Cidades

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Fungos & Papoulas

Fungos & Papoulas

Redação

28/05/2010 - 06h18
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Notícia veiculada recentemente pelo New York Times (13/05/2010), e posteriormente espraiada para o resto do mundo, inclusive no Brasil, revela que no segundo trimestre deste ano, uma praga agrícola misteriosa – provavelmente um fungo – dizimou cerca de 30% da safra de papoulas no sul do Afeganistão. A notícia não teria maior repercussão se não fosse um “pequeno detalhe”: aquele país do Oriente Médio produz cerca de 90% do ópio no mundo, um derivado da papoula, cujo valor de colheita no ano passado foi estimado pela ONU em 2,8 bilhões de dólares! Com isso, os preços da heroína, a principal droga derivada do ópio, subiram 50% na região. Mas há também outro fator que talvez justifique o interesse mundial pela matéria: trata-se de uma região essencialmente dominada pela insurgência Taleban, contrária à ocupação do país pelas tropas da Organização para o Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e capitaneadas pelos EUA.

De um lado, dizem os representantes da ONU, que se trata de uma estratégia do Taleban para convencer os agricultores locais de que foram as tropas ocidentais que introduziram o tal “fungo assassino” que destruiu grande parte das plantações de papoula. Mas as forças armadas norte-americanas dizem que a erradicação da papoula seria contraproducente no atual esforço de conquistar o apoio dos afegãos, negam enfaticamente qualquer envolvimento no caso e afirmam que a “doença se desenvolveu naturalmente”. Por outro lado, além de alimentar a guerra de propaganda, a praga pode também ajudar os insurgentes ao promover uma alta no preço da papoula. É que a produção reduzida está causando alta de até 60% no preço do ópio fresco, depois de anos de quedas de preços, conforme Antonio Maria Costa, diretor executivo do Serviço de Combate a Drogas e Crime da ONU. (Estadão On-line, 13/05/2010).

Mas a hipótese de que sejam as tropas da OTAN responsáveis pela disseminação da praga do fungo nas plantações de papoula no Afeganistão não é de todo descabida. É que já em outubro de 2000, reportagem publicada pela BBC revelava que países ocidentais – leia-se EUA e Grã-Bretanha – financiavam pesquisas para desenvolver um fungo capaz de atacar plantações de papoula naquele país. Na ocasião, o problema seria a segurança para se desenvolver um agente patogênico desse tipo, bem como a legalidade da invasão do território afegão para promover tal infestação. (Robert Berlinck/Blog Quiprona/13/05/2010). Isso, no entanto, parece que foi suplantado. 

 Em matéria publicada pela Biotec/AHG (09/05/2006), Marcos Siqueira diz que o bioterrorismo ganhou maior notoriedade após os ataques às torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, EUA, em 11/09/2001. Revela que o agroterrorismo não é recente, pois na Primeira Guerra Mundial o exército alemão utilizou o Bacillus anthracis, agente causal do Antraz, para contaminar cavalos e mulas na Mesopotâmia e França! Diz ainda que os Governos Britânico, Americano e as Nações Unidas investiram 1,3 milhão de dólares para desenvolver um fungo que matasse as papoulas do ópio em plantações afegãs como uma arma biológica, sem ameaçar outras plantas e animais. E tudo indica que esse intento foi atingido no Uzbequistão, país vizinho ao Afeganistão: pesquisadores americanos e ingleses desenvolveram um fungo – o Pleospora papaveracea – capaz de destruir as principais variedades de papoulas incluídas no teste, sem afetar as cerca de 130 espécies de plantas parecidas com a papoula, o que do ponto de vista científico foi um sucesso!

Diante de todo esse imbróglio,envolvendo fungo, papoula e talebans no remoto Afeganistão, a pergunta que se faz,é:Será que existe algum significado político por trás de toda essa história? Mas para melhor entender isso,é preciso retornar um pouco no tempo.Em dezembro do ano passado, embora tenha estabelecido um prazo de meados de 2011 para começar a retirar as tropas americanas do Afeganistão, o presidente dos EUA, Barack Obama (Prêmio Nobel da Paz!?), ordenou o destacamento de mais 30 mil soldados para aquele país! E em recente visita-surpresa ao Afeganistão, Obama agradeceu ao povo afegão e às tropas americanas por seu sacrifício na guerra no Afeganistão, e prometeu impedir o regresso da milícia talibã ao poder no país. Ele afirmou ainda que está “absolutamente certo” de que os Estados Unidos vencerão os talibãs e a Al-Qaeda no Afeganistão. E acrescentou:“Com nossos aliados, venceremos”. (RedaçãoTerra,28/03/2010).

