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CORONAVÍRUS

Com queda no isolamento, saúde prevê aumento de casos

MS deverá sentir o reflexo da desobediência da população em duas semanas
13/04/2020 10:00 - Natalia Yahn


 

Enquanto as medidas de isolamento perdem força em Mato Grosso do Sul, aumenta a preocupação das autoridades de saúde em relação ao crescimento de casos nas próximas semanas de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

A expectativa é de que, a partir de hoje até a próxima semana, a exposição maior das pessoas em decorrência do afrouxamento das medidas de distanciamento social e da reabertura do comércio em Campo Grande pode influenciar no aumento de casos e também de ocupação dos leitos hospitalares.

“A baixa adesão ao isolamento na semana passada será sentida em dez dias. A de hoje, em 15 dias. Então, é daqui para frente que começa a se refletir essa desobediência que estamos vendo. Eu creio que só quando as pessoas perderem parentes, pais, avós, filhos e irmãos, é que vão começar acreditar na gravidade da situação. Eu acredito que este momento vai chegar, mas será tarde demais”, afirma o secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende.

Ele é médico e está à frente das ações de controle da pandemia no Estado. Crítico da fala do presidente Jair Bolsonaro e aliado do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, na defesa do isolamento social como melhor forma de combate à disseminação do novo coronavírus, Resende afirma que está fazendo sua parte para frear a contaminação em massa.

“Apesar do apelo que temos feito, a maior autoridade do País (presidente Bolsonaro), que é da área administrativa e não entende nada de saúde pública, dá orientações que não têm nada a ver. E há pessoas que seguem e acreditam no que ele fala. Por isso, no Estado, temos o pior índice de isolamento social, estamos na última posição”, diz o secretário.

Resende compara a desobediência às medidas de isolamento com outra doença que este ano já matou 22 pessoas no Estado, a dengue. “Em Mato Grosso do Sul, as pessoas não seguem as recomendações da área da saúde. A dengue nos mostra isso, são 22 mortes este ano e mais 15 em investigação. Simplesmente porque a população não obedece. Com o coronavírus é a mesma coisa. Preferem seguir o que o presidente fala, que não entende nada, a acreditar no ministro [Mandetta], que é autoridade competente de saúde, além das orientações estaduais e até mundiais”.

O médico e infectologista Julio Croda, responsável por monitorar o índice de isolamento social no Estado, também critica os índices estaduais que deixam MS em situação crítica em relação ao Brasil. Os dados atuais, até mesmo em relação aos poucos casos registrados esta semana na Capital, que ficou dois dias seguidos sem novos infectados, são um reflexo do isolamento de 15 dias atrás.  

“É lógico. As próximas duas a três semanas, com a abertura do comércio, deverão ter mais casos. Só se a mobilidade não aumentar é que os casos novos poderão se retrair também. É cedo para avaliar”.

ISOLAMENTO

Ranking de cidades que estão cumprindo o isolamento social – principal medida capaz de deter a propagação do novo coronavírus – deixa o governo de Mato Grosso do Sul em alerta. Isso porque, entre os municípios do Estado, apenas três – Corguinho, Jaraguari e Jateí – têm o maior índice de pessoas em casa, 68,7%.  

As informações foram divulgadas neste domingo pela  Secretaria de Estado de Saúde (SES), durante boletim epidemiológico que mostrou 101 casos confirmados da doença no Estado.

Com poucas cidades cumprindo o isolamento social, a situação provoca alerta. A lista de municípios com os piores índices foi divulgada para que os prefeitos possam tomar alguma atitude. “A nossa capital e Dourados estão quase nas últimas posições do Estado (47,7% em Campo Grande). E temos um pequeno município, para o qual gostaria de chamar a atenção, Sete Quedas, que ocupa a última posição (29,6%). Ao lado desses dois, há outros que estão em posição não confortável, Tacuru (37%) e Iguatemi (39,1%)”, explicou Resende.

Com a propagação, Naviraí é o 15º município com novos casos de coronavírus, e o secretário destacou a importância do isolamento social, já que a pandemia está chegando à região Cone-Sul, onde há pequena adesão de isolamento.  

“Imagine a hora em que isso expandir para os outros municípios? Certamente, teremos um agravo, até porque naquela região não temos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) suficientes para atender um crescimento rápido. Chamo atenção para que os prefeitos tomem medidas para que possamos pelo menos buscar taxas de adesão mais adequadas”, alertou. 

Atenção
Cada município de MS recebeu recursos para fazer compra de insumos, equipamentos de proteção individual (EPIs) e testes do governo federal. “As medidas de isolamento são tomadas pelos prefeitos e prefeitas do Estado. Nós chamamos atenção onde os casos subiram nos últimos dias e já conversamos com alguns prefeitos dessas cidades”, finalizou Resende.

* Com Bruna Aquino

 

Felpuda


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