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OPERAÇÃO OMERTÁ

Extorsão e ameaça: empresário perdeu casa e "pagou" duas BMW para os Name

Empréstimo de R$ 150 mil fez empresário perder quase R$ 6 milhões para suposta milícia armada
08/10/2020 07:50 - Eduardo Miranda


Jamil Name e Jamil Name Filho, apontados desde o ano passado como chefes de uma milícia armada e que respondem por vários crimes, como corrupção, lavagem de dinheiro e assassinatos, foram alvos de mais uma fase da Operação Omertà. Desta vez, pai e filho são suspeitos de praticar extorsão armada, agiotagem e também lavagem dinheiro oriundo destes crimes, com a compra de carros de luxo – dois veículos da BMW – e de imóveis, sendo uma casa no Bairro Monte Líbano.  

Os vários atos de extorsão praticados por Jamil Name Filho contra o empresário José Carlos de Oliveira, que alega ter perdido mais de R$ 6 milhões por meio da cobrança de juros extorsivos, são a base desta fase da Operação Omertà, que recebeu o nome de Snowball, uma alusão à bola de neve em que se transforma em uma dívida originária em relações extorsivas e com características de agiotagem, com o pagamento de juros que chegavam a 30% ao mês.  

 

CARROS DE LUXO

O pedido de um empréstimo no valor de R$ 150 mil, que José Carlos de Oliveira fez a Jamil Name Filho no início desta década, transformou-se, segundo o inquérito do Garras, em uma sucessão de ameaças à vítima, na entrega de dezenas de folhas cheques em branco a Jamil Name Filho e no uso deles para o pagamento de dois veículos BMW: um esportivo modelo M6 Gran Coupé, que custou R$ 515 mil na concessionária Raviera Motors, e um sedan esportivo modelo M5, cuja nota fiscal apresenta um valor de R$ 480 mil.  

Parte do pagamento destes carros foi feita com cheques de José Carlos de Oliveira e de sua empresa, a Macroinvest. Em depoimento prestado em novembro do ano passado ao Garras, representante da Raviera Motors confirmou que Jamil Name Filho negociou os dois carros e que usou os cheques, sob investigação, no pagamento dos automóveis.  

O gerente da empresa na época também disse que todos os carros eram negociados por Jamil Name Filho, mas registrados no nome do pai dele. O funcionário da concessionária não soube explicar o motivo.  

 

DRAMA

José Carlos de Oliveira conta que, além da compensação dos cheques que ele era obrigado a entregar para Jamil Name Filho mediante extorsão, perdeu para a família um terreno na Avenida Guaicurus, que segundo ele vale R$ 3 milhões, e sua casa, no Bairro Monte Líbano, que no mercado era avaliada em R$ 1,2 milhão. A casa foi entregue aos Name por R$ 850 mil.  

Jamil Name Filho, porém, não pagou os empréstimos para quitar o saldo devedor de aproximadamente R$ 100 mil que restou da operação de hipoteca, depois de dois leilões, que ninguém quis arrematar, o Banco Santander a adjudicou.

“Nesses cinco anos eu não consegui trabalhar, a minha empresa, que prestava serviços, perdeu faturamento, que chegava a R$ 1 milhão por ano”, contou Oliveira.  

Emocionado, José Carlos de Oliveira contou que o maior prejuízo causado por Jamil Name Filho e pelo restante do grupo investigado pelo Garras não tem como ser ressarcido. “Meu grande prejuízo foi a minha paz e a minha saúde. Ela foi totalmente detonada. Eu não tenho nem sequer a verdade nem a razão de viver [...]. só queria tentar deitar e dormir sem tomar psicotrópico”, conta o empresário, ressaltando que desde que perdeu tudo o que tinha mora de favor e sobrevive graças à ajuda de amigos.

“São eles que emprestam o cartão de crédito para eu fazer compras no supermercado e que ajudam a pagar o boleto da escola da minha filha”, exemplifica José Carlos de Oliveira.