Por último, é bom lembrar do suposto atentado terrorista na Times Square, em Nova York, na tarde do dia 1º de maio de 2010, quando um carro-bomba estacionado e fumaçando foi desarmado pela polícia local. Logo em seguida foi preso o paquistanês naturalizado americano Faisal Shahzad, que admitiu estar ligado ao caso. O suspeito disse ainda ter sido treinado em campos terroristas no Paquistão e as autoridades americanas acreditam que grupos insurgentes ligados ao Taleban estejam envolvidos no episódio (Agência Estado,13/05/2010). O curioso nessa história, é que o camelô que detectou o sinal de fumaça vindo do carro Nissan Pathfinder estacionado junto ao meio-fio e avisou ao policial que passava, era o veterano de guerra do Vietnã, Lance Orton, que foi aclamado como herói e dias depois recebeu os cumprimentos do presidente Barack Obama por telefone. (Paulo Stockler/Coluna do Nassif, 03/05/2010). Não é muita coincidência?

Hermano de Melo, médico-veterinário, escritor e estudante de Jornalismo.

Previdência

Valor extra da contribuição previdenciária será devolvido a servidores de Campo Grande

Adriane Lopes vetou o trecho da proposta que diminui o prazo de ressarcimento de 36 para 12 parcelas

19/01/2026 18h00

Prefeitura de Campo Grande

Prefeitura de Campo Grande FOTO: Marcelo Victor/Correio do Estado

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A prefeita Adriane Lopes (PP), sancionou, nesta segunda-feira (19), a Lei Complementar referente ao ressarcimento do valor excedente da contribuição previdenciária dos servidores públicos do Município. O dinheiro será devolvido em folha de pagamento do trabalhador, dividido em 36 parcelas mensais e sucessivas, com a primeira parcela de competência janeiro de 2026. 

Aqueles que optaram por contribuir para o Regime de Previdência Complementar (RPC) ao Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG), entre o período de 13 de novembro de 2019 e 18 de outubro de 2022, serão ressarcidos pela Prefeitura.

O texto proposto tinha como objetivos principais regulamentar a devolução dos valores que, segundo o projeto, foram descontados "indevidamente" e também diminuir as parcelas de 36 para apenas 12 vezes.

A prefeita vetou parcialmente trechos do PLC. O IMPCG entende que o projeto de lei modificou, sem análise de viabilidade orçamentária, o texto original que foi deliberado e elaborado pelos membros presentes na Reunião Ordinária do Comitê de Acompanhamento de Previdência Complementar com a participação do sindicato dos servidores envolvido.

Além disso, entende que  o PL contraria a legislação previdenciária (LC n. 415/2021), por tratar de uma temática diferente do texto apresentado e trazer atualização que se refere a "valores como desconto indevido", o que, segundo a Prefeitura, não condiz com os fatos. O Executivo alega que, à época, estes descontos foram realizados em conformidade com a legislação previdenciária.

Outro trecho que foi vetado trata-se do prazo do ressarcimento. A Procuradoria-Geral do Município (PGM) aponta que também foi deliberado pelo Comitê de Acompanhamento de Previdência Complementar (CAPC), por unanimidade e de comum acordo com o Sindicato dos Auditores da Receita, o parcelamento em 36 vezes, com a concordância da Secretaria Municipal da Fazenda”.

O texto queria alterar o fluxo financeiro de ressarcimento de 36 para “até 12 parcelas”,  e segundo a PGM, isto "afronta diretamente o planejamento orçamentário, capacidade financeira do ente, com a execução das despesas obrigatórias e com a manutenção do equilíbrio fiscal ao longo do exercício".

Parecer da PGM

Entretanto, quanto ao previsto no parágrafo único do art. 2º, a alteração promovida pela emenda parlamentar incide precisamente sobre o fluxo financeiro do ressarcimento ao migrar de um parcelamento originalmente mais diluído (36) para “até 12 parcelas”, impõe-se ao Município uma concentração do desembolso
em período significativamente menor.

Importante mencionar que isso tem repercussões diretas no planejamento orçamentário, na programação financeira e na gestão do caixa, sobretudo por ocorrer com marco inicial definido (“competência janeiro do ano de 2026”). Mesmo quando o dever de ressarcir é juridicamente reconhecido, a forma e o prazo de pagamento não são indiferentes ao interesse público: são elementos que dialogam com a capacidade financeira do ente, com a execução das despesas obrigatórias e com a manutenção do equilíbrio fiscal ao longo do exercício.

Em termos práticos, reduzir o número de parcelas aumenta o comprometimento mensal de recursos em 2026, restringindo a margem de alocação para outras despesas essenciais e elevando o risco de necessidade de ajustes orçamentários (por exemplo, remanejamentos e créditos adicionais), o que pode gerar efeitos em cadeia na execução de políticas públicas.

No regime jurídico-financeiro brasileiro, a criação/expansão ou alteração de obrigações que provoquem impacto relevante no curto prazo exige que o processo legislativo seja acompanhado de demonstração mínima de compatibilidade com o orçamento e a programação financeira, em linha com os deveres de responsabilidade fiscal e planejamento.

