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Família que vivia em fazenda invadida por indígenas há 1 ano passa por dificuldades

Dono teve dois AVCs e hoje vive com um salário mínimo; área ficou paralisada, e dos 80 invasores só restou uma família indígena

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Ontem, o drama do engenheiro agrônomo José Raul das Neves Júnior completou um ano. A propriedade que seu avô Manoel das Neves comprou quando chegou ao Brasil, mais precisamente em Rio Brilhante, em 1967, que pertence a seu pai, José Raul das Neves, e que até então era administrada pelo integrante da terceira geração, foi invadida por aproximadamente 50 indígenas da etnia guarani-kaiowá.

Atualmente, nem sequer um quinto dos indígenas que ocuparam a propriedade estão lá. Mora no local apenas a família de um dos invasores, chamado de Adauto, que ocupa a sede construída pelo patriarca dos Neves, além de um pequeno grupo que se abriga em um barracão próximo.

Incluindo crianças, não passam de 10 pessoas os ocupantes da área. Mesmo assim, Neves Jr. não pode entrar nem mesmo plantar nos 250 hectares de terras agricultáveis, os quais não estão sendo aproveitados pelos indígenas. 

Em outubro do ano passado, o engenheiro agrônomo conseguiu uma autorização do Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Porém, após recurso do Ministério Público Federal (MPF) e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), os prazos processuais fizeram com que ele perdesse o prazo para plantar e para colher a soja na terra.

“Até hoje estão discutindo a possibilidade de se dar produtividade ou não para a terra, que está invadida por eles [os indígenas] há um ano”, afirma Neves Jr.

De lá para cá, seu drama só aumentou. O pai dele, de 87 anos, sofreu dois acidentes vasculares cerebrais (AVCs) nesse período.

Ainda, a aposentadoria de um salário mínimo que o patriarca recebe do Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS) é insuficiente para bancar os medicamentos necessários.

Sem poder plantar na safra atual, deixando soja para trás na safra passada, uma vez que os dois dias de trégua para a colheita em abril de 2023 foram muito pouco para retirar a oleaginosa, o dinheiro auferido da colheita mal deu para pagar os empréstimos e as dívidas com os fornecedores.

“Não gosto de ficar devendo nada para ninguém, por isso, com o dinheiro da safra passada, pagamos algumas contas, mas ainda nos resta pagar a do custeio. Agora, passamos por dificuldade, e eu vivo fazendo bico. Às vezes, atuo informalmente como agrônomo para alguns colegas”, conta Neves Jr.

Nas margens do Rio Brilhante, lindeira com a movimentada BR-163, a Fazenda do Inho tem 392 hectares, 250 deles agricultáveis, mas Neves Jr. diz que o cenário no local é de abandono: “Não há nada plantado lá, não há cultivo nenhum”.

Para se ter uma ideia, um hectare de terra na região está avaliado em pelo menos R$ 50 mil.

Algumas testemunhas que foram recentemente à propriedade alegam que a família de Adauto e o outro grupo que moram na fazenda praticamente não usam a terra para a própria subsistência, pois dependem de cestas básicas e ajudas de programas sociais.

FALTA DE PROVAS

Neves Jr., que já foi presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) de Rio Brilhante e que lamenta a falta de apoio de setores da legenda – os quais, segundo ele, “fecham os olhos” para a sua causa, sem nem sequer tentar mediá-la –, continua lutando contra a invasão que ele reputa injusta.

E o maior motivo da injustiça, segundo Neves Jr., é o fato de não haver estudo antropológico ou laudo nenhum, qualquer documento que ateste que a matrícula da propriedade de sua família é um local sagrado – isto é, um tekoha – para os guarani-kaiowá.

“Eu desafio a Funai a me mostrar qualquer documento que mostre que a minha fazenda é uma área indígena Quero que ela faça isso. Não existe documento nenhum. Não tem levantamento fundiário, não há publicação em Diário Oficial, não há nada. Apenas uma reivindicação informal”, desabafa, que complementa que “se esse documento existir, que alguém me mostre então”.

OUTRO LADO

O documento, de fato, não existe. No ano passado, uma carta assinada pela Aty Guassu, 
isto é, a assembleia geral do povo guarani-kaiowá, a qual foi publicada no site do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), grupo ligado à Igreja Católica, detalhou que o direito de se reivindicar para um lado ou de se invadir para o outro foi a única justificativa apresentada para a ocupação.

“Não há nada pior para nós do que menosprezarem nossas decisões e o direito de nossa luta por nossos tekoha”, afirmam os indígenas. Na ocasião, os membros da Aty Guassu, por sua vez, disseram que não é esse colegiado nem uma organização guarani-kaiowá que decide uma retomada.

