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Caso Eliza

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'Delegado cobrou R$ 2 mi para pôr a culpa em Macarrão'

'Delegado cobrou R$ 2 mi para pôr a culpa em Macarrão'

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O ex-goleiro Bruno Fernandes negou nesta terça-feira, durante audiência da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, que pretendesse pagar R$ 1,5 milhão ao advogado Robson Pinheiro para garantir sua liberdade. Preso desde julho de 2010 pelo desaparecimento da ex-amante Eliza Samudio, Bruno disse que sofrera tentativa de extorsão semelhante por parte do delegado Edson Moreira, titular do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) mineiro.

"Eu quero sair daquela (penitenciária) Nelson Hungria de cabeça erguida, porque eu não devo nada. Quero sair para cuidar da minha carreira e dos meus entes queridos. Se eu quisesse sair por meio de corrupção, eu teria aceitado o pedido do senhor Edson Moreira , que me pediu R$ 2 milhões para jogar a culpa em cima do Macarrão (Luiz Henrique Romão) e do meu primo menor", disse o ex-jogador.

O pedido teria acontecido na sala de Moreira no DHPP, durante uma conversa informal. Segundo Bruno, os dois estariam sozinhos quando o delegado sugeriu transferir a culpa ao amigo e ao primo do ex-goleiro. "Naquela época, eu conseguiria esses R$ 2 milhões em um estalar de dedos, (...) mas eu considero o Macarrão uma criança, então eu não faria isso", disse.

Bruno relatou ainda que recebeu outras ameaças de Moreira no mesmo dia. "Ele perguntou o que eu achava se eu encontrasse pedaços de minha filha espalhados por Minas Gerais. Uma perna aqui, outra ali, decapitada", disse. "Lá (DHPP) não me foi perguntado nada sobre o processo. Ele (Moreira) queria que eu contasse uma história. Do tipo 'me dá uma perna, um cabelo, uma unha (da Eliza)'. E eu respondia: 'o senhor está louco, doutor?'", disse.

Procurado pelo Terra, o delegado Edson Moreira disse que não vai se pronunciar sobre a acusação de Bruno. "Eu tenho mais o que fazer. Isso (o inquérito do caso Bruno) já foi apurado, está com a Justiça. O povo que vai decidir", afirmou.

Extorsão de advogado e juíza
Bruno participa, desde as 9h40 desta terça-feira, de uma audiência no auditório da Assembleia Legislativa. O ex-goleiro foi convidado pela Comissão de Direitos Humanos da Casa para prestar esclarecimentos sobre a suposta tentativa de extorsão que ele e sua noiva, Ingrid Calheiros, teriam sofrido por parte da juíza de Esmeraldas, Maria José Starling, e pelo ex-advogado do jogador, Robson Pinheiro. Emocionado, o ex-goleiro chorou pouco antes da abertura da audiência.

Durante a audiência, o ex-goleiro, emocionado, chorou. O primeiro a falar foi o advogado de Bruno, Claudio Dalledone Júnior, que apresentou à comissão supostos e-mails trocados entre a juíza e Ingrid que comprovariam a tentativa de extorsão, além do contrato de Pinheiro e outros documentos. Segundo Dalledone, a magistrada entrou em contato com Ingrid oferecendo um plano para soltar o ex-goleiro. De acordo a denúncia feita por Ingrid à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, a juíza e Pinheiro teriam pedido R$ 1,5 mi para tirar Bruno da cadeia.

Após a descoberta do plano, por sugestão de Dalledone, Bruno teria afastado Pinheiro do caso. Segundo a versão de Dalledone, confirmada pelo ex-jogador, mesmo após seu afastamento, Pinheiro foi até o presídio, no fim de fevereiro de 2011, e afirmou que já estava com o habeas-corpus prometido em mãos. "Ele disse: 'seu alvará está pronto, falta você assinar e em 48 horas você sai'", afirmou Bruno. Entretanto, o documento assinado por Bruno seria uma procuração para reintegrar Pinheiro a sua defesa, o que obrigou Dalledone a forçar uma segunda destituição de seu colega.

