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PANDEMIA

Falta de fiscalização rodoviária coloca Campo Grande em risco

Prefeitura não faz controle dos passageiros que vêm de municípios com casos do novo coronavírus
02/06/2020 08:00 - Daiany Albuquerque, Thiago Gomes


 

O aumento exponencial de casos do novo coronavírus em municípios do interior de Mato Grosso do Sul e a falta de fiscalização rodoviária nas vias de acesso a Campo Grande estão colocando a cidade sob risco de uma aceleração no número de casos de Covid-19. A Capital tem hoje 312 casos da doença causada pelo novo coronavírus, sendo pressionada por 23 municípios e dois distritos próximos, que dependem de sua estrutura de saúde.  

Somente essa região de entorno contabiliza 334 casos do vírus, e não há nenhum controle de circulação de pessoas, contaminadas ou não, de uma localidade para outra, o que aumenta os riscos de uma disseminação descontrolada da doença. Dos 79 municípios sul-mato-grossenses, por exemplo, 50 já registram casos de Covid-19 – um total de 1.568 infectados.

Ontem, preocupado com os riscos de uma disseminação maior do novo coronavírus, o Ministério Público Estadual (MPE) recomendou à Prefeitura de Campo Grande que, no prazo de 10 dias, instale barreiras sanitárias no Terminal Rodoviário e que suspenda as atividades de transporte enquanto os controles não estiverem instalados.

Ainda de acordo com a recomendação, feita por intermédio da promotora de Justiça Filomena Aparecida Depolito Fluminhan, o município terá de instituir plantão 24 horas para a vigilância sanitária, a fim de verificar as condições de saúde, fazer a triagem e dar orientações aos viajantes provenientes de regiões com casos confirmados de Covid-19 para fins de quarentena.

Também terá de realizar abordagem investigativa de cunho clínico-epidemiológico, considerando o contato com pessoas contaminadas, com suspeita de contaminação e as regiões frequentadas recentemente, além de coletar informações de contato da pessoa com suspeita da Covid-19 para investigação e monitoramento posterior.

A promotora destacou que o transporte intermunicipal realizado por intermédio do Terminal Rodoviário de Campo Grande é o principal receptor de pessoas oriundas de diversas localidades, inclusive daquelas com elevada incidência de casos de coronavírus, além de viabilizar a circulação de pessoas infectadas ou com suspeita de Covid-19, expondo, dessa forma, os passageiros e a comunidade de destino deles ao risco de contaminação.

Pela regulação do atendimento à saúde, a Capital deve receber pacientes dos seguintes municípios: Aquidauana (1 caso confirmado), Anastácio (1), Bandeirantes, Bela Vista (2), Bodoquena, Bonito (46), Caracol, Corguinho, Dois Irmãos do Buriti, Guia Lopes da Laguna (230), Jaraguari, Jardim (33), Maracaju (1), Miranda (1), Nioaque, Nova Alvorada (1), Porto Murtinho, Ribas do Rio Pardo (11), Rio Negro, Rio Verde (1), Rochedo, São Gabriel do Oeste (6) e Terenos.

RODOVIÁRIA

Na Rodoviária da Capital, atualmente principal porta de entrada de pessoas de outras cidades, a empresa que administra o terminal afirmou ter tomado várias medidas de enfrentamento à doença, como reforço na higienização dos espaços e campanha de divulgação sobre as medidas de prevenção. A Socicam, que gere o local, informou que criou a campanha Embarque Seguro, que seria uma “forma pioneira de protocolo de biossegurança, com inovações adotadas para garantir a segurança da população”. Na entrada do terminal há dispenser de álcool em gel e uma pessoa aferindo a temperatura, entretanto, na saída não é feito o mesmo trabalho.

A reportagem do Correio do Estado pôde perceber muitas pessoas que estavam sem a máscara e algumas que demonstravam não temerem a contaminação pelo vírus, ainda mais dentro de um ônibus fechado em uma viagem que duraria horas.

“Têm bem menos passageiros nos ônibus, está bem restrito. A gente anda no centro de Campo Grande, trabalho no comércio, e vê mais de 100 pessoas todo dia. O perigo de pegar é [o mesmo] de todo jeito”, afirmou uma passageira sobre o medo do contágio.

BLITZ

Segundo o prefeito da Capital, Marcos Trad, esta semana deverá haver uma blitz surpresa dentro do terminal. “Se pessoas no interior da rodoviária testarem positivo, podemos ter de fechar o local. É claro que para que isso [aconteça] não será só uma pessoa com a doença. Mas vamos ver se há um histórico. Se sentirmos que pessoas estão vindo para cá contaminadas, podemos tomar essa atitude”.

O prefeito informou que agora a estratégia da prefeitura é percorrer os bairros com as menores taxas de isolamento com essas blitz, para testar a população. “Está havendo uma desobediência ao ‘fique em casa’. As pessoas não estão cumprindo o isolamento de 70%, por isso vamos nesses locais”, contou Trad.

 
 

Barreira não é a principal medida

O médico infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Julio Croda avalia as barreiras como medida importante, mas não a mais eficaz para conter a transmissão da doença. “Qualquer forma de orientação é importante. Tivemos dois surtos em cidades do interior [causados] por pessoas que vieram de fora. É importante que quem chegue seja instruído sobre sintomas e [que] alguns façam testes rápidos. Mas a barreira por si só não aumenta o controle sobre a doença”. 

Na sua visão, ampla testagem, diagnóstico precoce da doença e isolamento de casos e contato dessas pessoas serão essenciais para o controle da pandemia. “A barreira é medida secundária na proteção. Mais importante é ter dados de todos os contactantes. Se não fizer nem o básico, não adianta nada barreira”.

 

Felpuda


Devidamente identificadas as figurinhas que agiram “na sombra” em clara tentativa de prejudicar cabeça coroada. Neste segundo semestre, os primeiros sinais começarão a ser notados como reação e “troco” de quem foi atingido. Nos bastidores, o que se ouve é que haverá choro e ranger de dentes e que quem pretendia avançar encontrará tantos, mas tantos empecilhos, que recuar será sua única opção na jornada política. Como diz o dito popular: “Quem muito quer...”.