Cidades

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Com a família já presa, Siqueira resolve entregar-se à polícia da Capital

Com a família já presa, Siqueira resolve entregar-se à polícia da Capital

Redação

01/05/2010 - 06h00
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MICHELLE ROSSI E NADYENKA CASTRO

Vinte quilos mais magro e quase irreconhecível para quem o viu há anos, o empresário Gernival Siqueira da Silva, 55 anos, apresentou-se ontem à polícia. O titular da loja que levava o sobrenome dele e atuava no mercado de compra e venda de veículos em Campo Grande, chegou à Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo (Decon) por volta das 13 horas, acompanhado do advogado Alberto Gaspar Neto, que defende também as filhas e a esposa dele, Flávia e Fábia Siqueira, e Ione Ribeiro da Silva, respectivamente, todas presas desde terça-feira. Fábia será solta hoje.
Gernival apresentou-se após acertar com a polícia  que não haveria nenhum repórter na delegacia no momento em que ele chegasse. O acordo foi cumprido, mas, quando saía do local para ser levado para o Instituto de Medicina e Odontologia-Legal (Imol), procedimento obrigatório a quem é preso, a imprensa o aguardava na calçada do prédio da Decon.
De acordo com o delegado Adriano Garcia, o empresário ficará preso em uma das celas da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes de Roubos e Furtos (Derf). O interrogatório dele está marcado para as 9 horas de segunda-feira, na Decon. Ainda conforme o delegado, desde 2008, quando as investigações começaram, Gernival já morou em Goiânia, Londrina e Maringá. Nos últimos dias estava na área rural de Campo Grande e por isso não havia sido localizado. Sobre o fato de nunca ter ido à polícia desde que começou a ser investigado, o comerciante disse que o advogado dele dizia que não havia necessidade, e ele confiava nisso.
O dono do comércio que funcionou por 27 anos na Avenida Bandeirantes declarou à imprensa que está “tranquilo”. “Estou deixando a situação nas mãos de bons profissionais”, disse. Sobre o motivo de ter se apresentado, “é necessário por lei”, justificou. “Vamos ver o que vai dar”, finalizou.
Segundo o advogado Alberto Gaspar, Gernival estava escondido por conta das ameaças de morte que vinha recebendo em Campo Grande. “Ele estava sendo ameaçado constantemente até que um dia, em meados do ano passado, andava por uma rua da cidade, foi colocado num carro e levado a um lugar ermo, onde sofreu ameaça de morte. Desde então, mudou-se da cidade”, informou.
Não há registros de ameaça contra Gernival na Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. Constam sim vários registros dele como autor de crimes como injúria, ameaça, perturbação do trabalho e sossego alheio, estelionato, vias de fato e propaganda enganosa.    

Investigação
Há dois anos, a Decon deu início às investigações sobre golpes aplicados pela Siqueira Automóveis. Quando as primeiras denúncias se tornaram públicas, o local, de um dia para o outro, amanheceu “limpo”, sem nenhum veículo exposto para venda. Desde então, a polícia tenta localizar a família. Desde então, os telefones em nome deles foram cortados por falta de pagamento e bens penhorados e bloqueados pela Justiça devido às diversas ações que tramitam na área cível.
Como a polícia não localizava Gernival, nem as filhas e a esposa dele, e eles não apareciam por vontade própria nem mandavam representante, pediu a prisão. Flávia, a mãe e a irmã do comerciante, Aparecida Siqueira da Silva, tiveram a prisão preventiva decretada e só podem ser soltas por determinação judicial. Já Fábia teve decretada a prisão temporária (de cinco dias), e por isso sai da cadeia hoje. Ela mora no município paulista de Engenheiro Coelho, onde cursa o último ano de graduação em publicidade, e tem os estudos custeados pelo trabalho.

Prejuízo
Antes da prisão da família, 12 vítimas já tinham denunciado os golpes praticados pela empresa. De quarta-feira até o início da tarde de ontem, mais cinco vítimas apareceram. O prejuízo a essas 17 pessoas ultrapassa R$ 200 mil. No entanto, há informações de que existem 32 boletins de ocorrência feitos por pessoas que se sentiram lesadas pelo estabelecimento comercial.  
“Os relatos das vítimas dão conta de que elas deixavam o carro consignado para venda na garagem e não recebiam o dinheiro. Outras informaram que a loja se comprometia a pagar o restante das parcelas do financiamento de carros (alienados ao banco), mas a loja os vendia sem quitar as parcelas”, explicou o delegado Adriano Garcia. De acordo com ele, as quatro mulheres indiciadas pelos crimes de estelionato e formação de quadrilha declararam que os golpes começaram quando a empresa passou a apresentar problemas financeiros e a situação virou uma “bola de neve”.
Muitas vítimas procuraram somente a área cível, já outras nem mesmo se interessaram em buscar seus direitos. Ou por acreditar na impunidade dos autores ou até mesmo porque não conheciam seus direitos.
O advogado Alberto Gaspar protocolou ontem pedido de liberdade a Flávia Siqueira e Ione Ribeiro da Silva. Até o fechamento desta edição, a Justiça ainda não havia dado a decisão.

