Cidades

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Contradições

Contradições

Redação

21/05/2010 - 08h30
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Seguindo os passos da Câmara dos Deputados, os senadores aprovaram, sem pestanejar, aumento de 7,7% para aposentados do INSS que recebem mais de um salário mínimo e também mantiveram o fim do fator previdenciário. Não restam dúvidas de que todos os cerca de oito milhões de aposentados merecem reajuste maior que os 6,14% já concedidos pelo Governo. É certo, também, que todos os demais contribuintes da previdência têm motivos de sobra para comemorar o fim das severas medidas restritivas que reduzem o valor da aposentadoria para aqueles que não têm idade avançada e até quatro décadas de contribuição.

            Mas, até o mais ingênuo dos cidadãos sabe que esta repentina preocupação de deputados e senadores com os inativos e toda a massa trabalhadora, principalmente daquela que recebe um pouco melhor, não passa de demagogia eleitoreira. Há anos o Governo concede reajustes insatisfatórios àqueles que recebem mais de um mínimo. Nem por isso, contudo, o Congresso ousou desafiar o Executivo. Esta repentina coragem, adquirida por conta da eleição de outubro, pode até render algum ganho aos inativos, pois o próprio Governo já está deixando claro que não deve vetar o aumento, que custará em torno de R$ 1,8 bilhão por ano ao INSS, o que não chega a ser nenhum rombo inaceitável aos cofres federais.

            O fim do fator previdenciário, por mais simpático que possa parecer individualmente aos olhos de qualquer trabalhador, é uma verdadeira insanidade a médio e longo prazos, pois possibilita que pessoas se aposentem na "flor da idade". Na Grécia, por exemplo, uma das medidas que estão sendo adotadas é elevar para 65 anos a idade mínima para aposentadoria, além de cortes drásticos no valor dos benefícios. É evidente que não se pode adotar aqui os mesmos critérios de um país de primeiro mundo. Porém, não existe família brasileira, independentemente da classe social ou econômica, que não esteja constatando o aumento da longevidade no País. Por isso, tentar regredir no tempo é uma verdadeira contradição.

            E, de contradições é que está sendo marcada toda esta polêmica no Congresso. Tucanos e aliados, que há quase uma década patrolaram a oposição e aprovaram o fator previdenciário, agora, jogando para a plateia, entendem que ele deve acabar. Os petistas, entre eles o ex-ministro da Previdência Ricardo Berzoini, que durante anos barraram mudanças, agora também esqueceram todos os argumentos utilizados até então. A alegação é de que era necessário acabar de vez com as regras antigas, pois somente assim seria aberto o caminho para estabelecer novos critérios, menos rígidos. Isso mostra, mais uma vez, a absoluta falta de capacidade e de clareza da classe política sobre aquilo que ela quer para o País. Mais que isto, evidencia que não dá a mínima para o dia de amanhã. O que interessa é a aposta na reeleição. Se o sistema previdenciário quebrar e aqueles mesmos contribuintes que hoje comemoram o afrouxamento das normas ficarem a ver navios no futuro, isso pouco importa. Aumento anual da ordem de R$ 5,5 bilhões nas contas públicas também é detalhe, devem estar convencidos estes políticos. Agora, só falta o presidente, de olho na eleição de sua candidata, entrar na onda da irresponsabilidade e sancionar as medidas aprovados por deputados e senadores. Não será de se estranhar se agora os governantes vierem a público afirmar que tudo o que foi dito até agora foi engano e que é possível sancionar tudo aquilo que os congressistas aprovaram.

COBRANÇA

MP quer documentos da Prefeitura que expliquem critérios adotados no aumento do IPTU

Na última terça-feira (13), a prefeita Adriane Lopes (PP) vetou o projeto de lei que suspendia a taxa do lixo, cobrada juntamente nos carnês

15/01/2026 18h30

Foram expedidos ofícios para a Secretaria Especial da Casa Civil, a Secretaria Municipal de Governo (Segov) e a Secretaria Municipal de Fazenda (Sefaz)

Foram expedidos ofícios para a Secretaria Especial da Casa Civil, a Secretaria Municipal de Governo (Segov) e a Secretaria Municipal de Fazenda (Sefaz) Foto: MPMS

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A 67ª Promotoria de Justiça instaurou procedimento administrativo para apurar eventuais irregularidades do Município de Campo Grande na cobrança do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU). Moradores da Capital procuraram a Ouvidoria do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) para reclamar sobre a redução do desconto  para pagamento à vista (de 20% para 10%) e do aumento excessivo da taxa de lixo.

Como providência inicial, foram expedidos ofícios para a Secretaria Especial da Casa Civil, a Secretaria Municipal de Governo (Segov) e a Secretaria Municipal de Fazenda (Sefaz), visando obter a documentação relativa aos índices.

Foi solicitada a explicação sobre os critérios objetivos e parâmetros técnicos adotados para a definição do percentual de reajuste aplicado, assim como os parâmetros exigidos para a elaboração do Perfil Socioeconômico Imobiliário (PSEI) em Campo Grande, dentre outros elementos técnicos, econômicos e jurídicos acerca do aumento no valor a taxa de coleta de lixo.

Os ofícios foram remetidos no retorno do recesso forense, após a instauração do feito, e estão no aguardo das respostas.

Projeto vetado

Na terça-feira (13), a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), vetou o projeto de Lei Complementar n. 1.016/2026, aprovado no dia 12, o qual suspendia a taxa do lixo cobrada juntamente com o carnê do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

O Executivo argumenta que a proposta invade competência do Município para regulamentar e executar serviço público e administrar o lançamento tributário (vício formal de iniciativa e vício material por violação à separação de poderes).

