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BOLSA

Mercado não enxerga em morte de negro relevância para impactar ação do Carrefour

Na véspera do dia da Consciência Negra, homem foi espancado e morto em loja no Rio Grande do Sul
21/11/2020 13:15 - Estadão Conteúdo


A morte de um homem negro por um segurança e um policial militar em uma unidade do Carrefour em Porto Alegre, na véspera do dia da Consciência Negra, gerou forte comoção entre autoridades e figuras públicas, mas não teve impacto sobre as ações da empresa na B3. 

Mesmo com os pedidos de boicote à rede em redes sociais, as ações da varejista passaram o dia no campo positivo e fecharam em alta de 0,49%.

Especialistas dizem que o fato de o Carrefour ter sido palco de diversas situações envolvendo violência e desrespeito à cidadania nos últimos anos torna a notícia ainda mais grave. 

Em 2008, em Osasco, um cliente negro foi espancado no estacionamento do supermercado Extra porque seguranças acharam que ele estava roubando o seu próprio carro.

Há apenas três meses, em uma loja da marca no Recife, um homem sofreu um ataque cardíaco, morreu e a loja continuou funcionando normalmente até a chegada da perícia. 

O corpo foi coberto por guarda-sóis abertos. Outro caso emblemático foi o da morte, também por um segurança, de uma cadela vira-lata ocorrida em uma loja de Osasco, na Grande São Paulo, em novembro de 2018.

O caso de maus tratos a um animal causou forte reação da opinião pública, e o Carrefour teve de mudar sua postura. "O assunto se tornou fundamental na agenda após o triste episódio que envolveu o cãozinho Manchinha, ocorrido na loja de Osasco, no fim de 2018", disse a varejista em seu relatório de sustentabilidade, um relato de práticas sociais, ambientais e de governança que as empresas abertas divulgam anualmente.

Hoje, a rede de supermercados afirmou que fará neste sábado, 21, um reforço nas orientações aos funcionários sobre suas normas de conduta. Também destinará as vendas de hoje a projetos antirracismo. Entretanto, ainda não sinalizou com ações mais duradouras.

Segundo Fabio Alperowitch, gestor de portfólio da FAMA Investimentos, especializada em investimentos ESG, o episódio reforça que as empresas ainda são reativas neste campo. 

Em outros termos, só mudam práticas após eventos negativos de forte repercussão. "As empresas não estão fazendo porque é ético e moral, mas sim porque é ruim não fazer", diz. 

Para ele, o mercado ainda cobra pouco. "Fica visível que a incorporação do discurso aconteceu, mas a prática (do ESG) está longe."

O segurança que espancou João Alberto Silveira Freitas na noite de quinta, 19, era funcionário de uma empresa terceirizada. Isso cria uma zona cinzenta sobre a responsabilidade que a Justiça atribuirá à varejista, e reduz o impacto da notícia sobre as ações. "Como a questão cai no campo jurídico, não há uma reação imediata porque o funcionário era terceirizado", afirma Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos.

No início de 2019, um segurança de uma loja da bandeira Extra, do GPA, no Rio de Janeiro, sufocou um homem negro ao imobilizá-lo com uma 'gravata'. O segurança foi denunciado por homicídio doloso, quando há a intenção de matar. Ele também era terceirizado.

No entanto, mesmo que a Justiça não responsabilize o Carrefour, a visão é de que a rede precisa mostrar que seus prestadores de serviço não estão autorizados a agir em contrariedade a seus princípios. 

"Este é o segundo caso envolvendo segurança de lojas A companhia, dado o porte, deveria fazer um trabalho melhor de treinamento", diz Daniela Bretthauer, analista do setor na casa de análises Eleven Financial.
 

 
 

Felpuda


Racha em entidade religiosa teve péssimas consequências eleitorais na disputa por vagas na Câmara Municipal de Campo Grande.

O quiproquó, também, digamos, com nuance familiar, provocou estragos da-que-les.

Aí, como consequências, fez com que quem está não conseguisse votos suficientes para permanecer em 2021-2024 e quem estava fora tentando retornar ficasse à beira do caminho. 

Como se vê...