RODOVIA

Motiva já ultrapassou duplicação prevista para o 1º ano de contrato

Até agora, segundo a concessionária, 22 quilômetros de pista dupla foram finalizados ou estão em processo de término na BR-163, em Mato Grosso do Sul

16/01/2026 09h00

Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Em ritmo acelerado, as obras na BR-163, em Mato Grosso do Sul, já estão acima do que era previsto para o primeiro ano de contrato com a concessionária Motiva Pantanal, a antiga CCR MSVia. Conforme dados da concessionária, apenas em quatro meses, já que o acordo foi assinado em agosto do ano passado, a empresa executou 22 quilômetros de duplicações no Estado.

De acordo com o Programa de Exploração da Rodovia (PER) da concessão da BR-163, para o primeiro ano de contrato, a Motiva Pantanal tinha a obrigação de duplicação de 5,66 km. Ou seja, a empresa já mais que dobrou a meta.

A Motiva Pantanal, por meio de nota enviada ao Correio do Estado, divulgou que há um “conjunto de intervenções previstas”, que ao longo de 2025 já tiveram início.

Nessa lista, a empresa elencou a construção de faixas adicionais e acostamento em Mundo Novo (do km 7 ao km 31) e Itaquiraí (do km 80 ao km 82); duplicações em Campo Grande (do km 452 ao km 460), em Jaraguari (do km 510 ao km 511), em Bandeirantes (do km 535 ao km 546) e em São Gabriel do Oeste (do km 626 ao km 628), o que totaliza 22 km.

Também pontuou que estão em execução a implantação de retornos, vias marginais (como em Coxim, do km 730 ao km 731).

“A concessionária intensificou as intervenções de recuperação funcional do pavimento ao longo de toda a rodovia, com serviços de drenagem, correções localizadas, recobrimento asfáltico e sinalização horizontal ao longo do trecho. As obras seguem em ritmo acelerado, com acompanhamento técnico e validação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), reforçando o compromisso da Motiva Pantanal com o cumprimento contratual e o progresso de Mato Grosso do Sul”, divulgou a empresa, em nota.

O PER da concessão da BR-163 descreve que, até o nono ano de contrato, a concessionária precisa ter duplicado na rodovia o total de mais de 177 km, em diferentes trechos da via, que vai de Mundo Novo a Sonora.

Os anos 5 e 7, que correspondem a períodos que compreendem 2030-2031 e 2032-2033, são os que preveem o maior número de obras de duplicação da rodovia. No ano 5, são sete trechos com intervenções estabelecidas em contrato. No ano 7, outros seis trechos da via.

O resumo de obras de ampliação de capacidade e melhorias colocou como metas o total de 203,02 km duplicados; 147,77 km de faixas adicionais; construção de 22 passarelas e outros 144 pontos de ônibus.

Ainda está previsto que sejam montadas 56 passagens de fauna para tentar reduzir o atropelamento de animais silvestres.

No trecho de Campo Grande, as obras ainda estão em andamento, mas em ritmo acelerado - Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

OUTROS TRECHOS

Além disso, a Superintendência de Infraestrutura Rodoviária (Surod), estrutura que integra a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), abriu caminho para que a Concessionária de Rodovias Sul-Matogrossense S.A., chamada também de Motiva Pantanal, concretize mais obras de duplicação.

A decisão nº 1.473, de 18 de dezembro de 2025, foi publicada no Diário Oficial da União na primeira semana deste ano. Com essa determinação, pouco mais de 4 km em trecho que fica no município de São Gabriel do Oeste foram declarados de utilidade pública para desapropriação e efetivação de obras.

A implantação de obras de duplicação na BR-163 compreende o trecho do km 647,28 ao km 650,46 e retorno em X na rodovia no km 649,50.

A decisão federal não detalhou valores indenizatórios, que precisam ser definidos com base em estudo que a concessionária vai elaborar a partir do Relatório de Metodologia Avaliatória (RMA).

O referido trecho liberado para a duplicação está no sentido norte, cerca de 12 km após passar pela entrada principal de São Gabriel do Oeste, próximo de onde está instalada uma empresa com silos.

