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VIOLÊNCIA

Grupo armado causa medo em reserva indígena kadiwéu de Mato Grosso do Sul

Morador da região relata ameaças, extorsão e crimes ambientais; operação da Polícia Federal investiga desmatamento em área kadiwéu
22/10/2020 09:30 - Rodrigo Almeida


A Operação Ceuci, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quarta-feira (21), é mais um passo na tentativa de desvendar a exploração econômica ilegal na Reserva Indígena Kadiwéu, localizada na região das cidades de Miranda e Porto Murtinho.  

Segundo informações da PF, as ações investigam a ocorrência de crimes ambientais e invasão de terras da reserva, além de extração ilegal de madeira e uso da terra para criação de gado de terceiros. O Correio do Estado conversou com exclusividade com um morador da região, que confirmou os crimes e a ação de um grupo fortemente armado.  

De acordo com o morador, que pediu para não ter a identidade revelada, “eles [o grupo] extorquem e ameaçam os indígenas e produtores rurais da região. Alguns até se mudaram para a cidade por medo”. Desde 2015, a tensão segue alta na reserva. À época, disputas na liderança da Aldeia Alves de Barros resultaram na morte de dois indígenas, entre eles o então cacique Ademir Matchua.  

“Eles não foram punidos pelo crime, por isso não têm medo mais”, afirma. “Eles andam pela aldeia armados, retiram as pessoas das terras, e a comunidade toda se sente acuada e oprimida”, relata.  

Segundo o morador, existem denúncias na Polícia Federal de todas as seis aldeias que formam a Reserva Indígena Kadiwéu e a Fundação Nacional do Índio (Funai) também não tem acesso mais à reserva. “Estamos desassistidos porque o grupo ameaçou a CTL [Coordenação Técnica Legal] da Funai, que pediu afastamento depois de uma invasão à sede de Bonito”, explica.  

A esta reportagem foi dito que três pessoas são chefes do esquema. Um ex-servidor da Funai estaria envolvido, porém, segundo apuração, ele segue foragido. Um cacique também faria parte do comando das ações. As informações indicam que ambos fariam a negociação de uma espécie de direitos de exploração, em que  exigia-se dinheiro para utilização da terra retirada à força de outras famílias. Além disso, haveria um terceiro envolvido que trabalharia como um apoiador das ações. O relato da reserva é de que quem permanece vive com medo do grupo, sem ter como agir e trabalhar.  

Operação

A Operação Ceuci recebeu esse nome em homenagem à deusa indígena protetora das lavouras e moradias indígenas. A Polícia Federal (PF) deflagrou ações que investigam a ocorrência de crimes ambientais e invasão de terras da Reserva Indígena Kadiweu.

Servidores do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) deram apoio a agentes da PF no cumprimento de 30 mandados de busca e apreensão nos municípios de Miranda, Bodoquena e Campo Grande, expedidos pela 5ª vara de Justiça Federal de Campo Grande.  

Além disso, o Exército Brasileiro também participou da ação disponibilizando aeronaves para o translado dos servidores do Ibama.  

Iniciada em junho de 2019, a investigação visa apurar a ocupação e a exploração de áreas indígenas além de crimes ambientais decorrentes de desmatamento.

Em nota divulgada à imprensa, a Polícia Federal afirma que “com o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, a PF pretende identificar os ocupantes das referidas áreas, bem como eventuais atividades econômicas desenvolvidas e a existência de danos ambientais”.

 

 
 

Felpuda


Comentários ouvidos pela “rádio peão”, em ondas curtas, são de que figurinha só ganharia apoio dos colegas caso pessoa agregada fosse “curtir a aposentadoria” de uma vez por todas. Como seu acordo político acabou naufragando nesta campanha, agora dito-cujo estaria querendo recuar e não ceder o lugar. 

Isso até poderia acontecer, se não fosse a sua, digamos, eminência parda. Afe!