Cidades

Fé e Solidariedade

Casal enfrenta as noites vendendo bombons para recuperar usuários de drogas

Há anos, Aníbal e Iara trabalham na recuperação de dependentes químicos

VÂNYA SANTOS

26/09/2015 - 07h00
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Ele tem 81 anos. Ela, 55. Casados há 17 anos, Aníbal Estevam e Iara Regina Estevam recebem pensão dos filhos e não precisariam vender bombons nos bares de Campo Grande, aos finais de semana, até de madrugada, se não fosse o desejo latente de ajudar a livrar pessoas do vício das drogas.

Aníbal se dedica à recuperação de dependentes químicos desde 1978, quando deu início ao projeto chamado Desafio Jovem. Junto com outros voluntários, ele oferecia os serviços de prevenção, internação, tratamento e ressocialização. Em 1981, por falta de recursos, o Desafio Jovem fechou e deu lugar ao Centro de Recuperação Esperança, que em 2014 passou a se chamar Instituto do Desenvolvimento Humano Pastor Aníbal Estevam.

Funcionando com recursos próprios, desde 2013 a instituição não oferece internação a usuários de drogas. Diante da crise financeira, apenas projetos socais, prevenção, triagem, acolhimento e encaminhamento para tratamento funciona no espaço, instalado na Rua Romeu Alves Camargo, número 73, Bairro Tiradentes, em Campo Grande.

A dificuldade econômica fez com que a administração do Instituto passasse para as mãos do pastor Adonias Souza Junior, presidente da Associação das Igrejas Batistas. Todavia, a direção continua sob o comando de Aníbal e Iara. Aos poucos, a nova administração surte efeito, já que o setor de internação passa por reforma para voltar a operar em breve.

Desde 1978 Aníbal se dedica a ações voltadas à recuperação de usuários de droga

O projeto conta com assistente social e psicólogo, ambos voluntários. Já a Igreja Batista ajuda com cestas básicas. “O trabalho é singelo, mas vai ampliar”, garantiu Iara, explicando que acolhe moradores de rua e os mantém longe das drogas. Hoje, tudo é custeado com dinheiro que o casal consegue vendendo bombons e amendoins nos bares da região central, nas noites e madrugadas dos feriados e finais de semana.

BOMBONS
Iara explica que a fabricação dos bombons vendidos na noite campo-grandense tem fabricação caseira. “Eu e meu marido compramos o material, fabricamos os bombons e vendemos nas ruas para manter as contas de água e luz do espaço, e a alimentação das pessoas que a gente ajuda. Vamos todos os finais de semana em barzinhos. Tem dia que a venda é boa e tem dia que não, depende do dia do mês e do clima”, explicou.

Os dois saem de casa às 21h e só retornam por volta de 2h do dia seguinte. Com relação aos bombons, Iara não perde a chance de fazer propaganda, a alma do negócio: “são feitos com material da melhor qualidade, comprados por mim e meu esposo”.

Sobre o lucro das vendas, ela admite: “a instituição precisa de investimento de no mínimo R$ 500 mil e isso nós não conseguimos vendendo bombom”, lamentou.

Segundo Iara, as vezes a venda é boa e as vezes não, depende do dia do mês e do clima

SOLIDARIEDADE

Iara explicou que tanto seu filho quanto os filhos de Aníbal estão bem encaminhados na vida, uns são médicos, outro advogado. “Agora, somos só nós dois e o mínimo que a gente pode fazer é alguma coisa em prol do próximo. Se não fizermos, nos sentiremos inútil. Queremos dar esperança de as pessoas viverem, de chegarem na nossa idade, de ter filhos, serem avós e terem essa graça”.

São anos de dedicação a recuperação de dependentes químicos. Aníbal, por exemplo, abriu um centro de recuperação em 1988, na Bolívia. A Arca de Noé, que funciona até hoje e lhe rendeu uma bela homenagem em 2010, é dirigido por uma pessoa se que livrou das drogas em Campo Grande, com ajuda de Aníbal.

