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EDUCAÇÃO

Ead se confirma como tendência no ensino superior, mas qualidade preocupa especialistas

Para doutor em educação, existem cursos que precisam ser na modalidade presencial
29/10/2020 09:10 - Ricardo Campos Jr


Mato Grosso do Sul é o oitavo estado brasileiro com menos alunos frequentando a universidade, segundo dados do Censo do Ensino Superior divulgados pelo Ministério da Educação. O Estado tem 82.432 pessoas matriculadas em cursos de graduação, a maioria delas (47.555) na rede privada, enquanto 34.877 frequentam instituições de ensino públicas.

O Estado está no mesmo patamar de estados do norte e nordeste, na frente de Alagoas (78.098 alunos matriculados), Sergipe (65.483), Tocantins (50.421), Rondônia (48.754), Amapá (29.608), Acre (22.830) e Roraima (16.604). 

DEMOCRATIZAÇÃO

Facilitar e elevar o porcentual de brasileiros nos bancos de uma faculdade é um dos desafios que o país precisa encarar. 

Conforme o Ministério, é preciso elevar a escolaridade média da população de 18 a 29 anos, de modo a alcançar, no mínimo, 12 anos de estudo no último ano de vigência deste Plano, para as populações do campo, da região de menor escolaridade no País e dos 25% mais pobres, e igualar a escolaridade média entre negros e não negros.

Além disso, é preciso que a taxa bruta de matrículas seja aumentada em pelo menos 50%, assegurando a qualidade da oferta e expansão para, pelo menos, 40% (quarenta por cento) das novas matrículas, no segmento público.

Um dos mecanismos que devem ajudar nessa democratização é o ensino à distância, que de acordo com dados do censo se revelou como uma tendência importante para favorecer o acesso dos brasileiros à educação superior.

Em 2019, 63,2% (10.395.600) das vagas ofertadas foram nessa modalidade, entre as 16.425.302 vagas disponíveis para o nível de ensino, no total. Pela primeira vez na história, o número de alunos em cursos de EaD ultrapassou a quantidade de estudantes que iniciaram a graduação presencial na rede privada. 

Ao todo, 50,7% (1.559.725) dos alunos que ingressaram em instituições privadas optaram por cursos de EaD. Em contraponto, 49,3% (1.514.302) dos estudantes escolheram ingressar na educação superior de modo presencial.

 
 

O problema é que especialistas colocam em xeque a qualidade do ensino ofertado desta maneira. 

“A EaD existe para aquele aluno que tem habilidade autodidata, que tem uma pré-disposição para aprender. Hoje essa modalidade está centrada em grande parte na rede provada, ou seja, é uma questão de mercado”, disse ao Correio do Estado o doutor em educação e professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) Antônio Osório.

Ele enxerga com muito receio esse aumento. Os dados do censo são do ano passado. Em 2020, a modalidade acabou sendo adotada para um número muito maior de estudantes em razão da pandemia e acabou expondo dificuldades como problemas de acesso á internet ou a dificuldade em lidar, ao mesmo tempo, com os dilemas domésticos e conseguir parar para assistir a uma aula.

“Eu acho que a EaD é uma questão que ainda tem que ser resolvida. Existem questões que até nós, que lidamos com ensino presencial, temos dificuldades. Os alunos quando saem do ensino médio, por exemplo, têm várias habilidades que ainda não desenvolveram, como por exemplo a leitura e o ato de interpretação. Não é simples dizer se é bom ou ruim, mas eu penso que existam mais aspectos negativos do que positivos”, pontua.

Para ele, é necessário que o Governo Federal estabeleça limites e estabeleça parâmetros para o ensino à distância. Por exemplo, estabelecendo quais áreas que estão aptas, por exemplo, aquelas que precisam de aulas em laboratório ou hospitais não são viáveis. 

DISTRIBUIÇÃO

Conforme o Censo, a maioria das instituições de ensino superior no Brasil pertencem à esfera pública. Entre aquelas que pertencem ao poder público, 43,7% (132) são estaduais; 36,4%, federais (110); e 19,9%, municipais (60). Além disso, mais de 60% são classificadas como universidades, havendo também os Institutos Federais e Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefet).

Do total de vagas oferecidas nas instituições públicas, 90% foram preenchidas. Contudo, mais de 87 mil vagas em todo o país ficaram vazias.