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Seis cidades da fronteira estão sem mortes por Covid-19 há mais de 60 dias

Municípios participaram de vacinação em massa em junho e mais da metade está sem mortes há mais de 30 dias

14/09/2021 10h00

Rafaela Moreira

Após mais de dois meses do fim da vacinação em massa na fronteira de Mato Grosso do Sul, a imunização continua a mostrar efeitos nos municípios. 

Das 13 cidades contempladas na pesquisa, seis não registram óbitos há mais de 60 dias por Covid-19.  

De acordo com levantamento realizado pelo Correio do Estado, algumas cidades que dividiram as 165,5 mil doses da Janssen e que participam da vacinação em massa não registram óbitos em decorrência do vírus há mais de 33 dias. 

Alguns municípios, é o caso de Sete Quedas, Paranhos, Japorã, Antônio João, Caracol e Porto Murtinho, zeraram as mortes pelo coronavírus há, pelo menos, 63 dias.

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Para o médico infectologista Julio Croda, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), responsável pelo estudo no Estado, os dados são reflexo da eficácia da vacina e da importância da pesquisa.

“A cobertura vacinal dessas cidades está bem acima de 90%, e isso reflete nos indicadores de hospitalização e número de óbitos. Esses índices são resultados da eficácia da vacinação”, apontou Croda.  

Ao todo, foram 13 cidades da fronteira com Paraguai e Bolívia que fizeram parte do projeto Vebra Covid-19, que avaliou o impacto da vacinação em massa a partir da dose única da Janssen.

A cidade com registro de morte há mais tempo é Japorã, onde o último óbito foi há 85 dias, em 19 de junho. 

Desde o início da pandemia, a cidade registrou nove mortes em decorrência da doença, a maioria de pessoas idosas que tinham comorbidades.

“A pesquisa depois de um mês já tinha mostrado reflexos positivos, e isso deve permanecer, o que só reafirma como a vacina da Janssen funciona para os alvos que participaram e previne os casos de hospitalização e óbitos”, destacou Julio Croda.  

Conforme o secretário de Saúde de Mundo Novo, Fábio Roberto Dias, o município não registra óbitos por Covid-19 há 34 dias. 

A última morte aconteceu no dia 11 de agosto, o que, segundo ele, se deve ao avanço da vacinação e ao estudo realizado na cidade.

“A vacinação e a pesquisa foram cruciais para termos a diminuição no número de mortes registradas na nossa cidade, estamos caminhando para a volta à normalidade. A população muito contribuiu para esse momento, além disso, faz mais de um mês que não há internação em Mundo Novo”, avaliou.  

Entre os municípios que participaram da pesquisa, a cidade de Corumbá foi a última que registrou mortes em decorrência do vírus. 

No dia 11 de setembro, uma menina de apenas 6 anos foi a óbito por Covid-19. Ela estava internada desde o dia 29 de agosto, por complicações da doença, e não resistiu.  

Os 13 municípios fronteiriços que participaram da pesquisa foram : Corumbá, Ladário, Porto Murtinho, Caracol, Bela Vista, Antônio João, Ponta Porã, Aral Moreira, Coronel Sapucaia, Paranhos, Sete Quedas, Japorã e Mundo Novo.

Estudo

A vacina americana da Janssen é de aplicação única e foi utilizada para estudo epidemiológico. 

Produzido pelo grupo Johnson & Johnson, esse imunobiológico de dose única possui eficácia de 85% para casos graves de Covid-19 e proteção completa contra hospitalização e morte pela doença.

Nos municípios que fizeram parte da pesquisa, todos os habitantes acima de 18 anos que ainda não tinham sido vacinados com outros imunizantes receberam a dose da Janssen. 

O estudo tem como objetivo monitorar o impacto da vacina na imunidade coletiva.  

A pesquisa é semelhante à que já foi feita nos municípios de Serrana e Botucatu, ambos em São Paulo, e tem como objetivo analisar o impacto da vacinação em massa em pessoas entre 18 e 50 anos.

Prosseguir

Mais da metade dos municípios que participaram da vacinação em massa foram classificados na bandeira amarela, ou seja, apresentam grau tolerável de risco, conforme o bandeiramento realizado pelo comitê gestor do Programa de Saúde e Segurança na Economia (Prosseguir).  

De acordo com o último levantamento, 30 municípios de Mato Grosso do Sul estão na bandeira amarela, e, entre eles, o número de óbitos registrados por Covid-19 também segue em queda.

A reportagem entrou em contato com as secretarias de Saúde e verificou que mais de 16 cidades não registram mortes há mais de um mês por Covid-19.  

Como exemplo, na cidade de Rio Verde de Mato Grosso o último registro de óbito foi há 61 dias, em 13 de agosto. 

De acordo com o secretário de Saúde do município, Roberto Martins da Silva, também há mais 50 dias não há registro de internações por Covid-19.  