“Isso vem de cada comunidade, que não aguenta mais viver massacrada enquanto espera a demarcação [de terra] e que sabe onde fica seu território [sagrado] que foi roubado”, complementaram.

Em meio as argumentações, o único documento existente que vincula a Fazenda do Inho à reivindicação guarani-kaiowá é a criação de um grupo de trabalho pela Funai para estudar o caso.

Na prática, a ocupação serve como uma forma de pressão para garantir a posse e, futuramente, uma desocupação.

O único território indígena em estudo pela Funai na região é a Terra Indígena (TI) Panambi – Lagoa Rica, tekoha que está na outra margem do Rio Brilhante, no município de mesmo nome.

Nessa área, porém, com acesso mais difícil – sem uma rodovia asfaltada nem com o porte da BR-163 – e com maior resistência dos proprietários, não há ocupações.

MARCO TEMPORAL

No ano passado, logo após a invasão, Neves Jr. ingressou com uma ação de reintegração de posse na Justiça Federal, mas não teve sucesso por causa de suas justificativas: a primeira delas de que seria necessário o Supremo Tribunal Federal (STF) votar o marco temporal – o que já ocorreu no segundo semestre de 2023.

Na ocasião, a tese que estabelece a Constituição de 1988 como o marco para a demarcação de novas terras indígenas foi derrotada na Corte. Contudo, a reviravolta foi parar no Congresso Nacional.

Puxado pela bancada ruralista, o projeto de lei que legaliza a tese do marco temporal se tornou lei, depois que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), promulgou a proposta, a qual até chegou a ser vetada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas que teve seu veto derrubado pelos congressistas.

O outro motivo que levou os magistrados da primeira e da segunda instância a desconsiderarem – ainda que temporariamente – os pedidos de reintegração de posse foi a pandemia de Covid-19, mesmo que a pior fase das contaminações pelo coronavírus ter ficado para trás, em 2021.

“Sinceramente, agora estou esperando o que eu possa fazer. Certamente entrarei com uma nova medida judicial, até porque o contexto mudou muito. 

A Confederação Nacional da Agricultura [e Pecuária do Brasil], felizmente, está nos apoiando”, complementou Neves Jr.

OCUPAÇÃO É INVESTIGADA

A Polícia Civil de Rio Brilhante chegou a conclusão de que o Cimi patrocinou a ocupação da fazenda, fretando dois ônibus para a operação de invasão, ocorrida em 3 de março do ano passado. Na ocasião, Neves Jr. e seus familiares foram surpreendidos pelos indígenas quando estavam dormindo, sendo agredidos e expulsos da área.

Na sequência, a Polícia Militar agiu e dispersou parte dos indígenas, com prisão de pelo menos cinco deles, por esbulho possessório. Uma reocupação, porém, foi feita. Desde então, Neves Jr. não conseguiu mais o domínio da fazenda que seu avô comprou em 1967.

“O paradoxo é que meu avô se refugiou de um regime fascista em Portugal e hoje, nós, que sempre agimos com boa-fé, também somos alvo de uma forma de fascismo, em que muitos desprezam a nossa versão e a nossa história”, concluiu o engenheiro agrônomo.

No ano passado, a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara (Psol-SP), esteve no local. Na ocasião, Neves Jr., que é filiado ao PT, foi proibido de chegar perto da comitiva ministerial.

Saúde

Cirurgias eletivas pelo SUS passam de 7,5 milhões no primeiro semestre

O aumento no número de cirurgias foi registrado em 20 estados

15/09/2026 19h00

Tomaz Silva/Agência Brasil

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O Sistema Único de Saúde (SUS) registrou mais de 7,5 milhões de cirurgias eletivas realizadas no primeiro semestre deste ano. O número representa um aumento de 8% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram, segundo o governo federal, 608 mil procedimentos a mais.

“O resultado mantém a trajetória de crescimento registrada nos últimos anos e ocorre após o país alcançar, em 2025, 14,9 milhões de cirurgias eletivas”, afirmou o governo federal, em nota.

O aumento no número de cirurgias foi registrado em 20 estados. Os maiores crescimentos foram vistos no Distrito Federal (31%), Sergipe (25%), Paraíba (23%), Bahia (20%) e Ceará (20%). Também apresentaram altas relevantes Amapá (18%), Alagoas (15%), Piauí (15%), Roraima (14%), Minas Gerais (13%), Goiás (12%), Rio de Janeiro (11%) e Rio Grande do Sul (11%).

Parte dos procedimentos foram realizados no âmbito do programa Agora Tem Especialistas, representando 2,92 milhões de cirurgias entre janeiro e junho de 2026. O programa tem como objetivo reduzir o tempo de espera por atendimentos de média e alta complexidade no SUS, por meio de ampliação de mutirões assistenciais, utilização de unidades móveis de saúde (carretas), aquisição de transporte sanitário e fortalecimento da Telessaúde.

