Cidades

Arte afro-brasileira

Capoeira muda a vida de refugiados em áreas de conflito, mostra pesquisa

Capoeira muda a vida de refugiados em áreas de conflito, mostra pesquisa

Agência Brasil

14/09/2015 - 13h52
Continue lendo...

Pesquisa divulgada pela Universidade do Leste de Londres mostra que a capoeira – arte afro-brasileira que recebeu, no ano passado, o título de Patrimônio Cultural da Humanidade – tem impacto positivo sobre o estado físico e emocional de crianças e jovens refugiados. Com base em dados coletados de setembro de 2013 a maio de 2015, na Palestina e na Síria, as pesquisadoras concluíram que a capoeira, oferecida de forma contínua a crianças e adolescentes, leva à melhora do estado físico e psicológico, ao desenvolver cinco pontos-chave: estabilidade emocional, tolerância, amizade, força interior e capacidade de brincar.

“A capoeira promove a melhora do condicionamento físico e o desenvolvimento das capacidades, o que gera autoestima. Ao mesmo tempo, como outras artes marciais, exige autocontrole e disciplina. Por meio da incorporação da música e da dança, permite espaço para a criatividade e a expressão pessoal, oferecendo uma dimensão que falta em outras atividades físicas”, explica a pesquisadora Hannah Prytherch.

A pesquisadora Kathryn Kraft enfatiza que, nos casos estudados, foi possível perceber que os apelidos dados aos alunos, típicos da capoeira, bem como os laços criados entre o treinador e as crianças ajudaram a promover a identidade. “Naquele espaço elas sabiam quem eram, elas tinham esse senso de pertencimento”, conta. Outra vantagem, segundo Kathryn, é que a colaboração e a diversidade oferecidas pela capoeira facilitaram o desenvolvimento da tolerância e da aceitação do diferente.

Para a coleta dos dados foram promovidos grupos de discussão com as crianças, entrevistas com professores, treinadores, conselheiros escolares e alunos, além da análise de depoimentos escritos e postagens feitas em grupos específicos no Facebook. Os resultados levaram à elaboração do que as pesquisadoras chamaram de teoria da mudança, que tem entre os pontos-chave a ampliação da capacidade de brincar.

“A ampliação da capacidade de brincar garantiu aos alunos meios de se expressar e chances de aproveitar a infância, levando a um sentimento de felicidade, prazer e liberdade psicológica”, observa o relatório publicado pela Universidade do Leste de Londres.

Em depoimento fornecido pelas pesquisadoras, um aluno, cuja identidade não foi divulgada, afirmou que um dos principais benefícios da arte é proporcionar a felicidade. “O que mais gosto na capoeira é que, sempre que vou para a aula, eu volto para casa feliz. Eu vou para casa relaxado e continuo de bom humor. Estou sempre com o humor da capoeira, cantando as canções até eu dormir. Eu lavo as louças ouvindo as canções.”

Uma menina, que participava das aulas oferecidas exclusivamente para mulheres, declarou que a capoeira serve para extravasar a dor. “Em vez de sair e agredir uma pessoa que odiamos, jogamos capoeira. Deixamos toda a energia e a dor saírem na capoeira. Deixamos a raiva sair. Quando estamos muito preocupadas ou tensas, jogamos capoeira e relaxamos, esquecemos."

A pesquisa foi conduzida em parceria com o projeto Capoeira para Refugiados, que surgiu em 2007, em Damasco, na Síria. Aulas de capoeira são oferecidas para crianças e jovens de comunidades marcadas por conflitos e guerras. A organização sem fins lucrativos atua na Palestina, na Síria e mais recentemente na Jordânia, mas tem sede em Londres. Além de oferecer as aulas, incentiva a formação de grupos locais que possam continuar a prática de forma independente. Mais informações sobre o projeto estão disponíveis em www.bidnacapoeira.org.

Cotidiano

Fundo Amazônia recebe R$ 120 milhões em doação da União Europeia

Iniciativa contabiliza R$ 3,9 bilhões para conservação da floresta amazônica

22/07/2024 22h00

Bandeira da União Europeia

Bandeira da União Europeia ONU/ Rick Majomas

Continue Lendo...

A União Europeia anunciou nesta segunda-feira (22) uma contribuição de 20 milhões de euros (cerca de R$ 120 milhões) para o Fundo Amazônia. Agora, a iniciativa contabiliza R$ 3,9 bilhões, que serão doados a projetos que visam a conservação da floresta amazônica.
Além do bloco europeu, o fundo tem o apoio de Noruega, Alemanha, Suíça, Estados Unidos, Reino Unido, Japão e Petrobras.

A doação foi celebrada durante o 4° Fórum União Europeia - Brasil, no Rio de Janeiro. No evento, foram debatidas políticas econômicas para a chamada transição verde. Assinaram o acordo a comissária europeia para parcerias internacionais, Jutta Urpilainen, e o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloizio Mercadante.

