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COVID-19

Saúde de Campo Grande precisa de 4 vezes mais internações para entrar em colapso

Modelo faz simulação de cenários de crise para Campo Grande durante a pandemia
04/06/2020 18:00 - Daiany Albuquerque


 

Estudo mostra que Campo Grande precisaria ter uma média de internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) quatro vezes maior que a registrada atualmente para que haja um colapso no sistema de saúde da cidade, em função da pandemia do novo coronavírus.

O modelo foi feito pelo Grupo de pesquisa em Sistemas de Informação e Métodos de Apoio à Decisão (SIMAD), que reúne professores e acadêmicos da Faculdade de Engenharias, Arquitetura e Urbanismo e Geografia (Faeng) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

De acordo com dados do documento, atualmente Campo Grande tem média diária de 6,29 pessoas internadas em UTIs, porém, para que haja uma situação complicada no sistema de saúde da cidade, o modelo indica que seriam necessários que 27 pessoas fossem internadas diariamente.

Neste cenário de colapso, após 23 dias com essa grande quantidade de internações já haveria fila de espera por um leito de UTI. E quando chegasse a 60 dias nessas condições, 19 pessoas aguardariam por uma vaga em leito intensivo.

O modelo também avaliou a situação dos leitos clínicos da Capital, que hoje tem média de internação de 14,86 pacientes por dia. Para que o cenário fosse de colapso seriam necessárias 96 internações diárias. Dessa forma, nove dias depois já haveria pessoas aguardando por um leito e em 60 dias seriam 283 pacientes à espera de uma vaga.

“Dessa forma, a utilização dos recursos após simulação de 60 dias no cenário extremo é de que 95,57% do tempo em média os leitos clínicos ficarão em uso e 87,48% do tempo os leitos de UTI ficarão em uso. Ainda neste cenário de colapso, o tempo médio de espera por um leito clínico após 60 dias, seria de 68,5 horas e por um leito de UTI seria de 16,7 horas. Vale ressaltar que os dados de internações dos pacientes não são cumulativos, uma vez que os pacientes da mesma forma que entram no sistema, também saem no decorrer dos dias”, afirma trecho do estudo.

PROJEÇÃO

Ainda de acordo com o modelo, até o dia 28 de junho a estimativa é de que 341 pessoas necessitarão de leitos clínicos. Outros 748 necessitarão de internação nessa modalidade até o dia 28 julho deste ano, em função da Covid-19. 

“Nesse contexto, espera-se que saiam 296 pacientes dessas internações em até 30 dias e 707 pacientes em até 60 dias. A taxa de ocupação média dos leitos clínicos para o período está prevista em 11,37%, sendo a ocupação máxima esperada de 18,47%. Já para os próximos 60 dias, espera-se uma ocupação média de 13,57% e 23,17% de ocupação máxima”, estima o estudo.

Já em relação aos leitos de UTI, a previsão é de que 128 pacientes serão internados até o dia 28 deste mês e 285 até o dia 28 de julho. Com isso, a taxa de ocupação média dos leitos de UTI nos primeiros 30 dias seria de 12,71%, sendo a ocupação máxima esperada de 16,58%. Os próximos 60 dias terão média de 19,74% e 30,57% de ocupação máxima.

Essa é a segunda vez que o grupo divulga esses dados neste ano. A pesquisa foi criada justamente em função da pandemia causada pela Covid-19, que tem como um dos pontos mais atingidos o sistema de saúde das cidades.

 

Felpuda


Figurinha carimbada ganhou o apelido de “biruta”, instrumento que indica direção do vento e, por isso, muda constantemente. Dizem que a boa vontade até existente ficou no passado, e as reclamações são muitas, mas muitas mesmo, diante das decisões que vem tomando a cada mudança de humor do eleitorado. Como bem escreveu o poetinha Vinicius de Moraes: “Se foi pra desfazer, por que é que fez?”.