Cidades

MUNDO ANIMAL

A+ A-

'Cidade dos Animais',
a capital da fauna do
Parque Estadual do Prosa

Em área com mais de 135 hectares, o recanto da natureza dentro de Campo Grande.

MARESSA MENDONÇA

13/06/2015 - 14h01
Continue lendo...

As ruas não são pavimentadas, a água não está encanada e o comércio é inexistente nesta “cidade” em que casas são ninhos, troncos e copas de árvores e moradores são aves, répteis ou mamíferos. Assim é o Parque Estadual do Prosa, com mais de 135 hectares, um recanto da natureza dentro de Campo Grande.

A população varia de cobras sucuris, jiboias, corais e jacarés a emas, socós, gaviões e andorinhas. Encontradas com frequência em alguns pontos da Capital, as capivaras também fixaram residência no parque, e não só elas, como também tamanduás, macacos, lobinhos, veados, morcegos e outras espécies.

Como a cidade é “privativa”, os humanos precisam de autorização para entrar lá, mas vez ou outra, os animais “pulam a cerca” que delimita a reserva e se aventuram na ''cidade vizinha'', por entre as estruturas de concreto que formam os prédios da Assembleia Legislativa e as secretarias de Estados. Isso porque, o Parque do Prosa está situado no Parque dos Poderes, onde se concentram os órgãos da administração estadual, incluindo a governadoria.

Essas “escapulidas” dos animais ocorrem com maior frequência durante os feriados e fins de semana, quando os prédios estão fechados, mas ocasionalmente é possível ver o “transporte público” dos bichos percorrendo as ruas do parque, como é o caso dos quatis que carregam filhotes, segurando-os pela boca, ou nas costas.

Em tempos de crise, eles também deixam a cidade de origem em busca de comida. Nas lixeiras do Parque dos Poderes, é onde encontram restos de salgado e de doces, com que “enganam o estômago”. Um perigo!, conforme explica a bióloga Nara Pontes, coordenadora do Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras).“Se eles sabem que tem comida lá, eles vão. As aves comem chiclete e pode grudar no bico. Outros não tem as enzimas para quebrar determinado alimento”, explicou.

CLUBE E HOSPITAL

Mas quando o assunto é diversão, os animais não precisam atravessar as ruas. Nos dias mais quentes do ano, os bichos recorrem ao ‘clube’ e divertem-se na nascente do córrego Prosa. No mesmo local, é possível descansar sob a sombra de Jatobás ou observar as flores e frutos dos Jaborandis do Parque.

Quando ficam doentes, os bichos têm à disposição o Cras. Por lá, ficam animais que foram vítimas de atropelamento, do comércio ilegal e até do abandono. O tempo de “internação” varia de acordo com o estado de saúde e da localização da nova residência deles.

ORFANATO, ESCOLA E RESTAURANTE

Ainda no Cras, é possível encontrar muitos animais abandonados. Nenhum deles têm nome. Isso porque, os biólogos e tratadores acreditam que os bichos ficarão por pouco tempo naquele “abrigo” até que sejam  devolvidos ao seu habitat.

As aves têm ainda local específico para aprender e reaprender a bater as asas. Trata-se do Recinto de Treinamento de Voo. Também instalado no Cras, esse espaço é voltado para os pássaros que estavam reclusos, mas é comum ver espécies que estavam livres alçando voo naquele lugar. “Esses dias um tucano apareceu aqui e foi lá brigar com outro que estava na gaiola. Eles são muito territorialistas”, lembra Nara.

Por fim, no Cras, existe um “restaurante” para os animais, onde são servidas duas refeições diárias. O cardápio é um “triturado” de milho, abóbora, cenoura, ração para cachorro e outros legumes. Mas para os filhotes, têm também a mamadeira.  

SERVIÇO: As visitas ao Parque Estadual do Prosa ocorrem nas terças, quintas-feiras e sábado, no início da manhã ou da tarde e devem ser agendadas pelo telefone (67) 3318-5713. Crianças de até 12 anos só entram acompanhada dos pais. É importante vestir calça comprida, calçado fechado e confortável, passar repelente, levar água para beber e fazer uma refeição antes de entrar.  

