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CAMPO GRANDE 121 ANOS

Medidas de distanciamento podem ajudar no estreitamento de laços familiares

Apesar do estresse que a situação da pandemia trouxe para todos, a presença constante dos pais em casa ajuda no desenvolvimento das crianças
26/08/2020 14:00 - Daiany Albuquerque


O isolamento social causado pela pandemia de Covid-19 trouxe muitos desafios para os campo-grandenses, entre eles, a convivência 24 horas por dia com seus familiares. 

Apesar do estresse desse momento, um fator positivo pode ser levado para o resto da vida: o fortalecimento dos laços familiares, alcançado com uma maior dedicação a quem está a seu redor.

Para a doutora em Educação e psicopedagoga Gisele Morilha Alves, lembrar de alguns momentos alegres que família teve junto pode ajudar a passar por esse momento mais leve. 

“Essas pessoas podem jogar alguma coisa, conversar. Relembrar momentos bons ajuda a estabelecer vínculos entre os familiares”, indica.

Além do isolamento, muitas famílias também têm o desafio de auxiliar as crianças no desenvolvimento educacional, já que as aulas presenciais estão paralisadas desde março na cidade. Essa rotina de estudos se modificou muito durante a pandemia: no lugar da ajuda em tarefas, agora pais e responsáveis também se tornaram professores.

Essa nova tarefa desafiadora, segundo Alves, pode ser algumas vezes estressante, mas manter a calma é essencial para conseguir ajudar o estudante e também para manter a harmonia. 

Outro ponto que ela estabelece como primordial é o estabelecimento de horários, tanto de estudo como de atividades em família.

“Mantenha uma rotina de estudo. Aquele horário que a criança deveria estar na escola, que estabeleça para que faça suas atividades escolares; se já acabou o caderno, faça uma leitura, uma conta matemática, trabalhe com desafios, mantenha ritmos de estudos e estabeleça lugar para que as crianças fiquem e façam cadernos de atividades”, orienta a especialista.

Segundo a doutora em Educação, crianças assistidas por pais ou responsáveis que mantenham essa rotina terão mais facilidade no aprendizado e levarão ganhos para o futuro. 

“Se a criança tem um local para estudar, tem alguém para acompanhá-la, ela aprende, inclusive, a ter uma autonomia. Então, se o pai, a mãe ou o responsável tiver condições e se a criança assiste as aulas pelo celular, pela televisão e tem alguém para dar suporte, ela consegue se desenvolver”.

Rotina

Esse tempo de distanciamento está sendo também de conhecimento para a família de Renata Carolina Teodoro do Nascimento, mãe da pequena Eduarda, de 8 anos. 

A auxiliar administrativa deixou o trabalho em fevereiro e, desde março, mudou sua rotina para ajudar a criança com os estudos.

“Tem hora que ela fica meio triste porque não pode sair, mas a gente sempre tenta fazer alguma coisa para distrair. Mas está sendo muito bom, estou vendo como ela está na escola, o desenvolvimento dela, porque às vezes, na correria durante a semana, a gente não percebe tanto. A gente está mais próxima, ela sempre foi grudada comigo, mas agora está mais, porque tudo a gente faz junto. Está sendo muito bom dentro de casa, a gente fica mais próximo”, declarou.

O marido também tem ficado em casa, trabalhando em home office durante a pandemia, e a rotina, que antes era corrida, agora segue outro ritmo. 

“Antes da pandemia, eu estava trabalhando. Eu acordava cedo, pegava a Eduarda, levava para a minha mãe e trabalhava o dia inteiro, até 18h. Durante o almoço, eu pegava ela e levava para a escola. Nos fins de semana, a gente sempre tinha alguma coisa para fazer: saía, levava ela na casa de alguém, para passear, ir no parque ou no shopping", contou Renata. 

"Depois da pandemia, tem sido bem diferente, a gente só fica em casa, eu saio só para ir no mercado e tento fazer as coisas com ela, brincar. Como ela estuda à tarde, eu ajudo nas atividades e, quando ela termina, a gente faz um lanche, ela brinca na varanda, joga vôlei, tudo dentro de casa”, acrescentou.

Eduarda estuda em uma escola municipal e, durante a semana inteira, os professores mandam atividade pelo WhatsApp e pelos cadernos de atividades. 

“Eles criaram um grupo, e as professoras mandam vídeos gravados, explicando as atividades. A cada período as escolas fazem uma atividade. A gente faz a atividade, tira uma foto e manda para a professora”, contou.

 
 

Avaliação

Segundo a psicopedagoga, essa rotina e esse tempo para o estudo com a ajuda de alguém são muito importantes para que a criança consiga aprender mesmo longe da escola.  

“Tenho vários alunos mandando vídeos. Estamos avaliando o processo: não vai ter nota, mas, sim, participação. Se a porcentagem de questões que essa criança está conseguindo fazer for menor do que a metade, já começamos a pensar em atividades paralelas para ajudar naquela dificuldade”, contou Alves, que também trabalha na Rede Municipal de Ensino (Reme).

Antes da pandemia, ainda conforme Alves, havia alguns pais que acompanhavam a situação da criança na escola mais de perto e outros mais ausentes. O momento de isolamento pode ser usado para mudar isso. 

“Temos famílias de classe social com menos recursos que são presentes, e temos famílias com mais recursos que são ausentes. A pandemia pode ter mudado isso em alguns casos”.

Na casa da Renata, o tempo com a família era aos fins de semana, quando todos estavam de folga. 

“Durante a semana, era só mais à noite [que a gente ficava junto], porque eu trabalhava o dia inteiro e o meu marido também, e à noite a gente comia alguma coisa e assistia a um filme, no máximo. Eu acordava supercedo, então dormia cedo também. Era nos fins de semana que a gente fazia mais coisas”.

Agora, com a mudança, quem ganhou foi Eduarda, que tem os pais 24 horas em casa.

“Ela está adorando essa parte. Antes ela ficava contando nos dedos os dias, adorava o fim de semana porque ficávamos todos juntos. Ela falava: ‘Fim de semana a gente vai fazer o quê?”.

A psicopedagoga alerta que, apesar desse tempo com as crianças ser bom, também é preciso destinar um tempo para si. 

“Que o pai e a mãe tenham um horário de descanso, que tenham um tempo juntos, uma caminhada, ver filme, ler um livro. Quem está desempregado pode ter problemas emocionais e descontar na criança, então ele precisa de um tempo sozinho também”, orienta.

 
 
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