Bruno negou que tenha tido qualquer contato pessoal com a juíza, a quem se referia, por orientação de Pinheiro, através de códigos: em conversas entre os dois, a magistrada era citada como "a amiga". Apesar de nunca ter visto Maria José Starling, o ex-jogador disse que recebeu livros enviados pela juíza.

Inocência
Diante de uma plateia de deputados e jornalistas, Bruno voltou a negar participação na morte de Eliza Samudio. "Olhando nos olhos de vocês: eu sou inocente. E todos os envolvidos nesse caso também são", disse. "Ela não ficou em cárcere privado, não foi espancada, essas coisas que falam. Na minha casa não ocorreu isso. É muito 'disse-me-disse'", afirmou, reclamando do tratamento de parte da imprensa.

"Ela saiu da minha casa viva, e nunca tive com o Macarrão qualquer conversa sobre essa senhorita. Eu fiquei dez meses com o Luiz Henrique e o perguntava se ele tinha feito algo. Ele olhava dentro dos meus olhos e falava que não", garantiu. O ex-jogador disse acreditar que sua ex-amante ainda esteja viva. "Só procuraram ela morta. Por que não começam a procurá-la viva? Por que eu tenho que passar por essa humilhação no presídio?", queixou-se. O ex-jogador questionou o passado de Eliza para corroborar sua tese de que ela pode estar viva, sugerindo que ela poderia estar envolvida em algum tipo de "armação".

Por fim, Bruno agradeceu aos fãs pelo carinho que vem recebendo na prisão e reclamou por não poder responder as cartas que lhe são entregues. "Podem acreditar em mim. Eu sou inocente", disse.

O caso Bruno
Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano anterior, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.

No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio e Bola serão levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores.

Caso Sophia

Adepol aciona OAB contra advogada que denunciou negligência no caso Sophia

A advogada, por sua vez, reitera posicionamento e alega "omissão sistêmica"

26/02/2024 19h53

A advogada demonstrou revolta ao saber do posicionamento da delegada e explicou que a representação e o boletim de ocorrência vieram Divulgação Redes Sociais

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A delegada, Anne Karine Senches Trevizan Duarte, do caso Sophia, por meio da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de Mato Grosso do Sul (Adepol-MS), entrou com uma representação e registrou um boletim de ocorrência contra a advogada de acusação Janice Andrade. 

O motivo da representação contra a advogada na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MS), ocorreu devido a Adepol considerar "inaceitável" o posicionamento da advogada, assim como foi registrado um boletim de ocorrência por parte da delegada, contra Janice. Veja a nota na íntegra: 

"Trata-se de um comportamento de extrema gravidade, já que um ataque à honra e dignidade de uma Delegada de Polícia, mulher e mãe de família por parte urna Advogada é inaceitável, incabível e imoral e vem frontalmente contrário às condutas equilibradas, sadias e harmoniosas com que a ADEPOL/MS e OAB/MS resolvem suas demandas, sempre com muito respeito, consideração e cooperação". 

E conversa com o Correio do Estado, a advogada explicou que conheceu o pai da pequena Sophia, no dia 22 de novembro de 2022, ocasião em que Jean Carlos Ocampo, procurou a Delegacia Especializada de Proteção a Criança e ao Adolescente para registrar ocorrência da perna quebrada da criança. 

A advogada demonstrou revolta ao saber do posicionamento da delegada e explicou que a representação e o boletim de ocorrência vieram, após uma fala que deu para um documentário produzido para um trabalho de conclusão de curso (TCC). 

Por meio de nota, a Adepol manifestou apoio a delegada ao que definiu de "ataque a honra" proferidas pela advogada no documentário.

