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CORONAVÍRUS

Recomendação é lavar as mãos, mas usuários reclamam de falta de água em terminal

MS já tem seis casos confirmados de contágio do novo vírus
18/03/2020 14:46 - Bruna Aquino, Fábio Oruê


Mesmo com setores públicos, estabelecimentos e órgãos estarem recomendando o atendimento digital e os mesmos estarem adotando o trabalho remoto para que seus funcionários e a população não precisarem sair de casa, o transporte coletivo de Campo Grande ainda apresenta certa lotação por conta das pessoas que ainda precisam deixar suas residências para trabalhar ou por outros motivos maiores. 

Para eles, o que resta é recorrer à outras formas de prevenção recomendadas pelo Ministério da Saúde, como lavar as mãos com sabão, usar álcool em gel e quando tossir proteger a boca com o cotovelo. 

Apesar de decreto republicado hoje (18), no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande), que diz que em locais de grande circulação de pessoas - como os terminais do transporte público - devem reforçar as medidas de higienização e preferencialmente disponibilizar álcool em gel 70%, sabonete líquido e papel toalha descartável nos lavatórios, quem esteve no Terminal Guaicurus nesta quarta-feira não encontrou nem água para lavar as mãos. 

Dona de casa Maria Helena, de 54 anos, procurou seguir a recomendação, mas com o problema, o que restou foi ficar com as mãos não higienizadas depois de utilizar o ônibus. “Olha, a situação está bem difícil. Por exemplo, eu desci do ônibus, fui no banheiro e não tinha água na torneira para lavar a mão, nem descarga. Com esse vírus, como a gente vai se prevenir não pode nem lavar a mão dentro do terminal? Os ônibus continuam cheios, sem ventilação”, disse ela ao Correio do Estado

 
 

LOTAÇÃO

Outra recomendação - que originou proibição de eventos e suspensão de aulas em escolas e universidades - é a para evitar aglomeração de pessoas para que o vírus do COVID-19 não se espalhe. Porém, os ônibus ainda estão apresentando lotação. 

Auxiliar de limpeza, Lázaro Bento, de 51, precisa utilizar o transporte para trabalhar todos os dias. “Mesmo sem as aulas ainda continua bastante cheio. É um risco porque tem muita gente e não tem muita prevenção. Ainda ouvi falar que vai diminuir os ônibus por conta das aulas, isso vai virar um caos”, comentou. 

Prefeito da Capital Marcos Trad (PSD) pediu ao Consórcio Guaicurus que aumente o número de veículos para evitar a aglomeração, entretanto o presidente da empresa que administra o transporte coletivo do município, João Rezende Filho avaliou não ser uma boa alternativa para evitar a disseminação do novo coronavírus. 

Para ele, a forma mais viável é a suspensão da gratuidade para idosos e deficientes para impedir que eles utilizem o transporte. “Estamos trabalhando em um momento bem ímpar, sensibilizando as pessoas a andar de ônibus em sua extrema necessidade e evitar horários de pico. Se não mudarmos a rotina, já começa a dar errado. Estamos vivendo em um momento diferente e eu vou me deslocar sem que nada tivesse mudado?”, opina o empresário.

Para tentar se prevenir, algumas pessoas usam máscaras para tentar se prevenir, mas recurso ainda é pouco visto nos locais públicos. Há quem prefira usar meios de deslocamentos alternativos, como a técnica de enfermagem Roseli Sales, 43. “Estou evitando pegar ônibus, agora só estou usando Uber. Hoje que precisei pegar ônibus, mas não tem quase ninguém de máscara; acho perigoso, os ônibus ainda estão bem cheios”, contou ela. 

 
 

RECOMENDAÇÃO

O transporte coletivo de Campo Grande também preocupa o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, diante dos casos de coronavírus que se espalham pelo Brasil. Em Mato Grosso do Sul, seis casos do vírus já foram confirmados.

O ministro esteve em Campo Grande no fim de semana e falou com exclusividade ao Correio do Estado, alertando a população para evitar ônibus lotados. “O transporte público também deve se organizar, a cidade precisa organizar fluxos, horários, para descomprimir o horário de pico”.

Entre as sugestões feitas pelo ministro, ele observou em relação ao horário de abertura das empresas, geralmente entre 7h e 8h, quando os funcionários já devem estar no local para iniciar o dia de trabalho.

“[É necessário] organizar o horário das empresas, não precisa todo mundo abrir às 7h, pode ser às 9h ou às 10h, para não lotar o ônibus”, disse Mandetta ao Correio do Estado.

A reportagem tentou contato com o presidente do Consórcio e com a prefeitura, mas até a publicação não teve resposta de ambos.

 

Felpuda


Alguns pré-candidatos que estão de olho em uma cadeira de vereador vêm apostando apenas nas redes sociais, esperançosos na conquistados votos suficientes para se elegerem. A maioria pede apoio financeiro para continuar mantendo suas respectivas páginas, frisando que não aceita dinheiro público ou de político, fazendo com que alguns se lembrem daquela famosa marchinha de carnaval: “Ei, você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí...”. Como diria vovó: “Essa gente perdeu o rumo e o prumo”.