Cidades

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Cegueira coletiva

Cegueira coletiva

Redação

14/04/2010 - 23h34
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Somos permanentemente ameaçados por uma espécie de cegueira, na qual enxergamos, mas não deciframos códigos e não fazemos “leituras” das mensagens ali escritas. Somos cegos pelo desconhecimento, ou simplesmente, porque não queremos ver. Essa cegueira nos atinge em vários momentos da vida quando, por exemplo, nos “apaixonamos” por um bem e desejamos tê-lo e assim, não reparamos em seus defeitos. Se eles “saltam” aos olhos, o outro lado do cérebro ameniza, instigando a comprar, minimizando os possíveis defeitos, transformando-os “insignificantes” diante dos benefícios que acreditamos ter. Essa cegueira é a nossa negação diante do que está claro, visível e às vezes, ameaçador. Não queremos enxergar para não comprometer o que nos fascina, nos encanta e em certa medida, nos ilude. Muitos preferem não enxergar para não comprometer um benefício próprio, uma bolsa aqui, uma esmola ali, uma promessa lá.

A perpetuação no poder do controle total, da transformação da América Latina em uma “ditadura branca” ameaça a leveza da democracia. Quando a ditadura está explícita, sabemos quem são os inimigos. Quando a ditadura se disfarça em votos e reeleições forjadas, misturam-se democracia com continuísmo, projetos políticos a longos prazos, eternos, vitalícios. A censura nessas ditaduras passa a ser disfarçada e a violência é instaurada com as armas das ameaças e a semeadura do medo. Essa cegueira permite a construção de um novo império. Impérios são ruins para todos, pois torna seus dependentes inanimados.

Ditaduras são ruins. Se fossem boas, não precisariam de regras e leis ditadas de cima para baixo. Ditaduras se mantêm a custa da violência, de controle da liberdade, da imposição da censura, da intervenção permanente do estado sobre seus cidadãos. Enquanto os castelos se mantêm vistosos por fora, suas paredes vão se corroendo internamente, infestadas de ratos, cobras e outras pragas que só sobrevivem à sombra do que acontece no escuro, mais ou menos parecido com o que ocorria nos porões da ditadura aqui no Brasil. Muitos opositores definharam pela defesa de suas idéias no DOI-CODI, nas prisões clandestinas, nos inferninhos das cachoeiras e no pau de arara. Alguns, que sobreviveram, tiraram do período um aprendizado exercido na guerrilha e no terrorismo. Esse aprendizado, para uma minoria, hoje está evidenciado na vingança e traduzido no desejo de, no fundo da alma, fazer aquilo que  tanto combateram, ou diziam combater. Essas manchas colocam à mostra homens e mulheres na sua essência. São os casos de corrupção, de desvios de dinheiro, de mentiras e golpes rasteiros. Ficamos cegos para não enxergarmos o que o cheiro fétido denuncia em meio a podridão. Podridão de caráter, de dignidade, de respeito.

 Nos convencemos com as notícias dos jornais e ainda cegos, firmamos os olhos no Big Brother televisivo. Esmiuçamos nossos pensamentos para descobrirmos o objetivo dos que estão jogando. Encantamos-nos com o quê vemos, para não enxergarmos o que não queremos perceber. E pior, ainda pagamos para esvaziar uma casa já “vazia”. Depois da casa esvaziada, teremos uma “copa” a encher nossos olhos e ocupar nossas mentes. Primeiro somos acalmados pelo coração, depois, já amolecidos, domados pela mente. Quando a Copa do Mundo terminar, a campanha eleitoral entrará no seu ápice. Poderemos continuar cegos. Cegos de alegria ou de tristeza, enaltecendo ou sucumbindo nossa condição de brasileiros, como se o resultado nos esportes  nos tornasse mais ou menos capazes.

Nossa cegueira transcende aos fatores que escrevem nossa história. Esquecemos do que retarda o desenvolvimento do país, e só lembramos-nos do que vemos no momento real, instantaneamente. Nossa memória está treinada para receber grandes quantidades de informações, todas resumidas, de poucas linhas. Não nos aprofundamos em reflexões e questionamentos. Só enxergamos o que é impactante, ato contínuo, esquecemos rapidamente. Nossa cegueira não está necessariamente nos olhos, pode estar na ausência da percepção dos perigos que nos rodeiam.

Altemir Luiz Dalpiaz, Professor, Mestre em Educação, [email protected]

CRIME

Jovem é presa com munições de fuzil e maconha em MS

A abordagem ocorreu em frente à residência da jovem

12/01/2026 11h00

No interior do veículo, os agentes localizaram munições de fuzil e outros entorpecentes

No interior do veículo, os agentes localizaram munições de fuzil e outros entorpecentes Divulgação

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Uma mulher de 25 anos foi presa em flagrante na noite de domingo (11), em Ponta Porã, após ser flagrada transportando drogas e munições de fuzil durante uma ação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul na região da fronteira com o Paraguai.

