Cidades

SOLIDARIEDADE

Em 7 pix, juízes de MS liberaram mais de meio milhão para o RS

Até agora, sete das 46 comarcas anunciarm o repasse recomendado pelo CNJ. São Gabriel do Oeste, com R$ 220 mil, lidera o ranking dos maiores valores

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Pelo menos sete das 46 comarcas do Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul já anunciaram o repasse de dinheiro para famílias atingidas pelas fortes chuvas no Rio Grande do Sul no final de abril e ao longo de maio. Juntas, liberaram R$ 535 mil. 

Até agora, a comarca campeã de repasses é São Gabriel do Oeste, cidade que nasceu e cresceu com forte ligação com o povo gaúcho. O magistrado local responsável pela conta disponibilizou R$ 220 mil que haviam sido depositados na conta do fórum em decorrência do cumprimento da pena de prestação pecuniária, transação penal e suspensão condicional do processo nas ações criminais. 

Depois, conforme dados divulgados pela assessoria do Tribunal de Justiça, aparece Mundo Novo, cidade no extremo sul do Estado. O juiz local anunciou a liberação de R$ 100 mil para ajudar a socorrer vítimas da catástrofe climática. 

Nesta sexta-feira (17) o juiz Alysson Kneip Duque, responsável pela conta bancária da comarca de Miranda, uma das mais antigas de Mato Grosso do Sul, anunciou a liberação de um pix de R$ 70 mil a ser repassado à Defesa Civil do Rio Grande do Sul.

Juntos, os três municípios (São Gabriel do Oeste, Mundo Novo e Miranda) tem em torno de 75 mil habitantes. O montante é menor que a população de Corumbá sozinha, que chega a 98 mil moradores, sem contabilizar os 18 mil de Ladário. Porém, a contribuição de Corumbá foi bem menor, de R$ 50 mil, conforme divulgado pela assessoria do Tribunal de Justiça. 

De Bonito, município com um quarto do número de habitantes que Corumbá, também foram repassados R$ 50 mil para os desabrigados. As comarcas de Camapuã, com R$ 30 mil, e de Dois Irmãos do Buriti, R$ 15 mil, completam a lista das sete que até agora anunciar a contribuição. 

A iniciativa partiu da Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e foi acatada pelo presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, Sérgio Fernandes Martins,  que no último dia 6 de maio assinou portaria prevendo o repasse não só daquilo que já está nas contas das comarcas, mas daquilo que for arrecadado ao longo dos próximos dois meses. 

De acordo com esta portaria, os recursos devem ser transferidos, via pix, para a conta do SOS Rio Grande do Sul, CNPJ nº 92.958.800/0001-38, Banco do Estado do Rio Grande do Sul. Os valores podem ser repassados ainda a entidades de assistência social previamente habilitadas. 

No dia da assinatura da portaria, a assessoria do Tribunal de Justiça não soube informar o valor que poderia ser repassado de Mato Grosso Sul. Agora, quase duas semanas depois e com os pix das sete comarcas que já anunciaram o tamanho da ajuda, é possível concluir que o valor é significativo. 

Porém, se comparado ao tamanho do orçamento anual do Tribunal de Justiça, de R$ 1,286 bilhão, a quantia disponibilizada até agora é ínfima, de apenas 0,04% daquilo que deve passar pelos cofres do Judiciário de Mato Grosso do Sul ao longo de 2024.

 

  • São Gabriel do Oeste: R$ 220 mil
  • Mundo Novo: R$ 100 mil
  • Miranda: R$ 70 mil
  • Corumbá: R$ 50 mil
  • Bonito: R$ 50 mil
  • Camapuã: R$ 30 mil
  • Dois Irmãos do Buriti: R$ 15 mil

NÚMEROS DA TRAGÉDIA

A Defesa Civil do Rio Grande do Sul confirmou, neste sábado (18/5) a morte de 155 pessoas durante as cheias na região. Segundo o órgão, 461 municípios do estado gaúcho foram afetados pela maior tragédia climática já registrada no Sul do país.

Os dados são atualizados diariamente e até agora 806 pessoas ficaram feridas e 540 mil estão desalojadas. Os mais de 830 abrigos públicos recebem 77.202 pessoas. 

Forças de segurança do Rio Grande do Sul e de outros estados, além de voluntários se mobilizam para resgatar as pessoas que ficaram ilhadas em casa. No total, 82.666 pessoas e 12.215 animais foram resgatados.