Já na situação que envolve a delegada Anne Karine Senches Trevizan Duarte, a advogada Janice acredita que está sofrendo uma tentativa de silenciamento em seu posicionamento e voltou a reiterar que não retira nada do que disse.

"Estou indignada, porque uma criança morreu, foi torturada por 1 ano, teve 2 boletins de ocorrência. Ela foi omissa, faltou com a verdade na imprensa, mentiu, chamei de mentirosa. Repito que ela é mentirosa e ela vem me processar querendo me calar? Não vai me calar não", pontuou Janice.

O caso

Sophia Ocampo, de 2 anos de idade, deu entrada sem vida, no dia 26 de janeiro de 2023, na Upa Coronel Antonino, em Campo Grande (MS). 

 O padrasto Christian Campoçano Leithem e a mãe Stephanie de Jesus da Silva foram presos em flagrante por crime de homicídio qualificado por motivo fútil. 

Antes de ser morta, Sophia chegou a ser atendida por 30 vezes em postos de saúde de Campo Grande, ao que a advogada se refere como "omissão sistêmica". Todas as entradas de Sophia em Upas eram justificadas como "quedas" ou "acidentes enquanto brincava".

Posteriormente a investigação levantou que a criança apresentava sinais de espancamento e estupro.

Luta do pai de Sophia

São relatos desde o dia 31 de dezembro de 2021, quando o técnico de enfermagem Jean Ocampo (pai de Sophia), buscou a filha para passar a virada do ano, e notou hematomas espalhados pelo corpo da dela, inclusive no rosto.

O Conselho Tutelar chegou a ser procurado, e no mês de dezembro a criança passou por exame de corpo de delito, na Delegacia Especializada de Proteção a Criança e ao Adolescente (DEPCA).

Para ter direito de visitas a filha, Jean Ocampo, teve que entrar na justiça, ainda assim o acesso a criança só era permitido conforme a mãe determinava.

No dia 31 de janeiro de 2022, o pai registrou o primeiro boletim de ocorrência por maus-tratos.

Com apenas 1 ano e 7 meses, precisamente no dia 8 de fevereiro de 2022, Jean Ocampo novamente procurou o Conselho Tutelar após dizer que a avó materna o procurou para informar que a criança era vítima de maus-tratos constantes por parte da mãe. 

Precisamente três meses após procurar o Conselho Tutelar, no dia 5 de maio de 2022,  recorreu mais uma vez ao Conselho Tutelar da região norte de Campo Grande, por conta de vizinhos terem denunciado maus-tratos contra um animal de estimação na casa. A qual havia relatado na ocorrência anterior que era insalubre.

Nesta ocasião ficou agendada uma visita a casa pelo Conselho Tutelar e Jean foi orientado a procurar a Defensoria Pública para pedir a guarda da filha. 

Depois buscar orientação na Defensoria Pública, no dia 10 de maio de 2022, o pai procurou o Conselho Tutelar para retirar documentos solicitados e soube que a filha não estava com a carteira de vacinação em dia. 

Somente nove meses depois, em 20 de outubro de 2022, Jean foi chamado para prestar esclarecimentos em uma audiência com a Justiça, acerca do primeiro boletim de ocorrência, registrado por maus-tratos. 

Após os pais serem intimados pela Justiça, no dia 22 de outubro de 2022, sobre a denúncia de maus-tratos, apenas o pai compareceu e o caso foi arquivado. Por meio de nota o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, relatou que a mãe e a avó foram ouvidas pela Polícia Cívil e informaram que não ocorreu nenhuma situação de maus-tratos contra Sophia.

No dia 22 de novembro de 2022, o segundo boletim de ocorrência foi registrado na DEPCA, quando Jean foi buscar Sophia e se deparou com a filha com a perna quebrada e outros hematomas pelo corpo. 

