Artigos e Opinião

EDITORIAL

Quando o juro afasta a casa própria

Os juros altos não pressionam apenas quem precisa de crédito, também atuam na outra ponta do mercado, afastando investidores do setor imobiliário

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Os juros elevados seguem como o principal entrave ao mercado imobiliário brasileiro, sobretudo para quem depende de financiamento para conquistar a casa própria. Não é exagero dizer que, nos últimos anos, o crédito virou o maior concorrente do próprio setor.

Nesta edição, mostramos que o volume de financiamentos imobiliários em Mato Grosso do Sul caiu de forma considerável, um reflexo direto de uma política monetária restritiva que, embora tenha seus objetivos macroeconômicos, cobra um preço alto do sonho da moradia.

Não é difícil entender o motivo da retração. Comprar um imóvel financiado ficou significativamente mais caro com juros na casa dos 15% ao ano.

Em operações desse tipo, dependendo do prazo contratado, o comprador pode acabar desembolsando, ao longo de décadas, um valor que supera em até três vezes o preço original do imóvel. Trata-se de uma equação que afasta famílias, especialmente da classe média, e empurra muitos para o aluguel indefinidamente, adiando – ou até sepultando – o projeto da casa própria.

Mas os juros altos não pressionam apenas quem precisa de crédito. Eles também atuam na outra ponta do mercado, afastando investidores do setor imobiliário.

Para quem já tem um imóvel e dispõe de capital para investir, a conta é simples: pode ser mais confortável, líquido e até mais rentável deixar o dinheiro aplicado em produtos como o Tesouro Direto ou outras aplicações financeiras do que imobilizá-lo em um bem que exige manutenção e pagamento de impostos e cuja valorização nem sempre acompanha o custo de oportunidade.

Assim, o capital que poderia impulsionar novos empreendimentos acaba estacionado no sistema financeiro.

Nesse cenário, os financiamentos com juros subsidiados surgem como uma alternativa possível, mas ainda longe do ideal. Mesmo essas linhas, voltadas a faixas específicas da população, tornaram-se mais caras e restritivas.

O resultado é um mercado travado, com menos lançamentos, menor circulação de recursos e impacto direto sobre a cadeia produtiva da construção civil, um dos setores que mais geram emprego e renda no País.

É evidente que o Brasil precisa encontrar uma equação mais equilibrada para o acesso à moradia. Garantir estabilidade econômica é fundamental, mas isso não pode significar a asfixia de setores estratégicos.

Um ambiente de crédito mais saudável, com juros compatíveis com a realidade da população, não apenas facilitaria o acesso aos imóveis, como também estimularia investimentos, aqueceria a economia e promoveria crescimento sustentável.

Moradia não é apenas um bem de consumo: é política social, desenvolvimento e futuro.

ARTIGOS

Por que a razão humana segue sendo o principal ativo competitivo?

Embora exista temor de substituição massiva de trabalhadores, a automação ainda não corroeu significativamente a demanda por trabalho cognitivo em toda a economia

14/02/2026 07h45

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Dados do Banco Mundial mostram que pela primeira vez na história mais pessoas têm mais de 60 anos do que menos de 15 em diversas partes do mundo, incluindo o Brasil. Essa mudança demográfica altera profundamente a composição da força de trabalho, elevando o valor de habilidades que só humanos possuem.

Paralelamente, a inteligência artificial (IA) deixou de ser um conceito distante. Desde o lançamento do ChatGPT, há mais de dois anos, ferramentas de IA têm transformado como empresas criam produtos, interagem com clientes e tomam decisões estratégicas.

Um estudo de pesquisadores da Yale University e do The Brookings Institution concluiu que, embora exista temor de substituição massiva de trabalhadores, a automação ainda não corroeu significativamente a demanda por trabalho cognitivo em toda a economia.

Então, como conectar essas duas grandes forças, longevidade da população e adoção acelerada de IA, ao futuro do trabalho?

A IA é extraordinária em automatizar tarefas repetitivas e gerar eficiência em escala. Porém, seu valor é amplificado quando aplicada em parceria com pessoas que pensam criticamente, traduzem problemas complexos em soluções e constroem conexões humanas autênticas, algo que algoritmos, por mais avançados, ainda não replicam.

Segundo o Deloitte Global Human Capital Trends, as organizações de maior desempenho estão investindo em capacidade de adaptação humana, pensamento crítico e habilidades sociais justamente para integrar equipes híbridas de humanos e IA.

Isso significa que o diferencial competitivo não é quem tem mais tecnologia, mas quem consegue extrair significado dela aplicando discernimento, experiência e visão estratégica.

O envelhecimento populacional não é um problema, é uma oportunidade estratégica. Trabalhadores mais experientes trazem melhor capacidade de julgamento, visão sistêmica, gestão de complexidade e inteligência relacional. Essas habilidades são críticas em um mundo no qual a IA já está assumindo tarefas operacionais.

Além disso, pessoas mais velhas, com bagagem profissional consolidada, são menos propensas a ser substituídas por ferramentas automatizadas porque trabalham em níveis de abstração mais altos, envolvendo nuances de contexto que a tecnologia ainda não domina.