“As coisas estão melhorando, tínhamos uma procura diária de 60 a 70 pacientes no centro de referência que abrimos para atender apenas pessoas com sintomas de Covid-19, agora, temos em média duas [pessoas] procurando atendimento com sintomas gripais. A vacinação fez isso acontecer”, destacou.  

Tacuru também está sinalizada na bandeira amarela do Prosseguir e registrou o último óbito no dia 22 de junho, há quase 90 dias, enquanto Rio Brilhante e Itaquiraí contabilizaram a última morte em decorrência do coronavírus no dia 4 de agosto.

Imunização

Com o repasse de doses extras da Janssen e a chegada de novas vacinas, Mato Grosso do Sul é o estado brasileiro onde a vacinação está mais avançada.

Desde o dia 19 de janeiro, Mato Grosso do Sul já aplicou 3.291.117 doses contra a Covid-19, sendo 1.869.233 primeiras doses, 1.158.021 segundas doses e 234.886 doses do imunizante de aplicação única.

O Estado tem 74,9% da população total com a primeira dose ou a dose única de vacina contra a doença. Outros 49,6% já completaram a imunização com as duas aplicações ou com a vacina de dose única.

ELEIÇÕES

Eleitores de Campo Grande tiveram segundo turno tranquilo nas seções

Mesmo próximo do feriado de Finados, eleitores compareceram às urnas; não foram registradas grandes filas

31/10/2022 08h30

Na Escola Estadual Lúcia Martins Coelho eleitores não tiveram problemas para exercer o direito de voto neste domingo Marcelo Victor

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O segundo turno das eleições em Mato Grosso do Sul ocorreu de forma tranquila na maioria das seções de Campo Grande. A presença do eleitor às urnas nesta etapa oscilou, mas os instantes finais trouxeram calma para quem deixou para votar na última hora.

Se comparado com o primeiro turno (realizado no dia 2), a maior parte dos colégios eleitorais de Campo Grande registrou uma redução no fluxo de eleitores que compareceram às urnas neste 2º turno. 

De acordo com fiscais do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) ouvidos pela reportagem, essa diferença pode ser, em grande parte, porque desta vez a escolha de candidatos era apenas para apenas dois cargos – no primeiro turno os eleitores tiveram de escolher deputado federal, deputado estadual e senador, além de presidente e governador. 

Em MS, os eleitores voltaram às urnas para escolher um novo governador e o presidente da República. 

Ao Correio do Estado, fiscais da Escola Estadual Lúcia Martins Coelho, localizada na Rua Bahia, no Centro de Campo Grande, apontaram que a movimentação foi tranquila durante todo o dia. 

Segundo os funcionários, também não houve grandes filas de espera. “Dá a impressão de que tem menos gente porque todos estão votando rápido, por ser apenas dois candidatos. Não teve filas grandes porque as pessoas chegam, votam e já saem. É rápido”, afirmou uma das fiscais. 

Embora a proximidade do Dia de Finados, na quarta-feira, também possa ter influenciado na movimentação dos locais de votação, o fiscal Adriano Humberto Ferreira de Souza, que também trabalhou no primeiro turno, disse que o número de abstenções não foi muito diferente do dia 2 de outubro. 

“Acho que [a abstenção] está a mesma coisa, porque a gente acompanha pelo caderno e está a mesma quantidade do primeiro turno. Mas hoje é mais rápido porque são menos candidatos e acaba não formando fila”, afirmou Souza. 

Ele ainda reiterou que a questão do feriado influenciou pouco no comparecimento dos eleitores às urnas. 

Na Escola Estadual Lúcia Martins Coelho, uma fiscal do Tribunal Regional Eleitoral disse que muitos votantes não compareceram por terem esticado o fim de semana, aproveitando o feriado de quarta-feira. 

Já na Escola Estadual Joaquim Murtinho, na Avenida Afonso Pena, as fiscais entrevistadas afirmaram que também observaram um fluxo menor de pessoas, inclusive, não houve necessidade de formar fila para aguardar a vez de votar. 

De acordo com elas, essa falta de fila se deve à quantidade de candidatos nos quais os eleitores precisavam votar, ou seja, o processo foi mais rápido por ser uma disputa para governador e presidente da República. 

Ainda não há como saber o número de abstenção dos eleitores neste segundo turno porque a contabilização é feita após o fechamento das urnas e divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

Entretanto, pela análise feita por fiscais do TRE-MS, as abstenções estão baixas, sendo mais provável que o fluxo de pessoas esteja mais acelerado para votar. Por exemplo, em uma seção com aproximadamente 300 eleitores, faltavam apenas 75 eleitores para votar. 

Conforme a equipe que assumiu a fiscalização no Joaquim Murtinho, após as 11h, não foram registrados tumultos ou confusões entre eleitores. 

