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CORONAVÍRUS

Com mais 187 leitos de UTI, faltam médicos para atuar

Outros profissionais também devem ser contratados para suprir demanda
17/04/2020 09:00 - Ricardo Campos Jr


 

Com o anúncio da criação de 187 novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Mato Grosso do Sul, o próximo desafio das autoridades de saúde será a contratação de médicos intensivistas para ocuparem os postos de trabalho.

A previsão é de que os leitos sejam disponibilizados na rede pública de saúde, mas até agora apenas dez deles foram efetivamente colocados em funcionamento no Hospital Regional (HRMS), isso porque a mesma quantidade de respiradores chegou ao Estado, vindos do Ministério da Saúde.

Além da falta de equipamentos específicos de suporte à vida, o deficit de profissionais que atuam em UTIs é outra preocupação.

“Não temos médicos para atender a todos esses novos leitos. O mercado já está apertado”, disse Sérgio Félix Pinto, presidente da Sociedade Sul-Mato-Grossense de Terapia Intensiva (Sosmati).

Por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Conselho Federal de Medicina (CFM), os profissionais que atendem nessas alas hospitalares devem obrigatoriamente ter formação específica de cuidados intensivos pediátricos, neonatais ou adultos. Ou seja, quem atende recém-nascidos em estado grave não pode simplesmente ser deslocado para o setor que cuida de pacientes críticos de outra faixa etária.

De acordo com o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM-MS), o Estado tem 103 intensivistas ativos, mais da metade (76) atua em Campo Grande. Cada um deles só pode ser encarregado de até dez leitos de UTI por turno.

O representante dos profissionais da área afirma que não é possível fazer a conta da capacidade máxima de leitos de UTI que podem funcionar ao mesmo tempo tanto na Capital como no interior.

“Embora não seja ideal trabalhar mais que 12 horas seguidas, há médicos que trabalham em mais de um hospital. São colegas que às vezes pegam jornada com mais de 24 horas consecutivas sem descanso. Então não há como fazer essa conta”, explica Félix.

Além disso, cada hospital faz sua própria escala. Em alguns casos, o médico atua o dia inteiro e folga outro ou descansa 36 horas entre os plantões. “O que estamos sabendo por cima é que estão pretendendo trazer médicos com alguma experiência em UTI, mesmo que não sejam especialistas, que trabalhariam supervisionados por um intensivista. Não é a situação ideal, mas estamos em um período beirando o caos. Por enquanto a situação está tranquila, mas sabemos da incerteza”, afirmou o presidente da entidade.

O Correio do Estado entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde (SES) para confirmar se essa medida realmente está sob análise, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.

A diretora do HRMS, Rosana Leite de Melo, afirmou à reportagem que a unidade, referência no atendimento de pacientes com Covid-19, tem atualmente 32 médicos trabalhando na UTI com cargas horárias que variam de 24 horas a 36 horas semanais. Segundo ela, as escalas estão totalmente cobertas atualmente, mas já foram solicitados mais quatro profissionais para fazer os novos leitos funcionarem.

EQUIPE

A falta de médicos não é a única preocupação relativa à ativação de novos leitos de cuidados intensivos. Da mesma forma, a cada dez leitos críticos são necessários um enfermeiro, cinco técnicos de enfermagem, fisioterapeuta, entre outros.

Recentemente, o HRMS foi alvo de fiscalização do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-MS) por ter quantidade insuficiente de profissionais da área, sem especificar qual o impacto disso nas UTIs.

A questão do deficit de enfermeiros e técnicos de enfermagem é objeto de Ação Civil Pública aberta pelo Coren-MS em julho de 2019. “Também foi aberto rito de interdição ética dos serviços no hospital que iniciamos em novembro do ano passado. Esse último procedimento encontra-se suspenso devido à pandemia pela qual passamos, mas a ação judicial está em andamento. Tanto é que, assim que os primeiros casos de Covid-19 foram confirmados no Brasil, reiteramos à Justiça o pedido liminar com antecipação de tutela para determinar a contratação de 100 técnicos de enfermagem e 50 enfermeiros para o Hospital”, afirmou a entidade em nota.

Outra questão, segundo o Conselho, é que vários pacientes foram removidos desde o avanço da pandemia. “Assim, o panorama de atendimento mudou desde o último levantamento que fizemos”, informou a entidade.

Para o Coren, a preocupação se estende também ao interior. “No Hospital Regional de Nova Andradina, também constatamos deficit de profissionais. E ainda o uso de EPI impróprio, falta de medicamentos e falta de materiais para intubação na Unidade de Pronto Atendimento de Batayporã”, completa o conselho.

 

Felpuda


Embora embalada por vários “ex”, pré-candidatura a prefeito de esforçada figura não deslancha. É claro que ninguém ousa falar em voz alta que o apoio, em vez de alavancar os índices com o eleitorado, está é puxando para baixo. Uns dizem que o título do filme “Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado” retrata bem a situação. Outros complementam: “... na primavera, no outono, no inverno...”. Como diria vovó: “Aqui você planta, aqui você colhe!”.