Especial Coronavírus (COVID-19) - Leia notícias e saiba tudo sobre o assunto. Clique aqui.

CAMPO GRANDE 121 ANOS

Dificuldades da crise levaram pessoas a criar empatia e ajudar desconhecidos

Doença desconhecida trouxe sentimento de solidariedade com quem passa por este momento de crise e incertezas
26/08/2020 16:00 - Daiany Albuquerque


Solidariedade, empatia, compaixão, caridade; estas são algumas palavras que devem fazer parte do vocabulário de todos, mas que nem sempre são colocadas em prática. D

urante a pandemia da Covid-19, porém, muitas pessoas viram a necessidade de ajudar as outras, seja com uma simples ida ao mercado para alguém do grupo de risco ou com doações de alimento. Esse será um diferencial para a cidade após esse período.

Para Marilene Kovalski, psicóloga, psicanalista e presidente do Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso do Sul, a situação a qual vive o mundo, com o avanço do novo coronavírus, fez as pessoas ficarem mais atentas para as necessidades do próximo.

“O fato de estarmos todos submetidos à pandemia nos faz ser empático com a dor do outro, que é também a nossa própria dor. As perdas de trabalho, de familiares, tudo isso mobiliza. Porém, nem todos se mostram solidários. Alguns negam a existência dessa condição e outros atacam para mantê-los longe de sua percepção. Mas se percebe que há muitos com sentimento de humanidade e cuidado com os outros”, avalia a profissional.

Logo quando a doença chegou em Mato Grosso do Sul, a reportagem do Correio do Estado conversou com o aposentado Martin da Silva Guerra, 74 anos, que transitava pelo Centro da Capital. Na época, ele disse que só havia saído de casa porque estava ajudando um vizinho de 90 anos. 

“Eu moro sozinho, não tenho ninguém para fazer minhas coisas por mim e meu vizinho é ainda mais velho, então resolvi ajudá-lo. Eu sei que eu estou errado, eu deveria estar em casa, mas tinha que ajudar”, contou o idoso, que tinha na mão uma listinha de compras do conhecido.

 
 

Corte grátis

Esse desejo de ajudar o próximo também foi sentido pelo jovem Gabriel Rezende dos Santos, 24 anos. 

Durante a pandemia, o barbeiro tem cortado cabelos de graça de quem está em busca de um trabalho.

“Surgiu quando um amigo meu falou que precisava cortar o cabelo porque iria para uma entrevista, e quando arrumasse serviço ele iria me pagar. Daí eu fiquei imaginando que tem milhares de pessoas nessa situação” declarou o barbeiro.

Segundo o jovem, desde que começou a oferecer o serviço, cerca de 20 pessoas já o procuraram para cortar o cabelo. 

A iniciativa não tem previsão para acabar, diz Gabriel. Para quem precisa, o barbeiro pede apenas que a pessoa leve o currículo, para mostrar que realmente está em busca de uma vaga.

Gabriel conta que é barbeiro há 4 anos, mas que só em 2020 conquistou seu próprio empreendimento. Ele abriu uma barbearia no Bairro Cidade Morena, região sul de Campo Grande, e também teve problemas quando a doença chegou.

“Afetou, sim. Reduziu bastante a clientela”, declarou. Ao ser perguntado se com os problemas enfrentados por ele a iniciativa continuaria, o jovem demostrou sua solidariedade. “Agora que tem que ajudar mais ainda”.

A barbearia de Gabriel fica na Rua Onda Verde, e muito antes de ele ter um endereço próprio já buscava ajudar. 

“Já tenho projetos que ajudam crianças e animais de rua, e corto cabelo em comunidades; [comecei] em 2017”.

Bom e ruim

Ao ser perguntada se esse momento pode servir para que, depois que a crise sanitária passar, tenhamos uma sociedade melhor e mais solidária, a psicanalista usou o pai da psicanálise, Sigmund Freud, para explicar.

“Eu acredito que muitos vão aprender e redefinir muitos aspectos neste pós-pandemia. Mas ‘o ser humano é bom e ruim’. Está nele, muita coisa vai permanecer. Freud disse isso em resposta a [Albert] Einstein, quando ele perguntou se um dia poderíamos não ter mais guerra. Sua resposta foi negativa. Está no ser humano. Mas espero que possamos ter uma sociedade melhor, mais humana e solidária”, afirmou.

Kovalski lembrou que a pandemia e o distanciamento podem causar danos psicológicos. 

“O desconhecido da pandemia, diante da possibilidade de adoecer e morrer, deixa o sujeito em vulnerabilidade. Com poucos recursos para lidar com as possíveis resoluções diante da vida, pode desencadear ansiedade, até pânico, como outros transtornos, pois depende da estrutura psíquica de cada um”.

 

Felpuda


Questão de família acabou descambando para o lado da política, e a confusão já é do conhecimento público. 

A queda de braço tem como foco a troca de apoio político que, de um, foi para outro. Sem contar as ameaças de denúncia da figura central do imbróglio. 

A continuar assim, há quem diga que nenhum dos dois candidatos a vereador envolvidos na história conseguirá ser eleito. Barraco é pouco!