Cidades

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Governador não aceita ser enquadrado pelo PMDB

Governador não aceita ser enquadrado pelo PMDB

Redação

21/05/2010 - 08h32
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LIDIANE KOBER

O governador André Puccinelli (PMDB) não aceitará ser enquadrado pelo PMDB para forçá-lo a apoiar a candidatura de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República. Ele disse que, com o fim da verticalização, não há como impedir os diretórios regionais de pedir votos para um candidato diferente do apoiado pela direção nacional. Como não acredita no êxito do partido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), manterá o prazo para anunciar a escolha do seu candidato a presidente da República.

Inspirado na lei de fidelidade partidária, o deputado federal Eduardo Cunha (RJ) consultou o TSE, com aval da cúpula nacional, se há como impedir os diretórios estaduais de pedir votos para um candidato a presidente diferente do apoiado pelo comando nacional. Dependendo da resposta do tribunal, Puccinelli e outros dissidentes serão obrigados a montar segundo palanque para Dilma ou ficar neutro na eleição nacional.
“Se não há verticalização, cadê a liberdade?”, questionou ontem o governador. Para ele, não há problema na possibilidade de o PMDB de Mato Grosso do Sul apoiar José Serra (PSDB) na sucessão presidencial, contrariando a tendência de o partido firmar aliança com Dilma, indicando, inclusive, o presidente nacional da sigla, deputado federal Michel Temer (SP), para ser o vice. “Não há problema (em não seguir a nacional) porque não tem mais a verticalização”, reforçou.

Puccinelli fez questão de ressaltar ser favorável à fidelidade partidária, porém, reiterou não estar desrespeitando a regra, levando em conta o fim da verticalização, que obrigava as siglas a repetirem as alianças firmadas em nível nacional. “Sou a favor da fidelidade partidária. Fidelidade, a partir do momento em que haja fechamento de questão e que se aplique verticalmente no ano anterior. Daí não tem problema”, disse.
Na opinião do governador, a tentativa de o PMDB encontrar brecha a fim de fechar o cerco contra os rebeldes nos estados, obrigando-os a apoiar Dilma na sucessão presidencial, não vai vingar. “Eles vão ver (que não tem brecha) e, se tivesse, teria que ter verticalização”, avaliou.
Certo de que a manobra não vai dar certo, Puccinelli não cogita adiar o anúncio do futuro do partido na eleição nacional. “No final do mês, eu decido”, prometeu.

Na hipótese de a manobra do PMDB vingar, não há restrição à aliança local com os partidos de oposição. Puccinelli, por exemplo, poderia coligar-se com o PSDB, DEM e PPS, como já vem fazendo, já que não existe mais a verticalização. Mas não poderia mais pedir votos para José Serra, caso a aliança com Dilma seja aprovada pela convenção nacional do PMDB, no dia 12 de junho. Com a resposta positiva à consulta ao TSE, o comando do PMDB pretende exigir a fidelidade e tentar diminuir a margem de manobra dos rebeldes durante a campanha eleitoral.

EDUCAÇÃO

Governo estuda retomar escolas "emprestadas" às prefeituras

Somente em Campo Grande, há quatro escolas que eram estaduais e que foram municipalizadas nos últimos anos

19/01/2026 08h00

Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Algumas das escolas cedidas às administrações municipais pela Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul (SED) nos últimos anos podem voltar para as mãos do Estado em 2026, conforme afirmou o titular da Pasta, Hélio Daher.

Diante da queda do número de estudantes em 2019, ao menos 20 escolas estaduais foram fechadas pela secretaria, algumas delas, “emprestadas” aos Executivos municipais e os alunos dessas instituições precisaram ser remanejados a outras escolas.

Porém, em entrevista ao Correio do Estado, Daher afirmou que, agora, Mato Grosso do Sul deve seguir o caminho contrário do feito há cerca de sete anos e realizar um plano de ampliação de escolas. Entre os objetivos está o retorno das escolas cedidas às prefeituras para o comando do Estado.

“Estamos buscando, inclusive, escolas emprestadas para trazer de volta para a rede. Só em Campo Grande tem quatro escolas da rede estadual que são emprestadas para a rede municipal, essas a gente manteve o empréstimo, mas a ideia é que a gente consiga ampliar mais escolas”, disse o secretário.

As quatro escolas campo-grandenses citadas por Daher foram municipalizadas em agosto de 2020 e são: Nicolau Fragelli; Professor Carlos Henrique Schrader; Professora Hilda de Souza Ferreira; e Advogado Demosthenes Martins.

Escola Professor Carlos Henrique Schrader, em Campo Grande, foi uma das instituições estaduais repassadas para o Município - Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

Porém, elas não devem ser solicitadas de volta pela secretaria, somente as escolas localizadas no interior.

Além de Campo Grande, escolas também foram cedidas às administrações municipais de Bandeirantes, Aquidauana, Deodápolis e Ponta Porã nos últimos anos, mais especificamente na época em que Mato Grosso do Sul era governado por Reinaldo Azambuja.

