Cidades

UNIVERSIDADE SEM DINHEIRO

Com risco de ficar sem água e luz, UFMS pode suspender aulas

Marcelo Turine, reitor da instituição, afirma que pagamento de contas está comprometido

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A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) corre o risco de ter as aulas suspensas em decorrência do corte de aproximadamente R$ 30 milhões em recursos para custeio e investimento, determinando pelo Ministério da Educação (MEC) em abril. O anúncio sobre o risco de suspensão das aulas foi feito ontem pelo reitor da instituição, Marcelo Turine. 

O reitor afirmou que a partir do mês de agosto a universidade não terá condições de honrar com os pagamentos de água e energia elétrica e, por isso, existe o risco de as aulas serem suspensas. “Se as concessionárias não tiverem esse bom senso em relação à universidade, que é um período transitório, a princípio, sim, [há risco de suspensão das aulas]. Nós estamos conversando com a Águas Guariroba, em Campo Grande, e com a Energisa, para que, se houver um atraso de dois a três meses, para que elas não façam o corte e não prejudiquem a educação e os laboratórios de pesquisa, que são estratégicos para Mato Grosso do Sul e para a competitividade do Brasil como um todo”, comentou em entrevista à TV Morena, emissora filiada à Rede Globo.

NÚMEROS ABSOLUTOS

Questionada pelo Correio do Estado, a UFMS informou que recebe, anualmente, R$ 902.304.354,00, distribuídos em pessoal – R$ 690.365.204,00; custeio – R$ 183.001.589,00, composto de recursos do Tesouro, recursos próprios e de emenda parlamentar; e capital/investimento – R$ 28.937.561,00.

Ainda conforme a universidade, o valor bloqueado corresponde a 30% das despesas de custeio e investimento dos recursos do Tesouro, um total R$ 29.784.641,00.

A instituição informa ainda que os recursos disponíveisgarantem o pagamento dos contratos até agosto de 2019 e que, se não houver liberação de novos recursos, poderá haver restrição à autorização de novos projetos, limitação de viagens, novas campanhas de racionamento de energia e água, redução dos recursos para funcionamento das faculdades, institutos e cursos. “A não liberação de novos recursos poderá comprometer o pagamento dos contratos de toda a prestação de serviços. A instituição poderá ficar sem atividades se não ocorrer a liberação de novos recursos, o que poderá ocasionar a interrupção de fornecimento dos serviços que comprometam as atividades da instituição”, diz nota da universidade.

CORTES

O corte de verba nas instituições federais de ensino ultrapassa os R$ 59,1 milhões em Mato Grosso do Sul. O anúncio foi feito pelo ministro da Educação em abril e atinge todas as universidades e institutos federais do País.

Em nota emitida na época, a UFMS já havia anunciado que enfrentaria sérias dificuldades para honrar seus contratos de manutenção, como pagamentos de energia elétrica, água, telefone, segurança, manutenção e conservação predial”. 

Já o bloqueio de recursos de investimentos “prejudicará as atividades de ensino de graduação e pós-graduação, pesquisa e extensão”. 

Cidades

Polícia Civil encontra cachorro no Parque dos Poderes e tenta localizar tutor

Animal foi localizado pela corporação nas imediações da Avenida Hiroshima e levado à sede do Dracco

13/02/2026 14h15

Foto: Divulgação / Dracco

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Por meio do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), a Polícia Civil quer encontrar o tutor de um cachorro macho, localizado pela corporação na manhã desta sexta-feira (13) no Parque dos Poderes. 

Conforme divulgado pela Polícia Civil, o animal, aparenta ser da raça golden retriver é dócil e foi encontrado nas imediações da Avenida Hiroshima. 

O cachorro foi levado à sede do Dracco, localizada na Rua Antônio Francisco Nantes, no Jardim Seminário. De acordo com o Dracco, o animal será entregue aos tutores somente medidante comprovação. 

Foto: Divulgação / Dracco 

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escândalos

Alvo da Spotless, empreiteira vai reconstruir rodovia pivô da Lama Asfáltica

Empresa registrada em Campo Grande desde abril de 2024 venceu licitação de R$ 61,5 milhões para reconstruir parte dos 85 km da MS-180

13/02/2026 13h01

Concluída no final de 2014, a MS-180 começou a desmoronar meses depois da conclusão dos trabalhos e por isso virou alvo de investigação

Concluída no final de 2014, a MS-180 começou a desmoronar meses depois da conclusão dos trabalhos e por isso virou alvo de investigação

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Alvo da Operação Spotless, que em setembro do ano passado resultou na prisão do prefeito de Terenos por conta de um grande esquema de corrupção, a empreiteira JPL Gomes Engenharia, saiu vencedora da licitação para "refazer" a MS-180, rodovia que sofreu uma série de desmoronamentos e foi um dos principais pivôs do escândalo da operação Lama Asfáltica. 

