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VIOLÊNCIA

Casos de feminicídio quase triplicam em período de isolamento social na Capital

Cultura machista e conflitos domésticos podem se intensificar sem outras interações sociais, explica psicanalista
02/05/2020 13:00 - Gabrielle Tavares


 

Campo Grande é responsável por cerca de 40% dos feminicídios ocorridos este ano em Mato Grosso do Sul, houve um aumento em 25% em relação ao mesmo período do ano passado. Desde o início do isolamento social na Capital, o número de casos quase triplicaram. 

Enquanto em 2019, de 1º de janeiro até 2 de maio, foram dois casos no município, este ano, no mesmo período o número chegou a cinco, ou seja, uma mulher morta por mês. Os dados, porém, foram intensificados de março até agora, quando três das cinco mortes ocorreram. No Estdo todo são 12 mortes, mesmo número do mesmo período do ano passado.

Na sexta-feira (1º) aconteceu mais um caso que entrou para as estatísticas, a vítima, de 39 anos, foi morta e teve seu corpo enterrado nos fundos de uma residência no bairro Morada Verde. Segundo a Delegada de Polícia da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Ana Luiza Noriler da Silva Carneiro, três pessoas foram presas em flagrante por ocultação de cadáver. O suspeito de matar a jovem, de 39 anos, que era companheiro da vítima, ainda está foragido.

Segundo a psicóloga e psicanalista Marilene Kovalski, ainda não há um motivo específico que pode ser apontado como a causa do aumento de feminicídios no período de isolamento social, mas que existem fatores que podem explicar os comportamentos. “Como a cultura de machismo que não muda nesse período, pelo contrário, pode ser exacerbar e ficar mais intensa, como também a questão de gênero”. 

Ela explica também que a quarentena intensifica as relações familiares. “Tanto a mulher como o homem saíam para o trabalho, tinham outras coisas que os motivavam, outras pessoas para conversar ou desabafar. Agora todos ficam confinados no mesmo lugar, nenhum dos dois tem outro meio de escape”.

Mas a intensificação dos problemas domésticos não significa que vá ocorrer violência em todas as famílias, como aponta Marilene. “Isso nos leva a pensar que independe do momento, mas sim da estrutura psíquica de cada um. Ou seja, a influência da família, das experiências vividas. Tem os que possuem estruturas mais saudáveis e os que não”.

A profissional comenta que comportamentos agressivos aparecerem em detalhes, e recomenda que em momentos de agressividade é melhor que a mulher não enfrente, mas peça ajuda quando se sentir ameaçada. “Não é que a mulher tem que se submeter, ninguém deve se submeter em uma situação de violência, mas é importante observar o melhor momento de reagir”, afirmou.

O Governo do Estado criou um canal online onde podem ser feito denúncias de violência doméstica, pode ser acessado em www.pc.ms.gov.br. Também é possível denunciar através dos números de emergência 180 e 190, a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) funciona 24h por dia em Campo Grande. “É muito triste o que estamos vivendo. As mulheres sempre devem pedir ajuda quando se sentirem ameaçadas, hoje a sociedade tem medidas para ampará-las”, conclui a psicanalista.

 

Felpuda


Alguns pré-candidatos que estão de olho em uma cadeira de vereador vêm apostando apenas nas redes sociais, esperançosos na conquistados votos suficientes para se elegerem. A maioria pede apoio financeiro para continuar mantendo suas respectivas páginas, frisando que não aceita dinheiro público ou de político, fazendo com que alguns se lembrem daquela famosa marchinha de carnaval: “Ei, você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí...”. Como diria vovó: “Essa gente perdeu o rumo e o prumo”.