A Superintendência de Infraestrutura Rodoviária também liberou uma área de 67 mil m² no município de Jaraguari para a construção de um ponto de parada e descanso (PPD). Esse tipo de estrutura permite que caminhoneiros e outros motoristas tenham acesso a diferentes serviços. O PPD vai ser construído no km 514.

Uma outra estrutura a ser implantada, que envolve desapropriação, está do km 13,53 ao km 22,46, no município de Mundo Novo. Nesse trecho será feito contorno, rotatória, trombeta e acesso à BR-163.

*Saiba

O novo contrato entre o governo federal e a Motiva Pantanal foi divulgado pela ANTT em agosto de 2025 e tem previsão de R$ 9,31 bilhões em investimentos, além de outros R$ 7,15 bilhões em custos operacionais.

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CAMPO GRANDE

Caixa passa compra de R$ 500 por R$ 100 e mulheres são presas

Crime aconteceu em mercado atacadista localizado na Avenida Gunter Hans

16/01/2026 08h35

Durante a fiscalização, foi constatado que diversos itens passaram pela esteira, mas não foram devidamente lançados no sistema

Durante a fiscalização, foi constatado que diversos itens passaram pela esteira, mas não foram devidamente lançados no sistema Divulgação

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Uma operadora de caixa de um supermercado atacadista e uma cliente foram presas em flagrante na noite desta semana, em Campo Grande, suspeitas de envolvimento em um esquema de furto durante o registro de compras em uma unidade localizada na Avenida Doutor Gunter Hans.

Segundo informações da Polícia Militar, a equipe foi acionada pelo setor de prevenção da loja após funcionários perceberem inconsistências no registro de produtos no caixa. Durante a fiscalização, foi constatado que diversos itens passaram pela esteira, mas não foram devidamente lançados no sistema.

De acordo com o relato feito à polícia, a cliente realizava compras normalmente enquanto a operadora de caixa registrava apenas parte dos produtos. Ao final do atendimento, foram emitidos dois cupons fiscais, nos valores de R$ 83,29 e R$ 24,08. No entanto, após conferência interna, o supermercado apurou que o valor real da compra deveria ser de R$ 507,46, o que indicaria a omissão no registro de mercadorias.

As duas mulheres foram abordadas ainda na saída do estabelecimento por funcionários da loja, que confirmaram a irregularidade e acionaram a Polícia Militar. A guarnição compareceu ao local, ouviu o responsável pelo setor de prevenção e deu voz de prisão às suspeitas.

Ambas foram conduzidas à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac-Cepol), sem uso de algemas e sem apresentar lesões. Os produtos supostamente furtados não foram levados à delegacia por se tratarem de itens perecíveis, permanecendo no supermercado.

Para registro da ocorrência, foram apreendidas as notas fiscais: uma referente ao valor total da compra não registrada, de R$ 507,46, e outras duas correspondentes aos valores efetivamente pagos. Os pertences pessoais das envolvidas, como celulares, bolsas e documentos, não foram apreendidos, por não terem relação direta com o crime.

Os produtos que haviam sido pagos deverão ser devolvidos às autoras em data posterior. O caso foi registrado e encaminhado para os procedimentos legais cabíveis, ficando a investigação sob responsabilidade da Polícia Civil.

Crime semelhante

Em dezembro de 2024, um casal formado pela caixa de um supermercado e uma vigilante foi preso após a atendente cobrar apenas R$ 13,88 de uma compra de R$ 1.915 realizada pela atendente em um mercado atacadista na Avenida Marechal Deodoro, no bairro Coophavila II, em Campo Grande.

Conforme o boletim de ocorrência, a caixa, de 39 anos, passou todos os produtos com valores alterados, contudo, um segurança do mercado reconheceu o furto e acionou a Polícia Militar (PM) , que foi até o atacadista.

Abordadas ao final da compra, a funcionária do local, segundo o b.o, correu para o banheiro, enquanto a namorada foi para o carro que estava no estacionamento, apesar dos esforços, ambas acabaram presas pelos militares.

Em depoimento, a funcionária do atacadista disse que estava em serviço no momento em que a gerente a avisou de que não poderia passar a mercadoria de sua namorada. Ela alegou, então, que a vigilante pagou os produtos que já haviam sido passados e saiu "estressada" do local, com o restante dos produtos esquecidos no carrinho de compras.

Ela disse não ter alterado nenhum preço dos produtos, já que todos os pacotes têm códigos de barras registrados no sistema. Após isso, ela disse ter "passado mal", fechou o caixa e foi ao banheiro. Ela negou que tenha furtado qualquer produto junto com sua namorada, história confirmada pela vigilante.

       

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