(...) o parágrafo único do art. 2º apresenta-se como solução juridicamente adequada para preservar a parte incontroversa e útil da norma (apuração e atualização pelo IPCA-E), sem impor ao Município uma forma de pagamento fiscalmente mais gravosa. ”

Sefaz

Já a Secretaria Municipal de Fazenda (SEFAZ), manifestou-se pelo veto deste trecho, pois, da forma apresentada prejudica diretamente no planejamento orçamentário para o exercício de 2026 aprovado pelo Legislativo Municipal.

“Considerando a Lei nº 7.441, de 14 de julho de 2025, que autoriza o Poder Executivo a aderir ao Programa de Acompanhamento e Transparência Fiscal e ao Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal, previstos na Lei Complementar nº 178, de 13 de janeiro de 2021, fica limitado o crescimento anual da despesa primária
à variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ou de outro índice que vier a substituí-lo.

Considerando que, atualmente, o Município se encontra classificado na letra C da CAPAG (Capacidade de Pagamento), avaliação atribuída pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) do Ministério da Fazenda, a qual reflete situação fiscal com elevado comprometimento da receita com dívidas e folha de pagamento. Essa classificação dificulta o acesso a operações de crédito com garantia da União e impõe a necessidade de ações concretas de ajuste fiscal e aprimoramento da gestão financeira, com vistas à recuperação da capacidade de investimento e à obtenção de classificação mais favorável.

Considerando que, de acordo com o Relatório de Gestão Fiscal (RGF) referente ao 2º quadrimestre de 2025, as despesas de pessoal do Poder Executivo atingiram 55,85% da Receita Corrente Líquida (RCL), percentual acima do limite alerta de 48,60%, estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), somandose ainda outras despesas obrigatórias, como água, energia elétrica, telefonia, internet, contratos de aquisição de materiais e serviços essenciais à manutenção da administração pública.

Considerando que as atuais condições fiscais do Município se encontram acima dos limites legais impostos ao Poder Executivo Municipal, tendo em vista que a Constituição Federal, no artigo 167-A, dispõe que, quando a relação entre despesas correntes e receitas correntes superar 95% fica vedada a criação de novas despesas obrigatórias.

Campo Grande

Integrantes do carro cravejado por balas no Nhanhá queriam comprar cocaína

De acordo com o motorista, os disparos começaram por causa de uma discussão e ele bateu o carro enquanto tentava fugir do autor dos tiros

19/01/2026 17h30

Veículo foi encontrado na manhã de domingo (18)

Veículo foi encontrado na manhã de domingo (18) FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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O veículo cravejado por tiros encontrado no bairro Nhanhá, em Campo Grande, na manhã de ontem (18) levava três pessoas que queriam comprar cocaína. 

Entre elas, pai e filho, identificados como Carlos Galeano Riveros, de 48 anos, e Fabiano Reyes Galeano, de 28 anos. A terceira pessoa era amiga de Fabiano e não foi identificada. 

Segundo o boletim de ocorrência, o pai, Carlos, dirigia o Voyage branco no bairro quando se aproximaram de uma conveniência de esquina, onde estava um grupo de pessoas. 

De acordo com o relato, um dos integrantes do grupo começou a discutir com Fabiano, filho de Carlos, quando começou a efetuar os disparos em direção ao carro. 

Carlos era quem dirigia o carro e tentava fugir dos tiros, quando bateu em um muro e abandonou o carro. 

Ele contou à polícia que foi atingido por três tiros, dois de raspão (na mão direita e na altura da costela) e um na perna direita.

Disse que sabia que Fabiano tinha sido atingido, mas não teve mais contato com ele após abandonarem o veículo. Ele não tinha informações sobre o terceiro integrante. 

Durante a madrugada, Carlos procurou atendimento médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Universitário, mas abandonou o local quando soube que a Polícia seria comunicada de sua presença na unidade. 

Porém, pela manhã, voltou à UPA por complicações médicas, onde foi localizado pelos policiais. Segundo o médico que atendeu o homem, ele segue em observação sem risco de vida. 

Relembre

O carro foi encontrado na rua Floriano Paula Corrêa, na Vila Nhanhá, esquina com a Travessa Trigueiros na manhã deste domingo (18) com 12 marcas de tiros. 

O veículo teria colidido com o meio-fio da rua após ter sido atingido pelos disparos. No local, foram encontradas quatro cápsulas, 8 “swabs”, um projétil e dois encamisamentos.

Os materiais foram recolhidos e levados para perícia. 

A primeira informação era de que os integrantes estavam embriagados, já que passaram pelo bairro em alta velocidade e em “zigue-zague”. No entanto, segundo os relatos do motorista, tratava-se de uma fuga. 

A região onde o veículo foi encontrado é conhecida por ser local de tráfico de drogas. 

Segundo a Polícia, um dos integrantes do carro foi atingido na face e levado a uma unidade de saúde. Outra pessoa que estava sentada na calçada também teria sido alvejada. 

Os policiais ainda tentaram contato com comércios e residências que possuem câmeras de segurança direcionadas ao local do acidente para analisar as imagens, mas não tiveram resposta. 
 

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