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SAÚDE

Com hospitais superlotados, licença dos Bombeiros fica em segundo plano

Com a pandemia, Regional, Universitário e Santa Casa não têm verba e nem condições para realizar as obras
07/12/2020 09:30 - Daiany Albuquerque


Os três principais hospitais de Campo Grande que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) seguem sem a certificação do Corpo de Bombeiros contra incêndio e pânico. A situação deve permanecer pelo menos até o fim deste ano, por causa da pandemia de Covid-19.

Com as estruturas superlotadas, principalmente os leitos críticos, o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian e a Santa Casa de Campo Grande não têm verba e nem condições para realizar as obras necessárias para que o documento seja emitido.

Para ter o alvará é necessário uma série de adequações, como acessibilidade, placas refletivas que indiquem a saída em caso de incêndio, estrutura para conter as chamas – como portas corta-fogo e extintores – e funcionários habilitados para conter o fogo e orientar os pacientes.

No caso das medidas que envolvem obras ou aquisições, o andamento tem sido mais lento. Uma reunião foi feita no início do mês passado entre corporação e hospitais a fim de cobrar ações. Da reunião restou o compromisso por parte das unidades de apresentação de cronograma de ação, que deve ser enviado este mês.

Porém, os hospitais já admitem que, com o aumento de casos de Covid-19 e a ocupação quase que total dos leitos à disposição para tratamento, a maioria das ações deve ficar para 2021. Segundo a diretora administrativa do Hospital Regional, Ana Paula Cangussu, a unidade fará algumas adequações este ano, mas as intervenções na estrutura ficarão para depois da pandemia.

“Temos praticamente tudo em andamento, com alguns pontos para obra, mas que no período de Covid-19 não tem como fazer e fica para o ano que vem, porque o foco agora é a Covid-19, e estamos juntando as nossas forças para melhor atender esses pacientes”, declarou.

O hospital deve entregar um cronograma na quarta-feira (9) e promete que algumas medidas, como a formação de uma brigada de incêndio, devem ser cumpridas este ano. “Estamos terminando o cronograma, que será factível e responsável”.

UNIVERSITÁRIO

No caso do Hospital Universitário, a burocracia atrapalhou a obtenção do documento. Mas agora, segundo a assessoria de imprensa, a unidade está executando “diversas adequações pedidas pelos bombeiros (porta corta-fogo, hidrantes, escadas de emergência, etc.)”.

A unidade também informou que há projetos que foram apresentados e que necessitam de aprovação dos bombeiros e que ainda não há previsão para que a certificação seja dada. O hospital já fez as outras adequações que eram necessárias, como a criação de uma brigada de incêndio entre servidores da unidade. O centro médico, porém, nunca teve essa certificação.

Apesar de ter atendido muitos pacientes durante a pandemia, o setor foi fechado depois que o número de internações foi reduzido, mas o governo do Estado já está em tratativas para reabrir 10 vagas de unidades de terapia intensiva (UTIs) no local.

SANTA CASA

No caso da Santa Casa, maior hospital de Mato Grosso do Sul, a assessoria de imprensa informou que o processo para conseguir o documento está em andamento e que “as adequações solicitadas pelo Corpo de Bombeiros estão sendo realizadas conforme as condições financeiras da instituição”.

“Cabe ressaltar que a Santa Casa dispõe de todos os requisitos de segurança e combate de incêndio, inclusive com brigada de incêndio e bombeiros civis 24 horas”, completou a unidade. Em 2019, o hospital, que estava há seis anos sem a certificação, conseguiu o documento de forma provisória, já que várias medidas ainda precisavam ser feitas. O documento perdeu a validade em abril deste ano e não há informação se foi renovado.

Em outubro do ano passado, o Correio do Estado detalhou que o hospital não tinha rampas entre os andares, o que poderia impossibilitar, em caso de incêndio, a retirada dos pacientes que precisariam continuar em macas, já que o uso dos elevadores não é recomendado.

Outro problema apontado na época era que as portas corta-fogo, usadas para impedir que incêndios avancem ou que a fumaça se alastre para outros cômodos, ficavam constantemente abertas, segundo servidores da unidade.