Especial Coronavírus (COVID-19) - Leia notícias e saiba tudo sobre o assunto. Clique aqui.

PANDEMIA EM MS

Desde o Dia das Mães, casos de Covid-19 aumentaram 2.000% em MS

Baixa adesão ao isolamento social é o principal fator para o crescimento dos números da pandemia no Estado
25/06/2020 15:00 - Adriel Mattos


Surtos em cidades pequenas de Mato Grosso do Sul ajudaram no aumento expressivo dos casos de Covid-19 (doença causada pelo novo coronavírus). Entre o Dia das Mães, em 10 de maio, até esta quinta-feira (25) o número de casos ativos - isto é, contando pacientes internados e em isolamento - aumentou 2.080,66%.

Na avaliação de Marianna Croda, infectologista da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), esse não é o único fator para essa alta tão expressiva. “A falta de adesão ao isolamento social é o principal fator. O que ocorreu foram surtos localizados. Em Guia Lopes da Laguna, começou por um frigorífico. Em Dourados, na aldeia urbana. E em Brasilândia, foi por uma reunião familiar”, explicou a especialista.

Os surtos foram controlados, mas a doença continuam interiorizando cada vez mais. Hoje, dos 79 municípios do Estado, 65 já tem casos confirmados. “Temos que levar em conta também a transmissão comunitária sustentada. Isto é, não se sabe mais onde aquele paciente foi contaminado”, destacou Marianna.

Na quarta-feira (24), o índice de isolamento foi de 36%, segundo dados divulgados pelo Governo do Estado hoje. “Quanto mais a taxa de isolamento ficar abaixo dos 50%, mais tempo continuaremos nessa situação”, afirmou a infectologista.

Há pouco mais de um mês, o Estado tinha 362 casos no total. Hoje, as confirmações chegaram a 6.523, o que representa aumento de 1.701,93%. Considerando apenas casos de pacientes ainda infectados, os casos ativos saltaram de 150 para 3.271.

Quanto aos recuperados, o aumento foi de 1.487,56%, indo de 201 em 10 de maio para 3.191 até hoje. O número de mortes subiu 454,54%, passando de 11 até o mês anterior para 61.

 
 

MEDIDAS DURAS

Na avaliação de Marianna, medidas como o toque de recolher, que passa a começar às 22h a partir de amanhã, sexta-feira (26), em Campo Grande, não são suficientes. “Medidas assim não funcionam. Dando à população a opção de escolher se adere ou não o isolamento, que opta por não ficar em casa, o único caminho é o lockdown”, explicou. Para ela, o ideal seria manter apenas serviços essenciais operando.

Com a circulação de pessoas em alta, os jovens são os mais afetados. “Por ser a maior parte da população economicamente ativa, que sai todo dia para trabalhar, esse grupo está mais exposto e tem mais chances de morrer, já que não temos tratamento determinado e vacina”, disse.

Epicentro da pandemia, Dourados dá sinais de ver o setor de saúde pública colapsar em breve. “Se já estão comprando leitos na rede privada, isso é um sinal. Já vemos transferência de pacientes de Dourados para Campo Grande. Essas duas cidades são sede de macrorregiões que atendem outros 30 municípios. O colapso pode vir rapidamente, como está acontecendo nos estados vizinhos”, avaliou a infectologista.

Em 10 de maio, a segunda maior cidade do Estado tinha apenas 17 casos e tinha o quarto maior acumulado entre todos os municípios. Ontem, Dourados chegou a 2.247 casos, o que representa um aumento expressivo de 13.117,64%.

Caso o governo adote um sistema de “bandeiras” para flexibilizar a retomada da economia, a exemplo de São Paulo e Rio Grande do Sul, essa medida seria bem-vinda. “Não se pode olhar os municípios igualmente. É preciso ter embasamento, ver se o sistema de saúde tem leitos, testes e EPIs [Equipamentos de Proteção Individual] suficientes para entender se o momento é de abrir ou fechar”, finalizou Marianna.

 
 

Felpuda


Candidato a prefeito em cidade do interior tremeu que só nas bases diante da decisão que tirou a corda do pescoço de adversário, liberando o dito-cujo para disputar a eleição.

Como acreditava que o pleito seria “um passeio”, estava até pensando no modelito que usaria no dia da posse.

Agora, teme nadar, nadar e morrer na beira da praia, deixando o terno pendurado no cabide.