Confira abaixo as imagens dos animais que fazem parte da fauna campo-grandense:

JUSTIÇA

PF prende em Fortaleza homem que teria ajudado fugitivos de Mossoró

Esta é a sexta pessoa presa desde o início das buscas em fevereiro

10/03/2024 12h00

Foto: Depen / Divulgação

Continue Lendo...

A Polícia Federal (PF) prendeu nesta sexta-feira (8), em Fortaleza, um homem suspeito de prestar apoio aos dois detentos que fugiram da Penitenciária Federal de Mossoró (RN), em 14 de fevereiro deste ano. A prisão ocorreu em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido pela 8ª Vara Federal de Mossoró.

Esta é a sexta pessoa presa desde o início das buscas aos prisioneiros Rogério da Silva Mendonça e Deibson Cabral Nascimento, os primeiros detentos a escapar de um presídio federal de segurança máxima. Um dos seis presos é Johnney Weyd Nascimento da Silva, irmão de Nascimento. Ele foi detido no último dia 23, em Rio Branco (AC), porque tinha um mandado de prisão em aberto. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, Silva já havia sido condenado por roubo e por participação em organização criminosa.

O sistema penitenciário federal foi criado em 2006 para isolar lideranças de organizações criminosas e presos de alta periculosidade. A unidade potiguar estava passando por uma reforma interna. Investigações preliminares indicam que Mendonça e Nascimento usaram ferramentas que encontraram largadas dentro do presídio para abrir o buraco por onde fugiram de suas celas individuais.

Além disso, já foram identificadas várias falhas nos equipamentos de segurança, como no sistema de monitoramento. Um processo administrativo e um inquérito da Polícia Federal (PF) foram instaurados para apurar as circunstâncias e responsabilidades pela fuga.

Cerca de 600 agentes da PF, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Força Nacional e Força Nacional Penal, além de policiais dos estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Goiás participam da operação de recaptura dos fugitivos, revezando-se em turnos ininterruptos. Nos últimos dias, a força-tarefa tem concentrado os esforços de busca em uma área próxima ao Parque Nacional da Furna Feia, entre as cidades de Mossoró e Baraúna, distantes cerca de 35 quilômetros uma da outra. 

No último domingo (3), os fugitivos invadiram uma propriedade na zona rural de Baraúna (RB) e agrediram um agricultor que estava sozinho no local. Em depoimento, o homem, cujo nome não foi divulgado por razões de segurança, contou aos investigadores que Nascimento e Mendonça queriam saber se ele tinha comida, telefone celular e armas. Eles deixaram o galpão levando alguns mantimentos.

FAMÍLIAS ISOLADAS

Cidade do Acre poderá mudar de lugar após maior cheia de rio

Município foi atingido pela maior cheia do rio Acre que deixou secretarias, Câmara dos Vereadores e Delegacia de Polícia Civil debaixo da água

10/03/2024 10h30

Cheia do rio Acre inunda município de Brasileia, na fronteira com a Bolívia Foto: Marcos Vicentti - 4.mar.24/Governo do Acre

Continue Lendo...

A Prefeitura de Brasileia, no interior do Acre, pretende mudar a sede do município para uma parte mais alta da região após ser atingida pela maior cheia do rio Acre, que teve início no dia 24 de fevereiro. Sedes da administração pública como a própria prefeitura, secretarias de Planejamento, Assistência Social e Saúde, Câmara dos Vereadores e Delegacia de Polícia Civil ficaram debaixo da água e ainda não foram reativadas.

Dos 15 bairros da cidade, 12 foram ficaram submersos, o que representa 75% de toda área urbana, segundo a gestão municipal. Mais de 15 mil pessoas foram afetadas. Esta é a quarta grande cheia do rio em 12 anos e pela primeira vez afetou a zona rural do município, deixando 617 famílias isoladas. A Reserva Extrativista Chico Mendes, pioneira no conceito de unidade de conservação de uso sustentável, também sofreu as consequências do incidente.