Além disso, o parecer da Procuradoria-Geral do Município (PGM) cita a Doutrina Chenery, a qual diz que "em matérias técnico-complexas, o controle externo deve se concentrar na legalidade, coerência e racionalidade mínima do ato, não sendo adequado substituir a motivação e o mérito técnico da Administração por fundamento reconstruído externamente".

Por fim, diz que o PLC "implica renúncia de receita e criação de despesa, sem observância das exigências de estimativa e compensação fiscal impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e pelo Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), em afronta ainda às diretrizes e mandamentos do marco federal do saneamento".

Aumento

A mudança do PSEI provocou reclamações institucionais e na Câmara de Vereadores, que reverberaram as queixas de suas bases. O maior motivo é que a incidência do PSEI fez a taxa do lixo disparar em vários bairros, sobretudo na região Oeste, como Mata do Jacinto, Chácara dos Poderes e Jardim Noroeste, disparar. 

O aumento do IPTU provocou uma enxurrada de ações na Justiça. Há mandados de seguranças de pessoas físicas, de uma associação, e até mesmo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MS) contra o aumento do IPTU. 

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SESAU

Medicamentos para a rede pública continuam chegando na Capital

Ao todo, a prefeitura afirmou que o abastecimento de medicamentos está 80% completo

15/01/2026 18h15

Abastecimento de remédios continua na Capital

Abastecimento de remédios continua na Capital Divulgação / Sesau

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Após compra de mais de 30 milhões de medicamentos, a Prefeitura Municipal de Campo Grande recebeu, nesta quinta-feira (15), um novo lote de remédios e insumos para abastecimento da rede municipal de saúde, através da Secretaria de Saúde (Sesau). 

A quantidade exata dos medicamentos não foi divulgada, mas, em nota, afirmou ao Correio do Estado que já foi atingido 80% do abastecimento de medicamentos da Capital. 

Os materiais chegam ao almoxarifado central e passam por etapas de conferências e armazenamento até serem distribuídos às unidades, de acordo com a demanda de cada uma, seguindo critérios técnicos, operacionais e a disponibilidade dos itens. 

O órgão afirmou, ainda, que os remédios devem continuar chegando ao longo de todo o mês de janeiro, desde a primeira semana do mês "e deve continuar entrando até o início de fevereiro". 

O movimento faz parte de uma série de promessas feitas em 2025, tanto pelo finado Comitê Gestor da Saúde, como do novo secretário da Pasta, Marcelo Vilela. 

Ainda em novembro do ano passado, o então Comitê Gestor afirmou em reunião na Câmara Municipal que a expectativa era de que a rede pública estivesse 100% abastecida ainda em janeiro de 2026. 

Já nos primeiros dias deste ano, a Prefeitura afirmou em nota ao Correio do Estado, que realizou uma grande compra para recompor os estoques de remédios de Campo Grande, tendo adquirido “cerca de 32 milhões de unidades – entre comprimidos, ampolas e frascos – com chegada prevista para os próximos dias, garantindo o atendimento da Rede Municipal de Saúde”.

Com isso, a Sesau afirmou que a regularização está em fase final, com programação para atingir cerca de 90% de cobertura da rede pública de saúde. 

A medida veio após uma crise aguda no abastecimento de medicamentos na Capital durante o ano de 2025, onde o Ministério Público não descartou a possibilidade de entrar na justiça para pedir uma intervenção do governo do Estado na saúde pública do município. 

No mês de setembro, foi realizado um inquérito civil para apurar as falhas na gestão da Assistência Farmacêutica da Sesau, para investigar o fato da falta de remédios. Na época, o MP classificou a situação como “gravíssima”. 

Em resposta, a Sesau reconheceu as falhas e relatou que foram realizadas licitações e compras emergenciais, além de negociações com fornecedores para a quitação de débitos e regularização do fornecimento dos insumos. 

Em dezembro, o Procurador-Geral da Justiça do MPMS, Romão Avila Milhan Júnior, afirmou, em um encontro com a imprensa, que a esperança era de que os problemas fossem resolvidos em um consenso entre o MPMS, a Prefeitura de Campo Grande e o governo do Estado, mas, caso não acontecesse, o órgão poderia entrar com pedido na Justiça para ações mais drásticas. 

Verba

A Saúde conta com um terço do orçamento do Município. Para o ano de 2026, o valor estimado é de R$ 2,25 bilhões, dos R$ 6,97 bilhões totais previstos. 

Além destes, a senadora Tereza Cristina (PP) anunciou durante a posse de três novos secretários no último dia 8 que a Capital deve receber R$ 20 milhões para investimento na Saúde. 

Segundo a senadora, a verba já está empenhada e parte deve ser usada para compra de medicamentos. 

Na cerimônia, o secretário da Saúde empossado, Marcelo Vilela, disse que parte do dinheiro é para destinação à atenção primária e parte para a média e alta complexidade, sem detalhar o montante destinado a cada um. 

Disse ainda que os principais desafios encontrados apontado por pacientes, são a demora no atendimento e a falta de medicamentos, e garantiu que ambos já estão em fase de regularização. 

Conforme o secretário, a compra de remédios já foi iniciada e 80% dos medicamentos já estão no almoxarifado, enquanto outros insumos "estão chegando" para regularização nas unidades de saúde.
 

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