A última entrada de Sophia na Upa Coronel Antonino, ocorreu no dia 26 de janeiro de 2023. A criança deu entrada na unidade morta. Posteriormente, a perícia constatou que a criança havia morrido 7 horas antes de chegar à UPA.

O laudo necroscópico do Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) indicou que Sophia morreu por um traumatismo na coluna causado por agressão física. Além das diversas lesões no corpo, a criança apresentava, ainda, sinais de estupro.

Julgamento

Após o silêncio dos réus do Caso Sophia, Christian Campoçano Leithem (padastro) e Stephanie de Jesus da Silva (mãe), acusados de maltratar, violentar e assassinar a criança de dois anos. O juiz de direito, Aluizio Pereira dos Santos, da 2º Vara do Tribunal do Juri de Campo Grande, tomou uma decisão considerada 'inovadora' e que deve quebrar a estratégia de se manterem calados na próxima audiência, marcada para o dia 5 de dezembro.

Conforme o despacho do juiz, na prática as defesas técnicas diante dos interrogatórios que ocorrem nas audiências, orientam seus clientes a não responderam as perguntas. Diante disso, caso a defesa dos réus do Caso Sophia decidam permanecer em silêncio, dessa vez os advogados deverão informar previamente e anexar ao processo perguntas e respostas.

"Os referidos advogados deverão dizer no prazo de três dias se será ou não a orientação supra dada aos acusados. Faculto-lhes juntar nos autos no prazo de 5 dias as perguntas dos advogados com as respectivas respostas dos acusados sobre o conteúdo da denúncia e provas do processo para fins de levar em consideração por ocasião da setença", diz o trecho da decisão feita no dia 20 de novembro.

05/12/2023

Durante a audiência no Fórum de Campo Grande, que durou mais de quatro horas, na tarde de hoje (5), os réus do 'Caso Sophia' falaram pela primeira vez. Stephanie de Jesus da Silva e Christian Campoçano Leitheim, respectivamente mãe e padrasto de Sophia Ocampos de Jesus, violentada e assassinada aos dois anos, negaram as acusações.

Em seu depoimento, a ré e mãe da criança atribuiu toda culpa ao companheiro. “Foi o Christian. Eu não teria coragem. Não tinha coragem nem de bater nela, quem dirá de matar a minha própria filha”, afirmou Stephanie.

Stephanie também negou que agredia a filha e confessou que dava apenas 'palmadas' e a colocava de 'castigo'. 

“Eu corrigia da forma que eu sempre fui corrigida quando era criança, nunca agredi a minha filha. Corrigi só com palmadas. Ele era muito explosivo quando ficava com raiva. Eu me intrometia quando ele ia bater na Sofia ou no filho dele. E eu acabava sendo agredida", disse a ré.

Em relação ao crime de abuso sexual, Stephanie disse que nunca notou sinais de que o companheiro cometia esse crime contra sua filha. Somente no dia da morte da criança, que ela percebeu uma atitude estranha. 

“Trabalhava das 8 da manhã até às 18h da tarde. Passava o dia inteiro fora nesse serviço. Eu que tinha que sustentar a casa, porque o Christian, aparentemente, não gostava de trabalhar. Eu nunca vi nada de errado, mas não quero defendê-lo. Desconfiei só no dia em que ela faleceu, porque depois que ela tomou banho, ele quis colocar roupa e fralda nela”, acrescentou a ré. 

Contestada sobre o crime de omissão e por que não denunciou antes as agressões e se manteve em silêncio até agora. Stephanie assume que tinha medo.

"Ele me espancava. Eu não tive coragem de denunciar porque ele me ameaçava, falava que inventar coisas para pro Jean, para eu nunca mais ver a Sofia e que ia pegar a minha filha Stela e sumir.  Me sinto muito culpada de não ter feito e dito tudo isso antes. Eu sempre cuidei dela e infelizmente depois que eu conheci ele que aconteceu essa tragédia. O meu pior erro foi ter tido um relacionamento", explicou Stephanie.