"No ano passado, liberamos R$ 1,3 bilhão, o maior desembolso da história do Fundo Amazônia, e hoje temos R$ 3,9 bilhões em caixa para liberar. Vão ter drones, helicópteros, navios, lanchas blindadas para combater o crime organizado da Amazônia, que está por trás de boa parte do desmatamento e do garimpo ilegal", disse Mercadante.

Parte dos recursos também será destinada às comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas, para incentivar a participação na proteção da floresta.
"Esses recursos vão beneficiar 29 milhões de pessoas que vivem na Amazônia, mas sempre [em iniciativas] ligadas ao combate ao desmatamento", afirmou Mercadante.
De acordo com Urpilaine, da UE, o anúncio desta segunda é apenas o início do aprofundamento da parceria as regiões.

"Brasil e UE são parceiros com ideias semelhantes. Unimos esforços para enfrentar desafios globais como desigualdade, pobreza, mudanças climáticas e perda de biodiversidade, e apoiamos os direitos humanos e a democracia", disse Urpilainen.

Segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), os alertas de desmatamento no primeiro semestre deste ano chegaram ao menor patamar desde 2017 para a amazônia.
"Quanto mais a gente reduz o desmatamento, mais [subsídios] a gente recebe", disse Mercadante. As doações para o fundo acontecem quando há queda nas taxas de desmatamento, com base nos dados do Inpe.

O presidente do BNDES anunciou também que o banco de desenvolvimento brasileiro está prestes a receber um crédito de 300 milhões de euros do BEI (Banco Europeu de Investimento), que irá ao Senado para aprovação final.

Segundo Mercadante, o contrato entre bancos não inclui contrapartidas. O BNDES, disse, pretende usá-lo para o financiamento da indústria, transição energética, descarbonização da economia e energia limpa. "Nós temos bastante flexibilidade com esse recurso", afirmou o presidente do banco público.

Durante o fórum, Mercadante defendeu ainda a construção de um segundo fundo multilateral, via bancos de desenvolvimento, para desastres climáticos, citando as chuvas no Rio Grande do Sul.

 

*Informações da Folhapress 

Alerta

MS lidera o índice de violência contra indígenas no país

Segundo o Relatório de Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, o Estado está entre os que mais cometem violações contra os povos indígenas

22/07/2024 17h20

Divulgação Redes Sociais

Continue Lendo...

O relatório de Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, divulgado nesta segunda-feira (22), apontou que Mato Grosso do Sul é o estado com maior índice de violência contra a pessoa indígena (93) do Brasil.

As estatísticas apresentadas no relatório são referentes ao ano de 2023; o levantamento foi divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI). O levantamento apresenta seis categorias dentre elas Mato Grosso do Sul figura com dados negativos em três sendo elas:

  • Violência contra do patrimônio;
  • Violência contra a pessoa;
  • Assassinatos.

Em se tratando de assassinatos, o Estado segue na segunda posição entre os que mais matam indígenas, ficando atrás apenas de Roraima (RR).

Mantendo a linha preocupante do relatório do ano anterior, em 2023, o Estado segue na segunda posição entre os que mais matam indígenas, ficando atrás apenas de Roraima (RR).

Assassinatos de indígenas

  • Roraima com 47
  • Mato Grosso do Sul com 43
  • Amazonas com 36
Relatório CIMI

"A violência contra a pessoa se mantém não só elevada como dentro de um gráfico mais amplo que é um processo que a ONU e outras organizações vem alertando e alarmando que se trata de um processo estrutural de extermínio por conta da situação dos conflitos", explicou o coordenador do Conselho Indigenista Missionário, Matias Benno Rempel.

Relatório CIMI

 

Outro dado alarmamente coloca o Estado como segundo em incidência de violência contra o patrimônio (190), em segundo lugar está Roraima (71), e Amazonas (58).

Com relação ao informe do relatório que englobou números de casos de violência contra o patrimônio, em todo país, demonstrou que ocorreram 1.276 casos tendo sido divididas em três categorias:

  • Omissão e morosidade na regularização de terras, na qual foram registrados 850 casos;
  • Conflitos relativos a direitos territoriais, que teve 150 registros;
  • Invasões possessórias, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimônio, com 276 casos.

Ainda, segundo o levantamento os conflitos territorias e invasões de terras indígenas embora tenham tido uma pequena diminuição, os níves são considerados elevados. 

Em conversa com o Correio do Estado, o Coordenação do Conselho Indigenista Missionário, Matias Benno Rempel, alertou que caso seja feito um recorte estrutural do ano de 2012 até 2023, o Estado figuraria como os que mais cometem assassinatos contra povos originários.

Tensão crescente

Diante do cenário de tensão que registrou novas ocorrências durante o final de semana, mesmo com o apoio da Força Nacional, Matias Benno, destacou que o cenário conflituoso é antigo na região. 

"Douradina que acontece nesse momento um processo de conflito, é um território que desde 2011, sofre invasões territoriais ininterruptas. Com queima de casas de reza, destruição de relíquias religiosas, de casas, perseguição de membros da comunidade, destruição de hortas. São comunidades que têm essa categoria da destruição patrimonial como uma constante. Eles estão sempre reconstruindo suas vidas", apontou Rempel

Assine o Correio do Estado

 

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).