O mercado já está sinalizando quais papéis serão mais valorizados: especialistas que criam diretrizes éticas e de uso responsável de IA, líderes que alinham tecnologia a propósito organizacional, facilitadores que traduzem dados em decisões humanas, designers que desenham experiências colaborativas entre humanos e máquinas e curadores de conhecimento que mantêm a inteligência atualizada e contextualizada.

Esses perfis, identificados em estudos de tendências de futuro do trabalho, não trocam pensamento por automação, eles elevam a automação à inteligência estratégica.

A equação humana + IA é a que cria valor sustentável. A principal tendência para os próximos anos não é a IA substituindo pessoas, nem um retorno ao trabalho exclusivamente humano. É a colaboração entre ambos, a IA acelera a execução, e os humanos comandam significado.

Empresas que perceberem essa dupla lógica, tecnológica e humana, estarão não apenas mais competitivas, mas mais resilientes frente às mudanças demográficas e de mercado.

Em um mundo que muda rápido, a pergunta que líderes e profissionais devem fazer não é “O que a inteligência artificial vai fazer por mim?”, mas “Como eu uso a inteligência artificial para expandir aquilo que só eu posso oferecer: pensamento crítico, criatividade e julgamento ético?”

Essa é a pergunta que determina quem prosperará no futuro do trabalho.

ARTIGOS

Rotulação de classes e prejulgamentos. A quem interessa?

Ninguém mais suporta ser vilipendiado, ser feito de trouxa e os ofensores além de acharem que têm razão ainda se dizem no direito de serem a moral em pessoa

14/02/2026 07h30

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As pessoas deixaram de reclamar apenas por direitos, mas pedem por justiça, porque o óbvio já vem sendo aviltado.

Ninguém mais suporta ser vilipendiado, ser feito de trouxa e os ofensores além de acharem que têm razão ainda se dizem no direito de serem a moral em pessoa.

Cada dia mais as pessoas criam caricaturas e personagens, como verdadeiros camaleões e os piores são aqueles que se dizem senhores e senhoras da razão e da moral, mas que quando a máscara cai percebe-se o verdadeiro ser insignificante que o é.

É verdade, a hipocrisia tomou conta e nós perdemos a vergonha na cara de acharmos bonito sermos massa de manobra.

Ideologias até podem mover o mundo, mas senso de justiça comum e responsabilidade mútua são muito maiores.

Pela história da humanidade, no começo o normal era prender pessoas pobres, depois passaram a criminalizar o empresariado, logo em seguida a massacrar e colocar na cadeia a classe política e agora colocaram na berlinda o judiciário como forma do pensamento Nietzschiano de se dizerem além do bem e do mal.

Tem uma fábula atribuída a Nietzsche que conta a história da borboleta e da barata.

Se você mata uma barata você é bom, mas se você matar uma borboleta você mau.

A moral da história é que os nossos julgamentos são baseados em critérios estéticos e vai mais além: quem é que está dizendo quem é bonito e quem é feio?

Quem está criando o padrão estético?

Quem está dizendo quem é do bem e quem é do mau?

Quais são os interesses de quem assim o faz?

Generalizar a criminalização de uma classe, grupo ou determinadas pessoas nunca vem desacompanhada de interesses pessoais, sejam eles escusos ou lícitos, mas sempre vem acompanhada de interesses pessoais, que sempre querem dizer que estão acima do bem e do mal, porque definem os padrões estéticos manobrando a opinião pública a seu favor.

O filme que se passa nada mais é do que o mesmo cenário, com os mesmos diretores e roteiristas, mas com personagens que apenas são cíclicos.

Os espectadores, ou a massa de manobra, que, de tempos em tempos, oscilam de acordo com a condição econômica, sustentam a perspectiva quase indolente de quem ditam as regras.

Realmente, sem percebermos, mas já vivendo em pleno século 21, estamos aplaudindo que não devemos apenas sobreviver, mas que conceitos antigos de moral devem ser rompidos e obrigatoriamente devemos expandir no nosso campo de poder, independente de conceitos dados por Deus, que por vezes chamamos de leis, como já alertava Friedrich Nietzsche.

Oras, de que adianta ter a lei da garantia de um processo que permite a ampla e irrestrita defesa, com leis constitucionais, se a condenação já está anunciada e aplaudida pela opinião pública? Que então prenda todo mundo conforme os padrões estéticos.

Afinal, se está na internet, então é verdade.

Quando se estigmatiza uma classe inteira ao identificar pobres, empresários, políticos e agora magistrados como bandidos querendo fazer uma identificação de padrão estético de quem é bom e de quem é mau, isso é péssimo, porque além de rotular injustamente os honestos (que são a grande maioria), cria-se uma barreira psicológica de medo entre todos, gerando um (in)consciente coletivo de apartheid social chamado “eles e nós” causando prejulgamentos, medo, ódio entre as classes, desconfiança entre pares, presunção de culpa e muita injustiça.

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