Uso de drogas


Questionada se outras pessoas frequentavam a casa do casal, a fim de usar drogas ou para sexo, Stephanie também negou. Mas confirmou que usava entorpecentes a mando do companheiro.

“As pessoas não frequentavam para fazer sexo. Eu mesma tinha duas amigas e elas não frequentavam a minha casa por conta do Christian, que não gostava de nenhuma. Eu estava fumando e cheguei a cheirar um pouco também. Christian falava toma, vai fazer bem para você ou até alguns outros amigos dele também”, confessou a ré.

Diante dessa acusação, Christian negou que ficava agressivo e confessou que fazia uso de entorpecentes.

"Quando utilizava cocaína, sentava num canto, ficava bebendo e fazendo uso de cigarro", e acrescentou ainda que na véspera da morte da criança, se reuniu com amigos em casa, onde “bebeu fumou narguilé”.

Guerra narrativas


Durante o depoimento de Christian Campoçano Leitheim, a estratégia foi culpar Stephanie, o que levou o juiz Aluízio Pereira dos Santos, a questionar se os dois haviam combinado de um acusar o outro. 

Ao ser questionado pelo magistrado como se definia, resumiu em poucas palavras como "um tanto amigável". Diferente da mãe de Sophia que chorou durante o depoimento, Christian não demonstrou emoções.

"Sempre fui uma pessoa um tanto amigável. Sempre procurei diversas amizades, como posso dizer? Chegar em um local assim e ser bem recebido", disse Christian. 

Afirmou que teve dois empregos em uma loja de cultura nerd e outro em um posto de gasolina. Sobre não trabalhar, justificou que tinha que ficar cuidando das crianças por, em sua opinião,  Stephanie não ter paciência para ficar com os filhos. 

"Trabalhei em diversas áreas, minhas últimas experiências foram em uma loja de cultura nerd e um posto de gasolina", disse e o juiz informou que ele foi acusado pela esposa de ter cometido o crime contra Sophia.

Convivência "mais ou menos"

Neste ponto, Christian afirmou que a convivência com a esposa nunca foi fácil e jogou "nas costas dela" a responsabilidade por um casamento de 1 ano e quatro meses instável.

"A Stephanie nunca foi uma pessoa fácil de lidar. Assim, sempre muito ciumenta, bem explosiva, gostava de gritar o tempo inteiro. Algumas vezes ela partiu, sim, para cima de mim. Então não era um relacionamento fácil de lidar", explicou Christian.

Apesar de afirmar não possuir vício com drogas. Confirmou que fez uso de cocaína e maconha em outras ocasiões, o que ele classificou como "nada muito frequente".

No entanto, após Sophia ter passado mal durante o dia todo durante a madrugada, ele disse que o casal fez uso de entorpecentes até 4h da manhã na companhia de três amigos dele.

"A gente fez a utilização das drogas, bebeu um pouco e fumamos narguilé", afirmou Christian. 

Casa bagunçada, com fezes, bichos, segundo Christian, por culpa da esposa, que foi apontada como alguém que não gostava de cuidar das crianças e nem limpar a residência.

O que é contrário ao que ela afirmou em depoimento, dizendo que trabalhava das 8h às 18h, para manter a  família financeiramente. Enquanto o combinado era que ele cuidaria dos pequenos já que Christian nas palavras dela "não gostava de trabalhar".

"Ela não gostava de arrumar a casa e ficar com as crianças. Então ela falou: prefiro trabalhar. Eu falei tá bom, então você trabalha e eu fico em casa com as crianças. Mas quando aparecia meus freelas de final de semana eu vou. Porém, ela era muito bagunceira. Ela chegava e jogava as roupas em cima do sofá, não queria saber e quando eu ia falar ela dizia que trabalhou o dia inteiro. Ela dizia as coisas e não queria nem saber. Isso foi me enjoando de ficar arrumando a casa porque nunca gostei de ficar arrumando casa, por isso nunca baguncei. Já ela era ao contrário, mas ela bagunçava porque eu ia arrumar", disse.

