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Beira-Mar tramou sequestro de filho de Lula

Beira-Mar tramou sequestro de filho de Lula

folha online

04/01/2011 - 11h35
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Uma investigação da Polícia Federal revela detalhes de como o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, planejou, de dentro do presídio federal de segurança máxima de Campo Grande (MS), o sequestro de Luís Cláudio Lula da Silva, um dos filhos do ex-presidente Lula.

Discutido entre dezembro de 2007 e agosto de 2008, o sequestro foi evitado pela PF, mas os supostos envolvidos, incluindo Beira-Mar, respondem a uma ação penal na Justiça Federal em Mato Grosso do Sul sob acusação de formação de quadrilha em razão da tentativa.

As investigações da PF em 2008 indicam que o traficante pretendia negociar sua liberdade e a de outros presos --entre eles Marcos Hebas Camacho, o Marcola, chefe da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), de São Paulo-- em troca da soltura do filho de Lula.

Beira-Mar estaria contrariado com a prisão de sua ex-mulher, em 2007, e com a segurança no presídio.

A trama começou a ser investigada a partir de denúncia do traficante colombiano Juan Carlos Abadia, em janeiro de 2008.

Na época, Abadia estava no presídio de Campo Grande, assim como Beira-Mar.

O traficante colombiano revelou o plano de sequestro à direção da penitenciária. Contou que Beira-Mar já tinha cerca de 200 fotos da rotina de Luís Cláudio. Abadia foi submetido e aprovado no teste conhecido como detector de mentiras.

O colombiano, segundo a polícia, decidiu delatar o antigo companheiro de presídio para negociar a transferência de sua mulher, presa em São Paulo, para outra instituição no mesmo Estado.

A transferência, segundo diz a investigação, não se concretizou. O colombiano então parou de passar informações. Em 2008, foi extraditado para os EUA.

Financiamento

As investigações da PF afirmam que o próprio Abadia financiaria o sequestro junto com Beira-Mar. Este, de acordo com o colombiano, gastaria US$ 500 mil para executar o plano.

Após a denúncia de Abadia, um policial federal se infiltrou no esquema fazendo-se passar por um representante do colombiano.

No dia 11 de julho de 2008, esse policial conversou e gravou um diálogo com um emissário de fora do presídio a serviço de Beira-Mar.

"Quem te mandou foi o próprio Beira-Mar?", pergunta o policial disfarçado.

"Ele mesmo", responde Leandro de Oliveira, o contato de Beira-Mar.

"Ele falou para eu levar 350.000 e...", disse o policial.

"Lá no Rio vão te levar até o braço direito dele, do Beira-Mar. E o convidado [o sequestrado] vai ser o preparador físico do Palmeiras [Luís Cláudio, então auxiliar de preparação física do clube de futebol]", responde Leandro.

Relatório da PF do Rio de Janeiro, de 2008, aponta que a definição do alvo está embasada no "constrangimento a ser causado ao presidente da República diante da ciência de que a decisão pela libertação [dos presos] será política; e a facilidade de execução do plano fundada na qualidade/quantidade de segurança do alvo".

O policial infiltrado também se encontrou com o advogado Vladimir Búlgaro, que defende o assaltante de banco José Reinaldo Girotti. Também preso em Campo Grande, ele confirmou o plano para a direção do presídio.

 

 

Cidades

Criança de 2 anos é resgatada pela PRF andando sozinha às margens da BR-060

Pai procurava pelo filho nos arredores da fazenda da família; criança foi entregue em segurança

20/06/2024 10h15

Bruno Henrique/Arquivo Correio do Estado

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A Polícia Rodoviária Federal (PRF) resgatou uma criança de 2 anos que andava sozinha na BR-060, em Sidrolândia, município 70 km distante de Campo Grande.

Segundo a PRF, um homem se apresentou na Unidade Operacional relatando ter visto a criança sozinha, caminhando às margens da rodovia. Os agentes saíram então em busca da criança, que foi prontamente resgatada.

Todos os cuidados foram tomados, e o Conselho Tutelar e a Polícia Civil de Sidrolândia informados.

A equipe decidiu retornar então ao local onde a criança foi encontrada, levando-a na viatura. Durante a ronda na região, em uma estrada vicinal, um homem avistou a viatura e foi correndo ao encontro dela para informar os policiais sobre o desaparecimento do filho.

"Ao descobrir que a criança estava na viatura, o pai ficou emocionado e abraçou o filho", diz nota da PRF.

Os policiais acompanharam o homem, com o filho, até a fazenda onde ele morava com a esposa. No local, uma equipe do Corpo de Bombeiros aguardava. Mãe e filho foram encaminhados para a realização de exames.

