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AQUIDAUANA E MIRANDA

Defensoria pede ajuda emergencial para indígenas

Casos de coronavírus e óbitos na população indígena do Estado vem aumento no últimos dias
24/07/2020 15:33 - Fábio Oruê, Glaucea Vaccari


Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul encaminhou à Secretaria de Estadual de Saúde (SES) uma solicitação de ajuda emergencial no enfrentamento da pandemia da Covid-19 nas comunidades indígenas de Aquidauana e Miranda.

Nos últimos dias, essas comunidades viram o coronavírus se espalhar pelas aldeias, elevando as atenções das autoridades para a saúde indígena. 

De acordo com a primeira subdefensora pública-geral, Patrícia Elias Cozzolino de Oliveira, esses dados oficiais do Boletim Epidemiológico divulgados recentemente têm chamado atenção quanto à situação da contaminação da doença nessas comunidades.

“Solicitamos auxílio às comunidades indígenas de ambos os municípios para que se evite o aumento no número de casos de morte, bem como a circulação do vírus entre essas populações vulneráveis, que necessitam, com a máxima urgência de álcool 70%, máscaras, aventais, luvas, além de apoio humano, por meio de equipes treinadas”, afirma ela.

A coordenadora no Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas e da Igualdade Racial e Étnica (Nupiir), defensora pública Neyla Ferreira Mendes, pontua que nos dados do dia 20 de julho constam em Aquidauana, que dos 47 casos confirmados da Covid-19, 37 são de indígenas.

 “O que nos preocupa, ainda mais, é que além disso, conforme o documento, nas últimas 24h ocorreram 5 óbitos de indígenas da mesma família, pertencentes à aldeia Taunay Ipegue e Bananal”, disse.

Já na região de Miranda foram confirmados 6 casos de contaminação pelo coronavírus. O primeiro registro é do dia 16 de julho como sendo de um indígena da Aldeia Moreira.

SES

A infectologista Mariana Croda, da SES, disse que o governo do Estado tem um plano específico onde ações de média e alta complexidade são realizadas na atenção de saúde primária. 

“Esse aumento abrupto foi maior do que a capacidade da equipe de saúde em conter o surto”, disse ele sobre a situação em Aquidauana. 

Segundo ela, tanto a secretaria estadual quando a municipal colocaram em prática algumas ações para conter o avanço da doença. “Treinamento da equipe, tentativa de isolamento, melhoria da assistência e apoio a equipe de saúde indígena para monitoramento, detecção precoce e encaminhamento para unidades de saúde; equipes estão com reforços de médicos e enfermeiros nas aldeias”, elencou ela. 

Em transmissão ao vivo nesta sexta-feira (24), Croda também elogiou os indígenas. “População indígena vem fazendo um trabalho lindo de conscientização da sua população, com o levante para ajudar os que precisam”, comentou ela. 

Ontem (23), o secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, pediu ao Ministério da Saúde que envie um dos hospitais de campanha da região norte do Brasil, para reforçar a oferta de leitos em Aquidauana. 

TAUNAY 

Os 11,8 mil terenas do distrito de Taunay recebeu ontem kits de proteção  – luvas, máscaras, óculos, protetores faciais e aventais -, 1,2 mil litros de álcool 70 e 1,2 mil testes rápidos para diagnóstico do coronavírus. Além disse, terão o reforço no atendimento nas aldeias, com o envio de uma ambulância, médico e um técnico de enfermagem. O atendimento será feito nas escolas municipais que funcionam nas aldeias.

Barreira sanitária instalada pelos indígenas, desde março, está desempenhando um papel importante no controle do acesso ao distrito, segundo as autoridades de saúde. Um grupo de indígenas, com a presença dos caciques, se revezam dia e noite para garantir o controle. 

Os veículos são desinfectados e a temperatura corporal é aferida. Agora, os voluntários trabalharão equipados com o kit liberado pelo Estado.

“A gente está apreensivo, com muito medo. Nosso psicológico está abalado”, alertou o cacique Gerílson Samuel, da Aldeia Bananal. 

“A ajuda do Governo do Estado e da prefeitura é bem-vinda, vamos repassar as orientações para a comunidade”, adiantou. O cacique Orlando Moreira, da Aldeia Lagoinha, garantiu que a comunidade está cumprindo o toque de recolher e evitando aglomerações.

MPF

Ministério Público Federal (MPF) reuniu-se remotamente, nesta sexta-feira, com representantes do Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi), da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai/MS) e com chefes de polos base de Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dseis), além de lideranças indígenas, para discutir medidas de enfrentamento ao coronavírus nas terras indígenas da região.

A insuficiência de médicos e a falta de equipamentos de proteção individual (EPIs) foi assunto recorrente entre os representantes da saúde, além da falta de ações efetivas de isolamento e de barreiras sanitárias. Todas essas questões são objeto de ação civil pública ajuizada pelo MPF e de recurso que aguarda decisão quanto às medidas urgentes requeridas.

O procurador da República Luiz Eduardo Outeiro Hernandes destaca que o MPF está em contato constante com órgãos de saúde estaduais e comunidades indígenas e têm buscado tanto medidas judiciais (ação civil pública) quanto extrajudiciais (recomendações, campanha para arrecadação de EPIs) para mitigar os efeitos da pandemia nas comunidades e aldeias indígenas.

 
 

Felpuda


Figurinha carimbada ganhou o apelido de “biruta”, instrumento que indica direção do vento e, por isso, muda constantemente. Dizem que a boa vontade até existente ficou no passado, e as reclamações são muitas, mas muitas mesmo, diante das decisões que vem tomando a cada mudança de humor do eleitorado. Como bem escreveu o poetinha Vinicius de Moraes: “Se foi pra desfazer, por que é que fez?”.