A prisão foi realizada por equipes da Delegacia de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron), que desenvolviam diligências para coibir o tráfico de drogas e armas, crimes recorrentes na faixa da fronteira. Durante o trabalho investigativo, os policiais passaram a monitorar a movimentação da suspeita, que estaria utilizando um Toyota Corolla para fazer o transporte dos materiais ilícitos. 

A abordagem ocorreu na Rua Benjamin Constant, em frente à residência da jovem. No interior do veículo, os agentes localizaram cerca de dois quilos de maconha, além de 40 munições calibre 7,62, armamento de uso restrito, comumente empregado em fuzil de alto poder de fogo.

Diante do flagrante, a mulher foi encaminhada à delegacia e autuada pelos crimes de tráfico de drogas e porte ilegal de munição de uso restrito. O material foi encaminhado para perícia, e o caso segue sob investigação para apurar a possível participação de outros envolvidos no esquema.

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tribunal de justiça

No topo do ranking salarial, juízes de MS elevam produtividade em 9%

Magistrados de primeira instância julgaram 512 mil processos ao longo de 2025, ante 469,8 mil no ano anterior

12/01/2026 10h55

Ao longo do ano passado, 465 novos processos deram entrada nos fóruns. No mesmo período, 463 mil foram arquivados

Ao longo do ano passado, 465 novos processos deram entrada nos fóruns. No mesmo período, 463 mil foram arquivados

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Com salários que em 2024 tiveram uma média mensal de R$ 151.256,00, conforme dados do Conselho Nacional de Justiça, os juízes de primeira instância de Mato Grosso do Sul elevam em 9% o número de ações julgadas em 2025 na comparação com o ano anterior, conforme dados divulgados pelo Tribunal de Justiça nesta segunda-feira (12).

Ao longo de 2025 foram 512.032 processos julgado, ante 469.870 no ano anterior. As decisões interlocutórias também cresceram, passando de 615.007 em 2024 para 671.351 em 2025, novamente um acréscimo de cerca de 9%. Já os despachos somaram 975.969 em 2025, frente a 939.687 no ano anterior.

Outro destaque é o volume de movimentações processuais, que alcançou 44,5 milhões em 2025, superando as cerca de 42 milhões registradas em 2024. No mesmo período, os fóruns receberam 465.558 novos processos e promoveu o arquivamento de 463.237 feitos, demonstrando equilíbrio entre entrada e saída de demandas.

MAIORES CIDADES

As comarcas de entrância especial tiveram papel fundamental no resultado. Campo Grande, maior comarca do Estado, concentrou o maior volume de trabalho em 2025, com 207.632 processos distribuídos e 272.779 julgados. A capital também liderou em despachos (449.647), decisões interlocutórias (321.662) e movimentações processuais (20.143.642), além de 239.620 processos arquivados.

Na sequência, Dourados registrou 35.704 processos distribuídos e 35.455 julgados, praticamente igualando a entrada e a saída de processos.

Três Lagoas apresentou 22.621 processos distribuídos e 19.556 julgados, com 50.588 despachos, 36.187 decisões interlocutórias e 2.152.786 movimentações processuais, além de 18.893 processos arquivados.
Em Corumbá, foram 12.291 processos distribuídos, com 13.916 julgados e 13.802 arquivamentos, demonstrando capacidade de reduzir o estoque processual.
 

SUPERSALÁRIOS

O aumento no número de casos julgados aconteceu no ano seguinte ao da elevação em 25,6% nos custos salariais dos magistrados estaduais. Em 2023, o custo médio era de R$ 120,354,00, deixando Mato Grosso do Sul em primeiro lugar no ranking dos magistrados mais caros do país. 

Em 2024, apesar do aumento,  o Estado foi superado pelo Rio de Janeiro, onde o custo médio mensal subiu de R$ 92.643,00 para R$ 162.897,00. Mas, o valor médio de R$ 151 por mês não se refere somente aos juízes de primeira instância. Os 37 desembargadores, os que recebem os salários mais altos, também estão incluídos.

A disparada nos custos não foi exclusividade de Mato Grosso do Sul. O CNJ apontou que, em média, os valores cresceram em 20% na despesa por magistrado em todo o país, passando de R$ 73.777,00 para R$ 92.752,00 mensais.

Os dados mostram que os juízes de Mato Grosso do Sul custam 63% acima da média nacional. Porém, se a comparação for Amazonas, estado onde é registrado tem o menor custo, de R$ 41.555,00, a diferença é de 263%. 
 
 

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