 

Cidades

Estado publica decreto que coloca municípios em emergência ambiental por incêndios no Pantanal

Texto não lista municípios, mas determina que todos os afetados pelo desastre ambiental estão sob mobilização pelos próximos 180 dias

24/06/2024 11h15

Divulgação/ Bombeiros

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O Governo do Estado declarou situação de emergência de 180 dias nos municípios do Estado afetados por incêndios florestais, sejam em parques, áreas de proteção e preservação nacionais, estaduais ou municipais, assim como em casos de propagação de fogo sem controle, ou em qualquer tipo de vegetação que possa acarretar queda na qualidade do ar.

A medida, que havia sido antecipada pelo Correio do Estado, foi publicada no Diário Oficial (DOE) desta segunda-feira (24). O texto não lista exatamente quais municípios estão inclusos no decreto. 

Neste período de 180 dias fica autorizado a mobilização de todos os órgãos estaduais para atuarem sob a coordenação da Defesa Civil do Estado, em ações que envolvem resposta ao desastre, reabilitação do cenário e reconstrução.

Em caso de risco iminente, os agentes poderão adentrar as casas para prestar socorro, determinar a evacuação e usar propriedade particular. Ficam dispensadas as realizações de licitação nos casos de emergência ou calamidade pública, quando caracterizada a urgência para não comprometer a continuidade dos trabalhos (públicos), em relação a obras, aquisição de equipamentos e serviços.

A situação de emergência foi decretada em função de vários fatores, entre eles o período de seca que Mato Grosso do Sul vem enfrentando, com estiagem prolongada em grande parte do território, o que acarretou aumento exponencial dos focos de calor. Também os impactos das queimadas para agropecuária pantaneira, com prejuízos expressivos, tanto nas perdas econômicas, como na questão ambiental, em relação a vegetação, solo, fauna, bens materiais e segurança da vida humana.

Recorde

Conforme noticiado anteriormente pelo Correio do Estado, em junho deste ano Mato Grosso do Sul já registra o maior número de incêndios dos últimos 26 anos, com 2.049 focos de calor notificados até a última sexta-feira. O número preocupa, já que neste ano as queimadas tiveram início antes do usual, que é no segundo semestre.

Segundo dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), desde 1998, o maior número do tipo registrado no Estado, no mesmo período, havia sido de 557, em 2005.

Em comparação com o segundo maior valor para junho da série histórica do Inpe, que foi em 2005, o registro deste ano é 267,8% maior que os 557 focos daquele ano.

Combate

O Governo do Mato Grosso do Sul está com várias frentes de atuação para combater os incêndios florestais no Estado, principalmente na região do Pantanal, onde equipes estão fazendo um trabalho coordenado e integrado pelo ar (aeronaves e helicópteros) e no solo, com bombeiros, brigadistas e a cooperação dos pantaneiros, para chegar aos locais com foco de incêndio e realizar o combate.

Este trabalho articulado tem o uso de tecnologia de ponta para identificar os focos (incêndios) e assim direcionar as equipes para combater os incêndios.

Todas as ações são coordenadas pela SCI (Sistema de Comando de Incidentes), que organiza e passa as orientações para atuação no campo e pelas aeronaves. Além de imagens de satélite, drones são usados para identificar os focos de incêndios.

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certeza de fuga

Pivô de escândalo no TJ paulista, megatraficante negociava retorno a MS

Romilton Hosi, que teria garantido R$ 1 milhão a desebargador paulista pela sua transferência, já comprou duas fugas dos presídios de Campo Grande

24/06/2024 10h50

Na última sexta-feira, o desembargador Ivo de Almeida foi afastado por um ano do TJ por suposta venda de sentença negociada com traficante

Na última sexta-feira, o desembargador Ivo de Almeida foi afastado por um ano do TJ por suposta venda de sentença negociada com traficante

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Pivô de um escândalo que na sexta-feira (21) da semana passada resultou no afastamento do desembargador Ivo de Almeira, do Tribunal de Justiça de São Paulo, por suposta venda de sentença, o narcotraficante Romilton Aparecido Queiroz Hosi, 55 anos, tem longo histórico de fugas escandalosas do sistema prisional de Mato Grosso do Sul e tentava voltar para um presídio de Campo Grande a fim de conseguir escapar novamente.

Preso após a apreensão de 449 quilos de cocaína em Rio Verde em 2002, desembolsou em torno de R$ 1 milhão para que policiais militares facilitassem sua fuga do presídio de Segurança Máxima de Campo Grande em novembro de 2003. No ano anterior, já havia saído pela porta da frente do Instituto Penal de Campo Grande, também mediante pagamento de propina.

A “Operação Churrascada”, desencadeada na última sexta-feira (21) no estado de São Paulo, desmontou um suposto esquema de venda de sentenças não somente para traficantes, mas também para envolvidos em um esquema de desvios de recursos da saúde, que deu rombo de pelo menos R$ 40 milhões em prefeituras paulistas. 

