afinal, somos filhos e filhas que fazem parte da grande e honrada família de Deus. Nada de esconder. Nada de medo.

Como família, precisaremos cultivar os valores familiares. Como participantes dos privilégios específicos de uma família honrada, nada teremos a esconder. Tudo deverá se manifestar através de atitudes que, orgulhosamente, poderá ser publicado para o bem de tantos que andam vagando pelos caminhos da vida, buscando algo seguro nessas suas busca.

Então poderemos nos consolar. Pois teremos a segurança de estar no lugar certo, com a proteção necessária. Então veremos o quanto seja maravilhoso viver com segurança alimentando a certeza de que o caminho é o mesmo que  nossos pais  escolheram e, através dele, chegaram à terra prometida.

Houve barreiras a transpor, inimigos a derrotar. Mas a fé tudo superou, tudo derrubou e o canto de ação de graças triunfou.

ARTIGOS

O exercício legal do Jornalismo em revista

13/07/2024 07h30

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PAULINO FERNANDES DE LIMA
Defensor público e professor 

Após a contestável Decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), proferida em 2009, no Recurso Extraordinário nº 511.961, que dispensou a exigência do diploma de Jornalismo como requisito para o exercício legal da profissão, o assunto voltou à tona nos últimos meses, após o Requerimento nº 3907/2023, de autoria do Deputado Amaro Neto (Republicanos/ES), ter sido apresentado para a apreciação da Proposta de Emenda à Constituição nº 206/2012.

Em síntese, a PEC visa acrescer à redação do Artigo 212 da Constituição federal, novos parágrafos, de números 7 e 8.

Apesar de já terem se passado mais de 15 anos da Decisão, e consequentemente ela ter produzido efeitos nesse ao longo temporal, a retomada dessa discussão foi deflagrada em oportuno momento, considerando o preocupante tempo de eleições, sufragadas sob incontida proliferação de “fake news”.

Essa tem sido, inclusive, uma das razões defendidas pelos órgãos e instituições de defesa dos direitos da categoria jornalística, embora subsistam outros motivos para que a PEC seja retomada, a exemplo da indispensável legitimidade para o exercício do mister de uma profissão técnica que, como tal, não poderia nunca ter sido banalizada.

Assim como qualquer outro ramo ou atividade que requeira habilitação técnica ou científica, a formação na área de conhecimento é condição sine qua non (sem a qual), para a legitimação da profissão, principalmente na área de comunicação social, em que as exigências para a credibilidade e confiabilidade são indispensáveis.

Embora vivamos em outros tempos, em que a tecnologia avançou medonhamente, a ponto de desbancar um sem número de atividades laborais, não se pode conceber que qualquer um se arvore ao direito de exercer a atividade, a qual exige mais do que meramente a utilização da liberdade de expressão.

Ao se pautar uma matéria tão cara à formação de opinião e, consequentemente, ao pleno exercício da cidadania, o Legislativo dará sinais de recompensa às perdas que a sociedade tivera, quando o STF entendeu que a obrigatoriedade de um diploma feriria a liberdade de profissão, de informação ou de expressão.

Considerando que nenhum direito ou garantia fundamental é absoluto, já que deve ser sopesado com os demais direitos, a fim de se solucionar eventual conflito, o consagrado direito à informação também deve ser relativizado, quando em confronto com outros acentuados valores que a própria Constituição federal elegeu.

Esse direito, portanto, embora se revista como fundamental, não pode prescindir de requisitos para seu pleno e legítimo exercício, sob pena de se retirar a própria validade e força normativa que possui.

Colhendo-se das magistrais lições do saudoso jurista Paulo Bonavides, tem-se que o direito à informação integra o elenco dos direitos de Quarta geração ou dimensão, assim como a democracia e o pluralismo, nascidos com a globalização política que eclodiu no Século passado.

Como tal, para o legítimo uso desse direito, a duras penas conquistado, devem ser observadas outras questões que perpassam à inadequada argumentação de tolhimento à liberdade.

Quando o STF, portanto, foi provocado para fixar um entendimento sobre o tema, a realidade política e social era distinta da de agora, em que as palavras e expressões produzem muito mais efeitos, sejam positivos ou negativos, o que, por si só, justifica a revisão do julgado, em instância legislativa.
 

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