Com cerca de 20 minutos restantes para o encerramento do período de votação, os fiscais já apontavam preocupação com aqueles que talvez perdessem o horário de votar. 

“A gente estava esperando um tumulto no fim, mas nem sei se dá tempo. Se estiver do portão para dentro depois das 16h, a pessoa ainda vota. Os presidentes dão um tempinho para as pessoas se deslocarem até as urnas”, apontou a fiscal Jaci da Conceição. 

No Colégio Dom Bosco, os fiscais relataram oscilações entre as seções eleitorais, com algumas registrando mais votos em relação ao primeiro turno e outras menos, comentou a fiscal Bianca Ramirez.

ATRASADOS  

Heloise Nantes foi uma das eleitoras que deveria votar no Colégio Dom Bosco. Moradora do Monte Castelo, ela votava na Escola Estadual Maestro Frederico Liebermann, que transferiu seus votantes para o Centro. 

“Meu lugar de voto era outro e foi transferido para cá, e daí não deu tempo, achei que era até as 17h. Me atrapalha, porque é um lugar longe da minha casa, tenho que pegar carona”, afirmou. 

Estudante, apesar da confusão de horários deste domingo, ela confirma que votou no primeiro turno e que essa situação não é o cenário que ela esperava.

“Fiquei chateada, porque gostaria de ter votado. Eu espero que [na próxima eleição] melhore muito, porque está muito difícil a situação, cada vez pior”, completou. 

Claudemir Sales também foi outro que não conseguiu chegar até o Dom Bosco antes do fechamento dos portões.

“Deixei para a última hora e acabou que cheguei atrasado”, declarou.

 

ELEIÇÕES 2022

Fechamento da fronteira do Brasil com Bolívia contribui para alterar votação em Corumbá

Trânsito de veículos está bloqueado, o que gerou dificuldade para cerca de 3 mil eleitores

30/10/2022 21h00

Fronteira completou 9 dias fechada Foto: Rodolfo César

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O acesso entre Brasil e Bolívia pela rodovia Ramão Gomes – rodovia Bioceânica está interditado e, neste domingo (30), o bloqueio completou nove dias de duração.

Além do impedimento de caminhões, o tráfego de veículos de passeio também está suspenso temporariamente, o que gerou impacto para cerca de 3 mil eleitores brasileiros que vivem em Puerto Quijarro e Puerto Suárez, bem como em Carmen Rivero Torres.

O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) não tem estatística consolidada de eleitores com domicílio em Corumbá e Ladário que atualmente vivem no país vizinho.

O número de 3 mil pessoas é uma estimativa trabalhada por partidos políticos que atuam na região. 

Neste segundo turno, que ocorre com o bloqueio na fronteira, a abstenção na votação foi maior do que no primeiro turno.

Neste domingo (30), 19.353 eleitores (27,27%) não foram às urnas. Os votos totais no município foram 51.610. No total, a cidade tem 70.963 pessoas aptas a votar.

Durante o primeiro turno, a abstenção foi de 25,52% (18.038 eleitores).

Como o acesso de carros de passeio está fechado, quem vive nas cidades próximas a Corumbá e Ladário teve dificuldade para viajar.

Os trajetos para os municípios brasileiros envolvem distâncias de 21 km e 10 km. Carmen Rivero Torres que fica mais distante, em torno de 110 km.

Só é permitido transitar entre os países a pé e quem decidiu fazer a travessia, no Brasil precisava chamar um táxi ou contar com carona.

A reportagem do Correio do Estado esteve na fronteira, no Posto Esdras, por volta das 15h e praticamente não havia fluxo de pessoas.

A Polícia Federal permaneceu na região e tinha uma equipe de seis policiais federais que estava abordando veículos que passavam pelo posto de fiscalização.

Apesar de a fronteira estar fechada, é preciso atravessar a unidade para acessar uma estrada vicinal que margeia a fronteira e serve de acesso clandestino para chegar à Bolívia.

O bloqueio na fronteira, também chamado de “paro”, é organizado pelos comitês cívicos na Bolívia.

Esse tipo de estrutura não existe no Brasil, mas assemelha-se ao que existe de conselho municipal em território brasileiro.

A decisão em bloquear as fronteiras e também rodovias foi feita depois que o governo federal boliviano decidiu manter a realização do censo demográfico para 2024, período que se aproxima das eleições no país vizinho.

Os Comitês Cívicos cobram do governo federal a realização do censo ainda em 2023. Ele estava programado para acontecer agora neste ano – o último ocorreu em 2012.

É a partir dos dados desse censo que são definidos as cotas de repasse federais para províncias (estados) e municípios. 

Reuniões ocorreram ao longo da última semana, principalmente em Cochabamba, envolvendo o governo federal e representantes dos comitês cívicos para se encontrar consenso, o que não ocorreu ainda.

Os bloqueios, conforme os comitês, só serão encerrados depois que o censo foi definido para acontecer em 2023.