O Correio do Estado entrou em contato com a SED para saber o número absoluto de escolas “emprestadas” às redes municipais de ensino. Porém, até o fechamento desta edição, não foi repassada a quantidade.

Para o secretário, essa necessidade de ampliação de escolas é motivada pelo crescimento populacional do Estado, principalmente diante dos investimentos realizados em Mato Grosso do Sul nos últimos anos, que, consequentemente, aumentam o número de estudantes.

“A demografia do Estado foi bem lenta até 2019, 2020. Com os investimentos que estão vindo, isso mudou novamente. O Estado passa a receber muita gente, então, para nós, a Secretaria da Educação já não tem mais como a gente fechar escolas. Pelo contrário, a gente está abrindo escolas”, explica.

De acordo com dados enviados à reportagem pela SED, cerca de 192 mil alunos foram atendidos pela Rede Estadual de Ensino (REE) no ano passado. Pelo fato do processo de matrícula ainda estar em andamento, ainda não há dados atualizados deste ano.

NOVAS ESTRUTURAS

Mesmo fora do radar do Estado no pedido de retorno das escolas emprestadas, Campo Grande deve participar do planejamento da secretaria de ampliação da Rede de Ensino de outra maneira.

Segundo o secretário, o Bairro Jardim Noroeste e o distrito de Anhanduí devem receber novas escolas no futuro, em razão da necessidade da comunidade nesses trechos da Capital.

“[Antes da entrevista] eu estava com o pessoal do Noroeste, buscando um novo terreno, justamente porque vai ter que construir mais uma escola no Noroeste, porque só aquela já estou com fila de espera, porque todo mundo quer ter uma escola nova”, disse.

“Então, já veio a presidenta do bairro aqui falar comigo, que apresentou para nós as necessidades do Noroeste. A gente deve apresentar para a prefeitura a necessidade de um terreno e também uma outra escola nova no distrito de Anhanduí, que é muito necessário por conta da população local”, complementa Hélio.

PRESENTE E FUTURO

Hélio Daher está no comando da secretaria durante todo o mandato do governador Eduardo Riedel até aqui. Em entrevista publicada pelo Correio do Estado no sábado, o professor contou que os investimentos em obras e reformas de escolas já ultrapassaram a marca de R$ 1,2 bilhão nos últimos anos.

“A gente entrega, em média, uma escola reformada a cada seis dias, é hoje uma das redes públicas brasileiras que mais entregam escolas reformadas atualmente, um ritmo muito acelerado, já passamos de 220 escolas das 352 que passaram por intervenções, um número bem grande, mas nós temos ainda um número de escolas a serem construídas”, esclareceu na entrevista.

Para este ano, o secretário garantiu a entrega das obras das escolas Escola Hércules Maymone e Joaquim Murtinho, ambas em Campo Grande, e de três no interior do Estado – uma em Ribas do Rio Pardo, outra em Ponta Porã e mais uma em Dois Irmãos do Buriti. Essa última será um espaço indígena de ensino.

Inocência e Bataguassu também estão no radar para receberem novas escolas.

“A gente já começa com deficit de salas de aula, principalmente em Inocência, por conta de Aral Moreira, então a gente já está com o terreno lá e vamos iniciar a obra esse ano da escola de Inocência”, afirma.

O secretário também comentou o fato de o Estado ter chegado a 61% das escolas de tempo integral, acima da meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação, que é de 50% até 2027.

“A gente atingiu com dois anos de antecedência e agora a gente vem negociando aos poucos a ampliação do tempo integral, mas aí de acordo com a necessidade da comunidade”, disse.

*Saiba

A redução de estudantes fez com que alunos das escolas fechadas passassem para outras instituições da Rede Estadual de Ensino a partir de 2020, situação que ocorreu em Iguatemi, Dourados, Aquidauana e Itaquiraí.

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BRASIL

Entenda as liquidações do Banco Master e da Reag

Cerca de 1,6 milhão de clientes foram afetados pelas irregularidades

18/01/2026 23h00

Cerca de 1,6 milhão de clientes foram afetados pelas irregularidades

Cerca de 1,6 milhão de clientes foram afetados pelas irregularidades Rovena Rosa/Agência Brasil

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As liquidações do Banco Master, decretada pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025, e da gestora de investimentos Reag, na quinta-feira (15) revelaram um dos episódios mais graves do sistema financeiro brasileiro. O caso envolve suspeitas de fraudes bilionárias, uso de fundos de investimento para ocultar prejuízos, tentativas de socorro via banco público e tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal de Contas da União (TCU) com o BC e a Polícia Federal (PF).

Controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, o Master cresceu rapidamente ao oferecer Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima da média do mercado. Para sustentar o modelo, segundo investigadores, o banco passou a assumir riscos excessivos e a estruturar operações que inflavam artificialmente seu balanço, enquanto a liquidez real (dinheiro imediatamente disponível para ressarcir os investidores) se deteriorava.

As investigações da PF e os relatórios do BC apontam que o colapso do Master não foi apenas financeiro, mas também institucional. A conexão com a gestora Reag Investimentos, a tentativa de venda ao Banco de Brasília (BRB) e a pressão sobre órgãos de controle transformaram o caso em um xadrez complexo, com impacto direto sobre investidores e sobre a credibilidade das instituições.