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MEIO AMBIENTE

Incêndios no Pantanal podem ultrapassar recorde de 2020

Projeção feita pelo Lasa/UFRJ mostra que há chance de área devastada neste ano se igular ou ser superior a 3,6 milhões de hectares, valor recorde do bioma

20/06/2024 09h45

Bombeiros atuam para apagar incêndios em várias regiões do Pantanal de Mato Grosso do Sul

Bombeiros atuam para apagar incêndios em várias regiões do Pantanal de Mato Grosso do Sul Foto: Divulgação / Corpo de bombeiros

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Modelo apresentado pelo Laboratório de Aplicação de Satélites Ambientais (Lasa), do departamento de meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em reunião com membros do governo do Estado e governo federal, mostra que vários fatores podem colaborar para que o Pantanal tenha neste ano uma área afetada pelos incêndios igual ou superior a que foi devastada em 2020, de 3,6 milhões de hectares.

Os incêndios no Pantanal de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso este ano já ultrapassaram o dobro de área afetada em comparação com os seis primeiros meses de 2020. Até a última segunda-feira (17) haviam  sido consumidos pelo fogo 502.650 hectares, valor 101,7% superior a do mesmo período do ano recorde, quando foram 249.125 hectares.

O alerta foi apresentado na terça-feira ao Secretário Extraordinário de Controle de Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do Ministério do Meio Ambiente (MMA), André Lima, ao titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) Jaime Verruck, ao secretário-executivo da Pasta de MS, Artur Falcette, e aos outros membros da Centro Integrado de Prevenção e Combate do Estado.

De acordo com Falcette, os modelos foram construídos através de dados meteorológicos e acúmulo de matéria seca no bioma e também leva em conta uma possível inércia do poder público, o que não deve acontecer.

“Esses modelos apresentam alguns cenários de possibilidades, e o pior deles, levando como referência o ano de 2020, que é o pior de todos, e contando que este ano a gente tem condiçoes de seca piores que naquele ano, mostra que a gente pode ter uma iguldade ou superioridade de área queimada em relação a 2020”, explica o secretário-executivo.

“Mas esses modelos eles não olham para as a estrutura atual e para o avanço do uso da tecnologia, nem  para o número de homens empregados, nisso todo houve grandes avanços, então, se a gente não fizer nada,  pode ser pior. Então nós discutimos nessa reunião o tamanho do desafio que temos, pensando em um plano de controle, mas não só para este ano, mas para os próximos também”, completou Falcette.

Entre as condições que fazem de 2024 um ano mais suscetível aos incêndios está a seca prolongada e a escassez hídrica na bacia do Rio Paraguai, decretada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

“Apesar de termos evoluído bastante em investimentos, temos alguns pontos de dificuldade diferentes de 2020. Estamos vindo de uma seca prolongada, são mais de 30 dias sem chuvas na região, o nível dos recursos hídricos estão muito baixos, o Rio Paraguai tem o nível mais baixo da última década e isso dificulta até chegar de barco em alguns pontos onde há queimadas”, contou o secretário-executivo. 

Até a captaçaõ de água com o avião Air Tractor do governo do Estado, em alguns pontos do rio, está impossibilitado pelo baixo nível de navegabilidade do Paraguai.

PONTOS POSITIVOS

Após os incêndios de 2020, que consumiram 3.632.675 hectares no Pantanal, valor recorde até hoje no bioma, o governo do Estado tomou diversas medidas para tentar evitar que novas situações como essa fossem registradas.

Além do aumento no valor do repasse para essa finalidade, a criação de 13 bases do Corpo de Bombeiros no inteiror do Pantanal tem surtido efeito, conforme o secretário-executivo da Semadesc.

“O plano do Corpo de Bombeiros está em prática e as 13 bases avançadas estão em operação e identificamos que em nenhuma das localidades onde estão essas bases houve foco de incêndio”, relatou Falcette.
Com o avanço das queimadas no bioma, que segundo o Secretário Extraordinário de Controle de Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do MMA, André Lima, são em sua maioria causadas por ação humana, o governo do Estado pediu colaboração tanto do governo federal, como de outros atores que possam colaborar com as forças empregadas no momento.

“Já fizemos o pedido de ajuda ao governo federal e aguardamos a resposta, mas também ainda não chegou a ajuda do Exército e da Marinha, que foi solicitado ao Ministério da Defesa. Também estamos levantando quais são as necessidades para entrar em contato com outros estados”, disse Falcette, lembrando que em 2020 vários estados brasileiros ajudaram no controle das chamas.

MULTAS

Segundo o governo do Estado, desde 2020 até agora foram aplicadas 94 autos de infração feitos pelos órgãos de fiscalização ambiental do Estado por incêndios florestais considerados criminosos no Pantanal, que resultaram em R$ 53,8 milhões de multa. Cada auto representa uma área queimada, que pode compreender milhares de hectares.

O valor da multa depende da área queimada. Em 2020, quando cerca de 45 mil km² foram atingidos, 11 infrações que somaram R$ 24,2 milhões foram aplicadas. Já em 2024, até este mês de junho, são 21 autos de infração, somando R$ 10 milhões em multas, conforme a Polícia Militar Ambiental (PMA).

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