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RETOMADA AUTORIZADA

Desafio para lotéricas que abriram é fazer clientes respeitarem medidas de segurança

Nem com marcação na calçada as pessoas ficaram a 1,5m uma das outras na fila
27/03/2020 11:52 - Ricardo Campos Jr


 

Nas poucas lotéricas que abriram nesta sexta-feira (27), o desafio foi disciplinar os clientes a adotarem medidas de segurança contra o novo coronavírus. Mesmo com marcas nas calçadas para que fosse mantida distância mínima na fila, muitos transgrediram as regras. Além disso, houve presença massiva de idosos procurando atendimentos, risco para a população mais vulnerável aos casos graves da doença.

O prefeito Marcos Trad Filho (PSD) autorizou o funcionamento do setor com algumas condições: o horário de atendimento tem que ser das 9h às 17h. Os consumidores devem ficar separados 1,5 metro uns dos outros e higienização com álcool em gel é obrigatória.

A equipe de reportagem do Correio do Estado percorreu várias lotéricas. A maioria fechada. Alguns estabelecimentos fixaram cartazes avisando que reabrem na próxima segunda-feira. Outros, que só operam no começo de abril.

Na Avenida Capital havia uma que estava funcionando. O local seguiu todas as recomendações. Funcionários borrifavam álcool 70% nas mãos de todos os que entravam no recinto e também para quem estava no lado de fora.

Fitas e marcações com giz foram feitas no chão da calçada para orientar a fila com distância mínima. Contudo, as pessoas optaram em se aglomerar rentes ao muro para se protegerem do sol. O problema é que não guardavam 1,5 metro de afastamento.

“É para a segurança de vocês, mantenham a distância”, dizia uma funcionária. Imediatamente as pessoas se distanciavam um pouco mais, mas logo chegava mais gente e a aglomeração tinha lugar novamente.

Idosos eram mandados de volta para a casa sem atendimento. “Achei uma baixaria. Estou endividada até a crina. Preciso pagar minhas contas”, disse a aposentada Neide Cardoso, 63 anos.

Na opinião dela, “essa medida é boa, mas ao mesmo tempo é ruim. O que será do Brasil sem os idosos?”, disse. A gerência da lotérica informou o Correio do Estado que o caso de Neide não foi isolado e muitas pessoas com mais de 60 anos procuraram ao local.

Para quem foi atendido, alívio em poder honrar com os compromissos financeiros e reduzir juros e multas, ainda que as perspectivas econômicas não sejam boas. “Minhas contas estão todas atrasadas. Depois vêm juros e multa. Eu sou pintor autônomo, por causa da quarentena estou sem serviço, não sei o que vai ser no mês que vem”, disse Jean Michel Andrade, 25 anos.

O decreto que autorizou tanto a abertura das lotéricas como dos restaurantes foi publicado ontem em edição extra do Diário Oficial.