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MAIO LARANJA

No ano passado, mais de 11 mil crianças sofreram violência em Campo Grande

Semed realiza campanha on-line de conscientização contra o abuso infantil
08/05/2020 15:00 - Bruna Aquino


 

Todos os dias uma criança é abusada no Brasil. A violência oculta deixa seus estragos e os autores geralmente são pessoas bem próximas que muitas vezes não são descobertas. O tema será bastante debatido no Maio Laranja, mês de enfrentamento e alerta para abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. 

Em Campo Grande, 11.151 crianças ou adolescentes já receberam atendimento ao passar por algum sofrimento em decorrência da violência infantil, segundo a Secretária Municipal de Educação (Semed). 

O Maio Laranja tem bastante impacto nas escolas, porém devido à pandemia do novo coronavírus, todos os alunos — hoje são 108 mil - da Rede Municipal de Ensino (REME) estão em casa. Pensando nisso, a Semed vai dar continuidade a campanha no enfrentamento a essa violência realizada desde 2018, mas dessa vez será por meio on-line. O Maio Laranja é uma atividade dentro da Valorização da Vida, projeto oriundo desde 2018 onde a equipe trabalha na prevenção ao combate do abuso e exploração infantil nas escolas. 

Segundo a superintendente de gestão e normas da Semed, Alelis Izabel de Oliveira, antes da pandemia, o trabalho era feito nas sete regiões da cidade em todas as escolas da Reme de forma individual e coletiva. Porém, com a disseminação do novo coronavírus, as equipes tiveram que mudar a estratégia da campanha para atingir mesmo a distância a maior parte dos alunos e principalmente os pais. “Vamos fazer a divulgação pela internet para que as pessoas se conscientizem, que há um grande índice de crianças abusadas e é preciso denunciar. Os abusos muitas vezes são detectados dentro da escola, mas como estão sem aulas é importante dar foco na conscientização”, explicou. 

No entanto, existe uma preocupação além do caos da pandemia. Segundo Alelis, a preocupação redobrou neste tempo de quarentena, porque muitos pais trabalham e deixam as crianças em casa ou com alguém, e muitas vezes não acreditam nas crianças ou não ficam atentos a mudança de comportamento. “É preciso ficar em alerta, o choro da criança é diferenciado, a criança abusada leva isso para o resto da vida”, disse. 

Para a secretária municipal de Educação de Campo Grande, Elza Ortelhado, o foco agora é a informação chegar a todos.  “Neste momento de suspensão das aulas, as crianças estão em casa, em isolamento, por isso os professores e demais profissionais não conseguem perceber as alterações no comportamento, por isso é fundamental realizarmos esta campanha virtual e fazer com que as informações, principalmente os canais de denúncia cheguem à população”, disse.

 
 

CAMPANHA

Para a superintendente, os trabalhos não podem parar nunca. Neste ano mesmo a distância o processo de conscientização será feito 100% on-line por meio das redes sociais e canais de imprensa. “Nós faremos postagens de orientações sobre o tema, como os sintomas da criança, a divulgação de todos os locais que podem ser denunciados. Além disso, cada semana teremos live com nossos profissionais. Serão psicólogos, Guarda Municipal, Conselhos Tutelares, e a Delegacia de Protecao a Crianca e ao Adolescente (DPCA) para orientar a população, até porque todos  eles estão nessa e também são responsáveis em acolher essas crianças e adolescentes”, explicou. 

“Há um número grande de crianças em sofrimento e cabe a nós fazer esse enfrentamento, falar para a sociedade que estamos aqui para acolher, seja uma suspeita ou uma orientação, nós somos o filtro”, finalizou a superintendente da Semed.

 
 

DENUNCIE

O foco da campanha é denunciar independente de qualquer ameaça. De acordo com a delegada Marília de Brito esta é uma temática bastante delicada, mas de fato bastante importante e o processo educativo deve ser feito constantemente. Segundo Marília, existe hoje crianças e adolescentes assertivos, que podem inclusive, resistir a uma espécie de abuso praticado, ela explica que a educação é sempre o caminho de longo prazo, mas com mudanças significativas para o futuro. “Conscientizar as crianças para que saibam seus direitos é defendê-los e também orientar todos aqueles que tenham cuidado, em caso de verificar a violação de direitos tomem as devidas providências cabíveis com relação ao eventual ato praticado, é uma temática que sempre está na pauta seja nas instituições públicas, é assunto da sociedade de forma total, cuidar da criança e do adolescente é dever de todos”, finalizou. 

As denúncias podem ser realizadas através do Disque Direitos Humanos pelo telefone 100, nos órgãos municipais ou na DPCA que podem ser realizadas inclusive de forma anônima. 

 

Felpuda


Alguns pré-candidatos que estão de olho em uma cadeira de vereador vêm apostando apenas nas redes sociais, esperançosos na conquistados votos suficientes para se elegerem. A maioria pede apoio financeiro para continuar mantendo suas respectivas páginas, frisando que não aceita dinheiro público ou de político, fazendo com que alguns se lembrem daquela famosa marchinha de carnaval: “Ei, você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí...”. Como diria vovó: “Essa gente perdeu o rumo e o prumo”.