1. Como funcionava o esquema financeiro

  •      Entre 2023 e 2024, o Master teria desviado cerca de R$ 11,5 bilhões por meio de triangulações.
  •      Banco emprestava recursos a empresas supostamente laranja que aplicavam o dinheiro em fundos da gestora Reag Investimentos.
  •      Esses fundos compravam ativos de baixo ou nenhum valor real, como certificados do extinto Banco Estadual de Santa Catarina (Besc), por preços inflados.
  •      Banco Central identificou seis fundos da Reag suspeitos, com patrimônio conjunto de R$ 102,4 bilhões.
  •      Dinheiro circulava entre fundos ligados aos mesmos intermediários até chegar aos beneficiários finais.

2. Esquema de pirâmide

  •      Para adiar a inadimplência, o banco concedia empréstimos com carência de até cinco anos.
  •      Novos CDBs eram usados para pagar investidores antigos, caracterizando um esquema Ponzi (pirâmide financeira).
  •      Master chegou a oferecer CDBs de até 140% da taxa do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), nível considerado insustentável.
  •      Com as primeiras suspeitas sobre a credibilidade do banco em 2024, a captação secou e o caixa entrou em colapso.

3. Venda de carteira ao BRB

  •      Em busca de liquidez, o Master simulou a compra de uma carteira de crédito de R$ 6 bilhões da empresa Tirreno.
  •      Operação existia apenas contabilmente, sem pagamento ou crédito real.
  •      BC analisou CPFs da carteira e concluiu que as operações não existiam.
  •      Mesma carteira foi revendida ao BRB por R$ 12 bilhões após manipulação da taxa de juros.
  •      Em setembro, Banco Central barrou a tentativa de venda de parte do Banco Master ao BRB.
  •      Proposta de venda do Master ao BRB, segundo a investigação, buscava fundir balanços e diluir a fraude em um banco público.

4. Intervenção e liquidação

  •      Banco Central limitou a captação do Master a 100% do CDI, paralisando o crescimento.
  •      Desde abril de 2025, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) passou a cobrir CDBs vencidos por meio de linha emergencial.
  •      Controlador tentou aportar recursos com a venda de ativos pessoais, sem sucesso.
  •      Banco foi liquidado quando não conseguia pagar nem 15% dos vencimentos semanais.

5. Papel da Reag Investimentos

  •      Fundos administrados pela Reag aparecem como peça central na sustentação do esquema.
  •      Reag é suspeita de facilitar constituição de empresas laranja para emprestar a fundos
  •      Fundos são investigados por supostamente terem valorizado ativos fictícios e pulverizado recursos.
  •      Posterior liquidação da gestora pelo BC é vista como desdobramento direto do caso Master.
  •      Após segunda fase da Operação Compliance Zero, BC decreta liquidação da Reag Investimentos

6. Tensão entre órgãos públicos

  •      Embora concentre apenas 0,5% dos ativos do sistema financeiro, a liquidação do Master desencadeou tensões entre órgãos públicos.
  •      Liquidação gerou questionamentos simultâneos no STF, TCU e no Congresso sobre decisões técnicas do BC.
  •      BC chegou a acordo com TCU para inspeção de documentos, desde que não comprometam sigilo bancário e prerrogativas da autoridade monetária.
  •      Ministro Dias Toffoli, do STF, que assumiu ações judiciais relacionadas ao Master, tentou fazer acareação que incluiria diretor de Fiscalização do BC, mas desistiu e mandou PF colher apenas depoimentos adicionais de Vorcaro e do ex-presidente do BRB.
  •      Após determinar que todo o material apreendido pela PF na Operação Compliance Zero ficasse custodiado no STF, Toffoli autorizou a análise pela Polícia Federal, com apoio da Procuradoria-Geral da República.

7. Impacto para os clientes

  •      Com a liquidação do Master, cabe ao FGC, fundo formado por recursos dos bancos, ressarcir cerca de 1,6 milhão de clientes.
  •      FGC estima desembolsar cerca de R$ 41 bilhões, cerca de um terço do patrimônio do fundo.
  •      Valor é o maior resgate da história do fundo, limitado a R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
  •      Pagamento depende da consolidação da lista de credores pelo liquidante, o que ainda não foi feito dois meses após a liquidação.
  •      Fundos da Reag não têm proteção do FGC, mas cotistas podem escolher outra gestora para administrar recursos.
  •      18 fundos de pensões estaduais e municipais que investiram R$ 1,86 bilhão em fundos do Master e em Letras Financeiras não serão ressarcidos porque esses investimentos não são cobertos pelo FGC

8. Por que caso é histórico?

  •      Episódio expôs falhas de fiscalização, uso indevido de fundos e pressão nas instituições.
  •      Escândalo levanta dúvidas sobre auditorias, agências de rating, que atestavam a saúde financeira do Master, e os limites da supervisão financeira.
  •      Caso deve tornar-se referência para mudanças regulatórias e para o debate sobre governança no mercado financeiro.

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