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PANDEMIA

Capital pode atingir imunidade de rebanho em 2 meses e até lá, isolamento é necessário

Medida de mitigação, pelo menos aos fins de semana, ajuda a evitar colapso de leitos
07/08/2020 06:00 - Ricardo Campos Jr


Campo Grande pode atingir a chamada “imunidade de rebanho” da Covid-19 dentro de dois meses e somente a partir disso vai ser seguro reduzir, gradativamente, as medidas restritivas adotadas para conter o avanço rápido da doença. O relaxamento precoce pode levar ao colapso no sistema de saúde, apontam cientistas. 

Essa constatação foi feita com base em um estudo desenvolvido por pesquisadores do Brasil, Portugal e Reino Unido.

Academicamente, entende-se por imunidade de rebanho o momento em que uma determinada parcela de uma cidade, estado ou país atinge porcentual de imunização necessário para que a taxa de contágio diminua. Com os infectados contaminando menos gente, os índices de casos novos tendem a reduzir gradativamente até uma situação de controle.

Normalmente, esse cenário é obtido rapidamente por meio das vacinas, mas como a Covid-19 ainda não tem imunização, é preciso aguardar o avanço normal da doença. 

Inicialmente, a comunidade científica apontava que a imunidade de rebanho do novo coronavírus poderia ser atingida com algo entre 50% e 70% de infecção entre os habitantes de uma determinada região. Porém, a pesquisa feita com base nas curvas epidemiológicas com base em dados da Bélgica, Inglaterra, Espanha e Portugal revelou um cenário diferente.

CURVAS

A coordenadora do estudo é a biomatemática portuguesa Gabriela Gomes, que atualmente integra o corpo docente da University of Strathclyde, na Escócia. Ela e os colegas observaram que indivíduos dentro de uma mesma população têm diferentes graus de suscetibilidade e de exposição ao vírus.

Existem tanto questões biológicas como sociais envolvidas. Por exemplo, há quem esteja restrito dentro de casa e more sozinho, há quem mantenha o isolamento em um ambiente lotado, há quem não esteja cumprindo medida alguma, etc. Assim, a quantidade de pessoas que cada infectado é capaz de contaminar varia.

Um webinar organizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) na última terça-feira (4) trouxe uma análise preliminar de um caso brasileiro, o Amazonas. O evento fez com que a teoria de que a imunidade de rebanho pode ser alcançada com 20% de contaminação ganhou força.

Participou do evento o infectologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) Julio Croda.