O juiz questionou sobre as fraldas sujas de fezes e Christian alegou ter sido um discuido colocou a culpa no cachorro que rasgou o saco que lixo e a casa acabou terminando nesse estado.

Por ele Sophia foi descrita como uma criança tranquila diferente do filho dele que tinha muita energia. "Ela gostava de dançar e escutar música". Christian negou que abusou nas "correções" aplicadas na pequena  Sophia.

"No dia do fato, senhor eu estava de repouso. Fiz utilização, sim, de drogas e bebida. As quatro horas da manhã fui dormir. Então era bem provável que eu não acordaria em certo horário, entendeu? E no dia do fato quem me acordou foi a Stephanie falando 'amor, a Sophia não está bem' e quando eu observei ela já estava com a boquinha roxa e convulsionando", afirmou.

Sobre quem poderia ter maltratado a criança, atribuiu a esposa afirmando que era a única pessoa que estava na casa no momento. "A única pessoa que estava acordada era a Stephanie, né? Não tinha mais ninguém", disse Christian.

O padrasto negou ter estuprado a pequena Sophia, afirmando que a primeira coisa que fez assim que o advogado se apresentou foi solicitar um exame médico para esclarecer os fatos.

Acusações 


A ação penal, movida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), incrimina tanto o padrasto, Christian Campoçano Leitheim, quanto a mãe da vítima, Stephanie de Jesus da Silva.

Christian Campoçano Leitheim enfrenta acusações com base nos artigos 121, § 2º, incisos II (motivo fútil), III (meio cruel), IX (contra menor de 14 anos) do Código Penal, com as implicações da Lei 8.072/90. Além disso, é acusado de estupro de vulnerável, conforme o artigo 217-A c/c artigo 226, II do mesmo diploma, em concurso de crimes (c/c artigo 69 do Código Penal).

A denúncia contra Stephanie de Jesus da Silva é fundamentada nos artigos 121, § 2º, incisos II (motivo fútil), III (meio cruel), IX (contra menor de 14 anos) do Código Penal, com as implicações da Lei 8.072/90. Também está incluída a acusação de homicídio doloso por omissão, segundo o artigo 13, § 2º-A, alínea a, do mesmo diploma legal. Todas as acusações estão relacionadas à trágica morte de Sophia de Jesus Ocampo.

Por fim, cabe destacar que a audiência foi conduzida pelo juiz Aluizio Pereira dos Santos, titular da 2ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, no auditório Francisco Giordano Neto, no Fórum de Campo Grande.

Com essa audiência termina a fase de instrução. O andamento do processo continuará no próximo ano, de 2024. O juiz definirá então, se os réus vão a júri popular ou não. 

Recurso

O juiz Aluizio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, retirou de pauta o julgamento de Stephanie de Jesus e Christian Campoçano, respectivamente mãe e padrasto da menina Sophia Ocampo, morta em janeiro do ano passado.

O julgamento estava marcado para os dias 12, 13 e 14 de março deste ano. Os acusados estão presos desde o dia 27 de janeiro do ano passado, um dia após o crime.

Conforma despacho do juiz, ambos os acusados entraram com recuso pedindo que a sentença de pronúncia do magistrado, que determinou que sejam levados a júri popular, seja reformada e, devido a estes recursos, o júri foi retirado de pauta.

