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DROGAS

Briga por rotas do tráfico fez violência aumentar na faixa de fronteira de MS

Nos quatro primeiros meses deste ano, foram registrados 87 assassinatos, ou seja, duas mortes ocorreram a cada três dias

Daiany Albuquerque

14/05/2022 09:00

A violência na faixa de fronteira entre Mato Grosso do Sul e Paraguai cresceu nos últimos anos e, segundo o delegado regional de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, Fabrício de Azevedo Carvalho, isso se deve à briga por territória das melhores rotas para o “ecoamento da produção” do tráfico de drogas.

Segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), só nos primeiros quatro meses deste ano, já ocorreram 87 crimes de homicídio doloso na faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul com Paraguai.

Isso quer dizer que a cada três dias duas pessoas foram mortas nos 12 municípios que fazem parte da linha de fronteira entre MS e Paraguai.

Já no ano passado, no mesmo período, o acumulado dos meses de janeiro, fevereiro, março e abril foram de 91 assassinatos. Os números são muito semelhantes e mostram uma estabilidade na criminalidade nesses últimos anos.

“Ali [na fronteira] são várias organizações lutando pelas rotas, domínio de território. Então, a forma que eles usam para chegar nisso é praticando esse tipo de crime, homicídio e [acontece de ferir inocentes], que chamamos de efeito colateral, que são pessoas inocentes que acabam sofrendo as consequências das ações desses criminosos”, explicou Carvalho.

Para cuidar da situação da fronteira em Mato Grosso do Sul, a PF do Estado criou unidade responsável para trabalhar só em facção criminosa.

“A Polícia Federal está atenta à atuação dessas organizações criminosas no Paraguai. Nós temos investigações relacionadas a atuações de organizações criminosas, e não estamos alheios à atuação delas no país vizinho”, completou o delegado.

Este ano, Coronel Sapucaia foi a cidade com o maior número de assassinatos na faixa de fronteira com o Paraguai, foram oito no primeiro quadrimestre, dois por mês para uma cidade com apenas 15.449 habitantes, segundo estimativa de 2021 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A segunda cidade mais perigosa no ano foi Ponta Porã, com seis homicídios dolosos nos quatro primeiros meses de 2022. O número, porém, é metade do acumulado do ano passado, no mesmo período, quando foram 13 ocorrências.

“Essas organizações se degladiam em busca de dominar território e conquistar as rotas do narcotráfico. Realmente, houve uma intensificação dos atos violentos na região de fronteira, mas diria que proporcionada por essa briga de territórios”, afirma Carvalho.