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SANTA CASA

Pandemia de covid-19 é mais um desafio para ideia que surgiu há 103 anos

Hospital só completará 100 anos em 2028, mas a ideia de sua criação surgiu em 17 de agosto de 1917, acompanhando o desenvolvimento de Campo Grande
17/08/2020 19:38 - Nyelder Rodrigues


Abrir as portas mesmo, só em 1928, quatro anos após sua construção. Porém, a ideia de erguer um hospital que não fosse militar em Campo Grande, urbe que começava a dar seus primeiros passos para se tornar uma das importantes - quiçá a mais - do Mato Grosso, nasceu bem antes: 17 de agosto de 1917. Nessa data, há 103 anos, foi dado o pontapé para criar a Santa Casa.

Ainda sob o nome Sociedade Beneficente de Campo Grande e em uma cidade com pouco mais de 8 mil habitantes, o grupo passou a pleitear não só o hospital, como sua oficialização - a sociedade, que anos depois passou a ser associação, só foi registrada em 3 de junho de 1919.

E logo em seu início, o grupo viu Campo Grande passar por uma das doenças mais mortais da história: a gripe espanhola. Devido às condições da medicina da época, um tanto quanto arcaica, descrédito de parte da população - isso não te lembra algo? - e até parte da imprensa, a doença acertou em cheio o sul do então Mato Grosso unificado.

 
 

Três Lagoas, Aquidauana e Campo Grande acabaram sofrendo com a pandemia, como contam os livros de história. Porém, não mais que a capital Cuiabá e a então pujante Corumbá, principal tronco hidroviário da época. Ainda assim, a situação só pôde ter servido como maior estímulo.

Em 1920, foi comprado o terreno onde continua localizada a Santa Casa até hoje. Em 1924, iniciada a construção de um prédio de 40 leitos, apenas uma sala de cirurgia. O funcionamento aconteceu apenas em dezembro de 1928. Posteriormente, o local passou por diversas ampliações.

"A Santa Casa conseguiu unir duas instituições que se antagonizaram no tempo e na história: a Maçonaria e a Igreja Católica. Concebida e fundada por cidadãos, na maioria maçons católicos, os idealizadores encontraram na igreja a parceira ideal que possibilitou o seu funcionamento", explica o vice-presidente da mantenedora da Santa Casa, Heitor Rodrigues Freire.

Membro do conselho administrativo da Associação Beneficente de Campo Grande (ABCG), Freire conta parte dessa história em postagem que fez hoje em seu perfil do Facebook, enaltecendo a importância da Santa Casa e da mantenedora para a capital sul-mato-grossense.

 
 

No início, grande parte do atendimento foi prestado por freiras e irmãs ligadas a tradicional vertente salesiana da Igreja Católica. "Elas, com grande dedicação, representaram por mais de cinquenta anos o esteio que possibilitou um inestimável trabalho de acolhimento e cuidados aos pacientes", destaca Freire em seu texto.

Salto na história

O grande 'salto' da Santa Casa ocorreu nos anos 70, justo aquele em que o divisionismo efervescia no sul do Mato Grosso, com Campo Grande - ali já a mais populosa cidade do Estado - puxando o coro. Vale lembrar que, nesse mesmo período, símbolos regionais floresceram. No futebol, por exemplo, o estádio Morenão é inaugurado e cresce a dupla Comercial e Operário.

Nessa década, assim como no início de tudo, foram captados recursos para expandir a estrutura e, em 7 de outubro de 1980, já com Campo Grande oficialmente capital do Mato Grosso do Sul, inaugurar o prédio de 33 mil m2 e 750 leitos. O prédio é o mesmo que persiste até hoje.

 
 

Porém, nem só de glórias é marcada a história da Santa Casa de Campo Grande. O local também já enfrentou diversas crises, com atrasos de salários e pagamento de fornecedores. Além disso, a instituição sofreu uma intervenção municipal, ficando sob gestão de uma junta, ao invés da ABCG, entre os anos de 2005 e 2013, quando o comando foi recuperado.

Agora, em 2020, aquela ideia de 103 anos encara mais um desafio pela frente: a pandemia da covid-19. Por sorte, os tempos são outros. Uma população mais consciente - apesar dos pesares - e uma medicina mais avançada do que há um século ajudam no enfrentamento.

A unidade faz parte da rede do Sistema Único de Saúde (SUS) e tem papel importante nessa crise. Mesmo não sendo referência para pacientes com covid-19, acaba sendo o destino principal dos pacientes sem covid-19, em geral, da traumatologia - vítimas de acidente e violência.

Conforme os dados da plataforma estadual Mais Saúde, a Santa Casa contava nesta segunda-feira (17), às 19h30, com ocupação de 92,11% dos leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) para atendimento geral, próximo do limite da capacidade e em faixa de ocupação já considerada severa. Já a ocupação de leitos clínicos comuns está na faixa dos 61,15%.

 

Felpuda


Tropas de choque ligadas a alguns vereadores estão agitadas que só nas redes sociais na tentativa de desbancar a concorrência das “chefias” que querem porque querem. Querem a cadeira maior da Câmara Municipal de Campo Grande. A da presidência.

Segundo políticos mais antenados, trata-se do “segundo turno” das eleições do dia 15 de novembro, só que com apenas 29 eleitores.