De acordo com a prefeita Fernanda Hassen (PT), um estudo está sendo desenvolvido em parceria com a Secretaria de Estado de Obras Públicas para mudar de lugar os bairros, incluindo o centro, que reúne as sedes do Executivo. O projeto também prevê a construção de habitações populares para os moradores que perderam tudo e não poderão voltar para seus terrenos.

"A Prefeitura de Brasileia propôs aos governos federal e estadual um projeto de ajuda humanitária e de reestabelecimento da sede da cidade, com a mudança para uma área mais segura. Nós atingimos a cota histórica na alta do rio Acre. Nós vamos doar as terras para a construção de casas populares e instituições da administração pública", disse à Folha.

O projeto ainda não tem previsão de início. A migração poderá levar mais de 3.400 famílias para a parte alta. O governo estadual e a prefeitura devem apresentar até dia 18 de março a proposta para o governo federal, com objetivo de arrecadar recursos e receber apoio logístico. No dia 4, os ministros Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional) e Marina Silva (Meio Ambiente e Mudanças Climáticas), nascida no Acre, participaram de uma visita técnica em Brasileia.

O município de 26 mil habitantes foi um dos mais afetados pela cheia do rio, que anualmente registra enchentes no período de inverno em diversas áreas do estado. Brasileia fica na fronteira com a Bolívia, a 232,4 km de distância da capital Rio Branco. Possui cerca de 24 mil habitantes, sendo mais de 3.000 estudantes de diversos estados do Brasil, que se mudam para o município para estudar em universidades bolivianas.

A cheia do rio em 2024 levou 19 dos 22 municípios do Acre a entrarem em estado de emergência. Entre os mais afetados estão Brasileia, Assis Brasil, Marechal Thaumaturgo, Santa Rosa do Purus e Jordão - sendo as duas últimas com 80% e 70% das populações totais compostas por povos indígenas, respectivamente, que ficaram isolados. Três pessoas morreram por afogamento em decorrência da enchente e, ao todo, mais de 120 pessoas foram prejudicadas.

Para o governador do estado, Gladson Cameli (Progressistas), o incidente está associado diretamente às mudanças climáticas. O gestor destaca que as Defesas Civis nacional, estadual e municipal anteciparam as ações preventivas, como a construção de abrigos e distribuição de alimentos e produtos de limpeza e higiene pessoal, o que minimizou danos em diversos municípios.

"Se deixamos Brasileia no mesmo local, em um ano teremos o mesmo problema. Nenhuma estrutura terá autorização para ser construída na parte baixa. Estamos desenvolvendo, junto as prefeituras e governo federal, um trabalho emergencial de médio e longo prazo. Até maio, ainda temos previsão de fortes chuvas", afirmou Cameli.

O governador declarou, ainda, que não consegue acessar linhas de créditos, como do programa Minha Casa, Minha vida, devido problemas de regularização fundiária, pois 80% da população do Acre vive em terras da União.

Aldeias da região ficam submersas

A enchente no Acre também causou devastação em diversas comunidades indígenas da região, como as localizadas na Terra Indígena de Rio Jordão, que possui mais de 40 aldeias. Muitas delas já enfrentavam dificuldade no acesso e, agora, ficaram totalmente isoladas, o que impede até a chegada de ajuda humanitária.

Segundo a artista plástica indígena Rita Hunikui, a única ajuda que chegou à aldeia Chico Curumin, onde ela mora e estão 30 famílias (cerca de 150 pessoas), foi a distribuição de cestas básicas, o que não é o suficiente para minimizar a situação. Ela relatou que, além das perdas de casas, plantações e embarcações, os indígenas sofrem com doenças e a falta de água potável.

"Aos poucos estamos retornando para nossas casas para fazer a limpeza e tentar resgatar algumas coisas. Muitas famílias indígenas perderam tudo o que batalharam para ter. Agora, após a enchente, estamos sofrendo com diversas doenças, como diarreia, febre e vomito. Também estamos sofrendo com a falta de abastecimento de água em diversos locais no Jordão", relata.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).