A projeção do Ministério da Saúde é de que o SUS ultrapasse o número de 15 milhões de cirurgias eletivas em 2026, acima dos 14,9 milhões registrados em 2025.

Momentos de Tensão

Homem morre após atirar contra PM, invadir casa de idosa e ser baleado em MS

Um dos tiros atingiu o colete de um policial; suspeito entrou em residência durante tentativa de fuga e morreu após ser socorrido em Bataguassu.

15/09/2026 18h28

Wesley morreu após ser baleado durante uma ocorrência envolvendo a Polícia Militar em Bataguassu.

Wesley morreu após ser baleado durante uma ocorrência envolvendo a Polícia Militar em Bataguassu. Foto: Reprodução Redes sociais.

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Um homem identificado como Wesley morreu após um confronto com policiais militares em Bataguassu, depois de ser denunciado por moradores por supostamente andar armado pelas ruas, ameaçar pessoas e efetuar um disparo em via pública. Durante a ocorrência, ele ainda teria atirado contra a equipe policial e invadido a casa de uma idosa na tentativa de fugir.

De acordo com as informações iniciais, a Polícia Militar foi acionada depois que moradores relataram a presença de um homem armado no bairro.

Segundo testemunhas, Wesley caminhava pela região com um revólver, apontava a arma para pessoas que estavam na rua e dizia em voz alta que mataria alguém.

Antes mesmo da chegada da viatura, vizinhos ouviram um disparo. Os relatos feitos aos policiais indicavam que o homem continuava armado e ameaçando quem passava pelo local.

A situação se agravou quando a equipe da Polícia Militar chegou à região. Conforme as informações preliminares da ocorrência, Wesley percebeu a aproximação da viatura e efetuou disparos contra os policiais.

Um dos tiros atingiu o colete à prova de balas de um dos integrantes da equipe. O policial não foi atingido diretamente pelo projétil.

Na sequência, Wesley tentou escapar e correu em direção a uma residência localizada na Rua Diamantino, esquina com a Rua 13 de Outubro.

No momento da fuga, uma idosa deixava o imóvel. Wesley teria aproveitado a abertura da residência para entrar na casa, enquanto os policiais acompanhavam a movimentação.

Diante da possibilidade de a idosa ser mantida como refém, ela foi retirada da residência e deixou o imóvel em segurança. Durante o restante da ocorrência, a moradora permaneceu em uma casa próxima, onde recebeu apoio de vizinhos.

Com a moradora fora do imóvel, os policiais prosseguiram com a intervenção. Segundo a versão inicial apresentada pela Polícia Militar, houve um novo confronto dentro da residência, e dois disparos efetuados pela equipe atingiram Wesley.

Mesmo depois do confronto, o homem foi socorrido pelos próprios policiais e encaminhado ao pronto-socorro da Santa Casa de Misericórdia de Bataguassu. Ele, porém, não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital.

Com Wesley, foi apreendido um revólver calibre .38 Special, que deverá passar pelos procedimentos periciais relacionados à investigação.

A área onde ocorreu o confronto foi isolada para preservar a cena. Peritos do Núcleo de Perícias de Bataguassu estiveram no endereço e realizaram os levantamentos necessários para auxiliar na apuração das circunstâncias da morte.

A idosa que teve a residência invadida não ficou ferida e permaneceu em uma casa próxima durante o atendimento da ocorrência. A avó de Wesley também mora na mesma quadra, na Rua 13 de Outubro.

Investigação vai apurar origem da arma

As circunstâncias da ocorrência deverão ser investigadas, incluindo a dinâmica dos disparos efetuados antes e durante a intervenção policial.

Entre os pontos a serem esclarecidos está a origem do revólver calibre .38 encontrado com Wesley. A investigação também deverá buscar identificar quem seria a pessoa que ele supostamente ameaçava matar antes da chegada dos policiais.

O histórico policial de Wesley também deverá integrar a apuração. Conforme as informações disponíveis, ele já possuía registros anteriores envolvendo porte de drogas, dano, resistência, lesão corporal e violência doméstica.

Em um dos episódios anteriores, a avó de Wesley precisou ser hospitalizada depois de tentar defender a própria filha durante uma situação de agressão atribuída a ele. O episódio foi registrado na delegacia de Bataguassu e passou a integrar seu histórico policial.

Agora, além de esclarecer o que ocorreu dentro da residência, a investigação deverá confrontar os relatos dos policiais e das testemunhas com os elementos recolhidos pela perícia, incluindo a arma apreendida, para estabelecer a sequência dos disparos e as circunstâncias que terminaram com a morte de Wesley.

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