Mas, uma das descobertas mais escandalosas feitas pela Polícia Federal na "Operação Churrascda" é que o desembargador Ivo de Almeida teria negociado o recebimento de R$ 1 milhão para que Romilton Hosi fosse transferido de São Paulo para Campo Grande e após essa transferência seria providenciada a sua fuga, uma vez que já havia obtido sucesso duas vezes em Mato Grosso do Sul. 

Porém, o desembargador não conseguiu convencer seus colegas de Câmara e por isso a transferência e a fuga ainda não haviam sido concretizadas até agora. A Polícia Federal chegou a pedir a prisão do desembargador, mas o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido e o afastou por um ano.

A operação recebeu o nome de Churrascada porque era essse termo que os advogados usavam para indicar o dia em que Ivo de Almeida estava de plantão e nestas datas aproveitavam para protocolar seus recursos.

LIBERDADE COMPRADA

Mas, no dia 17 de novembro de 2003, os planos de Romilton Hosi haviam dado certo e ele sumiu depois de prestar depoimento no fórum de Campo Grande. Ele estava em um ônibus com outros 32 detentos e só quando o veículo voltou ao presídio de segurança máxima é que foi descoberta a sua fuga. Ele foi liberado ainda dentro do fórum, fugiu para o Paraguai e rotomou suas atividades no narcotráfico.

A suspeita é de que tenha pagado propina para nove policiais que eram responsáveis pela escolta para que o liberasse no meio do caminho. Por conta da fuga, três deles foram condenados a 3,5 anos de prisão e outros dois, a um ano e 11 meses. Os outros quatro foram absolvidos.

Dias depois da fuga, três integrantes da cúpula do sistema penitenciário também foram afastados dos seus cargos. Eles simplesmente ignoraram um ofício enviado semanas antes pelo juiz federal  José Paulo Cinotti  para que fosse providenciada escolta especial para Romilton, pois a Justiça Federal havia descoberto que ele teria pagado R$ 1 milhão para bancar sua fuga no dia da audiência.

Ele estava preso em Campo Grande desde setembro de 2022 e condenado a 20 anos de prisão por ser um dos proprietários de um carregamento de 449 quilos de cocaína apreendido em um avião na cidade de Rio Verde de Mato Grosso (MS), cidade a 200 quilômetros ao norte de Campo Grande. 

Na época, Romilton foi apontado como integrante da quadrilha de Leonardo Dias Mendonça, um dos mais poderosos traficantes de cocaína do Brasil na época e um dos chefes do Comando Vermelho, facção que tinha como chefe maior o narcotraficante Fernandinho Beira Mar.

 Atualmente, segundo a Polícia Federal,  Romilton faz parte do bando comandado pelo traficante  Sérgio de Arruda Quintiliano Neto, o Minotauro, do Primeiro Comando da Capital (PCC), que também está preso. 

Pouco antes de ser preso com com os 449 quilos de cocaína, Romilton já havia escapado pela porta da frente do Instituto Penal de Campo Grande. Por conta desta fuga, que também foi à base de pagamento de propina a servidores públicos, um agente penitenciário chegou a ser demitido.


Histórico de Romilton Hosi

Depois da segunda fuga, o Comandante Johnnie, como é conhecido Romilton, ficou 16 anos desaparecido. Condenado a quase 40 anos de prisão por tráfico internacional de cocaína, ele não é um traficante comum. Além da PF, polícias dos Estados Unidos, Inglaterra, Paraguai e outros países caçavam Hosi.

Em 2019 o piloto foi preso novamente pela Polícia Federal. Ele usava o nome falso de Robson Magalhães Neto, que era apenas uma das cinco identidades falsas que utilizava. Com ele foram descobertos mais de 300 quilos de droga e diversas armas de grosso calibre..

Nessa época, já stava associado a outro chefão do pó: o Minotauro, que assumiu posto chave do PCC no tráfico internacional, a partir de 2016, após a morte de Jorge Rafat, que até então era o chefão do narcotráfico na fronteira entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai.

Foi a partir da prisão de Hosi, em março de 2019, em Jundiaí (SP), feita pela PF e pela National Crime Agency (NCA), do Reino Unido, que no ano seguinte foi deflagrada a Operação Além-Mar.

Minotauro foi o alvo central. Foram apreendidas mais de 11 toneladas de cocaína que o grupo movimentou, no Brasil e na Europa, de 2018 a 2021. Na Além-Mar, foram identificados e sequestrados pela Justiça de Pernambuco sete aviões, nove helicópteros, 42 caminhões, 35 imóveis (mansões e fazendas) e R$ 100 milhões.
 

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