Aníbal abriu o Centro de Recuperação Arca de Noé, na Bolívia, onde foi homenageado

“O ser humano nasceu para desenvolver algo em prol dos demais e esse é o sentido da vida. Exatamente o que aconteceu comigo, que recebi o chamado de Deus para fazer esse trabalho. Não faço nada achando que é bonito ou para fazer nome. Eu faço porque as almas que estão no vício precisam receber ajuda de alguém e esse alguém, para ajudar, tem que receber o chamado de Deus porque não é um trabalho terapêutico ou médico, é espiritual”, explicou Aníbal.

Ele disse ainda que quando vende os bombons têm liberdade para orientar as pessoas que querem ouvir alguma coisa sobre sua experiência de 81 anos. “Eu conto aquilo que a gente já fez e oriento essas pessoas. Ainda tenho um trabalho para realizar quando o centro estiver em condições, devido a grande necessidade daqueles que têm problemas com droga. Tenho uma visão muito grande, de um trabalho maior, que ninguém faz”, revelou.

Aníbal conta que ao vender bombons sempre orienta as pessoas e conta sobre suas experiências

Aníbal contou que recentemente recebeu a visita de uma mulher casada, que lhe apresentou o marido, o abraçou, beijou e agradeceu. Ela foi recuperada em 1982. A garota rippie e outras duas colegas foram encaminhadas por um juiz para tratamento porque quase morreram em uma noite de uso excessivo de cocaína.

“Recebemos muitas cartas de recuperados e tenho essa felicidade de ouvir as pessoas falando daquilo que aconteceu, esse é o nosso prazer. Não olhamos a situação financeira, que é difícil e não queremos receber confetes, mas fazer alguma coisa em prol de quem está sofrendo. É do interesse de Deus que todos sejam felizes e eu sou muito feliz assim”, garantiu Aníbal.

AJUDA

O projeto comandado por Aníbal e Iara, à época em que recebia recurso suficiente para se manter, atendia em média 300 dependentes por mês, em regime de internato. Hoje, a falta de dinheiro limitou o atendimento mensal a cerca de 30 pessoas.

Interessados em contribuir com o trabalho do casal pode entrar em contato com os dois meio do telefone (67) 9100-6431 ou na Associação das Igrejas Batistas no número (67) 3373-1775.

Cotidiano

Fundo Amazônia recebe R$ 120 milhões em doação da União Europeia

Iniciativa contabiliza R$ 3,9 bilhões para conservação da floresta amazônica

22/07/2024 22h00

Bandeira da União Europeia

Bandeira da União Europeia ONU/ Rick Majomas

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A União Europeia anunciou nesta segunda-feira (22) uma contribuição de 20 milhões de euros (cerca de R$ 120 milhões) para o Fundo Amazônia. Agora, a iniciativa contabiliza R$ 3,9 bilhões, que serão doados a projetos que visam a conservação da floresta amazônica.
Além do bloco europeu, o fundo tem o apoio de Noruega, Alemanha, Suíça, Estados Unidos, Reino Unido, Japão e Petrobras.

A doação foi celebrada durante o 4° Fórum União Europeia - Brasil, no Rio de Janeiro. No evento, foram debatidas políticas econômicas para a chamada transição verde. Assinaram o acordo a comissária europeia para parcerias internacionais, Jutta Urpilainen, e o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloizio Mercadante.

"No ano passado, liberamos R$ 1,3 bilhão, o maior desembolso da história do Fundo Amazônia, e hoje temos R$ 3,9 bilhões em caixa para liberar. Vão ter drones, helicópteros, navios, lanchas blindadas para combater o crime organizado da Amazônia, que está por trás de boa parte do desmatamento e do garimpo ilegal", disse Mercadante.

Parte dos recursos também será destinada às comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas, para incentivar a participação na proteção da floresta.
"Esses recursos vão beneficiar 29 milhões de pessoas que vivem na Amazônia, mas sempre [em iniciativas] ligadas ao combate ao desmatamento", afirmou Mercadante.
De acordo com Urpilaine, da UE, o anúncio desta segunda é apenas o início do aprofundamento da parceria as regiões.

"Brasil e UE são parceiros com ideias semelhantes. Unimos esforços para enfrentar desafios globais como desigualdade, pobreza, mudanças climáticas e perda de biodiversidade, e apoiamos os direitos humanos e a democracia", disse Urpilainen.

Segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), os alertas de desmatamento no primeiro semestre deste ano chegaram ao menor patamar desde 2017 para a amazônia.
"Quanto mais a gente reduz o desmatamento, mais [subsídios] a gente recebe", disse Mercadante. As doações para o fundo acontecem quando há queda nas taxas de desmatamento, com base nos dados do Inpe.

O presidente do BNDES anunciou também que o banco de desenvolvimento brasileiro está prestes a receber um crédito de 300 milhões de euros do BEI (Banco Europeu de Investimento), que irá ao Senado para aprovação final.

Segundo Mercadante, o contrato entre bancos não inclui contrapartidas. O BNDES, disse, pretende usá-lo para o financiamento da indústria, transição energética, descarbonização da economia e energia limpa. "Nós temos bastante flexibilidade com esse recurso", afirmou o presidente do banco público.

Durante o fórum, Mercadante defendeu ainda a construção de um segundo fundo multilateral, via bancos de desenvolvimento, para desastres climáticos, citando as chuvas no Rio Grande do Sul.

 

*Informações da Folhapress 

Alerta

MS lidera o índice de violência contra indígenas no país

Segundo o Relatório de Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, o Estado está entre os que mais cometem violações contra os povos indígenas

22/07/2024 17h20

Divulgação Redes Sociais

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O relatório de Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, divulgado nesta segunda-feira (22), apontou que Mato Grosso do Sul é o estado com maior índice de violência contra a pessoa indígena (93) do Brasil.

As estatísticas apresentadas no relatório são referentes ao ano de 2023; o levantamento foi divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI). O levantamento apresenta seis categorias dentre elas Mato Grosso do Sul figura com dados negativos em três sendo elas:

  • Violência contra do patrimônio;
  • Violência contra a pessoa;
  • Assassinatos.

Em se tratando de assassinatos, o Estado segue na segunda posição entre os que mais matam indígenas, ficando atrás apenas de Roraima (RR).

Mantendo a linha preocupante do relatório do ano anterior, em 2023, o Estado segue na segunda posição entre os que mais matam indígenas, ficando atrás apenas de Roraima (RR).

Assassinatos de indígenas

  • Roraima com 47
  • Mato Grosso do Sul com 43
  • Amazonas com 36
Relatório CIMI

"A violência contra a pessoa se mantém não só elevada como dentro de um gráfico mais amplo que é um processo que a ONU e outras organizações vem alertando e alarmando que se trata de um processo estrutural de extermínio por conta da situação dos conflitos", explicou o coordenador do Conselho Indigenista Missionário, Matias Benno Rempel.

Relatório CIMI

 

Outro dado alarmamente coloca o Estado como segundo em incidência de violência contra o patrimônio (190), em segundo lugar está Roraima (71), e Amazonas (58).

Com relação ao informe do relatório que englobou números de casos de violência contra o patrimônio, em todo país, demonstrou que ocorreram 1.276 casos tendo sido divididas em três categorias:

  • Omissão e morosidade na regularização de terras, na qual foram registrados 850 casos;
  • Conflitos relativos a direitos territoriais, que teve 150 registros;
  • Invasões possessórias, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimônio, com 276 casos.

Ainda, segundo o levantamento os conflitos territorias e invasões de terras indígenas embora tenham tido uma pequena diminuição, os níves são considerados elevados. 

Em conversa com o Correio do Estado, o Coordenação do Conselho Indigenista Missionário, Matias Benno Rempel, alertou que caso seja feito um recorte estrutural do ano de 2012 até 2023, o Estado figuraria como os que mais cometem assassinatos contra povos originários.

Tensão crescente

Diante do cenário de tensão que registrou novas ocorrências durante o final de semana, mesmo com o apoio da Força Nacional, Matias Benno, destacou que o cenário conflituoso é antigo na região. 

"Douradina que acontece nesse momento um processo de conflito, é um território que desde 2011, sofre invasões territoriais ininterruptas. Com queima de casas de reza, destruição de relíquias religiosas, de casas, perseguição de membros da comunidade, destruição de hortas. São comunidades que têm essa categoria da destruição patrimonial como uma constante. Eles estão sempre reconstruindo suas vidas", apontou Rempel

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