** Colaborou Suelen Morales e Glaucea Vaccari

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EM 4 MESES

André Patrola move nova ação de despejo contra a família Trad

Alvo é Maria Thereza Trad, irmã de Marquinhos; em outubro, a ação foi contra o cunhado do ex-prefeito

26/02/2024 18h52

Prédio Ile de France, onde fica o apartamento alugado por Maria Thereza Trad Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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O empreiteiro André Luiz dos Santos, conhecido como André Patrola, moveu nova ação de despejo contra a família Trad. Desta vez, a ação de despejo por falta de pagamento, com pedido de liminar e cobrança de aluguéis e encargos, é contra Maria Thereza Trad, irmã do ex-prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad, do senador Nelson Trad e do ex-deputado federal Fábio Trad.

Em outubro do ano passado, o alvo foi o médico Leandro Mazina Martins, ex-secretário de Saúde de Campo Grande, cunhado de Marquinhos e dos irmãos. Ambos os alvos são moradores do mesmo edifício, o Ile de France, na Rua Euclides da Cunha, mas em apartamentos diferentes.

Na ação contra Maria Thereza Trad, impetrada neste mês, é relatado que o contrato de locação de um apartamento foi firmado em maio de 2019, pelo prazo de dois anos, sem reajuste anual.

O valor mensal era de R$ 4,5 mil, com desconto de R$ 1 mil em caso de pagamento em dia, sendo de responsabilidade da locatária também o pagamento do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) e taxa de condomínio.

No entanto, Maria Thereza continua no imóvel e estaria inadimplente com o aluguel e encargos desde julho de 2021. A dívida, até o início de fevereiro deste ano, foi calculada em R$ 114.372,39 referente aos meses de aluguel em atraso e em R$ 99.690,85 de IPTU, totalizando mais de 214 mil.

“Não obstante os meses em atraso, o autor implementou todos os meios possíveis à solução pacífica do imbróglio, não restando outra alternativa senão o pedido de despejo com cobrança dos haveres pendentes”, diz a ação.

Desta forma, é enunciado que Patrola não tem intenção de manutenção da locatária no apartamento e pede a concessão de liminar para que ela seja despejada em 15 dias, devido à falta de pagamento de aluguel.

Também é pleiteada que ela seja citada para efetuar o pagamento do débito atualizado, mediante depósito judicial, em até 15 dias após a intimação.

Além disso, é pedido que a ação, ao final, decrete a rescisão da locação, com o consequente despejo, e que ela seja condenada ao pagamento das dívidas em atraso e das que vierem a vencer no decorrer da ação.

Liminar concedida 

O juiz Maurício Petrauski, da 9ª Vara Cível de Campo Grande, deferiu a liminar na última terça-feira (20) e determinou que Maria Thereza Trad seja intimada, no prazo de 15 dias, a desocupar o imóvel, sob pena de execução da ordem de despejo caso não cumpra a decisão.

Também foi dado prazo de 15 dias para que ela evite a rescisão do contrato, caso deposite os valores atrasados, multas, juros, custas e honorários advocatícios, fixados em 10% sobre os valores devidos.

O prazo para a desocupação segue em curso.

Patrola 

André Patrola é dono das empreiteiras ALS dos Santos e também a ALS Transportes, e foi denunciado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) por susposto envolvimento em esquema de fraudes em licitação, lavagem de capitais e ainda por ligação com organização criminosa.

Conforme apurado pelo MPMS, as empresas de Patrola locam maquinários para a pavimentação e manutenção de estradas e ruas nas cidades. 

Os contratos firmados entre Patrola e a prefeitura de Campo Grande, que arrecadaram em torno de R$ 300 milhões, foram acertados de maneira suspeita. 

Pelo negócio, as empresas de Patrola teria de conservar as vias da cidade. A tarefa, contudo, segundo a investigação, não era concluída, mas, ainda assim, paga. 

Os principais contratos com as empresas de Patrola e a prefeitura foram ajustados no período da gestão de Marquinhos Trad, irmão de Maria Thereza e cunhado de Mazina, que podem ser despejados,

Patrola foi, ainda, multado em R$ 1,3 milhão por desmatamento ilegal na região do Pantanal sul-mato-grossense.

* Colaborou Celso Bejarano

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