Para corrigir uma série de pontos críticos ao longo dos 85 quilômetros entre as cidades de Juti e Iguatemi, a empreiteira vai faturar pelo menos R$ 61.547.209,40, conforme dados disponíveis na ata da licitação divulgada pela Agesul. Falta somente homolgar o certame.

Da disputa participaram seis empreiteiras e a vencedora ofereceu deságio de 1,6%, o equivalente a R$ 1 milhão abaixo do valor máximo estipulado no edital de licitação.

Embora esteja registrada em São José do Rio Preto (SP) desde 2011, empreiteira com o mesmo nome está registrada na Avenida Afonso Pena, em Campo Grande, desde abril de 2024.

Em setembro do ano passado, a residência de um dos proprietários foi alvo de um dos 59 mandados de busca e apreensão cumpridos  pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul. Além disso, os investigadores também recolheram documentos na sede da empreiteira JPL. 

Por conta dos indícios de fraude em contratos que somam em torno de R$ 16,5 milhões, o prefeito de terenos, Henrique Wancura Budke, ficou preso durante 24 dias e atualmente segue com tornozeleira e afastado do cargo. Uma casa avaliada em R$ 2,4 milhões, granja de suínos, bovinos de raça e centenas de hectares de terras estão entre os indícios de que comandava um bem estruturado esquema de corrupção. 

Até agora, porém, tanto o político quanto os empresários envolvidos na investigação Spotless não foram julgados e por conta disso não existe impedimento legal para que a JPL vença licitações públicas. 

Com menos de dois anos de existência em Campo Grande, é a primeira vez que a empreiteira fará alguma obra de grande porte para o Governo do Estado. Ela suplantou concorrentes como a gigante Caiapó, que faz parte do consórcio vencedor da licitação para administrar 870 quilômetros da chamada rota de celulose. 

Além disso, a Caiapó integra o consórcio que está construíndo o acesso à ponte sobre o Rio Paraguai, em Porto Murtinho, e está concluindo os trabalhos do lote quatro da pavimentação da BR-419, em Aquidauana. Juntas, estas duas obras do Governo Federal somam mais de R$ 630 milhões

LAMA ASFÁLTICA

Envolvida num escândalo recente, a empreiteira "novata" ficará responsável pela reconstrução da MS-180, que por sua vez foi pivô de um dos maiores escândalos de corrupção da história de Mato Grosso do Sul, a Lama Asfáltica, que até hoje está com uma série de ações tramitando em diferentes esferas judiciais.

O prejuízo estimado, à época, chegava a meio bilhão de reais, envolvendo contratos milionários para pavimentação de rodovias, aquisição de propriedades rurais e até compra de aeronaves. Ao longo de suas fases, a operação expôs conexões entre empresários, agentes públicos e políticos, consolidando-se como uma das maiores ofensivas contra a corrupção no Estado.

A pavimentação da rodovia foi concluída em 2014 e desde então sofreu uma série de desmoronamentos. Os primeiros ocorreram já em 2015, alguns meses depois da conclusão da obra. 

Nos anos seguintes, em praticamente todas as temporadas de chuva foram registrados episódios de interdição por conta dos desmoronamentos, possivelmente decorrentes das falhas de drenagem. 

As intervenções de agora, segundo o edital, serão feitas ao longo de 85 quilômetros, começando no entroncamento com a MS-289 até o entroncamento com MS-295. O trecho corresponde ao asfalto construído no final da segunda administração do ex-governador André Puccinelli. 

E justamente pelo fato de a rodovia não suportar chuva é que ela foi um dos principais alvos da operação Lama Asfáltica, escândalo que chegou a resultar na prisão do ex-governador André Puccinelli e de seu secretário de obras, Edsono Giroto. 

Apontada como serviço mal feito, conforme relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), a rodovia virou alvo de uma batalha judicial envolvendo o ex-governador André Puccinelli e seu sucessor, Reinaldo Azambuja.   

Por meio da Procuradoria-Geral de Mato Grosso do Sul (PGE-MS), Azambuja recorreu à Justiça para tentar obrigar o ex-governador a devolver boa parte dos R$ 119 milhões (valor já corrigido) gastos  na pavimentação da MS-180.

No começo de 2022 o governo obteve o direito de receber em torno de R$ 8,3 milhões dos R$ 66 milhões gastos originalmente, sem correção monetária, solicitados pela PGE, mas até agora nada foi devolvido. 

Em dezembro de 2015 e janeiro de 2016, vários trechos da rodovia foram literalmente arrastados pela enxurrada. E, apesar dos investimentos para mitigar os problemas, em 2022 a pista voltou a ser arrastada a cerca de dez quilômetros de Iguatemi. 

SIGNIFICADO

Conforme o Ministério Público, “Spotless”,  termo que dá nome à operação, é uma referência à necessidade de os processos de contratação por parte da Administração Pública serem realizados sem manchas ou máculas.

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